História Sublunar - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias The Beatles
Exibições 42
Palavras 2.716
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Acharam que eu ia demorar mais dois meses pra atualizar essa bagaça?

Capítulo 8 - Capítulo Oito


Old Ford Rd, burgo de Tower Hamlets, Londres, 9:08, sábado.

Havia acordado seis e meia da manhã. Tomei banho, me arrumei e fiquei a toa vendo TV até Peter chegar em casa. Após uma corrida semana, cheia de trabalho, canseira, preocupação e agonia, sem contar um salárinho de merda, estava dando início ao meu final de semana me reunindo a linda e unida família Harrison para uma agradável missa matinal de um feriado religioso que eu sequer fazia ideia da existência. 

Estava super feliz com a ideia. Ideia de acordar cedo num sábado para me juntar com a família do meu namorado chato e ter que lidar com a cria da casa, George. Não saia da minha cabeça o fato de que após sete dias teria que finalmente encarar a realidade e ficar no mesmo ambiente que o bebezinho da família. O irmãozinho do meu namorado. O adolescente problemático de dezessete anos que por acaso me proporcionou uma noite romântica pela iluminada Picadilly Circus e ninguém podia saber. 

Levantei do sofázinho de couro confortável e me debrucei sobre o parapeito de ferro fundido meio enferrujado da micro sacada, dando vista a minha vizinhança cinza e sem graça, e que não mostrava sequer um pedaço do Victoria Park. O sol estava um pouco mais ardido e eu aproveitei para pensar um pouco enquanto o vento frio congelava minhas mãos. Ouvi três batidas na porta, e fui até a sala pegar minha carteira e minha bolsa, já sabendo que Peter me esperava do outro lado. 

- Bom dia - Me cumprimentou com um beijo na bochecha. 

- Dia - Disse desanimada trancando a porta. 

- Acordou feliz? - Sorriu já me acompanhando ao descer as escadas.

- Acordei cedo... Só estou cansada - Ri tentando não demonstrar a minha falta de entusiasmo - Você sabe que eu não costumo acordar esse horário pra frenquentar a missa.

- Desculpe te arrastar pra isso. Mas sei lá, eu fico com dó da minha mãe. Não sei como ela se anima tanto com esses eventos em família. 

- Tudo bem. Um sábado de manhã não muda nada na minha vida. Eu gosto da sua família.

Peter sorriu e segurou minha mão. Precisava aproveitar o máximo de seu bom humor matinal, coisa rara que quase nunca acontece. Descemos as escadas do prédio e entramos no carro. Graças a Deus não tive que andar de metrô hoje. Peter estava agradável até, porém parecia também meio desanimado, quieto e distante. Mas mesmo que ele estivesse chato e irritado como sempre, seria uma das minhas últimas preocupações. Eu estava preocupada com George. Como agir, sobre o que falar, com medo de que ele dissesse ou fizesse algo para relembrar o que aconteceu no último sábado, e sem saber se eu devia conversar com ele sobre o assunto. Será que eu deveria falar com ele sobre o acontecido? Reforçar as coisas, esclarecer tudo mais uma vez? Apesar de ter repetido diversas vezes que aquilo que ocorreu foi coisa de uma só noite, eu me preocupava de que nada adiantasse, por que no fundo eu também tinha gostado de ter passado aquele tempo com ele.

- E essa missa vai ser do que? - Perguntei interessada ligando o rádio e alterando as estações.

- Assunção da Virgem Maria - Respondeu - Vai ser uma missa normal. Depois vamos até a minha tia almoçar. Mas se você não quiser ir tudo bem.

- Eu vou sim. Vai ser bom. Eu também não vou ate a igreja faz muito tempo. 

- A igreja é bonita. Fica a uns quinze minutos de casa - Comentou tedioso como se estivesse odiando esse momento todo tanto quanto eu.

- Entendi. E sua família toda vai estar lá? 

- Meus pais, meu irmão, meus tios e meu primo só, eu acho.

Saint Augustine's Church, Queensgate Mews, burgo de Kensigton e Chelsea, Londres, 9:27, sábado.

Continuamos o trajeto até chegar em Ken & Chelsea. O lugar era familiar por ser perto da casa dos Harrison, e estava bem cheinho. Escutava o burburinho das pessoas já de dentro do carro. A igreja era bonita e simples, quase igual a todas as outras milhares de instalações religiosas da cidade. Havia um gramado extenso de fachada onde se encontravam famílias conversando, todos bem arrumados para a liturgia. Cena típica de domingo de manhã na cidade. Descemos do carro e fomos no juntar ao resto dos parentes. Atravessamos o gramado e Peter me conduziu até a porta da igreja, me dando vista a um Harold Harrison com suas calças de missa pied-de-poule segurando uma bíblia, e Louise de vestido lendo um folheto com as orações. Sim, Harold e Louise, Louise e Harold e ninguém mais. Seria um milagre de Virgem Maria? 

- Anjinha! Que bom que você veio! - Louise me cumprimentou com um sorriso caloroso, como sempre, e eu correspondi.

- Obrigado pelo convide, Louise. Faz tempo que eu não vou na missa, perdi o costume - Respondi simpática e cumprimentei Sr Harrison.

- Podia vir mais vezes com a gente, querida - Harold acrescentou - Assim Peter nos acompanha mais vezes também.

- Seria ótimo - Sorri, apesar de que a ultima coisa que eu quero é me tornar adepta a missa matinal com os Harrison.

- Então... Cadê o George? - Perguntou Peter após abraçar os pais - Ele não vem? 

- Ele teve um show ontem. Praticamente varou a noite e precisou ir até o banheiro lavar a cara. Daqui a pouco ele volta - O pai disse indiferente enquanto a mãe e Peter tentavam esconder o olhar de reprovação, e eu o de preocupação. Cara, não são nem dez horas da manhã. Eu realmente preciso passar por isso? 

Estávamos reunidos esperando a missa que começaria as dez horas em ponto. Nesse meio tempo os tios de Peter chegaram junto de seu primo, Nico. Já havia os encontrado na festa de aniversário de Sr. Harrison mas não havia tido muita oportunidade de conhece-los. Cerca de vinte minutos se passaram entre conversar fiadas, e já de longe pude ver alguém se aproximando. Claro, George. Com os cabelos caindo sobre os olhos e seu suéter preto de sempre, parecendo mais disposto do que imaginei, caminhava calmamente ao nosso encontro. Observava todo o movimento do local até que seu olhar encontrou com o meu. Não sabia o que fazer. Se eu sorria como cumprimento, se eu o ignorava, se esperava ele se aproximar. Ao me ver não expressou nenhuma emoção. Continuou caminhando com seu olhar cravado no meu, sem mexer um músculo facial. Mal havia alcançado a roda de conhecidos e sua mãe já começou a o reprimir:

- Garoto! Arruma esse cabelo! Nossos amigos estão aqui, não quero que você pareça um indigente na frente de todos os outros! Estamos na igreja, pelamor! - Mal havia terminado o pequeno sermão quando pulou no menor, lambeu os dedos e começou a tentar arrumar o seu cabelo e deixa-lo mais de pé.

- Mãe! Mãe! - Soltou sua risada característica tentando livrar Louise de seus braços - Calma! Eu nem cumprimentei ninguém ainda e você vai ficar implicando com o meu cabelo? - Sorriu gozado e se separou para cumprimentar os tios e o primos. 

- E ai, Peter - Disse friamente a seu irmão, dando um aperto de mãos. Quando virou para me cumprimentar deu um sorriso bonito e pegou na minha mão.

- É um prazer, Anja milady - Falou debochado e beijou exageradamente minha mão, arrancando risadinhas dos presentes, incluindo um riso sarcástico de Peter. Eu por vez fiquei sem graça e apenas sorri, dizendo:

- Oi, George. 

A partir dai não houve mais nenhum momento sem graça. A missa ia começar e estávamos entrando na igreja. Peter se distanciou para conversar com a mãe, e eu andava atrás apenas seguindo o fluxo. Estava desatenta até sentir uma mão no meu ombro, me fazendo pular de susto. Olhei para ver quem me puxava e George aproximou seu rosto do meu, dizendo no meu ouvido:

- Me encontra na porta que dá acesso ao coro, do lado do galilé, depois da comungação. É do lado do terceiro quadro da via sacra.

- O que? - Perguntei completamente confusa.

- Galilé, vire a direita, terceiro quadro da via sacra! Depois da comungação! - Respondeu sussurrando e eu não tinha ideia do que fazer.

- Mas o que é comungação?! 

- Quando todo mundo levanta pra enfiar a hóstia na boca, porra! Quando todo mundo sentar você sai.

- George!? Mas que caralho, o que você quer d... 

- Só vai - Me interrompeu e se distanciou, puxando o pai pelos ombros, iniciando uma conversa. 

...

A missa não passava nunca. Levantava, sentava, orava, dizia amém, salmos, primeira leitura, segunda leitura, evangelho, todo mundo cantando, Ele está no meio de nós, bendito seja Deus para sempre e blá blá blá. Eu já estava ficando com cãibras de tanto me levantar e sentar, e minha cabeça parecia filtrar todas as palavras ditas pelo padre pois não conseguia parar de pensar e olhar para George um segundo. Que diabos foi aquilo? A princípio tinha decidido ignora-lo  e não fazer o que me pediu, mas a minha curiosidade era maior. Eu precisava saber o que ele tinha pra me dizer, se não eu ia ficar maluca. 
Quando o padre disse alguma coisa de oferendas, derramar, espírito e corpo e sangue de Jesus Cristo, todo mundo começou a se levantar e formar filas entre os corredores. 

- Você vai comungar? - Perguntou Peter antes de ir pra fila. 

- Ahn... Melhor não. - Respondi. Fui olhar para George novamente mas ele havia desaparecido. O desgraçado já tinha saído. 

- Tudo bem.

- Ah, Peter! - Aclamei seu nome quando estava saindo para ir pra fila.

- Sim? 

- É... Ahn... Eu vou no banheiro! Eu to com... Dor de barriga...

- Adequado - Respondeu aborrecido quando percebeu que escutaram minha fala. Deu as costas e entrou na gigantesca fila. Me levantei do banco de madeira e fui andando até a entrada. Galilé, que porra era essa? Galilé, acesso do couro...? Não fazia ideia de onde ir, então da entrada vazia comecei a procurar pelos quadros da via sacra. Terceiro quadro, Fui seguindo, e entrei num corredorzinho escuro cheio de estátuas de santos e quadros, com algumas portas e o maldito quadro da via sacra. 

- George? - Perguntei completamente perdida - Mas que diabos é um galilé...? - Murmurei baixinho para mim mesma olhando ao redor e me certificando de que não havia ninguém por perto. 

Girava procurando por sinal de vida e tudo que eu via era aquele cenário medonho, aquelas estátuas grandes e aquele cheiro forte e bizarro de incenso. Quando resolvi continuar andando pelo corredor senti uma mão me puxar pela cintura por trás e me virar, quando eu ia gritar de susto senti uma boca colando na minha. Por um momento resisti e tentei me soltar, porém as mãos subiram delicadamente para o meu rosto iniciando um beijo calmo e suave. Automaticamente levei minhas mãos até o os ombros da figura fazendo com que ficássemos mais próximos ainda. O beijo foi perdendo velocidade e nossos rostos se separaram quase em câmera lenta. Pude observar os lábios finos e a boca semi-aberta a milímetros se distância de mim. Um par de olhos castanhos caídos e bem claros. Um par de olhos que já havia me chamado a atenção a tempos atrás.

- O que foi isso? - Perguntei calmamente processando o que acabou de acontecer.

- A gente se beijou - Ele sorriu - De novo.

E foi esse sorriso sarcástico que me fez voltar imediatamente para a realidade. George. George Harrison. Me beijando. Na missa. Imediatamente o empurrei para trás, o fazendo bater as costas no apoio de uma estátua.

- Ai, porra! Doeu! Pra que isso? 

- George! Você é louco!

- E por que você diz isso? - Perguntou desaforado se reaproximando, mas dessa vez com cautela.

- Por que você me beijou? - Perguntei atônita.

-  Por que me deu vontade. Você gostou, não discorde.

- Para de ser convencido - Disse alto e dando passos para trás conforme ele se aproximava - Você acabou de me beijar! Eu te falei que isso não podia mais acontecer!

- Já aconteceu. 

- Você acabou de me beijar no purgatório! 

- Tecnicamente, eu acabei de te beijar no galilé.

- Foda-se se foi no galilé ou se foi no sétimo ciclo do inferno de Dante! George, isso tem que parar - Continuei a falar mas dessa vez completamente séria. Me apoiei contra a parede e comecei a roer minhas unhas sem saber o que mais podia dizer. 

- Por que? - Perguntou.

- Por que? Por que eu namoro o seu irmão! Seu irmão Peter? Conhece? Ta lembrado?

- Para vai, Anja - Respondeu petulante como se não tivesse escutando sequer uma palavra do que eu dizia - O Peter tá la comendo a hóstia falando sobre produtos de limpeza com a minha mãe na missa de sábado. Por que você tem que ligar pra ele bem agora? 

- Eu ligo pra ele sempre! Ele é meu namorado! Eu também estaria comendo a hóstia e louvando a Deus se você não tivesse me arrastado pra cá! 

- Eu não te arrastei para nenhum lugar - Caminhava em minha direção dificultando minha mobilidade, já que me encontrava apoiada contra a parede - Você veio por livre e espontânea vontade.

- Eu fiquei curiosa, oras! Eu queria saber o que você tinha pra falar, mas aparentemente você não tem nada a me dizer!

Então quase como um reflexo, George levantou as duas mãos e me prendeu na parede, de baixo da via sacra só pra constar. Sutil.

- Por que você tá com ele? - Perguntou diminuindo o tom de voz e aproximando seu rosto.

- Por que eu amo ele.

- Mentira.

- Verdade!

- Você não ama ele. Você so se sente confortável com ele. Ele te trata como qualquer coisa! Isso me incomoda - Falou completamente irritado e como antes, aproximando sua boca cada vez mais da minha.

- Não tem nada que eu possa fazer por você.

- Tem sim.

Ao dizer isso, me segurou fortemente pela cintura, me espremendo contra a parede. Colou sua boca violentamente contra a minha me fazendo quase levantar do chão. Hesitar era impossível no momento, e a única solução parecia envolver minhas pernas nas suas, puxar seu rosto e dar espaço para sua língua se movimentar. Ele puxava levemente meu cabelo e continuava a me beijar sem parar um segundo para respirar, e eu fazia o mesmo. Sem me recordar de que havia uma missa acontecendo no mesmo local, e que meu namorado estava lá rezando. Apenas o segurava pelo rosto e aos poucos fazia com que a velocidade e urgência do momento diminuíssem. George foi soltando as mãos presas em meu pescoço e desceu até a minha cintura, conforme separava sua boca da minha.

- A gente não pode continuar fazendo isso... - Comentei relaxada, abrindo meus olhos que permaneciam fechados.

- Você quer?

- Eu não posso.

- Você quer? - Levou sua mão até meu rosto e começou a passar seus dedos pela minha bochecha. Aninhou seu nariz no meu e fechou os olhos.

- Não me venha com esse jogo. Você sabe que não dá, George. Isso não vai dar certo.

Ele permaneceu calado e na mesma posição. 

- Acho melhor eu voltar, George - Falei me separando, me soltando de seus braços. Ele me encarava friamente e ainda não abria a boca para falar qualquer coisa que seja - Até mais.

- Eu tenho um show agora no almoço, tenho que ir. Diga para os meus pais que me viu perto do banheiro e eu fui embora - Respondeu sossegado parecendo nem se importar com o momento - Toma - Me passou um papel do folheto de orações rasgado e dobrado - Abre depois. Até mais.

Sem nem se despedir direito, deu uma piscadinha e foi embora me deixando parada e absurdamente confusa, segurando aquele mísero papel dobrado. Abri o bilhetinho que apenas dizia:

"Anchor Bankside, 34 Park St, 17:00, sábado, perto do Shakespeare's Globe e London Bridge. Estação de London Bridge (linha Northern)"


Notas Finais


Também quero pegar meu crush no purgatório
Vocês acham que tá rapida demais a história? Ou que tá ruim? Deixem coments, por favorzinho? :)
Obs: Nao sei usar crase. Me julguem


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