História Stay With Me - Book 1 - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Eloy, Gay, Romance, Stay With Me, Trevor, Trevoy
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Palavras 3.212
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Romance e Novela, Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Chapter 1


Fanfic / Fanfiction Stay With Me - Book 1 - Capítulo 2 - Chapter 1

As folhas alaranjadas do velho Liquidâmbar batiam na janela ao caírem de seus galhos amarronzados, amontoando-se na grama verde e recém-aparada da entrada do colégio St. Garden, uma construção antiga, de tijolos vermelhos e colunas brancas, deixando o dia do Sr. Fitzpatrick, o zelador, um pouco mais aborrecedor do que sempre é em épocas normais.

Era Outono.

A aula era de literatura, mas, ao invés de prestar atenção no professor Kent, passei metade do meu tempo ali, contando quantas folhas caiam por minuto e, quantos minutos o zelador levaria para adicioná-las ao seu montinho exacerbado.

– Eloy, poderia ler para nós o quadro grifado na página 188? – sai de meus pensamentos ao ouvi-lo chamar meu nome, logo procurando a página em questão, no grande livro de literatura de capa dura e letras douradas.

Era Wilde. Já sabia aquela citação de cor, não seria difícil de lê-la. – "Fala-se muito na beleza da certeza, como se não se tomasse conhecimento da sutil beleza da dúvida. – respirei lentamente, deixando que as palavras fluíssem de dentro de mim. – Acreditar é muito monótono, duvidar é profundamente apaixonante. Manter-se alerta: Eis a vida. Jazer na tranqüilidade: Eis a morte."

– Obrigado, Sr. Chrisman. – ele disse a contragosto, ao que terminei de ler. Talvez desejasse que eu tivesse errado algo, só para ter o gosto de poder reclamar sobre mim e minha falta de atenção.

Voltei a olhar pela janela, tamborilando meus dedos na mesa de madeira escura. Era como se faltasse algo. Sem emoção. O primeiro semestre do último ano estava sendo decepcionante.

– Olha quem chegou atrasado novamente. – JP sussurrou em meu ouvido, fazendo-me virar a cabeça para a porta, automaticamente. Era Trevor Price. Notável aluno e presidente de algum clube da escola. Nunca havia falado com ele. Não tinha esse desejo de me juntar ao seu grupo de "amigos-frequentadores-de-country-clubs". JP já namorou alguma garota do círculo de amizades de Trevor. Disseram-lhe ser a elite do colégio. Nada demais para uma escola americana.

– Conte-me uma novidade. – revirei os olhos, colocando as mãos no bolso.
Não sou o tipo de garoto que faz amizade fácil, ou sorri para todos no extenso corredor da escola. Céus, meu melhor e único amigo já estava comigo há bons anos para ser considerado parte de mim. Não é como se eu fosse alguém anti-social ou, até mesmo, alguém ignorante, eu só me sentia confortável longe de toda e qualquer possível ameaça ao meu desenvolvimento psicológico.

Professor Kent sentou na beirada da mesa, encarando a sala com um papel pardo em mãos. – Antes que à aula acabe, tenho um assunto para discutir com vocês. Algo que venho esperando o momento certo para dizer desde que o ano letivo começou.

– Será que ele vai se declarar gay? – JP sussurrou. Ri baixo, negando com a cabeça.

– Como sabem, o último ano é o mais decisivo na vida escolar de vocês e, muitos aqui têm problemas de notas, especialmente em minha matéria. – apoiei o queixo na palma da mão, entediado. – Porém, resolvi facilitar a vida de vocês esse ano. – ele sorriu de um jeito debochado, e levantou a folha em sua mão, mostrando-a para a sala. – Aqui está o nome de todos os alunos e seus respectivos pares para o trabalho, escolhidos a dedo por mim.

Alguns murmúrios foram ouvidos, mas, após um falso pigarreio, ele voltou a explicar.

– Cada dupla será encarregada de um clássico e terão até o dia dez de Dezembro para ler o livro e escolher a parte mais marcante em suas opiniões. Irão desenvolver uma pequena encenação da cena supracitada e explicarão a razão de tê-la escolhido. – parecia interessante, pelo menos, boa parte da sala havia gostado. – Antes que eu me esqueça, essa nota será considerada de trabalho e prova dos dois semestres. Sendo assim, quem não fizer, será, automaticamente, reprovado em minha matéria. – seu sorriso era um tanto macabro, o que me fez rir descontraído, para mim mesmo.

– Se formos colocados na mesma dupla, corro o risco de te beijar? – JP sussurrou.

– A não ser que o livro seja Romeu & Julieta, mantenha seus lábios longe dos meus. – respondo-o de modo contundente, deixando um sorriso leve aparecer.

Após algumas duplas serem chamadas, logo meu nome foi citado.

– Eloy Chrisman e... Trevor Price. O livro será O Retrato de Dorian Gray. Impressionem-me. – Olhei para o garoto de cabelos castanhos e sorriso cativante do outro lado da sala. Ele acenou com a cabeça em minha direção, fazendo-me desviar o olhar para meu caderno.

– Oh, uma pena não ser Romeu & Julieta. – JP caçoou. Olhei-o de soslaio e revirei os olhos. – Calma pelo menos não é você quem fará o trabalho com a Polly Price. Tenho certeza que o irmão dela é muito mais sociável.

O sinal tocou no momento em que iria lhe dizer um palavrão, fazendo-o sorrir aliviado, como o grande idiota que era.

– Vou falar com minha querida amiga Polly. Até mais tarde. – disse, correndo atrás da garota.

Comecei a guardar o pouco material que havia tirado da mochila, quando uma mão entrou em meu campo de visão, fazendo-me levantar a cabeça. Lá estava ele com um sorriso no rosto.

– Sou Trevor. – eu sei quem você é. A escola inteira também. Ironia seria se alguém não soubesse.

– Eloy. – apertei sua mão de modo cordial. Logo que a soltei, apanhei a mochila, colocando-a no ombro e me desviando até a porta. – Já li o livro. Posso fazer tudo sozinho.

Ele colocou sua mão em meu ombro e me parou, virando-me com facilidade.

– Não preciso que faça o trabalho sozinho--

– Eu prefiro. – o cortei. Segurei sua mão e a tirei de cima de mim, oferecendo-lhe um sorriso amarelo. – Não me entenda mal, apenas prefiro fazer minhas coisas eu mesmo.

– Depois da escola, na biblioteca. Não se atrase. – sentenciou e saiu, me deixando ali, tentando entender o que havia acontecido.

 

 

Oscar Wilde era meu cara favorito no mundo inteiro. Mais do que Shakespeare. Mais do que Jackie Chan. Fazer aquele trabalho seria prazeroso, tanto quanto provar do doce mel da paixão renascentista.

– Faz o meu trabalho? – JP se sentou no banco em frente ao meu, jogando um saquinho de amendoim em meu colo.

– Me pague o que deve primeiro. – brinquei, abrindo o pacotinho de papel laminado e jogando um punhado na boca. – Falou com Polly?

Assentiu deitando a cabeça em minha mochila. – Achei que fosse ganhar um olho roxo. Por que tão má?

– Ela é sua ex namorada, por que eu deveria saber? – dei de ombros, ignorando seus choramingos.

Comi mais alguns amendoins antes de Trevor aparecer com seu sorriso brilhante em meu campo de visão (ele não cansava de sorrir?). Sentou-se na borda da mesa, ao lado de Brad, o capitão do time de lacrosse. Falavam de algo animadamente e, mesmo se eu quisesse, não consegui tirar meus olhos deles. JP falava sobre algo que não pude prestar atenção. Comecei a analisar Trevor. Ele gesticulava muito e seus olhos se fechavam sempre que ele ria. Não me admirava as garotas gostarem dele. O Sr. Certinho tinha certo charme.

– Se vai continuar encarando, tente ser discreto. – desviei minha atenção para JP, que tinhas suas sobrancelhas arqueadas e um amendoim entre o polegar e o indicador. Seu sorriso chegava a ser perverso e malicioso. Senti-me pego no flagra.

– Do que está falando, criança estúpida? – desconversei, pegando minha mochila e jogando-a por cima do ombro. – Tenho trabalho pra fazer.

Ele me parou, segurando meu pulso.

– Não trabalhe demais. – piscou em minha direção. Arranquei rudemente sua mão e marchei para longe de sua mesa, murmurando xingamentos à JP. Antes que eu entrasse no edifício, fui traído por minha própria curiosidade, levando-me a olhar de relance para a mesa de Trevor. Ao mesmo tempo em que o encarei novamente, ele levantou a cabeça, seus olhos castanhos encontrando os meus. Virei o rosto após alguns segundos e entrei, fechando a porta de entrada atrás de mim.

 

 

Senhor Alfred era o bibliotecário mais exigente que pude conhecer na vida. Ele, de idade avançada e uma careca lustrosa, proibia qualquer tipo de barulho, resmungo, sussurro ou suspiro dentro de sua biblioteca. JP já foi expulso de lá várias vezes, afinal, meu amigo não era o que chamamos de silencioso e, sua "fama" acabava contaminando quem estivesse com ele, levando o Sr. Alfred a me policiar com o olhar até a mesa do fundo, perto da grande janela que tinha como visão, a Space Needle.

Abri minha cópia de bolso de O Retrato de Dorian Gray e comecei a lê-lo, desligando-me de qualquer coisa que pudesse ocorrer ao meu redor. O silêncio era tanto que, se caísse um simples marcador no piso cor-de-cobre, era possível ouvi-lo, então, passos rápidos e uma respiração ofegante perto de minha mesa foi o bastante para que eu levantasse os olhos das páginas envelhecidas e me deparasse com Trevor Price tentando recuperar o fôlego.

– Estou muito atrasado? – se sentou na cadeira almofadada de madeira maciça, fazendo um estalido ao bater contra a parede. Ele me ofereceu um sorriso amarelo, colocando sua mochila no chão.

– Não está atrasado. Ainda não é nem meio-dia. – apontei para o relógio branco na parede creme neutro. – Trevor abriu os primeiros botões de sua camisa branca até que a gravata estivesse com seu nó desfeito.

– Nunca corri tão rápido em toda minha vida. – ele riu baixo, fechando os olhos e inclinando a cabeça para trás. – Me dê alguns minutos e já começamos a discussão sobre o trabalho.

Assenti, voltando a ler. O meu espanto era ele não ter sido expulso a pontas-pé pelo bibliotecário. Talvez, ser presidente de um grupo escolar tivesse seus privilégios. Lembraria disso para contar à JP mais tarde.

Meu livro foi lentamente abaixado na altura de meus olhos, fazendo-me arquear uma sobrancelha para o garoto em minha frente. – Você faz uma cara engraçada quando lê. – Trevor tinha um sorriso travesso no rosto. Subi o livro novamente, mas, ele o tirou lentamente de minhas mãos, o virando de frente. – "Basil não tinha inimigos e sempre usou um relógio Waterbury. Por que ele seria assassinado? Ele não era inteligente o suficiente para fazer inimigos [...]" – ele leu. Tentei pegar o livro de volta, mas, ele o ergueu acima da cabeça, continuando a ler a fala de Lorde Henry. – "[...] Claro que tinha um gênio maravilhoso para a pintura. Mas um homem pode pintar como Velásquez e, ainda ser estúpido quanto possível. Basil era realmente estúpido. Ele apenas me interessou uma vez que foi quando ele me disse, anos atrás, que tinha uma louca adoração por você."

– Já tinha lido esse livro antes? Sabe entoar bem o personagem. – perguntei, mostrando o quão impressionado estava. Sorriu de lado e negou com a cabeça.

– Nunca tinha o lido. Na verdade, não sou muito fã de Oscar Wilde. Se me perguntar quais são minhas obras favoritas, responderei com toda certeza que são as de Tolstói e Shakespeare, mas, não é como se eu não tivesse me rendido para Stephen King, afinal, tenho alguns de seus livros na prateleira perto da cama.

– Shakespeare? – claro que ele gostava de Shakespeare. Ele era a figura exímia de um romântico renascentista.

 "O amor é dos suspiros a fumaça; puro, é fogo que os olhos ameaça; revolto, um mar de lágrimas de amantes... Que mais será? Loucura temperada, fel ingrato, doçura refinada."

Podia jurar naquele momento que estava boquiaberto, parecendo uma criança vendo um brinquedo na vitrine. Incrível. Ele era incrível. Falava de uma forma tão apaixonada e delicada. Merda, deveríamos mesmo ter pegado Romeu & Julieta.

– Eloy? O que achou? – perguntou, fazendo-me desviar o olhar e sair do transe. Um sorriso tímido brincava em seus lábios. Sorri quase que automaticamente.

– Nada mau. – o olhei, arqueando a sobrancelha. Estendi a mão, esperando ele devolver o livro. Trevor negou com a cabeça, o colocando no bolso de sua mochila.

– Vou pegar emprestado, se não se importa. Acho que você já leu tanto ele a ponto de decorá-lo. Agora é minha vez. – suspirei, cruzando os braços e encostando-me na cadeira.

Trevor se inclinou em cima da mesa, apoiando o queixo nas palmas abertas. Nossos olhares se encontraram e pude sentir meu rosto esquentar. Ele parecia sugar informações da minha alma com aqueles olhos afiados, porém, não desviei o olhar, começando uma guerrinha de encarar um ao outro.

Não se passou alguns minutos até ele levar as mãos em rendição, fazendo-me comemorar internamente.

– O que está pensando em fazer? Sobre o trabalho, eu quero dizer.

– Eu posso me encarregar da dissertação. Você pode ler o livro e escolher a parte que iremos encenar tudo bem?! – Trevor assentiu, anotando algo no celular. Era um Optimus Slider preto com os botões azuis. Ele o estendeu para mim.

– Me passa seu número. Podemos falar sobre o trabalho sem ser na escola. – segurei o aparelho e anotei o telefone fixo da minha casa, já que eu não tinha um celular. Devolvi-o em sua mão, levantando e pegando minha mochila, jogando-a no ombro. Ele fez o mesmo. – Tenho que ir agora. Tenho uma reunião do conselho estudantil.

Dei de ombros, jogando a maldita franja que insistia em cair em meu rosto. Despedi-me de modo simples, apenas acenando com a cabeça e saindo pelas portas de madeira escura.

 

 

Eu morava na esquina da Preston com a American desde a segunda série, quando nos mudamos para os Estados Unidos. Era uma casa simples, de dois andares e pintura desgastada em um azul turquesa não retocado há mais de dez anos. Havia um quintal espaçoso na frente, onde o velho Cadilac Fleetwood 1963 preto de minha mãe estava estacionado ao lado de nossa caixa de correio que possuía um 'Família Chrisman' em letras garrafais. Logo na entrada havia quatro degraus de madeira que levavam até a porta branca com um batedor de ferro em formato de uma cabeça de um leão. Embaixo havia um tapete de boas vindas que minha mãe fazia questão de lavar todas as quintas.

– Estou em casa. – falei alto, fechando a porta atrás de mim e tirando meus sapatos, colocando-os na sapateira do canto. Logo minha mãe entrou em meu campo de visão, segurando um avental em mãos. O peguei, colocando em volta da minha cintura e largando a mochila no braço do sofá para amarrar a parte de cima no pescoço.

– Não deixe sua irmã esquecer-se de almoçar antes de ir para o ballet, tudo bem?! Te amo, querido. – ela beijou minha testa e saiu pela porta, entrando no carro. Minha mãe era uma corretora de imóveis e estava trabalhando para uma empresa canadense que comprava novos lotes e construía condomínios para serem vendidos.

Fui para a cozinha, levantando a tampa da panela que estava em cima do fogão e sentindo o aroma delicioso do Doenjang jjigae que mamãe estava preparando. Peguei a concha de madeira e provei o caldo. Delicioso.

– Cheguei. – escutei a vez melódica de Lavínia ecoar pela casa, me fazendo sorrir. Logo senti seus lábios em minha bochecha e a concha sendo retirada de minha mão. – Delicioso. Como foi a aula hoje? Chegou agora? – perguntou, sentando-se no balcão da pia.

– Sim. Tenho alguns trabalhos importantes para esse semestre e tive que ficar depois da aula para conversar com a minha dupla sobre o que fazer.

– Sua dupla? Não é o JP dessa vez? – neguei, desligando o fogo. – Wow, estou, realmente, surpresa. Desde quando você fez outro amigo?

– O professor quem escolheu. Não é como se eu tivesse trocado mais de duas palavras com o Trevor mesmo. – ela pulou no chão, me encarando.

– Trevor? Seria Trevor Price? 'O' Trevor Price? – ela me puxou pela gravata. – Fiquei sabendo que ele foi convidado pra aparecer em um comercial de perfumes da própria marca dele. No Japão.

– Pensei que estávamos falando de Trevor Price e não da Regina George. – brinquei, recebendo um soco no ombro. – Vai se lavar. A comida estará pronta em cinco minutos.

– Okay.

Ela subiu correndo as escadas, me deixando sozinho.

 

 

Sentado em frente ao velho computador, deslizei o mouse sobre a banqueta, olhando atentamente para a tela. O trabalho era de Biologia, mas, minha mente estava longe, mais precisamente, no sorriso de certo alguém. Trevor é lindo, nunca pude negar a veracidade deste fato, mas, algo nele me intrigava. Era como um imã que atraía minha curiosidade cada vez mais.

– Quem é Trevor Price? – apoiei meu queixo na palma de minha mão, encarando com o olhar perdido, o monitor desligado. Eu apenas sabia o que todos também sabiam sobre ele. Mas, senti que aquilo não era ele. Trevor Price não era tudo o que diziam dele. Tinha que ter algo a mais ali. Uma vida.

Duas batidas na porta me fizeram voltar à realidade, encarando JP encostado no batente enquanto comia algumas batatinhas.

– Estudando muito? – ele tinha um sorriso travesso e um olhar investigativo.

– Mais do que você, eu aposto. – JP entrou no quarto, se jogando em minha cama e cruzando a perna, balançando seu pé coberto por uma meia branca. Desliguei o computador e subi na cama, engatinhando até estar deitado com a cabeça em sua barriga. – Estou cansado.

– Dorme. – neguei com a cabeça, esticando meu braço o bastante para alcançar o gibi na mesa de cabeceira. Era uma das edições limitadas de One Piece, o qual fiz questão de implorar para meu pai me dar de aniversário, mas, quem me deu mesmo foi JP. – O telefone está tocando.

Olhei para ele que tinha a atenção focada em suas batatinhas e suspirei. Em um pulo, sai do quarto e desci as escadas de dois em dois degraus. Segurei o aparelho e aceitei a chamada.

– Alô? – encostei-me à mesinha de mogno antigo que minha avó tinha nos dado quando nos mudamos. A linha ficou muda por um momento, apenas sendo possível escutar minha respiração. – Hm... Alô? É alguma brincadeira?

– Não, não. Sou eu, Trevor, da escola. – meu rosto ficou quente por um momento. – Queria falar sobre o livro.

– Ah sim, claro. – escorreguei as costas na parede, sentando-me no chão de pernas cruzadas. – Sobre o que quer falar?

– O que você acha que Dorian sentiu quando percebeu que não estava mais envelhecendo e sim sua pintura? Não quero que me diga o que está escrito no livro. Quero que me fale o que acha que ele sentiu, no coração dele.

Mordi meu lábio inferior, pensando bem sobre o assunto. Ninguém nunca havia me perguntado algo tão profundo sobre um personagem tão complexo. Trevor Price era uma caixinha de surpresas.

– Assustado. – falei baixinho. – Eu acho que ele se sentiu assustado. Mas, não como se tivesse levado um susto. Acho que ele se sentiu assustado e só, como se estivesse perdido.

A respiração dele era amena, fazendo-me fechar os olhos e encostar a cabeça na parede fria, imaginando uma brisa agradável em um dia de verão.

– Você já se sentiu assim? Perdido e assustado? – foi como flashes de memória invadindo minha mente. O dia em que meu pai foi embora. Era difícil me lembrar daquilo, pois carregava uma grande carga de sentimentos negativos que me atingiam com força sempre que eles vinham à tona.

– Acho que todos nós já passamos por um momento assim. Sentir-se perdido é alguma forma de sentir-se vivo?

– Sentir-se vivo é a forma primitiva de sentir-se perdido? – soltei uma risada baixa, negando com a cabeça. – Preciso ir. Obrigado pela conversa.

– Sempre ás ordens. – o telefone ficou mudo. Fechei os olhos e sorri. Garoto estranho.

 


Notas Finais


Curtam a página que está no link abaixo. Postarei tudo sobre o livro lá.
Assistam o trailer também.

Página: https://www.facebook.com/ncalmeidaofficial/

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=SypaFOSYbmM&feature=youtu.be


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