História Stella Merchant - A Garota de Sorrisos Ensaiados - Capítulo 10


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anos 20, Drama, Drama De Epoca, Época, Orfanato, Violencia
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Estupro, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - Capítulo 10: Ciúmes.


10 de Janeiro de 1913.

OS DEDOS DE JOYCE ERAM ágeis nos movimentos, e nem sequer demonstravam diferença inferior à antes da tragédia que a deixara cega. Ela fazia uma tiara de trança com uma pequena quantidade de cabelo de Stella, enquanto a mesma fitava o céu azulado em silêncio. 

— Bom dia, meninas! — Eleanor surgiu de repente, em sua típica meiguice de sempre; Stella ficou com a expressão enojada.

— Bom dia, senhorita Eleanor! — Joyce sorriu; a mais velha retribuiu o gesto, mesmo sabendo que a menina não podia ver.

— E você, Stella? Não vai me cumprimentar? — a mulher insistiu em ter atenção da menina, tudo de propósito; mas a órfã simplesmente suspirou fundo e voltou a fitar o céu. 

— Stella? — Joyce estranhou.

— Ahm? Oh... olá, senhorita Eleanor. Me desculpa, eu estava com o pensamento longe! — tanto a voz quanto o riso que Stella soltou ao terminar de falar eram falsos, tudo para não envolver Joyce na recente e perigosa descoberta; era óbvio que Jarrett já havia contado do grampo.

— Podemos ajudar em alguma coisa? — Joyce perguntou, educada.

— Sim. Vim lhes dar um recado: hoje à tarde teremos dois casais de visitantes, amigos de Ryan Jarrett. Um deles perdeu a filha há alguns anos e decidiram que querem adotar uma criança agora. Então se arrumem, está bem? E por favor, sejam gentis! — Eleanor falou.

— Para quê? É mais do que óbvio que vão adotar os menores! — Stella revirou os olhos e bocejou.

— Tenho certeza que seus pais lhe ensinaram a usar a boa educação não importando as circunstâncias, certo? — a adulta rebateu.

— Pode deixar, senhorita Eleanor. Stella e eu estaremos prontas! — Joyce avisou, educadamente. 

— Fico grata! — Eleanor sorriu e se afastou.

— Ela já foi? — Joyce perguntou, enquanto fitava o nada.

— Sim! — Stella deu de ombros e fitou as unhas; a amiga suspirou pesadamente. 

— O que deu em você? — a menina quis saber.

Um pouco arrependida de não ter mantido o controle de sua raiva por Eleanor na frente de Joyce, Stella fitou os lados a procura de alguma justificativa para seus atos. 

E encontrou. 

Acabando de chegar no jardim, a menina viu Marcus caminhar enquanto gritava com alguém. Em seguida foi a vez de Lucy chegar por ali, enquanto insistia em tentar falar com o amigo mesmo ele rejeitando a ideia. 

— Marcus está me chamando. Vou ali ver o que ele quer e já volto, ok? — mentiu para Joyce e então se levantou. 

Assim que Stella começou a caminhar para a discussão, Lucy mirou seu olhar fulminante em direção à ela. Se a mesma não costumasse ser tão rude geralmente, ela ia jurar que viu lágrimas nos olhos azulados da menina antes de se virar bruscamente e correr para dentro do orfanato outra vez. 

— Problemas com o namoro? — Stella perguntou assim que se aproximou de Marcus.

— Não tem relacionamento nenhum, foi só um beijo e... — começou a falar.

— Ah, então quer dizer que você beija e depois dispensa como se tal ato não significasse nada? — Stella o interrompeu — Que feio, Marcus! — balançou a cabeça. 

— Foi ela que me beijou! Nunca nem me passou pela cabeça beijar qualquer outra garota que não fosse... — parou de falar e engoliu em seco. 

— Que não fosse...? — insistiu, Stella.

— Deixa isso para lá, agora preciso te contar o que ouvi ontem à noite. — deu de ombros; em silêncio, a amiga ficou a encara-lo com seus graciosos olhos esverdeados — Logo depois do jantar eu vim para cá e pouco tempo depois Jarrett e Eleanor chegaram, e... Será que você podia parar de me olhar desse jeito? — pediu, visivelmente desconfortável. 

— Por quê? Isso te incomoda? — abriu um sorriso levemente travesso.

— Muito! — Marcus confessou e olhou algumas vezes para qualquer lugar, exceto para o rosto da amiga. 

— Legal saber que estar diante de minha beleza ainda te deixa nervoso... — brincou Stella e então jogou os cabelos para trás; o amigo não resistiu e gargalhou.

— Você não acha que está se achando demais, garota? — Marcus também riu.

— Estou de consciência limpa! — Stella balançou a cabeça negativamente e sorriu.

— Acho que você deveria pensar melhor. Certeza que está de consciência limpa quanto à isso? — Marcus colocou as mãos para trás e foi se aproximando de Stella; foi a vez da menina em ficar nervosa. 

— S-sim! — gaguejou, mas foi firme e ainda arriscou um novo sorriso travesso.

— Acho que vou ter que ajuda-la a refrescar a memória! — e iniciou um ataque de cócegas. 

De imediato, Stella começou a gargalhar. Ela bem que tentava correr ou simplesmente se esquivar, mas o garoto era mais ágil e sempre a atacava outra vez. 

Não muito longe dali, um par de olhos lacrimejantes os encarava. Lucy Preston observava toda a situação amaldiçoando o dia em que o último grupo de órfãos chegou ao Porto de Fé; mal sabia ela que sua amizade com Marcus estaria com as horas contadas. Se não houvesse Stella, o beijo que havia roubado não seria rejeitado. A menina tinha certeza disso. 

E então Stella e Marcus se cansaram da brincadeira e caíram na grama. Lado a lado, eles ainda tentavam recuperar o fôlego enquanto trocavam olhares significativos. O garoto, de repente, tocou a mão da amiga e a puxou para perto de sua boca.

— O que você ia me contar, antes dessa nossa bagunça toda? — ela reatou o assunto e encarou sua mão. 

— Jarrett estava com um grampo seu, e ele entregou para Eleanor. Agora ela sabe que você descobriu tudo! E tem mais, eles pretendiam usar Tyler como isca em um plano de te dar um sumiço! — o garoto contou e depositou um beijo na mão da menina. 

Stella se soltou e sentou-se na grama. Um nó invadiu sua garganta e ela tinha certeza que o pânico que ela estava sentindo a faria chorar.

— Eu bem que desconfiava que Eleanor já sabia de minha descoberta, mas... por que eles querem sumir comigo? O que sou eu, sozinha, contra ela e Ryan Jarrett com toda sua influência? — Stella engoliu em seco e encarou o amigo.

— O problema é que você não está mais sozinha! — ele falou; a menina o encarou sem entender — Assim que eles terminaram de planejar o sumiço, eu não me aguentei e enfrentei os dois. Disse que ia te proteger e mataria os dois, se preciso! — continuou.

— Poxa, Marcus, você não deveria ter feito isso! Eu não ligo para a minha vida, se as pessoas que eu amo estão em segurança. Como vou ficar em paz agora? — lamentou Stella, enquanto se levantava do chão e batia as mãos em sua saia para livrar as sujeiras da grama.

— Acontece que eu também não ligo para minha vida, se você e minha irmã... e até Lucy, estiverem em segurança! — Marcus também se levantou. 

— Tão pouco tempo e ela já está nesse nível de importância para você? — novamente Stella encarou o garoto, mas dessa vez o olhar era tristonho. 

— Bom, ela sempre foi muito gentil comigo. Ficou estranha depois que você chegou... — deu de ombros.

— Ela não ficou "estranha", ela ficou com CIÚMES, seu grande cabeça oca! Agora só por isso você decide que não quer falar com ela e age com grosseria. Sabia que por trás daquela casca grossa que ela tenta se esconder, ela também tem sentimentos? — explicou Stella.

— Por que você está a defendendo? Pensei que você também estivesse com ciúmes quando saiu correndo após presenciar o beijo que ela me deu... — Marcus encarou o rosto da amiga. 

— Ahm... Eu... Eu... Isso não vem ao caso agora, Marcus. Você precisa se desculpar por sua grosseria. Anda, vamos! — ela pegou no pulso do amigo e o puxou em direção ao casarão do orfanato.

Por sorte, Lucy estava ali por perto, ainda meio chorosa por mais que tentasse disfarçar. Stella puxou Marcus para perto da menina e se afastou devagar enquanto soltava o pulso do amigo. Mas foi impedida de continuar quando o amigo segurou os dedos dela. Ela o encarou e derrubou o olhar para suas mãos; então assentiu em silêncio, se soltou e prosseguiu seu caminho.

Uma última olhada pelo ombro da porta de acesso ao jardim e então ela saiu para retornar para perto de Joyce.

— Ahm... Oi. — Marcus começou.

— Oi. — Lucy foi seca de propósito. 

— Me desculpe pela grosseria. Eu estava com uma dor de cabeça dos infernos porque mal dormi durante a noite, e... então você veio com palavras desnecessárias e eu me irritei. Eu sinto muito, tratei uma menina como não deveria! — o garoto se explicou.

— Por que não dormiu? Está doente? — deixando sua raiva provisória de lado, Lucy não conseguiu esconder sua preocupação. 

— Isso não vem ao caso, eu vou sobreviver. Mas você precisa me desculpar, porque se caso eu morrer amanhã você ficaria com peso na consciência! — o garoto brincou; Lucy o cutucou com o cotovelo e riu.

— Bobo! — falou — Eu não fiquei chateada com sua grosseria, fiquei chateada por parecer que você não se importou com o que aconteceu entre nós. Mas você está aqui, então você se importa sim! — sorriu com alegria e segurou uma das mãos do garoto.

Naquele momento, Marcus se odiou por se acovardar em magoar aquele sorriso alegre. O garoto não desmentiu a ilusão da menina em achar que o beijo não havia sido um erro, e a deixou achar que ele estava tão contente quanto ela.

— Bom, eu... — Marcus soltou sua mão e sorriu um pouco — Vou me arrumar para a visita. Senhorita Eleanor me pediu para dar um jeito em meu cabelo, pois acha que ele vive parece uma crista de galo! — e subiu alguns degraus de costas.

— Tudo bem! — Lucy riu e deu de ombros — Enquanto isso vou contar para Joyce sobre nós dois. Aposto que ela vai adorar a notícia! — e saiu saltitante para o jardim. 

— Qual notícia? — gritou Marcus, confuso; Lucy retornou para a porta, ofegante e sorridente.

— Do nosso futuro namoro, oras. Tudo bem que preciso te dar um tempo para bolar o discurso romântico, mas já quero contar para os mais íntimos! — sorriu de orelha à orelha e então sumiu de vista outra vez.

Horrorizado com aquelas palavras, Marcus simplesmente estapeou a própria testa e se arrastou escada acima enquanto resmungava sozinho.

❃ ❃ ❃

De propósito, Stella havia desmanchado o penteado que Joyce fizera nela. No lugar dele, simplesmente prendeu algumas mechas e deixou sua franja reta — que não usava por sentir-se sem graça alguma — cair sob a testa. Tudo para não ter nada que chamasse atenção. 

A camisa do uniforme do orfanato, que alguém havia deixado passada e dobrado sob sua cama, estava para fora da saia e bastante amarrotada. Teve tempo de fazer um emaranhado daquelas roupas antes de começar com o cabelo. Não teve muita sorte com o suéter, mas os sapatos sujos de propósito deveriam compensar. 

Quando terminou seu plano de "não sou digna de ser adotada", Stella caminhou para fora box do banheiro e passou tranquilamente pelas outras meninas que se arrumavam por ali; todas ficaram boquiabertas com o que viram. 

No corredor, com um sorriso de triunfo no rosto, Stella cumprimentou algumas crianças por ali, que tiveram a mesma reação que aquelas do banheiro. 

Mais alguns passos e Stella reconheceu um garoto sentado no primeiro degrau da escadaria, tirando meleca do nariz e passando no corrimão. Era Dave, o mesmo garoto que foi levado ao escritório de Eleanor no dia que a menina havia chegado ao orfanato.

Apesar de toda a atenção estivesse voltada aos três brigões, Stella não conseguiu não reparar na aparência assustadoramente anti higiênica de Dave. Sendo assim, não haveria melhor pessoa no orfanato que tivesse uma opinião sobre aparência ruim quanto ele.

— Ahm... Com licença. — ela se aproximou do garoto, que mesmo não estando mais sozinho continuou a cutucar o nariz.

— Desaparece! — resmungou Dave.

— Tudo bem, mas eu só quero sua opinião. Vai ser coisa rápida, eu juro! — Stella manteve uma distância segura, pois o garoto lhe dava arrepios de pânico. 

— E por que acha que eu me daria a esse trabalho? Sai daqui, garota, volto para aquele puxa saco da Eleanor! — ele se levantou e começou a descer as escadas; Stella o seguiu.

— Eu não quero que você me elogie, se é isso que está pensando. Eu só quero saber se estou ruim o suficiente para não ser adotada hoje! — ela retornou um degrau acima quando Dave parou e se virou.

— Você é tonta, garota? Se você soubesse o que acontece aqui com as crianças que vão crescendo, você faria de tudo para ser adotada. Você mesmo, que é mais nova do que eu, está com os dias contados! — resmungou Dave, enquanto subia os degraus e parava perto de Stella; os olhos da menina estavam inundados de lágrimas e ela engoliu o choro.

— Eu não sou... Eu só estou... Eu... — gaguejou Stella, sentindo arrependimento e pânico ao mesmo tempo.

— Você está um lixo. E para te consolar, não dá tempo de você consertar essa burrada que sei que fez de propósito. Então... boa sorte! — soltou um risinho debochado e voltou a descer a escadaria.

Ao digerir aquelas palavras, Stella foi tomada pelo desespero. O choro enfim escapou e ela tomou apoio do corrimão enquanto se sentava em um degrau. 

— Stella, o que foi? — Marcus desceu a escadaria encarando as costas de Dave desaparecer em direção ao jardim — Aquele garoto te fez alguma coisa, não é? Ahhh, eu pego esse miserável! — e fez menção em descer os degraus que faltavam, mas Stella o puxou. 

— Não! — segurou firme o pulso do garoto — Ele só me surpreendeu. Marcus, ele sabe... Sabe de tudo o que vai me acontecer. Mas espera... Ele falou sobre crianças no geral e não sobre meninas! — lembrou-se.

— Você acha que todos...? — atônito, Marcus sentou-se ao lado de Stella e tocou a testa. 

— Oh, meu Deus! — Stella começou a chorar.

— Stella, se acalme, temos que fingir que só sabemos de uma parte da história! — ele tocou uma das mãos da menina e entrelaçou os dedos.

— Quando penso que já tem sofrimento suficiente, eis que surge mais um para a lista! — ela livrou sua mão e secou o rosto úmido — Você precisa conseguir ser adotado por um dos casais. Mostre seu talento com desenho para eles, creio que irão amar! A Joyce é a menina mais linda desse lugar, o rosto dela parece uma obra de arte, então ela não terá de se esforçar muito para conseguir uma das adoções também! — encarou o cabelo do amigo e começou a organizar os fios com as pontas dos dedos.

— E deixar você à própria sorte? — Marcus encarou o rosto da menina.

— Eu não tenho chance alguma. Me baguncei de propósito para não ser adotada, pois eu tinha alguma esperança de me livrar da situação em que estou, sabe? Mas Dave aparenta ser tão forte, mas já está conformado, por que uma fraca como eu teria alguma chance? — Stella afastou suas mãos e encolheu os ombros.

— Não vejo bagunça alguma. É só arrumar isso aqui e está tudo certo... — ele aproximou as mãos da cintura de Stella e puxou a ponta da camisa, para colocá-la dentro da saia; a menina sentiu-se completamente desconfortável, como o antigo Marcus ficaria. 

— Sou capaz de fazer isso sozinha... — afastando as mãos de Marcus de sua cintura, Stella arrumou a própria camisa para dentro da saia.

— De nada! — o garoto resmungou; a amiga riu, sem jeito.

— Me desculpa, senhor sensível! — terminou com sua camisa e passou a arrumar a própria franja; os dois riram. 

— Com licença! — uma voz conhecida e rígida cortou o momento dos dois amigos.

Ambos seguiram a voz e se depararam com a arrogância de Lucy. Ela estava parada cerca de dois degraus atrás de Stella e não parecia disposta a descer pelo caminho que estava livre.

— Pode passar por aqui, Lucy! — Marcus se levantou de onde estava sentado e apontou para o lugar. 

— Não pedi licença para passar, e sim para a presença dessa menina ao lado do MEU namorado! — cruzou os braços e bateu o pé, como uma menina mimada.

— Argh, essa história de novo! — o garoto estapeou a própria testa.

— Namorado? — Stella encarou os dois; Lucy balançou a cabeça, orgulhosa. 

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"Então, eu vou te amar

Como se eu fosse te perder..." 

  {Like I'm Gonna Lose You - Meghan Trainor}  

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