História Stay - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Breaking Bad
Tags Breaking Bad, Jesse Pinkman, Romance, Walter White
Visualizações 20
Palavras 2.177
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção, Hentai, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Tomorrow Never Knows


Fanfic / Fanfiction Stay - Capítulo 10 - Tomorrow Never Knows

– Tem certeza, Sophia? – pergunto em meio a bagunça e caos do quarto de hóspedes, que nas últimas semanas teve Sophia como sua dona, e agora, para minha tremenda infelicidade, estamos a procurar suas coisas pela casa para a ruiva de farmácia poder então arrumar suas malas devidamente e voltar para São Paulo.

Voltar para o Brasil. Voltar para os braços de Patrick; nos falamos ontem a noite enquanto Sophia estava fora em algum mercado comprando lanches para petiscar durante o voo. Patch está planejando uma bela surpresa para a sua chegada amanhã a noite; a proposta de uma vida juntos. Não uma cerimônia de casamento, como tinha pensado no exato momento em que ouvi as palavras “quero viver com ela sempre”.

 

Vai pedi-la em casamento? É isso mesmo? – eu já estava tão animada que não conseguia conter o sorriso idiota de pura felicidade pela garota. Patch é um cara maravilhoso, esteve e está com ela nos momentos mais necessários e até mesmo inoportunos. São quase unha e carne. O início desse relacionamento de três anos passou como flashes diante de meus olhos, e ri ao lembrar do quanto Patrick era um tanto imbecil com Sophia até assumir seus sentimentos pela minha melhor amiga, se tornando um ser dependente da existência dela.

Mais ou menos. Ela não quer casar, você sabe disso. Bem, pelo menos agora esse não é um dos planos dela. – pude ouvir o som da bile descendo por sua garganta, e automaticamente percebi o quão nervoso e ansioso estava. – Eu quero passar a minha vida do lado dela. Eu amo ela, demais. – sua voz começou a ficar trêmula, e sacudi minha cabeça ao notar como tem medo de ser rejeitado. – Não quero um casamento, uma festa, ou algo assim, não mesmo. Quero poder dormir ao lado da Sophia e acordar todos os dias com ela reclamando sobre não ter dormido nada ou que ronco feito um porco, mas ela acha fofo do mesmo jeito. – suspirou alto, e novamente aquele sorriso estúpido voltou ao meu rosto. – Só um documento idiota e nós morando juntos já seria de bom tamanho. Eu só quero isso, Anna. – fiquei em silêncio por alguns instantes, assimilando toda aquela informação, e acabando por rir da situação sem perceber. – Eu disse alguma coisa errada?

Patch, ela vai dizer sim, seu imbecil. – Patch começou a rir desesperadamente, tendo sido pego com sua guarda baixa. – O que pretende fazer, emo? – meus olhos foram de encontro a uma nota grudada a geladeira com a assinatura de Sophia, afirmando o que já havia dito por suas mensagens, a sua ausência por motivos de ‘quero comer descentemente naquela merda de avião’.

Bom, vou fazer um strogonoff como ela gosta, fazer o que ela quiser, e quando entrarmos no meu quarto, vai ter aqueles balões no formato de gatinhos em volta da cama e uns space-cats na parede, aí eu faço o pedido. – É bem simples, mas é isso. – ele ria nervosamente e o acompanhei.

Vai dar certo, Patrick. Emo desgraçado.

 

Sophia está colocando mais e mais roupas dentro de sua mala, e algumas lembranças daqui também, como os prêmios do playground que fomos há alguns dias. Eu acabo me perdendo em meus pensamentos observando-a, ponderando qual será a sua reação quando aquelas palavrinhas especiais deixarem os lábios de Patrick amanhã à noite que não percebo quando começa a me chamar.

– Você está bem, Anna? – seu olhar pousa em mim por alguns momentos, analisando se apresento algum sinal que aponte o contrário, porém logo voltando a fazer sua mala.

– Só estou pensando em algumas coisas, desculpe. – solto um sorriso de canto e me aproximo, a estendendo seu par de chinelos e botas, um em cada mão. – Mas você tem certeza? – acabo mordendo meus lábios em antecipação.

– Em relação a o que, exatamente? – diz sem tirar seu foco da mala, e sua vigésima tentativa em deixa-la o mais organizada possível.

– Sobre querer que eu volte pra São Paulo. – há alguns minutos, quando começamos a reorganizar sua mala, entramos em uma conversa sobre a parte de nossas vidas que se encontra em São Paulo, nossas famílias, amigos e tudo mais. E sinceramente, ando querendo evitar esse lado da minha vida desde o fatídico funeral de Noah, em que ambos os lados de nossas vidas se uniram por um motivo tão deprimente. Percebo Sophia criar certa compostura, ficando mais ereta, como se estivesse se preparando para falar da maneira mais delicada possível o que se seguiria.

– Claro que sim, Anna. – agora fala com um tom delicado, com uma pinta de decepção, provavelmente de ter a questionado sobre querer minha presença em nossa cidade natal. – Entendo não querer voltar tão cedo depois de tudo, mas não pode evitar as pessoas pra sempre, em algum momento você vai ser obrigada a encarar seus pais, a sua família e até mesmo a minha, que também é sua. – acabo soltando um sorriso discreto ao ouvi-la afirmar sermos da mesma família. – Espero pelo menos que você volte pra me visitar, se quiser podemos até encarar seus pais juntas.

– Vou tentar, mesmo. É só... complicado, muito complicado.  – acabo soltando um suspiro alto e fechando meus olhos em um ato automático, imagens de como seria recebida na casa e meus pais e tudo que teria de sentar e apenas ouvir, sem contestar, e sinto aquele peso enorme em minhas costas, aquele mesmo que estava começando a me deixar.

Acontece que é uma caixinha de surpresas. Toda essa situação é. A qualquer momento posso receber uma ligação de minha família e terei de encarar a situação, não frente a frente, contudo a encararei do mesmo jeito, como se nada adiantasse, porquê no final, como Sophia mesma disse, eu não posso fugir.

Não importa o que eu faça, não posso ou consigo fugir disso.

Nós duas decidimos dormir juntas, como nos velhos tempos, para tentarmos afastar a saudade que logo viria junto da distância de mais de nove mil quilômetros entre uma e a outra. Dormimos abraçadas, nenhuma palavra é dita pois não é necessário, o silêncio do momento nos passa tudo o que não conseguimos colocar em palavras, como a gratidão e amor recíproco.

– Eu te amo. – é a última coisa que dizemos antes de cairmos em um sono calmo, cujo é invadido por memórias de nós duas desde as fraldas até hoje, passando pelos melhores e piores momentos, o que apenas me dá mais certeza do motivo para Sophia estar comigo há tanto tempo...

Nós somos uma extensão uma da outra.

 

[...]

 

Voo 594, destino São Paulo, portão 8. O avião já se encontra na área de embarque. – a voz de algum funcionário nos obriga a terminar o abraço antes do esperado, deixando uma sensação de vazio em poucos instantes.

– Bom voo, ruivinha. – falo tentando parecer o mais animada possível, apesar de por dentro estar um caos em pedaços, desmoronando. – É bom me ligar quando chegar, okay? Preciso ter certeza que aquele emo não vai te matar. – consigo melhorar o clima no ambiente, constatando um sorriso amplo surgir na feição derrotada de Sophia. Ela estava chorando? – Ei, não chora se não vai ficar uma coisa melosa nós duas chorando no meio de um aeroporto. – rimos e entramos em outro abraço, Sophia me apertando como se fosse sumir a qualquer segundo. Não que eu estivesse fazendo algo diferente.

– Quando chegar ao apartamento do Patch eu te ligo, juro. – ela respira fundo, olhando para o teto momentaneamente e presumo estar tentando se controlar. – Fica bem, Annabelle.

Observo-a passar pelos portões e pelos detectores de metal e então se encaminhando para o enorme corredor que daria na entrada para o avião, a assim que está quase sumindo em meio aos outros passageiros, ela se vira e acena em minha direção sorrindo largamente, e aceno de volta, tentando sorrir de uma forma tão genuína como ela.

E tão rápido Sophia veio, tão rápido ela já se foi.

Procuro por meu celular em minha bolsa, e logo que o desbloqueio dou, de cara com mensagens preocupadas de Jesse.

[Jesse 08:05]: Ei Bel, tá tudo bem?

[Jesse 08:07]: Quer que eu vá com vocês?

[Jesse 09:05]: Como foi com a Sophia?

[Jesse 09:05]: Quer que eu vá te buscar?

[Jesse 09:15]: Bel?

Inevitavelmente sorrio um pouco com as mensagens, digitando uma resposta.

[Annabelle 09:21]: Foi tudo bem, ela vai ligar assim que chegar. Ainda estou no aeroporto, pode me levar até o colégio?

E antes que eu possa bloquear a tela do aparelho e me encaminhar até a entrada do aeroporto e esperar pelo próximo táxi ou por Jesse, o celular já está vibrando com uma mensagem sua.

[Jesse 09:21]: Ok, me espera na entrada. Te vejo daqui a pouco xx

Sento-me em um dos bancos da entrada do aeroporto, colocando minha pequena mala de trabalho em meu colo, batendo meus dedos sob sua superfície dura para passar o tempo, pensando que dessa forma talvez Jesse apareça magicamente em minha frente com seu carro.

Estou ansiosa para o final do dia, aguardando pela reação de Sophia ao pedido de Patch, e me pego pensando se algum dia encontrarei alguém para passar o resto de minha simples e estranha vida junto. Até meses atrás, pensava que havia encontrado essa outra pessoa, “minha cara metade”, tendo terminado batendo de cara com uma porta.

Não que eu seja a pessoa mais azarada do mundo em todo e qualquer sentido, foi mais uma decepção entre muitas, o que acaba aumentando sua importância do que ela realmente representa.

Bernardo foi uma parte de minha vida, pensava que iriamos ficar noivos, casar, ter filhos e morar em uma casa dos sonhos, e olhando da perspectiva de agora, era mesmo um sonho, uma realidade que pode até ser verdade em alguma fenda temporal que não tenho ou quero ter conhecimento de, mas nessa realidade não era mais nada além de ilusória e uma ideia que se acontecesse, terminaria de forma catastrófica.

E agora Jesse está a ocupar essa posição de “meu significante outro”, mesmo nunca termos afirmado ou negado algum rótulo dado a relação que temos. Antes achava que era apenas uma forma de colocar minha mente em descanso, de esquecer tudo o que acontece ao meu redor; o que parecia ser o que Jesse também queria. Contudo, depois da noite em minha sala no dia em que Sophia e eu saímos, não tenho mais tanta certeza. Ele diz estar disposto a me tratar da “maneira que mereço ser tratada” e tento entender esse conceito até o momento.

Ironicamente, vejo o carro vermelho de Jesse se aproximar e logo estacionar, abaixando o vidro para poder me ver melhor. Parece até que foi pensar nele que apareceu.

– Bom dia, Jesse. – falo com um sorriso no rosto ao ver o enorme que cobre a feição de Jesse, o qual chega mais perto e junta nossos lábios em um rápido beijo e logo se afasta.

– Bom dia, Bel. – diz sorrindo a toa, voltando sua atenção à direção e saindo com o carro. – Você não tinha um carro até a Sophia vir pra cá? – pergunta irônico.

– Era alugado, idiota. Tive que devolver na concessionária há uns três dias.  – suas sobrancelhas se arcam em comprovação que está conseguindo prestar atenção no trânsito e na conversa. – Quais os seus planos pra hoje, Pinkman?

– Ficar preso em um trailer com um velho. – fala de uma maneira tão engraçada que acabo soltando uma gargalhada. – Posso ir pra sua casa a noite?

– Desde que me avise quando estiver indo, pode ir. – observo seus lábios se contorcerem em um sorriso de canto. Paramos em um sinal fechado, e Jesse larga o volante para procurar por um de seus baseados em sua jaqueta, o colocando entre os lábios, porém o sinal abre. – Quer que eu acenda? – pergunto, inclinando a cabeça em direção ao baseado e ao isqueiro em suas mãos. Jesse me olha de relance, aparentemente surpreso, e apenas me entrega o isqueiro.

Demoro três tentativas até conseguir acender devidamente o isqueiro, a ponta de meu dedão estando preta por conta da pequena engrenagem do objeto. Levo-o até o baseado e o acendo, vendo Jesse rapidamente soltar fumaça pelos cantos da boca.

Puta que o pariu, ainda assim ele consegue ser lindo.

– Valeu, Bel. – deixo o isqueiro perto do rádio e volto minha atenção a onde estamos, tratando-se de duas quadras antes do colégio. – Eu te ligo mais tarde, Bel. – assinto, e nos inclinamos, nos unindo em um beijo que esquenta em pouco tempo, minhas mãos em seu cabelo e as suas em meu quadril. Acabo por me afastar antes que aquilo vá longe de mais, dando uma leve mordida em seu nariz para amenizar o clima.

– Até mais tarde, Jes. – e logo estou caminhando pelos corredores do colégio, tentando aparentar o mais apresentável possível, ajeitando meu cabelo aqui e ali, passando os dedos em volta de minha boca para verificar se tem algum vestígio de batom borrado.

Porém meus esforços parecem servir de nada, pois assim que passo por um grupo de meninas do primeiro ano, algumas arregalam de leve os olhos e outras riem com suas amigas.

Será um longo dia. 

 


Notas Finais


Comentem, meus leitores fantasmas todos os outros :)
Estou tentando escrever mais capítulos para a fanfic (como devem ter percebido), e posso falar que não vou sumir de novo s2


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