História Stella Merchant - A Garota de Sorrisos Ensaiados - Capítulo 13


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anos 20, Drama, Drama De Epoca, Época, Orfanato, Violencia
Exibições 7
Palavras 2.598
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Estupro, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 13 - Capítulo 13: Consequências do Saber .


10 de Janeiro de 1913.  

— NÃO, VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO. Ele tem bons argumentos contra qualquer coisa que nós cheguemos a cogitar em falar contra ele! — explicou Marcus, enquanto mantinha firme sua mão no braço da amiga.

— Dane-se os argumentos, eu vou desfazer essa pode de bonzão desse filho de uma ratazana morta! — resmungou Lucy, enquanto relutava para se soltar.

— Você acha mesmo que temos alguma chance contra ele? E acha também que aquele prefeito visivelmente arrogante vai se importar conosco? A resposta é NÃO! Por favor, Lucy, se controle. Vamos resolver isso depois, eu prometo! — Marcus explicou, fazendo com que a menina refletisse por alguns segundos.

— Juro que vou me comportar, mas só porque está me pedindo! — assentiu Lucy, enquanto cruzava dois dedos e os beijava; atrás de suas costas, outros dois também também estavam cruzados para contradize-la.

— Tudo bem, então vamos descer! — Marcus se levantou enquanto arrumava sua camisa e suéter; depois também ajudou Lucy à se levantar e a secar o rosto úmido.

Ela sorriu para Marcus e pegou em sua mão quando passaram pela porta.

❃ ❃ ❃

Os degraus pareciam maiores devido a ansiedade do que os aguardava no andar abaixo. Marcus descia logo atrás de Lucy e a todo momento engolia em seco, aflito pela decisão e esperançoso para que alguma de suas amizades conseguissem ser adotadas naquele dia.

Todos os olhares viraram para encarar os dois adolescentes quando eles terminaram de descer os últimos degraus. Stella, que estava ao lado de Joyce, derramou um olhar chateado ao ver os dois juntos; Eleanor demonstrou indiferença e tratou logo de desviar o olhar; os dois casais de visitantes sussurravam entre eles; os órfãos e cuidadoras estavam paralisados de curiosidade e resmungaram baixinho pela demora dos dois em chegar até ali. Jarrett novamente organizou seu cabelo e aproveitou para provocar dando uma piscadela para Lucy, que não aguentou tal desaforo e resolveu se vingar esmagando a ponta do sapato do homem, que gemeu e quase soltou palavrões.

— Desculpa por ser tão desastrada, senhor, eu estava com pressa e seus pés são grandes demais. Sinto muito, tanto mesmo! — ela se desculpou falsamente e pegou na lateral de sua saia, onde inclinou um pouco os joelhos para fazer um cumprimento feminino; um riso quase escapou de seus lábios, mas ela foi mais rápida e o abafou com as mãos.

Jarrett a fuzilou com o olhar e tocou com o polegar em um pedaço de seu revolver. Eleanor se aproximou dele, tocou em seu braço brevemente e trocou olhares significativos. O homem então recuou a mão e relaxou com um sorrisinho perverso nos lábios.

— Você prometeu! — Marcus resmungou baixinho para Lucy.

— Cruzei os dedos, desculpa... — ela soltou um risinho e parou em um espaço qualquer para encarar os visitantes.

— Todos aqui, sim? — Rose falou, toda sorridente; todos assentiram para ela — Hum... Então vamos aos escolhidos! Bom, Margareth e eu resolvemos combinar nossas escolhas, então os escolhidos são pessoas próximas! — enrolou, encarando os rostinhos curiosos trocar olhares todos aqueles que faziam parte de seu circulo de amizade.

Mesmo sabendo que se chatearia novamente com a presença de Lucy tão perto, Stella olhou em direção à Marcus e ele lhe devolveu o olhar. Ambos engoliram em seco, e a menina desviou o rosto quando sentiu que seus olhos iriam derramar lágrimas. Ela segurou e apertou de leve a mão de Joyce, sua melhor amiga desde sempre. A menina sorriu, mesmo se tal gesto foi apontado para a direção errada.

— Sem mais delongas, pois meus pés estão me matando e eu quero ir logo para casa, resolvemos adotar os irmãos Tolansky. Eu, Joyce. Rose, Marcus. — a Primeira Dama encerrou a suspense e sorriu de leve.

Todo o barulho que os órfãos evitaram durante todo o dia para causar boa impressão vieram a tona segundos mais tarde ao anúncio dos adotados. A maioria chateados, outros aliviados por não terem sido afastados de suas amizades, alguns raivosos que ainda resmungaram e correram escada acima. Lucy demorou, mas acabou reagindo avançando em Marcus para um abraço tão forte que parecia que jamais iria solta-lo. Ele retribuiu, levando em consideração que aquela era uma despedida, mas seu olhar vagou para olhos lacrimejantes não muito longe dali.

Enquanto envolvia sua melhor amiga, Joyce, em um abraço de despedida, Stella encarava Marcus. Logo em seguida, ela se afastou da amiga, falou alguma coisa e caminhou apressadamente, meio sem rumo, para o primeiro lugar que surgiu à sua frente.

Acabou parando em frente à enfermaria, onde desabou sobre o banco de espera ao lado da porta e chorou silenciosamente enquanto fitava o teto. Ela havia decidido se prejudicar para dar chances de salvação para seus amigos, mas não conseguia negar o quanto ela estava amedrontada com o que estava por vir. E não se envergonhava em sentir medo, mesmo se a chamassem de burra por sacrificar-se por quem ama. Até mesmo Cristo teve medo, por que ela não poderia ter?

❃ ❃ ❃

Marcus havia caminhado apressado por quase todos os cantos óbvios do orfanato à procura de Stella. Já era quase hora de partir e ele ainda não havia conseguido encontrá-la para se despedir, e não sabia se conseguiria suportar ir embora para sempre sem se despedir de uma das pessoas mais importantes para ele, se não a mais importante depois de sua irmã.

Até que se cansou e desabou derrotado no primeiro banco que encontrou. Somente segundos depois notou que estava no banco de espera da enfermaria. Depois, ouviu um soluço e virou o rosto para olhar.

E lá estava ela. Stella.

Encolhida na ponta do banco, provavelmente chorando, a menina tremia algumas vezes. Não querendo assustá-la e evitar que ela escapasse dele outra vez, o garoto se levantou e parou diante da porta para evitar qualquer tentativa de fuga.

— Stella? — ele a chamou; imediatamente a menina parou de tremer e arrumou sua postura.

— Sim? — Stella respondeu, enquanto passava as mangas de seu suéter pelo rosto.

— Por que está aqui, e não lá embaixo para se despedir de mim e Joyce? — perguntou Marcus, enquanto caminhava de volta para o banco e se acomodava; Stella abaixou o olhar e fitou as mãos.

— Não gosto de despedidas... — ela fungou.

— Se eu não a encontrasse, como entregaria meu presente? — Marcus falou, enquanto enfiava a mão no bolso de sua calça e tirava um pequeno bloco de anotações.

— Presente? — Stella o encarou de sobrancelhas arqueadas.

— Sim! Bom... Não é nada tão surreal, é só uma coisinha que eu comecei a fazer uns dias atrás. Espero que você goste, e que se lembre de mim sempre que ver isso! — e entregou o presente à amiga; ela pegou e ficou encarando-o.

— O que você fez dessa vez? — a menina perguntou, enquanto abria a bloco de notas e encarava o desenho da primeira folha; outra vez ele havia a desenhado, mas havia algo diferente na qual ela não sabia explicar.

— Faz assim, óh... — Marcus pegou o bloco de notas e o fechou, em seguida ele o dobrou um pouco e quando soltou e as folhas voltaram a ficar visíveis o desenho pareceu se mexer devido a sequência que ele havia feito; os traços iam se movendo em cada folha até formar um sorriso.

— Eu estou sem palavras... Marcus, você é um gênio! — Stella tomou o bloco de notas e fez o mesmo movimento que o amigo havia lhe mostrado; novamente o desenho abriu um sorriso, e inevitavelmente a menina acabou sorrindo também.

— Eu só quis desenhar minha coisa preferida em você, para você se lembrar do quanto isso é importante para mim e do quanto eu ficaria arrasado se isso mudasse em você... Seu sorriso! — ele tocou brevemente no lábio inferior de Stella com o polegar; a menina soltou um risinho tímido.

— Eu já te falei que você fica muito estranho sendo fofo? — para amenizar seu desconforto e timidez, Stella desconversou.

— Argh, sua palhaça, me leve a sério uma única vez! — Marcus resmungou, mas acabou soltando um riso também.

— Você acabou de dizer que ama meu sorriso e agora quer que eu seja séria? Meio contraditório, meu amigo! — a menina continuou a fazer graça.

— Tudo bem, bobona! — Marcus riu e revirou os olhos — Agora preciso ir... — ele falou, enquanto reprimia o riso; o da menina também desapareceu dos lábios e ela voltou a ficar amuada.

— Hum... — ela murmurou, enquanto encarava a capa do bloco de notas com os pensamentos distantes.

Alguns segundos se passaram e então o silêncio se instalou no meio dos dois amigos. Ninguém sabia mais o que dizer ou que fazer, e já não havia mais graça conforme a realidade vinha se aproximando. Até que Marcus ficou de pé e Stella o encarou.

— Marcus, espera, por favor! — ela pediu rapidamente e bateu no banco ao seu lado; o garoto se sentou e esperou — Eu só... Eu... Hum, obrigada pelo presente, eu amei, de verdade! — ela falou e o encarou; esperou um tempo e então moveu seu rosto em direção à bochecha mais próxima de Marcus e depositou um beijo ali.

— Eu não sei se vou conseguir sair daqui, não sei se tenho forças! — ele falou, um pouco abobado com o gesto da menina.

— Claro que você vai conseguir, eu mesma vou me encarregar disso! — Stella rebateu, se levantou e pegou na mão de Marcus — Ande logo, mocinho! — e o puxou para sair dali.

❃ ❃ ❃

Ao lado de fora do orfanato, um ar gelado soprava aqueles que resolveram ir levar os visitantes até o portão. Eram poucos, incluindo Stella, Lucy, Eleanor e algumas cuidadoras, fora os Jarrett's, que já estavam de saída também.

— Marcus, se despeça logo para irmos embora! — Rose falou, enquanto arrumava uma echarpe em volta dos ombros; o menino assentiu para sua nova "mãe" e então virou para Stella.

— Então é isso... Até logo? — ele falou, esperançoso, para amiga; os olhos dela inundaram-se de lágrimas, mais ainda quando o garoto abriu os braços convidando-a para um abraço.

Stella suspirou e moveu-se para ir abraçar Marcus, porém Lucy passou sua frente e o abraçou primeiro. O garoto encarou aquela que deveria estar em seus braços e se desculpou silenciosamente, e a menina simplesmente deu de ombros e encarou o céu sem estrelas.

— Lucy, já está bom! — Marcus falou, enquanto segurava os braços da amiga e a empurrava devagar para se afastar.

— Eu não quero que você vá... eu te amo! — a menina falou, chorosa.

As reações de todos que ouviram aquela frase foram adversas. Stella arregalou os olhos, Eleanor cuspiu um riso debochado juntamente com Jarrett, Tyler e Joyce fizeram uma careta e os dois casais de visitantes ficaram indiferentes.

— Obrigado... — Marcus falou e deu um leve aperto nos ombros de Lucy antes de se afastar.

— Marcus, está na hora! — dessa vez foi o marido de Rose quem falou, a mulher já estava entrando no carro deles.

Ao assentir para o novo "pai", Marcus correu para perto de sua irmã e abraçou. Em seguida virou-se e caminhou para perto de Stella, onde a menina fitava os próprios pés visivelmente chateada. Para a surpresa de todos, inclusive dela, o garoto tocou no queixo da mesma para faze-la encara-lo e em um movimento rápido depositou um beijo nos lábios da menina. Ela fechou os olhos e voltou a abrir assim que os lábios se afastaram. Um sorriso bobo iluminou o rosto de ambos e um excesso de lágrimas escapou dos olhos da menina.

— Até logo! — Stella falou, com toda a certeza que seu coração permitiu.

Marcus sorriu e correu em direção ao carro que seu pai o aguardava com a porta aberta. Jarrett se afastou em direção ao seu carro, juntamente com Tyler. Stella ainda correu para dar um rápido abraço e dizer algumas palavras para Joyce, e então a Tolansky também se afastou com seus novos pais.

Os carros deram partida assim que seus jagunços montaram nos cavalos em que vieram. Stella teve que tocar no portão quando tomou um esbarrão que a jogou de lado, este dado por Lucy que obviamente não estava nada contente em ter sido rejeitada.

— Vamos entrar, pois estou congelando! — Eleanor falou para Stella, que assentiu e virou-se para entrar.

O portão mal foi fechado, quando sons de incontáveis cavalos foram ouvidos cada vez mais próximos da estrada. Curiosa em saber o que estava por vir, Stella deu meia volta e seguiu para o portão onde Eleanor espiava e uma expressão de horror se formava em seu rosto.

— Virgem maria! — a mulher exclamou e então arrancou os próprios sapatos de salto — Stella, corre! — e começou a correr em direção ao casarão.

Confusa, Stella correu alguns pés de distância do portão e logo parou, virando seu corpo para ver o que era motivo de tanto espanto. Mal se virou e então alguém chutou o portão, onde dezenas de homens encapuzados entraram no gramado. Com a nostalgia do dia do bombardeio vindo em sua mente, Stella não conseguiu fazer com que suas pernas funcionassem direito. Ela tentou correr, mas tropeçou na própria grama e caiu. Foi somente o tempo de encostar seu corpo no chão frio e então fortes braços a puxaram de volta para cima.

— Me solte! Me solte! Me soteeeee... — ela começou a berrar e chorar completamente assustada, enquanto se debatia para tentar se soltar; por sorte, uma de suas tentativas em se livrar fez com que sua cabeça acertasse no rosto daquele que a agarrava.

E então Stella caiu na grama novamente, liberta.

— Stella! — uma voz conhecida a chamou do portão.

Ao olhar em direção, Stella viu Marcus parado ali, completamente ofegante. Sem demoras, a menina se ergueu do chão e correu aos tropeços em direção ao portão. O amigo a aguardava de braços estendidos para puxa-la assim que ela se aproximasse e assim os dois fugir rapidamente dali.

Os braços de ambos estavam estendidos, mas assim que a ponta dos dedos se tocaram eles foram puxados para diferentes direções. O homem que Stella havia atingido havia se recuperado e a agarrou de volta, enquanto um dos jagunços de Rose e do marido conseguiu puxar Marcus para cima do cavalo que estava montado. Os dois amigos tentaram se livrar daqueles que os prendia, mas não obtiveram sucesso. Então se despediram com o olhar, derrotados, e desistiram de lutar.

❃ ❃ ❃

— Me solte... — Stella protestou pela milésima vez, entre inúmeras lágrimas que quase a deixavam sem ar.

— Cale a boca, pirralha maldita! Ninguém mandou você ser tão entrometida. Nunca te ensinaram que saber demais traz consequências? — o homem rosnou, enquanto saía portão à fora e seguia para uma carruagem escura parada logo ao lado; ele abriu a portinha e empurrou Stella de qualquer jeito lá dentro — Sem chiliques, ou vou ter de amansar você como se amansa uma égua no cio! — falou, depois bateu a portinha e ficou fazendo guarda ao lado de fora.

Dentro da carruagem estava completamente escuro. Não havia sequer um risquinho de luz que poderia estar vindo do casarão. Fora o cheiro esquisito que estava no ar e começava a deixar Stella tonta.

— Ei, isso foi à mando do Ryan Jarrett, não foi? Eu sei que foi! — ela ousou falar e tentou andar às cegas, mas tropeçou, caiu de mal jeito no chão e bateu a cabeça; o cheiro estranho pareceu aumentar e causou uma crise de tosse na menina.

Minutos depois, uma vertigem surgiu e Stella tentou relutar. Estava com medo do que estava acontecendo e desmaiar iria piorar seu estado. A incerteza era seu medo. Porém, foi um medo em que ela não conseguiu enfrentar.

Então a inconsciência a dominou.

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"E mesmo tendo tentado

Tudo desmoronou..."

{In The End - Linkin Park}

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