História Star Wars: The secret of Ben - Capítulo 25


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Categorias Star Wars
Personagens Anakin Skywalker (Darth Vader), Capitã Phasma, Darth Plagueis, Finn, Han Solo, Kylo Ren, Leia Organa, Luke Skywalker, Obi-Wan Kenobi, Padmé Amidala, Poe Dameron, Rey
Tags Aventura, Reylo, Romance, Star Wars
Exibições 91
Palavras 5.948
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Famí­lia, Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 25 - A grandeza exige sacrifícios


Fanfic / Fanfiction Star Wars: The secret of Ben - Capítulo 25 - A grandeza exige sacrifícios

             O vento úmido tangia em seus cabelos, e os fios soltos foliavam diante das suas faces nubladas. Os seus olhares colidiram-se novamente, e Rey, sentiu o frio congelar seu coração. Uma sensação familiar se apoderara dela; a mesma que sentiu quando deixou-se levar pelas memórias de Ren. Suas certezas ainda eram vagas em relação aquela realidade. Sua própria vida parecia estar fora do seu alcance, e esvaia-se das suas lembranças toda vez que tentava uma aproximação. O silêncio momentâneo de Ren era ensurdecedor. Seus ouvidos aguardavam com ansiedade o que ele tinha para lhe dizer.   

            Ele, por sua vez, personificou um aspecto melancólico. As sobrancelhas formaram um vinco, de medo, talvez.  Seus olhos tornaram-se mais brilhantes. Estavam marejados. Algo doloroso estava plantado neles, como se cada palavra que diria dali em diante, antecipasse seu destino. O remorso chegara fora de hora, mas ele sabia que era preciso controlá-lo de forma com que Rey não percebesse. Ele apertou os lábios e contorceu o rosto, ao mesmo tempo em que deslizava sua mão por cima da relva úmida para tocar as mãos álgidas de Rey.

             - Você saberá a verdade, mas ela não sairá da minha boca. Não posso contar a minha versão da história e esperar que você compreenda. Longe de mim fazer com que você seja influenciada pelas minhas palavras. Então, eu pergunto: Você se sentiria suficientemente confortável para sonhar agora?

            Ela frisou o cenho, confusa.

             - Sonhar? Isso me fará reviver o que foi perdido?

             - Sim.  – ele respondeu, ponderoso - Você entenderá tudo antes mesmo de acordar. – as palavras eram sussurradas, cada letra parecia ser pronunciada com uma dor oculta – Prefiro que você tire suas próprias conclusões, ao invés de fazer com que aceite as minhas.

            Rey desviou seu olhar do rosto impassível de Ren e observou as estrelas. Sua disposição para enfrentar a verdade já assumia uma forma ansiosa. Ela queria recuperar suas reminiscências que foram brutalmente extraviadas. Luke havia-a orientado a descobrir tudo sozinha, com o argumento de que seu passado não lhe pertencia; que não era justo interferir. E em que lugar, na vastidão infinita do seu subconsciente, seu passado poderia estar escondido? Ren poderia lhe mostrar, naquele momento, sem hesitação. Só ele estava disposto a guiá-la pela trilha certa, através dos campos de cinzas pedras que davam propriedade a sua mente. Ela considerou sábio da sua parte deixar com que ela tirasse suas próprias conclusões, ao invés de deixar com que sua lucidez ficasse inclinada para a perspectiva do cavaleiro. E ali, ela entendeu que ele apenas respeitava suas próprias limitações.

            Então, ela retirou a mão de Ren que estava sobre as dela, arrastou seu corpo pelo gramado, abraçou a cintura dele e pousou sua cabeça, de vagar, sobre seu peito.

            Ren, ainda receoso quanto sua conduta, decidiu confortá-la. Ele começou a fazer um carinho em seus cabelos castanhos, resvalando suas mãos gélidas naquela superfície macia. Seu coração pulsava acelerado, como se a qualquer instante fosse capaz de saltar para longe. Ambos ficaram calados por um momento, e Rey sentiu a inquietação percorrendo as veias do cavaleiro.

             - Não fique apreensivo – ela sussurrou brandamente, como que quisesse lhe fornecer aconchego – Eu consigo sentir sua tristeza, sua dor. Não sou capaz ainda de filtrar tudo isso, mas eu sei o quanto custa para você me mostrar à verdade. Por mais que doa, Ren, precisamos, nós dois, concordar com uma coisa...

            Ele inspirou o ar profundamente, para tentar abafar sua angústia.

             - Com o que? – expirou.  

             - Por mais que nossas lembranças sejam doloridas e nos arremessa para um mar de tristezas, é tudo o que temos. A dor é tudo o que nos resta. Em que vamos nos agarrar nas horas difíceis? Em horas como essa, por exemplo?  - ela remexeu o corpo, procurando uma posição confortável para ambos, e essa pausa inundou seu espírito de tristeza - Como doem as recordações irremediáveis, transformadas em pequenos paraísos-perdidos. – um suspiro carregou as palavras para fora - Você compreende? Há uma parte de mim que ainda não conheço. Exatamente essa parte que me faz estar aqui, agora, deitada sobre seu peito. – uma mão deslizou suavemente pelo peito pulsante de Ren, enquanto ela prosseguia - No entanto, mesmo que tudo para mim esteja parcialmente apagado, ainda sim, esse sentimento consegue ser maior do que o ódio que nutro por você. Então, não fique apreensivo ou triste, pois o que você fará agora será, para mim, libertador.

             - Certo. Você terá de volta o que sempre te pertenceu. – ele cochichou com seriedade, e o tom grave da sua voz preencheu o abismo – A dor, a perda... e os momentos bons. Mas tenha cuidado com o que fará desses sentimentos. Nossa mente, às vezes, é traiçoeira. Isso pode ser usado contra você no futuro. – ele estreitou os lábios, parecia insatisfeito com o rumo da conversa - Não deixe que a dor seja seu foco, pois caso seja, isso se tornará sua realidade.

            A mudez do abismo tornou-se dominante outra vez, quando ambos, harmoniosamente, deram preferência ao silêncio. Rey sabia que as últimas palavras de Ren dispensavam a necessidade de conversa; e ele, acreditou que naquele momento, o sossego era o melhor aliado para que o sono de Rey envolvesse seus pensamentos inquietos, deixando ambos mergulhados numa conexão entoada que só juntos conseguiam atingir.

            Após alguns minutos, Ren sentiu a respiração de Rey, gradativamente, ganhar peso. O arquejo tornou-se mais lento e profundo, e a calmaria da mente da jovem, o fez presumir que ela havia adormecido sobre seu busto. Ele contemplou sua beleza regada pelo brilho das estrelas, como uma criança, que admirava pela primeira vez o cenário infinito do mar, que se perdia em matizes azuis diante de olhos inocentados. Era um deslumbre embriagante, de maneira que fizesse-o sentir entorpecido, como se suas veias carregassem para o seu cérebro o delírio de um sonho desatinado. Seus olhos ficaram marejados novamente, e uma tristeza aguda empalou seu coração sem misericórdia. Seus lábios, ainda úmidos por causa do beijo, se estreitaram, enquanto ele fazia emanar das suas mãos frias a força necessária, para que Rey desfrutasse, finalmente, da verdade que lhe era destinada.

            Ambos, no mesmo instante, contorceram o rosto, e novamente, a força imperou sob seus corpos, arremessando-os para um passado remoto e doloroso.

            E reclusa dentro da sua própria mente, Rey sentiu que a relva ainda acolchoava seu corpo. Ela deslizou seus braços pelo chão e escutou o farfalhar da mata seca na qual se estendia por todo o horizonte. Lentamente, seus olhos abriram-se e a luz penetrou na suas íris, trazendo junto consigo, imagens de lembranças perdidas. E naquele momento seu corpo foi arremessado para uma realidade distante, um universo intermediário. Fora impelida para o incomum, mas antes mesmo que atingisse alguma compreensão sobre o que acontecia, a intimidade com o ambiente trouxe aconchego, e uma insólita e impossível sensação fazia-a se sentir em casa.

            Os realces vivos varreram o seu campo de visão, e ela viu um pincel invisível e impalpável produzindo pinceladas lentas para desenhar um cenário. Seus pés descalços aqueciam-se acima das folhagens quebradiças, e um extenso gramado verdejante se arquitetava até o horizonte observável. Ela mergulhou naquelas nuanças e enxergou, entre as colinas e árvores , as aves cantigas, os bosques vivos; os sois ao longe, receptivos. A brisa tocando-lhe os cabelos castanhos, refletindo em sua pele bronzeada, e seu olfato se embebedava com a fragrância campestre, como se aquelas moléculas de oxigênio fizessem-lhe uma recepção digna de uma rainha. A luz transpunha sua derme, nadava para seus poros, adentrava nos seus tecidos... Dava vida as suas células. E os lábios de Rey amornaram-se quando sentiu o beijo macio e cálido da natureza, ficando num estado tão aéreo quanto à pena desgarrada de uma ave peregrina. E diante daquilo, se seus braços fossem infinitos, ela envolveria aquele universo num abraço afetuoso, ingênuo e agradecido. Mas não eram...

            E seus olhos cor de âmbar que estavam seduzidos com o tom cerúleo e ilusório daquela atmosfera, encontraram alguma dificuldade em se endireitarem-se, quando ao longe, observou uma trilha de pedras que lhe mostravam um caminho ainda desconhecido. Seus olhos piscaram, intensos, enquanto ela varria a confusão dos seus sentidos. Mas ela sentiu que deveria seguir aquele caminho, como se uma força violenta e substancial guiasse seus instintos.

            Rey cruzou o campo verde através de passos lentos, aventureiros e quase hesitantes; embora de alguma forma já soubesse que no fim da trilha encontraria as peças finais – as mais importantes – que precisava para completar aquele quebra cabeças. E enquanto caminhava entre as grandes árvores esguias, calcando as rochas mornas e cinzas, ela avistou no âmbito um cenário familiar.

            Havia um deslumbre em seus olhos, quando mirou-se numa casa ali adiante. E seduzida pelo aconchego que aquele lugar fornecia, ela deu mais alguns passos mais apressados, como se o paraíso houvesse aberto seus portões de ouro, receptivos. E nada mais era-lhe oculto, pois Rey sabia que, finalmente estava em casa.

            Ela suspirou fundo e antes que pudesse alcançar qualquer compreensão, seus olhos imergiram em todos os detalhes. Uma semi-esfera dava um aspecto futurista para a única casa no fim do caminho, as janelas ovais e cristalinas dispunham de um contorno dourado nas bordas, o que deixava a fachada com uma pigmentação mais viva. Um pequeno cercado florido e circular, fazia uma recepção genuína, antes mesmo que ela reparasse na porta metálica que se escondia ali atrás. Em cada janela, havia uma pequena varanda a sombra de algumas árvores curvadas, e alguns ornamentos feitos pelas mãos cuidadosas da natureza, davam forma aos grossos cipós enegrecidos, que se acresciam pelas paredes rijas da sua casa.  

            Rey rodeou o alambrado de flores até alcançar a porta metálica, e seu corpo translúcido atravessou as paredes espessas do lugar. Ela andou entre os cômodos, ao mesmo tempo em que revivia aquele tempo. Era como se o universo tivesse descortinado-se diante dos seus olhos, ela lembrava-se de tudo. Das paredes brancas, das vidraças translúcidas, os móveis lustrosos e a brisa campesina. Ela recordou-se do pequeno acidente que tinha causado no sofá púrpuro que ornava a sala de visitas, deixando um furo que ainda estava li para alimentar suas lembranças. Seu corpo dançou entre os droides domésticos que iam e vinham, carregando bandejas de comida. Seus pés sentiram o piso luzidio e corrediço, ao mesmo tempo em que se divertiam no meio dos corredores cheios de quadros, com imagens de um passado longínquo. E ali estava ela, pequena e criança. Com um sorriso afável nos lábios, mergulhando no delírio do tempo que não lhe pertencia mais. E entre salas, quartos e corredores, ela avistou, bem de perto, um grupo de três pessoas, sentados em torno de uma mesa cristalina, rodeados pelos droides que vinham de todos os lados. Ela ouviu o tilintar dos pratos, os risos cuidadosos e o ranger familiar da antena enferrujada de um droide e os gracejos nas palavras. E neste instante, seus olhos verdes piscaram, como nunca antes, quando ela finalmente viu os rostos inconfundíveis dos seus pais.

            Os tons harmoniosos desenhavam traços felizes e lívidos. Estavam vestidos com roupas de época e seguravam um terno sorriso em seus lábios. A mulher era pálida, seus olhos e cabelos negros faziam-na lembrar alguém que escapava a mente naquele momento. O homem robusto e de expressão ávida, possuía a postura de um rei. Seus olhos cor de âmbar, que também eram encantadores e ativos observavam, com certa admiração, um homem que se sentava adiante.

            O último, um homem de ombros aprumados, um peito largo e um pescoço firme sobre seu tronco. Mostrava uma seriedade amena em seu rosto barbeado, o qual revelava um queixo quadrado e duro, uma boca ampla, resoluta e expressiva, abaixo do nariz grande e curvado. Seu bigode já esmaecido pelo tempo dava-no um ar de imperiosidade, enquanto ele parecia procurar, com algum esforço, uma forma de não indicar sua preocupação com algo.

             Rey se aproximou mais, envolvida pela alegria que transcorria naquele instante. Rodeou a mesa cristalina, e suas mãos fantasmagóricas tentaram, sem sucesso, tocar a face do rosto delicado da sua mãe. Ela parecia empolgada com o jantar. Rey observou a mesa farta diante dos seus olhos, e com os braços abertos, se jogou no êxtase que aquela ilusão trazia, como se sentisse abraçada pelo instante. Mas seu frenesi foi bloqueado quando a voz grave do seu pai ecoou pelo salão de jantar, num tom hospitaleiro.

             - É um imenso prazer recebê-lo em nossa casa, General Kriger. – o homem interrompeu seu deslumbre, enquanto sua voz grave se dissolvia pelo lugar - Qual é o progresso da República? Ouvi rumores que a escória imperial anda armando um cerco para os rebeldes. E agora que Leia tem o apoio do sistema republicano, as coisas se tornaram mais indigestas para aqueles covardes. – terminou a fala, bebericando um liquido retido numa taça cristalina.  

            Rey observou o General enrobustecer, e seu rosto se contraiu trazendo a tona uma contrariedade íntima.

             - É justamente disso que vim tratar, Sr. Kenobi. Há uma ameaça iminente nos rondando. Acredito que você já tenha ciência dos fatos. Assim que Palpatine morreu, o Império tem procurado por um novo líder.  – disse ele com aspereza, enquanto um vinco formava-se entre suas sobrancelhas espessas - Aquele maldito sistema não funciona sem um imperador! Mandamos alguns soldados para que descobrissem o que realmente planejam, mas foram massacrados impiedosamente pelas mãos daqueles monstros. E até agora, senhor, o que temos são migalhas de informações. Nada muito certo, até o momento. Mas o senado desconfia que haja algo grande por trás do silêncio imperial, algo que não compreendemos.  – ele pausou a fala, enquanto seus olhos assumiam um aspecto obscurecido – Pobres miseráveis somos nós, que festejávamos uma vitória fantasiosa. Prevejo tempos sombrios, Kenobi. E essa calmaria me assombra!

            O casal trocou um breve olhar receoso, e Rey notou que havia certo temor por trás daquela ação espontânea. Eles rapidamente voltaram à atenção para o general, e a mulher, com uma rudeza agarrada no tom da sua voz, protestou:

             - Espero que não tenha atravessado a galáxia para nos convocar para uma guerra, general! Meu marido e eu não estamos dispostos, temos compromissos maiores - vociferou, batendo a mão na mesa – Temos nossas responsabilidades. Uma filha para cuidar! – ela se levantou num arranque grosseiro, dirigindo seu olhar para o homem ao seu lado - Dorian, não pense nisso! – disse erguendo o garfo para ele, com o rosto consternado – Reylle precisa de nós, não podemos deixá-la sozinha, enquanto nos enfiamos numa guerra que não é da nossa conta!

             - Ela tem razão, Kriger! Estamos procurando neutralidade em relação a isso. – respondeu o homem – Espero que entenda a nossa posição.  

             - Sr. e Sra. Kenobi, por favor, pensem nas possibilidades! Se o império se reerguer novamente, o que será de nós?  - ele fuzilou os dois, suplicante – O que será dos nossos filhos? Eles oferecem falsa liberdade e iludem o povo com promessas democráticas. Mas aqui, todos nós sabemos que o que eles querem de verdade, é manter a galáxia nas mãos! Não podemos permitir que isso aconteça. Por isso, estou aqui, desesperadamente, pedindo a ajuda de vocês. – ele suspirou fundo para que suas palavras pudessem se tornar mais convincentes – Os rebeldes suspeitam que essa tranquilidade toda seja parte de um plano maléfico que corromperá o sistema galáctico!

             - Basta, general! – o homem levantou-se num salto, e sua voz grave vibrou nos ouvidos de Rey - Isso não é da nossa conta, prefiro morrer ao entrar nessa guerra!
                            Rey observou o General tornar-se a personificação do desespero. Seus lábios estreitaram-se embaixo do bigode cinzento, e a desesperança parecia governar os seus olhos azulados.

            Todos ficaram em silêncio por um instante, enquanto trocavam olhares ferozes. Rey sorveu o medo que vinha daqueles três espíritos, ao mesmo tempo em que concluíra que naquele instante do tempo, a guerra entre os mundos havia sido iniciada, silenciosamente, como uma doença que se espalha pelo corpo, pronta para levar o caos aos sistemas planetários. No entanto, sua reflexão foi interrompida, quando ouviu a voz do general atravessar novamente seus ouvidos distraídos:

             - Bom, eu respeito à posição de vocês, meus caros. – disse ele, agora com o tom plácido nas palavras – Mas antes que eu parta, carregando a vergonha e a covardia de vocês comigo, devo alertá-los que a escória imperial já possui um novo imperador!  - ele insistiu – E o pior de tudo, senhores, é este imperador é um Sith.

            Grandes gotas de suor brotaram da testa de Rey, e sua respiração vinha aos arquejos, entrecortada. Ela sentiu as emoções avessas dos seus pais quando escutaram aquela palavra.

            Snoke.

            O Sith no qual ela já conhecia, mas que eles não pareciam fazer ideia da sua existência. O mestre de Ren que trouxe desgraça para vários sistemas. Era ele o responsável por todo aquele sofrimento e também pela morte dos seus pais. Pois ali, ela soube, que o destino de ambos estava traçado; que dali em diante, já estavam acondicionados pela guerra, que retumbava o som mortífero em seus tambores graves, trazendo consigo uma avalanche sanguinária de falsas expectativas. Ela observou os olhos dos dois brilharem após o discurso do general, como se em suas mentes tivessem sido plantadas as sementes do caos. Pois agora, era verdade, ambos estavam mortos e nunca mais iriam voltar para buscá-la. 

             - Um Sith? – perguntou a mulher num sobressalto – Isso é impossível, eles foram destruídos em Endor!

             - É no que acreditávamos também! No entanto, após o sacrifício de muitos, essa é nossa única verdade. – ele deu alguns passos para trás, afastando-se da mesa num recuo – Peço desculpas se tomei o tempo dos senhores – ele cerrou os olhos, enraivecido – Espero que encontrem algum lugar seguro quando não restar mais esperança na galáxia.  – disse, curvando-se levemente - Agora, se me dão licença, vou me juntar aos que anseiam lutar pela liberdade, pela democracia e pela justiça de uma vida decente!  

            Ele fez um gesto de despedida com a cabeça e lançou um ultimo olhar firme para o casal, antes de rumar-se para a saída, deixando-os sozinhos na sala de jantar.

            Rey sentiu uma agulhada no peito quando reparou os dois permanecerem silenciosos por um minuto. Seus olhares se perdiam para o nada, e atormentados com a ideia de uma guerra iminente, ficaram absortos até encontrarem uma rápida solução.

             - Eu gostaria que essas palavras jamais saíssem da minha boca, mas Kriger tem razão. – o homem cortou a mudez do ambiente, com uma gravidade decidida no tom -Eles precisam de nós. 

            A mulher arfou, com tristeza. Parecia quase não suportar o peso daquelas palavras.

             - Sim, eu sei – ela disse - mas eu não vou deixar Reylle. Não me peça para fazer isso.

             - Eu sei, eu sei! – ele agitou as mãos no ar – Mas devemos pensar com clareza, Cassidy. Que futuro terá nossa querida Reylle e todos os outros na galáxia se não lutarmos agora?

            Rey sentiu seu coração sangrar quando viu sua mãe enterrar os dedos pálidos no rosto para tentar ocultar o desespero.

             - O futuro dela é ao nosso lado!  - gritou, mas o som saiu abafado.

             - Não, Cassidy. O futuro dela é viver numa galáxia livre, longe de ameaças, em paz! Não sejamos egoístas, querida! O que faremos quando a guerra chegar aos nossos portões?

             - Fugiremos, para qualquer lugar bem longe daqui!

             - Não pense assim, não somos covardes! – vociferou - Em alguns momentos, Cassidy, a melhor forma de enfrentar um problema é mergulhando nele. Você sabe disso.

            Uma lágrima salgada fez uma trilha pelo seu rosto triste e incrédulo, e seus lábios vermelhos e trêmulos denunciavam o desespero que circundava seus pensamentos.

            Rey sentiu, naquele instante, o braço firme da dor cravando cada vez mais fundo uma estaca contra seu peito. E aquela visão a encheu de tristeza. As vozes dos seus fantasmas retiniram em sua mente. Ela observou a cena da sua mãe tentando, firmemente não deixá-la sozinha, perdida... a deriva e solitária na desilusão maldosa que fora sua vida.  

             - Eu não vou deixar minha filha, não vou! Não me peça isso, jamais!

            E ele, seu pai, a abraçou, com uma delicadeza e coragem nos gestos, que só ela entendia. Em seu olhar, havia uma sede por justiça, uma gama guerrilheira e uma bravura tenaz que lhe permitia enxotar o sofrimento da sua esposa.

             - Acalme-se, meu amor! – lágrimas silenciosas escorriam pelo seu rosto atordoado – Reylle está num lugar seguro agora. Junto do Skywalker. – ele segurou o queixo de Cassidy, e num gesto suave a obrigou a olhar em seus olhos vermelhos – Preste atenção, olhe para mim. Devemos ser fortes agora. Não podemos deixar, jamais, que a escória se aproxime da nossa filha. Nem que para isso, tenhamos que sacrificar nossas vidas. – ele cerrou o punho para dissipar a raiva que sentia - Nunca deixaremos que as garras frias daqueles opressores a importunem! É nossa obrigação lutar contra o Império, para que nunca alcancem o templo Jedi. E enquanto eu estiver vivo, prometo, querida, que nossa pequena estará protegida de tudo que possa ameaçá-la.

            E entre as lágrimas e soluços, Cassidy beijou os lábios trêmulos e vermelhos de Dorian, sentindo o peso daquela responsabilidade que lhes era destinada. E após o selo, ela lançou um olhar perdido para o chão, e disse algumas palavras finais:

             - Eu estarei ao seu lado até o fim! Lutarei por Reylle, por nós e pela a galáxia!

            E neste momento o mundo de Rey pareceu desabar sob seus pés. E a imagem dos seus pais abraçados, num gesto terno para afagar o desesperança em seus corações, se desfazia da sua frente, como se um balde de água fria fosse jogado na tela de um quadro de tinta fresca. E junto com ele, carregava as lágrimas, os calvários, os pássaros e por fim, todo o cenário junto. Era como se o universo sob seus pés transformava-se num liquido impalpável, intocável... Fantasioso, que corria como água pelas suas mãos. E a partir daquele momento ela soube, soube mais do que tudo, que a escuridão voltaria outra vez. Ela correu para o escuro, procurando qualquer coisa para se agarrar, mas sem sucesso. Ela se sentia cansada, não conseguia sentir paz. Parecia estar presa em marcha ré. Num retrocesso que ela jamais compreenderia; fora do alcance. As lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto, quando naquele momento sua esperança foi substituída pelo luto. Todos os riscos na parede da sua casa, a expectativa que sua família voltaria algum dia, foram jogadas no lixo.

            Ela enxugou as lágrimas com suas mãos trepidantes, e de um instante para o outro, a mesma força substancial que norteou os seus passos para casa, levou-a para um terreno incógnito. A escuridão ainda cobria o cenário com seu véu frio, e ela sentiu novamente, que estava penetrando num universo desconhecido. Agora seu espírito parecia habitar outro corpo, parecia perscrutar outra mente. A jovem sentiu um misto de sensações ruins atravessarem sua alma, como se fosse perfurada por flechas atiradas pelo vazio. Mas algo familiar envolvia seus sentidos, e por mais que a obscuridade daquele novo cenário trouxesse tormento, de alguma forma, sentiu-se novamente em casa.

            E diante dos seus olhos vermelhos e alagados, o mais belo e triste dos jardins lhe foi apresentado; O céu negro que sempre lhe pareceu familiar, anunciava o começo de um intenso inverno sem fim; Tudo tão triste e cinza, que até mesmo o mais sensato dos deuses, se perderia naquele pequeno vão entre flores mortas, que despedaçavam-se pelo chão. Rey visualizou no meio da caligem, um garoto pálido, encolhido. Com a cabeça apoiada nos joelhos, enquanto a brisa fria fazia oscilar as ondulações negras que quase cobriam-lhe o rosto por completo. Seu corpo fantasmagórico sentiu a relva úmida tocar-lhe os pés, ao mesmo tempo em que ela se aproximava sorrateiramente daquela figura plácida. Ela tentou olhar em seus olhos, mas eles estavam fechados, no entanto, aquele rosto jovem era-lhe familiar.

            “Ben?” – ela sussurrou, bem perto, como se ele pudesse ouvi-la.

            Ele abriu os olhos lentamente, e mirou nos olhos de Rey, de forma impensada. E afastando seus cabelos do rosto, ele endireitou a coluna em cima da rocha e balançou os pés pendidos.

             - Mestre? É você quem está aí?  - sua voz ecoou pela escuridão daquele jardim mórbido, com surpresa.

            Rey compreendeu que ele não podia vê-la, ela não poderia interagir com aquele universo, por mais que fosse o que mais queria. E através dela, partículas de fumaça condensavam-se lentamente até formarem uma silhueta translúcida de um homem. O vento que tocava os cabelos negros de Ben, não alcançava os cabelos louros do outro, que com os braços posicionados para trás, trazia uma expressão séria no rosto jovem e aceso. Rey reparou na intimidade com que seus olhos azuis avaliavam Ben de perto, como se ali existisse um cálice paternal entre ambos, que jamais pudesse ser desfeito.

             - Sim.  – ele respondeu, após todas as partículas de fumaça formarem o seu corpo.

             - Por que me chamou aqui tão tarde da noite? Há algum treinamento especial? – a voz de Ben era doce, adolescente. Não havia seriedade ou crueldade, só a inocência.

            Rey procurou manter a mente aberta para absorver aquela cena incomum. Ela sabia que Ren havia-a transportado para mente dele, e era ele quem guiava, através da sua força, o que ela precisava saber. 

             - Não, não há nenhum treinamento especial por hora. Pelo contrário, sinto que já está preparado para seguir seu caminho – disse o homem com seriedade, enquanto parecia levitar sobre o gramado – você me garante que seguirá todas as instruções que lhe dei?

             - Sim, vovô!  - ele curvou-se – mas ainda me sinto confuso.

            Os ouvidos de Rey ficaram vidrados quando escutou. Então aquele era Anakin? E depois, o tão temido Darth Vader, no qual Ben parecia devotar-se como um deus?

             - O que? – o homem investigou no mesmo instante, mas a pergunta fora feira com pouca curiosidade.

             - Por que você nunca permitiu que eu contasse aos meus pais que você sempre esteve presente? – ele baixou a cabeça, pensativo, ao mesmo tempo em que seus pés oscilavam como um pêndulo acima do chão – Eles fazem uma imagem errada sobre mim, temem que eu esteja sendo tentado pelo lado sombrio.

            A expressão de Anakin pendeu para a seriedade, seus olhos semicerrados pareciam repreender a suspeita do neto, ao mesmo tempo em que o garoto, ansioso, aguardava uma resposta do avô. Será que mesmo diante de toda aquela devoção, ele não se sentia seguro em relação ao homem?

             - Eu sei, filho!  - ele arfou o ar que não existia em seus pulmões, e permaneceu com o semblante ponderado – Já é tempo de você saber a verdade.

             - A verdade? – ele perguntou, inocente.

             - Sim!

            Seu rosto franziu, enquanto seus lábios tremelicaram com aquela questão. Rey sentiu novamente uma onda de tristeza que não lhe pertencia atravessar seu espírito. Ela pode sentir uma alfinetada de ânsia varrer sua mente, no momento em que o garoto perguntou:

             - Que verdade?

            O rosto de Anakin se contraiu, seus olhos indecifráveis avançaram para o horizonte, como se tivesse alguma dificuldade em olhar no rosto do garoto que, com acentuada agonia, aguardava que ele lhe mostrasse os fatos.

             - Sobre o que você é, e o que se tornará daqui em diante.  – respondeu ele por fim.

             - Como assim? Não entendo! Diga-me logo o que espera de mim.

             Anakin se aproximou, e colocou a mão sobre seu ombro, com uma expressão de dor.

             - Sua sina não é lutar ao lado dos Jedis. – ambos observaram a expressão Ben ganhar um aspecto obscurecido, assombrado – Eu o chamei aqui hoje para que soubesse... Você e sua força, terão que sucumbir, sem obstinação, ao lado sombrio.

            Os olhos verdes de Ben se fixaram no rosto do seu avô, mas estavam impuros e tomados por um fogo infernal, em lugar da pureza e delicadeza que Rey vira há instantes atrás. Ele saltou da rocha, com os olhos semicerrados, com os punhos apertados e as veias quentes que pulsavam abaixo de sua pele alva. Rey sentiu a confusão, a raiva o descontentamento... a traição. E como um gato assustado, ele se afastou daquele fantasma num recuo ambíguo, como se seus pensamentos fossem capazes de açoitar aquela assombração.

             - O quê? – indagou com espanto.   

             - Você terá que se juntar a Snoke.

            As palavras de Anakin eram impassíveis, duras e quase inatingíveis para o pobre garoto; o peso delas, era tão grandioso que Ben, por um instante, quase não pode suportar. Ele meneou a cabeça negativamente, foi o único gesto que conseguiu fazer após o choque daquela incumbência, e após alguns segundos inerte, uma lágrima quente escorreu pelo seu rosto alvo e entristecido, mergulhado numa desesperança aguda.

            - Você terá que aprender a dominar essa dor. – Anakin prosseguiu com sobriedade - A grandeza na qual você está destinado, exigirá sacrifícios, não permite falhas e dela você não poderá fugir. E assim como todos esperaram isso de mim algum dia, filho, eu espero que você traga, finalmente a paz para a galáxia...

             - NÃO! – ele interrompeu o discurso do avô num grito - Não me diga mais nada! Eu não posso dar crédito para suas palavras. O que você me pede, é impossível! Como você ousa me enganar todos esses anos, para no fim me dizer, que devo me curvar para um Sith?

            Ben estava atordoado. Ele jogou suas mãos para o alto, e sua respiração entrecortava-se no meio das palavras mergulharas no desespero.  

             - Ben, não aja como uma criança! – a ordem ressoou pelo vão, trazendo a atenção do garoto de volta para aquela triste realidade – Você sempre esteve ciente das suas responsabilidades, não trate isso como um jogo de palavras. Trate com seriedade! – os dois se fuzilaram no meão caliginoso, enquanto Rey observava cada detalhe daquela cena absurda - Não existe triunfo sem perda, não há vitória sem sofrimento e nem liberdade sem sacrifício. A vitória pertence aquele que acredita nela por mais tempo. Cada minuto que passa, você perde uma nova chance de mudar o destino dessa guerra que já nos trouxe muitos mortos. Lembre- se que o futuro da galáxia está em suas mãos. Você não pode permitir que o artefato chegue às mãos sujas do Sith, ou tudo o que ama será destruído!

              - Isso é um ABSURDO! O que me pede é traição! – as palavras saíam entre soluços e choramingo, e seu rosto atormentado quase se desfazia no escuro – Não vou fazer isso, eu não posso. Por favor, não seja tão cruel. Será que você perdeu a razão?

             Anakin permaneceu silencioso, esperando que ele próprio atingisse alguma compreensão. Ben pensou por alguns minutos, estava enrobustecido, ainda com os olhos infernais mirando a figura plácida do seu avô.

             - Então foi por isso? Foi para isso que me procurou? – ele murmurou, desesperado – Foi para isso que você me seduziu? Para que eu traísse a República, a Ordem Jedi que meu tio criou e a minha família também?

             - Sua visão ainda é muito simplista. - Anakin deu alguns passos em direção a Ben, para que se sentisse mais acautelado.

            E ali Rey entendeu tudo. Ben tinha medo. Medo do que lhe era novo, de viver no que não entendia. Ele não se sentiu seguro naquelas palavras, naquela missão. Ele queria a garantia de compreensão, não queria se entregar fácil para seu destino, não queria ver seu espírito rendido à desorientação.

            - Não se aproxime de mim!  - ele recuou, inseguro de si mesmo, mas Anakin insistiu.

             - Você precisa entender, que se não fizer isso... Todos os planetas, sistemas; todos os seres e a própria existência estará fadada a destruição. Se você não encontrar Kern antes de Snoke, tudo estará perdido, para sempre! Não seja tolo, garoto! Não seja estúpido como eu fui. Apenas faça. Faça com vontade, com determinação, eu guiarei os seus passos, estarei com você, sempre. Como sempre estive. Agora não é hora para lágrimas, não é hora para contestar. Apenas vá em frente e siga seu caminho e não deixe que nada, absolutamente nada, te impeça de atingir o seu objetivo.

            Os dois se entreolharam silenciosos, e Rey sentiu novamente o medo que Ben tinha de falhar. Ele parecia saber do seu propósito, ele sabia que dali em diante seria envolvido pelos braços frios e traiçoeiros das trevas, e também sabia que teria que matar uma parte de si, se quisesse cumprir seu destino. Os seus olhos que antes queimavam em brasas, encontraram alguma conformidade, após ele atingir que seu avô, no qual tinha uma devoção que transcendia qualquer definição de amor, depositava sua toda sua fé em suas habilidades. Ele procurou não pensar nas coisas terríveis que teria que fazer dali em diante. Não queria pensar na solidão. E sua existência naquele momento não parecia mais do que um curto circuito de luz entre duas eternidades de escuridão. E com os lábios trêmulos e úmidos, ele perguntou por fim:

             - E o que farei quando achar o artefato?

             - Você terá que destruí-lo.  – respondeu Anakin encenando indolência, para que Ben não fosse destruído pelos seus sentimentos.   

             - E o que acontecerá comigo depois? – seus olhos brilharam no meio da caligem. Pois havia medo na resposta que aquela pergunta poderia lhe trazer.  

             - Não haverá depois.  – disse, seco. 

             A mudez reinou no vão e Rey estava estarrecida. Seus olhos translúcidos piscaram, intensos, enquanto ela absorvia aquela sentença.

            E Ben, mesmo ciente daquele destino que lhe era enfiado pela garganta, permaneceu imóvel, como uma estátua, com a respiração entrecortada, ao mesmo tempo em que tudo para ele pareceu perdido.

             - É um suicídio. - ele atingiu, com o coração  alagado de angústia.

            E a escuridão se tornou-se maior naquele momento. Ren tinha ciência que caminhava para a morte. E agora Rey entendia. A inconstância, a devoção, o medo de falhar, o desespero crescente, a maldade encenada, a preferência a solidão. Ela caiu numa tristeza sem dor, sem julgamento e isenta de indagações. E mesmo com todas as inseguranças de uma criança, ele havia aceitado o pacto que fizera com o destino aceitando a mediocridade de viver no lado sombrio.

            Com o rosto contorcido pelo tormento dos seus demônios, Ben soluçou mais uma vez, lançou um último olhar para a imagem translúcida do seu avô e correu para o escuro; correu para o meio das árvores secas que compunham aquele ambiente. Ele fugiu pela trilha de flores mortas, mas sabia que jamais poderia fugir do seu destino. Após toda aquela sobrecarga de informações, Rey, esquecendo-se dos limites que lhe eram impostos pela própria natureza do tempo, correu atrás do jovem, para que de alguma forma, tentasse afagar aquela dor. Mas algo pareceu impedir-lhe de realizar este desejo, pois a força substancial tornou-se viva novamente, e o jardim obscuro se perdeu diante da sua visão. O universo no qual estava, desfez-se novamente e imergida no meio da confusão, ela foi arremessada para a realidade.  

            Seus pulmões identificaram o cheiro forte dos musgos que habitavam aquele abismo. Ela abriu os olhos lentamente, e o sol lá no alto anunciava a aurora. Rey sentiu o gramado tocar o seu corpo, no entanto, ao rodear os seus olhos confusos pelo buraco arroxeado, suas emoções foram jogadas para o alto ao perceber que Ren não estava mais ali.

            Ele havia partido, havia-a deixado sozinha no abismo, como se aquela noite tivesse sido parte apenas de um delírio insano. Ela se levantou com alguma dificuldade, seus joelhos ainda estavam trêmulos; e quando olhou para o chão, viu um holopad jogado na relva, ao seu lado, que parecia ter sido deixado propositalmente para que através dele pedisse resgate. E ali, ela compreendeu, que Ren estava decidido a seguir seu caminho como sempre fizera; sozinho.

 



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