História Steadfast Tin Soldier - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Coldplay
Personagens Chris Martin, Guy Berryman, Personagens Originais
Visualizações 10
Palavras 2.326
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Com belos minutos de atraso, venho aqui publicar o capítulo de aniversário da @mamarscita.
Eu já disse tudo que gostaria no textinho, mas não me custa de repetir de novo; parabéns, meu bem. Eu te amo tanto que nem cabe no meu peito e você merece tudo de bom dessa vida. 💕💕
Enfim, sobre o capítulo, não há muito o que dizer além de que ele é um flashback que se passou há quatros anos do tempo original da história. Tessa tinha vinte e três anos e Guy, vinte e seis. Entre três e quatro desde sua saída do exército.

Boa leitura. sz

Capítulo 2 - Tessa


Enquanto o recinto era preenchido pelo o forte ruído de palmas e o clamor de algumas pessoas mais empolgadas, Guy permanecia com as mãos descansadas no apoio do assento, a expressão tão vazia e indiferente quanto antes. Era como se sua capacidade de ver o bom e o belo nas coisas houvesse sumido completamente; o bonito espetáculo de balé não conseguia lhe comover ou lhe empolgar, um pouco que fosse. Ele duvidava que qualquer coisa ainda conseguisse. 

Assistiu os bailarinos no palco que curvavam-se graciosamente em agradecimento e as cortinas vermelhas sendo fechadas, anunciando o fim do espetáculo. As pessoas começaram a se moverem e levantarem rapidamente de seus lugares, porém o ex-militar permaneceu imóvel onde estava, esperando que todos se fossem antes de poder erguer-se. Encolheu-se o máximo que conseguia em sua cadeira para permitir que as pessoas pudessem passar através dele e fixou os olhos no teto muito acima de sua cabeça, ilustrado com gravuras que ele não podia ver bem devido a altura. Pensou em como ter vindo ali parecera-lhe uma terrível ideia; ver todas aquelas pessoas, movendo-se nas pontas de seus pés só lhe trouxera o sentimento de que ele era inferior e mesmo que desejasse, nunca conseguiria fazer coisas daquele tipo, não mais. Visitar shows e seus derivados fora uma ideia de seu psicólogo, mas naquele momento, tudo em que ele conseguia pensar era em abandoná-lo pela a terrível sugestão. 

Os minutos se passaram e ele continuou ali, olhando em direção ao teto do teatro sem mover um músculo. O ruído de uma vassoura enfim o despertou de seus devaneios e ele baixou a cabeça para encarar uma faxineira que limpava o palco e erguia os olhos ligeiramente do seu serviço para lhe olhar com estranhamento. Com um suspiro, Guy enfim apanhou sua bengala e levantou-se, indo em direção a saída do lugar. 

Ao sair, ele involuntariamente viu-se em meio a um grupo de bailarinos que ele reconheceu, pelas fantasias que trajavam, como os que tinham se apresentado naquela noite. A rua do lado de fora estava um tanto escura — aparentemente, a luz do poste ao fim da esquina estava quebrada e apenas a do lado oposto estava funcionando. Mesmo assim, as roupas e os rostos brilhantes deles ainda cintilavam. Uma conversa animada era mantida entre os integrantes da pequena formação; congratulações pelo bom trabalho, comentários sobre os passos executados por um ou outro, mas Guy não atentou-se a nada do que diziam. Sem paciência para esperar que eles passassem, infiltrou-se em meio a eles com o objetivo de ultrapassá-los e seguir para casa mais rapidamente. 

Ele não deveria ter feito aquilo; a pessoa que seguia atrás dele não pode parar quando ele subitamente meteu-se no caminho e acidentalmente esbarrou contra suas costas. A pouca firmeza na prótese o fez desequilibrar e tropeçar para a frente, onde chocou-se contra outra pessoa, que emitiu um barulho de susto e surpresa. Ele se estabilizou a tempo de não desabar, mas a bengala escorregou de seus dedos, indo parar no chão com um ruído seco. Guy agachou-se para apanhá-la e notou que não fora o único a deixar algo cair. 

Sapatilhas. Lindas sapatilhas de balé — vermelhas — estavam imersas numa poça de água suja formada por uma chuva recente, a cor vibrante do cetim delicado sendo tingida pelo o amarronzado. Ele observou os sapatos, momentaneamente atordoado. Os laços flutuavam no líquido, mas havia um pequeno problema; um deles pareciam ter soltado das sapatilhas, rasgado ou descosturado, talvez. 

Estendeu as mãos para elas ao mesmo tempo que alguém. Guy ergueu a cabeça simultaneamente a outra pessoa, e deparou-se com olhos verdes brilhantes.  

Com um ruído de embaraço, apanhou as sapatilhas e ergueu-se, e a pessoa que ele descobrira ser uma mulher fizera a mesma coisa. A primeira coisa que notou era que ela vestia um belíssimo vestido vermelho, cintilante e teatral, e que os cabelos estavam presos com enfeites florais da mesma cor. A outra, era que os olhos verdes dela eram bonitos, claros e brilhantes como jade mesmo na escuridão e mesmo carregados de preocupação. 

— Eu estou bem. — Ela respondeu para um homem atrás dela que havia questionado sobre seu estado. A moça ergueu os olhos e os pôs sobre o rosto dele. Ela tinha feições de uma jovem; Guy lhe daria, no máximo, 22 anos de idade. Os cabelos dela eram castanhos e ela era alta, embora não mais do que ele. A cor das íris dela era ainda mais ressaltada devido a maquiagem que ela usava em suas pálpebras. A feição em seu rosto era levemente preocupada quando seu olhar estava no dele. — Está tudo bem com você? 

Ele acenou com a cabeça, um pouco atordoado com o tombo que quase havia levado. 

— Sim, está tudo bem. Eu... — peço desculpas, era o que ele desejava dizer, mas parecia que sua mente não formulava uma maneira de se desculpar. Ele não o fazia em situações normais, mesmo quando era estúpido ou arrogante a preço de nada ou impulsivamente, mas havia algo no rosto dela que o fez querer saber como se lamentar novamente. — Sinto muito. — Por fim conseguiu sussurrar, embora sua voz permanecesse no mesmo tom gelado e habitual. — Por você e por isso. — Então baixou os olhos para as molhadas sapatilhas de balé e o laço escarlate descosturado. 

— Oh... — Ele sentiu as palmas mornas das mãos dela contra as costas das dele, enquanto ela fitava seus sapatos com as sobrancelhas franzidas.

— Me desculpe. — O escocês conseguiu pronunciar. — Você pode consertá-las? 

Ela fez um sinal positivo com sua cabeça, mas seus olhos preocupados não davam total certeza a Guy que ela estava sendo sincera. 

— Sim, não se preocupe com isso... — A moça murmurou. Guy sentiu-se estranho, talvez temendo que as houvesse estragado. 

— Você tem certeza? — Questionou, sem saber ao certo o porquê. Poderia simplesmente concordar e ir embora, mas sua consciência não deixaria tranquilo e permanecer indiferente não lhe parecia uma opção. 

— Sim. — Ele viu uma sombra do que parecia hesitação nos olhos dela enquanto mordia os lábios vermelhos e removia as sapatilhas das mãos dele. Fitou-as novamente e acidentalmente viu o número delas antes que estivessem com a bailarina; 35. Ele pensou ter deixado-a magoada, mas quando ela ergueu os olhos e a expressão do seu rosto foi subitamente preenchida por um sorriso que ele não esperava, não fora o que pareceu. — Bom, eu devo ir. Tenha uma boa noite, e obrigada por ter vindo nos assistir. 

A desconhecida sorriu mais uma vez antes de afastar e se virar, seguindo com o amigo que ainda a aguardava. Ele permaneceu parado por alguns minutos, quase atônito com a situação. 

Ainda sentia que ela não lhe disse a verdade. E se fosse um dano irreparável? Guy entendia de sapatilhas de balé tanto quanto entendia sobre a dança clássica propriamente dita, e talvez ela fosse gentil demais para dizer que ele havia estragado seus instrumentos preciosos. 

Ele enfiou a mão na bolsa da jaqueta e retirou de lá dentro o amassado folheto de divulgação da apresentação que acontecera naquele dia. Em letras que ocupavam a folha, o nome da academia de balé estava impresso. 

O número das sapatilhas lhe veio a cabeça; 35. 

Mesmo que não fosse de seu feitio, ele sabia o que iria fazer. 

(...)

Guy girava em círculos em frente a entrada da grande academia de balé, não atentando-se aos olhares esquisitos e curiosos que as pessoas que caminhavam pela a rua lhe lançavam. Era realmente incomum e estranho que ele permanecesse ali inquieto, perturbado demais por uma razão que ele nem mesmo compreendia para empurrar as portas duplas de vidro e buscar a moça que quase havia derrubado, fazia dois dias.

Ele encarou a caixa de cor rosa que carregava sob um dos braços e pensou se aquilo era mesmo necessário. Mesmo que o tempo houvesse lhe tomado alguém completamente diferente do que era quando servia a OTAN, ele ainda possuía seu senso de amparo e gostava de cumprir e lidar com as consequências dos seus atos, mesmo quando essas não lhe eram cobradas. 

A solução para aquele seu "problema" surgiu inesperadamente. Um homem loiro, alto e olhos azuis saía através das portas de vidro da academia, parecendo muito entretido em cantarolar uma música que Guy já havia ouvido, mas que o nome não lhe vinha a memória. O reconheceu imediatamente como a pessoa que acompanhava a jovem no último domingo.

Ele hesitou por um segundo, mas resolveu mandar suas últimas gotas de indecisão para longe; já estava ali, já havia comprado sapatilhas novas e voltar não valia a pena. Interceptou o rapaz, afastando as mechas negras de cabelo da frente dos olhos — desde que saiu do exército, não precisava mais cortá-lo rente a cabeça e deixou-o crescer, cachos lisos, escuros e cheios caindo sobre suas orelhas e testa como quando ele era mais jovem. 

— Olá. — Ele cumprimentou com um suspiro o rapaz que agora tinha seus olhos azuis curiosamente nele. — Eu não sei se você se lembra, mas... 
Uma sombra de reconhecimento passou-se por suas expressões. O loiro sorriu e acenou com a cabeça. 

— Foi você quem esbarrou em Tessa, estou certo? No domingo passado? 

Tessa..., o nome ecoou por sua mente, é assim como ela se chama. Era um belo nome, mas ele não houve muito tempo para refletir a respeito dele; confirmou com um gesto positivo a questão do outro homem.

— Não sei se é assim que ela se chama, mas sim, sou eu. — Ele suspirou, novamente. — Ela está lá? 
Ele inquietamente gesticulou para as portas de vidro da academia, para onde não conseguia direcionar o olhar. 

— Está sim. — O loiro confirmou. 

— Ótimo. — Ele replicou, satisfeito. — Você poderia... — Guy estava prestes a estender a caixa mas sua frase fora inesperadamente interrompida. O homem abriu um sorriso muito gentil para ele.  

— Claro! Eu vou chamá-la e volto já. — Dizendo isso, ele girou e entrou na academia rapidamente, antes que Berryman pudesse dizer qualquer coisa. Suspirou exasperadamente e resmungou; não precisava falar com ela, não queria, na verdade, e seria muito mais simples se seu amigo simplesmente levasse a caixa para a bailarina. Não havia muito mais o que fazer naquele momento, no entanto. 

Alguns minutos se passaram até que o rapaz retornou, em companhia da moça. Ela estava vestida como uma bailarina, embora sua roupa fosse bem menos extravagante que o traje usado por ela no domingo; um collant preto e liso, meia calça e uma saia rosa claro que esvoaçava ao redor de suas pernas longas. Ela tinha botas nos pés, mas as sapatilhas de cetim cor de rosa penduradas no ombro dela indicavam que ela havia acabado de tirá-las. Deve ser assim que ela deixou as outras caírem, Guy concluiu enquanto a observava. 

— Olá. — Ela sorriu ao se aproximar. — Eu iria perguntar se já nos conhecemos, mas não seria justo porque me lembro de você. — A moça de feições alegres riu sem motivo aparente. — Como posso ajudar? 

Meses atrás, ele sorriria; retribuiria o que ela dissera com alguma frase alegre ou até um gracejo — ela era bonita demais e mesmo que estivesse indiferente, não poderia afirmar que ela não lhe chamaria a atenção se a houvesse conhecido algum tempo antes. Naquele momento, Guy a notava, mas sequer se importava de fato. Não sorrira de volta — um ato tão simples lhe exigia esforços e não era tão natural a ele como parecia ser à garota chamada Tessa. 

— Eu vim deixar isso aqui. — Ele estendeu a caixa com as sapatilhas. — Para reporem as outras. 

Ela ergueu as sobrancelhas em surpresa enquanto baixava os olhos para a caixa singela. Meio hesitante, moveu suas mãos para a tampa e a ergueu com delicadeza. Suspirou assim que viu as sapatilhas cor de vinho, estendendo os dedos para elas e sentindo a textura de seu tecido macio nos dedos. 

— São lindas. — Ela disse, entre outros sorrisos e suspiros. — Mas você não precisava comprá-las. Aquelas não estavam inúteis, só com o laço descosturado. Eu consertei. 

Havia algo peculiar na forma como ela pronunciava as palavras, ele notou. Com erres carregados e vogais inexistentes depois de consoantes, ele automaticamente identificou que a bailarina era estrangeira, embora não soubesse dizer de qual país, e seu inglês era tão correto que deveria fazer anos que ela morava na Inglaterra.

Ele deu ligeiramente de ombros. Não via nada de lindo nas sapatilhas; via elas apenas como caros instrumentos de tortura uma vez que parecia doloroso ficar em suas pontas com simples apoios de silicone fazendo manobras complicadas e elaboradas demais. 

— Bom, eu não sabia se você estava sendo sincera comigo ou só não queria me encarregar dos custos de um par novo. — Sua voz estava carregada de monotonia. — Então as comprei mesmo assim. Espero que sirva. 

— Não preciso nem colocá-las para saber que servem, sim. — Ela replicou, risonha. Parecia contente. — Eu imagino que elas devem ter custado bem caro. Então... obrigada pelo presente. 

Tessa lhe direcionou um olhar cheio de gratidão. Ele fez um gesto de dispensa para a moça, sinalizando da sua forma que não havia sido nada demais. Estava prestes a dizer Adeus e ir embora rapidamente, mas ela retomou a conversa. 

— Eu acho... acho que ainda não sei seu nome. 

Não fora uma pergunta, mas o tom na voz dela era inquisitivo. Ele não quis dizer; quisera se afastar rapidamente com a desculpa de que precisava ir ou simplesmente recusar a lhe contar, mas não pôde. Havia algo naqueles olhos — aqueles olhos claros, cor de esmeralda e tão brilhantes quanto uma jóia — que parecia deixá-lo desconsertado, lhe impelir a falar mesmo que não desejasse.

E ele não sabia se ele gostava daquilo.  

— É Guy. — Ele disse, meio hesitante, mas logo ignorou e prosseguiu. — Guy Berryman. 

Sua decisão de dizer lhe dera em troca um sorriso emoldurado por lábios avermelhados. 

— É um prazer conhecer você, Guy. — Ela estendeu a mão e Guy apertou sem muita firmeza, seus olhos castanhos vermelhos repentinamente presos nos dela enquanto ela lhe mostrava a mais gentil das expressões. — Eu me chamo Tessa. 


Notas Finais


Relevem qualquer errinho, aqui ou acolá e.e
Beijos, até mais. <3


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