História Stella Merchant - A Garota de Sorrisos Ensaiados - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anos 20, Drama, Drama De Epoca, Época, Orfanato, Violencia
Exibições 6
Palavras 1.542
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Estupro, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Capítulo 07: Nas mãos da Sorte.


08 de Janeiro de 1913.

NOVAMENTE STELLA FOI LEVADA para o escritório de Eleanor. Mas, diferente de um dia atrás, agora ela ia de vontade própria e não sentia vontade de gritar. Muito pelo contrário, ela queria chegar o mais rápido o possível no cômodo para ver quem estava à sua espera.

Ao lado de fora da porta, Marcus esperava para entrar encostado na parede oposta. O mesmo jagunço ignorante de horas atrás fazia guarda juntamente com outro.

— O que está acontecendo? Por que nós dois? — Marcus perguntou enquanto desencostava da parede.

— Vocês vão ver! — Eleanor passou da porta e os jagunços se afastaram.

Marcus se aproximou de Stella e os dois trocaram olhares ansiosos. A porta foi aberta e Eleanor adentrou, seguida pela menina e a menino.

— Oh céus... — Stella gemeu, chorosa, e parou na metade do caminho fazendo Marcus, que vinha logo atrás, esbarrar em suas costas.

— Joyce? — ele arfou ao avistar a menina sentada e encolhida no sofá do cômodo; ela ficou ereta ao ouvir a voz, mas não encarou — Joyce, você está bem! — e correu para abraça-la.

— Irmão, é você mesmo? — Joyce perguntou em lágrimas.

— Sim, eu estou bem aqui! — Marcus parou diante da irmã e abriu os braços.

— Onde? — a menina estendeu os braços e tocou o nada.

— Ela ficou dias desacordada. E, quando acordou, disse não estar enxergando... — Eleanor informou, começando a se emocionar com a situação.

Stella escondeu o rosto nas mãos quando um choro tentou escapar. Ela chorou baixinho, respirou fundo ao abaixar as mãos e então seguiu para perto de Marcus, que estava imóvel.

— Cega? Minha irmã? — ele balançou a cabeça em frente ao rosto da menina, mas ela nem piscou.

— Também estou aqui, amiga... — Stella informou, passou a frente de Marcus e abraçou Joyce — Eu estou aqui e vou cuidar de você, assim como você sempre fez comigo em nossos anos de amizade! — soluçou e depositou um beijo no ombro da amiga.

Assim que conseguiu reagir, Marcus se aproximou das duas e as abraçou.

— E eu vou cuidar das duas! — e beijou o braço da amiga e o topo da cabeça da irmã.

Tal comentário fez as duas soltarem gargalhadas unidas.

— Você não cuidava nem de seus lápis de colorir, piorou de duas garotas espertas! — Joyce respondeu, rindo entre as lágrimas.

— Tive a impressão de que fui chamado de lerdo! — Marcus fingiu-se de ofendido enquanto despertava o abraço.

— Entenda como preferir! — Stella deu de ombros e sorriu.

— Está mais calma agora, Joyce? — Eleanor perguntou, secando delicadamente uma pequena lágrima no canto de um de seus olhos.

Reprimindo o sorriso, a menina assentiu.

— Então vão se aprontar para o jantar. Uma cuidadora irá ajuda-la, Joyce! — a dona do orfanato avisou.

— Não precisa, eu posso fazer isso. Até porque ela não se sentiria à vontade com uma estranha... — Stella se ofereceu.

Eleanor assentiu.

— Mas não demorem, está bem? — e sorriu.

— Sim. — Stella concordou.

Antes de caminhar para fora do escritório, a menina desviou um olhar rápido pelo lugar e deparou-se com os Jarrett's. Pai e filho estavam de canto, observando toda a situação sem a intenção em atrapalhar. O novo amigo sorriu de leve para ela e teve sua retribuição. Marcus observou a troca de sorrisos e arqueou uma das sobrancelhas, intrigado.

Os três amigos saíram porta à fora.

❃ ❃ ❃

Stella, Marcus e Joyce chegaram acompanhados no refeitório. Diferente do que costumava ser, os três conversavam animadamente sobre assuntos tanto para meninas quanto para meninos.

Quem não pareceu feliz com a chegada desse trio unido foi Lucy. A menina, que estava sentada em uma cadeira e com a perna sob a outro para guardar lugar para Marcus, encolheu a perna rapidamente para se levantar e tirar satisfação.

— Outra? Quantas mais ladras de atenção irão chegar? Duas? Três? Mil? Milhões? — a garota grunhiu ao parar próxima à Marcus.

O trio reprimiu o riso.

— Lucy, essa é minha irmã Joyce. — o menino apresentou.

Lucy corou violentamente no mesmo momento que digeriu as palavras. Sentiu-se tão envergonhada de sua atitude surtada, que quase saiu correndo do refeitório.

— Eu não sabia... Olá, Joyce! — mudou o humor e começou a ficar repleta de sorrisos simpáticos; também esbarrou de propósito em Stella para segurar o braço da irmã de Marcus.

— Francamente! — Stella revirou os olhos, bufou e então se afastou apressadamente em direção a fila de refeição.

— Oi. — uma voz conhecida a cumprimentou.

Ao virar-se, Stella se deparou com o Jarrett filho, e sorriu para ele.

— Olá, Tyler. Como está? — devolveu o cumprimento.

— Vou bem, mas você que parece não estar... Sinto muito por sua amiga! — lamentou Tyler.

— Obrigada, mas Marcus e eu vamos ajuda-la em tudo, sem falar em senhorita Eleanor e as cuidadoras! — Stella pegou uma bandeja; Tyler fez o mesmo e ainda ajudou a nova amiga a pegar um prato e um copo.

— Quer se sentar conosco? — Tyler convidou e assentiu em direção à mesa que Eleanor costumava se sentar; a própria e Jarrett pai conversavam discretamente, enquanto o jagunço de olhar frio mordiscava uma banana.

— Melhor não. Acho que seu pai não gostou de te ver comigo hoje à tarde... Sem falar naquele seu "segurança" assustador, que me fuzila com os olhos! — negou e encolheu os ombros.

— Não se preocupe, eu dou um jeito em Nicholas. Até se eu mando ele arrancar o próprio pênis, ele obedece! — comentou Tyler, se esquecendo por um momento que estava em companhia de uma dama e não dos amigos de sua rua — Desculpe o palavreado... — ele corou.

— Tudo bem. — Stella passou a fitar seu prato vazio.

❃ ❃ ❃

— ...e então eu pulei um obstáculo maior do que minhas pernas, tropecei, cai de face no gramado e o verde dele se tornou vermelho com o meu sangue. Foi o pior mico de minha vida! O pior é que meu pai estava assistindo, e quando eu perco levo broncas e puxões de orelha por semanas... — Tyler tagarelou.

Stella fingia estar prestando atenção naquele papo que pouco lhe interessava no momento. Sua atenção estava voltada para uma outra mesa, para Marcus que se esquivava da tentativa de Lucy em lhe dar uma uva na boca e os dois gargalhavam, até mesmo Joyce.

— Tyler, eu já terminei e vou me preparar para dormir. Conversamos mais assim que você voltar aqui, está bem? — Stella ergueu o corpo e encarou o garoto.

— Mas está tão cedo... — Tyler lamentou.

— Não me leve a mal, eu adorei conversar com você, mas estou exausta! — ela suspirou pesadamente.

— Está bem. De qualquer forma volto com meu pai amanhã outra vez! — o garoto sorriu.

Suspirando aliviada por Tyler não ter um ataque de mimo que a obrigasse a ficar, Stella inclinou em direção ao garoto, depositou um beijo rápido na bochecha dele e pegou sua bandeja.

— Até amanhã, Tyler! — e sorriu — Boa noite... — cumprimentou os que estavam na mesa e até os jagunços.

Ao levar sua bandeja para o lugar adequado, Stella se virou para sair do refeitório. Antes, lançou um olhar em direção à Tyler, que tinha uma expressão abobada no rosto. E ela riu discretamente. Riu até ouvir a voz de Marcus pronunciando seu nome e acenando para ela se aproximar da mesa onde ele estava. Ela reprimiu o riso, o ignorou e passou direto até a porta.

❃ ❃ ❃

O quarto estava repleto de sussurros e risinhos. Geralmente o assunto era garotos, namoro e beijo, e Stella iria gritar para que calassem a boca, se Eleanor não tivesse entrado no quarto no exato momento.

— Boa noite, minhas princesas! — disse docemente.

— Boa noite, maravilhosa Eleanor! — Lucy correu até a dona do orfanato e quase a derrubou com um abraço.

O quarto inteiro arregalou os olhos e deixou a boca em formato de O. Atitudes afetivas não eram típicas de Lucy. Ela geralmente era rígida com quase todas as pessoas, exceto por aquelas de seu interesse.

— Ãhn... boa noite, Lucy! — confusa, Eleanor acariciou o topo da cabeça da menina.

Toda sorridente, a menina se afastou e voltou para o conforto de sua cama. Eleanor, ainda meio atônita, caminhou até a cama de Stella e parou.

— Obrigada por estar sendo tão gentil com Tyler. Ele está passando por uma situação complicada, pois perdeu a mãe há quase um mês. Enfim, amizades é o que ele precisa no momento! — a mulher agradeceu e tocou na bochecha de Stella.

— Não precisa agradecer. Ele me defendeu daquele brutamontes, que é o jagunço que anda com ele, só estou retribuindo. Fora que ele... — Stella parou de falar e corou ao perceber que olhares curiosos estavam sob ela.

— O que tem ele? — Eleanor sorriu de lado.

Stella a chamou para se aproximar. Assim a dona do orfanato fez e então a menina sussurrou em seu ouvido:

— Ele é bonitinho! — continuou Stella e então abaixou o olhar.

— Sim, eu sei. Dificilmente um Jarrett é feio! — Eleanor sussurrou de volta e riu; ela ergueu o corpo em seguida e passou a falar em tom de voz normal — Boa noite, querida. Boa noite a todas! — e se afastou.

Stella cobriu o rosto com o edredom e ficou à ouvir se alguém comentaria alguma coisa, ou até mesmo voltariam para os assuntos anteriores, mas o silêncio se instalou no quarto.

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"Continue aguentando firme

Porque você sabe que conseguiremos..."

{Keep Holding On - Avril Lavigne}

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