História Strokes - Capítulo 49


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Naruto Uzumaki, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Shizune, Tsunade Senju
Tags Ação, Aventura, Drama, Luta, Ménage, Milk, Narusaku, Naruto, Romance, Sakura, Sasuke, Sasusaku
Visualizações 245
Palavras 4.131
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Luta, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi!
O prometido era um capítulo dia 17/08, mas não consegui me segurar!
Eu amo tanto essa fanfic e faz tanto tempo que não aparecia aqui!
As desculpas vocês já sabem, quero terminar Pilares de Areia, e isso está perto de acontecer, contudo não suportaria deixar Strokes à míngua mais meses.
A fanfic não sai do hiatus, mas pelo menos, tem aqui um agrado para vocês matarem a saudade de verem a continuação da história!
.
Boa leitura e comentem suas expectativas!

Capítulo 49 - New sign


Fanfic / Fanfiction Strokes - Capítulo 49 - New sign

— O que é isso? — Sakura indagou a si mesma em voz alta.

Gigantescas nuvens pretas pairavam sobre suas cabeças tapando toda a luz do sol, que mesmo fraca, trazia consigo um consolo psicológico perante ao frio congelante que fazia entre as montanhas do País do Relâmpago. Sakura nunca havia presenciado nada parecido. Konoha era um lugar com o clima estável até mesmo no inverno. Uma tempestade daquela magnitude certamente tinha potencial para transformar aqueles dois viajantes em poeira.

— Estas nuvens surgiram do nada. Há uma grande chance de não serem um fenômeno natural — Sasuke observou aumentando ainda mais o ritmo da corrida.

— Naturais ou não, essa deve ser uma tempestade capaz de nos derrubar — advertiu Sakura.

— Já estivemos em lugares mais frios.

— E você já esteve mais agasalhado — retrucou.

Quando a velocidade do vento aumentou de maneira brusca, ricochetando os fios dos cabelos dos jovens em seus rostos e quase arrancando-lhe as roupas à força, eles não tiveram saída além de buscar abrigo. A distância que os separava da capital do país era de mais de uma hora. Não importava a velocidade que corriam, a tempestade os alcançaria.

— Com um monte de montanha dessas é impossível não haver uma fenda, uma caverna, um mísero buraco de urso para servir de teto — Sakura reclamava possessa em raiva e frustração. Seus lábios já rachavam de tão secos. As pontas dos dedos já não tinham nenhuma sensibilidade

— Por aqui.

Sem avisos, Sasuke a puxou para a sua direita. Sakura mal enxergava, sua visão era embaçada pela neve e ventania, tudo não passava de borrões brancos e marrons. De repente, todo aquele turbilhão dissipou-se em uma pequena fração, e Sakura conseguiu manter os olhos por mais segundos. Sasuke a puxava por entre duas montanhas gêmeas através de uma fenda estreita que as separava. A fenda devia estender-se por centenas de metros, porém em certo ponto, minutos depois de terem entrado ali, Sasuke parou e gritou para fazer-se ouvir.

— Soca qualquer lugar.

A ventania e o barulho eram tamanhos que Sakura só conseguia ver os movimentos dos lábios do parceiro de jornada, mas nada que de sua boca saía podia compreender.

Por conta da violência do vento, os ouvidos de Sakura pareciam tampado, doíam como se agulhas os cutucasse incessantemente, de forma que ela pressionou a palma das duas mãos ao lado da cabeça para tentar aliviar o incômodo. A neve já se acumulava na altura da coxa de ambos e a sensação de terem as pernas congeladas aumentava a cada minuto.

Cansado de tentar se comunicar, Sasuke virou Sakura de frente para a enorme parede de pedra, posicionando-se atrás dela e segurando seu punho. Os dedos da garota já estavam encolhidos neles mesmo, de forma que Sasuke precisou somente fazer o movimento de soco contra a parede para Sakura entender o que deveria fazer.

— Com calma — Sasuke dizia contra o vento gesticulando para ela ir devagar. Ele sabia muito bem que ela conseguiria colocar toda aquela montanha abaixo sem muito esforço, mas não era isso que pretendia.

Sakura socou a pedra da montanha com a força controlada, não só por vontade própria como por incapacidade por conta do frio, e o buraco que se formou em seguida tinha um pouco mais que um metro. Sasuke gesticulou para ela socar mais uma vez devagar, então Sakura entendeu que ele queria abrir na rocha da montanha uma espécie de marquise de pedra para abrigarem-se durante a tempestade sem serem cobertos por neve. Contudo, o segundo soco de Sakura desestabilizou a soberana parede de pedra. Parte da montanha acima de suas cabeças começara a desmoronar, a fenda onde estavam era muito estreita e não tinha para onde esquivar. Sakura estava preparada para partilhar as enormes pedras que desciam sobre eles com os punhos a fim de minimizar os danos, porém antes das enormes rochas tocarem os nós dos seus dedos, ela se viu envolvida por um manto de chakra roxo. Girou no mesmo eixo e percebeu que ossos de costela contornavam seu corpo e o de Sasuke. As pedras caiam sobre o manto fantasmagórico e não eram capazes de ultrapassá-los. Até o último pedregulho cair, Sakura e Sasuke permaneceram protegidos pelo Susanoo.

A garota olhou para o Uchiha atônita, não imaginava que ele fosse capaz de usar o Susanoo com os olhos tão deteriorados como estavam. Antes que pudesse bronqueá-lo, o cansaço e desgaste que o jutsu causavam aos olhos tiveram reações imediatas, Sasuke caiu sentado sobre o colchão de neve formado entre a fenda das montanhas com a mão pressionando os olhos já borrados de vermelho.

Sakura iria socorrê-lo, tentar improvisar qualquer jutsu medicinal para ao menos estancar o sangue ou interromper a dor, porém notou algo inusitado: o primeiro buraco que Sakura havia feito, com o desmoronamento, aprofundou-se; boa parte do enorme arrombo na montanha foi coberto pelas pedras, enquanto a parte de cima, um pouco além da altura da cabeça da garota, ficou aberta com uma pequena passagem. Sakura ficou na ponta dos pés e conseguiu confirmar o que vira de relance: uma gruta.

Rapidamente ela ergueu Sasuke do chão, e assim como ele a guiou minutos antes, ela o guiou pela parede de pedra para subir e passar pela fresta. Em seguida, ela mesma o fez, se juntando ao parceiro. O barulho estridente do lado de fora, ali, era somente um ruído incômodo, mas pequeno comparado ao silêncio, interrompido por ecos isolados de gotejamento.

— Achamos um abrigo — constatou em voz alta. Mal podia acreditar que poderiam realmente estarem à salvos.

A gruta era iluminada, pois havia uma abertura na parte superior da montanha por onde a luz, o vento e a neve passavam, abaixo dessa abertura, havia um pequeno córrego. O eco das gotas provinha dali, provavelmente neve derretida, cada gota acrescendo à água.

Sasuke ainda pressionava os olhos e não era capaz de fazer nenhum tipo de avaliação visual do local, de modo que Sakura despertou-se do deslumbre e guiou-o para perto da margem daquela água. Antes de apoiar Sasuke em algum lugar, retirou a mochila das costas e as dele também, montando um travesseiro improvisado.

— Deite-se, vou curar seus olhos.

— Onde estamos? — indagou se deitando. — É uma caverna? — perguntou percebendo o eco de suas vozes.

— Uma gruta — respondeu Sakura conferindo se a água era limpa. — Tem uma fonte d’água aqui, vou usá-la para limpar seus olhos para não termos que gastar as potáveis dos cantis.

— Abriu com o desmoronamento?

— Sim — respondeu simplesmente usando a manga da própria blusa para limpar o sangue que brotava dos olhos de Sasuke. — Sei que é difícil, mas tenta abrir os olhos.

Depois de inúmeras tentativas, limpezas e broncas de Sakura, Sasuke conseguiu manter os olhos abertos por mais segundos, e a jovem pode dar início a um rápido jutsu de cicatrização. Como Sasuke afirmou não estar mais sentindo dor, ela continuou a tratar seus olhos, ficou nisso por muito tempo até Sasuke afirmar que estava conseguindo enxergar melhor e sem sentir dor.

— Sabe que não pode usar nenhum doujutsu poderoso como esse, não sabe? Eu o avisei dezenas de vezes durante o tratamento.

— As pedras nos esmagaria — Sasuke explicou.

— Eu conseguiria despedaça-las ou esquivar.

— Não quis correr o risco — retrucou. — Salvei sua vida. — sorriu de canto debochado.

— Você fez eu desmoronar parte de uma montanha — Sakura reclamou envergonhada, rasgando um pedaço da sua própria roupa para fazer compressas de água gelada sobre os olhos de Sasuke.

— Eu pedi para ir devagar, você que é muito bruta e usou mais força do que o necessário — respondeu acomodando-se mais inclinado na pedra assim que Sakura terminou de trata-lo. — Qual o seu próximo passo?

— Esperar essa tempestade passar — respondia limpando o sangue das mãos na água gelada.

— Isso pode demorar dias.

— Então você terá dias para ensaiar um pedido de desculpas ao Raikage — Sakura retrucou rindo.

— Seu humor é bem inconveniente. Aparece nos momentos mais indevidos, e quando necessário, desaparece e faz de você uma mulher chata e rabugenta.

— Estamos convivendo há semanas, mas ainda estranho sua capacidade de formar frases com mais de cinco palavras. Sério, não estou exagerando. Não precisa arquejar. — Rio antes de continuar. — Ainda mais que, quando você fala tanto, percebi que geralmente é para quando deseja me atingir de alguma forma.

— Não são frequentes as ocasiões nas quais desejo perder meu tempo te importunando.

— Então seus comentários rudes fluem naturalmente? — indagou ainda com um tom provocativo.

— Com irritantes, sim.

Sakura riu, gargalhou. Tentou policiar-se, afinal, se aquela tempestade não fosse algo natural e sim provocado por um humano com algum kakkei genkai típico, o usuário poderia estar por perto e ouvir as ondas sonoras das risadas sinceras da garota de Konoha.

— Considero este um elogio da sua parte, quem sabe até um apelido carinhoso já que tem sido por anos uma das suas tentativas falhas de me ultrajar — disse ainda bem-humorada, levantando-se para explorar o local. — Vou ver o que mais tem por aqui. Consegue continuar imóvel?

— Não será muito difícil ser inútil. — Sakura rio novamente, podia sentir a irritação na voz do Uchiha.

Não demorou muito a exploração de Sakura, a gruta que ela abrira não era muito grande, e na verdade, Sakura tinha a impressão de que aquele local foi propositalmente fechado, por isso revelou-se tão facilmente com um pequeno desmoronamento. A parte mais ampla da gruta era onde ela e Sasuke se alocaram, ao lado do pequeno fluxo de água. Sakura não havia examinado ainda, mas aquela poderia ser a nascente de algum riacho. Sakura apostava nessa teoria pela água não estar estável, porém também não ter uma correnteza propriamente dita.

— Procurei por qualquer coisa inflamável, mas essa gruta só tem pedra e água. Não conseguiremos uma fogueira para passar a noite — informou aproximando-se novamente de onde Sasuke estava.

— Iremos congelar — Sasuke constatou ao sentir o vento gélido que passava pela abertura superior da montanha.

— Seria pior se estivéssemos ainda lá fora — respondeu de uma maneira otimista. Podemos dormir juntos para gerar calor.

Os olhos de Sasuke estavam vendados, mas todas as suas outras expressões faciais revelavam o que ela achava da ideia. Sakura percebeu e acrescentou.

— Claro que, se não quiser, eu também não vou me opor. Entretanto, esta seria uma questão de sobrevivência, não de segundos interesses — Sakura acrescentou.

— Precisamos comer — Sasuke desconversou tentando acomodar-se melhor na pedra. — Tem peixe nessa água?

— Não — respondeu depois de verificar por algum tempo. —  Tenho ainda um pouco dos doces que você me deu da festa de recepção do Mizukage.

Sasuke puxou a mochila atrás de si e encontrou a sacola com os doces. Provavelmente tinha menos de dez unidades. Encontrou também algumas barras de cereais e água potável. Para o seu azar, tirando a água, nada dali ele consumia. Mas aquela não era uma questão de querer e sim do que tinha ao seu alcance.

Quando passaram pelo o último vilarejo, não pensaram em fazer um estoque de comida porque acreditavam que chegariam no mesmo dia a Kumogakure. Compraram agasalhos a mais para Sasuke e o gasto desse dinheiro fez com que os dois ponderassem muito bem quando e como gastar o restante.

Na carta enviada a Naruto e Kakashi, ambos solicitavam urgentemente o envio de recursos em armas e em dinheiro para um representante no País da Trovão, pois haviam perdido tudo no naufrágio. Se ambos atendessem o pedido, este só poderia ser concretizado se conseguissem chegar até a capital para retirá-lo, antes disso, tinham que se virar com o que tinha sido oferecido pelo Mizukage.

— Estão congelados. — Sakura percebeu depois de dar a primeira mordida e sentir a fisgada de dor nos dentes sensíveis. — Pelo menos o frio ajudou a conservar. Esses doces devem ter uma semana.

— Quatro dias — Sasuke corrigiu comendo a sua parte com pouco prazer. Seu paladar desprezava qualquer alimento doce que não fosse fruta.

— Realmente, são os restantes da festa. — Sakura lembrou-se ao fitar o doce mordido.

Lembrou-se da festa, de como se divertira, como tinha dançado com o Sasuke e como ele esteve encantador naqueles dias com ela. Durante a viagem para o País do Trovão, no barco, Sakura perguntava-se o tempo todo se aquilo realmente acontecera e só conseguia acreditar quando tocava o tecido do vestido púrpura que Sasuke a presenteara, pensando que nunca arriscaria comprar algo daquela cor, então sim, foi real, ele quem deu, e o pequeno rasgo no decote também não tinha sido obra sua, o desejo dele que mutilara o inocente vestido.

Ela pensava em tudo com um sorriso tímido no rosto, sentindo uma sensação perigosa perscrutar sua barriga, mas não se repudiava. Era boa a sensação. Se pudesse vê-la, Sasuke certamente ficaria confuso com aquela expressão, sorte de Sakura por ele estar enfaixado. E mesmo se não estivesse, ela ainda estava a salvo, afinal, Sasuke jamais poderia saber o que se passava em sua mente e coração.

— A tempestade cessou? — Sasuke indagou quando já completara mais de uma hora que estavam ali.

— Piorou — Sakura constatou olhando para a quantidade de neve que entrava pela abertura da gruta. — Como eu imaginava, não conseguiremos sair daqui hoje.

Sasuke suspirou, queria chegar o quanto antes à Kumogakure. Sakura também. Entretanto, ele não entendia os riscos nos quais Sakura estava evitando coloca-los. Ele não estava enxergando direito, estava com poucos agasalhos e ela estava com a imunidade baixa por conta dos últimos eventos da missão, além do seu corpo não estar totalmente recuperado. Ambos não estavam em suas melhores condições para se aventurarem por um metro de neve mais ventos de arrancar os cabelos do couro cabeludo com uma só lufada. Os dois não tinham condições físicas nem preparo.

Sakura explicou, de maneira técnica, todos os motivos pelos quais acreditava que era melhor permanecer ali pelo menos até a manhã seguinte. O Uchiha não tinha escolha além de reclamar. Com a visão comprometida, só poderia depender dela, e isso era o que mais aborrecia. A independência e espírito de liderança de Sakura eram encantadores quando vistos de um outro ângulo, sendo ele o subordinado desses predicados, já os enxergava de outra maneira.

— Vou trocar suas bandagens — Sakura anunciou depois de muitos minutos de silêncio.

— De novo? — Sasuke indagou sentindo a garota retirar o pano úmido dos seus olhos.

— Talvez não precise. Consegue abrir sem sentir dor? — Sasuke abriu, piscou algumas vezes e logo focou no rosto de Sakura. Olhou ao redor girando o globo ocular por todas as direções alcançáveis, e não sentiu dor nem incômodo. — Que ótimo — exclamou realmente aliviada após Sasuke garantir que estava bem. — A água gelada ajuda a estancar o sangue dos pequenos vasos sanguíneos e a adormecê-los, por isso que você não está sentindo nada. Talvez seja temporário, porém já é um começo — acrescentou de forma otimista.

— Estou conseguindo focar melhor — Sasuke informou ainda girando os olhos por todos os lados. — Não nitidamente como um dia já enxerguei, contudo melhor do que ontem. — Fitou por fim o rosto curioso de Sakura. Ela entendeu a comparação. Sentou-se ao lado dele e colocou o seu cobertor por cima do dele, formando uma dupla camada protetora contra o frio.

— O que fiz demandou muito chakra, por isso não uso com frequência em você — explicou.

— Mas se usar, há uma chance da minha visão retornar?

Sakura demorou para responder. Aquele assunto pareceu tê-la deixado tensa de alguma forma e Sasuke havia notado isso, por isso pressionou-a a falar.

— Se eu vou ficar cego permanentemente, gostaria de uma palavra final. Essa sentença não me alarma mais.

— É reconfortante ouvir isso, te garanto — disse com algum humor, mas a expressão ainda estava séria. — Já te expliquei o seu problema. Preciso estudar mais...

— Há muito tempo você não me trata.

— Olha as circunstâncias — Sakura elevou o tom de voz assim que percebeu o tom acusativo no dele. — Quando chegarmos a Konoha, podemos ver melhor isso.

— Se há como fazer algo todos os dias, como você fez comigo hoje, eu quero que faça.

— O seu caso é raro, Sasuke. Eu acredito que nem um transplante de córnea resolveria. Se a medicina fizesse mágica, não teríamos cegos no mundo. O que ninguém entende é que há coisas que não estão ao nosso alcance, nem mesmo quando somos Iryou-nin.

— Os meus olhos não estão ao seu alcance? — Sasuke perguntou simplesmente fitando Sakura de maneira firme.

— Se há alguém que pode salvá-lo do breu eterno por conta da cegueira, esse alguém sou eu — Sakura garantiu com a mesma firmeza. — Contudo, não posso te assegurar que conseguirei fazer isso porque eu não sei.

Sasuke assentiu. Olhou para as próprias mãos, examinando as palmas e os dedos.

— Consigo ver as linhas das minhas mãos — disse depois de minutos de silêncio. — As dobras dos dedos, talvez as veias... — narrava enquanto Sakura o observava com um misto de compaixão e orgulho.

Pela forma que Sasuke a interrogara, parecia que era obrigação dela fazer isso para com ele. De certa forma, poderia até ser, pois Tsunade designou ela para recuperar a saúde do rapaz por completo, ainda assim, ele não tinha direito de cobrá-la e falar como se ela fosse negligente. Também era um castigo muito bom preparado pelo destino era ser a única capaz de dar um veredito para os olhos de Sasuke. Se ela simplesmente se recusasse, Sasuke muito dificilmente só conseguiria buscar esperanças em Tsunade e Shizune, se elas aceitassem tal serviço ou conseguissem executá-lo. Se Sasuke mergulhassem em uma cegueira irreversível, sua imponência seria resumida a quase zero. O orgulho dos Uchiha são os olhos, e para um Uchiha orgulhoso de praxe como Sasuke, ficar cego é perder sua própria identidade que era a única coisa que ele ainda tinha.

De todas as perdas físicas que um humano pode sofrer, perder a visão é sem dúvida uma das piores, se não a mais. Por mais que ainda desejasse fazer o Sasuke sofrer mais um pouquinho, seu coração não deixaria ela continuar. Ver Sasuke vislumbrando suas próprias mãos despertou um senso de empatia maior pela situação dele. Sakura decidiu que poderia, com o tempo, castiga-lo pelos anos de escroto com outros métodos, mas sua visão, ela tentaria devolver.

Sakura só foi despertada dos seus devaneios quando Sasuke migrou o seu olhar, antes nas próprias mãos pálidas, para o rosto de Sakura.

— O que foi? — Sakura perguntou constrangida.

— Tem grãos de açúcar no canto da sua boca.

Envergonhada, Sakura rapidamente tentou limpar com a manga da blusa, porém com a manga com a qual havia limpado o sangue dos olhos de Sasuke, manchando assim uma parte do seu rosto de vermelho. Sasuke fez um som que Sakura desconfiou ser um riso contido, porém ele logo fechou a cara de novo, molhando aponta do cachecol que usava com um pouco de água do cantil. Limpou delicadamente as partes manchadas do rosto da garota, e mesmo quando toda a sujeira havia sido limpa, ela continuou a alisar o pano em sua pele e observar as marcas do seu rosto de perto.

Daquela distância, podia notar que os cílios de Sakura eram um pouco mais escuros do que o seu cabelo, que o Selo Yin em sua testa era mais lilás do que azul, qua pesar dos anos de kunoichi, seu rosto estava imaculado, tinham apenas claríssimas sardas no nariz, tão poucas e claras que Sasuke gabou-se por conseguir enxerga-las como nunca tinha notado antes.

— Você está me constrangendo — Sakura esbravejou. — Eu vou voltar para o meu canto e levar meu cobertor comigo. — Sakura de fato se levantava puxando a ponta do cobertor quando Sasuke a segurou e puxou-a de volta. — O que foi? — indagou pela segunda vez.

Ele não disse nada. Talvez se dissesse algo, ela o rebateria, ele se irritaria, então brigariam e ficariam afastados até um novo motivo para confusão surgir. Ele estava cansado. Não desse ciclo de intrigas, no fundo, até gostava, porém estava cansado mentalmente para lidar com isso e tudo o que pensava, desde que começou fitar o rosto de Sakura, era como seria bom sentir aquela pele, a rachadura dos lábios, a quentura das bochechas vermelhas pelo constrangimento. Ele queria sentir, queria naquele momento, e não iria falar para a vontade passar, não iria tentar ignorar ou pedir permissão, ele ia fazer.

Enquanto uma parte de seu pensamento implorava para diminuir a distância com a moça, a outra parte se bronqueava por estar, mais uma vez, se rendendo à mulher ferina e falante que há semanas detestara como nunca detestara antes. Porém a viagem mostrara facetas da Sakura que sempre existiram e que por algum motivo ela insistia em esconder debaixo de um manto rigoroso e praticamente impenetrável. Depois da noite de sexo que tiveram e de sua confissão bêbada, Sasuke passou a entender um pouco as atitudes geniosas que ela adquiriu com os anos em que ele esteve preso. Ser uma mulher forte de coração puro a trouxe traumas doloroso, armar-se com rispidez e indecência era a única forma de afastar qualquer pensamento de que ela era uma moça ingênua.

Entender pelo menos uma fração do que pode ter sido a causa da mudança de personalidade de Sakura fez com que Sasuke se tornasse mais empático e observador em relação a ela. A menina que deixou desmaiada num banco de Konoha aos treze anos ainda habitava aquela carcaça rude de guerreira, e era em momento como aquele, em que Sasuke a deixava sem graça e a beijava, que essa menina aparecia, com o mesmo olhar doce e pueril.

Sasuke a beijou com os seus lábios gelados, roxos, acariciando os dela, ressecados pelo frio, mas quentes como o diabo. Tão quentes que aqueceu o corpo dele do frio que insistia em envolver a gruta. Se separaram por instantes e fitaram um ao outro, o olhar de Sasuke, certeiro, o de Sakura, um tanto quanto confuso. Ele podia jurar que ela ia indagar algo, talvez até xingá-lo pela ousadia, mas pareceu ter desistido, pois ela quem investiu contra a boca dele dessa vez, não apenas se limitando aos lábios, como também beijando o rosto anguloso do Uchiha, o lóbulo de sua orelha, seu pescoço recém-descoberto pelo cachecol.

Antes, ambos estavam escorados na pedra, agora deslizavam para o chão, mantendo somente a cabeça escorada em cima das mochilas nada macias, ainda que melhores que um travesseiro de rocha. Seria tudo diferente da primeira vez, quando Sakura estava deslumbrante sob uma lingerie sexy e permeada pelo cheiro de sais de banho, assim como Sasuke, perfumado até onde não devia e com a devida dose de álcool no sangue capaz de torna-lo menos ávido. Não havia o conforto de uma cama, o aconchego de um quarto de hotel ou bebida para culpar quando terminassem. Havia só ele e ela, homem e mulher cedendo a um desejo inegável.

Por minutos, permaneceram se beijando, se apalpando, aquecendo suas mãos no corpo um do outro. Fizeram isso por tanto tempo que não sentiam mais frio. Não conversavam, não ponderava, e quando o olhar se demorava demais no olhar do outro, um dos lados cedia ao beijo e as carícias. Nada poderia interromper aquele momento, era um contrato mudo e velado.

Embora Sakura fosse uma mulher sedenta e naquele momento estivesse febril de desejo, Sasuke conseguia superá-la. Não tinha lembranças precisas da outra noite, um vislumbre das expressões de atitudes do colega para poder comparar, contudo ela sentia-o em brasas em cima dela, mal puxando ar para os pulmões, sufocando-se na própria luxúria.

Sasuke só diminuiu o ritmo quando tencionou abaixar as calças de Sakura, como se de alguma forma buscasse permissão em sua reação; como resposta, ela mesma abaixou na altura suficiente e em seguida já abaixou também a dele, retirando o pênis que já estava rígido como as pedras sobre as quais se apoiavam. Lentamente Sasuke entrou, arrancando gemidos de Sakura e soltando os dele próprio. Apenas as paredes poderiam ouvir e testemunhar o que ali aconteciam, e tirando os ecos que produziam, elas não diriam nada.

Por conta das pedras e do atrito, ambos tiveram que ceder para a calma, e aquele incêndio que tomava o corpo deles teve que ser convertido em uma areia, o desejo animalesco converteu-se em deleite pelo momento. A atenção em cada sensação, no roçar dos ventres, das coxas, dos pés calçados, no toque dos lábios, nas rugas nas têmporas, na intensidade no olhar. Sakura sempre pensara na diferença entre amor e sexo, agora descobrira. Não era apenas desejo que os movia, pelo menos era o que ela sentia e o que Sasuke mostrava ser mútuo: ambos estavam se sentindo, se gostando, se amando. Não era um ritmo desenfreado por um ápice de prazer, era a sensação do toque do outro e os turbilhões físicos e intangíveis que eles causavam. Sasuke estava a amando, e embora jamais admitisse isso em voz alta, ela sabia pelo brilho do seu olhar negro que ele não queria se separar dela de nenhuma maneira.

Aos poucos, Sakura conseguira o que queria afinal.



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