História Suddenly - Capítulo 14


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Escolar, Esporte, Famí­lia, Festa, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 14 - Drunk


                *Rose Campbell’s POV*

E hoje é aquele dia que eu não queria que existisse.

A festa de Halloween de ontem foi a melhor de minha vida, e mesmo com tantas lembranças boas e frescas, não tem como ignorar o dia de hoje.

O clima aqui em casa um dia depois do Halloween sempre pesa, e como de costume, papai está com os olhos vermelhos, e eu tento esconder algumas lágrimas dele. Ficamos em silêncio, sem aula hoje, que é para a escola se organizar, e em um quase luto. Quase, se mamãe tivesse morrido.

Eu me sinto culpada por ela ter ido embora, e também por sentir saudades dela. Pareceu que estou traindo meu pai de alguma maneira, mas ele explicou que isso é normal, e que eu não preciso me sentir da maneira que estou.

Eu não consigo.

Lembro que papai estava calado naquele dia, e eu tentava arrumar toda a bagunça do Halloween.

O sapato que peguei escondido foi para uma fantasia, e depois da mamãe só pegar eles e voltar para o quarto, pensei que tudo estava bem.

Mas no dia seguinte, aquele pesadelo.

— Pai?

Ele me olha depois de secar o rosto em uma tentativa fracassada de esconder que estava chorando, e me responde com o olhar.

— Quer que eu prepare o almoço?

— Não filha, tudo bem. Você deve estar cansada.

— Vou lá em cima.

Ele assente e volta a se concentrar nas mãos, e eu subo até o último andar, no quarto da bagunça, e vejo a única foto onde mamãe sorri de verdade, e isso, antes da gravidez. Antes de mim.

— Por que eu não consigo te odiar mamãe?

O sorriso brilhante, os olhos amendoados continuam estáticos, alheios ao meu sofrimento.

Vou até a janela, e vejo a casa ao lado, mais baixa, e me pergunto o que o casal que mora nessa casa já passou. Tomara que não tenham sido abandonadas pela mãe.

Volto os olhos as fotos, e enfileiro elas em ordem cronológica, e vejo que cada vez que a barriga crescia, o brilho dos olhos sumiam, e depois que nasci, o sorriso foi ficando cada vez mais sutil, até que na última foto, meses antes de ela ir embora, ela está um passo mais longe de mim e do papai.

Já o meu pai foi ficando cada vez mais alegre, e na foto que vovó tirou dele me segurando, ele chorava, e segundo ele, eu tinha três dias de vida nessa foto, e que a cada dia que passava, sabia que não existia nada mais linda que, e que sabia que tinha que me proteger de tudo e de todos a partir daquele momento. E isso com 18 anos. No último ano dele na escola.

Eu realmente sou a culpada da mamãe ter ido embora, mas de alguma maneira, eu sei que papai não me culpa em hipótese nenhuma. Ele é o melhor pai do mundo.

Por isso eu quero que ele seja feliz, nem que para isso, ele arranje alguma namorada. Eu até apoio isso, porque assim, talvez, papai perceba que esse vazio que Debra deixou seja camuflado com um novo amor. Não importa se vai dar certo. Se ver que papai é feliz, eu vou ficar feliz também.

— Filha?

Recolho as fotos do chão com pressa e jogo de qualquer jeito dentro da caixa, e então permito papai entrar.

— Rose, vou sair um pouco. Tem problema em ficar sozinha?

Nego, mas me assusto com essa nova atitude. Eu nunca vi meu pai saindo sozinho, ainda mais me deixando sozinha em casa.

— O senhor vai voltar né?

Ele me olha preocupado, e vem me abraçar de um jeito que sei que ele nunca vai me abandonar.

— Claro que vou voltar. Disso tenha certeza. Seu pai só quer ficar sozinho. Mas eu prometo que vou voltar.

— Tá bom.

Ele dá um beijo no topo de minha cabeça e depois de mais alguns segundos abraçados, ele me solta e começa a descer as escadas.

Eu não fecho a porta, porque caso ele chegue, eu vou poder escutar sem problemas, caso eu ainda esteja nesse quarto.

No final não passo tanto tempo aqui.

Coloco uma roupa mais quente, e vou para trás da casa, onde o sol bate fraco, o céu com nuvens branquinhas, mas com um vento gelado, indicando que o outono ainda estava presente, mas que já estava vindo o inverno.

Disseram que mais tarde vai chover. Eu não duvido.

Fico olhando as folhas amareladas no chão, sem pensar em nada especificamente. A porta dos fundos está aberta, porque quero ver quando papai vai voltar, mas a cada cinco minutos que olho por essa porta, a imagem ainda continua a mesma.

É claro que papai vai voltar.

Volto para dentro da casa depois de alguns minutos, e resolvo acender a lareira, porque eu já não sei o que fazer. Não está tão frio para ligar lareira, mas também não vai ser uma má ideia fazer isso.

Vou para o meu quarto buscar o notebook e o celular, e volto para a sala, já com as chamas acesas, e depois de ligar o notebook na tomada, vou preparar uma pipoca de micro-ondas, e vou assistir uma série qualquer que a Lisa indicou.

Na maioria das vezes, eu não ligo muito para essa coisa da relação entre mãe e filha, mas hoje é impossível, então com cinco minutos assistidos, largo a série, e me foco na minha playlist, ligando ela só para me distrair.

Não presto atenção na letra direito, e nem em quem está cantando.

Só sei que é uma mulher, mas não consigo me aprofundar muito na cantora.

Meu celular toca, e uma chamada do Jerome agora não parece bem-vindo. Nem se a Lisa estivesse ligando eu atenderia.

Falando nela, agora que recusei a chamada, tem uma mensagem dela, e também do Jerome e do Dom.

Eu leio de todos, mas de todos, eu gosto de ler o da minha melhor amiga: “Rosalinda, tudo bem? Não precisa me responder, mas me responda!”.

Ela sempre vem com uma mensagem bem-humorada no dia como hoje, e não respondo muita coisa, só para ela saber que eu estou bem na medida do possível, mas que não quero conversar com ninguém: “Obrigada por me fazer rir”.

Os outros dois estavam me chamando para sair para a cidade, e que tinham chamado a Lisa também. Eu não fiz questão de responder. Se chamaram a Lisa, já devem estar sabendo. Se bem que aquela ligação não fez sentido.

Por que eu estou pensando nisso agora?

E o papai que não chega?

Acabo adormecendo no tapete mesmo, e quando acordo, já passam das quatro, e eu estou com fome.

Procuro papai pela casa, mas nada indica que ele esteja aqui.

Procuro alguma coisa na geladeira, mas estou com preguiça de cozinhar, e como papai é meio chato para comidas congeladas, não temos nada aqui que possa satisfazer minha fome.

Volto para a sala, e na pequena cômoda que tem ao lado da porta tem vinte dólares, e um bilhete dele, dizendo que se quisesse era para eu pedir alguma coisa para comer, e é isso que eu faço.

Na gaveta da cômoda, tem um monte de cardápios de todos os restaurantes com entrega delivery da região, e cada vez que vejo um cardápio de um restaurante indiano me dá uma pontada na boca do estômago, e fico cada vez menos com vontade de comer alguma coisa.

No final decido por um restaurante italiano.

O pedido demora vinte minutos para chegar, mas papai está demorando mais do que isso, e me preocupo com isso.

Será que eu devo ligar para ele?

Faço isso só para certificar que ele está bem, mas a chamada cai na caixa postal, e depois de deixar uma mensagem, vou comer, olhando para a porta a todo instante.

Mamãe odiava comida italiana. Papai tem descendência italiana.

Papai não se conforma com o costume indiano de se arranjar casamentos. Mamãe tem descendência indiana.

Eu não sei até agora como que eles deram certo por um tempo.

Papai sempre diz que ainda ama a Debra, e que sente a falta dela todos os dias, e ver que eu sou tão parecida com ela, só o deixa mais feliz. Não sei como isso faz sentido para ele, porque eu não iria suportar se fosse eu no lugar dele.

Esse negócio de amor é bem estranho.

Eu termino de comer, e lavo os talheres que usei, mas nem sinal de papai.

Estou começando a ficar realmente preocupada.

E se papai não voltar por algum motivo?

E se eu precisar ficar aqui sozinha?

Não, do jeito que as coisas acontecem, eu iria para um abrigo.

Estremeço só com a ideia.

— Vó?

— Que foi minha querida?

Ligar para a minha avó pareceu mais prudente, só para saber se o papai estava na casa dela. Eu sei que eles são muito apegados uns aos outros, e sinto orgulho em dizer que eu sou parte dessa família.

— O papai está aí?

— O Ben não está com você?

— Ele saiu.

— E te deixou sozinha?

— Deixou. Papai disse que queria ficar sozinho.

Ela ficou em silêncio e soltou um “ah, claro”.

— E você querida, está bem?

— Eu estou com medo. E se papai me deixar?

— Calma filha, seu pai nunca vai te deixar. Eu conheço o Ben. Ele te ama de mais. Mais do que ele ama nós, os pais dele. Filho ingrato é assim mesmo.

Eu dou risada. Vovó sempre fazendo essas piadas, e não poderia ser diferente agora.

— Rose querida, não se preocupe, seu pai só quer ficar sozinho. Você também tem esses momentos que eu sei.

— Papai te contou.

— Claro que contou. É seu pai, e é meu filho. Eu sei quando tem alguma coisa errada com ele. Não se preocupe, mas qualquer coisa, é só me ligar. Até você, se quiser conversar, pode falar comigo. Lembra que te ajudei quando menstruou pela primeira vez?

— Não tem como esquecer.

— Seu pai ficou desesperado, porque percebeu que a sua filha estava crescendo, e que agora já é uma mocinha em fase em que os garotos começam a se aproximar.

— Eu lembro. Papai não queria me deixar sair por uma semana inteira. Nem mesmo para a escola. Se bem que estava com vergonha de ir.

— E lembra que fui aí durante uma semana? Inteirinha?

— Lembro vó.

— Então. Você sabe que pode contar comigo.

— Obrigada.

— Não precisa agradecer. Eu sou sua avó. Recebi esse título cedo, mas ainda bem que é uma neta como você.

— Vovó!

— Okay querida. Entendi. Quando o seu pai chegar me liga tá? Ou pede para ele ligar.

— Tá bom.

Ela desliga o telefone depois de fazer mil recomendações sobre me cuidar e não abrir a porta para estranhos.

Só queria que o papai chegasse logo.

São sete horas quando decido ir tomar banho no banheiro do corredor mesmo, porque isso me permitiria ouvir o papai caso ele chegasse durante esse banho.

Nada.

Saio do banho e coloco a roupa suja na cesta, e depois de terminar de secar o meu cabelo, desço as escadas com a esperança de ver papai.

Nada.

Não sobrou muito dinheiro para pedir comida de novo, e acho que papai pensou que voltaria antes.

Vou à geladeira e preparo um sanduíche, e dessa vez estou realmente preocupada, então ligo de novo para o papai, mas de novo ele não me atende. Será que aconteceu alguma coisa?

Como se papai tivesse lido minha mente, ele abre a porta com tudo, e vou correndo para a sala, onde encontro o meu pai. Não do jeito que eu queria ou esperava.

Ele estava desgrenhado, o rosto vermelho, se apoiando em todos os móveis que apareciam na frente, segurando em lugares em falso, e tropeçando nos próprios pés.

— Pai?

— Rose! Comeu direitinho? – papai pergunta curiosamente alegre, em uma voz arrastada, e pisca forte algumas vezes.

— Pai! Você está bêbado!

— Só um pouquinho.

Ele dá risadas, e eu estou assustada. Eu nunca vi meu pai nesse estado.

— Papai. O que aconteceu?

— Só tomei um pouquinho de drinque. Era colorido. Bonito.

Ele segura no ar em falso, e acaba perdendo o equilíbrio e caindo no chão.

Eu começo a chorar porque estou com muito medo. Eu nunca vi papai assim, e isso me assusta de mais.

—Vou ligar para vovó.

Ele continua rindo, então aproveito para pegar o aparelho e ligo rapidamente, enquanto espero alguém atender o telefone.

— Alô?

— Vô?

— Não, é o tio Peter. Tudo bem?

— O meu pai tio. Pode pedir para a vovó vir aqui? O mais rápido possível.

— Manda um beijo para o Peter – papai diz se sentando no sofá todo desajeitado.

— O seu pai está bêbado?

— Tio, me ajuda, eu não sei o que fazer.

— Eu já vou aí!

— A vovó pode vir?

— Eu vou com a sua avó e o avô. Não se preocupe, a gente vai estar aí em dez minutos.

— Vem logo. Eu não sei mais o que fazer.

Meu tio desliga e eu me concentro no papai que agora está olhando o peso de papel que está em cima da mesa de centro, e começa a brincar com ele.

— Pai, a vovó, o vô e o tio Peter vão estar aqui daqui a pouco.

— O Peter ele é engraçado. Gosto quando ele conta piadas.

— Pai, para de falar. Eu estou com medo.

Ele tenta se levantar do sofá para me abraçar, mas eu dou um passo para trás, abraçando meu próprio corpo, e logo o papai cai de volta no sofá, parecendo não perceber o meu movimento.

Eu não consigo ficar muito tempo olhando ele, então vou para a sala de jantar, perto o suficiente para conseguir ver caso ele se machuque, mas longe o suficiente para não enxergar o rosto dele.

Os meus avós e o tio Peter demora mais do que dez minutos, como deduzi. Da casa deles até o nosso leva quase vinte minutos, e foi esse o tempo que levou, o que pareceu uma eternidade aqui.

— Você está bem querida? – vovó pergunta me dando um abraço apertado, depois de me avaliar dos pés à cabeça.

— Só estou assustada.

— Onde ele está?

— Acabou de ir para a cozinha.

Abraço vovô e o tio Peter, e depois deles certificarem que eu estava bem, os dois vão para a cozinha, e vovó continua comigo, me abraçando para tentar tranquilizar.

Ela é menor que eu, não tanto, mas temos uma diferença de cinco centímetros.

— Benjamin! Olha o seu estado, você tem uma filha! – vovô começa a ralhar com o papai, e eu começo a soluçar por conta do choro.

— Rose! Ela é linda, tão parecida com Debra. Cadê ela?

— Vamos pai, vamos levar ele para o quarto.

Os três reaparecem na sala. O vovô segurando de um lado e o tio do outro, e dali vão em direção as escadas, e não quero terminar de ver eles subindo as escadas, então abraço a minha avó, escondendo meu rosto no pescoço dela.

— Calma querida, ele vai ficar bem. Eles vão cuidar do seu pai.

— Vocês podem dormir aqui hoje?

— Claro que podemos. Vamos ficar aqui amanhã o dia inteiro, até ter certeza que o seu pai está totalmente sóbrio.

— Papai nunca fez isso. Estou com tanto medo.

— Calma meu amor. Seu pai só extrapolou. Eu vou conversar com ele amanhã. Duvido que ele vá conseguir trabalhar amanhã. Não do jeito que está. Sorte dele não ser um cara violento quando bebe.

A gente fica em silêncio, e não consigo evitar a pergunta que vem martelando minha mente desde que papai saiu.

— Será que ele me culpa por minha mãe ter ido embora?

Vovó me olha assustada, e depois de me analisar com os seus olhos castanhos claros, começa a alisar meu cabelo.

— Ele amava a sua mãe. Eu nunca tinha o visto agir daquele jeito com alguma garota. Ficou anos com ela, e conhecia muito bem a Debra. Ele sabia que isso poderia acontecer. Não, não do jeito que você está pensando – ela diz quando me assusto com o que ela disse. – Eu sei que ele sabia que poderia perder ela, mas do jeito que ele agia com Debra. Ela era uma aventureira, mais do que o seu pai. Ela não aceitava o que os pais faziam, e de repente se viu presa a uma família que não desejava tão cedo. Mas seu pai é diferente. Ele se apaixonou por você assim que te viu nascer. Ben ama você mais do que amou a sua mãe. Ele nunca te culpou, porque ele de uma forma sabia isso poderia acontecer. Se ela foi embora, não é por sua culpa, mas porque ela queria isso.

— Por que mamãe fez isso com a gente?

— E quem vai saber?

Olho para a minha avó que está sorrindo, mas está tão preocupada, que até parece uma mãe para mim. Acho que em alguns momentos, ela foi a mãe que eu não tive, mas não é a mesma coisa.

Eu sinto um aperto interno ao imaginar que a mamãe foi embora por minha culpa.

De todos os dias 1º de novembro, esse de longe é o pior.

Ouço um estrondo lá de cima, e quando me levanto do sofá para tentar ver o que aconteceu, o tio Peter grita que está tudo bem, então vou ao pé da escada, olhando para cima a todo instante, como se milagrosamente papai aparecesse sóbrio e pedindo desculpas.

— Você está com fome filha?

— Um pouco.

— Eu vou fazer uma janta para todos nós. O seu pai precisa é de uma sopa. Por que não liga a lareira? Vamos jantar aqui.

Eu assinto, enquanto vovó vai a cozinha, me concentro no fogo que tenho que reacender.

Amontoo as lenhas que ficam postas ao lado da lareira, e depois de colocar um acendedor, fico mexendo nas lenhas com o atiçador. Às vezes desnecessariamente, fazendo a chama morrer um pouco, mas logo reacender quando desfaço o erro.

Vovô e o tio Peter reaparecem, e dessa vez é o meu tio que fica aqui, enquanto o meu avô vai para a cozinha, mas ele promete que daqui a pouco vai estar comigo.

— Como o papai está?

— Bêbado.

— Tio, ele vai ficar bem?

— Claro que vai, ele é um Campbell, não?

— E amanhã?

— Seus avós vão ficar aqui, não se preocupe. Eu vou levar você para a escola, e quando você voltar, nós ainda estaremos aqui. Agora conta, como foi a festa do Halloween ontem?

— Legal.

— Ah só isso? Deve ter sido um porre.

Eu dou risada por meu tio nunca aceitar um “legal” como resposta. Ele nunca aceita mesmo.

— Foi bom tio. O melhor que participei da minha vida.

— Ah Rose, você nem viveu tanto assim.

— No tempo que vivi, deu tempo de acabar Friends, ter mais de dez temporadas de Sobrenatural, e várias outras séries.

— Tudo bem senhorita antiga. Lembre-se que seu tio nasceu na década anterior.

Dou mais risada, e tento convencer meu tio que a festa foi realmente boa, contando tudo o que tinha na festa, e tudo o que fiz, até mesmo as horas em que eu estava me arrumando.

— E aí netinha, como está?

Vovô me dá um abraço, e então vem sentar ao meu lado só que no sofá.

— Minha coluna não vai aguentar.

— Isso é ser antigo – tio Peter diz no ar, e me faz rir disso de novo.

— Seu pai está dormindo, mas duvido que vá acordar amanhã cedo. E sugiro que faça um café da manhã a mais, porque eu, sua avó e o Peter vamos ficar aqui também.

— A vovó e o tio Peter me contaram.

— Sempre fofoqueiros.

— Frankie.

Vovó reaparece na sala com uma panela e um olhar severo para o vovô, mas ele sorri e vai ajudar ela com a panela.

— Querida, você não vem comer?

— Vou levar a sopa para o Benjamin, daqui a pouco venho.

Vovó sobe com uma vasilha, e vejo na panela sopa bem colorida.

— Ele não vai acordar – tio Peter conclui enquanto coloca a sopa na tigela.

— Claro que vai. Não conhece a sua mãe?

— É, pode ser.

— E aí Rose, que horas você acorda? – vovô pergunta depois de dar uma colherada e olhar as chamas da lareira.

— 5:00 a.m.

— Por que tão cedo?

— Tenho que preparar o café da manhã.

— O Benjamin também acorda esse horário?

— Acorda. Na verdade ele que pediu para eu acordar junto com ele. Para dar tempo de tudo. Papai tem que estar mais cedo na escola.

— Ah, é claro. Ele é professor – tio Peter diz decepcionado. – E ele disse que nunca lecionaria.

— Deixe o seu irmão.

— E ele é um bom professor?

— É o professor chato da escola, mas ensina bem.

— Claro que ele é o chato da escola. Ele sempre foi mais rigoroso. Ele era o irmão responsável.

— Você é o filho inconsequente – vovô diz risonho.

— Tinha que ter alguém né?

— Eu sei. Eu também era o filho inconsequente. O Benjamin é igual a sua mãe.

— Achei que fosse o Chris.

— Ele é igual a minha sogra. Ben que é bem parecido com a sua mãe.

Esse está sendo uma reunião de família fora de época, e considerando o dia de hoje, o final está sendo divertida. Só faltou o tio Chris, a tia Val e o Dan, além do papai sóbrio.

— É, a vovó era bem calma. Diferente do vovô.

— Nossa. Não conta nada para sua mãe, mas eu morria de medo do seu avô. Ele era muito irritado. Quando eu fui apresentado, ele apertou tão forte a minha mão que eu tive a impressão que ele queria quebrar os ossos dos meus dedos.

— Duvido que se o senhor fosse pai de uma garota não faria algo parecido.

Vovô olha para mim com consideração, e acho que estou entendendo o seu raciocínio.

— É, tem razão. Eu iria querer ver o homem enforcado em alguém que tocasse em minha filha. E isso vale para você Rose. Se você começar a namorar, vou querer conhecer.

— Pode deixar, papai vai fazer isso pelo senhor.

— Não, faço questão de participar de uma reunião dessas.

Acabo rindo de meu avô, e consegui imaginar papai e o vovô sérios, olhando para algum cara sem rosto.

Mas isso estava longe de acontecer, ainda mais com o papai daquele jeito no quarto. Quando ele diz que eu pareço a vovó, não é sem razão.

Acho que agora entendo porque papai disse que eu pareço com ela, e me pareço com o papai. Eles são parecidos, como o vovô mesmo disse.

— Seu pai vai ficar bem. Fica calma.

Quando o vovô disse isso é que percebi que estava olhando para o topo da escada, onde a vovó tinha desaparecido há alguns minutos.

— Eu só tenho ele para ficar preocupada.

— Você diz isso até arranjar algum namorado.

— Então pode ficar tranquilo, isso não vai acontecer tão cedo.

 — Só namore com trinta anos tá?

Volto a tomar a sopa que está com aquele gosto de “comida de avó”.

— Tirou fotos novas filha? – meu avô diz depois de eu ter colocado as louças no lava-louças e voltado para a sala.

— Tirei. Tem algumas lá. Querem ver?

— Claro! Mas depois vá dormir, você tem aula amanhã.

— Pode deixar.

Subo com meu tio e vovô, e quando passo na frente do quarto do papai, não ouço nada, e me pergunto se vovó conseguir dar a sopa para ele.

Mostro todas as fotos novas que tirei. Elas estão meio em ordem, então não é difícil.

— E quem é essa moça bonita na foto? – vovô pergunta apontando para a foto que papai tirou na viagem para a praia.

— Eu.

— E quem tirou a foto?

— O papai.

— E não é que ele sabe tirar foto?

— É a Rose que deixa as fotos bonita. A foto é bem comum. É diferente dessa aqui desse garoto.

Eu olho a foto que o tio Peter estava apontando, e vejo a do Jerome sorrindo para o chão, com as luzes iluminando ele de uma maneira diferente.

— Quem é esse garoto? – meu avô pergunta me olhando sério.

— Amigo. Ele é atleta do vôlei.

— Amigo. É o que eles dizem.

— É meu amigo. Pode perguntar para o papai. Ele conhece o Jerome.

— Jerome? É esse o nome dele?

— É vô. Pode perguntar. Papai dá aula para gente e estamos na mesma sala com a Lisa e o outro amigo dele.

— Lisa é aquela sua amiga? Meio maluquinha?

— Essa mesma. Todos vão confirmar. Amigos.

— Acho bom. Essa foto da escola é bonita.

— Disse que é a Rose que deixou a foto bonita. Ela sim sabe tirar foto – tio Peter diz de novo.

— Essa foto é a minha preferida.

Aponto para uma foto que tirei no intervalo, onde o Peter, – agora que me toquei que o meu tio e o meu amigo tem o mesmo nome – Jerome, Dominik, Lisa e a Margareth estão sentados na grama, e eu tirei eles de frente, em uma pose natural, como se não soubessem que eu estivesse tirando foto – o que era uma mentira – só aproveitando o sol.

— É bonita. Esses são seus amigos?

— São.

— Seu pai conhece todos?

— Todos. Ele dá aula para todos. Papai dá aula de várias áreas da história, então dá aula para 95% da escola. Segundo ele mesmo.

— Por isso que trabalha até tarde.

— Meus amores, deixa eu conversar com a Rose? – vovó aparece na porta do quarto sorrindo.

— Claro – vovô diz sorrindo docemente para a esposa. – Boa noite meu amor. Durma bem viu? E amanhã não se esqueça do café da manhã.

— Tá bom.

— Boa noite Rose.

Meu tio dá um beijo em minha testa e os dois saem do quarto, me deixando sozinha com vovó.

Ela arruma a cama para mim, e escovo de novo o meu cabelo, porque ele embaraça muito rápido, e depois que me deito, vovó se senta ao meu lado e sorri carinhosamente, e não com dó, como outras pessoas costumam fazer.

— Seu pai vai ficar bem até a hora em que você chegar.

— Ele está dormindo?

— Agora está.

Ela me olha, e não tenho certeza do que ela quer fazer ou entender.

— Eu te acho tão madura para sua idade meu amor – eu franzo o cenho tentando entender o que ela quer dizer com isso. – Qualquer pessoa estaria julgando ele, como seu avô e o Peter fez. Mas você não. Ao invés disso se sentiu culpada.

Continuo não entendendo tanta coisa, mas sei que eu não o julguei. Papai é gente. Ele comete erros, e ele também às vezes precisa extrapolar mesmo do jeito dele, mesmo me assustando.

— Não precisa ficar com medo quando o seu pai chegar assim, isso se acontecer de novo. É só me chamar como você fez hoje.

— Papai pode voltar a beber de novo?

— Eu não sei meu amor. Às vezes a gente age de maneira que os outros não esperam. Mas não se preocupe você nunca vai estar sozinha. Como o seu pai diz, você ainda é a minha garotinha. Você é a minha primeira netinha sorridente, e que amava ir para a nossa casa. Nós sempre estaremos com você, como o seu pai.

— Obrigada vó.

— Já disse que não precisa agradecer.

— Não. Obrigada por tudo o que a senhora fez por mim. Fez coisas que seria obrigação de mãe. Mas a senhora sempre esteve comigo.

Vovó está com os olhos lacrimosos, mas um sorriso amplo, como o papai faz.

— Minha netinha. Nós avós somos mães de vocês netos também. Mães com privilégios, mas somos mães. Vou sempre estar com você.

Ela me dá um abraço apertado quando me sento, e depois de dar um beijo na minha testa, apaga a luz do quarto, e depois de me deitar, apago a luz do abajur ao lado da cama, e agradeço a pessoa lá em cima por mesmo tendo apenas a família paterna como família, ser a melhor família que eu poderia ter, mesmo com aqueles probleminhas que todos têm.


Notas Finais


Link do meu blog de fanfiction: http://imaginesmix.blogspot.com


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