História Stella Merchant - A Garota de Sorrisos Ensaiados - Capítulo 4


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anos 20, Drama, Drama De Epoca, Época, Orfanato, Violencia
Exibições 10
Palavras 1.304
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Estupro, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Capítulo 04: Eleanor Sallas.


07 de Janeiro de 1913.

O SOM DE PASSOS DE SAPATO ALTO foi ouvido entrando no quarto. Apesar de tonto devido aos efeitos de analgésicos que havia tomado para dor, Marcus Tolansky se esforçou para abrir os olhos e avisar para a visita que ele estava acordado, mesmo que não raciocinando direito.

— Bom dia, Eleanor! — ele falou, grogue.

Eleanor Sallas era a herdeira do orfanato desde quando a mãe adoeceu há alguns anos. Quem não a conhecia e a via em um lugar qualquer, jurava que ela não passava de uma adolescente sem grandes responsabilidades.

Sua aparência delicada não mudava nem mesmo quando ela estava escondida sob um punhado de maquiagem ou algum enfeite brilhante de cabelo. Mas, no momento daquela visita, ela usava apenas pó de arroz e um batom nude que a levava de volta à aparência juvenil; geralmente ela se arrumava melhor no jantar. Durante o dia, ela ficava mais à vontade. Trajava vestidos sem muitos detalhes, geralmente com mangas de acordo com a temperatura, livres na cintura, levemente apertados nas laterais do quadril e de cumprimento exatamente abaixo do joelho; totalmente diferente da moda da época, que era espartilho, vestidos cobrindo os pés e chapéu com enormes penas ou algum outro enfeite.

Marcus sempre agradecia mentalmente por ser homem toda vez que via a exigente vaidade da herdeira do orfanato ou de qualquer outra mulher feita.

— Bom dia, pança! — Eleanor se referiu à Marcus com um apelido que sempre lhe provocava risos.

Com um longo esforço e em meio à gemidos breves de dor, o menino arrastou o corpo pesado para se sentar e encostar na cabeceira da cama. Ele coçou os olhos enquanto bocejava.

— Quando vou poder sair daqui? Não aguento mais ficar de molho... — ele resmungou ao fim do bocejo.

— Talvez hoje mesmo, caso você consiga ficar em pé sozinho! — ela avisou abrindo um sorriso ao receber um de Marcus — Vou buscar o último grupo de órfãos sobreviventes do bombardeio. Mas antes, vim ver se está tudo bem, se precisa de algo... — continuou, enquanto colocava um par de luvas quase no mesmo tom de seu vestido.

Marcus observou os gestos e assentiu.

— Estou bem, mas agora estou ansioso. É o último grupo e no anterior à ele minha irmã e minha amiga não vieram. Temo que ela não estejam neste também... — o garoto apertou os punhos.

— Tenha fé, querido. Afinal, você passou por toda aquela loucura e saiu vivo! — Eleanor sentou-se na beira da cama e tocou as mãos apertadas do menino — Você me disse que sua amiga fugiu, certo? — ela perguntou; Marcus assentiu — Então! Ela pode estar viva e segura em algum outro lugar! — e abriu um sorriso otimista.

— Obrigada, Eleanor! — Marcus desfez a carranca, sorriu e puxou as mãos da jovem mulher para depositar um beijo, mesmo com a pele escondida pelo tecido da luva.

Três batidas na porta chamaram a atenção da mulher e do garoto. Eles a encararam enquanto era aberta e logo em seguida a figura adorável que apareceu. Era Lucy Preston, uma linda menina de quase 14 anos, longos cabelos castanhos e grandes olhos azuis. Ela sorriu diretamente para Marcus e pareceu ignorar a presença da dona do orfanato.

— Trouxe seu café! — a menina disse, entregando à Marcus uma xícara.

— Ér... Obrigado, Lucy! — Marcus agradeceu e sorriu brevemente.

— Muito gentil de sua parte, Lucy. Estou orgulhosa! — Eleanor elogiou — Bom, agora preciso ir. Se cuidem, crianças. E melhoras, pança! — novamente ela riu ao pronunciar o apelido, e então saiu porta à fora.

Lucy se inclinou para ver se a mulher havia realmente ido embora. Quando concluiu que sim, voltou-se para Marcus com uma carranca.

— Até que enfim! — Lucy resmungou enquanto subia na beira da cama de Marcus e se sentava — Pensei que ela nunca fosse embora! — revirou os olhos

— Qual o seu problema com ela? — Marcus quis saber, enquanto dava um gole da bebida quente da xícara.

— Nenhum. Só certa... ãhm... desconfiança! — a menina mordiscou uma unha, despreocupada.

— Por quê? — perguntou Marcus.

Aborrecida com o turbilhão de perguntas, Lucy estapeou a própria testa e bufou. Ela jogou o enorme cabelo para um lado do rosto e então suspirou.

— Você tem a inocência de uma criança, Marcus Tolansky! — resmungou.

— E você tem a maluquice de um bêbado, Lucy Preston! — o menino devolveu o resmungo da menina.

Ambos se encararam carrancudos por um tempo, mas logo depois a expressão se suavizou e eles caíram na gargalhada. Riram por um tempo, até doer a barriga e a graça se esvair aos poucos.

— Por isso que perco meu precioso tempo com você, ser inferior. Você é o único que rebate meus comentários! — Lucy secou lágrimas nos cantos dos olhos.

Ofegante, Marcus colocou com cuidado a xícara vazia na mesinha ao lado da cama. Depois, ele tirou o edredom de suas pernas e arrastou as mesmas para fora da cama. Notando o que o recente amigo estava prestes a fazer, Lucy pulou da cama e correu para perto dele.

— Eu te ajudo, pança! — ela imitou a voz meiga de Eleanor Sallas.

Marcus riu, enquanto aceitava a ajuda da amiga, colocando um braço em volta dos ombros da mesma para tomar apoio. Lucy envolveu a cintura do menino com os braços e os dois foram caminhando porta à fora.

❃ ❃ ❃

O café da manhã foi um pouco corrido, pois logo em seguida os órfãos foram guiados para os quartos, para se preparar para receber os últimos sobreviventes do bombardeio. Banho, uniformes limpos e passados, sapatos brilhando e cabelos organizados. Eleanor sempre fazia questão de todo esse detalhismo sempre que o Orfanato Porto de Fé ia receber alguém.

Já prontos, as crianças foram levadas para frente do casarão e organizadas por sexo e altura; meninas de um lado e meninos do outro, baixinhos no começo da fila e altos no final. Marcus e Lucy ficaram quase um de frente para o outro, e não deixaram de trocar sinais, caretas e risinhos mesmo sob a bronca das cuidadoras.

O som do relinchar de cavalos e patas trotando vieram além do portão do orfanato. Era o mesmo bonde que veio até ali várias vezes nas últimas semanas para trazer novos e solitários sobreviventes. Vários órfãos, especialmente Marcus, ficaram na ponta dos pés e esticaram o corpo para tentar ver melhor os rostos novatos.

O portão foi aberto por Eleanor e uma fila começou a entrar acompanhados por duas cuidadoras. As crianças que já estavam no local começaram a se agitar para vasculhar cada rosto novo que vinha surgindo. Então, gritos por nomes começaram, seguidos de abraços e lágrimas de alegria. Marcus sorriu para cada reencontro, pois conhecia todos aqueles rostos, mas sofreu calado por nenhum deles ser quem ele tanto esperou.

— Tudo bem? — Lucy surgiu de repente e tocou no braço de Marcus.

Em silêncio, o garoto assentiu e até ousou um sorriso leve antes de começarem a marchar de volta para o conforto do casarão.

No meio do caminho, Marcus viu Eleanor dar meia volta e passar apressadamente por ele um pouco aborrecida. Ele a seguiu como olhar por um tempo, até que Lucy o puxou para prosseguir.

❃ ❃ ❃

— A comida já está morta, então acho que você deveria parar de fura-la desse jeito e come-la logo! — Lucy comentou, enquanto observava Marcus furar com o garfo um pedaço de carne bovina.

— Não dá. Parece que tem um bolo em minha garganta! — o garoto fez uma careta azeda, largou o garfo e então afastou o prato.

— Por que não pede para a dona Eleanor mastigar para você? Pois é só o que está faltando ela fazer por você! — Dave, um dos meninos mais altos do grupo masculino do orfanato, comentou da mesa ao lado.

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"Apenas feche seus olhos

O sol está se pondo

Você ficará bem

Ninguém pode machucá-lo agora..."

{Safe & Sound - Taylor Swift}

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