História Stella Merchant - A Garota de Sorrisos Ensaiados - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anos 20, Drama, Drama De Epoca, Época, Orfanato, Violencia
Exibições 7
Palavras 888
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Estupro, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Capítulo 05: Discórdia.


07 de Janeiro de 1913.

MARCUS ENCAROU-O, ZANGADO. Dave abriu um sorriso debochado deixando à mostra os seus dentes amarelados pela falta de higiene, quase causando uma ânsia de vômito em Lucy se ela não fosse tão talentosa em disfarçar para fingir-se de durona.

— Mastigados vão ficar os seus olhos depois que eu arrancá-los com um garfo e dar de refeição para as ratazanas desesperadas! — Lucy rebateu e espetou com força o pedaço de carne em seu prato.

— Não te mete, meio centímetro! — o garoto resmungou para ela, enfim escondendo os dentes ao reprimir o sorriso.

— Acredito que se você não está satisfeito com a atenção de Eleanor comigo, seria mais digno você falar diretamente para ela! — Marcus respondeu, despreocupado — Mas dificilmente Eleanor, sendo uma moça tão fina, iria suportar trocar mais do que cinco palavras com alguém com um bafo horroroso de cadáver de gambá como o seu! — continuou, na mesma tranquilidade.

As crianças que prestavam atenção na discussão riram discretamente. Marcus iria fazer o mesmo, quando a forte mão de Dave agarrou seu colarinho e o puxou da cadeira para o chão. Ele viu estrelas devido às costelas ainda doloridas, mas ignorou-as para se concentrar em esmurrar a mão que o estrangulava.

Marcus viu a chance perfeita em rebater quando Lucy pulou por cima da mesa e acertou sua bandeja na cabeça de Dave, que caiu de lado desnorteado. Então recebeu um soco no nariz desferido por Marcus, que cambaleou devido a dor das costelas, mas que ainda tinha forças para confrontar.

Ao redor, a plateia gritava "Briga! Briga! Briga!" enquanto as cuidadoras tentavam acabar com a baderna e conseguir se aproximarem da confusão para apartar os dois meninos.

Recuperado da "bandejada" na cabeça, Dave estapeou a mão de Lucy assim que a mesma se moveu para acertá-lo novamente. Com o impacto, a bandeja voou longe e a menina acertou o cotovelo na ponta da mesa. Tal acontecimento aborreceu mais ainda Marcus, que grunhiu alto, atacou Dave pela barriga e caiu por cima dele no chão. Ele se preparava para acertá-lo com novas sequências de socos, quando foi puxado por mãos calejadas que, obviamente, não pertencia às cuidadoras.

— Já chega dessa pouca vergonha! Para meu escritório, os três, agora! — Eleanor berrou irritada com as crianças como nunca esteve antes, e não poupou nem ao menos Lucy.

Marcus e Dave foram arrastados por dois jagunços que eles não faziam ideia de onde haviam surgido, afinal, apenas mulheres trabalhavam naquele orfanato. Lucy seguiu logo atrás, massageando o local de sua única pancada, enquanto Marcus abria e fechava as mãos que usou para bater e respirava de maneira trêmula, e Dave estralava os dedos e pouco se importava com o galo que latejava no topo de sua cabeça.

❃ ❃ ❃

A porta do escritório foi aberta com tanta força, que as três pessoas lá dentro saltaram de susto; o jagunço que estava próximo à janela sacou seu revólver, preparado para atirar. Mas seu superior ergueu a mão em um sinal de que estava tudo bem.

— Sentem-se! — Eleanor ordenou aos meninos.

Ambos obedeceram. Lucy se aproximou de Marcus, que tinha as mãos pousadas na região da barriga e estremecia vez ou outra. Ele assentiu para ela se tranquilizar e em seguida encarou o vistoso homem em uma poltrona em um canto qualquer do cômodo.

Este possuía magreza e músculos ideais, um rosto rígido e um par de olhos azul-cristal extremamente chamativos junto à pele levemente bronzeada, além do cabelo loiro e curto escorrido para trás com gel. Não parecia velho, mas era notável que estava quase saindo da casa dos 30.

— O que vocês dois fizeram hoje foi inadmissível. Inadmissível! Eu cuido de órfãos ou de animais selvagens? — Eleanor voltou a berrar — E você? Uma dama se envolvendo nesse tipo de situação? — voltou-se para Lucy.

Assim como Dave, a menina forçou um bocejo e revirou os olhos.

— Se dane o que eu sou ou deixo de ser. Apenas estava defendendo um amigo, assim como qualquer um faria! — ela respondeu.

— Tentou defender, melhor dizendo! — Dave provocou, soltando leves risinhos em seguida.

— Tentei, é? E esse volume crescendo no topo de sua cabeça? É o cérebro, enfim, brotando? — Lucy cutucou com força o galo na cabeça de Dave; ele gritou e se encolheu, e um jagunço afastou-a.

— Basta! — Eleanor gritou — Caso isso volte a acontecer, enviarei os três para orfanatos diferentes América à fora! — ameaçou, enquanto tirava suas luvas com certa indelicadeza devido ao grande estresse.

— Não! — uma voz feminina e jovem chamou a atenção de todos os presentes ali, até um médio sofá em um canto sem destaque do cômodo — Por favor, eu também me comporto, mas não tire Marcus daqui. Eu não suportaria perdê-lo de novo! — ela se levantou e caminhou receosa até Eleanor.

— Stella? — Marcus espantou-se e ao mesmo tempo ficou emocionado — Onde esteve? Eu a esperei e não a vi sair do ônibus! — ele fez menção em se levantar, mas o jagunço à sua sombra o empurrou de volta para a cadeira.

— Digamos que me agarrei a um banco do ônibus como um bicho-preguiça se agarra à uma árvore... — Stella corou levemente e seus olhos inundaram-se de lágrimas emocionadas.

Marcus abriu seu melhor sorriso direcionado a amiga.

___________________ 

"O amor é o motivo pelo qual

Os milagres nunca morrem..."

{I Did With You - Lady Antebellum}

___________________   



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...