História Stella Merchant - A Garota de Sorrisos Ensaiados - Capítulo 11


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anos 20, Drama, Drama De Epoca, Época, Orfanato, Violencia
Exibições 5
Palavras 1.751
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Estupro, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 11 - Capítulo 11: Por um lugar Seguro.


10 de Janeiro de 1913.  

MARCUS IA SE EXPLICAR, MAS não teve tempo quando notou outra presença feminina se aproximando. Era Eleanor.

— Crianças, para o refeitório, agora e em silêncio. Os visitantes estão à caminho! Sentem-se nos lugares que estão seus nomes e nos aguardem! — a mulher ordenou e se afastou. 

Os três assentiram e começaram a descer o que restava da escadaria.

— Stella, eu quero me explicar. Lucy está louca, eu garanto! — Marcus sussurrou para a amiga.

— Em silêncio! Você não ouviu Eleanor? — Stella não o encarou e apressou seus passos.

Ao chegar no refeitório, os três passaram a procurar em quais lugares estavam seus nomes. Stella foi a primeira a encontrar e não ousou em olhar os demais nomes marcados nas cadeiras vagas, torcendo para não ser Lucy ou Marcus. 

Para seu azar, Marcus sentou-se no lugar vago logo à frente. Ele fez menção em puxar assunto, mas a menina levou o dedo indicador aos lábios e pediu silêncio. Para piorar, Lucy se sentou ao seu lado e sorriu com satisfação para provoca-la. Mas o sorriso durou pouco, quando Dave sentou-se ao lado de Marcus. Os três trocaram olhares odiosos e Stella derrubou o olhar para o colo.

Todos acomodados nos devidos lugares e, segundos depois, Eleanor e seus visitantes adentraram o salão. E foi impossível não deixar escapar um "oh" da boca de todos os órfãos, ao reconhecerem o Perfeito e a Primeira Dama. O casal que vinha logo atrás acabaram por passar à despercebidos diante de ilustres presenças. 

Antes de chegar até a mesa dos convidados, Tyler Jarrett ainda olhou em direção à Stella e acenou. Ela sorriu como cumprimento, e tal atitude fez com que Marcus fechasse a expressão. 
Todos acomodados, o chá da tarde foi servido. Bolos de diversos sabores e recheios, acompanhados de suco bem gelado. Apesar do raro alimento, boa parte dos órfãos comiam com uma etiqueta exagerada, principalmente quando reparavam uns nos outros. Os visitantes observavam a situação com sorrisos de satisfação. 

— Eles são tão lindinhos. Estou apaixonada! — a jovem mulher que acompanhara o Prefeito e a Primeira Dama, comentou com um belo sorriso nos lábios. 

Ela era levemente ruiva, pele clara e adoráveis olhos azulados. Possuía pouca altura e sua aparência era delicada. Era notável que ela possuía quase a mesma faixa etária de Eleanor, ao contrário da Primeira Dama, que era mais madura. 

A jovem trajava um vestido simples de cores claras, demarcado na cintura e sem qualquer outro detalhe. Parecia que queria ser discreta. 

— Nisso vou ter de concordar, Rose! — a Primeira Dama sorriu e tomou um gole de seu chá.

— Mas será que possuem algum dote? — o Prefeito quis saber, interesseiro.

— Ao menos são educados. Sendo assim, os dotes são o de menos! — o marido de Rose falou observando as crianças. 

— Posso lhes garantir que alguns tem sim. Marcus, por exemplo, é um ótimo desenhista. Stella tem uma bela voz... Dave tem uma mira incrível, porém sua aparência não é muito agradável e seu gênio é difícil... Ah, e Joyce sabia dançar muito bem, antes de se ferir! — Eleanor informou, apontando para cada citado.

— Se feriu como? — a Primeira Dama perguntou.

— Em um bombardeio no Arkansas, na Vila onde ela morava. Ela acabou batendo a cabeça, ficou uns dias desacordada e acordou cega! — a dona do orfanato explicou e fingiu se emocionar; Rose tocou a mão da mulher. 

— Pobrezinha... Mas vejam como ela é linda. Impressionante! — Rose comentou. 

— Mas está com defeito, então não serve! — o Prefeito falou.

— Desculpe, mas eu discordo, Prefeito. Vejamos, você sabe bem que a doença de sua amada filha atraiu atenção para sua família e o ajudou em sua campanha. O fato do Prefeito ter compaixão ao adotar uma criança deficiente iria ajudar sua reeleição, certo? — Jarrett, que estava calado desde quando chegara, sugeriu; o Prefeito assentiu e sorriu pensativo. 

Rose iria responder, mas seu marido tocou e deu uma leve apertada em sua mão. Ela recuou, porém ficou carrancuda.

— Adoraria ver a menina cantar... Como é mesmo o nome dela? — a Primeira Dama cortou o assunto; estava visivelmente chateada com o assunto.

— Stella. — Eleanor informou e foi se levantando.

Assim que pediu licença, ela caminhou para a mesa onde Stella estava sentada. Falou com a menina, que ignorou e continuou a comer. 

Notando que os visitantes estavam distraídos conversando, Eleanor pegou no braço de Stella e a levantou. Marcus e, estranhamente, Dave se levantaram e fuzilaram com o olhar tal atitude. Mas a menina parou de relutar e acompanhou a mulher até a mesa de visitas. 

— Aqui está ela! — Eleanor sorriu, animada.

Stella observou cada um ali presente, especialmente Jarrett que a encarava de maneira perversa. 

— Eleanor nos disse que você tem uma bela voz, Stella! — Rose falou, com simpatia. 

— Gentileza dela, senhora... — a menina abaixou o olhar.

— Me chame somente de Rose, está bem? — pediu, novamente simpática; Stella assentiu.

— Veremos se é apenas gentileza. Cante para nós, menininha. — o Prefeito pediu. 

O olhar de Stella vagou dos visitantes para o restante do salão, que agora olhavam em sua direção. Ela engoliu em seco e pousou o olhar em Marcus, que sorriu um pouco e mexeu os lábios com "você consegue".

— Stella? — Eleanor chamou a atenção da menina, que se virou e sorriu.

Pigarreando algumas vezes, Stella suspirou e fitou os pés para evitar o desconforto em ter toda atenção somente para ela. Então, começou a cantar.

Pouco antes do refrão ela começou a caminhar devagar ao redor da mesa. Parou logo atrás de Jarrett e de Tyler. Quando o refrão começou, seu olhar grudou em direção à Marcus. Então voltou a caminhar e olhar todos do refeitório, até pousar seu olhar em Joyce, que chorava emocionada e possuía um sorriso orgulhoso em seus lábios. E sentiu-se culpada por correr o risco em se sobressair mais do que ela.

Enquanto cantava uma parte mais alta da canção, Stella voltou para perto das duas damas visitantes, que sorriam encantadas. Então, na próxima parte, novamente o refrão porém em notas maiores e algumas mais longas, no momento que sabia que iria precisar de um agudo, Stella desafinou horrivelmente de propósito. Automaticamente a maioria das pessoas fizeram uma careta. A menina parou de cantar e abaixou o olhar, mesmo se a música ainda não havia terminado.

— Eu disse que era apenas gentileza... — lágrimas inundaram os olhos da menina e ela fez menção em se afastar. 

— Espere, querida! — Rose segurou o pulso de Stella; a menina se virou com o rosto úmido — Você foi ótima no restante da música, só errou depois de muito tempo. Eu em sua idade cantava tão bem quanto gatos arranhando uma porta, então você é muito talentosa sim! — e sorriu.

— Não precisa ser misericordiosa, senhora. Agora se me der licença, estou com fome! — soltou seu pulso e seguiu para sua mesa.

— Bom, vamos ver o garoto desenhista então! — a Primeira Dama pediu, secando algumas lágrimas no canto dos olhos.

❃ ❃ ❃

Estava quase anoitecendo quando a mesa do café começou a ser tirada. Todos os órfãos estavam ajudando, exceto Stella, que encarava tudo com indiferença e Joyce, que não poderia ajudar.

— Não quer ajudar para acabarem mais rápido e podermos dizer quem nós escolhemos? — a Primeira Dama perguntou enquanto ela, Rose e Eleanor se aproximavam de Stella.

— Não preciso disso, vou ser escolhida mesmo. Olhe só para mim, sou linda e tenho uma voz de anjo, e tenho apenas 13 anos, imagine após mais alguns anos de prática! — a menina falou e sorriu de lado enquanto fitava as unhas.

— Mas que audácia, menina! — horrorizou-se a mulher, e então se afastou; Rose a seguiu em silêncio.

— Você é burra assim sempre ou está só me provocando? — Eleanor resmungou, com o ódio saltando de seus olhos.

— A segunda opção é tentadora! — Stella riu e fitou as unhas.

A mulher sofreu um impulso tentador em agredir a menina, mas ouviu risos vindo de uma mesa não muito longe dali e virou-se para olhar. A Primeira Dama e Rose gargalhavam sobre algo que Joyce havia dito, e a menina também parecia se divertir.

Marcus se aproximou logo em seguida e puxou uma cadeira para perto de sua irmã. Foram questões de segundos e ele também começou a rir.

Eleanor foi para perto deles e Stella aproveitou para se levantar e correr dali. A menina subiu os degraus da escadaria aos tropeços, e quase chegando no fim foi surpreendida por um alto e fedorento arroto. Ela nem precisou olhar para saber que se tratava de Dave e sua "ótima educação". Então continuou a correr.

— Acho que você ainda não entendeu o que nos aguarda, para ter desafinado de propósito! — o garoto falou e em seguida chupou os dentes; Stella parou de andar, mas não se virou.

— O suco estava muito gelado, me deu dor de garganta... — ela mentiu; o garoto cuspiu um riso.

— E o Papai Noel me deu uma família! — ironizou, Dave — Você perdeu sua chance, mesmo eu te avisando... E olha que eu costumo estar nem aí para as pessoas. Tive uma pequena fraqueza com compaixão e usei isso com uma pessoa mais burra que um jumento! — ele parecia ofendido.

— Você queria que eu fizesse o quê? — Stella se virou, completamente irada e chorosa — Eu prefiro sofrer do que deixar meus amigos na pior. Se eles tiverem alguma chance e para isso eu tiver que sofrer, que assim seja. Aceito ser mais burra que um jumento, se isso os deixar sãos e salvos. Eu não ligo de ser burra, se isso for por meus amigos! Amigos... Aposto que nem sabe o que é isso, por isso me incompreende tanto, não é? — suas veias do pescoço estava altas enquanto ela falava e a pele avermelhada, então ela relaxou e abriu um sorriso.

Dave levantou-se tão rápido que Stella se assustou e jurou que iria tomar umas bofetadas. Mas ao invés disso, o garoto coçou os olhos e seguiu pelo corredor em direção ao quarto dos meninos. A menina estava tão esgotada e assustada, que pode jurar que ele parecia ter ameaçado chorar; mesmo sabendo que isso era improvável, ela sentiu-se culpada.

Após alguns segundos esperando seu coração voltar ao batimento normal após o susto, Stella também seguiu para o corredor em direção aos quartos, só que para o das meninas. Tinha certeza absoluta de que não seria escolhida, então tudo o que queria era deitar em seu travesseiro e chorar. E assim ela fez.

___________________  

"Não ligo se não pareço bonita

Garotas crescidas choram quando seus corações quebram..."

{Big Girls Cry - Sia}

___________________ 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...