História Storge - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Gang!au, Gangue, Jikook, Namjin, Vhope
Visualizações 12
Palavras 3.815
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Ola pessoal, queria pedir desculpas porque era pra este capitulo sair ontem, mas fiquei enrolando para revisar então só veio hoje mesmo hahahahaha
Espero que gostem!
Boa leitura ^^

Capítulo 2 - Caught in a lie


Fanfic / Fanfiction Storge - Capítulo 2 - Caught in a lie

Sexta-feira, 26 de Setembro de 2014. 23:40. Jimin.

Caught in a lie
Find the me that was innocent
I can’t free myself from this lie
Give me back my laughter

Pare de tremer, Park Jimin. Disse para si mesmo, em sua cabeça. Estatística

Sabia que o que estava fazendo era errado, mas com sua irmã na situação em que estava, Jimin não vira muita escolha. Sempre soube que Yoongi era envolvido com coisas assustadoras, eram vizinhos desde crianças e ele sabia muito bem o tipo de pais que o mais velho tinha e qual fora o modo que encontrara de se virar sozinho. Porém, apesar da vizinhança preocupante, o Park nunca fora para esse lado. Ele e sua irmã mais nova, Chaeyoung – que preferia ser chamada de Rosé, apelido que ganhara durante o tempo em que vivera em um internato feminino na Austrália em sua pré-adolescência – apesar de terem sido criados na humildade, tiveram a melhor das criações. Park Soo era uma mãe dedicada e muito correta, sempre ensinando os filhos a serem pessoas boas acima de tudo. Porém, ao partir deixou-os sozinhos com um padrasto altamente inútil e que não dava a mínima para os enteados. E para piorar, Chaeyoung havia sido diagnosticada com câncer de pulmão alguns meses antes da mãe partir. O tratamento era caro, mas a mulher conseguia manter. Porem, estando sozinho, Jimin se vira obrigado a se esforçar em vários empregos temporários para pagá-lo, mas aquilo não estava mais sendo o suficiente. Por isso, em um momento de desespero, resolveu pedir ajuda a Yoongi.

E ali estava, a caminho de algo que ele não fazia ideia da gravidade, prestes a entrar em uma via sem volta de crimes. Sabia que se arrependeria profundamente um dia, mas contanto que ganhasse dinheiro o suficiente para pagar o tratamento da irmã, não se importaria.

Olhou de canto de olho para o lado, aonde o garoto recém-chegado se sentava, parecendo distraído com as próprias unhas. Ele não parecia perigoso. Não possuía o ar de violência fria e calculada de Yoongi, e nem mesmo causava uma impressão assustadora como o motorista, que Yoongi apresentara apenas como Monster. Parecia estranhamente normal, e jovem, apesar de ser bastante alto. Percebera que ele pulara o muro de um orfanato, e não pôde deixar de se perguntar o que levara um garoto órfão de aparência comum a entrar para aquela vida. Talvez ele também tivesse alguém para proteger, concluiu, mesmo sabendo que as chances disso ser verdade eram mínimas. Provavelmente estava ali para proteger a si mesmo.

Quando Monster finalmente parou o carro, o estômago de Jimin se revirou e ele sentiu uma vontade imensa de vomitar. Não ficaram mais que dez minutos no veículo, mas parecera uma vida inteira, e ele desejava que a viagem tivesse durado mais. Não queria fazer aquilo, mas agora que estava ali, não tinha escolha se não ir em frente.

Estavam no que percebeu ser a parte de trás de um posto de gasolina que ainda se encontrava aberto. As luzes não chegavam a iluminar o lugar onde estavam, mas caso saíssem dali ele não conseguia ver nenhum caminho que pudessem fazer para chegar a loja de conveniência sem serem notados. Já sentiu o arrependimento bater em sua cara, mas logo lembrou-se dos números no papel que o médico de Chaeyoung o mostrou, indicando o preço de sua curta estadia no hospital e dos remédios que ela precisava tomar. Ela precisava daquilo, e se cometer um crime era o necessário para que Jimin a ajudasse, então ele cometeria mil crimes se fosse necessário.

 – Muito bem, aqui vai o plano. Preste bem atenção, novato, porque eu não vou repetir. – disse Monster, olhando por cima do banco diretamente na direção de Jimin. – Você e o órfão vão entrar e fingir serem clientes normais, enquanto Suga trabalha para desligar a energia. Assim que as luzes apagarem, um de vocês cria uma distração do outro lado da loja que atraia a atenção de quem quer que esteja lá enquanto o outro pega o dinheiro do caixa. Vocês têm aproximadamente dez minutos até que a polícia venha verificar o pane no alarme da loja, e isso deve ser mais que o suficiente para pegarem a grana e darem o fora dali. Se alguém tentar entrar ou sair, eu cuido disso. Estão entendidos?

Os dois no banco de trás concordaram com a cabeça. Jimin engoliu em seco, mas ao olhar para o garoto ao seu lado não conseguiu interpretar o que ele sentia. Tinha uma máscara perfeitamente calma no rosto, o que o assustou, pois parecia que não era a primeira vez que fazia algo do gênero.

 – Se algo der errado, o órfão sabe para onde precisam ir e esperar até que alguém faça contato. – o loiro continuou – Se tentarem alguma gracinha, ou se não estiverem no lugar combinado...

Ele não precisava terminar a frase para que ambos soubessem que estariam em apuros. E Jimin definitivamente não queria descobrir que tipo de apuros.

Os três saíram do carro silenciosamente, e enquanto Yoongi foi para a parte de trás da loja aonde provavelmente estavam as chaves de energia, Jimin seguiu o garoto do orfanato até a loja. Pouco antes de entrarem, este parou, olhando em sua direção.

 – Eu acho melhor eu fazer a parte da distração. – sussurrou. – Se alguém tentar me atacar, eu sei me defender. Pegar o dinheiro vai ser mais fácil.

Jimin quase contestou. Ele sabia brigar, mesmo que na maior parte das vezes preferisse não fazê-lo. Mas então percebeu que aquele provavelmente não era o melhor momento para deixar seu orgulho falar mais alto, por isso apenas concordou com a cabeça. Não estava em posição de discutir com alguém que claramente sabia muito melhor do que ele o que estava fazendo.

Entraram na loja tentando aparentar o máximo de normalidade possível. Jimin analisou algumas prateleiras próximas ao caixa, sem realmente prestar atenção no que estava olhando, enquanto o outro encaminhava-se para o fundo da loja. Estava nervoso pelo que estava prestes a fazer, e tentou focar no rosto pálido de sua irmã deitada naquela cama de hospital para se acalmar e se lembrar do porquê de estar fazendo aquilo. Porém, o som de uma voz desconhecida vinda do fundo da loja chamou sua atenção.

 – Kook? Você não tinha saído com aquele seu am...

 – Taehyung, o que você está fazendo aqui? – a voz do moreno interrompeu o outro, e pelo tom de voz ele parecia nervoso. Jimin imediatamente percebeu que estavam com problemas.

Encaminhou-se para o fundo da loja e encontrou o garoto de cabelos castanhos conversando com um menino de cabelos loiros bagunçados. Este olhou na sua direção quando se aproximou, e o menino chamado Kook olhou por cima dos ombros, encarando o mais velho por vários segundos antes de voltar-se para o outro.

 – Tae, escuta, você precisa sair daqui. E rápido. – disse, tão baixo e rápido que Jimin quase não o entendeu. Mas quando compreendeu, lembrou-se das palavras de Monster antes de saírem do carro.

 – Ele não pode sair assim, você lembra o que ele disse sobre qualquer um que tentar sair. – sussurrou como o outro, e percebeu que o menino chamado Taehyung arregalava os olhos.

 – Kook, no que raios você está met...

Mas antes que pudesse terminar, foi interrompido pela voz do velho que estava sentado no caixa a apenas alguns segundos.

 – O que está acontecendo aqui? O que os três rapazes tanto cochicham? Por um acaso estão tramando alguma gracinha? Porque se estiverem, acho bom saberem que...

E bem naquela hora a energia foi cortada, mas não antes de os três verem claramente o revolver que o velho tirava do cinto.

Jimin correu cegamente na direção que sabia estar o balcão, visando se esconder lá atrás e pegar o dinheiro. O outro garoto dissera que cuidaria se alguém tentasse atacá-lo e assim ele confiou que faria, mas quando ouviu o barulho de tiro congelou. E se ele ou seu amigo louro tivessem sido atingidos?

Virou-se naquela direção, mas não viu nada, devido ao breu completo em que estavam. Não queria falar nada e nem acender a luz do celular, pois acabaria denunciando sua posição para o velho armado, mas o som de um urro o fez exclamar com o susto. Percebeu que quem fizera o som fora o velho, e logo em seguida ouviu um baque surdo de um corpo caindo no chão.

 – SOCORRO, SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDE, ESTOU SENDO ASSALTADO, SOCORRO! – gritou o velho, e Jimin sentiu-se paralisar no lugar, o medo tomando conta de seu ser. Não conseguia mover um músculo, sabendo que ou seria morto por Monster ou seria preso, e nenhuma das duas hipóteses parecia muito favorável, visto que em ambas delas Chaeyoung ficava sozinha e desamparada, sem ninguém que a ajudasse a pagar o tratamento.

Quase desmaiou de susto quando sentiu uma mão agarrar seu braço, mas tranquilizou-se ao ouvir a voz do parceiro.

 – Vamos, precisamos dar o fora daqui antes que a polícia chegue.

Deixou-se ser puxado, percebendo que este ligara a luz do celular com o brilho baixo, apenas para iluminar minimamente seu caminho até a porta dos fundos. Percebeu também que o garoto louro ainda estava com eles, e sentiu raiva do mesmo. Era culpa dele o assalto ter dado errado, e Jimin não fazia ideia de quais seriam as consequências daquela falha. Na verdade, preferia nem pensar nisso.

 – Nos devíamos voltar para o carro... – começou, mas o outro o interrompeu.

 – Você não prestou atenção na explicação? Se algo dá errado, a ultima coisa que devemos fazer é voltar pro carro. Isso atrairia atenção demais. Temos que continuar até o lugar marcado.

Jimin resolveu não contestar. Afinal, estava claro que o menino fazia isso a muito mais tempo.

Os três andaram rapidamente pelas ruas escuras, e em uma esquina o moreno mais novo parou, olhando para o amigo louro.

 – Tae, você precisa voltar para casa agora. Se eu não aparecer até de manhã, arrume alguma desculpa para a Sra. Jung. Diga que eu fugi de novo para procurar meu pai ou algo assim, só invente algo. Vou tentar te ligar mais tarde para dar notícias, mas se eu não ligar...

As palavras ficaram no ar, mas ambos sabiam o que elas significavam. O louro deu um abraço no outro, sussurrando:

 – Tenha cuidado, Kook-ah.

E em seguida saiu correndo rua abaixo.

O moreno não se deu ao trabalho de esperar que o amigo sumisse de vista. Apenas olhou para Jimin e fez um sinal com a cabeça para que o seguisse, andando na direção oposta à que o amigo fora.

Andaram por vários minutos até adentrarem um pequeno bosque que o Park vira diversas vezes, mas nunca dera atenção. Ali entre as árvores havia uma discreta cabana de madeira que circularam até encontrar uma porta, que o mais alto abriu e entrou, mantendo a porta aberta até que o outro entrasse, a fechando logo em seguida.

O silêncio que se seguiu era perturbador e tenso, como uma linha prestes a arrebentar. Não havia cadeiras ou um sofá sequer para sentarem, por isso acabaram se sentando no chão, um de frente para o outro, encostados em paredes opostas. Jimin não se atreveu a olhar na direção do mais alto por vários minutos, até que sentiu que iria explodir.

 – Que tipo de nome é Kook? – perguntou, tentando parecer relaxado, mas falhando ao perceber que sua voz tremia.

 – É Jungkook, na verdade. Jeon Jungkook. – ele parecia calmo, quase sereno, o que mais uma vez assustou Jimin. Mas não fez nenhum comentário sobre isso.

 – Eu sou Park Jimin. – disse simplesmente, mas se surpreendeu ao perceber que o outro arrastava-se em sua direção, estendendo a mão com um sorriso mínimo.

 – Muito prazer, Park Jimin.

O mais velho apertou a mão do outro timidamente, e este sentou-se ao seu lado.

 – Então, o que te trouxe até esse trabalho de merda? – Jungkook perguntou tranquilamente, quase como se tivessem falando sobre um trabalho como lavador de pratos ou entregador de jornais.

Jimin não sabia se podia confiar detalhes de sua vida para um garoto que acabara de conhecer, por mais confiança que ele exalasse, por isso respondeu apenas:

 – Circunstâncias desesperadoras. – e em seguida acrescentou: – E você?

 – Mais ou menos isso, também. – o outro respondeu.

O silêncio que se seguiu já não era mais tão desconfortável, apesar de ainda ser tenso. Jimin se permitiu observar a postura de Jungkook, tentando encontrar qualquer coisa que denunciasse seu medo ou nervosismo com a presente situação, mas não conseguiu nada. Ele parecia calmo, os joelhos dobrados contra o peito e os braços apoiados nos joelhos não estavam tensos, e suas mãos brincavam com as próprias unhas mal cortadas, arrancando pequenas lascas e as jogando no chão distraidamente. Ele era bonito. Muito bonito. Os cabelos acastanhados conferiam um estranho contraste para sua face ligeiramente pálida, e apesar de aparentar estar abaixo do peso normal, dava para ver alguns músculos interessantes em seus braços cobertos pela camisa de manga comprida.

Passou tanto tempo olhando para o outro que não percebeu quando este o olhou de volta, e assim que notou virou o rosto para frente, repentinamente se sentindo constrangido. Pigarreou para tentar disfarçar e perguntou, tentando não parecer nervoso:

 – Quanto tempo geralmente demora até que alguém faça contato?

 – Depende. Já cheguei a passar uma noite inteira nessa cabana esperando Suga hyung, e em outra ocasião ele apareceu um minuto depois. Varia dependendo do quanto foi difícil lidar com os restos do problema. – respondeu, com uma tranquilidade que Jimin não pôde evitar ficar assustado de novo. Não gostou de como a palavra “restos” soara e preferia não pensar no que ela significava. Ao invés disso, focou-se em se surpreender com o quanto aquele garoto parecia tranquilo com tudo isso. Quase acostumado, como se fizesse isso desde sempre. E antes que percebesse, a pergunta escapou:

 – Quantos anos você tem, Jungkook?

 – Dezessete, por quê? – ele respondeu, franzindo o cenho.

Jimin sacudiu a cabeça, tentando não encará-lo. Dezessete anos era a idade de Chaeyoung. Aquele garoto lindo e potencialmente perigoso tinha a idade de sua irmã mais nova, e aquilo fez seu estômago saltar mais uma vez.

 – É só que... Você é tão jovem para estar metido com, bem, essas coisas. Minha irmã tem dezessete anos e sequer sai de casa, enquanto você...

Só então percebeu que o outro sorria, em partes entretido e em partes zombeteiro.

 – Quantos anos você tem, afinal? Com toda essa altura achei que fosse mais novo que eu.

O Park se sentiu constrangido de novo. Novamente a sua altura, ele odiava falar da sua altura.

 – Eu faço dezenove em menos de um mês. – respondeu, sorrindo involuntariamente.

 – Mas que grande diferença entre eu e você. – disse o outro sarcasticamente.

Jimin não respondeu, apenas sorriu de lado. Não tinha como explicar para ele que sim, fazia muita diferença. Quando ele próprio tinha dezessete anos, as coisas eram muito diferentes. Ele tinha uma mãe que cuidava de tudo, e não precisava se preocupar com nada além de sua dança. Claro que se preocupava com a saúde de Chaeyoung, perdia o sono ao pensar em perder sua irmã para aquela doença horrível, mas naquela época, cuidar disso não era sua responsabilidade. Ele podia descontar as preocupações na dança. Era uma criança ingênua e egoísta, que acreditava fielmente que a mãe resolveria tudo sozinha.

Tudo mudou quando ela os deixou. Ele tinha acabado de completar dezoito anos quando aquele acidente de carro a levou embora, e então teve que pegar para si a responsabilidade de cuidar da irmã. Então para ele, havia sim uma enorme diferença entre dezessete e dezoito-quase-dezenove anos de idade. Mas o mais novo não precisava saber disso. Não naquele momento.

Permaneceram em silêncio durante vários minutos, até Jungkook falar.

 – Eu comecei com isso aos treze, caso queira saber. Um dia eu estava na rua com um amigo... Em determinada circunstância e... Bem, digamos que uns caras não gostaram do que viram e queriam me espancar por isso. Mas então Kim Hajun, pai do Namjoon, nosso motorista, apareceu e os impediu, e desde então disse que eu devo a minha vida a ele e eu sou obrigado a fazer tudo o que ele manda. É claro que ele nunca mais falou pessoalmente comigo, só manda Suga entregar seus recados e me direcionar para trabalhos, e eu até consigo ganhar uma grana com isso, se quer saber. Se estou vivo até agora é porque devo estar fazendo um bom trabalho.

E ali estava o sinal de nervosismo que Jimin achava que não existia. Jungkook passou a arrancar lascas de suas unhas com mais ferocidade enquanto contava a história.

Tentou imaginar quais as circunstâncias que levaram aqueles dois garotos a irritar o suficiente um grupo de homens para que esses quisessem espancá-lo covardemente, e só conseguia pensar em uma hipótese. Ele próprio já passara suas situações complicadas por isso, mas não tivera o azar de ser quase espancado ou ser salvo por um bandido.

O outro não dissera nada que pudesse leva-lo a tal conclusão, mas havia algo em seu subconsciente que o dizia que ele estava certo. Ele sentia isso, em seus ossos, e acabou se solidarizando pelo Jeon. Se estivesse certo, podia entender completamente o porquê do outro não falar sobre isso. Eram os mesmos motivos que levavam o próprio Park a manter caladas algumas coisas sobre si, mesmo que às vezes elas gritassem e insistissem para que fossem libertadas.

Como naquele momento, em que elas berravam e se desesperavam vorazmente dentro de seu peito enquanto observava o mais novo arrancar lascas das próprias unhas.

Mais uma vez percebeu que o outro também o encarava, mas dessa vez não sentiu o impulso de desviar o olhar. Continuaram se encarando, praticamente engolindo um ao outro com os olhos, as respirações presas, esperando algo que poderia estar por vir. Que deveria estar por vir. Que eles queriam que estivesse por vir.

Sem perceberem, os dois se aproximavam, como lados opostos de um imã sendo atraídos naturalmente um para o outro por uma força magnética invisível, mas muito real. Suas testas estavam prestes a se encontrar, os lábios de ambos abertos e sedentos por um toque, mínimo que fosse. Os olhos se fechando lentamente...

Mas antes que qualquer uma dessas ações pudesse ser concluída, os dois foram interrompidos pelo som da porta se abrindo, parecendo estrondoso no silêncio profundo em que a cabana estava mergulhada.

 – Essa maldita cabana não tem uma cama justamente para que perdedores como vocês não inventem de querer transar aqui dentro, sabiam? – disse Yoongi amargamente, mas seu olhar era divertido.

Jimin levantou-se rapidamente, constrangido pela situação, mas Jungkook parecia mais irritado do que qualquer outra coisa, o que fez seu estômago se contorcer dolorosamente.

 – E então, estamos mortos ou o quê? – perguntou o mais novo enquanto se levantava, e o outro apenas deu uma risada zombeteira.

 – Não dessa vez, órfãozinho. Mas não sei se posso dizer o mesmo do seu amigo loirinho. – deu para perceber que Jungkook empalidecia, mesmo na luz fraca da lanterna de Yoongi. – Monster falou para o chefe que não foi culpa de ninguém, que o velho se descontrolou sem vocês terem feito nada, mas ele está louco para punir alguém. A sorte é que as câmeras de segurança daquela espelunca estavam quebradas, e a única coisa que eles têm contra vocês é o depoimento de um velho que os próprios policiais já perceberam ser maluco, mas sugiro que vocês fiquem fora de vista por enquanto. Isso inclui o loirinho.

Os dois assentiram, mas Jimin não pôde deixar de perguntar.

 – E o nosso dinheiro?

Yoongi levantou as duas sobrancelhas em surpresa.

 – Aquele que você fugiu antes de pegar?

 – Mas nós arriscamos a nossa vida...

 – E falharam. Não tem dinheiro a não ser que o trabalho seja concluído, Park. Ponto final.

Jimin deu um passo para trás, pessoalmente ofendido pelas palavras do mais velho. Yoongi pareceu perceber que o havia magoado, pois as próximas palavras saíram em um tom de voz menos ríspido.

 – Olha, eu sei que a situação da sua irmã é complicada. E você sabe que eu me importo muito com ela, de verdade. Mas eu não faço as regras. Eu só estou nisso a muito tempo e tenho a confiança do filho do chefe, mas isso não é o suficiente para me dar qualquer autoridade. Então, se quer um conselho, sugiro que volte a lavar pratos e limpar jardins. Você vai conseguir dinheiro mais fácil assim do que tentando entrar voluntariamente num mundo aonde você claramente não pertence. Você tem uma escolha, Jimin. Diferentemente de mim, ou do Jungkook, ou até mesmo do Monster, você pode apenas escolher voltar atrás e fingir que nada disso aconteceu, aproveitar que o chefe ainda não sabe a sua cara e não pode ir atrás de você. Você não vai ter como salvar a Rosé se for assassinado por um bandido como Kim Hajun.

Aquelas palavras atingiram Jimin ainda mais profundamente que as anteriores. O Min estava certo, ele sabia disso. Acreditara que aquela era a única forma de ajudar sua irmã, mas sabia que ainda havia outras opções. Ele só não as encontrara ainda. Por isso apenas respirou fundo e assentiu, concordando com as palavras do mais velho, que parecia aliviado por ter conseguido convencê-lo.

Só então percebeu que Jungkook descobrira quais foram suas “circunstâncias desesperadas” que o levaram até aquele trabalho, mas não se sentia incomodado por isso. Na verdade, sentia-se aliviado.

 – Agora dêem o fora daqui, vocês dois. Antes que mais alguém chegue.

Jungkook e Jimin se sentiram mais que felizes em obedecer aquela ordem, saindo rapidamente da cabana. Andaram silenciosamente um ao lado do outro, ambos ligeiramente envergonhados e sem conseguirem dirigir a palavra ao outro. Ao chegarem na estrada, perceberam que pegariam caminhos opostos.

 – Aqui não é muito longe até o... Bem, até onde eu moro. – disse Jungkook, olhando para o mais velho. – Posso chegar lá a pé em meia hora. Precisa de dinheiro para um táxi?

Jimin sorriu, pois nem ele mesmo havia pensado em se preocupar com isso.

 – Não precisa, estou a menos de dez minutos da minha casa. – respondeu simplesmente. – Mas muito obrigado, de qualquer forma.

O outro deu de ombros.

 – Então até mais, Park Jimin.

 – Até mais, Jeon Jungkook.

E com isso cada um seguiu seu caminho.

Só então Jimin percebeu que o sol nascia, e repentinamente lembrou-se de algo que sua mãe sempre lhe dizia: “Você só começa a viver de verdade quando se permite parar pra observar o sol nascendo com alguém especial.”

E então o moreno olhou para trás, e percebeu que o mais novo também observava o sol, com um sorriso maravilhado e tão infantil que o fez parecer ainda mais novo, quase inocente. E então olhou para Jimin, e ambos sustentaram aquele olhar por mais longos segundos antes de voltarem a seguir seu caminho, cada um com seus pensamentos na cabeça, mas todos eles seguindo na mesma direção.

Será que voltariam a se ver algum dia?


Notas Finais


Só queria dizer que eu tenho um estilo de escrita meio enrolado, então sim, o tempo demora bastante pra passar porque eu dou muita atenção as coisas que acontecem nos dias. Espero que não se incomodem com isso!!
Ate o próximo capitulo!


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