História Stella Merchant - A Garota de Sorrisos Ensaiados - Capítulo 8


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anos 20, Drama, Drama De Epoca, Época, Orfanato, Violencia
Exibições 8
Palavras 1.362
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Estupro, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 8 - Capítulo 08: Lobo em pele de Cordeiro.


09 de Janeiro de 1913.  

NO DIA SEGUINTE, APÓS SE aprontar, Stella desceu para o café da manhã. No meio do caminho tomou um grande susto: estava distraída com os pensamentos trabalhando quando Nícholas — o jagunço dos Jarrett — surgiu em seu caminho e empurrou um papel dobrado para ela; ele não explicou nada, simplesmente deu meia volta e seguiu seu caminho.

Confusa e assustada com a maneira com que aquele homem a tratava sem que ela tivesse lhe feito algo, Stella abriu o papel e fitou as letras ali escritas:

"Te espero no jardim agora.

Tyler"

Um sorriso abriu-se levemente nos lábios da menina. Não podia negar que o novo amigo tinha certos assuntos repetitivos e cansativos, mas o importante era que ele a tratava muito melhor do que qualquer garoto daquele orfanato, e infelizmente Marcus estava incluído nisso.

Amassando a folha e guardando-a no bolso, Stella deu meia volta para seguir para a porta, que encontrava-se aberta. Ela queria correr para ver o que Tyler queria e então seguir para o refeitório, estava cheia de fome, mas não quis parecer afobada e caminhou em ritmo moderado.

Tyler estava encostado na velha árvore do jardim e sorriu ao avistar Stella. Aos seus pés havia uma cesta coberta por um toalha de mesa, que rapidamente a menina concluiu ser para um piquenique.

— Trouxe para nós. Aquele refeitório é barulhento demais e atrapalha nossa tentativa em conversar! — o garoto apontou para a cesta e em seguida a pegou — Vem, ontem encontrei um lugar legal e livre de curiosos! — ele deu a volta na árvore.

Stella o seguiu e se surpreendeu ao deparar-se com um portão velho que ela não havia reparado na primeira vez que passou por ali. Tyler foi à frente, caminhou alguns passos e então parou. A menina esbarrou em suas costas e então desviou para ver o motivo da parada do amigo.

O lugar era uma espécie de terreno baldio, com muitas plantas, árvores e um único banco de concreto. Este estava ocupado por Marcus e sua sombra Lucy, e a menina havia acabado de puxar o rosto dele e o beijado.

— Parece que agora aqui está um pouco cheio... — Tyler comentou, frustrado.

Com um choro barulhento prestes a escapar de sua garganta, Stella se virou rapidamente e correu de volta para o jardim. Ouviu Tyler chama-la, e logo depois Marcus, mas não parou para nenhum dos dois.

Entrou de volta no casarão, subiu a escadaria aos tropeços e seguiu para o escritório de Eleanor. Estava confiante de que sua amiga adulta saberia o certo a se dizer e que a faria ficar bem. Lembrou-se do horário do café da manhã e desabou sob o sofá discreto.

Um tempo depois, Stella jogou os longos fios loiros para trás, pois alguns grudaram em seu rosto úmido, e ouviu um de seus grampos cair no chão. Ela se abaixou e começou a vasculhar o piso, mas nada encontrou à frente e ao lado do sofá. Decidiu por empurra-lo um pouco para procurar atrás e assim que o fez ouviu vozes se aproximando. Temeu por ser Marcus e então se encolheu.

— Eu separei as primeiras meninas maiores de 13 anos e você poderá leva-las quando quiser. No entanto, vou querer um adiantamento. Nada mais justo devido minha eficiência! — Eleanor caminhou e abriu gavetas de sua mesa.

— Adiantamento? Mas nem tão cedo as garotas começam o trabalho, ainda terão de ter aulas de dança e canto. Sem falar que a maioria ainda tem miséria de seios! — Jarrett protestou.

— Mas tem vagina do mesmo jeito! — argumentou Eleanor — Você quer suas futuras putas, não quer? Pois este é meu trato: adiantamento e então o primeiro grupo de meninas são suas! — continuou.

— E tem como rebater contra suas vontades, meu amor? — Jarrett puxou Eleanor para si e beijou-lhe a boca, a bochecha e o pescoço.

— Não! Sou bem determinada e... Espera, esse sofá não estava assim antes! — a voz de Eleanor tornou-se tensa.

— Esquece o maldito sofá e foca em nós dois. — Jarrett tocou o queixo de Eleanor, virou o delicado rosto da mulher para si e então sugou-lhe os lábios com desejo; beijo que logo começou a criar intensidade, mãos começaram a deslizar com ousadia e o ambiente ficou totalmente abafado para eles.

— ...Hum... Chega, pois a porta está aberta e Tyler pode entrar a qualquer momento! — com muita dificuldade de lutar contra o desejo de sua carne, Eleanor conteve Jarrett empurrando seu peitoral.

— Eu atiro no primeiro que abrir essa porta, não se preocupe! — Ryan tirou sua arma da cintura e deslizou o cano sob a boca, queixo e pousou no decote do vestido da jovem mulher, movendo-do se de um lado para outro; a mesma apertou os lábios, fechou os olhos e soltou um suspiro trêmulo.

— Mais tarde, está bem? — ela abriu os olhos e afastou a arma de sua pele; deu um selinho breve no homem e então caminhou para longe.

Foi questão de poucos segundos para alguém bater na porta e fazer os dois saltarem de susto.

— Viu? Eu tinha toda razão! — Eleanor correu para organizar sua roupa e arrumar seu cabelo; Ryan colocou a arma de volta no lugar — Entre! — a mulher avisou.

A porta foi aberta e uma das cuidadoras entrou, assustada.

— Desculpem o incômodo, é que o menino Tyler e um órfão saíram na mão. Estão contidos lá no Jardim por alguns jagunços! — a mulher falou.

— Eu arranco as orelhas desse filho de uma égua! Falei para ele não amolar os órfãos! — Jarrett saiu em disparada pela porta.

— Marcus? — Eleanor perguntou para a cuidadora.

— O próprio! — concordou a mulher.

Ambas saíram apressadas do cômodo e a porta foi fechada. Esperando alguns segundos seguros, Stella levantou-se detrás do sofá. Lágrimas causadas por todos os tipos de sentimentos vieram a tona: decepção, tristeza, confusão, raiva, medo.

Suas pernas estavam tão bambas que mal eram capazes de correr para fora daquele cômodo, cujo resolveu visitar no momento errado; mas era necessário. Logo os dois brigões seriam levados até ali para o sermão e ela deveria estar à muitos pés de distância, para fingir que não sabia de nada.

Respirando com certa dificuldade devido ao susto e aos soluços do choro, Stella abriu a porta e correu para fora do cômodo.

Não lembrou-se de colocar o sofá no devido lugar ou procurar direito pelo grampo perdido, simplesmente queria sumir dali e ficar sozinha.

Sozinha para planejar sumir daquele lugar levando Joyce consigo.

❃ ❃ ❃

— ...duas brigas em menos de uma semana? Francamente, você está sendo ingrato com o orfanato que te acolheu e que preza tanto por bom comportamento. Brigar com um órfão qualquer era de se perdoar, mas um Jarrett? Estou chateada! — Eleanor praticamente arrastava Marcus Tolansky pelo corredor puxando-o pelo braço com firmeza, bem diferente de sua típica delicadeza.

— Eu sinto muito, Eleanor. Eles que me provocam! — o garoto deu de ombros esfregou o nariz inchado; soltou então um resmungo de dor.

— Ah, claro! — a mulher revirou os olhos e abriu a porta da enfermaria — Espere sua vez enquanto a enfermeira Bridgit atende Tyler em meu escritório e então volte direto para o quarto. A partir de hoje vou calcular cada passo seu ou de qualquer outro "galo de briga", vou estar de olho em cada um. Aqui não é ringue! — ela empurrou Marcus para dentro, fechou a porta e deixou o garoto à sós com sua consciência pesada.

Havia perdido a cabeça com as provocações de Tyler, do mesmo querer bancar o herói de Stella sem ela ter pedido, sem saber o que realmente havia acontecido. Lucy havia o beijado, e não o contrário. Ele jamais faria algo para magoar tanto quem ele ama. E ver Stella saindo correndo tão magoada havia o destruído; estava tão arrasado que teve a impressão de ter ouvido sua consciência chorar baixinho.

Mas espera... Consciência não costuma chorar.

— Quem está aí? Está tudo bem? — Marcus caminhou devagar pela enfermaria; o silêncio absoluto voltou e ele concluiu estar delirando devido ao soco certeiro que tomou no nariz.

— Marcus... — uma voz conhecida sussurrou aos prantos; o garoto virou-se em direção a voz.

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"Sua fé caminha sobre cacos de vidro..."

{21 Guns - Green Day}

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