História Strawberry and Coffee - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jin, Suga
Tags Bangtan Boys, Bts, Coffee, Coffee Shop, Jin, Kim Seokjin, Min Yoongi, Strawberry, Suga, Yoongi, Yoonjin
Exibições 71
Palavras 4.178
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Esta é a primeira vez que eu escrevo uma história em primeira pessoa. Sinceramente não sei se ficou boa a narrativa - para isso existe os feedbacks, hehe. =)

Espero que gostem!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Como para aproveitar o momento, eu bebericava algumas vezes o meu café expresso, enquanto lia um de meus pequenos livros de romance. A cafeteria era aconchegante e tocava uma música muito bonita, uma música pop japonês em que a cantora tinha uma voz fina e suave - adoraria identificar quem era para poder ouvir depois. Pousei a xícara branca com detalhes em marrom na mesa, assim como também o meu livro pequeno. Para me sentir mais confortável, cruzei as pernas e os braços. Olhando para o lado de fora da janela, percebi que do céu esbranquiçado estavam caindo os primeiros flocos de neve da estação. O inverno não era uma estação em que eu gostasse tanto, o frio era insuportável e eu tinha que vestir muitos casacos. Meu corpo é muito magro e fraco para o frio! Mas não podia de deixar de admirar a beleza da neve.

Passei as mãos em meus braços, como um abraço em mim mesmo. Até mesmo dentro da cafeteria estava um pouco frio, os funcionários vestiam casacos pesados. Aquele ano seria o mais frio, dito nos jornais. Ontem mesmo estava eu no meu pequeno apartamento, brincando com meu poodle toy marrom na sala quando me deparo com a notícia de que a neve viria mais cedo, tempestades de neves estavam prevista e temperatura cairia bastante no primeiro mês de inverno, mas depois esquentava.

— O inverno realmente é incrível, né. — disse enquanto tomava mais um curto gole do meu café expresso.

— Com licença, senhor. Deseja mais alguma coisa? Mais uma xícara de café? — perguntou a funcionária da cafeteria, ela era muito atenciosa comigo e até mesmo algumas vezes parava para conversar.

— Ah... não. Está tudo bem. - fiquei olhando para ela enquanto soltava um sorriso singelo. A menina era muito bonita, mas não fazia o meu tipo. — E... você pode me chamar pelo meu nome, acho que não precisamos mais de formalidades.

— Hum... — mordeu o lábio inferior, pensativa. — Tudo bem, Min Yoongi. Depois não vá reclamar se eu te chamar de oppa!

— Isso não vai acontecer. — bebi mais um gole de café.

Algumas vezes eu era sarcástico demais, ou sincero demais e as pessoas se afastavam de mim. Mas aquela funcionária parecia não se importar com isso. Continuei tomando meu café bem devagar, afim de apreciá-lo enquanto observava o movimento da rua pela janela. Aquela mesa encostada na janela era a minha favorita. E a dele também.

Seis anos se passaram desde que venho sozinho para a mesma cafeteria. Tudo parece tão vago e tão insignificante. Porém, tenho certeza de que se eu deixasse tudo de lado, eu iria perder boas e ótimas memórias daquele local. Perder todas as memórias, lembranças, esquecer do passado era incogitável para mim.

 

— Ah... vejamos... — passava seu dedo indicador pelo cardápio. — Eu acho que quero este aqui!

— De morango? Você sempre escolhe algo que tenha morango. Mude um pouco!

— Não! — fez bico. — Eu quero este aqui. Você me disse que eu poderia escolher qualquer um que eu quisesse!

— Tudo bem, tudo bem... — levantei a mão, chamando pelo garçom. — Por favor, me traga um Strawberry Cream Cake e um café expresso.

O garço prontamente anotou os pedidos e se afastou.

— Fala de mim, mas você sempre pede o café expresso.

— Foi você quem me fez gostar dele, se lembra?

— Como não esquecer quando sou eu o culpado? — seu sorriso se abriu, o que fez meu coração palpitar e querer pular para fora do meu peito esquerdo.

Vê-lo sorrir era o que mais me fazia feliz. Levá-lo à cafeteria em todas sextas-feiras era uma desculpa para eu ficar um tempo com ele. Eu estava me apaixonando por Kim Seokjin e sem querer deixava isto transparecer aos poucos. Algumas vezes eu o abraçava do nada, outras passava minha mão na sua e muitas vezes eu o elogiava de maneira diferente. Ele parecia nunca entender e muitas vezes eu me passei de idiota na frente dele por ele me perguntar o que eu estava fazendo ou dizendo. Nossos amigos já perceberam, mesmo eu não falando para eles, mas só Seokjin não sabia. Ou não queria saber. Eu queria de alguma maneira contar a ele, de alguma maneira me declarar para ele. Mas estava ficando cada dia mais difícil para mim, ainda mais percebendo que ele parecia não se importar.

Já não conseguia mais me conter e as palavras estavam presas e minha garganta. Passei a mão no meu cabelo e fiquei buscando para onde olhar, já que não conseguia mais encarar o Seokjin naquele momento. Percebendo minha inquietação, ele perguntou:

— Há algo de errado? Está tudo bem? — se inclinou por cima da mesa, com os braços apoiados nela em minha direção.

Por um impulso, pousei a minha mão na sua e me aproximei dele, em um sussurro para que somente ele escutasse, declarei:

— J-Jin... eu... — ele me olhava curioso. Seus olhos arregalados eram lindos e me levavam para uma outra dimensão. Comecei a passar meus olhos por todo o rosto dele, observando cada mínimo detalhe, seus olhos, sua boca, seu nariz... tudo era perfeito para mim, e então, continuei: — Eu... eu gosto de você, como nunca gostei de alguém. Não sei se isto é o certo a se fazer, eu estou confuso mas, eu tenho certeza que gosto de você. — olhando nos olhos dele, perguntei: — Gostaria de saber se... você sente... o mesmo... por mim.

Sem dizer uma palavra, ele se afastou, ficou olhando para mim. O silêncio foi quebrado por um momento quando o garçom nos entregou os pedidos. Novamente o silêncio voltou e Seokjin comia lentamente o seu bolo, olhando para o doce como se nunca tivesse o visto antes. Eu apenas me limitei a beber o meu café, decepcionado comigo mesmo. Por que eu iria esperar alguma resposta do meu melhor amigo? Por que eu esperaria que ele sentisse o mesmo por mim? Eu fui um idiota.

No caminho de casa, o silêncio também nos abraçava e a distância também. Morávamos perto um do outro, a casa de Seokjin era uma rua antes da minha, então ele ia para um lado e eu para outro. Andávamos lentamente. Eu estava atrás dele, olhando para as suas costas largas e musculosas. O uniforme da faculdade lhe caía bem, enquanto em mim ficava folgado e desconfortável. Seokjin sempre ficou muito bonito usando uniforme, na verdade, ele sempre foi bonito de qualquer maneira. Conhecê-lo no ginásio foi a melhor coisa da minha vida até hoje, mas parecia que eu tinha jogado todos os nossos momentos juntos por água abaixo com o meu sentimento idiota. Ele deve pensar que eu sou um idiota!

Antes de nos separarmos, Seokjin se virou para mim, com um sorriso forçado, se despediu:

— Bom, daqui vou para minha casa. Boa noite, Yoongi.

Ele não me chamava por "Yoongi", ele me chamava por "Yoongi-chi". Ele estava estranho e não podia negar. Eu estraguei tudo! Agora ele não vai querer ser mais meu amigo, por medo do sentimento que eu tenho aqui dentro do meu peito. Agora ele vai me achar um idiota e esquecer de mim. Enquanto pensava nisso, Seokjin se afastou de mim rapidamente, indo para a sua casa. Fiquei parado embaixo da grande macieira que estava com suas flores rosadas abertas, as pétalas caíam no chão preguiçosamente, as flores exalavam um suave perfume que lembrava maça e madeira.

Seria esta a última vez que eu o veria?

 

Lembrar daquilo fez meu coração se encher de alegria e ao mesmo tempo de tristeza. Eram apenas lembranças de quanto ainda éramos muito jovens e sem perspectiva de nossa vida. Dali em diante eu não sabia o que poderia acontecer. Lembro perfeitamente deste momento como se fosse ontem. Aquela mesma mesa e aquela mesma cadeira... tudo era nostálgico e triste. O tempo foi passando em nossas vidas naquela época e seguimos como se eu nunca tivesse falado aquilo. Eu estava estudando música enquanto Seokjin estudava cinema e teatro. O campus era o mesmo, pois era o campus de artes, mas ficávamos longe um do outro enquanto na faculdade. Por isso, quando as aulas acabavam, nós saíamos juntos para qualquer lugar que fosse para podermos conversar e brincar. A vida seguiu em sua normalidade, e eu continuei sendo um idiota.

 

As folhas secas caíam no chão, o que deixava as calçadas cobertas por folhas secas e úmidas por conta da incessante garoa e chuva de outono. Seokjin parecia não se importar, dançava, corria e pulava nas calçadas com seu guarda-chuva. Enquanto eu andava devagar com vergonha e me perguntando o que era aquele show.

— Ya! O que você está fazendo?

— Eu estou feliz! — parou e correu em minha direção, parando alguns passos a minha frente. — Não ouse gritar assim comigo, eu sou seu hyung!

— Tá, tá... entendi. Agora me diga, por qual razão está feliz?

A felicidade dele era a minha. De longe qualquer pessoa conseguiria ver o meu sorriso mostrando as gengivas rosadas, olhando para o sorridente Seokjin.

— Não preciso de motivos para estar feliz, eu apenas estou feliz! — voltou a saltitar, sem rumo.

— Cuidado para não ca-

Antes que eu pudesse terminar a frase, o Seokjin escorregou nas folhas molhadas e caiu. Eu me aproximei assustado, largando o guarda-chuva e passando as mãos em seus braços e rosto para verificar se está tudo bem. Por sorte, ele não se machucou.

— Eu nem termino de falar e você já cai. Imagine se tivesse realmente se machucado!? Aish... — irritado, virei meu rosto, pegando o meu guarda-chuva.

Senti um forte puxão em meu uniforme da faculdade e Seokjin me abraçou, no chão mesmo.

— E-ei! Me solta! As pessoas estão vendo a gente jogado no chão!

Inutilmente tentou me livrar dele, batendo em seus braços, mas para minha infelicidade e vergonha, eu era muito mais fraco que ele. Me conformei de que estava em cima dele, envolvido em seus braços e até mesmo me aproveitei da situação. Para mim, queria sair dali nunca mais. Ouvi um sussurro fraco e rouco, dizendo "obrigado" e então Seokjin me soltou. Vacilando, fiquei de pé novamente, enquanto o Seokjin também se levantava e se limpava.

Continuamos a andar em direção a nossas casas. Seokjin não saltitava, mas a felicidade podia ser percebida de longe. E novamente, estou vendo suas costas largas e musculosas, molhadas de um pouco sujas de quando caiu no chão.

 

Realmente, naquela época ele já sabia. Mas o que ele poderia fazer, não é mesmo? Já que nossas vidas mudariam dentro de alguns dias...

 

Ouvi batidas na minha porta. O que alguém faria a esta hora batendo na porta do meu apartamento, em meio a uma tempestade de chuva? Mesmo me fazendo esta pergunta, fui correndo para a porta, poderia até mesmo ser um conhecido com alguma emergência. Só não conseguia imaginar quem poderia ser. Acendi a luz do pequeno hall dentro de meu apartamento, destranquei a porta e abri. Meu olhar estava a primeiro momento para o chão, lentamente levantei meu olhar e me deparei com Seokjin encharcado, seu rosto estava inchado e seus lábios arroxeados, com um pequeno corte no canto direto. Ele tremia, vestia seu pijama e abraçava a si mesmo. De imediato abri mais a porta e o mandei entrar. O garoto encharcado parou na sala e ficou me esperando.

— O que aconteceu com você? Por que está machucado?

Começou a chorar, fungando. Não conseguia dizer uma única palavra.

— Ahn... primeiro vá tomar um banho, e se acalme, ok? — passei as mãos em seus braços gelados.

O Seokjin assentiu e eu o levei para o banheiro, lhe dando uma toalha. Como tinha banheira, enchi para ele com água quente e o deixei sozinho. Disse que ele poderia levar o tempo que quisesse e que era para ele não se preocupar. Enquanto ele se banhava, fui à cozinha preparar um chá, assim ele se sentiria mais tranquilo. Peguei alguns biscoitos e chocolate, coloquei em um prato e levei até à sala, colocando na mesinha de centro. Após alguns minutos, Seokjin aparece vestindo uma bermuda e uma camisa que lhe emprestei. Ainda bem que eu tinha algumas roupas mais largas e compridas.

Hesitante, ele se aproximou e se sentou ao meu lado no sofá. Esperei pacientemente até que ele se sentisse confortável e começasse a falar. De perto, pude perceber que sua boca estava inchada, a maçã do lado esquerdo estava arroxeada e inchada também. Seus olhos incheram-se de água.

Fungando, disse:

— A minha família quer ir morar nos EUA.

Enquanto ele dizia, eu percebi que seus lábios tremiam, ele iria chorar novamente, mas fortemente se conteve. Prosseguiu após uma pausa:

— Mas eu não quero ir. É muito longe! — levou as mãos ao rosto, escondendo as lágrimas.

— E o que isso tem demais? Será uma boa oportunidade até mesmo para os seus estudos. Você deveria ficar feliz com isso!

— Eu não quero ir para lá! — gritou.

— Er... e por que não

— PORQUE EU TE AMO!

As suas palavras me espantaram e eu não conseguia acreditar naquilo. O meu amigo estava se declarando... para mim? Ele me amava? Por um momento eu fiquei sem ar e fui para marte, e voltei logo quando Seokjin pegou em minha mão, segurando-a firmemente. Nenhuma palavra saía de minha boca.

— Eu briguei com meu pai, pois eu declarei a ele que eu te amo. Eu vim aqui para lhe dizer isso. Mas... eu... eu não sei o que fazer. Eu não quero ir, e também não quero me separar dos meus pais.

— Você... pode... morar... aqui... — hesitei — ...co-comigo.

No mesmo instante, Seokjin se jogou em meu colo, me abraçando fortemente. Um pouco nervoso, o puxei para frente, olhando no fundo dos olhos dele e o beijei. Aquele era o nosso momento e o nosso amor sendo mútuo. Eu era correspondido, e durante todo este tempo achei que eu fora sempre idiota. Mas agora podia sentir os lábios de meu primeiro amor grudados nos meus. Esta era a noite mais feliz em minha vida.

 

Soltei um pesado suspiro. Lembrar daquela cena... sempre me deixa envergonhado. Mesmo que eu lembre disso todos os dias, eu continuo me sentindo envergonhado de nosso primeiro beijo. Me limitei a sorrir com aquela lembrança.

O meu café finalmente, acabou. A funcionária da cafeteria se aproximou, com outra xícara de café, mas sem colocar em minha mesa. Pensativo, eu disse a ela:

— Vocês ainda fazem... Strawberry Cream Cake?

 

— Ahhh! Esta manhã está tão linda, não é mesmo, Yoongi-chi? — se virou para mim, tomando uma xícara de chá. Seokjin estava sentado na poltrona, na sacada de meu apartamento.

— É verdade. — me aproximei, me apoiando na poltrona e olhando para o céu que ainda estava amanhecendo.

Ficamos muito tempo olhando o céu clareando, o Sol subia devagar e se revelava dentre as nuvens cinzentas. As manhãs de verão eram sempre muito bonitas, uma pena que logo ficaria quente demais.

— Eu vou trabalhar. — me aproximei dele enquanto dizia e dei-lhe um selinho de despedida e beijei sua testa nua.

— Bom trabalho, meu amor. — sorriu carinhosamente para mim.

— Ah, antes de sair para ir trabalhar também, por favor, leve o carro para um banho, hehe. Ele está muito sujo.

— Tudo bem, eu levo sim. Pode ir tranquilo!

— Te amo.

— Te amo.

Trocamos piscadelas e beijos no ar, até que eu saísse por completo pela porta.

Nossa rotina era resumida em trabalharmos o dia inteiro e no final do dia estávamos juntos em casa. Como eu melhorei bastante na cozinha, combinamos então que eu ficava responsável pela janta e ele em cuidar dos assuntos de casa. Seokjin era muito inteligente e administrava toda a nossa vida. E claro, ele trabalhava fora e dentro de casa, acabou que ele não se tornando um ator como sempre sonhou e sim, gerente de uma agência de modelos e atores. Ele sempre estava ocupado e quando tinha um tempo livre, usa-o todo a mim. Várias vezes eu já lhe disse para dedicar o tempo livre para ele mesmo, mas ele nunca me deixava terminar, dizendo que estava satisfeito sendo assim. Deixei para lá.

Eu dava aula de piano para crianças. Não gostava muito delas, por se acharem espertas demais, mas eu conseguia lidar bem com elas e até mesmo as achava fofas. Até que me veio à cabeça a possibilidade de eu ter um filho com Seokjin. Mas quando pensei em como seria difícil para a própria criança ter que aturar o preconceito, eu me esqueci deste pensamento. Com certeza Seokjin já deve ter pensado nisso e também acabou não mencionando. Já sofríamos demais o preconceito. Mal podíamos andar na rua de mãos dadas que nos jogavam olhares enojados e julgadores. Para conseguirmos o emprego que estamos agora, ralamos e lutamos muito. Todos os dias eram dias de luta para nós dois. Em casa, não deixávamos que os desaforos das ruas entrassem, e assim vivíamos em paz em nosso pequeno lar.

 

— Huum... Foi você quem fez, ShinHye? — estava já na metade do bolo.

— Isso mesmo! Fui eu quem fiz. Por quê? Está ruim? — a garota se aproximou do bolo, inspecionando-o e procurando por algo comprometedor.

— Está! Está horrível. — sorri para ela, que ficou desapontada. — É brincadeira. Está ótimo, parabéns.

— Ufa... não faça isso de novo, assim você me assusta! — deu um tapinha leve no meu ombro.

Ela se afastou e novamente fiquei sozinho. Comi lentamente o bolo para aproveitá-lo e ficar mais tempo lá sentado. Em pouco tempo já chegaria o Pôr-do-Sol, o momento que mais me traz lembrança. Uma lembrança não muito boa.

 

— Eu sei disso, mas... Não, por favor. Eu consigo dar conta aqui na Coréia do Sul. Não... Sim! Pode me colocar na área administrativa, na área de recursos humanos, o que for, mas eu tenho que ficar aqui na Coréi... Quanto? O dobro? Não, isso é impossível. Ah... entendi... Eu vou pensar, tudo bem? Ok. Tá. Sim. Eu retorno a ligação. Ok. — desligou o telefone.

— O que foi isso? — perguntei, sonolento após ter acabado de acordar assustado com a barulheira.

— Ah, eu te acordei? Me desculpe, o meu chefe me ligou e...

— E...?

— Consegui uma promoção. — não falou tão animado.

— Que bom, meu bem! E como será? — me aproximei, sentando ao lado dela no sofá e o abraçando de lado.

— A promoção é em Londres. — bufou. — Mas eu receberei o dobro do salário que recebo hoje, além é claro, do que se ganha em cima dos modelos e dos atores que eu contratar.

— Isso é ótimo! — realmente fiquei feliz por ele.

— Você não está preocupado?

— Com... o que eu estaria preocupado?

— Esta promoção é para ficar quatro anos em Londres. Que pode se extender também. E eu não terei tempo para vir aqui te ver.

— Então eu vou até lá!

— É complicado.

— Por quê? Você estará em Londres, então de vez em quando eu poderei te visitar e matar a saudade.

— Esta promoção já vem sido dita para mim, mas eu sempre recusava, pensando em como nós dois ficaríamos e bem, não é muito viável. Até porque, enquanto estiver por lá, eu não pararei e não viverei em uma casa só, entende? Então será muito corrido e nem sei se vou conseguir folga... enfim. Não sei.

— Meu bem, olhe para mim. — segurei seu rosto e o virei para mim. — Por favor, vá. É sua chance de crescer na empresa e quem sabe se tornar alguém tão importante que todos se lembrarão de seu nome. A empresa é quase sua, é você quem a faz se mover e você tem que ir e aproveitar esta sua chance de alcançar um alto nível na empresa. Quem sabe se tornar até sócio?

— É. Você em razão.

— Isso, meu bem! Eu vou ficar bem aqui, esperarei por você e quando tiver um tempo me avise que vou para lá de imediato. Ligue para o seu chefe e diga que você aceita. — lhe dei novamente o telefone para que ele ligasse ao seu chefe.

E assim o Seokjin o fez. Disse que aceita a proposta e que vai para Londres no Sábado que vem. Teríamos uma semana até lá, uma semana para aproveitarmos juntos.

Durante todo este tempo juntos, aproveitamos ao máximo: fomos em restaurantes que queríamos ir, fomos à praia, às montanhas, fomos em cidades que não conhecíamos, fomos a motéis que ofereciam de tudo nos quartos, enfim. Fizemos tudo o que queriamos fazer em todos estes anos que estamos juntos. Seokjin logo embarcaria e iria para Londres e não sabíamos quando podíamos nos ver novamente. Na despedida no aeroporto, demos um beijo longo e afetuoso. Recebemos muitos olhares maldosos, mas a esta altura do campeonato estávamos nem ligando mais e apenas vivendo conforme queríamos.

O adeus sempre é muito doloroso. Tentei segurar, mas minhas lágrimas escorreram por meu rosto pálido sem meu controle. Comecei a soluçar, pensando em como seria minha vida sem ele daqui em diante. Nos prometemos trocar mensagens e ligações, mas ainda assim não será a mesma coisa que sentir o abraço da pessoa que mais amo neste mundo.

 

Terminei de comer o bolo que tinha pedido. Dei uma pausa e comecei a beber o meu café, que não estava mais quente. Ainda assim o bebi, pois era café de qualquer maneira. Com esta lembrança que veio em minha mente, meus olhos se encheram de água, e segurei fechando meus olhos para que elas não caíssem, não queria mostrar minha fraqueza com pessoas a minha volta.

Fiquei olhando para fora, lembrando de cada momento em que eu trocávamos mensagens naquela época. Era difícil nos falarmos em ligação, a agenda de Seokjin era muito cheia e ele mal conseguia me dar atenção. Com isso, aos poucos, fui deixado de lado até que por fim, já não estávamos nos falando mais. Eu senti raiva, angústia, tristeza e arrependimento. Muitas vezes pensei em joga fora a aliança que Seokjin me deu, feita de ouro com uma linha fina no meio em prata. Mas deixei-a guardada, até que voltei a usar novamente.

Há seis anos em que ele foi para o exterior. E há cinco anos que não nos falamos mais. Quanto mais o tempo passava, mais eu me sentia vazio e solitário. Já me acostumara a viver sozinho novamente, mas ainda assim era estranho pensar que eu estava casado, mas sozinho. Seokjin e eu não oficializamos o término. A pontinha de esperança ainda prevalecia em meu coração, esperando que ele voltasse para os meus braços e eu pudesse beijá-lo até meus lábios ficarem doloridos. Amá-lo até ficar sem fôlego. Dividir uma refeição até que dormíssemos juntos de tanto que a barriga estaria cheia. Eu o traria de volta para cá e o lembraria de quando tudo começou, e começaria tudo novamente se fosse preciso.

Todos os dias me perguntava se ele ainda me amava ou se ele esquecera-me por completo. Sem pensamentos egoístas, me perguntava se ele estava bem, se estava se alimentando bem e se estava se dando bem com as pessoas de lá. Por mais bondoso e submisso que ele fosse, também tinha um gênio forte e autoritário, o que dificultava muitas vezes em seus relacionamentos com pessoas desconhecidas. Me pergunto se ele ainda está vivo.

Pode ocorrer de ele não estar mais vivo e eu nem saber, aliás nem temos mais contato. Provável também que ele nem deva falar com a família dele. Várias vezes procurei por sua família, mas quando sabiam que era eu na ligação, se recusavam a atender e desligavam. Ligava também para nossos amigos em comum, e todos eles diziam a mesma coisa:

Não tenho mais contato com o Jinnie... Como você não tem mais?

Passei a mão em meu pequeno livro, e me refiz todas as perguntas. Com os olhos marejados, olhei para fora, ajeitando meu óculos de armação preto fosco que usava para ler. A neve estava ficando mais densa, o que provavelmente dificultaria a minha volta para casa. Ainda bem que estava a pé, e não precisava me preocupar tanto com o carro que estava em casa.

De repente, algo me chamou a atenção. Avistei um homem alto vestindo um casaco rosado. De longe o casaco parecia ser puro veludo. Usava um cachecol preto e seu cabelo era castanho. Levantei da cadeira e saí correndo da cafeteria, parando na calçada, fiquei olhando àquela silhueta. Minha respiração ficou descompassada, minhas mãos tremiam e meu coração estava acelerado. O homem, a minha frente, ficou olhando em sua volta, até que se virou e eu pude ver:

Kim Seokjin.

Ele estava à minha frente. Parecia procurar por algo. Me contive, com medo de que ele não me reconheceria. Esperando que ele me visse de longe, para poder correr em seus braços. Ele estava usando seu óculos preto e dourado, o que eu mais gostava pois ficava muito bem nele, uma calça jeans rasgada e um tênis branco.

Nossos olhos se encontraram.

Fiquei sem ar por um breve momento. Se ele me reconhece, ele virá até mim, pensei comigo. Diferente disto, mas que eu soube que ele ainda me conhecia, Seokjin olhou no fundo de meus olhos, e lentamente me mostrou o seu melhor sorriso, com seus olhos quase fechando, mas podia-se ver as lágrimas caindo deles.

Naquele momento, eu soube. Soube que minha felicidade havia voltado.



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