História Starcrossed – Padackles - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias Jared Padalecki, Jensen Ackles, Misha Collins
Personagens Jared Padalecki, Jensen Ackles, Misha Collins, Personagens Originais
Tags Drama, Jared Padalecki, Jensen Ackles, Lemon, Misha Collins, Padackles, Romance, Starcrossed
Exibições 85
Palavras 3.468
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


AÊÊÊOOOOOOO
DEMOREI? Demorei, mas chegay e.e
Sorry, não era rpa ter demorado tanto, mas de qualquer forma tá aquie sz
Esse capitulo era pra ser um só, mas eu dividi em duas partes pke ficou imensamente enorme.
Então esse capitulo que estão prestes a ler fala só do Presente, enquanto que o que vou postar na sexta vai continuar nessa mesma linha só que no Passado. Okay? Okay. =)
Boa leitura e até as notas finais ^&^

Capítulo 13 - Sem se importar - Present


CAPITULO TREZE – SEM SE IMPORTAR

 

Hoje

Nova York

 

Querido Deus. Ele está no meu apartamento. Tipo, dentro do meu apartamento.

Não apenas isso, ele está vagando por aqui, olhando minhas coisas.

Tê-lo no meu santuário outrora Jared-free está fazendo minha pele arder de calor.

Este é o lugar em que Misha e eu falamos sobre ele. Onde destilei veneno no meu diário, cheio de angústia e drama, noite após noite. Onde trouxe homens incontáveis que inevitavelmente terminam tendo seu rosto. Suas mãos. Seu corpo.

E agora ele está aqui. Tirando a jaqueta e colocando no sofá. Virando-se para olhar para mim com um sorrisinho nervoso. Mostrando-me que não importa quantos homens eu traga aqui, ele é o único que realmente parece pertencer ao apartamento.

Droga.

Como isso aconteceu? Por que eu deixei?

O ensaio de hoje foi uma grande porcaria. Jared estava arrasando no personagem, enquanto eu apenas reproduzia as frases. Quando Marco nos convidou para esticar para um drinque, claro que notei como ele apenas terminou metade da sua bebida antes de nos deixar sozinhos. Sutil.

Ele bem que podia ter contratado um daqueles aviões que desenham no céu com fumaça para escrever: “Resolva sua merda com o Padalecki e pare de arruinar minha peça”.

Mesmo que eu tenha recusado a sugestão de substituir Jared, ainda estou tendo problemas em me entregar completamente. Então, jurei me esforçar mais e fiquei com Jared no bar.

Quando Jared se ofereceu para me acompanhar até em casa, imaginei que isso poderia nos ajudar a nos aproximar.

Meu erro foi deixá-lo vir até meu apartamento. Ele praticamente colocou a cabeça toda para dentro quando abri a porta. Então ele pediu na lata para conhecer a casa, fui incapaz de dizer não.

Agora, aqui estamos: ele passeando pela minha sala e eu observando como se ele fosse um animal em exibição num zoológico.

Ele examina minha coleção de livros e sorri quando seus dedos tocam meu exemplar surrado de Vidas Sem Rumo.

— Não leio este há um tempo. — ele comenta, pegando a edição para folheá-la. — Tenho saudade.

— Achei que você lia todo ano.

Ele me dá um sorriso antes de colocar o livro de volta no lugar.

— É... lia... mas dei meu exemplar para um garoto aí. Não consegui um novo ainda.

No dia em que ele me deu esse livro, ele estava com muito orgulho. Um presente de aniversário de que nunca vou me esquecer, dado por um namorado perfeito.

Que pena que o menino que deu isso para mim não exista de verdade.

Escuto a porta da frente se abrir e a voz florescente de Misha me chamando do corredor.

— Jen? Está aí? Vou te levar para sair esta noite, e não estou aceitando “não”. Pegue aquela sua calça preta que deixa sua bunda empinada. Quero te exibir por aí.

O armário do corredor bate quando ele guarda seu tapetinho de ioga, e o olhar no rosto de Jared grita: “Você não me disse que morava com alguém. Especialmente não com um homem”.

Misha caminha para o quarto e gela quando vê Jared. Como cães de rua, os dois homens se medem.

— Olá. — Misha cumprimenta com frieza antes de me lançar um olhar sombrio. Dou de ombros quando ele se vira para avaliar Jared com olhos apertados. — Pelas fotos que Jensen me mostrou bem antes de queimá-las, imagino que você seja Jared Padalecki.

Jared se eriça, porém com mais graça do que jamais vi nele. Ele se recompõe e estende a mão.

— Isso mesmo. E você é...?

Reviro os olhos enquanto Misha se adianta para encarar Jared. Ele é muito mais alto que Misha, mas isso não o intimida. Ele ignora a mão de Jared.

— Sou Misha Collins. Moro aqui. Com ele.

— Entendi. — Jared responde e baixa a mão. — Prazer em conhecê-lo, Misha. Jensen não me disse que morava com alguém.

— Talvez ele achasse que não era da sua conta.

O ar está carregado de testosterona, mas, antes de eu poder explicar que não moro com um namorado, Misha agarra meu braço e chia.

—Jensen, preciso falar com você na cozinha. — E me puxa para fora da sala.

Quando estamos sozinhos, ele se vira para mim. Há fúria em seu rosto.

— Que diabos você acha que está fazendo?

— Mish, acalme-se.

— Estou calmo.

— Não, não está. Seus chacras estão voando como fogos de artifício.

— Você não acredita em chacras.

— É, bem, se eu acreditasse seria isso que eles fariam. Acalme-se.

Ele me encara por alguns segundos antes de fechar os olhos e respirar fundo.

Então ele solta o ar lentamente e suspira.

— Tá. Tô calmo... calminho. Agora, responda à pergunta.

— Não estou fazendo nada. Estávamos só dando uma volta.

— Dar uma volta não envolve trazê-lo aqui. Você sabe muito bem que quando traz um homem para casa é por apenas um motivo, e se acha que vai para a cama com ele de novo...

— Não vou! Não vou. Eu estava um pouco alto. Ele me acompanhou até em casa.

— Vocês andaram bebendo e você deixou ele entrar?! Pelo amor de Krishna! É uma maravilha que não te encontrei dançando no colo dele! Sabe que se você fica a sete metros de um cara atraente quando está bêbado é bem provável que tire a roupa e monte nele num tempo recorde! Quanto mais seu belo ex, que você nunca esqueceu realmente!

— Droga, Mish, pode, por favor, manter a voz baixa?!

Ele bufa. Nada estraga mais rápido seu equilíbrio que a ideia de eu voltar aos meus velhos dias.

Toco o braço dele.

— Você acredita mesmo que algumas semanas com ele sendo decente vão me convencer de que não é mais um cuzão emocionalmente fraco? Nem eu sou tão ingênuo assim.

— Não estou dizendo que você é, mas aquele cara é seu calcanhar de aquiles. Se ele pedisse para dormir com você agora mesmo, você seria capaz de dizer não?

Meu corpo todo cora.

—Misha, Deus... não é o que ele quer.

— Mas posso ver como ele olha para você. Se você dissesse que sim, aquele cara ia te virar do avesso.

Passo a mão pelo cabelo.

— Mish...

Ele suspira e coloca as mãos nos meus ombros.

— Olha, docinho, sei que é difícil de aguentar, mas você tem de prometer se lembrar de tudo o que conversamos. Limites. Respeito. Honestidade. Disponibilidade emocional.

— Está se referindo a ele ou a mim?

— Ambos. Não deixe que seus hormônios o ceguem. Não posso ver você passar por toda aquela dor de novo.

Ele me puxa num abraço e eu suspiro

— Brigado, Mish.

— Não tem de quê. — Ele se afasta. — Mas eu só preciso fazer mais uma coisa antes de poder deixar vocês dois sozinhos. Talvez seja melhor você virar o rosto, porque isso pode ser embaraçoso.

Antes que eu possa impedi-lo, ele passa por mim e avança de volta à sala. Jared está sentado no canto do sofá, mas fica de pé quando Misha entra.

— Tudo bem, agora você. — Misha fala, apontando para o rosto de Jared. — Vou dizer isto só uma vez, então escute. Passo uma boa parte das minhas horas acordado tentando encontrar calma neste mundo e ter serenidade, mas amo esse cara mais do que praticamente tudo no planeta, então se você machucá-lo... de qualquer forma... juro pelo poderoso Buda que não vou hesitar em acabar com você. Me entendeu?

Jared olha para mim antes de assentir.

Estou surpreso em ver que seu rosto não mostra medo, mas uma determinação firme.

— É, eu te entendo, Misha. Mas fique sabendo que machucá-lo é a última coisa que passa na minha cabeça. Sei que fui um idiota no passado, e tenho muito a compensar, mas pretendo ir até o fim com isso. O que quer que seja. Então, é melhor você se acostumar em me ver por perto, porque não vou a lugar nenhum desta vez. Você me entendeu?

Misha o encara por um momento antes de relaxar a expressão, um olhar de surpresa passa por seu rosto.

— Bem... bom então. Você tem um rosto lindo. Se tratá-lo direitinho, não vou ter de estragá-lo.

Seguro um sorriso, porque em todo nosso tempo de amizade, só vi Misha virar macho alfa assim uma vez, e foi quando ele estava namorando um cara chamado Gandhi, um hipócrita dos grandes, ultrabichinha. Mish levou um longo tempo para reencontrar sua serenidade depois de socar o cara no rosto.

Ele dá a Jared sua última olhada feia antes de juntar as mãos e dizer:

— Tá, preciso tomar uma chuveirada. Vocês dois se comportem enquanto eu estiver longe.

Misha sai, deixando Jared e eu nos encarando desconfortavelmente.

— Então, é isso. Esse é o Misha. Ele vive aqui e aparentemente ameaça meus ex-namorados. Quer um pouco de vinho?

— Merda, quero. — Jared responde, me seguindo enquanto vou para a cozinha.

Escolho um tinto e sirvo duas taças mais do que generosas. Passo uma para ele e tomo um grande gole da minha antes de me encostar no balcão.

— Então, vejo que o Misha meio que protege você. — Jared comenta.

— Ah, você percebeu isso?

— É, só um pouco. Não é sempre que sou ameaçado por um guru budista super em forma. Não vou dizer que curti. E não sabia que você precisava de proteção.

— Geralmente ele não é assim, mas acho que ver o anticristo na casa dele o deixou no limite. E eu não preciso, sei me defender muito bem sozinho, mas ele, pelo visto, não gosta muito de você.

Ele ri e esfrega a nuca.

— Bom, estou só me fazendo de Satã, mas se você quer formalizar minha condição...

— Posso te chamar de Tio Lú?

— Hum?

— Apelido de Lúcifer.

— Ah, claro, mas só quando estamos sozinhos. Não posso deixar que você me chame assim na frente dos meus servos do mal. Eles podem rir e... bem... isso ia me magoar.

Seguimos de volta para a sala e nos sentamos no sofá.

— Então, você e Misha. Vocês estão...

Ele pausa antes de dizer a palavra “juntos”. Eu quase rio.

— Não.

— Já estiveram?

Ele olha para mim com intensidade demais enquanto espera pela minha resposta.

— Não. Ele é como o irmão que eu nunca tive. Seria muito bizarro.

Ele me encara, me analisando, e comprovando a veracidade do que lhe falei.

— Ah, tá! Jesus! Minha pressão acabou de baixar uns vinte pontos!

Eu rio e beberico o vinho, e, quando olho de volta, ele está me encarando.

— Vi fotos de vocês juntos.

— Quando?

— Quando eu estava na Europa. Nos primeiros meses depois que parti, meu ritual noturno era ficar torto de bêbado e stalkear você no Facebook. Tinha fotos de você e Misha juntos quando estavam trabalhando na off-Broadway. Quando eu as vi... eu... porra, Jen, foi uma facada. Achei que era seu namorado. Que você tinha seguido em frente, enquanto eu não conseguia parar de pensar em você.

Fico com uma imagem mental dele, garrafa nas mãos diante do computador, me vendo com Misha e me xingando por eu não estar arrasado. Mas eu estava arrasado, mesmo que as fotos me mostrassem sorrindo.

— É, você sempre subestimou meus sentimentos por você. — respondo, me afastando dele e passando o dedo na borda da minha taça. — Era um dos nossos maiores problemas.

— Sei que soa como uma desculpa esfarrapada, mas... eu simplesmente não conseguia compreender como você podia me amar tanto quanto eu te amava. Simplesmente não parecia possível.

Por um momento não posso acreditar no que acabei de ouvir. Ele sempre teve problema em dizer a palavra com “A”. Era a coisa que transformava o que tínhamos em algo real demais.

Quando olho para ele, ele parece um aracnofóbico que acabou de entrar num quarto cheio de aranhas.

— Impressionado? — ele pergunta. — Olha só eu usando a palavra com “A”. Nem gaguejei.

— Parece um milagre, só que mais surreal.

Agora é a vez dele de olhar para seu vinho.

— Só levou três anos para eu perceber que não dizer não me ajudava a negar meus sentimentos. Amar você ou não, não dependia de uma palavra. Era apenas um fato. Puro e simples. Você ficaria surpreso com a frequência com a qual uso essa palavra hoje.

Volto ao meu vinho porque ele está tão emocionado que sequer consigo encará-lo.

— Música? — pergunto, olhando para o iPod. Estou estudando minhas playlists quando ele diz:

— Precisa de ajuda? Porque se colocar alguma música country, vou ser forçado a zoar você.

— Você nunca vai esquecer essa história, vai?

— Que história? Que você uma vez gastou uma bela grana num álbum das Dixie Chicks? Não. Nunca.

— Ei, tinha umas músicas boas no disco.

— Jensen, tinha um monte de música folclórica no disco. Tenho quase certeza de que foi esse disco que acabou com o aparelho de som do meu carro.

Rio para ele.

— Você costumava explodir as caixas de som todo dia com AC/DC. Aquele aparelho de som já estava fodido. Você não pode me culpar por dois minutos das minhas músicas. E em todo caso, minha curta fase de country já passou a anos.

Ele pega o iPod.

— Aqueles dois minutos marcaram meus tímpanos pelo resto da vida. Nem posso imaginar o que aquilo fez com meu pobre aparelho. Agora, afaste-se, rapaz. Permita que eu encontre a música perfeita para nós.

Balanço a cabeça e me sento. De novo estou chocado com a cena surreal de ele estar no meu apartamento. Seis meses atrás, isso seria inconcebível. Agora ele está se esforçando tanto para me mostrar que é maduro e adulto. Se eu ao menos fosse maduro e seguro. Mesmo agora, posso sentir o ressentimento borbulhando dentro de mim, esperando que ele faça o movimento errado para eu poder explodir.

— Uau. — Ele me lança um olhar nervoso por sobre o ombro. — Não me odeie por colocar esse, mas... Deus... esse disco.

Os acordes de abertura do disco Pablo Honey, do Radiohead, se infiltram pelos alto falantes e imediatamente me tensiono.

Tomo outro gole grande de vinho.

— Posso mudar, se você quiser. É que... é que não ouço esse há um tempinho.

É, nem eu.

— Tudo bem. — e bebo mais um pouco.

O álcool faz com que mentir seja fácil. Esse álbum foi a trilha sonora de tantas lembranças, e, apesar de serem prazerosas, também são as partes dele de que sinto mais falta.

Ele se junta a mim no sofá, longe o suficiente para fazer parecer que está respeitando meu espaço pessoal, mas perto o bastante para fazer meu cérebro fraco de vinho querer que ele estivesse mais perto. Inclino a cabeça para trás e deixo a música me distrair.

Estamos na terceira faixa quando Misha aparece na nossa frente, de banho tomado e pronto para sair.

Ele digere a cena e franze a testa.

— Se eu fosse idiota, juraria que vocês dois estão meditando. Apesar de eu não saber exatamente por que estariam meditando com música de sexo.

Jared se retorce um pouco.

—Jen, tem certeza de que não quer sair comigo? — Misha pergunta. — É noite das bolhas na Neon. Você até pode trazer o altão sombrio carrancudo aí. Parece que ele está precisando de umas bolhas.

— Não, brigado — respondo com um suspiro. — Estou meio que curtindo a meditação. Você devia estar orgulhoso.

Misha aperta os lábios, ele se volta para Jared.

— Então é assim que vai ser? Você simplesmente se infiltra de volta na vida dela e consegue algo que eu geralmente só conseguia se a subornasse com chocolate?

O comentário parece ter dado preguiça em Jared.

— O que eu posso fazer, cara? Não preciso usar chocolate porque sou naturalmente doce.

Misha olha para mim, confuso, como se estivesse lutando para decidir se gosta de Jared ou o odeia.

Bem-vindo ao meu mundo.

— Tudo bem, tô indo — Misha franze a testa para Jared mais uma vez. – Mas, Jensen, só lembra o que falamos, tá? Não quero chegar e ter de faxinar as vibrações negativas da sua aura.

Jared fica tenso.

— Me esforcei muito para me livrar das “vibrações negativas”, Misha, mas, se por algum motivo ainda tiver alguma comigo, prometo não infectar o Jen.

— Faça isso. —Misha murmura enquanto segue pelo corredor para pegar a jaqueta. — Até, Jen.

— Tchau.

A porta se fecha, e Jared e eu nos afundamos ainda mais no sofá.

— Você pode me chamar de louco — Jared se vira para mim —, mas acho que o Misha gosta mesmo de mim.

— Bem, é uma teoria.

— Qual é a outra?

— Que ele quer arrancar sua cabeça, tirar seus olhos e usar seu crânio como uma bola de boliche.

— Ah, ele joga boliche?

Que cara de pau!

— De vez em quando. Nas noites de discoteca.

Ele sorri. Um daqueles belos sorrisos que iluminam todo seu rosto. Quando me percebe encarando, seu sorriso desaparece numa expressão mais melancólica.

— Cara, eu sentia falta disso. Nunca percebi o quanto doía não estar com você até te ver de novo e a dor ir embora.

Meu sorriso fraqueja. O vinho está soltando a língua dele e deixando seus olhos intensos. Não estou bêbado o bastante para ouvi-lo dizer coisas assim.

— Sente minha falta? — ele pergunta, quase sussurrando.

— Jared...

— Não o canalha que eu fui. — ele acrescenta. — Mas o cara que foi bom para você. Que fez você rir. Que... te amou.

— Infelizmente, esse cara ficou preso na sua versão canalha. — retruco,

levantando o olhar para ele. — Nunca consegui ter um sem o outro.

— Você pode ter. — ele afirma, absolutamente sério. — Juro que pode.

— Vai levar um tempinho para eu acreditar nisso.

— Eu sei. Nunca achei que acertar as coisas com você fosse ser fácil, mas sei que vai valer a pena.

— E se não valer? — devolvo, incapaz de suportar que ele pense que o nosso final feliz vai vir tão fácil assim. — E se, depois de tudo, você está só sendo idiota de pensar que podemos reacender algo que se apagou há muito tempo?

Seus olhos se turvam, e a conhecida atração que sinto por ele deixa o ar entre nós pesado.

— Jen — ele sussurra enquanto se inclina à frente, tão próximo que posso sentir o cheiro doce de vinho em sua boca —, o que tivemos nunca se apagou. Você sabe disso tão bem quanto eu. Mesmo quando eu estava viajando meio mundo e você me odiava horrores, não tinha se apagado. Você pode sentir que ainda está aceso mesmo agora. E quanto mais próximo estamos, mais forte fica. É isso que te assusta.

Ele olha para meus lábios e é preciso cada grama do meu minguante senso de autopreservação para desviar o olhar.

— Se puder me dizer que não sente esse fogo — ele diz baixinho —, então eu me afasto. Mas tenho certeza de que você não consegue fazer isso, consegue?

Vacilo por um instante apenas.

— Não sinto.

A frase não faz sentido.

Ele toca meus dedos, roçando os dele, tão quentes, pela palma da minha mão até chegar ao pulso. Então envolve sua mão ao redor dos ossos e aperta gentilmente.

— Pode dizer o que quiser, mas seu pulso não mente. Está vibrando. E sou eu que estou provocando isso.

— Como sabe que é atração e não medo?

— Tenho certeza de que é um pouco dos dois. Mas a atração definitivamente está aí.

Puxo minha mão para longe e bebo o resto de vinho da taça. Bebi demais.

Ele também. Falta de inibição não vai me ajudar em nada a esta altura.

Eu bocejo e fico de pé.

— Bem, está ficando tarde.

Ele assente e sorri. Pode me ler como a um livro aberto.

— É, melhor eu ir andando.

Quando chega à porta, ele se vira para mim, uma mão na maçaneta.

— Jensen — ele hesita, recostando-se no batente da porta —, antes de eu ir, só queria saber uma coisa.

— O quê?

Ele se inclina à frente, sua voz é baixa.

— Você e Misha não estavam exatamente cochichando na cozinha. Eu o ouvi dizer que você não seria capaz de resistir se eu te pedisse para dormir comigo. É verdade?

Absorvo a figura alta dele tomando minha porta, a longa linha de seu pescoço levando a seu incrível rosto emocionado. Eu me lembro de como o corpo dele se sente sob minhas mãos, os ruídos que ele faz quando eu o toco em lugares que ele disse que só eu o toquei. O olhar incrível no seu rosto toda vez que seu corpo entrava no meu. E em todas as vezes que o meu corpo entrava no dele.

— Jared...

— Espera. — Ele balança a cabeça. — Não responda a isso. Porque se me disser que me quer... então... — Ele levanta o olhar e posso ver que ele quer me tocar; como seus dedos se contraem, como sua respiração fica um pouco áspera. — Não haveria autocontrole suficiente no mundo.

Felizmente, antes de algum de nós fazer algo idiota, ele dá um passo atrás.

— Boa noite, Jen. Para o nosso bem, fecha a porta. Agora.

Fecho a porta na cara dele.

Mesmo através da madeira, consigo ouvir seu suspiro de alívio.

 

Continua...


Notas Finais


Eaí, o que acharam? u.u
Comentem plse, eu amo comentários e tô respondendo TODOS.
É bom ler né? Eu sei qeu cêis gosta, assim como eu tbm, e não vou dizer que as vezes não dá uma preguicinha de comentar, mas deixem ela de lado e me digam o que estão achando. Não vai custar nada u.u
Beijos e até sexta :*


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...