História Stella Merchant - A Garota de Sorrisos Ensaiados - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anos 20, Drama, Drama De Epoca, Época, Orfanato, Violencia
Exibições 5
Palavras 2.207
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Estupro, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 12 - Capítulo 12: Complicações.


10 de Janeiro de 1913.

A PORTA DO QUARTO FOI ABERTA com rapidez. Stella soube disso pelo ruído que soltou das dobradiças, tal som que a fez despertar de seu cochilo. O próximo som foi o salto de Eleanor batendo contra o piso e seguindo até sua cama.

— Anda, levante. O casal de visitantes estão prestes a ir embora e vão anunciar quem vai com eles! — isso não foi um pedido e ela começou a empurrar Stella para se levantar; a menina voltou a se deitar e resmungou.

— Para quê? Já sei que não serei escolhida mesmo, oras! — a menina encolheu as pernas e não encarou a adulta.

— Mas não tem curiosidade em saber quem vai ir? — a mulher perguntou; Stella pensou por alguns segundos.

— De qualquer forma vou saber, quando todas as meninas vierem para o quarto... Todas não, pois pode ser que vai faltar uma, ou duas. Mesma coisa para os meninos amanhã no café da manhã! — ela fitou as unhas e bocejou com tédio, tudo para provocar a dona do orfanato.

— Estou mandando você descer! — Eleanor falou, rígida.

— E eu estou explicando que não há necessidade... — Stella continuou a provocar.

No momento seguinte, a mão firme de Eleanor estava presa no braço de Stella. A menina tentou se livrar, mas o aperto estava tão firme que qualquer movimento beliscava a pele ou fazia a mão apertar mais ainda. Então ela seguiu arrastada para fora do quarto.

— Você está me machucando... — choramingou Stella, enquanto ia tropeçando nos próprios pés pelo corredor.

— Você me obrigou à isso. Se você soubesse o quanto eu odeio ser contrariada, não tentaria tal atitude! — Eleanor seguiu firme sem encarar a órfã.

— Ai aaai, sua... sua... prato principal do Jerrett! — falou alto, entre um choro misturado com um riso de deboche.

Um tapa dolorido atingiu a bochecha da menina, que automaticamente cessou o riso e gemeu de dor. Mas para a surpresa de Stella, ela não foi a única a sentir dor, quando algo acertou o salto de Eleanor, fazendo-a perder o equilíbrio e cair levando a menina consigo ao chão.

— Quem foi o filho de uma puta que fez isso? Ai, meu tornozelo... — Eleanor havia soltado Stella e agora massageava sua canela, onde o impacto causou dor pior; a dor se espelhou, deixando-a ainda mais irada.

— Não compare minha mãe à você, sua imundice! — a presença de Marcus e sua audácia deixou Eleanor e Stella boquiabertas; tal atitude não havia parado no chute no salto.

— Como ousa, seu grande ingrato? Eu o recebi aqui, cuidei para que você melhorasse e é assim que você me agradece, com um ato de violência? — Eleanor começou a chorar, mas não era um choro de decepção, era ódio.

— E eu te dei minha mais sincera amizade, e Stella sabe bem como eu sou difícil em fazer amigos, e olha só como você foi ingrata também, armando tudo o que anda armando com o Jarrett para ferrar com os órfãos que estão crescendo. Então creio que sua moral para reclamar de ingratidão não existe! — o garoto puxou Stella do chão e a deixou fora do alcance da ira de Eleanor, que agora tremia de ódio e sua pele clara começava a ficar avermelhada.

Os dois amigos iam sair dali em direção à escadaria, quando Jarrett surgiu no inicio do corredor, analisou toda a situação enquanto uma expressão carrancuda surgia em seu rosto e ele seguia pelo corredor sacando sua arma. Marcus e Stella recuaram como ratinhos encurralados e ficaram cercados entre Eleanor, que já se levantara mesmo manca, e Jarrett com seu revólver.

— N-nós sabemos que você não atiraria. Afinal, você trouxe visitas aqui... — Stella ousou desafiá-lo, mesmo assustada.

— Posso até não fazer, mas tenho jagunços que poderiam fazer por mim. Eu sou um ótimo ator, poderia muito fazer uma cena na frente de meus amigos e mandar o jagunço para a prisão. Prisão temporária, óbvio, pois eu pagaria a fiança secretamente! E então, vão pagar para ver? — Jarrett sorriu de lado e destravou o revólver.

Os dois amigos se encararam sem reação e engoliram em seco.

— Você vem comigo! — Eleanor voltou a puxar o braço de Stella, mas dessa vez não tão forte, e ambas seguiram para a escadaria.

— E você, venha comigo para termos uma conversinha! — Jarrett falou e apontou para o quarto das meninas, onde estava mais perto e com a porta aberta.

Ao adentrarem o cômodo, Jarrett fechou a porta e guardou sua arma na cintura. Marcus caminhou até a janela e ficou observando a escuridão da noite que havia chegado de maneira imperceptível, talvez devido às visitas e por terem ficado bastante tempo no refeitório. De costas, o garoto ouviu os sapatos caros de Jarrett caminhando pelo piso. Segundos depois, teve a impressão de ter ouvido o som de um esqueiro tentando ser usado. Sua suspeita foi concluída quando sentiu o forte odor de fumaça e tabaco no ar, fazendo seu nariz coçar.

— Você e aquela pirralha perderam a noção do perigo em desafiar à mim e Eleanor tendo pessoas de fora em visita ao orfanato, não é? — Jarrett falou com o cigarro preso aos lábios; Marcus se virou, mas não o encarou — Pois saiba que quando eu falei em chamar um dos jagunços para atirar por mim, eu não disse mentira alguma. Eu tenho muito dinheiro, então faço ou desfaço o que eu bem quiser. Dar fim em dois órfãos insignificantes não teria complicação alguma! — ele soltou um risinho ao terminar de falar.

— Maldito sangue-frio! — Marcus resmungou entre os dentes e lágrimas embaçaram seus olhos, mas ele respirou fundo para não demonstrar fraqueza diante Jarrett, por mais que ele tivesse força inferior sem esforço algum.

O homem soltou uma gargalhada e a fumaça de seu cigarro saiu de sua boca e nariz simultaneamente. Ele foi para perto de Marcus, que agora o encarava sem intenção em desviar, e espremeu a bituca na parede logo ao lado. Sorriu ao se afastar e enfiou as mãos nos bolsos da calça.

— Sabe... Enquanto minha mulher esteve viva, eu realmente cheguei a gostar desse lance de caridade. Ela foi a mulher mais bondosa e amorosa que conheci na vida! Ela conseguia me tirar dinheiros para suas doações até mesmo quando meus comércios estavam fracos. Mas aí então eu percebi que bondade não me levaria a lugar nenhum, assim como fez com ela... Bondosa e amorosa, e sabe o que a vida lhe deu de recompensa? — ele fez uma pausa e encarou Marcus, mesmo não esperando por resposta alguma — Um maldito câncer que a matou em menos de dois meses. Olha aí a bondade... e o otário aqui queimando dinheiro em vão! Esse é o motivo pelo qual decidi fazer mal alheio para conseguir os meus bens. Se sendo bom vou me foder do mesmo jeito, então prefiro agir errado e ser compreensível qualquer que seja meu futuro! — concluiu.

— Nossa, super compreensível ferrar com a vida alheia só porque perdeu alguém que era bom demais. Sabia que eu sou órfão? E, diferente de você, eu não tenho onde cair morto. Ainda assim, prefiro fazer o bem para quem merece, e isso excluindo você e Eleanor, claro. Não acho que seja peso nenhum não descontar minhas frustrações em alguém que nada tem a ver! — Marcus rebateu, seco.

— A diferença entre você e eu, é que eu nunca dei a mínima para ninguém. Fazia doações à pedido de minha mulher, apenas. Por vontade própria eu não gastaria um tustão sequer! — Jarrett falou francamente, e sorriu torto.

Dessa vez, Marcus não respondeu. O silêncio se instalou no quarto, enquanto o garoto fitava as camas arrumadas com perfeição e pensava em coisas aleatórias, inclusive tentava encontrar um motivo pelo qual Jarrett resolveu contar aquilo à ele.

— Sabe, talvez você possa ter razão... — Marcus falou, minutos depois; Jarrett o encarou, esperando — Poderíamos fazer um acordo, de você livrar as pessoas que eu te pedir, e poder fazer o que quiser com o restante. Quero proteger que eu amo, o restante posso apenas torcer para não terem tanto azar! — e sorriu o mais verdadeiramente que conseguiu, tudo para sustentar seu fingimento.

Jarrett pareceu pensar por alguns segundos e isso acelerou o coração de Marcus. Sentia muito pelas palavras que disse, e se importava sim com as outras pessoas mesmo não tendo vínculo nenhum com cada uma delas, mas se sentiria menos culpado se conseguisse salvar pelo menos as pessoas que amava.

— Hum... — o homem murmurou; Marcus parou de respirar por uns segundos — Fora de cogitação, pois sei bem quem são as pessoas que te importam. Stella tem uma voz maravilhosa e aprimorando esse talento vou ganhar horrores, Lucy ficaria muito bonita com um visual mais feminino, enquanto Joyce... Que beleza é essa? Parece ter sido esculpida pelos deuses. Espero viver o suficiente para vê-la numa fase adulta e desfrutar de seu futuro talentoso boquete! — e riu para piorar sua provocação.

Respirando pesadamente, Marcus teve de ser forte para se controlar e não avançar em Jarrett, pois sabia que iria apanhar mesmo não se importando com isso.

— E Tyler? É esse o nome de seu filho, não é? Enfim, que seja, mas sou louco para saber o que ele acha da ideia do pai dele transformar a namoradinha dele em uma futura prostituta. Você sabia que ele e Stella são bem próximos, não é? Ou ele não te conta as coisas dele? Caso não conte, eu até compreendo. Eu não ia querer conversas mais íntimas com um cara que mal esperou o corpo da mulher falecida esfriar e já está fodendo com a dona gostosa de um dos orfanatos que a falecida gostava e ajudava tanto, mesmo esse homem sendo meu pai! — Marcus devolveu a provocação, mesmo temendo pelas consequências.

Mas Jarrett simplesmente caminhou despreocupado, enquanto um sorriso estranho se abria e congelava em seu rosto. E ele começou a rir, para piorar a estranheza de Marcus; ele esperava um soco, não uma gargalhada.

Aproveitando-se de sua sorte, o garoto resolveu continuar a brincar.

— Você viu o jeito que Eleanor segurou firme no braço de sua nora... Ops, de Stella? Ela estava bem irada! Qual foi, Ryan-ão, não está dando conta da bichinha? Porque esse estresse parece de potranca ansiosa no cio... — ele iria piorar a provocação tentando um riso idêntico ao de Jarrett,mas não conseguiu.

Marcus foi impedido quando a forte mão do homem agarrou seu colarinho ao mesmo tempo que berrava de ódio e seu punho tremia à centímetros do rosto do garoto, lutando para não golpeá-lo.

— Dobre sua língua para falar das minhas coisas! — Jarrett chacoalhou Marcus pelo colarinho enquanto falava, a ponto do corpo do garoto vacilar e caiu de joelhos.

— Não sabia que Eleanor já era sua coisa... Pensava que interesse sexual não se comprometia, era só um momento carnal e "até logo". E isso me faz lamentar mais ainda por sua falecida mulher, que se sentia tão amada, mas que ao óbito foi esquecida tão rápido, e pior, por uma mulher tão fácil! — mesmo sufocado, Marcus conseguiu continuar a provocar.

Antes de Jarrett erguer seu pulso novamente, mas dessa vez para seguir com a ideia de acertar o garoto, a porta foi aberta e um par de olhos azuis arregalou com a cena que viu. Fora o "Oh" silencioso que se formou em seus pequenos lábios.

— Mas o quê... Jarrett, por quê? — Lucy gaguejou, atônita.

Jarrett afastou a mão e afrouxou o aperto. Marcus tossiu ao ter um espaço a mais para respirar e encarou a amiga, ofegante e lamentando pela cena em que ela viu.

— Lucy, calma, estamos apenas brincando. Eu estava ensinando um golpe para Marcus, cujo aprendi na escola Militar! — o homem mentiu, se afastou de seu quase-agredido e arrumou seu cabelo que havia caído em frente à testa devido ao movimento brusco.

— Você acha que tenho cara de trouxa? Se afaste de Marcus e saia daqui, ou vou gritar tanto que a polícia e o exército vão chegar aqui em 5 minutos! Sem falar em seus amigos, que vão o ver com maus olhos... — mesmo assustada, ela conseguiu ser audaz.

Contorcendo-se de ódio por dentro, mas se segurando por fora, Jarrett arrastou seu orgulho para fora do cômodo, enquanto passava os dedos violentamente pelos fios loiros em uma tentativa de organiza-los.

Lucy foi até a porta se certificar de que o homem foi mesmo embora dali, e então voltou correndo em direção à Marcus. Ela analisou o rosto procurando alguma ferimento, mas não encontrou, então o abraçou completamente trêmula. Foi a primeira vez que Marcus viu a amiga deixar de lado a pose de durona e dar espaço às suas fraquezas e emoções com tanta intensidade. Ela estava chorando e pouco se importava com isso.

— Aquele... idiota... nunca... confiei... nele... — Lucy soluçou enquanto afundava o rosto úmido no ombro de Marcus.

— Tudo bem, já passou... eu estou bem! — ele massageou um cotovelo da menina, mesmo sabendo que ela iria pensar algo a mais de um gesto tão simples.

— Eu vou descer... Descer lá para baixo e... E vou desmascarar esse maldito na frente do prefeito! — se afastando rapidamente e esfregando as mãos no rosto úmido, Lucy avisou; Marcus segurou o braço dela.

___________________  

"Ele sabe

Segredos sujos que eu guardo..."

{I Know What You Did Last Summer - Shawn Mendes}

___________________ 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...