História Stray Heart - Capítulo 33


Escrita por: ~ e ~C_Kaplan

Postado
Categorias Fall Out Boy, Green Day, My Chemical Romance, Panic! At The Disco
Personagens Billie Joe Armstrong, Brendon Urie, Dallon Weekes, Frank Iero, Gerard Way, Patrick Stump, Personagens Originais, Pete Wentz, Ryan Ross, Spencer Smith
Tags Billie Joe, Brendon Urie, Fall Out Boy, Green Day, Panic At The Disco, Patrick Stump, Pete Wentz
Exibições 62
Palavras 3.707
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Ola pessoas, estamos de volta.
Estamos bem triste com o ocorrido ontem com o time da Chapecoense, os jornalistas e todos que estavam naquele voo, é uma dor de todos nós. Ontem acabou o sonho não só de uma torcida ou de um time, ontem o sonho de um país que torceu e vibrou pelo maior verdão do Brasil teve um fim. Muito além do futebol queremos deixar aqui os nossos mais sinceros sentimentos aos familiares, aos amigos, a torcida e a todos aqueles que se comoveram com a tragedia. E com lagrimas nos olhos que deixamos aqui esse texto em homenagem aqueles que nos deixaram precocemente.
"Costumo dizer que futebol é metáfora da vida e talvez por isso esse lance com a Chapecoense me deixa tão triste. Porque, por mais que torçamos pra Flamengo, Corinthians, Vasco, Palmeiras, Santos e outros grandes times, na vida a gente é mesmo uma Chapecoense. A gente sonha, luta, batalha, joga fechadinho na defesa, aguenta pressão no trabalho, salva bola em cima da linha no último minuto e quer ser campeão de algo, vibrar com a felicidade, alçar vôos altos. A gente é Chapecoense na vida porque, por mais que algumas vezes queira e em outras se sinta impotente, está lá, sempre na peleja. Nem sempre com torcida a favor, às vezes com o estádio da vida lotado, tentando virar o jogo fora de casa, mas estamos lá, buscando nossa realização, nosso conto de fadas. A gente adotou a Chapecoense porque ela é gente da gente. Com essa queda, a gente vê como se importa com bobagem, como perde energia com coisas pequenas, inclusive por aqui. Como a gente se demora em questões que não geram amor. "Donde no puedas amar, no te demores". Já que vamos seguir na vida, é preciso ser mais Chapecoense. Se encontrar mais, sorrir mais, discordar quando for necessário, mas se respeitar mais. Cultivar os afetos, deixar os desafetos pra lá, nos livrar das âncoras e seguir com as velas. É preciso seguir, é preciso soprar. Vamo, vamo, Chape. Na metáfora dessa vida, jogo de futebol eterno, Chape somos nós." - Arthur Crispin
#forçaChape #You'llNeverWalkAlone

Capítulo 33 - If I Were A Boy


Fanfic / Fanfiction Stray Heart - Capítulo 33 - If I Were A Boy

Brendon Urie

Estou cansado, não fisicamente, mas mentalmente. Já havia perdido as contas de quantas vezes tinha repassado o momento do beijo na minha mente, coloquei tudo o que sentia naquele momento e tenho certeza que foi recíproco da parte dela, mas tenho a impressão que seu o orgulho vai levar a melhor e mais uma vez vou ter meu coração quebrado. Abri um sorriso irônico, é incrível como estar apaixonado te torna um idiota piegas.

    - Qual a graça? – Patrick sentou ao meu lado com sua bandeja de lanche.

    - Nenhuma, só eu rindo de mim mesmo – Falei – Você viu o Wentz hoje?

    - Não, pensei que ele estaria aqui -Ele olhou ao redor – Vai ver ele decidiu almoçar com o Mikey – Patrick fez uma careta, ele disse o nome do Mikey como se fosse um palavrão.

   - Acho que eles não se falam desde... – Limpei a garganta – O que aconteceu aquele dia.

Ele mordeu seu sanduíche e olhou firmemente pra frente com um olhar vazio, notei que ele fazia muito isso esses dias.

   - Você falou com ela desde aquele dia? – Evitei falar seu nome.

   - Não – Ele disse simplesmente.

   - E ela tentou falar com você?

   - Não – Ele repetiu franzindo os lábios – Eu não iria atender se ela tentasse.

   - Por que não? – Perguntei.

   - Sarah já falou alguma coisa? – Ele evitou a minha pergunta.

    - Ahh a tática de mudar de assunto...- Balancei a cabeça negativamente, ele só deu de ombros e aguardou a minha resposta.

Eu contei pra ele e Pete a conversa que eu tinha tido com Sarah, quando mencionei o beijo Patrick fez uma cara de nojo, foi muito engraçado, Pete ficou meia hora imitando uma cantora lírica cantando ‘aleluia’, muito irritante, quase sufoquei ele com uma almofada.

    - Nada ainda – Soltei um suspiro cansado.

    - Não deve ser fácil pra ela também Brendon, lhe dê mais tempo – Ele me encarou.

    - Tempo é tudo o que eu não posso dar a ela Patrick – Esfreguei a nuca nervosamente – Ela vai pensar demais, Sarah é muito lógica, e pela lógica eu não tenho chance alguma.

    -Qual é cara, se dê algum crédito, você tem suas qualidades – Ele disse com um sorrisinho brincando nos lábios.

   - Ahh é, qual? – Perguntei.

    - Ahh não pergunte pra uma garota, eu não vou ficar te elogiando isso é muito...

   - Gay? – Eu completei e ele riu concordando – Pelo menos fale que sou sexy pra eu me sentir melhor.

   - Nem morto – Ele fez uma careta de desgosto e eu gargalhei.

   - Essa foi a minha última tentativa Patrick – Falei sério – Se ela não me quiser não vou correr mais atrás dela.

    - Eu sei, é uma boa decisão, não vale a pena insistir em algo que não dará certo – Ele refletiu, tenho quase certeza que não era da minha situação que ele estava falando.

Patrick ficou muito desconfortável depois desse comentário então mudei de assunto pra uma coisa mais leve. Até o fim da hora do almoço Pete não apareceu, e eu estava preocupado, Patrick também porque assim como eu olhava em volta procurando por ele de vez em quando. Também não vi Sarah durante a hora do almoço e nem o Iero, o que me fez passar metade das aulas da tarde suspeitando que os dois estivessem juntos. Suspeita essa que só ficou mais forte na hora da saída.

Eu estava caminhando pra saída procurando Pete enquanto isso, meus olhos automaticamente pousaram em um casal que se abraçava intimamente num canto afastado, eu teria desviado o olhar se não tivesse reconhecido os dois, paralisei na hora.

Frank e Sarah.

Os dois se separaram e riam um pro outro, aparentemente Sarah já havia tomado sua decisão, pensei amargamente, não consegui envitar uma expressão de nojo, não deles, de mim mesmo, mais uma vez fiz papel de trouxa por livre e espontânea vontade. Antes de eu reunir força pra sair do lugar Sarah encontrou meu olhar e uma expressão estranha estampou seu rosto, não fiquei pra avaliar, saí andando o mais rápido que pude, sem nem sequer uma olhada pra trás. Eu só queria ir o mais longe possível. Minha cabeça enviava flashes do misturados do beijo que dei em Sarah, e o beijo que ela deu no Frank como se estivesse zombando de mim, como se dissesse: Você se iludiu de novo imbecil. Quando eu já estava próximo ao estacionamento senti uma mão no meu braço me forçando a parar, já estava com o me deixa em paz na ponta da língua quando me virei, me segurei quando vi quem era.

   - O que você quer Sarah? – Falei entre dentes, eu estava a ponto de explodir e não queria que ela estivesse por perto.

   - Precisarmos conversar – Ela disse me encarando firmemente.

   - Não temos nada pra conversar, eu já vi o suficiente – Ela ainda estava segurando meu braço, tentei me livrar do seu aperto o que a fez apertar ainda mais.

   - Brendon me deixa explicar...

    - Não precisa explicar nada Sarah – Falei cansado – Nada que você disser vai mudar o fato de que eu me sinto um imbecil por ter me apaixonado por você e me permitido ter ilusões quando na verdade você gostava de outra...

Não consegui terminar a frase, Sarah agarrou minha cabeça e me puxou pra ela me calando com um beijo, não correspondi no começo; tamanha era a minha surpresa, depois de registrar o que ela está estava fazendo e incapaz de me segurar eu a puxei bem apertado de encontro a mim e aprofundei o beijo, era incrível como parecíamos encaixar perfeitamente, ela interrompeu o beijo cedo demais.

   - Agora que você finalmente calou a boca, me escuta – Ela falou ofegante ainda segurando meu rosto – O que você viu ente mim e o Frank agora a pouco não foi nada do que um simples abraço de amigos – Fiz uma careta de descrença – É serio Brendon, tivemos uma conversa, ele deixou claro que só gosta de mim como amiga e eu sinto o mesmo, não é dele que eu gosto e sim de você.

Ela abriu um sorriso, o mais lindo que eu já vi, seus olhos azuis brilhavam, parte de mim estava flutuando, mas havia a outra parte que ainda estava cautelosa.

   - Sarah você tem certeza? - Ela não me respondeu, só me beijou de novo só que dessa vez bem devagar, um beijo doce que dizia muito.

   - Você gosta mesmo de mim?  -Perguntei precisando que ela dissesse de novo, parecia surreal ainda.

    - Eu estou apaixonada por você Brendon, eu só fui teimosa o suficiente pra admitir – Ela disse séria quase como um pedido de desculpas, a frieza habitual inexistente.

  - Então você quer ser minha namorada? – Perguntei parecendo um adolescente bobo.

  - Isso é um pedido? – Ela levantou uma sobrancelha, a expressão divertida.

- Bom...- Eu me ajoelhei.

   - Brendon o que você está fazendo? – Ela perguntou alarmada olhando pros lados, já havia algumas pessoas nos encarando – Levanta daí agora.

   - Sarah Stump – Falei alto o suficiente pra que todos ao redor ouvissem, ela tinha as duas mãos no rosto agora – Você gostaria de ser minha namorada?

   -Sim – Ela riu com o rosto vermelho – Agora levanta daí.

Levantei e a puxei pros meus braços a beijando e girando ela no ar, o que rendeu aplausos de todos ao redor. Sim eu sou um clichê ambulante, quem diria.

   - Agora eu quero levar a minha namorada pra um encontro – Falei com orgulho o que a fez abrir um sorriso.

   - Eu gostaria muito disso – Ela me deu um beijo estalado e saímos em direção ao estacionamento.

Peter Wentz

Entrei no hospital quase correndo, deixei meu carro no estacionamento, não me lembro bem se eu o tranquei e eu nem me importava, minha mente só tinha um único objetivo é era chegar até Meagan. Eu me agarrava a um fio de esperança frágil de que talvez ela não tenha sido bem sucedida no que ela tentou fazer, eu rezava fervorosamente que não.

Não foi fácil passar pela recepção, tive que mentir dizendo que eu era o namorado de Meagan, o que me rendeu um olhar estranho da recepcionista. Tentei ao máximo não correr todo o caminho até o quarto, ainda esbarrei em algumas pessoas, murmurei pedidos de desculpas apressados e continuei meu caminho. Havia um casal sentado nas cadeiras próximas à porta do quarto de Meagan, assumi que eram os pais dela. A mulher tinha o rosto molhado de lágrimas e era consolada pelo homem.

   - Isso é tudo culpa nossa Richard – A mulher fungou – Devíamos ter dado apoio a ela.

Me aproximei sutilmente tentando não ser invasivo.

      - Com licença, vocês são os pais da Meagan – Perguntei um pouco hesitante.

     - Sim, e você quem é? – O pai de Meagan perguntou com uma expressão desconfiada.

     - Eu sou um amigo... Da faculdade – Menti – Fiquei sabendo o que houve e vim ver como ela está.

    - Um amigo? – A mãe me encarou com a mesma expressão desconfiada do pai, os olhos vermelhos e inchados.

    - Sim – Tentei soar o mais firme possível – Como ela está?

     - Ela está estável, os médicos a estão mantendo sedada por enquanto – O pai explicou ainda não abandonando completamente o ar de desconfiança.

     - Eu posso ficar e falar com ela quando acordar? – Os dois me encararam por um momento e assentiram, as expressões abatidas.

    - Pode ser bom pra ela ter um amigo por perto. – A mãe passou a mão nos olhos tentando limpar as lágrimas – Como é seu nome querido?

    - Pete...Peter Wentz – Falei.

    - Meu nome é Michelle e esse é o meu marido Richard – Eu os cumprimentei com um aperto de mãos rápido – Sente-se Peter, pode demorar até ela acordar.

Me sentei em uma cadeira próxima a Michelle, notei que Meagan se parecia muito com ela, elas tinha o mesmo físico e o formato do rosto, a única diferença era que Michelle era loura, Richard era moreno, ele tinha os olhos da cor exata dos de Meagan, os dois tinham as expressões cansadas, pareciam que tinham envelhecido anos em um só dia. Ficamos vários minutos em silêncio, até que ele foi quebrado pelo pai.

    - Peter você por acaso sabe quem foi o covarde que fez isso com a minha filha? – Richard falou com um tom de raiva mal contida.

    -O que? – Fiquei atordoado com a pergunta repentina

   - Richard, agora não... – Michelle interferiu.

   - Não Michelle, se ele sabe de algo tem que nos dizer – Ele me encarou esperando.

   - Não, eu não sei quem é o pai do bebê – Falei, o que não era uma mentira.

     - Quem ERA o pai do bebê, ela abortou – Richard fez uma expressão de desgosto e Michelle começou a chorar novamente.

Não foi fácil de ouvir, mesmo sabendo que ela tentou eu preferia acreditar que ela não tinha conseguido, e o pior que eu não conseguia me livrar do sentimento de culpa, esse bebê poderia ser meu. Caímos novamente em um silêncio desconfortável, senti meu celular vibrar no bolso, era meu pai me ligando, me afastei pra atender.

   - Peter aonde você está? – Meu pai perguntou.

   - Já estou dentro do hospital pai – Falei me recostando na parede mais próxima.

    - Eu estou na recepção, não estão me deixando entrar – Percebi o tom de indignação na voz dele, imagino que ele deve estar encarando malignamente a pobre recepcionista.

    - Está tudo sobre controle por aqui, pode voltar pro trabalho – Fiquei tenso esperando a bronca por ter feito ele perder tempo.

    - Tem certeza filho? – Ele perguntou numa voz suave que me surpreendeu.

   - Sim pai, eu cuido disso – Falei.

   - Ok qualquer coisa me liga, a qualquer hora – Ele desligou e eu voltei para o meu lugar ao lado da mãe da Meagan que havia parado de chorar novamente.

Ficamos à tarde inteira esperando Meagan acordar, não houve muitas conversas, senti uma certa desconfiança do pai dela em cima de mim, ele não se pronunciou mais sobre o assunto, fiquei aliviado por isso, minha cabeça está uma verdadeira bagunça e eu poderia falar algo que eu realmente me arrependeria depois.

Quando ela finalmente acordou seus pais entraram primeiro para vê-la, fiquei do lado de fora esperando inquietamente, em um momento que não aguentei ficar sentado e me levantei, andei de um lado pro outro esperando eles saírem, parei de repente pensando no que eu iria dizer a ela, eu não tinha pensado nisso ainda, desde que soube da notícia eu tinha agido meio que por impulso e agora eu não sabia exatamente o que tinha vindo fazer aqui, o que eu iria dizer? Que ela não deveria ter feito isso? Isso é óbvio, mas que direito eu tinha depois que eu me recusei a ajudá-la? Talvez tenha sido uma péssima ideia eu ter vindo. Pensei nisso um pouco tarde demais.

    - Peter? – Michelle me chamou – Meagan que te ver agora.

Notei que ela havia chorado novamente, Richard tinha a expressão severa e olhos vermelhos de lágrimas não derramadas, ele estava segurando a porta aberta pra mim, hesitei por alguns segundos antes de entrar.

Meagan estava deitada em uma cama no meio do quarto, uma bolsa de soro ligada ao braço, ela estava muito pálida e isso evidenciava as profundas olheiras em seus olhos.

    - O que você está fazendo aqui Pete? – A pergunta de um milhão de dólares.

   - Eu vim ver como você estava – Respondi sem a olhar diretamente

   - Porque você está se sentindo culpado? – Ela perguntou com uma voz frágil como a sua aparência.

   - Não – Sim, minha mente gritou.

Olhei pra ela e ela me encarava com uma expressão insondável, não dava pra saber o que ela estava pensando.

    - Você veio pra me dizer que eu não podia ter feito o que eu fiz? – Resisti ao impulso de andar nervosamente pelo quarto.

   - Não – Falei de novo.

   - Então qual o objetivo dessa sua visita Pete? Você já tinha dito que não iria me ajudar – Ela estava começando a ficar nervosa, isso não era bom.

Me sentei na cadeira que estava ao lado da cama, esfreguei meu rosto com força, decido ser honesto.

    - Sim eu estou me sentindo culpado Meagan...Porra até aonde eu sei essa criança poderia ser minha, por quê você fez isso? – Perguntei.

   - Por quê? – Se olhares matassem eu estaria morto agora – Você se recusou a me ajudar Pete, não me venha agora com “por que” – Pro meu desespero os olhos dela se encheram d'água – Eu não tinha saída, foi a única ideia que me ocorreu, eu estava desesperada.

Peguei a mão dela sem pensar, pensei que ela iria recusar o meu toque mas ela apertou firme ao invés disso, como se procurasse apoio.

    - Vamos ser realistas Pete – Ela fez uma pausa – Que tipo de mãe eu seria? Como eu ia explicar pra essa criança que eu não sabia quem era o sei pai, o que ele ou ela ia pensar de mim? – Eu não tinha resposta pra isso então fiquei calado – Eu não sei cuidar de mim imagina de uma criança.

Ela tirou sua mão da minha pra limpar uma lágrima que escorreu.

   - Mas isso não importa agora, eu me sinto à pior pessoa do mundo por ter feito isso – Ela fungou – Mas não tem como voltar atrás, não se sinta culpado por isso.

   - Tarde demais – Minha cabeça estava começando a doer.

   - Meus pais também se culpam pelo que aconteceu – Ela riu sem humor – Não preciso adicionar você a essa lista, eu sou a única culpada, demorou um tempo pra eu perceber isso.

Eu não conseguia proferir nenhuma palavra sequer, um bolo gigante se formou na minha garganta.

   - Vá pra casa Pete, você não tem nada o que fazer aqui – Abri a boca pra protestar mas tornei a fechar, ela estava certa, eu não tinha nada o que fazer aqui.

Me levantei pra ir embora, senti como se o peso do mundo estivesse nos meus ombros, antes de sair pela porta dei uma última olhada pra Meagan, ela tinha os olhos firmemente fechados, pensei em mandar ela me ligar caso precisasse de algo mas eu sabia que seria inútil, então saí.

Não vi os pais dela por perto, agradeci mentalmente por isso, caminhei pra fora do hospital o mais rápido que eu pude, minha cabeça estava latejando muito agora, uma coisa era certa, eu nunca iria me recuperar disso, eu sempre ia carregar a culpa comigo, não importa o que Meagan dissesse.

 

 

Diana Harvelle

Victoria me deixou sozinha no quarto, foi atender o chamado do Billie e eu tive medo. No fundo ela tinha razão: Eu não poderia arriscar passar um dia no quartinho, ela iria precisar de mim. Eu não tinha algo bom para dizer e ela parecia querer o silêncio. Eu tive medo que aquele episódio dos calmantes se repetisse tentei em vão afastar esses pensamentos. Eu só precisava de um cara que quisesse ir para cama comigo independente da quantia que ele me oferecesse. Meu olhar não estava atraente e eu estava nervosa, tropeçando em meus próprios saltos, meus pensamentos estavam com Victoria e só conseguia imaginar como seria a manhã seguinte, como seria tudo daqui pra frente até o fim do contrato. Por mais quantas noites de medo nós deveríamos passar até que as coisas finalmente desse certo em nossas vidas? Andei sem prestar atenção por Stray Heart na esperança que algum cara viesse até mim.
   -Diana? O que aconteceu lá em cima? - Aquele garoto me olhava com um olhar confuso.
   -Julian… - Eu precisava que ele me levasse para a cama - Achei que você tivesse ido embora. - Eu tentei sorrir - Alguns probleminhas, mas já está tudo resolvido.
  -Entendo - ele assentiu de uma forma doce
  -Então…. Podemos continuar de onde paramos? - Eu toquei seu rosto torcendo para que ele não notasse o meu desespero. Eu me sentia suja e estranha por falar algo do tipo, mas a necessidade faz com que façamos coisas que não imaginamos que somos capazes.
   -Eu não sei dizer não pra uma garota como você. - Um sorriso brotou em seus lábios e ele me estendeu sua mão.
Fechei a porta do quarto atrás de mim, Victoria dormia abraçada a um travesseiro. Entrei no banheiro silenciosamente e tirei minhas roupas, a maquiagem e me encarei no espelho. Um ritual que eu já fazia automaticamente. Enquanto a água quente caia sobre o meu corpo eu me lembrava do toque suave de Julian e como ele deveria ser doce com sua namorada, doce e babaca por aceitar que seu pai lhe trouxesse a um lugar como esse apenas para experimentar do prazer de ser homem. Talvez se eu fosse um garoto toda a minha vida teria sido diferente, talvez quando eu fizesse dezoito anos meu pai sairia para beber comigo ao invés de me estuprar e destruir a minha vida. Sai do banheiro e observei Victoria dormir, ela não parecia estar envolta em um sono profundo proporcionado por calmantes, mas sim em um sono conturbado causado por choro antes de finalmente dormir. Passava das três da manhã. Eu estava esgotada, a manhã seria uma nova tempestade. Dormi quase instantaneamente.

Fui acordada por Victoria que balançava gentilmente o meu ombro, abri os olhos devagar e observei seu semblante, ela parecia tranquila. Seu olho estava inchado e com uma coloração característica a de uma pancada. Mas seu sorriso era pacífico. Achei estranho, mas não questionei.
   -Achei que a bela adormecida não iria se levantar.- Victoria sorriu
   -Foi uma noite longa…

   -Eu imagino, conseguiu algum cara? - Ela me olhou preocupada.
  -Sim… - Eu respirei fundo e me sentei.
   - Ótimo menos um problema ao final das contas. - Ela se sentou ao meu lado - Billie Joe foi tão paternal ontem… Não creio que ele vá me punir.. E se punir também eu já tô destruída demais pra me importar com qualquer merda. - Ela se levantou - Agora senhorita, é melhor você ir se arrumar. Eu assenti e me levantei.
O caminho até o refeitório foi silencioso, as outras garotas já estavam por lá e lançaram olhares pesarosos sobre Victoria, levavam suas mão a boca em um gesto automático de horror. Victoria decidiu que se sentaria próxima a cadeira do Billie Joe, ela parecia cansada e determinada, inabalável depois de uma noite um tanto lamentável.
    -Bom dia senhoritas… - Billie Joe tomou o seu lugar na mesa e encarou Victoria com cuidado. - Como a senhorita está nesta manhã? - Ele se dirigiu a Victoria.
   -Nunca esteve tão bom. - Victoria sorriu e em seguida pôs na boca uma fatia de queijo.
   -Vejo que está otimista isso é bom. - Billie Joe balançou a cabeça positivamente e deu um sorriso incrédulo – Senhoritas... Creio que vocês já saibam dos acontecimentos de ontem a noite, ou pelo menos sabem dos boatos. - Ele nos observou e o apetite que eu tinha se foi. - Eu só queria esclarecer que qualquer ato de violência contra qualquer uma de vocês o agressor vai ter aquilo que bem merece. Eu não aceito que nenhuma de vocês passe por isso, não aqui em Stray Heart. Eu tenho que ir agora, Sheila cuidará do pagamento de vocês. Hoje Stray Heart não abrirá as portas, considerem isso uma folga em solidariedade a amiga de vocês. - Ele lançou um olhar rápido para Victoria. Aproveitem o dia.
Assim que os passos de Billie Joe se perderam no corredor um murmurinho se instaurou entre as garotas, eu encarei Victoria atônita. O Billie Joe havia acabado de ser um cara legal e compreensivo. Algo estava extremamente errada ou começando a dar certo, mas a julgar pela nossa sorte provavelmente estaria tudo dando errado.
 

***

Os dias passaram voando e com eles os meus meses de contrato com Stray Heart. Eu não sabia se me sentia feliz ou preocupada, que por mais que eu houvesse ganhado uma boa quantia não era o suficiente pra me manter muito tempo sem ter arranjado outro emprego. Com o passar do tempo os programas já não eram mais a pior parte de estar em Stray Heart, à parte ruim foi ver o Frank se distanciando por conta dos estudos, saber que eu nunca mais seria uma garota normal.

 


Notas Finais


#Luto 29/11/2016
Pedimos desculpas aqueles que não gostam de futebol, ou não se importam com o ocorrido, mas até mesmo escrevendo uma fic temos que ter um lado humano. Todo gesto de amor é valido, não sabemos quantas pessoas vão ler Stray Heart, ou se daqui alguns anos voltaremos para ler essa fic. Só queremos a nossa solidariedade aqueles que pintaram o Brasil de verde e nos trouxe esperança. Tudo isso aqui vai muito alem do futebol. Para aqueles que não gostam desse esporte e não entram nesse meio foi algo trágico, chocante... Mas para nós que gostamos e acompanhos a dor se assemelha a perda de um familiar.
"Que escutem
Em todo o continente
Sempre recordaremos
A campeã Chapecoense"
Deixamos assim o nosso apoio. Obrigado Chapecoense.

Contamos com a compreensão de vocês.
até o proximo capitulo

ps a capa do capitulo foi negra pq estamos de luto
xoxo
ate o proximo


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