História Sua e indesejável - Capítulo 17


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Categorias Naruto
Personagens Akamaru, Chouji Akimichi, Deidara, Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hanabi Hyuuga, Hinata Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Ino Yamanaka, Iruka Umino, Itachi Uchiha, Jiraiya, Kakashi Hatake, Karin, Kiba Inuzuka, Konohamaru, Kurama (Kyuubi), Kurenai Yuuhi, Kushina Uzumaki, Madara Uchiha, Mikoto Uchiha, Minato "Yondaime" Namikaze, Nagato, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Obito Uchiha (Tobi), Orochimaru, Pain, Rock Lee, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Shino Aburame, Shion, Shizune, Temari, Tsunade Senju, Yondaime Kazekage
Tags A/o/b, Alpha, Amor, Beta, Drama, Hinata Hyuuga, Itahina, Naruhina, Narushion, Naruto, Ômega, Revolução Hinata, Revolução Hyuuga, Romance
Visualizações 783
Palavras 4.688
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Amores da minha vida.
Não me canso de agradecer o apoio imensurável de tds vcs. De agradecer cd favorito e cd comentário. No capítulo anterior pedi por mais comentários e vcs maravilhosamente me responderam. Obrigada, obrigada e obrigada.
Desculpe a demora. É culpa do governador do Rio. Não estou brincando. Estou atolada de trabalho, buscando dar o melhor para os nossos alunos, o q cada vez mais está difícil com as condições que nós temos, principalmente por não termos o apoio necessário da sociedade. Além disso, vcs não tem ideias do que está por vir. Mts escolas serão fechadas, obrigando os professores e aluno a se deslocarem sabe-se lá para onde. Com isso tudo temos feito mts reuniões, buscando a melhor solução. Ou seja, MT trabalho e pouco tempo para me dedicar as fics. Mas, farei o possível para enviar um capítulo por semana, ok? Até pq, não adianta nd eu correr e entregar um capítulo horroroso; concordam?
No capítulo de hj, apresento-lhes o amadurecimento da Hinata. Já preparando-me para guerra. Aff, ainda morrendo de medo.
Bjs e deliciem-se
Amo vcs

Capítulo 17 - Capítulo 17 - Amadurecimento e saudade


Amor de verdade não morre.

Fica como uma brasa no meio das cinzas.

A qualquer tempo ela pode acender espalhando fogo.

Em grandes labaredas da paixão

Brione Capri

 

Hinata

Eu acordo e meus primeiros pensamentos vão de encontro ao Naruto-kun. Não; eu não tenho dúvidas. Tenho absoluta certeza. Não foi resultado dos delírios da dor que eu sentia e nem fruto da minha mente apaixonada. Isso eu sei. Tenho certeza, como já disse. Eu só não sei explicar como aconteceu. Mas, uma coisa é certa. De alguma forma, eu o senti. Pressenti que algo de muito ruim aconteceu com ele. O quê, eu não sei ao certo. O que eu sei é que, de uma forma bem inusitada, nos ligamos. Entrelaçamo-nos. Unimo-nos. Conectamo-nos. Sentimo-nos. Talvez por conta do grande amor que eu sinto por ele. Eu não sei dizer.

Eu estava sendo selada. Meu coração e todo o meu amor por ele sendo trancafiados. E, em meio a isso tudo e a dor, que eu sentia engolir o meu coração, eu encontrei seus dois olhos azuis da cor do mar e da profundidade do oceano mais lindo que pode existir. Junto com a intensidade desse seu olhar, eu ouvia as batidas do seu coração. Conectamo-nos naquele momento; e, por algum motivo que ainda desconheço, o pulsar do seu coração já não existia mais. Eu não conseguia mais escutar suas batidas. Simplesmente desapareceu. Provavelmente algo de muito grave aconteceu, obrigando o seu coração a parar, levando o meu para onde quer que o seu estivesse. Com isso, o meu coração, juntamente com o seu, também parou; e, a escuridão se fez presente. Isso é o que eu lembro.

Depois, a dor me tomou. Era uma dor tão surreal que não existem palavras no mundo capaz de descrevê-la. Capaz de atingir sua magnitude. Talvez, insuportável seria o termo mais próximo para descrever o que eu sentia naquele momento. Contudo, eu realmente acho que esse termo ainda é insuficiente. Eu nem sabia, até então, que existia uma dor como aquela.

Seja como for, sem conhecimento do tempo em que fiquei nesse estágio, a dor passou e eu acordei. Sinto também que, conforme eu penso nele e me preocupo se o que senti foi algum tipo de pressentimento ou alguma ilusão louca da minha cabeça, as correntes e os selos apertam mais e mais o meu coração, trancando ainda mais meus sentimentos por ele lá dentro, para que não fluem e nem venham à tona novamente.

Percebendo isso, tento distrair-me; e, de soslaio, deitada ainda na cama, olho para a janela e vejo a neve caindo majestosamente do céu até o chão. Eu me pergunto: por quantos dias fiquei inconsciente? Eu ainda não sei. O que sei e sinto nesse momento é que parte de mim morreu. Quer dizer. Eu também não tenho muita certeza disso. Sinto-me tão confusa. Talvez meio perdida. Eu não sei.

O mais provável mesmo é que todo o amor que sentia por ele não morreu. Adormeceu. Essa é a sensação que eu tenho; conseguem compreender? Nem eu. É que me sinto fortalecida e, de alguma maneira, parte da dor que eu sentia cessou, bem como a saudade. Apenas uma parte, a outra ainda continua viva e aqui em meu peito.

Meio confuso isso; não é mesmo? Eu acredito mesmo que sou a própria confusão em pessoa. É que no momento que acordei e pensei nele, senti o amor que sinto, ainda batendo dentro do meu peito. Por outro lado, após as correntes e selos se apertarem contra o meu coração, todo esse amor pareceu desaparecer. Resumindo, se faz um emaranhado de sentimentos, sensações e pensamentos dentro de mim.

Não importa. Acho que é o melhor mesmo. Verdade seja dita, venho vivendo uma vida permanente e inútil de humilhações, agressões e sacrifícios, que viver sem ele e sem o risco de morrer por isso, é o melhor que poderia ter me acontecido. Isso eu não tenho dúvidas.

Levanto-me da cama e vou em direção as amplas janelas. Estamos no alto de uma montanha; e, com a brancura da neve, é quase impossível distinguir se já é noite ou ainda dia. Aqui e assim, olhando a imensidão da paisagem, sinto a necessidade de modificar a minha vida. Acredito mesmo que já até passou da hora.

Dirijo-me para o outro quarto. O quarto que fora anteriormente reservado a mim e onde encontro minhas malas. Tranco a porta, escolho uma roupa e dirijo-me ao banheiro, prometendo esquecê-lo de uma vez por todas. Não será tão difícil assim. Será? Com o coração selado, é só questão de tempo; eu acho. Ou, eu estou me iludindo? Uma Kyoretsu ama para e por toda a vida. Então, eu estou indo contra a minha própria natureza ao dizer que conseguirei esquecê-lo? É o mais provável; é verdade. Mas, eu preciso tentar; não é mesmo? Acredito realmente que posso até conseguir tal proeza. É só me lembrar do muito que o dei e do pouco que recebi. Aliás, o que eu recebi em troca mesmo? Ah, humilhações e mais humilhações. Desprezo também. E, sua repulsão por mim; não posso esquecer-me disso.

Olho minha face no espelho. Preciso de mudanças. Internas e externas. Talvez esse seja o recurso para recomeçar uma nova vida. Abro a gaveta e retiro uma tesoura dali. Corto meus cabelos na altura do pescoço, um pouco abaixo do queixo; mas, mantenho a franja reta.

Conforme corto meu cabelo, vou lembrando-me dos sorrisos que desejei, enquanto as lágrimas tomavam conta de mim. Vou lembrando o quanto o amei e isso nada significou para ele. E, lógico que sofro. Não vou negar. Ainda sinto a mesma pontada e punhalada em meu peito; mas, a diferença, mesmo que eu não consiga deixar de amá-lo por ser uma Kyoretsu, é que agora tento ter um pouco de amor próprio, mesmo que mínimo. Que seja. O fato é que cuidarei mais do meu "eu".

Encho a banheira e afundo-me em suas águas quentes e reconfortantes. O toque suave e gostoso da água lembra-me de imediato os seus toques. Como queria senti-lo novamente. Balanço a cabeça tentando afastar as lembranças e a saudade que começa a queimar em meu corpo, enquanto o selo mais uma vez aperta ainda mais meu coração e as imagens dos dias em que passamos juntos se desfazem com isso.

Saio da banheira, enxugo-me e dirijo-me até o quarto, para vestir a roupa que escolhi: uma calça branca, um suéter cinza e um sobretudo grande e da mesma tonalidade que o suéter, mais uma bota de cano curto. Um visual branco e cinza, que me oferece um ar de maturidade. É isso que vejo no espelho e me agrado. Exatamente o que preciso e desejo.

Do quarto vou até às escadas e encontro uma Sakura sorridente e feliz ao me ver, já na base da mesma.

- Você acordou, Hinata? – sorri. – Fico feliz por isso. Estava mesmo indo até teu quarto para verificar tua pressão arterial e teus batimentos cardíacos; mas, vejo que isso não é mais necessário. – ela se aproxima. – Você parece bem disposta e linda. – abraça-me. - Você até cortou os cabelos. – corre com os dedos os fios mais curto do meu cabelo. – Poderia ter me chamado. – olha-me nos olhos, segurando meus ombros. - Ajudaria a fazer isso com prazer.

- Eu sei, Sakura-chan. – respondo. – E, te agradeço por isso; mas, consegui me virar bem sozinha. Eu acho.

- Que bom que conseguiu. – ela enlaça um dos meus braços. – Mas, imagino agora que esteja com fome já que ficou tanto tempo...

- Quanto tempo fiquei dormindo? – interrompo-a.

- Quase quatro dias.

- Meu Deus! – espanto-me.

- Por isso que precisa se alimentar o quanto antes. – puxa-me pelo braço.

A sala de jantar, acoplada no mesmo ambiente que a sala de estar e a cozinha, possui as mesmas janelas que os quartos, possibilitando uma visão magnífica e grandiosa de quase todas as montanhas, adornadas pela neve, e dos riachos e cachoeiras, já cristalizados pelo gelo, daquele lugar. O inverno, esse ano, será rigoroso; presumo isso devido à quantidade de neve e gelo que avisto daqui de cima.

Aproximo-me e encontro Itachi e Chiyo saboreando a mesa farta do café da manhã, perto da lareira. Chás, chocolate quente, leite, pães, manteiga, patês, geleias, bolos e frutas da estação. Faço uma pequena referência aos dois.

- Hime, você acordou? – Itachi levanta-se e abraça-me como um irmão saudoso faz com uma irmã que não vê há um determinado tempo. – Já estava ficando preocupado. – diz, oferecendo-me uma cadeira naquela mesa grande de dez lugares e feita pela mais pura madeira clara. Sento-me.

- Como está se sentindo, Hinata? – Chiyo pergunta, analisando-me; enquanto, Sakura senta também à mesa.

- Bem. – o termo exato não seria esse. De algum jeito, ainda sinto-me incomodada. Assombrada. Confusa. – Bem melhor. – concerto a primeira informação que dei. - Diria que estranha e confusa.

- É compreensível. – Chiyo informa, confortando-me da confusão que assola meu coração. Não sei ao certo como e o que sinto. – É natural sentir-se assim. Aos poucos, as coisas tomaram seus devidos lugares. Entende?

- Acho que sim. – sorrio, servindo-me com um pouco do chá de pitangas, disposto na mesa.

- Com licença. – Itachi limpa a boca com um guardanapo de linho branco. – Desculpe interromper. – estende o guardanapo sobre a mesa, afasta a cadeira e se levanta. - Mas, preciso me ausentar. Tenho coisas pendentes do clã a resolver. --- olha a janela pensativo. - Quero averiguar-me de como estão as coisas por lá. – ele desvia seu olhar para mim. – Hime, quando terminar seu café da manhã, onegai, vá até meu escritório. – aceno confirmando seu pedido. – Preciso lhe fazer uma proposta.

Cerca de meia hora depois de conversar com a Chiyo e a Sakura e deliciar-me com aquele café da manhã divino, bato a porta do seu escritório. Entro após sua permissão. Vejo imediatamente, atrás de si, uma grande e arqueada luminária de pé e a parede azul turquesa toda trabalhada em texturas em três D, que se assemelham as ondas do mar, o que inevitavelmente me lembram o Naruto-Kun.  Sinto a saudade voltar e me incomodar. O selo se aperta outra vez.

Também vejo, do seu lado esquerdo, uma ampla estante escura e com alguns livros dispostos na mesma. Do lado direito, um frigobar vermelho e moderno. Itachi está atrás de uma mesa feita pela Vila da Madeira, sentado em uma poltrona de couro preto e faz menção para que eu me sente em uma das duas poltronas cinzas, colocadas em frente a sua mesa. Sento-me.

- Que bom que você veio. – ele levanta-se, abre um armário, que faz parte da estante, e retira de lá, duas malas de madeira reciclada. - Isso é para você. – coloca-as sobre a outra poltrona. Abro uma maleta e analiso o conteúdo.

Estendo o traje no ar. É um macacão de mangas compridas, totalmente estruturado e preto, feito por três tipos de tecido, que não sei ao certo identificar e determinar quais são. Uma parte parece feita por tecidos semelhantes ao couro e ao coton; a outra, por algo como um emborrachado. Fora o colete. Olho-o interrogativa, após analisar a peça.

 - É um traje ninja feito pelo material mais moderno e avançado que se tem conhecimento. Adere no copo, possibilitando seus movimentos. Além disso, adapta-se a qualquer temperatura, protegendo você do inverno mais rigoroso ou do verão mais impetuoso que pode acontecer. Sem contar que é resistente ao fogo.

- E, por que está me dando isso? – pergunto desconfiada.

- Quero que faça parte do meu "Esquadrão Especial de Assassinato e Tática", a Anbu, recebendo minhas ordens diretamente.

- Sabe que isso é impossível, Itachi-kun. – respondo triste.

- Não acho. Acho que a guerra contra a Akatsuky irá estourar a qualquer momento; e, será uma boa hora para mostrar a todos que os ômegas tem a mesma capacidade que os alfas ou os betas.

- Como, Itachi-Kun? – pergunto e concluo o quanto o que ele pensa fazer é impossível. - Eu não posso. Esqueceu-se que não sou uma marcada?

- Não. – seu otimismo é nítido. - Não me esqueci. Sei muito bem que somente ômegas marcados podem fazer parte de qualquer esquadrão. Especificamente no esquadrão médico; mas, isso já está mais do que na hora de acabar.

- Me diga como, então. Existem vários empecilhos. Minha natureza, meu cheiro, minha submissão... tudo isso pode colocar todos em risco em uma batalha ou guerra. – tento demovê-lo dessa sua ideia absurda.

- Calma, hime, já pensei em isso tudo. – ele sorri. – A Chiyo elaborou junto com a Sakura, que também participará do esquadrão e já está em treinamento com a Chiyo e o Shizui, meu amigo e guarda pessoal, uma loção capaz de camuflar o cheiro de vocês. Ninguém perceberá que vocês são ômegas.

- E a submissão dos ômegas?

- Abra a segunda maleta, onegai. – solicita.

Abro e vejo um arco e várias flechas; todos, na cor preta.

- O que é isso?

- É um yumi, um arco japonês com flechas.

- Eu sei. – ainda olho o interior da mala, sem segurar o seu conteúdo. – Mas, o que você pretende com isso?

- Hime, escute com calma e a cabeça aberta. – apoia os cotovelos sobre a mesa e olha-me intensamente. – Eu percebi, nos nosso treinos, que é inegável sua capacidade no taijutsu. O seu problema é que você só se especializou nesse tipo de jutsu, como todo Hyuuga.

- E?

- E, que como você é uma ômega; logo, faz-se necessário você aprender outras técnicas, que não a obriguem a entrar em uma luta corporal ou a curta distância. Com o arco e as flechas, você poderá entrar em combate a longa distância, sem que tenha que sentir a presença e os comandos de um alfa inimigo; entendeu?

- Hai. – sorrio com essa oportunidade única. Sempre quis mesmo mostrar que não sou tão fraca e inútil como o meu pai dizia.

- E, então, o que me diz?

- Eu aceito.

- É a decisão mais sábia que você poderia tomar.

- Mas, tem um probleminha ainda, Itachi-kun.

- Qual? – descansa no encosto da cadeira.

- Eu não sei usar isso. – aponto o arco. - Precisaria de alguém que pudesse me ensinar.

- E, se eu dissesse que a pessoa que te ensinaria seria eu?

- Adoraria. – abro um sorriso verdadeiro nos lábios.

- Ótimo.

- E, quando começaremos?

- Agora mesmo. – ele levanta-se e contorna a mesa, se aproximando. – Lógico que se você estiver disposta a isso. Sei que passou por um processo delicado e...

- Estou pronta. – digo convicta, interrompendo-o.

- Tem certeza?

- Hai. – olho em minha volta. – Onde treinaremos?

- Na neve.

- Na neve? – surpreendo-me.

- Sim. Precisamos trabalhar seu condicionamento físico e sua resistência, que é bem mais fraca comparada aos alfas e betas.

- Claro.

- Algum problema nisso?

- Não. Estou preparada.

 

”Quando você realmente quer, você não desiste. Você não abre mão”.

E. Gusmão

 

Naruto

Abro os olhos de volta ao mundo real. Não reconheço de primeira o local onde estou. Estou em um quarto. Não é o meu. Fato. Reparo nas paredes brancas, que contrastam com a que está atrás da cama, que é totalmente preta e possui um quadro. Os lençóis brancos e a cabeceira da cama em couro preto. Duas luminárias, em cada lado, em tom também escuro. Mais uma mesa com uma cadeira em acrílico. Ou seja, um quarto escuro, moderno e contemporâneo; totalmente diferente do meu, que possui um ar bem rústico, nas tonalidades alaranjadas e amarronzadas, como prefiro.

Estou próximo ao mar, posso averiguar isso pelo cheiro de maresia. Sendo assim, eu só posso estar em um único lugar: no clã Uchiha e próximo dela; muito embora, não sinta seu cheiro. De qualquer forma, não poderia estar em lugar melhor. O lugar pelo qual lutarei pelo seu coração. Estou decidido mais do que nunca quanto a isso.

Levanto-me e sinto todo o meu corpo doer. Parece que passei por uma daquelas máquinas de moer carne; entendem? Dói e incomoda bastante a cada vez que inspiro e expiro o ar. Mesmo assim, esforço-me e dirijo-me até a janela.

As nuvens escuras, que indicavam uma tempestade, deram lugar a um ambiente totalmente branco e cheio de neve. O mar lá fora está cristalizado pelo gelo. Não importa. É nesse ambiente que reconquistarei meu futuro ao lado dela e a convencerei a voltar para mim e para o meu clã, lugar que é seu por direito. Um futuro ao lado dela é o que desejo além da vida. Um futuro do qual não desistirei. Faça sol ou faça neve. Eu acredito fielmente que conseguirei reconquistar tal futuro.

Sinto-me bem. De bem comigo. De bem com a vida. Livre de sentimentos confusos. Pronto para o que der e vier. Aberto para esse novo sentimento, que chegou para me libertar. Que estava apenas esperando que eu o reconhecesse e que o aceitasse. Não vou esconder-me mais dele. Viverei esse sentimento e viverei com e por ela. Viverei esse amor.

A porta se abre. Um Sasuke sem expressão alguma entra por ela. Quer dizer, mais ou menos. Explico. Uma pessoa desconhecida, diria que os traços de seu rosto são impassíveis, frios e indiferentes a qualquer coisa. Mas, eu sou seu amigo e conheço-o muito bem. Digo que algo o aborreceu e o incomoda bastante.

- Posso saber por que você está de pé, dobe? – pergunta transmitindo todo o seu mau humor pelo tom de sua voz.

- Já me sinto melhor. – sorrio com os olhos fechados e coçando a nuca.

- Escute aqui, dobe; por que, estou sem paciência.

- Nossa, que novidade! – exclamo, cruzando os braçose  sorrindo. Ele suspira.

- Escute. – diz autoritário. – Você ficou quatro dias desacordado nessa cama. – espanto-me. Eu podia jurar que foram algumas horas e nada mais, além disso. – Você capotou e rodou no ar, com o carro, diversas vezes. Fraturou algumas costelas. E, conforme os médicos do meu clã, você só está vivo devido a esse teu DNA bendito e fortalecido. Então, trate de repousar e não dar trabalho.

- Sasuke. – ignoro-o, aspirando o ar em busca do cheiro do meu anjinho. Não encontro nada. – Onde está a Hinata?

- Não está aqui. – informa-me indiferente.

- Como? – franzo o cenho.

- Não está e não quero falar sobre isso; ok? – vira as costas, já saindo.

- Me explica isso direito. – seguro seus braços, impedindo o mesmo de sair.

- Ela não está. Já disse. – diz mal humorado. Continuo o encarando. Ele sabe muito bem que eu não o deixarei em paz, enquanto não tiver respostas. Ele suspira. – Está bem. – diz derrotado. – Itachi levou a Sakura e a Hinata sabe se lá para onde e ficará fora por mais ou menos um mês, provavelmente.

- Onde elas estão?

- Eu não sei. Não escutou o que eu disse? – diz se desvencilhando de mim com agressividade. – Aquele maldito ainda teve a capacidade de deixar o clã em minhas mãos.

- Mas, não era o que você sempre quis?

- Sim. – olha pela janela, o mar congelante lá fora. – Mas...

- Mas?

- Eu queria a Sakura aqui. Pronto falei. Satisfeito? – olha-me com raiva. Como se eu tivesse culpa por tê-lo feito confessar tal coisa.

- Compreendo. – abaixo o olhar. Sinto a mesma saudade que ele ou até mais. Com certeza.

- Aquele merda saiu para fugir do cio da Izumi e só volta quando esse acabar. E, não muito satisfeito, teve que levar as nossas ômegas com ele.

- Nossas ômegas?

- Você é um dobe mesmo. – está perdendo a paciência, se essa um dia existiu. – Ela não é sua esposa? – confirmo com a cabeça. - Pois então...

- Tá. Mas, onde a Sakura entra nisso?

- A Sakura é minha. – afirma.

- Quem disse isso? – arqueio a sobrancelha esquerda.

- Eu disse. – ele me encara. – Eu estava pretendendo conversar com ela e a assumir oficialmente como minha ômega. – diz um pouco mais calmo, mostrando-se saudoso pela mesma.

- Já não era hora, theme. – incentivo-o, dando leves tapinhas em suas costas.

- É. Mas, o Itachi, como sempre, tem que estragar meus planos. – diz furioso, deixando claro as mágoas ainda não curadas.

 

“O amor calcula as horas por meses, e os dias por anos; e cada pequena ausência é uma eternidade.”

John Dryden

 

Duas semanas no clã dos Uchihas. E, como já disse e repito, só saio daqui com ela em meus braços. O grande problema é que ela não vem. Não volta. Nem um sinal. Meus nervos já estão à flor da pele, não muito diferente do Sasuke. A única maneira que encontramos para extravasar nossos ânimos é nos campos de treinamento, seja na praia, no batalhão ou no tataime do clã. De qualquer forma, ninguém se aproxima. Todos tem um certo receio e respeito entre nós dois, ainda mais, depois de constataram o quanto agressivos ficamos nesses momentos.

Agora, no quarto, voltando de mais um treinamento, as lembranças me assaltam furiosamente. Eu me pergunto por onde ela anda. Será que ainda se lembra de mim? Dos poucos momentos que tivemos juntos? Dos instantes de prazer e êxtase que compartilhamos durante o seu cio? E, pensar que iríamos por um caminho tão lindo, se não fosse minha estupidez.

As lágrimas começam a descer, enquanto retiro meus sapatos e desabo na cama. Olho o teto fixamente. São dez horas e vinte e seis minutos da manhã; e, a saudade só aumenta. Sinto saudade da sua presença, do seu sorriso e do seu olhar apaixonado. Será que ela ainda possui o mesmo olhar por mim?  Oro que sim; por que, nunca precisei tanto dele em minha vida. Sem esse seu olhar, não sei o que será de mim.

Sofro. É que tudo o que mais quero no mundo é retornar com ela o caminho. O caminho que deveríamos ter percorrido desde o primeiro instante em que nossos olhos se encontraram. Safiras versus diamantes. Sim, ainda me lembro muito bem. Seus olhos são claros e puros como um diamante.

Como sinto saudades dela. Vocês não imaginam o quanto. Não imaginam como a quero. Como ela tornou-se como a luz e a vida para mim. Não sei por quanto tempo mais suportarei viver sem ela aqui e perto de mim...

 

“Sinto saudades de quem não me despedi direito, das coisas que deixei passar, de quem não tive mas quis muito ter.”

Clarice Lispector

 

Hinata

Estou deitada em um campo florido e repleto de girassóis. O céu repleto de estrelas e a lua é a rainha de todo esse esplendor. O vento brinca com as flores, sacudindo-as; e, trazendo até mim o seu cheiro amadeirado e másculo. Incomparável e indescritível. Deliro de paixão.

Ele se aproxima imponente. Sorri. É o sorriso mais lindo que já vi em minha vida. Ajoelha-se. Ainda continuo deitada. Inerte e hipnotizada pelo amor que sinto por ele e que sei que sempre sentirei. Sempre será assim. Será eterno esse amor em meu coração, que acelera, enquanto ele aproxima o seu rosto, fitando intensamente meus lábios, que se entreabrem em expectativas.

- Volte para mim, Hinata. Onegai. – implora. - Estou a ponto de enlouquecer. Não aguento mais essa saudade. – os vagalumes, que ali se encontram, dançam e passeiam entre nós, iluminando o nosso amor. – Perdoe-me. Onegai. Não suporto mais viver longe de você. – suas lágrimas nascem dos seus olhos, molhando seu rosto bronzeado e suas marquinhas da bochecha. Meu coração acelera ainda mais. – Ashiteru, minha hime. – e seus lábios colam nos meus.

Acordo sobressalta. Com o coração a mil por hora, galopando furiosamente em meu peito. A saudade atinge-me imediatamente. O selo em meu coração inesperadamente não surte o efeito esperado, diferente das outras vezes em que pensei nele. A saudade aperta mais e mais. Minha respiração fica entrecortada e meu coração clama por ele.

- Foi só um sonho. – tento me convencer.

O fato é que por mais que eu saiba que manter-me afastada de si é o melhor para mim e que eu tenha o coração selado, ainda assim, minha alma grita aqui dentro que, por mais feliz que eu esteja, ela sempre estará pela metade, se ele não estiver ao meu lado. Lamentavelmente, eu estarei sempre incompleta sem ele. É duro confessar e confirmar tal coisa. Choro.

Não importa. Enxugo minhas lágrimas com as costas das minhas mãos. Continuo lutando. Deixarei que morra em mim o desejo de amar os seus olhos azuis, que um dia sonhei que poderiam ser doces para mim. Porque nada mais existe, se é que um dia existiu alguma coisa entre nós. E, não digo isso por mim. Digo por ele. Pelo fato de que ele nunca quis o meu amor.

Como eu já disse, não importa. Tudo se acabou. Só restam a mágoa e a saudade. Nada mais.

Olho o relógio e verifico as horas. Sete horas da manhã. Levanto-me imediatamente, tomo rapidamente um banho, coloco meu traje ninja, faço um breve desjejum e dirijo-me ao campo de treinamento, que fica no pé de uma montanha e submisso a neve. Itachi já me espera.

- Ohayo, hime. – cumprimenta-me.

- Ohayo, Itachi-kun. – faço uma pequena referência e já começo meu alongamento. Essa passou a ser minha rotina de todos os dias. Após isso, dirijo-me novamente para o Itachi, esperando suas orientações. – O que faremos hoje, Itachi-sensei?

- Prefiro que me chame de Itachi-kun. – ele sorri gentilmente.

- Hai. Itachi-kun. – corrijo-me.

- Assim é bem melhor.

- Então, o que iremos treinar hoje? – pergunto ansiosa. É que preciso tirar o Naruto-kun dos meus pensamentos.

- Tenha calma. Sabe que seu treinamento depende muito do seu autocontrole emocional.

- Gomen nasai, Itachi-kun. – peço desculpas, envergonhada e com a cabeça baixa.

- Está tudo bem, hime. – ele me abraça. Percebe de imediato o quanto hoje estou fragilizada. - Que tal já começarmos nosso treinamento?

- Hai. – digo mais animada.

- Bem, primeiro você aprendeu a atingir um alvo fixo. Depois, um alvo em movimento. Certo?

- Certo.

- Hoje, quero que você expanda todo seu chakra pela flecha e mire nos discos que jogarei no ar.

- Hai.

Começo o procedimento e Itachi aguarda um pouco. Primeiro, sinto o meu chakra lilás fluir por todo o meu corpo. Puxo-o e expando-o até a flecha, que já está presa no arco e entre meus dedos. Feito isso, estico um pouco mais a linha que une as duas pontas do arco, flexionando-as e acenando para o Itachi que já estou pronta. O mesmo joga o disco no ar. Acerto-o em cheio. Com a energia potencial do meu chakra, a velocidade do arco é surreal e o disco explode instantaneamente.

- Ótimo. – Itachi elogia. – Mas, você precisa ser ainda mais rápida no controle do seu chakra. Em uma batalha, o tempo é crucial.

Ele está dando suas últimas recomendações, para minha próxima tentativa, quando uma coruja branca aterrissa em meus pés, com o pergaminho preso em suas patas por um laço amarelo. Aproximo-me e faço um leve cafuné em sua cabeça. Ela pia manhosa em resposta.

Reconheço a coruja. É a ave mensageira da Hanabi. Meu coração se aperta em preocupação. Sei que ela jamais mandaria sua coruja, se não fosse algo estritamente importante.

Dessamarro o pergaminho da coruja e leio-o:

 

Hyuuga Hinata

Onee-san, preciso que você venha até o clã o mais rápido possível. Você sabe que não pediria tal coisa se não precisasse muito de você nesse momento. Onegai. E, não se preocupe. Você será tratada como de fato a primogênita da família principal merece. Ou seja, muito bem. Eu e Neji te garantimos isso.

Aguardo você ansiosamente.

Te amo.

Hyuuga Hanabi

  

Abraço o pergaminho com o coração em saltos. Sei muito bem que Hanabi jamais solicitaria minha presença se essa não fosse imensamente necessária. Meu coração se enche ainda mais de preocupação e as lágrimas nascem em meus olhos, temendo o pior. Não sei o que seria de mim, caso alguma coisa de muito ruim acontecesse com ela.

- Itachi-kun, preciso ir até o clã dos Hyuugas imediatamente. – entrego o pergaminho em suas mãos para que leia. – Hanabi jamais me pediria isso, se algo não tivesse acontecido; e, presumo que seja algo de muito ruim. 


Notas Finais


Próximo capítulo o castigo de Hiashi e o reencontro. Assim pretendo....rs....
Como já avisei, é bem provável que eu demore um cadinho a mais q o normal. É por conta do trabalho e por estar na reta final, tenho tentado caprichar mais.
Aviso de antemão, preparem os corações. O grand finale está próximo. Em torno de cinco capítulos, eu acho. É que eu nunca sigo o projeto inicial... rs... Sempre mudo de acordo com os comentários e o meu coração.
Os capítulos bônus de ITAIZU e SASUSAKU saíram. Mas, depois do epílogo; ok? Assim, eu agrado a tds, até aqueles que não querem tais capítulos. E Tb preciso pensar mais. Não estava nos meus planos tais capítulos.
Ah e as pessoas que estão me pedindo uma fic com uma Hinata mais independente e forte. Eu farei. Será algo em torno do séc. XII e lá pros lados do Reino Unido. Mas, preciso estudar...rs ... vcs me enchem de ideias. Em tempo aviso que ela será uma mulher com uma personalidade além do seu tempo. Totalmente Naruhina.
Alguém aí com teorias sobre Hiashi?
Até a próxima e aguardo ansiosamente os comentários.
Fotos no Wattpad em breve


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