História Starcrossed – Padackles - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Jared Padalecki, Jensen Ackles, Misha Collins
Personagens Jared Padalecki, Jensen Ackles, Misha Collins, Personagens Originais
Tags Drama, Jared Padalecki, Jensen Ackles, Lemon, Misha Collins, Padackles, Romance, Starcrossed
Exibições 96
Palavras 4.994
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Segunda parte do capitulo 13 - Sem se importar.
Aqui tem as coisas do passado ^^
Como prometido, tô aqui na sexta u.u
Boa leitura e até as notas finais
PS: EU QUERIA DIZER QUE TÔ MUITO FELIZ COM OS 82 FAV EM POUCO MAIS DE UM MÊS. TÁ CHEGANDO AS 1500 EXIBIÇÕES TBM.
TÔ AMANDO O QUANTO VCS TÃO COMENTANDO.
Queria agradecer especialemnte a @hello--Bitch , @BeYond79 , @Paulinhatate , @Felipe_Uchiha00 e @Takealookmenow que estão sempre aqui nos comentários dizendo o que acharam e falando coisas super fofas pra mim. Adoro vcs sz

Capítulo 14 - Sem se importar - Past


CAPITULO TREZE  SEM SE IMPORTAR

 

Seis anos antes

Westchester, Nova York

Festa da estreia de Sam & Dean

 

A música é alta demais. Ela vibra no meu crânio e fere meus globos oculares.

A sala está lotada de gente dançando e rindo. Alguns de fato se esforçam para conversar a despeito do ruído que tenta se passar por música.

No sofá ao meu lado, Lucas fuma um baseado. Ele oferece para mim e, quando recuso, passa para Jack, que está com os olhos tão vidrados que poderia ser chamado de Vidrado Olhar Parado no Madame Tussaud.

Estou meio que surtando com as pessoas fumando drogas ilícitas perto de mim. Imagino meu pai irrompendo pela porta e enlouquecendo. Mas, claro, ele está do outro lado do país, e mesmo com seu nariz bem calibrado de pai, ele não poderia sentir o cheiro de lá.

Tenho certeza.

— Jensen!

Avisto Ruby, e ela faz um gesto de “vamos beber”. Suspiro e viro a dose de tequila que estava segurando. Ela passa uma fatia de limão para mim e faz sinal de positivo. Enfio o limão na boca e ela abre um sorriso largo.

Depois de colocar o limão e o copo na mesinha de centro, eu me jogo de volta no sofá e suspiro. Pela milionésima vez nas últimas duas horas, eu olho ao redor, torcendo para que Tristan apareça.

Claro que ele não aparece.

— Vou tomar um ar. — grito ao me levantar e passar por Ruby. Ela assente e se serve de outra dose.

Quando chego à frente da casa, Megan está sentada nas escadas, bebericando algo de um copo grande.

Eu me sento ao lado dela.

— Está curtindo?

— Claro. — ela responde. — Adoro ter os tímpanos estourados a cada vez que Jack dá uma festa. Só porque é meio surdo ele está determinado a deixar todos nós iguais a ele. Acho que os vizinhos devem querer matá-lo.

— O pai dele é dono de todas as casas vizinhas. É o único motivo pelo qual ele se safa das reclamações.

Ela me oferece sua bebida enquanto olha para a rua.

— Esperando pelo Jared? — pergunto.

— Sim.

— Acha que ele vai aparecer?

Ela balança a cabeça.

— Cada encontro com o nosso pai transforma Jared num vulcão de raiva. Já tentei dizer para ele parar de se importar, mas ele não me escuta.

— A relação deles sempre foi assim tão... complicada?

— Foi. — ela ri. — É como se o papai não soubesse lidar com ele. Ele se dá bem comigo, porque sou mulher, mas com o Jared? Não acho que ele saiba como se comunicar com ele num nível que envolva emoção. Minha teoria é que age dessa forma porque nosso avô não acreditava que homens deviam ser abertamente afetivos uns com os outros, porque isso os enfraquecia, e o Jared ser bissexual não ajuda muito. O papai aceitou, mas ele tenta ignorar o fato. Então, sempre que Jared enfrenta nosso pai, eles brigam em vez de conversar.

— Deus, isso deve ser difícil.

— É, sim. E piorou um pouco há alguns anos. Eu culpo a Genevieve, aquela vaca.

Minhas orelhas se ouriçam.

— Então não foi Olivia?

— Não. — ela suspira. — Genevieve foi o estágio zero para todas essas questões. Ela é a razão pela qual a coisa desandou com Olivia.

— O que aconteceu entre eles? Jared e Genevieve?

Ela olha para baixo e brinca com o copo.

— Meg, por favor. Tentei perguntar a ele sobre isso. Mas ele se fecha todo.

— É, mas ele me mataria se eu te contasse.

— Eu sei, mas se isso faz você se sentir melhor, ele leu meu diário, então ele sabe um monte de troços pessoais meus.

Ela fica boquiaberta.

— Ele leu seu diário?

— Leu. Há algumas semanas. E talvez eu tenha escrito sobre o quanto eu queria tocar seu... é... pênis.

— Ai, meu Deus.

— E meio que disse que o pau dele podia ganhar prêmios.

— Ah... uau.

— Eu sei.

— Além disso... eca. É meu irmão.

— Eu sei. Mas não posso fazer nada se seu irmão é um tesão.

Ela olha em dúvida.

— Se você diz.

— Ele é.

Megan suspira.

— Bom, por mais nojento que seja para mim, eu meio que estou feliz por você achar isso. Porque você é o único cara que eu consigo vê-lo levando a sério desde todo esse troço com a Genevieve. Posso entender por que ele resiste, mas ainda assim...

— Por favor, me diga que essa declaração vai ser sucedida pelo que aconteceu de fato com eles.

Imploro, lançando-lhe meu melhor olhar.

Ela revira os olhos e conta:

—Genevieve foi a namorada do Jared no colégio. Começaram a namorar no segundo ano.

Balanço a cabeça e tento esconder o ciúme feroz que queima dentro de mim.

É idiota ter ciúme de uma menina que nunca conheci, né?

— Na escola, Jared e Genevieve eram como um casal vinte. Mas, nos bastidores, eles discutiam muito. Genevieve gostava de irritá-lo. Se ela achasse que ele não estava lhe dando atenção suficiente, ela paquerava outros caras. Ela gostava de provocar o ciúme dele. Realmente acho que ela era uma sociopata. Até deu em cima do melhor amigo do Jared no colégio, Stephen. Ela usava o ciúme para manter Jared na linha.

— Por que ele simplesmente não a largou?

— Sei lá. Era como se ela tivesse controle sobre ele. Podia manipulá-lo para tudo. Usava as próprias inseguranças dele como arma.

— Então, o que aconteceu?

— Numa noite, durante o último ano, depois de finalmente Jared ter contado ao papai que ele não ia cursar medicina e que pretendia se inscrever na Grove, eles tiveram uma briga bem feia. Não consegui ouvir exatamente o que eles estavam dizendo, mas o que eu sei é que acabou com minha mãe chorando e com meu pai gritando para o Jared ir embora. Depois disso, ele foi para a casa da Genevieve, mas ela não estava lá, então Jared seguiu para a casa do Stephen. Quando chegou lá, encontrou Stephen e Genevieve. Na cama.

— Ai, Deus.

— Jared ficou arrasado. Eu teria esperado algo assim da Genevieve, mas não do Stephen. Ele e Jared eram como irmãos. No dia seguinte, na escola, Stephen tentou botar panos quentes e se desculpar, mas... Jared estava irritado demais. Ele surtou e desceu o cacete no Stephen. Acabou quebrando o nariz dele e tomando uma suspensão de duas semanas. Genevieve achou incrível os dois brigarem por causa dela. Tenho certeza de que ela estava enganando os dois.

— Que vaca. — Uma raiva violenta tomou conta de mim. Soltei o ar longamente. Não consegui nem imaginar o quão traumático deve ter sido para Tristan ser traído pelos próprios amigos. Não é à toa que ele tem problemas com intimidade.

— Foi quando ele se fechou realmente. — Meg continuou. — Não entrar na Grove não ajudou. Ele parou de falar comigo e com minha mãe e ficou ainda mais distante do papai. Ele se jogou na coisa do teatro. Bebia demais. Arrumou brigas. Dormia com cada pessoa que cruzava seu caminho e nunca ligava para elas de novo. Foi horrível de assistir.

Meu rosto deve ter me traído sobre quanto eu odiava pensar nele com outras garotas, porque ela rapidamente acrescentou:

— Nunca houve nada sério.

— Nem com a Olivia? — pergunto, sem realmente querer saber a resposta.

Megan franze o rosto.

— É, eles tiveram uma coisa. Mas, quer saber, Jared a tratava tão mal que o negócio já estava condenado desde o começo. E ela é uma garota legal. Nem um pouco como a Genevieve. Nunca pensei que meu irmão pudesse ser tão cruel, até eu vê-lo com Olivia. Ela teria feito qualquer coisa por ele, e ele acabou com ela. E não namora desde então.

Penso em todas as coisas cruéis que ele disse ou fez desde que eu o conheço e sinto pena de sua Julieta ou Dean anterior.

— Então, essa é a história. —Megan conclui, se levantando e me puxando junto. — Agora, podemos parar de falar do merda do meu irmão e começar a nos divertir? Duvido que ele vá aparecer esta noite. Provavelmente, está em algum bar, de cara fechada para uma parede descascando a tinta.

Entramos na casa, e, meia hora e duas doses de tequila depois, Megan e Ruby me convencem a dançar. Eu giro e me remexo com elas, mas não consigo parar de pensar em Tristan e no que ele passou.

Então, escuto uma enorme salva de palmas na parte da frente da sala. Eu me viro e vejo Tristan lá, com uma garrafa de uísque quase vazia na mão e braços esticados enquanto ele grita:

— Aê, elenco! Sam tá na área! Vamos comemorar!

A sala toda ruge em aprovação e, ao meu lado, escuto Meg:

— Ai, Deus. Que diabos ele está fazendo?

Assisto a Tristan abraçar e cumprimentar todos ao redor enquanto anda no meio da galera como um rockstar entre seus fãs. Não consigo acreditar no que vejo.

Quando chega até nós, ele sorri meio sem jeito.

— Olá, senhoritas, e rapaz. — usa uma voz que acho que era para ser sexy. — Ruby — ele diz, puxando-a para um abraço —, você me odeia, não odeia? Muita gente me odeia. Até meu próprio pai. Não se preocupe. Não odeio você por isso.

Depois ele se vira para a irmã e coloca os braços ao redor dela.

— Ah, Megan. A meiga e incansável Meg. Como você me aguenta? Não entendo. Mas eu te amo. Amo mesmo, de verdade.

— Hum... Jared? — ela torce o nariz enquanto ele a abraça. — Por acaso você tomou um monte de ecstasy hoje?

Ele beija a bochecha dela antes de se virar para mim. Seu sorriso imediatamente fraqueja, mas ele toma outro gole da bebida, dá um passo à frente e se estica para segurar meu rosto.

— E Ross. Lindo, tão lindo, Ross. Você está bem?

— Sim. Você está?

— Estou ótimo! Nem ligo para o que aconteceu esta noite com meu pai. E quer saber por quê? Porque decidi não ligar mais para nada. É um conceito tão simples, não sei por que não descobri isso anos atrás. Olha como estou feliz!

Ele joga a cabeça para trás e ri. É a visão mais triste que já vi.

— Tristan... — começo, mas ele coloca os dedos nos meus lábios.

— Não, não vem com essa de Tristan. — ele diz, abaixando a garrafa. — É uma festa e eu quero dançar. Até mais.

Tristan abre caminho no meio das pessoas e elas gritam ao redor dele quando ele começa a se mexer, cheio de energia, mas todo desajeitado.

— Uau. Nunca vi meu irmão dançar antes. Tem... Céus... tem coisa errada demais rolando para eu entender.

— Ele dança mesmo muito mal. — Ruby comenta. — Parece que ele está tendo um ataque epiléptico vertical.

Ele é a vida da festa. Conversa com todo mundo, é educado com todo mundo. Droga, ele até ri das piadas do Jack e não olha Zoe com desprezo quando ela flerta com ele.

Provavelmente, ele quer sair socando todo mundo, mas, em vez disso, está sendo o Jared que acha que todo mundo quer que ele seja.

Ranjo os dentes, frustrado.

Sei que o Tristan pode ser um cuzão, porque ele já foi um comigo várias vezes, mas pelo menos estava sendo verdadeiro. Esse novo Tristan? É mais falso que os peitos da Zoe.

Quando chego no meu limite, atravesso a multidão e avanço até ele. Ele está falando com a Zoe, rindo sem motivo aparente. Ela está se insinuando para ele, o que me faz querer enfiar a cara dela na travessa de Doritos na mesa ao lado.

Tristan levanta o olhar quando me aproximo, e de novo seu sorriso fraqueja por um segundo antes de voltar a se abrir.

— Ross! Oi! — sua voz tem animação. — A Zoe aqui estava me dizendo que, montássemos Romeu e Julieta, ao invés de Sam & Dean, e se ela minha Julieta fosse ela e não você como Dean, ela não teria de fingir na cena de sexo. Não é hilário?

— Totalmente hilário; — respondo do jeito menos convincente possível. — Zoe — pego a tigela de Doritos —, quer um salgadinho?

Toim. Bem na boca.

Ela revira os olhos.

— Tá, claro, Jensen. Como se eu fosse comer carboidratos.

Solto o ar e faço cara de pacífica.

—Tristan, posso falar com você por um segundo?

— Na verdade — Zoe interrompe segurando o braço de Tristan como se ele fosse dela —, ele está falando comigo agora. Talvez você possa voltar depois.

Garota, é melhor você tirar as mãos dele antes que eu te faça uma máscara facial de massa de queijo hidrolisado.

Bato a tigela na mesa e me forço a sorrir.

— Não vou demorar. Você não vai nem notar, porque tenho certeza de que ele vai voltar para continuar ouvindo seus divertidos comentários pornográficos.

Pego o braço de Tristan e puxo, e graças a Deus ele segue para a cozinha.

— O que você está fazendo? — pergunto, me voltando para encará-lo.

Ele dá de ombros.

— Me divertindo?

— Sério? Isso é diversão? Conversar com a vadia-mor fingindo que gosta dela.

Vadia-mor é um apelido bem feio. — ele comenta, enrolando a língua. — E talvez eu goste da companhia dela.

— Ah, que bela merda.

— Está com ciúme, Ross?

— Estou. Agora você pode, por favor, parar com essa ceninha idiota e me beijar?

Ele perde o prumo na hora. Ele pisca três vezes. Eu nem me mexo. Acho que estou ficando bem bom em dizer o que realmente penso.

Jack entra na cozinha e segue para o barrilzinho no canto para servir vários copos de cerveja, ignorando a competição de olhares rolando ao lado dele.

— Ei, Jared, parceiro, você não está parando ainda, né? Vai, toma uma dessas.

Tristan se vira no exato minuto em que Jack está lhe entregando um dos copos, e a cerveja toda se espalha pela camiseta de Tristan.

— Merda! — Jack engasga. — Desculpa aí, cara. Total acidente. — Jack pega um pano de prato e tenta secar Tristan enquanto murmura mais desculpas.

— Tudo bem. — Tristan força uma risada. — Você tem uma camiseta para me emprestar?

Jack assente.

— Tenho, na parte de cima do meu armário. Pega a que você quiser.

Jared bate no ombro dele um pouco forte demais quando passa.

— Valeu, parceiro.

Ele avança a passos largos para a escada pelo meio do pessoal, e isso é tudo o que eu não consigo fazer para segui-lo.

— Sabe — Jack está falando comigo —, nunca vi ninguém ser um bêbado irritado e feliz ao mesmo tempo, mas o Jared consegue ser.

Concordo.

— É um dom raro e especial.

Ele pega uma cerveja na bancada e bebe com uma cara pensativa.

— Eu devia entrar na internet e ver se já tem umas resenhas da apresentação de hoje. Ouvi que o crítico do Online Stage Diary estava lá. Fico imaginando se ele tem alguma coisa boa para dizer.

De repente, meu estômago dá um nó.

— Ele estava lá?

— Estava. Ele e uns outros quatro. Um do Broadway Reporter. — ele olha

para mim e levanta uma sobrancelha. — Nunca se sabe, Jen. Amanhã de manhã você pode ser uma estrela.

— Tá, sei. Ou podem me odiar. — Solto uma risada exagerada, porque se me odiarem...

Só de pensar nisso meu corpo coça e sua de nervosismo.

— Tenho certeza de que vão dizer coisas incríveis sobre você. — Jack diz com uma mão encorajadora no meu ombro.

— E se não disserem?

— Bem, ainda há meio barril de cerveja. Pode beber até esquecer.

Ele pega sua cerveja e sai.

Estou parado lá ainda, contemplando minha iminente possível humilhação pública, quando percebo que há apenas uma coisa que pode me ajudar a não surtar, e está no andar de cima, espero que sem camisa.

Abro caminho pela sala, subo as escadas e sigo pelo corredor até o quarto do Jack. A porta está aberta. Dou uma espiada e vejo Tristan de peito nu sentado na cama, a camisa encharcada no chão, a cabeça repousada nas mãos. Ele agarra o cabelo e suspira, frustração bruta emanando dele como uma aura.

— Ei. — digo e dou um passo incerto dentro do quarto.

Ele me lança um olhar cortante antes de levantar da cama e avançar para o armário.

— Ei. — ele devolve o cumprimento, abrindo as portas e avaliando a impressionante coleção de camisetas do Jack. — Que festa, hein?

Não consigo tirar os olhos dos músculos em suas costas nuas enquanto eles se movem e se flexionam. Quer dizer, mentira: eu poderia afastar o olhar, mas não quero.

— Tudo bem com você? — pergunto, me aproximando.

— Tudo ótimo. — ele responde, me mostrando uma camiseta que diz: “Errar é um mano”. — Avery usa mesmo isso em público?

— Tristan...

— E essa aqui? — e mostra outra que diz: “Brinde aos mamilos. Sem eles as tetas não teriam sentido”.

— Tristan...

— Fala sério. Ele comprou isso ou estavam pagando gente que levasse?

— Precisamos conversar.

— Não, não precisamos mesmo.

Ele devolve o cabide e passa pelo restante da coleção.

— Esse cara não tem nada além dessas porcarias de camisetas de piada? Nada esportivo? Ou, Deus que me perdoe, liso?

Ele continua remexendo os cabides, e está cada vez mais tenso.

— Jared. — ponho minha mão nas costas dele.

— Não. — Ele se vira e se afasta de mim. — Simplesmente... não, porra. Tá?

— Por que não?

— Porque nunca termina bem quando você me toca. Porque quando você me toca, merda... eu... penso coisas idiotas e quero coisas idiotas e... então... tipo... não faz isso...

Dou um passo à frente e ele se encosta na porta do armário. Quando coloco minha mão no meio do peito dele, ele puxa o ar com força e trava a mandíbula.

— Não sei do que você tem tanto medo. Não sou a Genevieve.

O rosto dele endurece.

— Que porra você sabe sobre a Genevieve?

Respiro fundo.

— Megan me contou a história. E das outras meninas. E Olivia. — ele solta um suspiro pesado e eu me aproximo um pouco. — Não fica bravo. Eu a forcei.

Os punhos se fecham nos braços repousados ao lado do seu corpo.

— Ainda assim não era para ela te contar porra nenhuma.

— Eu queria saber. — deslizo minha outra mão para o ponto do seu peito onde sinto o pulsar frenético por baixo da superfície. — E agora compreendo um pouco melhor por que você resiste tanto em namorar novamente. O que a Genevieve fez com você foi horrível. Mas eu não sou ela. Não sou nada como ela.

Ele olha para mim com menos raiva, foi substituída por cansaço e resignação. Como se ele já tivesse tido essa conversa em sua cabeça, muitas vezes.

— Você não entende. — ele começa. — Não importa que você não seja nada como ela. Alguma parte de mim pensa que você é, e essa parte está só... esperando... para que tudo fique uma merda de novo. Não tem lógica, mas não consigo evitar. E por mais que eu tenha medo de você me magoar, tenho mais medo de eu magoar você. O que aconteceu com Olivia? Não posso repetir isso com ninguém, especialmente não com você.

Ele acha que está tentando me proteger, mas, como alguém que passou a vida toda morrendo de medo de errar, eu definitivamente sei, sem a menor dúvida, que sou a pessoa certa para ele.

— Jared, nenhum relacionamento está livre de riscos. E mesmo que você ache que pode ficar afastando as pessoas para sempre, estou aqui para dizer que você não vai conseguir mesmo.

Roço minhas mãos em seus braços, seus bíceps, repousando sobre sua pele quente e suave.

— O negócio é que — ele diz, olhando para mim enquanto experimenta pegar minha bochecha — por mais que você me assuste pra caralho, e por mais que eu saiba que um de nós, se não os dois, vai se arrepender completamente... eu quero não conseguir afastar você.

Nós nos encaramos por longos minutos e, quando olho no fundo de seus olhos, vejo o segundo exato em que ele toma sua decisão. Paro de respirar quando seus dedos se fecham no meu cabelo. Então ele se inclina, sua boca pairando sobre a minha, ar quente e doce soprando em meu rosto enquanto o tempo para.

— Olhar assim para mim não é justo. — ele sussurra. — Merda, nem um pouquinho.

Em seguida, o espaço entre nossos lábios some, e ele está me beijando, um beijo intenso e cheio de desejo. Nossa respiração pesada soa incrivelmente alta em minhas orelhas. Nós nos beijamos desesperadamente, lábios colados e pressionados e encaixados como se tivessem sido feitos só para isso, se abrindo apenas para permitir pequenos gemidos.

O efeito que ele tem em meu corpo é instantâneo e poderoso, e eu me aproveito ao máximo do fato de ele estar sem camisa. Minhas mãos estão em todo lugar. Em seus ombros largos e nos braços. Em suas costas e nas omoplatas.

Até sobre suas costelas e seu abdômen.

Ele grunhe na minha boca e me explora, tão ávido quanto eu. Descendo a mão pelo meu corpo até a minha bunda.

— Jesus... Jensen.

Ele me beija sem pudor, apaixonadamente, e eu sinto que, depois de dar tantos passos para trás, estamos enfim seguindo adiante. Em direção a quê, eu não faço ideia, mas só saber que ele está aberto à experiência é melhor do que qualquer sensação que já tive.

— Quis fazer isso a noite toda. — ele diz, ofegando entre os beijos. — Ficar longe de você foi cansativo pra caralho.

Não sei como começamos a caminhar em direção à cama, ainda beijando, profunda e freneticamente. E antes que eu possa me dar conta, estou deitado de costas com ele entre minhas coxas. Eu me agarro a ele enquanto ele se esfrega em mim, lenta e insistentemente.

Estou duro feito pedra, e ele está igual.

Ele ergue um pouco o quadril para esfregar nossas ereções e eu gemo alto.

— Ai, Deus. Isso.

Ele afunda a cabeça no meu pescoço e me chupa. Ele se move pela minha garganta e meu peito, onde levanta minha camisa, chupa meus mamilos e continua a pressionar seu corpo contra o meu, acabando com minha capacidade de respirar.

Mexo meu quadril para me encaixar no dele. Agarro firme sua bunda para puxá-lo para mim com mais força.

— Merda. — ele grunhe no meu ombro e congela. O quarto está em silêncio, tirando nossa respiração entrecortada.

— Que foi? — pergunto, agarrando seus ombros enquanto meu coração acelera mais do que pode.

— Nada. — ele responde, ainda sem se mover. — Só me dê um minuto. Não se mexe.

No meu íntimo, estou empolgadíssimo em conseguir afetá-lo tanto assim. É bom saber que nossa atração é definitivamente mútua.

— Fala comigo. — ele pede enquanto abaixa a cabeça no meu ombro. — Qualquer coisa para me distrair da porra do tesão que você é.

— Hum... tá, sinto muito pela coisa com seu pai esta noite. — começo enquanto acaricio suas costas com delicadeza. — Ele foi totalmente sem noção. E eu tenho certeza de que não deixaria passar dois anos sem dizer “eu te amo”. Isso é ridículo, se você fosse meu, eu diria eu te amo todos os dias. — inspiro rapidamente. — Quer dizer, estou falando se eu fosse seu pai, entende? Se você fosse meu filho eu falaria isso. Não estou dizendo que eu te amo. Não estou dizendo isso. Só que...

— Não achei que estivesse... — ele sorri. — Acho que é melhor você calar a boca e me beijar.

Eu o levanto um pouco, empurrando-o em suas costas.

— Ah, se você insiste.

Ele me puxa para si, e estamos nos beijando novamente. Parece que estou num sonho gostoso e erótico que não quero que termine nunca.

O beijo fica mais frenético, bocas e mãos se movem ávidas até que ouvimos uma voz agoniada.

— Ai, Deus, gente, pôôôôô! Na minha cama, não!

Levantamos o olhar e avistamos Jack na porta, se balançando como se tivesse com síndrome de abstinência alcoólica.

— Não receberam a mensagem que ninguém pode transar na minha cama esta noite? Essa colcha da Guerra nas Estrelas é uma relíquia!

— O que você quer, Jack? —Tirstan suspira enquanto eu seguro um riso.

— Vocês precisam descer — ele se inclina na porta e derruba cerveja. — Saiu a primeira crítica do nosso espetáculo e... bom... fala umas coisas bem feias sobre vocês dois.

Jared e eu trocamos olhares, com pânico e medo passando pelo nosso rosto.

— Tô zoando vocês! — Jack ri. — É simplesmente sensacional. Levantem a bunda daí para eu ler para todo mundo. Vem!

Ele sai cambaleando. Tristan resiste, mas sai de cima de mim e pega uma camiseta qualquer do armário. Não sem antes apertar meu membro com força, me arrancando um gemido alto. Veste e ajeita a camisa com uma careta. Tem uma grande cruz vermelha e diz: “Doador de Orgasmos”.

— Bem, pelo menos peguei uma que vai direto ao ponto.

Balanço a cabeça e rio enquanto me endireito.

Ele ignora a risada e coloca uma mão em cada lado do meu rosto antes de se inclinar e me beijar.

— Não vou te beijar na frente deles. — ele avisa. — Ou segurar sua mão. Não quero que fiquem falando de nós. Imaginando coisas.

— Tá. — respondo, um pouco decepcionado por ter de esconder o que sinto por ele. — Mas Jack não vai contar a eles que a gente tava se pegando?

Ele balança a cabeça.

— No estado em que ele está provavelmente se esqueceu disso cinco segundos depois que saiu do quarto.

Ele me beija novamente, então caminhamos escada abaixo, tentando ignorar os sussurros do pessoal quando aparecemos juntos.

— Até que enfim! — Jack anuncia. Ele silencia todo mundo quando larga a cerveja e pega as páginas que imprimiu. — Tá, escuta, gente. Esta resenha é do Martin Kilver, do Online Stage Diary. Ele é notoriamente difícil de impressionar, então tenham isso em mente quando ouvirem o que ele tem a dizer.

A sala toda fica em silêncio e posso sentir Tristan tenso ao meu lado enquanto Jack começa a ler:

“Em cada produção de uma peça clássica de Kripke, os atores correm o risco de imitar e recriar muito do que já foi feito. Na produção mais recente de Sam & Dean, da Academia Grove de Artes Dramáticas, isso não poderia estar mais distante da verdade. A produção é econômica e moderna, o que em si não é inovador. O que é revolucionário é que, depois de ver incontáveis produções no decorrer dos anos, eu finalmente acredito na verdade e no poder de dois jovens apaixonados. Seria pouco dizer que isso deu a este crítico uma das noites mais empolgantes que já passei no teatro.”

Há murmúrios de surpresa e leves aplausos, e Jack sorri antes de continuar:

“A diretora Erika Eden moldou seus dois jovens encarregados da tarefa numa parceria afiada, poderosa e empolgante, e ainda que demonstrem extrema maturidade em suas performances, não perdem nada da inconsequência da juventude que é central à história.”

Mais gritos de aprovação. Sinto a leve pressão da mão de Tristan na minha lombar.

— Tá, falem baixo. — Jack pede. — Estamos chegando à melhor parte. — Ele pigarreia: — “Apesar de o elenco todo ser realmente excepcional, menção especial deve ser feita a Aiyah Sediki como a ama, que traz uma maravilhosa noção de nobreza ao papel; e Connor Baine como Castiel, um papel que é frequentemente interpretado como bidimensional em sua impetuosidade, mas no qual esse ator introduz uma surpreendente e grata sensibilidade.”

Há fortes gritos de aprovação e Aiyah e Connor sorriem. Bato palmas também, muito orgulhoso.

Jack lança para nós um olhar consciente antes de continuar.

— “Mas o maior trunfo da produção é a escolha dos dois protagonistas: Jared Padalecki como Sam e Jensen Ackles como Dean.” — o povo assobia e grita, e meu rosto fica vermelho-vivo. — “Ao interpretar Sam, sr. Padalecki traz ao papel uma vulnerabilidade arrepiante que atua diretamente contra a acre prosa florida que o personagem tem de proferir. Sua energia, intensa como a de uma pantera, é uma revigorante mudança dos Romeus e Sams vaidosos e imaturos que vi no passado, e prevejo que, se essa performance servir de termômetro, o sr. Padalecki terá um futuro brilhante como profissional.”

Engulo um nó na garganta quando o orgulho de Tristan se acumula dentro de mim. Eu me viro para olhá-lo, com olhos marejados e emocionado. Quero abraçá-lo e sussurrar o quão orgulhoso estou, mas isso terá de ficar para depois.

Olho de volta para Jack, que agora está me encarando.

“Jensen Ackles como Dean é igualmente convincente. Lindo e de fato sintetiza um herói do século XXI. Lindo a vigoroso, seu Dean não é uma flor murcha. É um homem determinado e apaixonado cuja força fará a plateia se apaixonar por ele tanto quanto seu condenado Sam. O sr. Ackles exibe uma impressionante gama emocional em sua apresentação bem afinada e tem o que pode somente ser descrito como ‘brilho de estrela’.”

Tento engolir, mas estou engasgado demais. Aperto a mandíbula para conter o choro. E quando sinto os dedos de Tristan tocarem gentilmente os meus agradeço por ele estar aqui.

“Mas”— Jack continua, chegando ao trecho final —, “por mais excepcionais que esses dois jovens atores sejam por si sós, é sua incrível química juntos é o que realmente faz a produção decolar. Pois em nosso cínico mundo moderno, tomado por uma sufocante taxa de divórcios e ideais descartáveis, não é fácil convencer a plateia do poder do amor verdadeiro. Bem, estou aqui para dizer que esses dois conseguiram lindamente, e eu desafio qualquer um que testemunhe essa história de amor no palco a sair intocado por sua paixão extraordinária. Sem dúvida, o que fez esse crítico calejado desejar que houvesse mais amor verdadeiro no mundo.”

O povo todo faz “ohhhhh” em uníssono, e, quando olho para Jared, juro que ele está tão vermelho quanto eu. A sala explode em falatórios, todos discutem a resenha e o que ela significa, mas estou chocado demais até para puxar conversa.

Jack pega o celular e manda Jared e eu posarmos para uma foto juntos. Sem mesmo refletirmos sobre aquilo, a gente se abraça e sorri.

Depois do flash, Jack nos mostra a foto.

Ficou linda.

Nossos sorrisos ficaram maravilhosos. A foto me faz acreditar que nunca na história do mundo existiu um casal tão feliz quanto nós dois neste exato momento.

Somos duas estrelas.

Continua...


Notas Finais


Eaí, o que acharam?
Comentem suas opiniões. Como já sabem, amo comentários e.e
O lemon está se aproximando, aguardem nos próximos capítulos u.u
Até a próxima (provavelmente quarta) e beijos :*


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...