História Stitches {Malec} - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Os Instrumentos Mortais, Shadowhunters
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), Magnus Bane
Tags Alec, Magnus, Malec
Visualizações 138
Palavras 3.832
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá!! Gente, eu preciso admitir que eu chorei demais escrevendo essa one-shot. Seguindo essa linha de Malec terminados em Shadowhunters e eu também não estou em um momento exatamente feliz da minha vida, eu tive a ideia de fazer essa one-shot. Ela não iria ser postada, porque eu não achei que ficou bom o suficiente ou profundo o suficiente, mas aí minha amiga disse que eu deveria postar, e aqui está. É algo diferente, e se você espera que ela tenha um final feliz, ela não vai ter. Já aviso isso pra se você quiser desistir, que saia desse capítulo agora! Não, minha intenção não é romantizar o vício em álcool, é uma coisa muito séria pra eu querer fazer esse tipo de coisa, eu prometo que não foi pra isso. Enfim, se você estiver mesmo disposto a ler, boa leitura!
LEIA AS NOTAS FINAIS!!

Capítulo 1 - Blame it on the alcohol.


“I thought that I’ve been hurt before...

But no one’s ever left me quite this sore.”

A primeira lei de Isaac Newton, mais conhecida como lei da Inércia, afirmava que um corpo em repouso tendia a permanecer em repouso, a menos que uma força o movesse de sua quietude. Essa lei se aplicava perfeitamente a Alec, que não mexia um músculo enquanto encarava o tapete da sala com adoração. Seus olhos estavam apagados, sem cor, sem vida. Sem Magnus. Alec não conseguia pensar nem raciocinar direito, apenas observava o chão, com lembranças invadindo sua mente uma atrás da outra. As palavras do indonésio martelavam insistentemente a cabeça de Alec, e aquilo o deixava maluco. Ainda revivia o momento do término como se tivesse acontecido um dia antes. Mas já faziam duas semanas. E ele não parava de lembrar.

“— Alec, já chega! — Magnus insistia, já estava cansado daquilo. — Toda vez que você bebe, começa com isso e estou cansado de ser sempre desse jeito!

— Ora, Mags… Você sabe que não é bem assim… — Alec se aproximou do indonésio, sorrindo. — Toda vez que eu bebo, simplesmente tomo coragem pra dizer a verdade. Por que isso é ruim?

— Você fica louco, Alec. Começa a dizer coisas desconexas e me forçando a fazer coisas que não quero. Assim como está agora, tentando me jogar na cama pra satisfazer seus desejos carnais! — Magnus se desvencilhou do aperto de Alec, se afastando o máximo que podia dele.

— Mags… Eu quero você. Por que isso é errado? — O moreno de olhos azuis perguntou, franzindo a testa.

— Por que no dia seguinte, você não se lembra de nenhum dos seus atos ou das coisas sujas que disse! — Magnus agora gritava, se descontrolando. — Eu cansei de namorar um alcoólatra.

O indonésio seguiu até a sala da casa de Alec, abrindo a porta.

— Ei! O que quer dizer com isso? Está terminando comigo?! — Alec se desesperou. — Não, por favor, fique, eu amo você!

Magnus riu.

— Tenho certeza de que prefere a companhia da vodka, não é? — O sarcasmo predominava no tom de voz do mais alto. — Isso vai matar você, Alexander. Saia disso enquanto há tempo.

Alec assistiu enquanto Magnus saía, e correu atrás dele. Não poderia deixá-lo ir. Segurou o braço do indonésio, o puxando para si. Os olhos imploravam para que ficasse. Magnus queria ficar. Era óbvio. Amava Alec mais que a si mesmo, e foi assim desde a primeira vez que se viram. Mas não podia mais pedir para que Alec escolhesse entre ele e a bebida. Não deveria nem ser algo que ele devesse escolher. O álcool não deveria ter se tornado prioridade na vida do moreno de olhos azuis. Mas ali ele estava. Se infiltrou tanto na vida de Alec que criou raízes profundas a ponto dele não conseguir largar mais as garrafas de bebida. E Magnus estava cansado de chegar em casa e encontrar um Alec jogado no chão da sala chorando, se remoendo e se culpando não apenas por beber, mas pela morte de seu irmão mais novo, Max.

Alec nem sequer pensou que Magnus estava sofrendo também. Sofria cada vez que passava pela porta do apartamento e encontrava um novo corte na pele do mais novo causadas por cacos de vidro das garrafas que ele quebrava. Sofria sempre que tentava lavar os cortes e Alec gritava de dor, seu corpo o empurrando para longe e a voz agoniada o chamando para perto. E Magnus estava cansado. Estava cansado de estar preso em um relacionamento onde não se moviam para frente. Apenas continuavam estagnados no mesmo lugar, sofrendo com as mesmas coisas, se culpando pelos mesmos motivos. Então Magnus havia tomado sua decisão. O deixaria. Recuou diversas vezes, hesitando, titubeando se realmente deveria fazer aquilo. Até que a gota d’água aconteceu, quando Alec havia empurrado Magnus na cama para tentar se satisfazer sem o consentimento do indonésio. E Magnus percebeu que aquilo nunca acabaria. Ele sempre chegaria em casa e encontraria uma pessoa machucada que tentava se curar com a bebida. E percebeu que não conseguiria mais aguentar isso, porque no fim… Magnus estava tão machucado quanto. E Alec não se preocupou em perceber.

— Adeus, Alexander. — Magnus soltou seu braço do aperto do moreno de olhos azuis, dando as costas e indo até o elevador, deixando pra trás um Alec destruído. Porque ele sabia que era sua culpa.”

Alec balançou a cabeça. Finalmente, se mexeu. Praticamente rastejou até o estoque privado de bebida em seu apartamento, na cozinha, precisava beber. Necessitava sentir o álcool percorrendo suas veias. Então, quando achou a garrafa de whiskey mais cara que havia ali, não se preocupou em preencher um copo de vidro. Apenas retirou a tampa e virou, bebendo direto da fonte.

~*~

"Got a feeling that I'm going under,

But I know that I'll make it out alive."

Depois de quatro ou cinco (Alec não sabia distinguir quantas haviam sido) garrafas inteiras e algumas doses de outras drogas, o moreno de olhos azuis sabia o que viria a seguir. As alucinações. Já eram rotina. Alec bebia, e bebia, e bebia, e fazia uso de drogas. Porque ele sabia que viriam as alucinações. Ele havia tomado justamente para isso, pois tinha convicção de que aquele era o único jeito de ver Magnus. E então, elas começaram. Alec as sentia. Sua visão ficando turva e o equilíbrio abandonando-o, fazendo com que ele voltasse até a cama andando de quatro pelo chão.

Quando conseguiu sentar e levantou a cabeça, Alec o viu. O corpo alto e esguio — porém musculoso —, as roupas extravagantes, os olhos. Os olhos. As malditas esmeraldas com um leve tom dourado em formato quase felino que fizeram Alec se apaixonar. E que capturaram as íris oceânicas do moreno no primeiro momento em que se conheceram, o fazendo se destacar de uma multidão de pessoas. E ele não fazia ideia se tinha preferência pelos olhos ou os lábios de Magnus.

Os lábios celestiais que levavam Alec ao delírio todas as noites, sussurrando o nome do moreno com a voz falha e rouca, soltando gemidos entre um beijo e outro. O moreno ainda sentia cada toque deixado por Magnus por toda a extensão de sua estrutura física ao longo dos meses. Cada selar de lábios, cada vez que as mãos entravam por dentro de suas camisas sem graça normalmente pretas, cada adorável beijo de esquimó. E doía profundamente não poder senti-los mais.

Alec foi tirado de seus devaneios ao ver o indonésio se aproximando com um sorriso enorme no rosto. Como sentia falta daquele sorriso. Quando Magnus chegou perto o suficiente, para se inclinar sobre o moreno, Alec riu. Não havia feito isso nas últimas duas semanas com tanta frequência.

— Alexander — ouviu seu nome ser chamado.

— Oi, Mags — respondeu, sem parar de sorrir como um bobo.

— O que está fazendo? — Magnus parecia preocupado. Alec franziu a testa. O que estaria angustiando o indonésio?

— Estou falando com você, meu amor. — O moreno falou, como se fosse óbvio.

— Não, Alec... — Magnus se abaixou, ficando ajoelhado, encarando as íris cor de topázio azul. — O que está fazendo com sua vida, meu anjo?

Alec não tinha resposta. No fundo, ele sabia que afundava mais e mais a cada dia. Mas também sabia que sairia dessa vivo. Sobreviveria. Precisava sobreviver. Ele sempre sobrevivia.

— Faço tudo que for possível para ver você, Mags. Tudo, tudo, tudo... — Alec murmurou mais alguns “tudo” antes de rir bobamente.

— Não pode mais fazer isso, meu amor.

O moreno suspirou de saudade. A voz de Magnus era a mais perfeita melodia que já invadiu a audição de Alec. E era uma das coisas que ele mais sentia falta.

— Por que não? Preciso ver você de algum jeito...

Doeu dizer aquilo. Alec sabia que a culpa era unicamente sua. Mas sua alma queimava e sangrava, clamando por um único sinal de vida do indonésio. Que ele nunca receberia.

— Alec... Meu doce Alec... — Magnus se aproximou mais, tocando uma mecha negra do cabelo sedoso de Alexander que estava fora do lugar. — Você está se matando. Pouco a pouco... A cada gota de álcool em seu sistema circulatório. E sabe disso.

Ele sabia, sim. Ainda acreditava que não conseguiria atingir o fundo do poço. Que conseguiria sair dessa. Mas ele sabia que, em algum momento, deixaria o mundo pra trás. O moreno não tinha mais resistência. Então, apenas assentiu, respondendo à pergunta não feita.

— Isso é tudo por minha causa? — Magnus indagou.

— É claro que é! Você me deixou! — Os olhos de Alec continham lágrimas agora, algumas já escapavam sem sua permissão.

— Alexander... A culpa não foi minha, meu amor. E você sabe disso. — O indonésio levou suas mãos até o rosto do moreno, fazendo-o se inclinar na direção do toque e fechar as pálpebras. A culpa pesando em seus ombros. — Você precisa parar. Parar de se culpar, parar de beber e usar drogas, parar com tudo que está afundando você.

— Eu não consigo, Magnus... — Alec sussurrou. — Não dá. Tudo sempre me lembra você, e quando eu lembro de você, eu só quero me matar pelo que fiz. Nem sei porque ainda estou aqui.

— Você está aqui porque é forte, Alexander... Sempre foi forte. Você consegue fazer isso.

— Não consigo... Não sem você. — Ele retrucou. Magnus sorriu ternamente.

— Você sabe que não estou aqui de verdade, certo?

— Claro... Eu faço tudo isso porque sei que você nunca vai voltar. — Alec riu. — E eu preciso ver você de alguma forma, porque você não está mais aqui por minha culpa.

— Você tem pessoas que cuidam de você, Alec. Consegue passar por isso. Eu prometo que não estarei aqui fisicamente, mas estarei aqui — Magnus guiou sua mão até o peito de Alec, colocando-o em cima do coração que batia retumbante por baixo de toda a pele morena.

— Por favor, não vá... Não consigo sobreviver aqui sozinho... — O Ligthwood encontrou os olhos esmeralda do indonésio. — Não consigo ver você indo embora de novo.

— Feche seus olhos — Magnus sussurou.

Alec negou com a cabeça.

— Feche, meu anjo.

Dessa vez, obedeceu. As lágrimas escorrendo como um rio desgovernado. Antes que voltasse a si, ouviu o indonésio dizer:

Precisa me deixar ir, Alexander.

E então ele abriu novamente as pálpebras. E estava sozinho de novo. Começou a gritar, se desesperando, e levantou-se. Pegou a primeira coisa que viu na frente, um abajur em cima de sua cômoda, e o jogou longe. Rasgou suas roupas, socou as paredes, quebrou garrafas de bebida. No fim, caiu no chão, sem conseguir levantar. Apoiou as mãos no vidro, sem sentir dor alguma quando se cortou várias e várias vezes. Seu corpo inteiro tremia, e ele não parava de gritar. Sozinho. Já faziam duas semanas que estava completamente sozinho.

~*~

“You watch me bleed until I can’t breathe,

I’m shaking, falling onto my knees.”

Quando Alec voltou a si, sabia que não estava sozinho. Havia apagado por horas, e agora já era noite. Ele sabia que as memórias voltariam a encher sua mente e ele não tinha muitos minutos de paz. Procurou pela sala quem estava ali, a cabeça doendo como o inferno fazendo sua visão ficar turva. Enxergou Isabelle, sua irmã, no outro lado do cômodo falando ao telefone. Tentou focar para conseguir ouvi-la, mas não conseguia. Ele ouviu palavras soltas, coisas como “Magnus”, “sangue” e “cortes”. Viu todo o vidro quebrado no chão, e sabia que havia feito aquilo. Seu olhar vagou pelo local até que conseguisse falar alguma coisa, tentando anotar mentalmente o estrago que havia feito.

— Izzy... — Chamou, fraquinho. Isabelle ouviu, desligando a ligação imediatamente e correndo na direção do irmão.

A morena se abaixou ao lado de Alec, pousando a cabeça do Lightwood mais velho nas pernas. Ele gemeu baixo de dor, devido aos longos cortes em suas mãos, e Isabelle se alarmou.

— Irmão, por que fez isso? Eu estava tão preocupada quando você não atendeu o telefone e resolvi passar aqui e... Alec? — Ela parou de falar quando percebeu que seu irmão encarava um ponto aleatório no teto. — Alec, você vai ficar bem. Eu prometo. Já chamei a ambulância. Fale comigo!

Mas Alec não a ouvia mais. Quando as lembranças começaram a aparecer, ele fechou os olhos, fazendo o máximo para não lembrar, mas era impossível. Todos os dias, a mesma rotina. Ele bebia para esquecer, alucinava, e quando voltava a si, tudo vinha novamente. Assim como estava acontecendo agora. Antes de destruir qualquer resistência às memórias que ainda tinha em seu corpo, ele sussurrou o nome de Magnus. E permitiu-se vagar pelas recordações.

~*~

“Tripping over myself,

Aching, begging you to come help.”

“O primeiro beijo.

Alec ainda lembrava exatamente como havia sido.

Ele lembrava de ter ido na casa de Magnus, porque Jace havia implicado tanto dizendo que ele nunca teria coragem de admitir tudo que sentia pelo indonésio. Então ele foi. Agora, encarava a porta enorme de madeira da casa onde a família do homem que amava vivia. Respirou fundo, puxando todo o fôlego que conseguia armazenar, e tocou a campainha. Uma. Duas. Três vezes. Na terceira, ouviu passos se aproximando. Quando Magnus abriu a porta, Alec travou. Tinha certeza que não havia visto ser humano mais bonito na face da Terra.

Tudo bem, Alec não conhecia muito do planeta, mas já havia visto o suficiente. Magnus sorriu ao vê-lo, e o moreno de olhos azuis só queria empurrá-lo na parede mais próxima e beijá-lo. Mas então lembrou o real motivo de ter ido ali, e não conseguiu falar. Ficaram se encarando por, no mínimo, cinco minutos, até que o indonésio risse e perguntasse se ele queria entrar. Ele aceitou, assentindo freneticamente.

A casa era mais do que aconchegante, na opinião de Alec. Tinha fotos de família, como a que foi tirada no dia em que o irmão de Magnus, Ragnor, se formou, e eles reuniram a família inteira para comemorar tal feito em um churrasco enorme. Alec se lembrava das histórias de família que ouvia do indonésio, e adorava cada uma delas. Sentia que quando Magnus falava da família, ele conhecia mais e mais um outro homem de olhos cor de esmeralda. Não aquele que intimidava qualquer um com sua altura e seus músculos, mas o menino sonhador e brincalhão que Magnus conseguia ser. Alec via os olhos brilhando ao falar com orgulho do irmão, ou até mesmo dissertar sobre os países que ainda iria conhecer.

Alec sentia que Magnus era uma pessoa completamente diferente perto de si. E cada dia que passava, ele se apaixonava mais e mais. Até que percebeu que o amava. Percebeu que daria sua vida por ele em um piscar de olhos, se isso significasse que Magnus viveria eternamente feliz e bem. E fez o terrível erro de revelar esse amor a Jace, que o instigou tanto a contar para o indonésio, até que Alec se cansou e realmente foi.

Agora que estava ali, não conseguia falar. Quando Magnus segurou sua mão e o levou até o sofá, ele suspirou. E então disse. Tudo que sentia que precisava dizer. E depois de basicamente recitar a Bíblia inteira em dois minutos, Magnus colocou sua mão sobre a boca de Alec. De início, o moreno não entendeu e achava que tinha feito algo errado, então já iria se levantar, mas de repente, Magnus se aproximou e beijou a bochecha avermelhada do menino de olhos cor de topázio azul. O indonésio sussurrou “eu amo você também, Lightwood” no ouvido de Alexander, fazendo-o corar e sorrir.

E então, Magnus o beijou. O mundo inteiro parecia simplesmente não existir, era como se tudo tivesse parado ali, naquele momento. Alec ainda lembrava das borboletas que percorriam seu estômago naquele exato momento e de como ele tinha medo de colocar as mãos em um lugar errado e estragar tudo. E droga, como ele queria voltar para aquele minuto de sua vida e simplesmente desfazer tudo de ruim que causou a partir dali. Mas não iria acontecer. Tudo havia desmoronado sem nem aviso prévio, por culpa dele. A culpa que ele carregaria eternamente.”

~*~

“Now I’m gonna reap what I sow.

I’m left seeing red on my own.”

“A primeira vez.

Como esquecer?

Alec lembrava como se fosse ontem. Tudo ocorreu de uma forma extremamente natural, depois de um encontro incrível que os dois haviam tido. Já estavam com 6 meses de namoro, e tudo estava fluindo melhor do que nunca na vida de Alexander. Ele estava amando. Pensava em Magnus dia e noite, a cada segundo, minuto e hora que passava. E Magnus sentia o mesmo. Então, quando Alec foi levar seu namorado para casa, o indonésio o convidou a entrar. Ele aceitou.

O moreno não lembrava bem o que vinha logo após isso, mas tinha memórias perfeitas dos beijos trocados pelo quarto de Magnus. Ele segurando sua cintura contra a parede, descendo dos lábios até o pescoço com avidez. Desejava-o para si, como nunca havia desejado outro alguém. E Magnus parecia ter fome. Uma fome por Alec que nunca se saciaria. Ele se lembrava de todos os sussurros trocados pela noite, todos os toques feitos com carinho, os gemidos, as juras de amor. Alec lembrava. Nunca poderia esquecer.

Tudo ainda estava fresco em sua memória. Magnus chamando seu nome como uma adoração, a voz rouca ecoando pelo quarto inteiro. Alec pedindo por mais, e mais, e mais. Mais fundo, mais forte, mais vezes. E Magnus sempre dava mais. E mais. E mais. Sempre daria tudo de si para Alec, afinal. Magnus às vezes tinha a impressão de que roubaria a lua e todas as estrelas do céu para dá-las a seu namorado, se assim ele pedisse. Isso poderia parecer louco para quem os visse de fora, mas os dois sabiam bem o que fariam um pelo outro.

Talvez rememorar aquilo tudo doesse, e fosse ruim para o moreno. Mas era inevitável. Ele queria que esses dias retornassem para sua vida. Queria ficar nos braços de Magnus em um pause eterno. Lembrava de ficar perguntando ao indonésio se podia ficar com ele pra sempre. Passar todos os dias de sua vida ali, ao lado da pessoa que amava. E Magnus sempre ria, assentindo com a cabeça e o abraçando mais forte. Alec queria ter ficado.

E agora não haviam mais braços calorosos para o recepcionar quando chegasse em casa.”

~*~

“Needle and the thread,

Gotta get you out of my head.

Needle and the thread,

Gonna wind up dead.”

“A primeira vez que ficou bêbado.

Alec gostaria de não lembrar da fatídica noite em que o fim teve um início. Mas ele lembrava.

O enterro de Max havia sido horas antes, e o moreno havia chorado até não poder mais. Seu irmãozinho, seu porto seguro, a pessoa que ele protegeria de tudo que fosse necessário. E agora, seu corpo se encontrava em um caixão de madeira. Alec voltou para casa sozinho, sentou-se no sofá e gritou. Quebrou tudo que viu pela frente. Até que resolveu beber. A primeira vez foi apenas o começo.

E então houve uma segunda. E uma terceira. E uma quarta. Até que se criou uma freqüência. Alec fingia estar bem de manhã, mas assim que chegava em casa, bebia todos os líquidos alcoólicos que encontrasse. Para então, no dia seguinte, comprar mais e manter seu estoque. Quando Magnus descobriu onde Alec guardava tudo aquilo, jogou fora cada uma das garrafas. Os dois brigaram feio, mas o moreno aceitou. Entendeu. E, no dia seguinte, enquanto Magnus estava no trabalho, Alec andou de um lado pro outro, pensando. Tremendo. Chorando. Ele queria mais. Precisava de mais. Então, foi até o lugar mais próximo que vendia bebidas e comprou mais. E bebeu outra vez. Iniciando um novo ciclo que Magnus acabava fazendo parte sem querer. O moreno de olhos oceânicos lembrava de todas as vezes que havia discutido sobre aquilo com seu namorado, e de nada adiantava o que o indonésio dizia.

Alec era apenas um garoto estúpido de luto. Que precisava afogar as mágoas em alguma coisa. A bebida foi a solução. Ele não imaginava que se tornaria um vício. E que levaria a outros caminhos tortuosos que pareciam bonitos, mas na verdade só havia destruição e miséria.

E Alec desejava poder voltar e nunca ter tocado na maldita garrafa de whiskey pela primeira vez.”

~*~

“And now that I’m without your kisses,

I’ll be needing stitches.”

Alec voltou a si, buscando por oxigênio. Ainda tinha sua cabeça apoiada nas pernas de Isabelle, que acariciava suas mechas negras. Ele se desvencilhou dos braços da irmã, fazendo com que a mesma se alarmasse. O moreno rastejou até a parede mais próxima, colocando suas costas contra a mesma, abraçando os joelhos. Ignorou a dor excruciante que percorria seus braços por conta dos cortes no vidro, e chorou. Izzy estava com medo de se aproximar, então apenas pegou seu celular novamente, tentando fazer com que a ambulância chegasse mais rápido.

Alec levantou com dificuldade, e continuou apoiado na parede. Gritou com tudo que tinha, fazendo seus pulmões doerem. Começou a chamar por Magnus. Sempre Magnus. Era sempre ele quem Alec chamaria. Sua irmã assistia tudo, com as duas mãos na boca e lágrimas escorrendo por seu rosto, borrando a maquiagem. Se aproximou lentamente, tocando os ombros do Lightwood mais velho, que tremeu inteiramente quando sentiu a mão de Izzy em sua pele morena. Alec se afastou bruscamente, vagando sem rumo pela sala. Perdeu o equilíbrio ao tentar chegar na porta e caiu com tudo no chão, mas não se importava. Não se importava com mais nada. Queria ir até Magnus. Pedir perdão. Precisava disso.

Isabelle olhou pela janela, vendo a ambulância chegar, e murmurou um “graças a Deus”, abrindo a porta. Rapidamente, médicos começaram a entrar puxando uma maca, e colocaram Alec nela, que se debateu um pouco no começo, mas depois se entregou sem resistência. O moreno olhou para Izzy, e sussurrou:

— Ele não está aqui?

A Ligthwood não respondeu. Apenas balançou a cabeça negativamente, se aproximando enquanto os médicos checavam pressão arterial e freqüência dos batimentos cardíacos. Izzy pegou a mão do garoto e fitou os olhos cor de topázio azul.

— Ele se foi, Alec... — A garota falou, passando a mão que estava livre pelos cabelos do irmão.

O moreno se permitiu apreciar aquele toque, que lembrava as vezes que Magnus acariciava seus cabelos. Sentia falta de tudo em Magnus. O sorriso branco que brilhava na luz do sol, a pele dourada, os braços longos que o seguravam com firmeza, os olhos felinos dourado-esverdeados, o cabelo que estava constantemente cheio de glitter. E Alec entendeu. Entendeu que ele não voltaria. E entendeu que, sem os beijos, as carícias, os apelidos... Sem Magnus, precisava de pontos. Não nos braços cortados que não paravam de sangrar por um segundo sequer.

Precisava de pontos na alma, que estaria sempre corrompida pela culpa sentida por Alec. Precisava de pontos no coração frágil e quebrado, que ardia como nunca chamando por Magnus. Precisava de pontos em tudo que havia dentro de si. Porque tudo havia sido destruído com a partida do indonésio.

E Alec sabia que nada iria se cicatrizar.


Notas Finais


E é isso. Não, não teve um final feliz, porque às vezes a gente não tem um final feliz em nossas vidas pessoais! E nem tudo é exatamente um mar de rosas, infelizmente :/ Se você está lendo até aqui, essa mesma amiga que me disse para postar, pediu para que eu fizesse a versão Magnus dessa one-shot, mostrando o lado dele nessa história toda. E eu vou fazer sim! Não sei quando postarei e SE postarei, mas talvez vocês a vejam aqui em algum momento. Obrigada por ler, desculpe qualquer coisa e comenta aqui embaixo o que você achou. Até minha próxima long-fic ou one-shot!
BEEEEEIJO!


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