História Stella Merchant - A Garota de Sorrisos Ensaiados - Capítulo 9


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anos 20, Drama, Drama De Epoca, Época, Orfanato, Violencia
Exibições 6
Palavras 1.868
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Estupro, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - Capítulo 09: Fim do Dia.


09 de Janeiro de 1913.    

— STELLA? — SEU CORPO VACILOU um pouco ao se deparar com o rosto úmido e vermelho da garota — Não chore, por Deus! Eu não tive culpa de nada do que aconteceu, fiquei tão surpreso quanto você. Lucy sempre foi tão frígida com todos, que eu não esperava nada do tipo e... — não pode concluir quando o corpo de Stella se chocou contra o seu em um abraço trêmulo; ela chorava e tremia.

— Marcus... Nós precisamos sair daqui, precisamos tirar Joyce daqui para protege-la do que está por vir... Ela já sofreu demais... — soluçou Stella.

— Como assim "do que está por vir"? Do que está falando, Stella? — perguntou enquanto retribuiu o abraço após um tempo de confusão.

— Eleanor... Eu ouvi ela e Jarrett tramando algo muito ruim para as meninas maiores de 13 anos! — e desatou a chorar outra vez.

— Que tipo de coisa? — foi desapertado o abraço e então os dois jovens se encararam.

— Projetos de... de... de puta! — os olhos de Stella ficaram úmidos; Marcus arqueou as sobrancelhas e segundos depois sorriu com humor.

— Engraçadinha. Sua imaginação está bem fértil hoje, hein? Será por causa do trauma de quase me perder para Lucy? — abriu um sorriso zombeteiro; Stella trincou os dentes e empurrou o garoto com força antes de correr para fora da enfermaria — Stella, espera... — chamou em vão — Será que não era uma brincadeira? — refletiu.

❃ ❃ ❃

Stella não sabia ao certo de onde havia tirado forçar para caminhar até o refeitório na hora do jantar. Seus pensamentos estavam perturbados, ela mal conseguia andar sem que seus joelhos tremessem e a fizessem ficar em alerta para uma possível queda. Mas ela se manteve firme. Não sabia ao certo de onde havia surgido tanta força, mas ela estava ali.

O refeitório estava cheio, para seu azar que queria comer sozinha em alguma mesa afastada. As únicas mesas mais vagas era a típica de Eleanor e seus convidados e uma outra mesa logo ao lado. Stella optou pela mesa ao lado e, após se servir, tentou seguir para lá o mais disfarçadamente que conseguiu.

Enquanto escorregava para a cadeira vaga, seus ouvidos focaram na conversa que desenrolava por lá.

— Milionário, boa pinta, mas não é coronel e nem político. Então a questão é: quem é Ryan Jarrett? Como ele consegue ganhar tanto dinheiro com sua única casa de dança no centro de Tennessee? Seria algum segredo a esconder ou simplesmente pacto com o diabo? — a voz de Lucy era de pura provocação.

Os demais ocupantes da mesa gargalharam, exceto Tyler, que encarava Marcus fixamente com um carranca pior do que a de Nicholas.

— A segunda opção é a melhor, até porque a mídia sabe que sou um livro aberto! — Jarrett se divertiu com a pergunta da menina.

— Ei, Stella, por que não se senta conosco? — Eleanor chamou; Stella paralisou seus movimentos e estremeceu, mas não poderia ignorar o chamado, teria que agir como se nada tivesse acontecido.

— Eu estava afim de ficar quietinha, por isso não me sentei com vocês! — omitiu enquanto se levantava e pegava sua bandeja para mudar de mesa.

— Stella! — Marcus e Tyler falaram e se levantaram juntos.

— Meninos, ouviram Stella? Ela quer ficar quieta, então colaborem! — Eleanor pediu.

Com troca de farpas pelo olhar, Marcus e Tyler voltaram a se sentar.

— Obrigada... Mas agora que estou aqui, acho que consegui seguir o ritmo. E então, qual o assunto? — a menina perguntou enquanto se sentava.

— Um assunto já começado e que não está aberto à penetras! — Lucy respondeu, ríspida.

— Lucy, tenha modos! — Eleanor advertiu a menina.

— Tudo bem, então vou pegar um copo de suco e me sentar quietinha, como era a ideia inicial... — Stella sorriu fracamente, pegou um copo e ergueu o corpo para pegar a jarra.

Jarrett foi mais rápido e a serviu.

— Obrigada! — agradeceu sem olha-lo nos olhos; no meio do caminho para se sentar, fingiu que tropeçou perdeu o equilíbrio ao esbarrar em sua cadeira e derrubou o copo de suco em Lucy — Oh céus, como sou desastrada! Sinto muito. Muito mesmo! — se desculpou falsamente.

— Você vai desejar não ter nascido! — Lucy grunhiu e ia correr para atacar Stella, mas Marcus a puxou.

— Mas foi sem querer, poxa vida... — Stella fez bico e não conseguiu esconder direito um risinho.

— Já chega! O que falei à respeito de brigas? — disse Eleanor, autoritária.

— Vai defender sua queridinha? — Lucy gritou.

— Stella receberá as devidas punições amanhã pela manhã, satisfeita? — Eleanor revirou os olhos e se sentou novamente.

Soltando fogo pelas entranhas, Lucy pegou um guardanapo e saiu da mesa pisando duro. Stella voltou a se sentar e fitou o colo, pois sabia que o olhar de Eleanor estava com falsas lágrimas, e tinha certeza que se olhasse iria acabar vomitando de repudio.

O jantar prosseguiu.

❃ ❃ ❃

— Tyler, você não acha estranho seu pai visitar com tanta frequência um orfanato? — Stella perguntou ao amigo enquanto saíam do refeitório após o jantar.

— Não! — o garoto respondeu com veemência — Ele contribui para o orfanato, então é normal ele vir analisar se o dinheiro está sendo bem investido! — continuou.

— Ele passa horas do dia com Eleanor. Também não acha estranho? — voltou a perguntar.

— Não. Eleanor é amiga da família há anos, só isso. Mas Stella, qual o motivo das perguntas? — Tyler quis saber.

Stella abriu a boca para falar tudo o que não teve oportunidade no almoço, mas olhou em direção a mesa de Eleanor e se deparou com o olhar de Jerrett, que remexia no bolso de seu paletó. Para o espanto da menina, ele tirou dali o grampo que havia caído do cabelo dela horas atrás e abriu um sorriso que gelou a menina dos pés à cabeça.

— Ãhm... Nada! É bobagem, deixe para lá! — ela desviou o olhar e fitou um canto qualquer.

— Não vai me contar o que está acontecendo? Você está abatida demais para quem apenas perdeu um namoradinho... — Tyler puxou o rosto de Stella para encara-lo; lágrimas brotaram dos olhos da menina.

— Me deixe em paz, está bem? — ela afastou a mão do garoto e saiu correndo com destino aos quartos.

Tyler não tinha culpa do crápula que era seu pai, mas Stella tinha medo da reação dele ao ouvir tudo o que ela ouviu e da ameaça silenciosa que acabara de receber. Seu peito parecia estar se reprimindo de tanto agonia em não ter a quem compartilhar aqueles segredos, alguém que acreditasse em cada palavra e não achasse que tudo não passava de "imaginação fértil". Nem mesmo chorar estava diminuindo o sufoco e a menina sentiu que fosse enlouquecer em poucos dias se não saísse logo daquele lugar, antes do pior começar a acontecer.

❃ ❃ ❃

Pouco antes do jantar terminar, Marcus havia saído do refeitório com a desculpa de que estava um pouco enjoado e iria até o banheiro antes de se deitar. Ele guardou sua bandeja e então saiu do local.

Esperou o momento certo, quando não havia sinal algum de alguma cuidadora, e seguiu para o jardim. Precisava esfriar a cabeça, que havia ficado à todo vapor depois das revelações de Stella e piorado ao ver o estado abatido dela no jantar. Ela poderia estar falando a verdade, assim como poderia ter ouvido errado. Eleanor sempre foi boa demais, então era estranho imaginar ela como vilã.

Os pensamentos do menino foram interrompidos quando ele ouviu o riso de Eleanor misturado a voz de Jarrett. Rapidamente ele se escondeu e a escuridão do local o ajudou a passar a despercebido.

— Acho que você faz isso de propósito... — Jarrett comentou.

— O quê? — Eleanor perguntou, sem entender.

— Se arrumar desse jeito sempre que sabe que vou vir

— Se arrumar desse jeito sempre que sabe que vou vir. É uma afronta contra minha masculinidade, sabia? Preciso ser muito forte para não perder o controle e te foder na frente do meu filho ou de quem quer que seja! — ele falou, deu um tapinha na bunda da jovem mulher e então riu.

Marcus os ouviu e então fez uma careta de "eca".

— E o que te impede disso agora? — ela provocou, sorrindo de lado e encostando em uma árvore.

— O que me impede é que tenho coisas para te contar. Coisas sobre aquela menina... acho que Stella! — Jarrett encurralou Eleanor contra a árvore e depositou alguns beijos em seu pescoço.

— Sobre ela derrubar o suco de propósito em Lucy? Eu também fiquei surpresa! — a mulher subiu ás mãos para a nuca do homem e começou a passar as unhas por ali.

— Você acha que perderia nossa foda por um assunto besta desses? O que tenho para falar é mais grave! — o homem se afastou um pouco para mexer no bolso de seu paletó.

— Desisto de tentar adivinhar então! — Eleanor falou, erguendo as mãos em rendição.

— Veja o que achei perto do sofá de seu escritório, aquele que você estranhou por estar em uma posição diferente de antes... — ele tirou um grampo do bolso e colocou na frente dos olhos de Eleanor; a mesma à princípio não viu nada de especial, mas em seguida reconheceu aquele enfeite.

— Stella! — espantou-se e pegou o grampo da mão de Jarrett — A maldita nos ouviu! Quem diria, hein? Para uma menina bobona do interior, até que ela foi esperta... — se afastou da árvore e começou a andar pela grama.

— Acredito que não foi proposital. Acho que foi te procurar logo depois do desentendimento com o namoradinho e ficou com medo quando ouviu minha voz. Ela se borra toda vez que eu a encarou! — Jarrett riu.

— E o que vamos fazer? Ela tem 13 anos, mas eu ainda não havia a colocado na lista... — Eleanor encarou o homem, que estranhou as palavras.

— E por que não? — quis saber; Eleanor encolheu os ombros — Não acredito que... Ahhh, francamente, Eleanor. Não vai me dizer que se apegou a menina!? — gargalhou.

— Não diga asneiras, Ryan! — a mulher revirou os olhos e cruzou os braços.

— Agora eu digo o que vamos fazer.... Vamos nos aproveitar da amizade dela com Tyler, vamos o incentivar a convida-la para um passeio noturno, usando qualquer desculpa esfarrapada de "olhar estrelas cadentes", ela é garota e vai cair nessa. E então sumimos com ela. Tyler nunca vai imaginar que fomos nós dois, pois temos tenho incontáveis jagunços! — Jarrett sugeriu; os olhos de Eleanor brilharam e ela soltou um riso feliz.

— Você é genial, meu amor! — beijou Jarrett brevemente — Então amanhã vou arruma-la, para fingir que não sei de nada. Vou preparar o animal para o abate! — falou com uma voz falsa.

— Não! — Marcus gritou ao sair de seu esconderijo; os adultos estremeceram e olharam em direção a voz — Vocês não vão tocar em nenhum fio de cabelo de Stella, ou eu mesmo me encarrego de matar os dois! — grunhiu da maneira mais firme que foi capaz, mas mesmo assim sua voz saiu um pouco chorosa.

Ryan Jarrett soltou uma gargalhada debochada e mexeu em algo em sua cintura. No momento seguinte, o homem estava com uma arma apontada em direção à Marcus. Eleanor prendeu a respiração temendo pelo o que poderia acontecer em seguida.

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"Com seus lábios manchados de vinho, ela é só um problema

É fria ao toque, mas quente como o diabo..."

{Chains - Nick Jonas}

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