História Stupid Cupid - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Doyoung, Taeil
Tags Doil, Dotaeil, Limitlesslove, Lls5
Visualizações 128
Palavras 4.762
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ficção, Fluffy, Shonen-Ai, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, olá.
Aqui estou eu atrasando todas as minhas fanfics para postar mais uma cotribuiçãozinha para o Limitless Love dessa semana. O tema é crianças!
Espero que gostem!

Capítulo 1 - Capítulo Único - Look at the stars


Kim Hyoje estava agachada em silêncio. Tinha os olhinhos escuros atentos à conversa que observava pela fresta da porta. De onde estava, podia ver os ombros largos do irmão mais velho encolhidos, enquanto ele chorava baixinho.

Diante dele estava a mamãe, num misto de choque e tristeza ao ouvir a confissão de seu primogênito. “Mãe, me perdoe, mas eu sou gay. Eu gosto de garotos. Eu realmente sinto muito, por favor, não me odeie”.

O irmão mais velho sempre fora o maior exemplo de força e alegria para Hyoje, vê-lo chorar aos soluços partira seu pequeno coração em mil pedacinhos. Era como se ela nem mesmo reconhecesse aquele garoto encolhido e chorão. Era doloroso e não fazia ideia do que ela, uma garotinha franzina de oito anos, podia fazer para ajudá-lo.

Depois daquele dia, as coisas ficaram extremamente tristes dentro de casa. Por mais que a mãe se esforçasse para continuar agindo normalmente diante da caçula, Hyoje sabia que ela chorava escondido quando ficava algum tempo sozinha em algum cômodo. Já seu irmão, Kim Dongyoung, que sempre fora tagarela e implicante, havia sido absorvido por uma bolha de absoluto silêncio. Era fácil vê-lo com o olhar vago, mesmo quando tentava fazer as coisas que normalmente lhe davam prazer, como comer e ler.

A vida da família Kim era extremamente modesta, desde que o pai os abandonara para montar outra família, os três viviam com dificuldades financeiras. Hyoje estudava numa escola pública do bairro, enquanto Dongyoung tentava economizar algum dinheiro de seu trabalho de meio período para conseguir pagar ao menos uma faculdade barata. A mãe trabalhava jornadas exaustivas num supermercado que ficava aberto até as 23 horas.

Com a casa em completo silêncio, os dias em que a pequena sentia o sufoco em seu peito enfim aliviar era quando ia para as aulas de música. Claro, a família não tinha condições de arcar com as despesas de uma escola de música de verdade, mas graças a um projeto de voluntários de um dos bairros vizinhos, as crianças dali podiam ter aulas de música de graça e ah, Hyoje as adorava.

O professor favorito de Hyoje era definitivamente o Sr. Moon. Diferente das senhoras que davam aula de piano e canto, o Sr. Moon era um dos poucos jovens voluntários do projeto e ele dava aulas de instrumentos de corda. Violão, baixo, ukelele, guitarra, o Sr. Moon entendia de tudo um pouco.

Ele era um pouco desengonçado e atrapalhado, mas era aquilo que o fazia tão divertido. Hyoje desconfiava que ele tivesse aproximadamente a mesma idade que Dongyoung, mas diferente de seu irmão rabugento, o Sr. Moon era doce como mel e, apesar de ele tentar esconder de seus alunos, tinha uma voz que derreteria até o coração mais gelado do mundo.

Às vezes Hyoje queria que seu irmão fosse mais sorridente como o Sr. Moon, mas ultimamente, ela apenas desejava que ele voltasse a ser quem era. Não sabia o que havia de tão errado em gostar de garotos que fizesse com que Dongyoung ficasse tão triste e retraído, mas Hyoje achava que talvez estivesse na hora de fazer algo para ter seu irmão de volta.

 

♡♡♡

 

- Eu vou te arranjar um namorado. – A pequena disse solenemente numa tarde e por um momento Dongyoung se engasgara com o suco de caixa que tomava. Naquele dia a mãe dos dois havia saído para lavar roupas na lavanderia e o filho mais velho fora encarregado de olhar a menor.

Que a irmã mais nova tinha a habilidade de disparar sentenças absurdas no meio do nada não era novidade naquela casa, entretanto, Dongyoung nunca cansava de se surpreender.

- O que??? – Falou perplexo. – Um namorado? De onde você tirou disso?

Hyoje não se fez de rogada e soltou o verbo.

- Eu ouvi tudo, sei que você está triste porque gosta de garotos. – A pequena franziu a testa em uma pequena carranca. – No começo eu não entendi porque você estava tão chato de repente, mas então eu imaginei que deve ser porque você só deve ter gostado de garotos idiotas. Eles são mesmo a maioria, deve ter sido horrível.

Dongyoung nem piscava. O canudo da caixinha de suco pendia esquecido sobre sua boca aberta em choque.

- H-hyo... você não devia estar falando dessas coisas.

- Você ficou muito chato, quando vai voltar ao normal? Eu tenho que fazer alguma coisa!

Pela primeira vez em muito tempo, a caçula voltou a ver o brilho doce iluminar os olhos escuros e bem desenhados do irmão. Dongyoung pousou a caixa de suco no chão e apertou a pequena num abraço esmagador de irmão.

- Meu deus, você é uma peste! Eu te amo. – O mais velho disse aquelas últimas palavras bem baixo, sentindo os próprios olhos arderem em antecipação a algumas lágrimas teimosas. – Não precisa me arranjar namorado nenhum, estou bem, sim?

- Não, você não está! Está tão sem graça, você nem mesmo reclamou por eu ter derramado geleia no lençol da sua cama!

- Você... o quê???

- Pffft, agora é meio tarde para reagir, não acha? Isso já tem uma semana!

- Já falei para você não ir com comida para o meu quarto!

- Tarde demais. – A pequena deu de ombros e soltou uma risadinha. – Não se preocupe, oppa, eu vou arranjar um namorado bem bonito e legal para você. Um que me compre bastante sorvete.

- Hyoje, por favor, não saia falando essas coisas de mim por aí, já foi ruim o suficiente contar para mamãe. Você não é burra, sabe guardar segredo, não sabe?

- Eu sei, mas se eu guardar segredo como vou te arranjar um namorado?

- Já disse, apenas não faça isso! Eu não preciso de namorado, preciso de dinheiro para ir para uma faculdade, isso sim.

A pequena fez um bico emburrado e em seguida foi chispada para longe de Dongyoung, que voltou a beber seu suco de caixa e olhar para o desenho idiota que passava na TV. Hyoje, saiu contrariada, mas apesar da recusa veemente do mais velho, a pequena estava irredutível de que o que traria a felicidade de volta ao seu irmão seria um belo de um namorado.

Nos dias que se seguiram, ela começara a avaliar com cuidado os homens que via pelo caminho, havia muitos pretendentes em potencial para o irmão, como o moço que vendia algodão doce decorado na rua, o moço da cantina que lhe dava uma bala extra de vez em quando e, é claro, o rapaz da sorveteria. Contudo, depois que ela descobrira que o moço da sorveteria na verdade tinha 30 anos de idade e era casado, Hyoje percebera que não devia escolher os pretendentes do irmão com base em seu próprio interesse.

Em uma das idas às aulas de música, a pequena acabara reparando no jardineiro do local. Ele parecia jovem e tinha uma aparência até agradável, fora então que a pequena Hyoje fizera sua primeira abordagem. Ela só não esperava que as coisas acabassem tão mal.

Taeil estava organizando as partituras daquela aula no suporte quando ouvira a voz do jardineiro ecoar enfurecida por toda a pequena escola. O professor voluntário correu quase que imediatamente para ver o motivo de tanto estardalhaço e arquejou chocado ao ver o rapaz da jardinagem falando coisas horríveis para uma de suas alunas.

Kim Hyoje estava à beira das lágrimas, encolhida contra os arbustos ao redor da passarela enquanto o jardineiro brigava tão furioso a ponto de erguer a mão para batê-la. Taeil se moveu o mais depressa que pode e se posicionou diante da garota.

- Senhor Gong, o que pensa que está fazendo? – A voz de Taeil saiu um pouco mais alterada do que sua postura de professor exigia, mas ele ainda estava consternado ao ver uma de suas alunas sendo agredida verbalmente de forma tão dura e desrespeitosa.

- Essa garota! Aish! Senhor Moon, essa garotinha me perguntou coisas absurdas e indecentes! Ela merece uns bons tapas!

Ao ouvir aquilo, Hyoje se agarrou amedrontada à cintura do professor de música. O senhor Moon era magrinho, como o irmão de Hyoje também era, conseguia abraçá-lo perfeitamente com seus bracinhos.  

- Não ouse tocar um dedo sequer nessa garota ou em qualquer aluno desse projeto! – Disse de forma polida, mas incisiva.

- Mas senhor Moon...

- Ela é uma garota de oito anos! Como pode ter perdido a cabeça de tal forma com uma criança dessa idade? O insensato aqui é o senhor! Não tem o direito de encostar nem mesmo um dedo em nenhum deles, entendeu?

- Entendi. – O jardineiro crispou os lábios e voltou a pegar a tesoura de jardinagem que havia enfiado no bolso.

Taeil saiu a passos duros dali, segurando forte na mão de Hyoje, fazendo a pequena correr um pouco para acompanhar a velocidade de suas passadas. Quando estavam a uma boa distância do jardineiro, as lágrimas da menina enfim caíram. Ao perceber os soluços silenciosos da garota, o professor estancara no corredor e se abaixara sobre um joelho para ficar na sua altura.

- Não precisa chorar, Hyo. Está tudo bem, ele não irá fazer nada com você.

- Eu fiquei tão assustada!

- Ele não irá mais gritar com você, estou aqui para protegê-la, entendeu? – Taeil usou os dois polegares para limpar o rastro das lágrimas do rosto da pequena. – O que você disse para deixá-lo tão enfurecido, afinal?

Hyoje soluçou e agitou a cabeça de um lado para o outro em uma negativa. Tinha medo de dizer ao professor e ele se irritar também.

- Não quero que fique zangado comigo também.

- Prometo que não ficarei, você confia em mim, não confia?

A pequena assentiu timidamente. Sim, ela confiava muito no Sr. Moon. Ele definitivamente era o melhor professor voluntário dali, era sempre gentil com as crianças e ás vezes trazia balas para seus alunos. Sabia que ele não ganhava nada naquele trabalho e pelo estado gasto de suas roupas, desconfiava que ele não tivesse muito dinheiro também, mas duvidava que ele fosse capaz de dizer coisas tão grosseiras. O Sr. Moon era um homem bom, mesmo quando tudo parecia ir muito ruim, ele trazia alegria.

- E-eu... eu perguntei se ele namorava com garotos.

Os olhos de Taeil se arregalaram numa surpresa evidente.

- Por que perguntou isso a ele?

- Estou procurando um namorado para meu irmão, mas não achei que fosse ser tão difícil.

Hyoje estava envergonhada, mas sentiu um peso sair de seu coração quando viu um sorriso se abrir largo no rosto do professor.

- Meu deus, você é uma figura! Vamos para a sala de música, eu tenho que te explicar algumas coisas sobre indiscrição.

A pequena seguiu o professor à sala em que os dois costumavam ter as aulas de violão e se sentou em uma das cadeiras de plástico com a cabeça baixa. Então ela ouvira o Sr. Moon lhe explicar gentilmente que as pessoas não gostavam de ser perguntadas tão diretamente sobre suas vidas amorosas e que o tópico ‘namoro entre pessoas do mesmo sexo’ ainda era algo muito sensível entre as pessoas da Coreia do Sul.

Perguntar aquilo podia ser muito ofensivo para pessoas de coração duro e podia resultar em consequências muito ruins. O professor aproveitara o momento e também lhe explicara sobre intolerância e como algumas pessoas podiam ser más com aqueles que não compreendiam ou não seguiam os mesmos princípios.

- Então é por isso que meu irmão está triste. – Disse baixinho com os ombros encolhidos, sentindo aquele aperto no coração voltar enquanto pensava nas coisas que deviam passar na mente do Dongyoung. – As pessoas odeiam ele por gostar de garotos? Isso é estúpido! Meu irmão é um cara legal! Ele é meio reclamão, mas tem um bom coração. Não é justo.

- Infelizmente, esse nosso mundo é muito injusto, Hyoje-ssi. – Taeil pegou o violão e o pousou sobre o próprio colo, dedilhando as cordas devagar. – Eu tenho certeza que seu irmão irá ficar bem. É um pouco difícil lidar com essas coisas, mas se ele for forte como você, ele vai passar por isso e encontrar um cara legal no momento certo. Não precisa se preocupar tanto com isso por ele.

Taeil começou a tocar uma música suave que Hyoje reconhecia de um dorama. O professor sempre tocava uma música para ela antes de começarem as aulas, pois a menor insistira veementemente nas primeiras aulas e aquilo acabara se tornando um hábito. Apesar do estresse anterior, as músicas do Sr. Moon sempre conseguiam acalmá-la.

A garota observou com admiração enquanto o professor dedilhava as cordas e cantarolava no mesmo ritmo. O Sr. Moon era bonito e tinha olhos gentis, seu sorriso tímido sempre transmitia uma felicidade genuína de estar ali, ensinando música. Foi então que Hyoje teve um estalo.

E se o senhor Moon fosse o namorado de seu irmão mais velho? Oh! Seria maravilhoso!

Ela quase podia imaginar a própria casa recuperando a alegria com a música do professor e as risadas roucas de Dongyoung. Ela adorava aquela fantasia demais para não se permitir ignorar toda a lição educativa que o professor acabara de lhe dar sobre perguntas indiscretas.

- Senhor Moon? – Taeil respondeu com um breve arquear de sobrancelhas, pois ainda se concentrava na música. – O senhor gosta de garotos também?

As mãos de Taeil escorregaram desajeitadamente pelas cordas com o choque daquela pergunta e um som alto e desconexo com o ritmo anterior saiu do instrumento. O professor suspirou longamente, pelo visto aquele seria um dia quase impossível de ministrar aula.

- Essa... essa é uma pergunta muito pessoal, Hyoje. – Taeil tentou desconversar, mas ao ver os olhinhos pidões da garota, ele soube que havia sido derrotado. – Sim, eu gosto de garotos, mas ninguém aqui sabe disso.

- Agora eu sei.

- Sim, mas você sabe guardar segredo, certo?

- É claro, não sou burra! – A garota abriu o mesmo sorrisinho de falsa inocente que abrira para Dongyoung.

- Ótimo. Será que podemos começar nossa aula agora? Já estamos atrasados.

- Sim!

 

♡♡♡

 

Quando Hyoje chegara em casa naquele dia, a primeira coisa que fizera fora correr até o quarto do irmão mais velho para lhe contar a novidade: seu professor de música também gostava de garotos.

- E o que eu tenho a ver com isso? Me deixe em paz, por favor. – Dongyoung mais uma vez estava visitando sites de universidades com uma calculadora em mãos, tentando ver se o dinheiro que já havia juntado era suficiente para pagar alguma delas.

Hyoje entretanto, estava mais do que empolgada com aquela ideia.

- Oppa, você precisa conhecer o Sr. Moon! Ele toca violão e é carinhoso, quando ele sorri é como se pudesse ver estrelas em seus olhos. Você vai adorá-lo!

Dongyoung soltou um muxoxo e sequer desviou os olhos da tela. Imaginava que tipo de pessoa daria aula de graça para crianças num bairro tão pobre como aquele. Provavelmente era um professor solteirão e careca, que dava aula de música para crianças como forma de aliviar os fracassos da própria vida de gay sem filhos.

- Esqueça, Hyo. Não vou sair com seu professor encalhado de violão. Pare de tentar me arranjar namorados, se a mamãe descobrir isso, tanto você quanto eu ficaremos encrencados.

Mas Hyoje não esqueceu, nem por um momento. Não podia ficar um único instante a sós com o irmão mais velho que logo começava a tagarelar que o Sr. Moon era isso, que o Sr. Moon era aquilo. Dongyoung não aguentava mais ouvir sobre aquele cara.

Desde que tivera a coragem de assumir a sexualidade para a mãe, ele estranhamente havia sentido uma calmaria em seu coração que não experimentara há muito tempo. Sim, ele gostava de garotos, mas ao menos agora ele não precisava se sentir culpado por isso. Não estava apaixonado por ninguém em particular, mas remoera aquelas inseguranças sobre si mesmo por tempo demais para suportar.

A mãe não reagira tão positivamente, mas ainda assim ela o amava e tentara seu melhor para compreender o filho. Aquilo já bastava para Dongyoung, não precisava de namorado, ao menos não naquele momento. Ele tinha outras preocupações no momento. Contudo, sua irmã de oito anos não dava muita bola para aquilo.

- Mamãe, acho que a senhora devia descansar um pouco mais hoje à tarde antes de ir para o supermercado. O oppa pode me levar para a escolinha de música, não é mesmo Dongyoungie?

A mãe levantou o olhar surpresa com aquela proposta tentadora de descansar mais quarenta minutos antes de ir para o trabalho.

- Ah, querida, não incomode seu irmão eu posso levá-la.

- Ah... – Dongyoung abriu a boca sem saber como agir. A mãe andava cansada e cada minuto era realmente precioso. É claro, ele sabia que aquilo era apenas estratégia da pequena para fazê-lo ir até o tal do Sr. Moon, mas depois que aquilo havia sido dito, Dongyoung se sentiria culpado se agisse de forma egoísta e deixasse a mãe levá-la. – Não tem problema mamãe, eu posso levá-la. Descanse um pouco mais em casa.

- Sério, querido? Isso não vai ser um tanto incômodo para você?

- Não, está tudo bem. – Dongyoung sorriu de leve e em seguida enviou um olhar discreto para a caçula, um que dizia “Eu vou matar você” de forma silenciosa.

Hyoje percorreu todo o caminho até a escola de música ouvindo Dongyoung reclamar. Ele reclamou até mesmo do formato das pedras no caminho e a pequena estava para gritar e mandá-lo calar a boca. O irmão mais velho era um chato, isso não era novidade, mas naquele dia ele estava disposto a se vingar da pequena e reclamara o triplo do que era considerado o seu normal.

Quando enfim avistaram a pequena escolinha de voluntários os dois suspiraram de alívio em uníssono.

- Você deve entrar comigo.

- Já te deixei na porta, isso é mais do que suficiente!

- Como sabe que não vou fugir quando der as costas? Deve me deixar na sala senão eu vou falar para a mamãe que você me abandonou no meio do caminho!

- Você! Argh! Eu vou te dar um cascudo uma hora dessas por ser tão insuportável!

- Vamos! – A pequena soltou uma risadinha e começou a saltitar pelo caminho segurando na mão do irmão, que caminhava quase se arrastando. Quando entraram no corredor, os dois foram inundados por uma voz que Hyoje conhecia muito bem, mas que causou um certo choque em Dongyoung.

Acordes suaves davam forma a melodia de Yellow, do Coldplay e uma voz doce cantava a letra da música. Dongyoung estancou no mesmo lugar e Hyoje o olhou com um sorriso radiante no rosto.

- É ele! Vamos! – Em seguida correu em disparada para uma salinha com a porta aberta no meio do corredor.

Dongyoung não havia dado a mínima para tudo que o Hyoje dissera sobre o Sr. Moon, entretanto, ao ouvir aquela voz tão bonita, ele sentira um leve arrepio percorrer a espinha, um tipo arrepio que ele nunca havia sentido, como se algo bom e grande estivesse prestes a acontecer.

Se seus pés antes caminhavam relutantes em direção àquela escola, agora ele os movia de forma decidida em direção àquela sala. Hyoje estava perto da porta e o chamara com a mão para que andasse mais depressa. E ele foi.

Dongyoung aparecera timidamente na porta enquanto a irmãzinha correra em direção à cadeira ao lado do professor. Diferente do que esperava, o professor Moon não era um quarentão careca, mas sim um rapaz bem jovem e simples. Tinha cabelos curtos e escuros e usava um jeans velho, combinado com uma camiseta amarrotada. Manuseava o violão com habilidade e gentileza e quando seus olhos enfim se ergueram para o visitante na porta, Dongyoung sentira o ar faltar por instante. Era lindo.

- Boa tarde, professor! Esse é meu oppa, ele veio me trazer hoje.

Taeil parara de tocar e o cumprimentou timidamente com um sorriso. Não estava esperando encontrar um desconhecido naquele momento e se sentiu um tanto constrangido de ter sido flagrado cantando. O irmão de Hyoje era muito alto e seu rosto lembrava ao da irmã caçula, era bonito e sereno.

- Olá, professor. Me desculpe por interrompê-lo, mas ela me pediu para trazê-la. – A voz de Dongyoung era rouca e seu rosto logo assumiu alguns tons extras de rosa, com o embaraço da situação. – Sou Kim Dongyoung.

- Ah, sim. Sou Taeil, Moon Taeil.

- Professor, seu nome é Taeil? Eu sempre achei que fosse “Sr. Moon”. – A pequena disse e aquilo fez o sorriso de Taeil se alargar. Como Hyoje mesmo descrevera, era como se uma constelação brilhasse em seus olhos quando sorria.

- Eu também tenho um nome, oras! – Disse gentilmente e se levantou para pegar o instrumento menor para a garota manusear. O olhar de Taeil voltou a cruzar com o de Dongyoung e o Kim então percebera que estivera a tempo demais parado ali na porta.

- A-acho que vou indo então. É um pouco longe vir andando para cá, acho que vou dar uma volta pelo bairro até a aula acabar.

- Dongyoung-ssi... – Taeil parou no meio da sala com o violão menor na mão, em sua cabeça, ele ponderava. Quando Hyoje falara do próprio irmão, Taeil simpatizara com sua situação. Conseguia imaginar o tipo de angústia e medo que havia passado por sua cabeça ao se assumir para a família, porém, ele jamais imaginara que ele fosse tão encantador. Aquele rapaz de olhos bonitos e lábios finos e delineados era bem mais interessante pessoalmente do que em sua imaginação. – Por que não assiste a aula conosco? Está um pouco quente hoje para ficar perambulando por aí.

- Ah, essa aula é para crianças...

- Mas só Hyoje faz aulas nesse horário, pode se juntar a nós. É de graça.

Dongyoung queria usar sua educação e negar aquele convite. Não parecia apropriado se enfiar na aula de um projeto voluntário para crianças, mas quando dera por si, já estava dizendo sim, completamente hipnotizado por Moon Taeil.

Ele se sentara ao lado da pequena Hyoje e vira Taeil voltar ao suporte de instrumentos para pegar um violão de tamanho normal para Dongyoung. Hyoje sorria de orelha a orelha, percebendo o encanto imediato que o irmão demonstrara ao ver seu professor. Dongyoung podia ser um chato de galocha, mas seu coração era delicado, assim como o do senhor Moon também era.

- Você já tocou violão alguma vez antes? – Perguntou ao voltar para sua cadeira.

- Não, não sei tocar nem uma nota.

- Eu vou te ensinar, oppa! – Hyoje esticara a mãozinha para o violão do irmão e agitara uma das cordas com o indicador. – Isso é um dó.

Taeil sorrira da atitude da garota e agitara a cabeça em aprovação.

- Hyoje-ssi, como seu irmão está começando, irei ensiná-lo desde o princípio, mas sua lição de hoje é diferente. Preste atenção, sim?

Nos primeiros dez minutos da aula, Taeil lhe mostrara a posição de alguns novos acordes e pedira que ela tocasse uma música simples seguindo a partitura. Dongyoung o observou com genuína admiração. Ele era muito paciente e não se incomodava nem um pouco e repetir a mesma coisa várias vezes até a pequena entender.

Quando Hyoje enfim começara a tentar tocar a música com os novos acordes, o professor se levantara de se lugar e puxara uma cadeira para perto de Dongyoung. Taeil achou adorável o modo que ele o olhava fixamente e logo desviava o olhar ao ser flagrado fazendo isso.

Taeil explicara devagar cada acorde e a posição que as mãos deviam se mover. Diferente das crianças de mãos pequenas que ensinava, Kim Dongyoung tinha belas mãos com dedos longos. Ele também aprendia rápido e, quando tirava alguma dúvida, parecia saná-las sem dificuldades. Não demorara para que Moon percebesse que aquele era um rapaz inteligente.

Ele ainda se atrapalhara na hora de tocar algumas notas, no começo era um pouco difícil acertá-las e memorizá-las, mas Taeil achava que ele estava indo bem. De alguma forma era um tanto prazeroso ver os dedos longos do Kim se movendo pelas cordas e o professor logo também se viu hipnotizado.

- Eu acho que você aprendeu bem. – Disse com um sorriso gentil nos lábios.

- Oh, isso é um alívio! Pena que não posso vir aqui para avançar mais. – Dongyoung pensara em voz alta e, ao ver o sorriso de Taeil se desmanchar, ele se sentiu embaraçado por ter dito aquilo.

- Você... – Taeil engoliu seco, uma ponta de nervosismo se formando em seu estômago. – Se você quiser, eu posso ensiná-lo também, mas não aqui.

- Ah, você diz... aulas particulares? – Dongyoung também sentiu o próprio coração acelerar no peito, isso porque ele conhecera aquele homem apenas a algumas horas atrás. Aparentemente, quando o coração decide se encantar, ele não perde muito tempo.

- Claro, se isso não for desconfortável para você.

- Ele quer sim, não é mesmo oppa? – Hyoje enfim voltara a falar e era como se uma bolha em que os dois estivessem imersos tivesse sido subitamente estourada. Haviam esquecido completamente da presença da garota ali, o que para Taeil era algo extremamente alarmante. – Ele também gosta muito de música.

Dongyoung corou quase que imediatamente e abriu um sorrisinho meio sem jeito de quem queria cavar um buraco e enfiar a cara dentro. Mas de alguma forma a ideia de ter aulas particulares de violão com Moon Taeil parecia maravilhosa. Talvez fossem aqueles olhos brilhantes, talvez fosse o fato dele fazer com que se sentisse tão confortável consigo, apesar do pouquíssimo tempo de contato.

- Ah, não acho que seja necessário ocupá-lo, eu nem mesmo tenho dinheiro para aulas particulares. Eu realmente gosto de música, mas não é justo. Eu tenho outras preocupações também, então...

- Nunca cobrei nada por essas aulas, por que eu cobraria de você? – Taeil disse e então se atraveu a fitar diretamente nos olhos do outro, havia uma beleza naqueles olhos tristes que mexia fácil consigo. – Se tem preocupações, então acho que você precisa ainda mais de música, é preciso se dar uma pausa, especialmente dos problemas.

A aula acabara e Taeil recolhera os instrumentos colocando-os de volta no suporte e Hyoje correu para lhe abraçar. A pequena sabia que não era politicamente correto abraçar professores, mas ela sentia um carinho imensurável pelo Sr. Moon como se ele também fosse seu irmão e estava feliz por ele ter deixado seu irmão de verdade tão balançado, mesmo que ele ainda parecesse relutante, ela se sentia vitoriosa.

Quando os dois estavam de saída, Taeil impediu que Dongyoung saísse tocando em seu ombro. O mais alto sentira o todo corpo arrepiar com aquele toque.

- Dongyoung-ssi, isso é para você. – Seu olhar percorreu o pequeno caminha até o objeto nas mãos do professor. Era um número rabiscado num papel. – Para o caso de mudar de ideia.

- Ah... – Dongyoung se viu tentado. Taeil era lindo, gentil e charmoso, se ele fizesse mais uma única tentativa de se aproximar, talvez o Kim cedesse ali mesmo. – Obrigado, vou pensar sobre isso. – E então ele abriu um sorriso tímido, temendo que toda a admiração que estivesse sentindo transbordasse por seus olhos.

Quando estavam indo embora, a mente de Dongyoung vagava longe, relembrando do máximo de detalhes do rosto de Moon Taeil que fora capaz. Seus devaneios só foram interrompidos por um chute na canela.

- Ahhh!

- Você me deve um sorvete! – Hyoje apontara para uma sorveteria no outro lado da rua. – Eu te arranjei o melhor namorado do mundo, você tem que me pagar.

- Você não me arranjou namorado nenhum!

- Bom, é isso que vamos ver. – A pequena soltou um sorrisinho maléfico. – Você devia começar a me pagar logo, quando for de verdade eu posso não ter piedade.

- Não vai ser de verdade... – Dongyoung disse aquilo, mas torcendo para estar errado.

- Me pague um sorvete logo, oppa!

Dongyoung revirou os olhos, mas acabou cedendo. Não era sempre que eles tinham dinheiro para luxos como sorvete, mas ele meio que sentia que a pirralha estava merecendo, apenas porque ela tivera muito bom gosto para um possível pretendente.

- Tudo bem, mas só uma bola, não exagere! Não tenho muito dinheiro.

Hyoje comemorou saltitando e batendo palminhas no ar

- Se o Sr. Moon virar seu namorado, você me compra um de duas bolas?

Dongyoung soltou um muxoxo e ficou calado enquanto empurrava a menor para dentro da sorveteria. Quando ela havia esquecido do que havia perguntado para se concentrar no sabor que escolheria, o irmão disse baixo, apenas para si mesmo.

- Compro sim.


Notas Finais


Deixei o Gongmyung no churrasco, me perdoa Gongmyung, ainda te amo bebê, você aparece nas minhas outras fics.

Para quem tiver curiosidade, a personagem da Hyoje foi baseada na modelo mirim da SM, Park Hyoje. Ela é considerada uma "sósia" do Doyoung e, na minha opinião ela se parece muito com ele, até menos nas expressões faciais. Vou deixar o link do instagram dela aqui, caso queiram dar uma olhadinha nela. Ela é uma fofa! https://www.instagram.com/sweetie.hj/

Essa fanfic faz parte do projeto semanal de fanfics que iniciamos no grupo NCTzen Fanfics. Um tema novo será divulgado a cada semana para que os autores que tenham interesse escrevam com ele. O tema dessa semana é Crianças. Caso queriam ler mais fics do projeto, vocês podem escontrá-las nas Tags #LimitlessLove e #LLS5.

Caso queiram participar do projeto ou do grupo, ele não possui inscrição nem limite de palavras, é livre para quem se interessar pelo tema da semana. Aqui o link do grupo: https://www.facebook.com/groups/2388442381380319/

Espero que tenham gostado ^^
Abraços!


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