História Suburbia - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Deidara, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Karin, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha
Tags Itachi, Naruto, Sakura, Sasuke, Sasusaku, Suburbia
Visualizações 547
Palavras 2.446
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Festa, Harem, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Apenas estou sendo boazinha e aproveitando que tô com a criatividade ativa para essa fanfic akjsakjsjaks
Obrigada pelos comentários no capítulo passado <3
E, só a título de curiosidade, só temos mais dois ou três capítulos. Já vou deixar meu susanoo ativo porque sinto que vou apanhar akjsakjs
Boa leitura!!

Capítulo 8 - Dead Horse


   DEAD HORSE                                                         

O pôr do sol é longo no lugar em que moro, com as ruas escaldantes e o céu pálido. Num amarfanhado de fios escuros cruzando o azul, de onde linhas se sacodem e riscam o céu. Há tantas histórias nessas ruas, nesses muros e calçadas. Quantos amores, vidas, mortes e sonhos não vieram até aqui para acabar? 

Olhando para a garota sendo arrastada para dentro de casa, enquanto o namorado é levado arrastado pela polícia, posso ouvi-la chorando e implorando para que não seja ali a ter seu coração estilhaçado. Mas o amor é só bonito nos livros ou então quando é jovem, qual desconhece as dores do existir.

A imagem dela ainda está em minha mente. Mesmo enquanto Sasori canta para a multidão. Goodbye Horses, um ícone que sempre faz pensar. 

Oh, não, senhor, eu preciso dizer que está errado! — ele canta —, oh, não, senhor! Eu preciso discordar. Por que não me ouve? 

É estranho como perguntei o mesmo a ele na noite em que o falei de Sasuke e de seus outros possíveis assaltantes. O disse tudo, pedi, não, implorei para que deixasse essa ideia de lado e se certificasse de achar algo mais inteligente e menos perigoso para fazermos. Mas tudo que Sasori fez foi sorrir de canto e dizer que eu estava com medo de nada, acrescentando que qualquer um pode morrer. Só espero que não sejamos nós.

Sexta a noite e tudo que passa pela minha mente é o que virá na noite seguinte. Como se eu caminhasse em direção do meu fim, encontrando no que está por vir a saída que ninguém deseja. E não há nada que eu possa fazer. Não se pode mudar o coração, tampouco a mente de alguém com a decisão tomada.

Sasori fora bem específico. Tudo que eu preciso fazer é garantir que as portas da mansão estejam abertas e mantenha a segurança ocupada para que ele e seus parceiros entrem, enquanto saqueiam o cofre e garantem que possamos sair sem ser notados. Sasuke me disse que a garotas estarão ocupadas num evento de uma empresa, e ele próprio estará fora da cidade o dia todo. Ele não me sugeriu fazer nada, sequer questionou onde eu estaria no fim de semana. Algo que agradeci. 

Nesse caso, tudo caminha para um crime perfeito, sem deixar suspeitas ou qualquer outro indício de que estou envolvida. Será como deve ser, ainda que meu interior se chacoalhe rudemente e me deixe com medo. 

Todas as coisas acontecem na noite — a voz me fez gelar, como se recebesse uma apunhalada nas costelas. 

Olhei para aqueles brilhantes olhos negros como a noite, sentindo-o me segurar para não saltar da cadeira com o susto que tomei ao ouvir sua voz. O chapéu fedora de Sasori caiu, ao que o Uchiha apenas se inclinou pra pegá-lo. Analisou o objeto e então o esticou para mim.

— Essa canção é baseada numa filosofia oriental — Sasuke dizia —, onde os cavalos representam os cinco sentidos que nos mantem conectados ao plano físico. Quando os superamos, podemos atingir um nível de consciência superior, deixando para trás qualquer coisa que nos ligue a esse plano ou aos sentimentos. Interessante, não acha?

— Perder os sentimentos?

— De que vale o amor se não pode comprá-lo com o dinheiro para ter o de quem realmente quer? — apenas o vi sorrir de canto e então dirigir o olhar  para o palco, qual Sasori já havia deixado. 

— O que faz aqui? — perguntei, ganhando a atenção dele.

Como se tivesse esquecido que eu estava ali diante dele, me estudou o rosto e deixou os lábios entreabertos, prontos para dizer algo que não veio. Parecia perdido na própria mente.

— Pensei ter visto alguém que conhecia... — jamais havia o visto ficar sem terminar uma frase —, talvez seja apenas imaginação. 

Sua cortesia me é ignorada na maioria das vezes. Sem se despedir ou dizer que estava partindo, o vi se afastar. Caminhava apressado para a saída, sozinho e remexendo no bolso do casaco, buscando por algo.

Deixei o chapéu de Sasori sobre a mesa e segui o Uchiha. Esbarrando nas pessoas e sem me desculpar, tentando alcançá-lo antes de atingir a porta. Mas ele tinha ido. Uma rajada de vento frio me tomou o corpo, gelando a pele e arrepiando. Cruzei os braços em tentativa de me aquecer e procurei por ele. 

Cruzava o estacionamento ao vê-lo parado, falando com um par de homens armados e encapuzados. Os dois concordavam com o que fosse que ele dizia, eu podia ver, mesmo que à distância, o brilho metálico das armas. Isso me fez estremecer ainda mais. Correr riscos deve ser o meu signo com ascendente em me meter em confusões. Esse é um mundo perigoso, não devia me envolver com ele. No entanto, aqui estou eu, parada no escuro, olhando para um bandido que me fode. Tudo porque quero ir para a Califórnia e viver o sonho americano. Os sonhos valem tanto assim?

Assim que os dois em armas se dispersaram pelo lugar, desaparecendo na escuridão, avancei um passo, fazendo com que o salto causasse um barulho que fez Sasuke me olhar. Com as mãos aos bolsos, ele apenas me olhava, ordenando com esse ato que eu me aproximasse. E assim fiz. 

— Não deveria sair correndo dessa forma — eu disse, na tentativa de fazê-lo falar de sua razão por ter vindo —, é estranho.

— E é você quem me seguiu até aqui — ele respondeu.

— Por que veio? 

Sasuke apenas encolheu os ombros, continuando a me olhar. Como sempre sem demonstrar uma expressão além da seriedade e frieza que faz sua alma.

— Ainda que eu vá até o inferno, esse lugar sempre me assombra — ele disse, soando com desprezo na voz. — Por isso vim. Eu te disse isso.

— Disse? — ele revirou os olhos e se aproximou do próprio carro, destravando as portas —, não deveria confessar seus pecados para alguém dormindo.

— É o único jeito de não usar contra.

— Isso é o que pensa que eu faria? —  perguntei e a questão o forçou a virar a cabeça em minha direção.

— Você é uma prostituta ambiciosa, deveria eu confiar? — disse ele. — Ainda que eu me veja inteiramente... — pausou, engolindo aquilo que diria. — É mesmo irritante.

O Uchiha entrou no veículo, não sei o porquê, mas apenas corri em direção a ele, tendo o prateado modelo do carro brilhando em meus olhos, enquanto me direcionava para a maçaneta e puxando-a, me fazendo entrar e sentar no banco de couro. Ele me olhou surpreso, questionando com as orbes o que eu estava fazendo. Mal sabe ele que eu sequer sabia o motivo de ali estar ao lado dele.

Não consigo entender a minha mente nesse instante. Meu namorado está lá no bar, provavelmente procurando por mim, e eu estou num esportivo caro, ao lado de um homem que apenas é meu alvo. Estou perdida, não é? Ou então sendo levada pelos sentimentos que os presentes caros  me causaram, sentindo pena de ter que tirar tudo dele na noite que virá. 

O que fiz com a vadia egoísta que costumava ser? Não sei. E ainda que queira entender o que se passa nesse momento, não sou capaz. Suspirei e me virei para abrir a porta e sair dali, me afastar dele. Mas fui impedida por mãos frias e grandes, segurando as minhas.

Amor... não, não é. Seja lá o que for que rugia em meu âmago não era amor. Não pode ser. Apenas uma atração intensa e carregada por algo que não compreendo. Um interesse que surgiu dos presentes, da companhia e das mínimas conversas, nada mais. Essa é a melhor mentira que tenho para me contar. 

— Eu... — tentei dizer —, por favor....

— Sabe que não está dizendo nada com sentindo, não é? — eu sorri, percebendo o quão estúpida estava sendo ali na presença dele. — Vou para casa. 

— Me leve com você.

Ainda sentia os dedos frios juntos dos meus, se enroscando e nos prendendo. Apenas pedi para que ele me deixasse ficar ao lado, me deixando ir para a casa dele e me dando uma chance de me redimir por qualquer coisa que eu venha a fazer na noite seguinte.

— Tudo bem — e nos soltamos.

Mesmo em alta velocidade e com o cenário ao redor tomando forma turva e um borrão diante de meus olhos, ao parar no cruzamento, um outdoor iluminado me chamou atenção. É importante saber o momento de virar a página. Olhei para o homem ao meu lado e então para a propaganda, pensando no que eu estava fazendo com a minha vida.

Talvez eu realmente esteja sendo a medrosa de que Sasori falou, agindo como uma tola por alguém que nada sente por mim. Me vendo apaixonada por aquele que deveria ser apenas o meu objetivo. Mas os toques e os momentos... 

Ao que chegamos na mansão e entramos para a confortável casa, fui guiada por ele até o andar de cima, indo por um corredor que não tinha notado antes. Tão vazio e límpido, com um carpete diferente e quadros de paisagens ao longo de todo o espaço. Até que paramos diante de uma larga porta, qual o Uchiha abriu e me permitiu entrar antes. Tão grande o quarto, sendo capaz de comportar talvez minha casa e a dos vizinhos. Apenas avancei, parando no centro do tapete macio. 

Mantive meus braços cruzados, assistindo a Sasuke desabotoar o casaco e então deixá-lo cair na poltrona, ficando com o colete cinza de onde um relógio dourado pendia do bolso. Ele se serviu de um copo de uísque e despenteou os próprios cabelos com os dedos. Não deveria olhá-lo assim, ainda mais quando não o verei depois...

Acredito que estou apenas adiantando a dor.

— Acabaram-se as perguntas? — ele me questionou.

— Estou formulando mais — sorri. — Já é madrugada, não deveria estar dormindo para o que fará amanhã?

— E o que farei amanhã?

O encarei curiosa, recordo-me bem dele dizendo que ficaria ocupado o sábado todo enquanto as suas garotas saíam.

— Não sei — eu disse e ele riu diabolicamente —, é sábado, todos fazemos algo.

— E você, o que fará? — o segui com o olhar se sentar na poltrona, afundando no estofado e de copo na mão.

Roubar o seu cofre. Foi tudo que passou na minha mente naquele instante, mas não poderia dizer isso. Sei que Sasuke escolheria a segunda opção para mim. Então apenas dei de ombros.

— Podíamos ir para a minha casa — o Uchiha sugeriu, com um fino sorriso aos lábios —, fica um pouco longe da cidade.

— Essa não é a sua casa?

— Acha que moro num lugar desses? — Sasuke riu alto —, não, eu apenas fico aqui pelos negócios. É mais seguro manter meu cofre longe daqui.

— Então iremos para a sua casa — eu disse, seguido do pensamento alarmante de quem deveria avisar Sasori sobre as mudanças de plano. 

— Tudo bem — ele concordou.

O vi se levantar e tirar os sapatos, indo para a cama e deixando o copo vazio na mesinha ao lado. Dei um passo a frente, observando-o se ajustar entre as almofadas e se preparar para dormir, até que deu algumas palmadinhas para o espaço ao lado, me indicando que deveria repousar ali. Assim o fiz, deitando no macio ao lado do Uchiha. Meu corpo foi recebido com carinho. Ele diminuiu a iluminação, fechando os olhos e deixando a mão ficar próxima da minha. Apenas conseguia observá-lo, seus traços e todo o resto.

Uma mentirosa e egoísta, ambiciosa sendo guiada pelo desejo do poder, fama e glória. Mas não posso amar alguém como ele, assim como não posso me ver sendo encaixada nesse mundo que Sasori sonha. Os sonhos são sempre bonitos, mas raramente fáceis. 

— Também acho — Sasuke resmungou.

— Desculpe, o quê?

— Os sonhos são sempre bonitos, mas raramente fáceis — ele sussurrou. Talvez eu tenha dito em voz alta e nem percebi, espero ter controlado a parte anterior. —  Quando sai daquele inferno no fim da cidade, pensei que fosse ser fácil estar aqui, provando do melhor e brilhando entre os diamantes... — dizia com os olhos fechados e respirando devagar. — Dinheiro compra de tudo, acredite, exceto a morte. Pensei que pudesse salvar a minha mãe, mas isso não aconteceu.

Segurei em seus dedos, acariciando as costas da mão. 

— Antes que pergunte, não, eu não trocaria isso tudo para voltar a viver naquele lugar apenas para tê-la viva — havia ira em sua voz se somando ao desprezo —, tentei transformar o pior em melhor e nunca funciona. Só voltaria para lá e tivesse a certeza de que as coisas permaneceriam iguais — ele apertou a minha mão. — Mas nada permanece igual. 

— Tudo acontece por uma razão — murmurei, vendo o sorriso se formar na boca dele.

— Eu sei — concordou e em seguida virou a cabeça para meu lado abrindo os olhos devagar —, mas podemos evitar alguns acontecimentos. Apenas não me sinto capaz — eu sorri a ele. — Vou dormir.

Antes que Sasuke fechasse os olhos e caísse ao sono, me aproximei e o beijei. Dessa vez não me privei de sentir os lábios quentes e de me entregar ao ato, como se fosse divino. Com paixão, eu digo, apenas para transformar esse beijo numa poesia que se apagará com o tempo.

Ele dormiu, enquanto eu me mantive acordada.

As palavras dele iam e vinham, se misturavam às de Sasori, se chocavam com os planos feitos. É importante saber o momento de virar a página... Talvez eu deva desistir e deixar meu namorado vir para o lugar errado, encontrar os portões fechados e permitir que o plano fracasse, enquanto permaneço nos braços desse homem que dorme ao lado. Mas, não sei o que virá depois, não quero que meu amor acabe nas ruas do subúrbio, com Sasori sendo arrastado e tomado de mim.

Me levanto da cama, deixando o quarto e me esgueirando pelo corredor vazio. Seguro meu celular firme na mão, ponderando entre ligar e dizer a ele sobre a casa. Ou então desistindo e voltando para a cama. Deus, preciso de ajuda. Disquei o número e fitei a tela, pensando em Sasuke e no que me disse a pouco, falando como se estivesse de coração aberto, ocultando sua frieza. Me obriguei a olhar pra porta do quarto, cogitando a ideia de girar a maçaneta e esquecer tudo.

Alô? — a voz no aparelho me despertou, forçando a olhar para a tela — , Sakura?

— Ei — murmurei —, eu queria dizer que... — prendi a respiração e falei de vez —, o cofre não está na mansão, mas sim na casa do Uchiha. Assim que tiver o endereço te informo.

Não esperei por um adeus ou beijo de boa noite. Apenas sei que ele deve estar sorrindo vitorioso e eu me sinto diferente. O que é isso?


Notas Finais


Impressão minha ou esse capítulo ficou meio romântico? ahiuasjkas
Não queria ter mudado a frieza do Uchiha nesse finalzinho, mas me recordo de que um dia conheci alguém que agia como uma pedra pros outros e chorava em meus braços. Irônico.
bjs


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