História Stella Merchant - A Garota de Sorrisos Ensaiados - Capítulo 6


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anos 20, Drama, Drama De Epoca, Época, Orfanato, Violencia
Exibições 8
Palavras 1.496
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Estupro, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Capítulo 06: Os Jarrett's.


08 de Janeiro de 1913.  

O DIA HAVIA AMANHECIDO LEVEMENTE ensolarado. Tirando aproveito disso, Marcus e Stella resolveram por caminhar pelo jardim logo após o almoço, para colocarem os assuntos em dia. O que eles não esperavam era que cada sorriso tímido durasse mais do que um assunto novo. E isso era esquisito, pois Stella sempre foi falante com o amigo.

— ...Pois é, Eleanor me atropelou e por isso estou aqui! — Stella terminou de dizer, enquanto colocava um pedaço da franja para o lado.

— Nunca pensei que um atropelamento fosse ser tão abençoado! — Marcus brincou e riu.

— Tosco! — Stella empurrou o ombro dele, também rindo — Sabe que agora eu poderia estar morta e você chorando pelos cantos, não é? — colocou as mãos na cintura.

— Eu? Chorando? Não choro nem cortando cebola! — gargalhou Marcus.

— Desde quando você ajuda na cozinha? — Stella desconfiou e riu.

— Bom, eu... eu ajudo comendo, oras! — coçou a cabeça.

Stella riu e Marcus fez o mesmo. O riso terminou em um sorriso poucos segundos depois e o silêncio retornou.

— O que está acontecendo? — Stella perguntou, assustada com aquela situação.

— Sei lá! — Marcus deu de ombros — Talvez seja porque geralmente você conversava com Joyce, não comigo. Eu era mudinho, esqueceu? Apenas a observava tagarelar sobre assuntos bobos de menina. E outra, a última vez que trocamos várias frases eu quase... — ele parou de falar e coçou a nuca, tímido.

Mas Stella entendeu o que ele tentou dizer e corou.

— Ah, o quase beijo... — ela desviou o olhar da direção de Marcus.

— Sim. E nem sei como aquilo quase aconteceu, pois eu era mais parado do que uma planta! — disse o menino, levemente inseguro de suas palavras.

— Ér... Sim, claro, e olhe nossa idade para esse tipo de coisa! — e abriu o sorriso mais verdadeiro que conseguiu.

— É tentador, mas é bobagem pensar nessas coisas agora... — o menino assentiu.

— Exato! — Stella concordou.

E o silêncio novamente.

— Marcus! — Lucy surgiu correndo e toda sorridente para o amigo; assim como com Eleanor, ignorou perfeitamente a presença de Stella — Você precisa me ver dando uma surra na competição de bolinhas de gude dos meninos! — pediu, orgulhosa de si mesma.

— Por mim tudo bem... — Marcus concordou, mas logo se lembrou de que não estava sozinho — ...Eu acho. — encarou Stella sob o ombro de Lucy.

— Não tem problema, nos falamos depois. Ou pelo menos tentamos novamente! — Stella conseguiu rir, mesmo se sua vontade era de gritar e socar Lucy.

— Depois da competição, ok? — Marcus garantiu, sorriu brevemente e então saiu caminhando ao lado de Lucy, que ficou completamente radiante.

Notando que seus olhos estavam ficando umedecidos, Stella girou o corpo na direção oposta e saiu pisando duro. Fechou os olhos com força quando as lágrimas demoraram a escorrer pela face. Então, durante seus passos às cegas, esbarrou em alguém e caiu sentada.

— Olhe por onde anda, órfã imbecil! — uma voz grave resmungou.

Stella abriu os olhos e encarou aquele que havia se esbarrado: era o mesmo jagunço que havia ficado no escritório de Eleanor junto ao tal Ryan Jarrett, enquanto a mulher havia corrido para apartar a confusão.

Ele tinha a aparência um tanto selvagem e isso causava certo pânico na menina. Cabelos longos e em intenção em ser loiro se não fosse pela aparência suja, barba à fazer, sobrancelhas graves perfeitas para a carranca, e olhos claros e frios.

— Isso são maneiras de tratar uma dama, Nícholas? — um garoto surgiu no campo de visão de Stella e se encurvou para ajudá-la.

Mesmo com certo receio e assustada com o olhar do jagunço, Stella aceitou a ajuda do gentil garoto.

— Obrigada. Não tive a intenção em esbarrar em ninguém! — ela encarou o garoto e se assustou ao reparar em como ele se parecia com Ryan Jarrett em uma versão 15 anos.

— Acredito em você! — o garoto concordou e então caminhou para perto do jagunço — Nícholas, mais um distrato e meu pai ficará sabendo! — ele ameaçou o homem, que assentiu e fuzilou Stella com o olhar.

Amedrontada, a menina abaixou o olhar.

— Vou indo... E me desculpa, me desculpa mesmo! — Stella disse, encarando primeiramente o garoto e então o jagunço.

— Aonde vai? Posso ir também? Estou entediado e meu pai não vem logo para irmos embora! — o garoto perguntou.

— Ãhm... na verdade eu não sei! — Stella riu um pouco desconfortável.

— Então vamos os dois andar sem destino, oras! — o garoto jogou os braços para os lados.

— Pode ser... — Stella assentiu.

Empolgado, o garoto quase caiu ao tropeçar em um pedaço elevado de terra quando se apressou para alcançar Stella. Ela teve de se segurar para não rir.

— Seu nome? — ela disfarçou, puxando assunto.

— Tyler! — o chamado de Ryan Jarrett ao filho assustou não só Stella, como o garoto.

— Senhor... — o garoto respondeu, se virando.

— Já vamos embora! — Jarrett informou encarando o filho Tyler; depois escorregou o olhar para a companhia do garoto — O que lhe falei sobre perturbar os órfãos? — iniciou um sermão paterno.

— Não me incomodou de forma alguma, senhor. Muito pelo contrário, ele foi gentil! — Stella se intrometeu.

Muito pelo contrário, ele foi gentil! - Stella se intrometeu

O olhar de Jarrett continuava fixo em Stella. Tal atitude a fez corar violentamente, pior ainda quando reparou o jagunço do olhar frio também encarando-a.

— Vamos! — Jarrett tocou o ombro de Tyler e o puxou para andar.

— Até mais, menina! — Tyler se despediu, um pouco infeliz com a decisão do pai.

— Stella. — ela informou e acenou um "tchau" breve para o possível novo amigo.

Tyler sorriu, devolveu o aceno e então acompanhou o pai e o jagunço. Stella esperou que eles se afastassem o suficiente para não alcança-los e então regressou com destino ao casarão.

❃ ❃ ❃

Dentro do casarão não tinha muito o que fazer. Geralmente após o almoço todas as crianças crescidas iam brincar ao lado de fora, enquanto os poucos pequenos - bebês e crianças pequenas geralmente ficavam pouco tempo no orfanato e logo eram adotados - ficavam sob a observação das cuidadoras no berçário.

Stella caminhou lentamente pelo corredor do escritório de Eleanor e outras portas que ela não sabia o que abrigava. Ela fitava cada canto do corredor vez ou outra, perdida em pensamentos.

— Querida, o que faz aqui? — a voz doce de Eleanor perguntou; ela havia acabado de sair de seu escritório.

— Eu não tenho o que fazer, então vim caminhar e pensar. Me desculpa se não posso estar aqui! — pediu, enquanto se virava para encarar a dona do orfanato.

— E Marcus? — perguntou.

— Brincando com de bolinhas de gude com a tal de Lucy e alguns meninos! — Stella não foi capaz de não revirar os olhos ao se lembrar da menina.

— Com Lucy? — a mulher espantou-se e riu brevemente — Ela realmente não aceita se portar como uma dama! Enfim, quer me fazer companhia no café da tarde? — convidou.

— Sim, se não for incômodo... — a menina concordou.

— Incômodo algum, querida. Vamos! - Eleanor fechou a porta de seu escritório e esperou Stella para prosseguir o caminho.

❃ ❃ ❃

— Viu a cara do Nate quando terminou de se gabar dizendo ser o melhor jogador de bolinhas e eu o venci? Impagável! — Lucy gargalhou enquanto caminhava ao lado de Marcus.

— Sim, ele quase chorou! — ele retribuiu o riso.

Ambos estavam seguindo para o refeitório para o café da tarde. Já haviam lavado as mãos e a menina já havia escondido as bolinhas que ganhara na competição, crente que os meninos tentariam tomá-las de volta.

— Não estou crendo nisso! — Lucy estreitou os olhos e apertou os lábios ao avistar a típica mesa de Eleanor ocupada pela própria e Stella.

— Qual o problema? — Marcus perguntou assim que seguiu o olhar de Lucy e reparou no que ela observava.

As duas conversavam e riam como se conhecidas à anos. Sem falar que a mais nova copiava os movimentos graciosos de tomar chá da mais velha, que ainda lhe dava dicas.

— Que piegas! — Lucy resmungou e seguiu para a fila de pegar refeição.

Marcus a seguiu.

❃ ❃ ❃

Após o chá com Eleanor, novamente Stella estava perdida em pensamentos enquanto seguia para o quarto das meninas. Marcus havia se esquecido do combinado em voltar a falar com ela assim que voltasse da competição, e isso chateou a menina.

No quarto estava movimentado. Algumas meninas vestiam roupa, outras tiravam, outras secavam o cabelo ou calçavam os sapatos. Stella seguiu para sua cama e começou a tirar seu casaco. Mal teve tempo de tocar nos sapatos, quando Eleanor surgiu apressada no quarto e a chamou.

Todos os olhares do quarto passaram de Eleanor para Stella. Uns discretos, outros diretos, mas todos estavam curiosos para saber o que iria acontecer. Inclusive um belo par de olhos azuis que a fuzilava em boa parte do dia, olhos de Lucy.

— O que aconteceu? — perguntou, curiosa, enquanto seguia para a porta.

— Um novo órfão do bombardeio! — Eleanor respondeu assim que saiu porta à fora.

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"A vida é um jogo feito para todos

E o amor é o prêmio..."

{Wake me up - Avicii}

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