História Stella Merchant - A Garota de Sorrisos Ensaiados - Capítulo 15


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anos 20, Drama, Drama De Epoca, Época, Orfanato, Violencia
Exibições 5
Palavras 2.093
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Estupro, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 15 - Capítulo 15: Quebra-Cabeça.


11 de Janeiro de 1913. 

UM MENINO DE UNS DEZ ANOS imediatamente ficou de pé. Ele era magricelo e baixinho, possuía os olhos escuros assim como de Zac. Mesmo com uma calcinha presa em sua cabeça, dava para notar seu cabelo castanho e liso, onde uma parte escondia um pedaço da testa.

Lembrando-se de que estava apenas de camisa e calcinha, Stella ficou roxa de vergonha e ao mesmo tempo de raiva. Ela fuzilou o menino, que agora estava ofegante e de olhos assustados e então gritou enquanto o atingia com seu suéter molhado. Como o previsto, o menino caiu de dentro do baú para o chão, porém não gritou. Ele se encolheu e escondeu o rosto nas mãos.

— Mike! — Deborah arfou assim que abriu a porta e se deparou com a cena.

— Conhece esse projeto de pervertido? — Stella grunhiu, ainda segurando seu suéter, mas dessa vez para cobrir suas pernas nuas.

— Mike! — uma menina com traços extremamente semelhantes aos de Deborah, exceto a idade que deveria ser 12 anos e talvez 13, adentrou o banheiro e correu para o menino — Ganhei! — ela falou assim que tocou no menino, e então voltou a se levantar e correu para a porta.

— Pode me explicar o que está acontecendo, mocinha? — Deborah exigiu, enquanto impedia a menina de passar pela porta.

— Estávamos brincando de esconde-esconde, mamãe. Como você pode ver, eu venci. Agora pode me dar licença? Preciso correr até o lugar da contagem para concluir minha vitória! — e tentou passar, mas outra vez foi impedida.

— Mamãe? — Stella não conseguiu esconder sua surpresa.

— Sim. — Deborah confirmou — Essa é Verônica, minha filha! — e apertou as bochechas da menina, que agora estava emburrada.

— Na verdade... é Ronnie! — a menina corrigiu, enquanto se esquivava das mãos de sua mãe.

— Mike? Filho, eu estava te procurando! — Dora falou assim que espiou a pequena "reunião" no banheiro.

O menino se levantou do chão enquanto massageava o pescoço e uma parte da bochecha. Assim que tirou as mãos, foi possível reparar que ali estava extremamente vermelho e havia um certo inchaço.

— Opa... Então ele é seu filho, Dora? Oh meu Deus, eu sinto muito! — Stella choramingou enquanto desviava o olhar para o suéter molhado em sua mão; a mulher assentiu sem nenhum sinal de ira.

— Meu filho e de Zac, o meu esposo. Você e os outros chegaram antes da data prevista, então com a correria não tivemos tempo para as devidas apresentações! — Dora explicou, sorrindo.

— Não importa de quem ele seja filho, o que importa é que foi muito engraçado! — Ronnie soltou uma gargalhada e apontou para a calcinha presa na cabeça de Mike.

A gargalhada da menina foi seguida por Dora e Deborah. O agredido fechou o cenho, enquanto a agressora ficou roxa de vergonha.

— Venha, moleque, vamos colocar um pouco de gelo nisso, que Stella precisa tomar banho! — Dora falou para Mike, o agredido; o menino caminhou até a adulta e saiu do banheiro logo depois de Ronnie e Deborah.

Novamente Stella estava sozinha, mas para ter certeza de que realmente estava, ela analisou cada mínimo espaço do banheiro. Concluindo que sim, ela tirou o que restava de suas roupas e entrou na banheiro.

❃ ❃ ❃

Assim que terminou o banho e se vestiu, Stella ficou em frente à janela enquanto tentava secar seu cabelo com a toalha. Ela ficou observando a as árvores de frente para a janela daquele quarto e seus pensamentos se vagaram para outro lugar, mais precisamente para Marcus. Mesmo sendo óbvio que ele provavelmente estava bem, a menina não conseguia ficar completamente tranquila. Afinal, ele havia partido com dois estranhos. E depois da decepção com a pose de boa moça de Eleanor, a menina não conseguia ter total confiança em alguém.

Seus devaneios foram interrompidos quando um barulho vindo do lado de fora da janela chamou sua atenção. Rapidamente ela se aproximou do vidro e abaixou o olhar para tentar ver melhor. Segundos mais tarde, Nícholas apareceu e segurava um machado. Ele girava a arma de um lado para o outro, dando golpes no ar e vez ou outra atingindo a árvore. Ele partiu para uma outra e chutou a lateral, enquanto golpeava outra vez a árvore anterior. Stella soltou um murmuro de susto quando o homem finalizou os golpes atirando contra a árvore, e ele havia pego tão rápido a arma que ela nem havia tido tempo para perceber. E tal atitude aumentou seu temor por ele.

Os tremores pioraram quando Nícholas ergueu o olhar em direção à ela; um sorriso frio e pervertido abriu nos lábios do homem, enquanto ele tocava na frente de sua parte íntima e devagar abria o botão da calça. Rapidamente a menina se afastou da janela, enquanto tentava controlar os tremores por seu corpo.

— Stella? — Ronnie adentrou o quarto e encarou — Stella, está tudo bem? Você está pálida mais do que o natural! — a menina quis saber; Stella assentiu positivamente, não querendo envolver a menina naquela situação assustadora.

— Eu só... Eu devo estar ficando resfriada, só isso! — ela caminhou para uma cama qualquer e se sentou, enquanto voltava a trabalhar em seu cabelo.

— Vou pedir um chá para Dora, rapidinho você vai melhorar. Mas antes disso, vim chamá-la para um programinha meu e de Mike hoje à noite. Como todos os adultos da casa vão para o Enthusiasm, nós vamos montar o quebra-cabeça de mil peças que ele ganhou de aniversário. Você topa? Vamos ficar próximos à lareira, então vai ajudar em seu resfriado. Diz que sim, vai... Você não tem noção do quanto é chato sempre brincar com um menino! — Ronnie suplicou.

Um barulho na porta atraiu a atenção das duas meninas. Elas olharam na direção e Mike estava ali, de braços cruzados com força e expressão carrancuda. Ele bateu o pé, se virou e saiu pisando duro.

— Acho que ele se ofendeu! — Stella riu — E acho também que ele não gosta de mim devido ao ocorrido, pois ele não disse nada quando eu me desculpei, e... — ela parou de falar quando Ronnie iniciou um ataque de risos.

— Sua boba, o Mike é mudo, por isso ele não diz nada! — e voltou a rir.

— Mudo? Então como ele se ofendeu com o que você disse? Meu Deus, quanta confusão, minha cabeça até dói! — Stella tocou sua cabeça e apertou os olhos brevemente.

— Ele não é surdo, só mudo. O doutor disse que ele ouve perfeitamente e que não tem nada de errado com as cordas vocais dele. Resumindo, ele é assim por pura frescura no traseiro! — explicou Ronnie — Mas voltemos ao assunto, você vai se reunir conosco? — abriu um sorrisão e uniu as mãos.

— Por mim, tudo bem! — Stella assentiu e sorriu um pouco; a nova amiga pulou de alegria e saiu dançando para fora do quarto.

Sozinha outra vez, Stella arrastou o olhar em direção à janela e abraçou o próprio corpo ao se lembrar da situação estranha e constrangedora que havia acontecido minutos atrás. O medo lhe causou dores de cabeça que ela tinha certeza que não passaria com alguém chá ou analgésicos.

❃ ❃ ❃

Dezenas de vozes misturadas vinham do andar de baixo. Stella desceu a escadaria devagar enquanto caminhava para o som. Mas antes de chegar até os últimos degraus, dezenas de mulheres vestidas de maneira elegante seguiram para a saída da casa enquanto seguravam um pedaço de seus vestidos longos para não sujar a barra na grama úmida lá fora.

Duas, em especial, chamaram sua atenção. Dora e Deborah. A primeira estava com um vestido escuro de ombros caídos, preso à cintura e solto na saia, o cabelo preso em um coque com alguns pedaços de sua franja caídos sob a testa, os olhos estavam carregados de maquiagem para realçar a cor de seus olhos. A segunda usava um vestido branco, que destacava sua cor, os cabelos estavam soltos e armados e um lado estava preso e enfeitado por uma bijuteria, e mesmo se não precisasse de muito para ficar linda, sua maquiagem estava bem mais carregado do que a de Dora.

— Se comporta, mocinha! — as duas falaram em coral para Stella pouco antes de passarem pela porta e ela ser fechada.

— Vem logo, que já vamos começar! — Ronnie puxou a menina pelo pulso e a incentivou a andar mais rápido.

Stella foi arrastada para a sala, onde Mike estava perto da lareira despejando as peças do quebra-cabeça no chão e chacoalhava a caixa para ter certeza de que todas as peças estavam ali, Dave analisava um punhal próximo à janela e sorria para o objeto, enquanto Lucy saiu em direção à escada assim que as duas meninas voltaram.

— Lucy não vai brincar conosco? — Stella perguntou para Ronnie, enquanto encara a outra menina subir as escadas.

— Eu a chamei, mas ela mal me deixou terminar de falar e disse que não fazia questão alguma! Bom, deixe isso para lá e vamos começar. Temos uma longa noite pela frente! — ela sorriu e sentou-se ao lado de Mike, que esperou as duas meninas se acomodarem para só então pegar algumas peças e iniciar a montagem.

❃ ❃ ❃

As horas passaram rápido e o trabalho em equipe estava surtindo efeitos. Metade do quebra cabeça havia sido montado e os três já começavam a soltar bocejos e a piscar com mais frequência.

— Que tal uma pauda para recompor as energias? Vamos assaltar a geladeira! — Ronnie soltou um riso perverso e se levantou; Mike bateu palminhas animadas e a seguiu.

— Quer que eu traga alguma coisa quando eu voltar, Dave? — Stella perguntou para o garoto, que agora estava derramado sob o sofá.

— Um copo d'água, pode ser! — ele respondeu; Stella assentiu e se virou para sair dali — Stella... O-obrigada! — gaguejou, porém conseguiu dizer.

— Por nada! — respondeu Stella, enquanto abria um sorriso simpático e ia saltitante em direção à cozinha.

Mike, Ronnie e Stella mal chegaram à cozinha e o céu desabou em chuva. Parecia um sinal de que todos os adultos ficariam presos na outra casa por um bom tempo e eles não seriam pegos no flagra. Então aproveitaram para comer doces e sucos, tudo o que os responsáveis não permitiam que eles comessem naquele horário da noite.

Em poucos minutos eles comeram metade de um bolo de chocolate e agora faziam competição de arrotos enquanto bebiam suco. Sentindo-se satisfeita, Stella levou sua louça para a pia e começou a lavar. Vez ou outra ela se virava para os dois companheiros e gargalhava quando algum soltava um som engraçado de arroto.

Terminando a louça, ela pegou seu copo limpo e o encheu com a jarra de água que estava logo ao lado. Deixou a jarra sob a pia e se virou brevemente para encarar os amigos outra vez, mas logo voltou-se para a pia quando Mike lhe entregou seu copo vazio e fez um gesto pedindo que ela o lavasse por ele. A menina revirou os olhos, mas acabou rindo e se virando outra vez. Foi quando um raio ilimunou o ambiente e revelou reconhecíveis olhos claros e frios encarando-a pelo vidro. Com o susto e a surpresa, o copo escapou de sua mão e quebrou em dezenas de pedacinhos no chão.

Mike e Ronnie se assustaram, mas o susto piorou quando alguém esbarrou na porta da cozinha, outra que dava acesso ao lado de fora da casa. Stella não conseguiu segurar o choro desesperado que escapou de sua garganta e os dois amigos a olhavam sem entender.

Outro esbarrão na porta, dessa vez mais forte. Os três amigos arfaram de medo e ficaram unidos, lado a lado, enquanto esperavam. O terceiro esbarrão mais parecia um chute e este foi suficiente para a tranca não suportar e abrir. A porta bateu contra a parede e voltou, mas quem havia feito isso a segurou e adentrou o cômodo trazendo em mãos uma garrafa de vidro e cambaleando vez ou outra.

— Você não deveria estar aqui, Nícholas! — Ronnie foi a primeira a conseguir falar; Mike fechou o cenho e bateu o pé.

— Calem a boca! — o homem gritou, assustando a menina e fazendo com que o menino buscasse refúgio atrás do corpo dela — Meu assunto é com ela! — e apontou para Stella.

Stella estremeceu ao ver a mão apontada para ela, e mais ainda quando o homem gargalhou completamente bêbado e virou a garrafa para dar mais alguns goles. Em seus quase 14 anos de vida não se lembrava de ter sentido um mau pressentimento tão forte e um medo que dificultava sua respiração.

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"Onde há desejo, haverá uma chama

Onde há uma chama, alguém está sujeito a se queimar..."

{Try - Pink} 

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