História Suicidal - Capítulo 20


Escrita por: ~

Visualizações 3.788
Palavras 5.108
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


• Olá, voltei com mais um capítulo e enorme para ressaltar. Vocês gostam de capítulos grandes ou acham cansativos?Posso diminuir ou continuar nessa meta de palavras, vocês quem decidem, é que quando eu tiro para escrever eu realmente me empolgo, haha :)
• Muito obrigada aos 1908 favoritos, meu Deus eu nem estou acreditando, meu sonho era chegar aos 1000 e agora tenho quase 2000?! Só tenho a agradecer a vocês por tudo, sério.
Obrigada a todos os comentários, li todos e os respondi também.
• Fiz um novo trailer para Suicidal, ele será da nova ''etapa'' da fanfic.
• Música do capítulo: Deep End - Birdy (Link da trilha sonora nas notas finais)
• Tenham uma boa leitura ♥

Capítulo 20 - I want


Fanfic / Fanfiction Suicidal - Capítulo 20 - I want

 

— Alguns dias, eu sinto tudo de uma vez. Outros dias, eu não sinto nada.

 

‘’Você conseguiu com que eu me afastasse de você. Espero que fique bem sem mim. ’’ 

Essa última mensagem que Justin a mandou terminou de destruí-la, agora era real, de verdade, ele estava se afastando dela, ele estava fazendo exatamente tudo que ela nunca quis. Melissa sabia que era o certo afastar-se dele, mas como ela conseguiria não o vê-lo? Não o tocá-lo? Era demais para ela, sempre fora. 

Melissa estava aflita sentada no sofá, suas mãos estavam geladas e soava pelo nervosismo, ela queria e ao mesmo tempo não queria saber o que seu pai falaria o que ele iria fazer com ela, a mandar para uma clínica de reabilitação? Não, não, ele não iria fazer isso, iria? – Ela pensou. Anne estava do lado da filha fazendo leves carinhos no cabelo da mesma, Anne não havia dito se quer uma palavra desde que ambas chegaram em casa, a única coisa que ela havia dito fora: ‘’ Seu pai já está a caminho. ’’

Apenas com essa frase Anne fez com que todos os ossos de Melissa tremessem. Em sua cabeça estava uma confusão de seus pensamentos, entre os bons e os ruins, entre boas decisões de seu pai até as piores, ela não sabia o que ele faria, se quer teria um bom palpite, ela só queria que tudo ocorresse bem, que ele continuasse sendo o mesmo de manhã, o mesmo que a acolheu e não a julgou apenas a ouviu e tentou entende-la, mesmo ela sabendo que ninguém seria capaz, mas ele havia tentado e para Melissa era o que importava. Isso mostrava o quanto que ele se importava com ela.

– Petter diga a Nancy que traga uma compressa de gelo para mim na sala. – Melissa fora despertada de seus pensamentos com a voz grave de seu pai que acabara de entrar em casa, ele caminhava em passos fortes até a sala o que só fez Melissa se encolher mais nos braços de sua mãe que a apertou. O mesmo tinha sua mão esquerda sobre a direita, como se algo a tivesse machucado e aquele ato fosse diminuir algo.

– O que houve querido? – Anne perguntou assim que Conrad se aproximou mais. Ele não a respondeu ou se quer disse algo, apenas caminhou até Melissa, retirando-a dos braços de Anne e a trazendo para os seus, abraçando-a forte. 

– Desculpe minha garotinha. – Ele disse mais uma vez deixando suas lágrimas caírem de seus olhos azuis, agora levemente vermelhos por conta do choro. – Eu deveria ter sabido antes, eu me sinto um péssimo pai, e talvez eu realmente seja. – Ele a afastou de seus braços, segurando-a em seu pequeno e macio rosto. – Mas de agora em diante as coisas serão diferentes, você vai ver meu anjo, não vou deixar mais ninguém te machucar. 

Melissa desabou em seus braços assim que ele a abraçou, ela queria que ele pudesse tirar todas as dores que ela estava sentindo, mas sabia que ele não poderia e também sabia que se pudesse ele faria sem hesitar. Ela nunca o quis ver desse jeito, tão frágil, triste... Ele era seu pai, desde criança que ele era seu herói e ainda continuava sendo e vê-lo dessa forma, tão vulnerável a fez se sentir mal. Melissa sabia sim que ele tinha culpa por ela ter tomado a decisão de se machucar, mas ela jamais o diria isso, seu pai já estava quebrado demais para ter que saber disso, ela via o tamanho do arrependimento que ele tinha e para Melissa isso já bastava para perdoá-lo, e talvez ela nunca tenha precisado perdoá-lo por ela nunca o ter odiado de verdade.

– Você irá se curar de tudo isso e nunca mais precisará fazer algo do tipo, porque ninguém jamais irá te machucar a esse ponto minha garotinha, eu não irei permitir, nunca mais. – Murmurou abraçando-a novamente. Melissa tinha sua cabeça entre a curvatura do pescoço de Conrad que aspirava o cheiro de seu cabelo recentemente lavado, era o mesmo cheiro de sempre, desde que ela menor. Muitas crianças meigas crescem e se tornam amargar por conta da criação ou apenas por conta dos genes serem ruins, mas Melissa não, mesmo com a criação de Conrad que ele julga ter sido insuficiente ela ainda continua a mesma, a sua pequena garotinha, o que muda ela de agora para antigamente é que nesse momento ela está quebrada, mas era para isso que ele estava ali, para concertá-la, sugar todas as suas dores e limpar todas as suas feridas, ele seria agora o que ele havia deixado de ser a muito tempo: Um pai. 

– Eu sei que pode fazer isso pai. – Melissa disse baixo. 

– E eu irei. – Ele a afastou, dando-a sinal para sentar no sofá e assim ela fez, sentando-se próxima de sua mãe e ele fez o mesmo, sentando-se de seu lado. – Antes de eu vir para cá eu falei com uma psicóloga e acho que ela pode te ajudar, ela conhece uma boa clínica para pessoas como você e... 

– Para pessoas como eu? – Ela o cortou. – O que quer dizer com isso? – Conrad suspirou. 

– Desculpe-me se eu falar algo que não a agrade, mas me entenda Melissa, eu não sei o que fazer ou como lidar com isso, eu... – Suspirou. – Eu só não sei... 

– Acha mesmo que irei para uma clínica de reabilitação? – Melissa soltou um riso debochado ficando de pé de frente para ele e sua mãe. – Eu não irei. 

– Aqui está à compressa senhor Carter. – Nancy disse entrando na sala, entregando-a a mesma a Conrad que agradeceu logo a mesma saiu deixando toda a tensão voltar naquela sala. 

– O que houve com sua mão? – Melissa perguntou mesmo já sabendo o que havia sido. 

– Apenas uma lição de moral. – Deu de ombros. 

– Porque bateu nele? – O questionou, Conrad subiu seu olhar para Melissa a encarando-a. 

– Como sabe sobre isso? 

– Ele me disse. – Conrad bufou alto. 

– Eu não quero você perto dele novamente Melissa. 

– Porque o bateu? – Voltou a pergunta-lo. 

– Porque tudo isso é culpa dele! – Disse alto assustando Anne de seu lado. 

– Como pode ter certeza disso? – Melissa cruzou seus braços na altura de seus seios e encarou Conrad com firmeza. 

Justin havia sido o motivo de tudo isso acontecer com ela e mesmo assim ela ainda o defendia... Que tipo de amor era esse? Era insano. – Ela pensou. 

– Porque eu vi a droga das marcas em seus pulsos, eu vi as inicias dele cravadas no braço da minha garotinha e eu não pensei em mais nada a não ser acabar com ele, e eu quase o fiz, mas respirei fundo, apesar de tudo ele é só um garoto que nem se quer sabe o que está fazendo você passar. – Disse de uma vez. 

– E nem irá. – Disse baixo. 

– Você precisa de ajuda querida. – Conrad ficou de pé. Melissa afastou quando ele se aproximou dela. 

– Eu só preciso que você me apoie e entenda que eu não quero ir. – Disse em quase um fio de voz.

– Por favor, Melissa, escute seu pai, você nem ao menos conhece o lugar... – Anne começou a dizer, que logo fora interrompida por Melissa.

– Vocês foram lá? – Ela perguntou exasperada. – Eu não acredito, eu... – Ela recuou três passos. – Como puderam?! 

– Isso é para o seu bem, não me importa o que você acha, você irá e já está decidido Melissa. – Conrad disse dando de ombros. 

– Eu sabia que não seria assim tão fácil, toda essa história de pai perfeito... – Ela riu seca. – Eu deveria saber. 

– Acha que tudo isso fora encenação? – Conrad perguntou-a incrédulo. 

– Eu não acho nada. – Deu de ombros.

– Melissa não complique as coisas. – Anne pediu. 

– Eu não irei mãe, está decidido. Vocês não podem tomar decisões de minha vida sem que eu saiba, não podem decidir o que é melhor para mim sem antes saber o que eu acho de tudo isso. 

– Se eu tivesse contado antes, teria aceitado? – Conrad perguntou. 

– Não! – Disse rápido. 

– Então não faria a menor diferença, sendo antes ou não, você irá Melissa! Está encerrado esse assunto. – Ele disse autoritário. 

– Eu te odeio. – Ela murmurou. 

– Eu prefiro ter você viva me odiando a morta me amando. – Disse, mas por dentro ele estava destruído. Ele só queria o bem dela, sempre quis, ainda mais agora nessas circunstâncias.

Melissa não tinha controle algum sobre suas ações e ela poderia facilmente cometer o mesmo ato de novo, e de novo e de novo... Vê-la daquele jeito mais uma vez estava fora de cogitação e mesmo que ela fosse contra sua vontade ela iria, ele se importava com ela demais para deixa-la morrer por nada. 

Melissa correu até as escadas, subindo-as rapidamente até chegar em seu quarto e se trancou no mesmo. Ela se jogou em sua cama e agarrou um travesseiro deixando-se chorar. Ela não o odiava isso nunca seria possível porque acima de tudo ele era seu pai, mas tomar essa decisão sem consulta-la havia sido errado, ainda mais algo tão precipitado, ela sabia que precisava de ajuda, mas não tinha que ser uma clínica, porque talvez nem esse centro de reabilitação fosse capaz de fazê-la se curar, a única pessoa que poderia não fazia mais parte de sua vida. 

Como alguém que nunca passou por algo como ela poderia ajuda-la? Como um estranho seria capaz de entender seus problemas ao ponto de fazê-la parar de se machucar? – Ela pensou. Nem mesmo Amber, sua melhor amiga que sabia de tudo não fora capaz de ajuda-la como alguém que ela nunca viu na vida seria? 

Tudo estava confuso demais, seus pensamentos ainda estavam nele, em como ela não poderia mais vê-lo, se quer tocá-lo como antes, mesmo que antes fosse só mentira para ela ainda era melhor do que nada, ou seja, como agora. Melissa queria conversar com ele, ouvir sua risada rouca soar alto depois que ela contasse algo sem graça e que mesmo assim ele ria, ela queria poder sentir o carinho em seu cabelo como ele sempre costumava fazer quando estavam deitados no jardim ou em uma cama olhando o teto do quarto ou as estrelas no jardim, ela só queria poder ouvi-lo dizer soluções para problemas que ela sempre inventava ter para não ter que dizer os reais e mesmo assim de algum modo, ele sempre dizia algo que servia para ela, algo que a deixava bem, nem que fosse por alguns segundos. Ele sempre a machucava, mas quase sempre ele quem a ajudava, mesmo sem saber, era algo insano, mas era assim, nem mesmo ela sabia como isso era possível, como alguém pode te ferir tanto e te ajudar mesmo sem saber? Como alguém pode machucá-la ao ponto de fazê-la querer morrer e ao mesmo tempo lutar para ficar viva? Era tudo tão confuso para ela, nesse momento Melissa só o queria do seu lado, ouvi-lo rir, vê-lo sorrir e falar sobre coisas aleatórias. Ela só o queria ali, nem que fosse pela última vez.

Justin estava completamente desolado mais precisamente ele estava sem ‘’chão’’ com tudo que acabara de acontecer.

Esse era o fim dele e de Melissa? Não, não poderia ser. – Ele pensou.

Sua cabeça estava começando a doer por ele estar desde mais cedo tentando procurar em suas memórias algo que ele tenha feito para machucar tanto Melissa ao ponto de fazer Conrad acabar com a coisa mais importante para ele, pelo menos para Justin ele achava que seria. Ele releu todas as mensagens que a mandou, pensou em todos os momentos que tiveram juntos, mas nada era claro, nada era o suficiente, fora as vezes que ele a disse coisas que claramente ele gostaria de não ter dito. Suspirando alto ele jogou-se sobre sua cama, ficando-o de barriga para cima, cobrindo-o seu rosto com suas mãos soltando o ar de forma pesada de seus pulmões. Porque ele estava se importando com o fim do contrato? Isso sempre fora o que ele quisera, desde o começo, e agora que tem a chance de tê-lo ele rejeita. O que estava acontecendo com ele? – Ele pensou. Justin sabia o motivo, mas era orgulhoso demais para admitir, ele sempre soube que Melissa era uma garotinha doce e frágil e protegê-la sempre fora sua prioridade, ele nunca a queria fazer sofrer, ele nunca a queria ver quebrada, mas ele não sabia que isso que ele desejava nunca acontecia de verdade, Melissa nunca estava bem próxima dele, era como se ele tivesse sido criado e programado para apenas machucá-la porque isso era o que ele mais fazia na maioria das vezes.

Ele queria poder manda-la uma mensagem e saber como ela estava, e principalmente a chama-la para ficar com ele esta noite, nem que fosse por uma última vez, mas a última mensagem que ele mandou esclareceu bem que ele queria distância dela, e ela parecia ter entendido isso já que a mesma apenas a visualizou e isso o machucou, ele queria que ela protestasse e dissesse que ela não queria aquilo, ele a responderia que também não e a iria busca-la e a levaria para um lugar que apenas ele e ela pudessem estar, onde seriam apenas eles, e se fosse preciso Justin enfrentaria Conrad e qualquer outra pessoa que entrasse em seu caminho com o intuito de tirar Melissa dele. Mas ele também pensou que talvez tudo que estivesse acontecendo fosse o certo, se ele havia a machucado se afastar dela seria o melhor, ele não sabia o que a tinha feito, mas já se odiava por fazer. Suspirando ele tomou coragem e pegou seu celular em cima da bancada ao lado de sua cama e abriu sua caixa de mensagens apertando no ícone de Melissa, escrevendo-a uma última mensagem.

‘’Eu só preciso saber... O que eu fiz de tão ruim ao ponto de fazê-la se afastar de mim? ”

Ele a esperou responder por quase uma hora, e quando viu que ela não o faria apenas bufou jogando seu celular sobre a cama e deixou seu corpo cair novamente sobre o colchão macio de sua cama. E talvez esse fosse o fim... – Ele pensou.

Melissa apenas leu a mensagem de Justin mais vezes do que ela fora capaz de contar. O que ela o diria? A verdade? Não, ela jamais faria tal coisa. Ignorá-lo parecia ser o certo, ela havia se prendido tempo demais nele e em nenhum momento ele percebeu que ela não estava bem ou se quer que ela amava cada parte dele. Ela sabia que uma hora ou outra isso iria acontecer, que ele afastaria dela, mas ela não esperou que fosse tão rápido, ela não havia se preparado para isso, o que ela faria agora? Qual seria o sentido de sua vida? Ela viveu tanto tempo em função de alguém que não era ela, que quando chegou a hora de viver por si mesma ela não sabia o que fazer ou o que faria. Como amar alguém poderia doer tanto assim? Como outro alguém pode te ferir tanto assim?

Uma semana depois.

Era sexta-feira, último dia de aula na semana no colégio, e consequentemente último dia de Melissa no mesmo, acabou que ela não teve escolhas se não aceitar a decisão de seus pais e ir para a reabilitação. Amber jogou várias verdades na cara de Conrad, mas não havia adiantado muito, acabara que seu pai a convenceu de que Melissa estar lá era mais seguro do que continuar como ela estava.

Melissa via Justin todos os dias, mas ele parecia não a ver, quer dizer, ele a via, mas fingia que não, era como se ela não existisse para ele, como se fosse uma completa estranha e isso a magoou tanto... Quase que ao ponto de ela passar aquela lâmina por seu corpo novamente. 

Ao chegar em casa ela viu sua mãe sentada no sofá conversando com algumas amigas, Melissa apenas sorriu fraco para as mesmas que fizeram o mesmo, assim como sua mãe. Ela havia tomado uma decisão, mesmo que agora não fosse fazer muita diferença ela queria que seu pai soubesse. A menina bateu duas vezes na porta do escritório e logo abriu, entrando-o e tendo a visão de seu pai com óculos um pouco mais baixos da forma adequada de usar enquanto lia alguns papéis. Ela coçou a garganta chamando a atenção do mesmo para ela.

– Eu irei. – Disse fazendo Conrad cruzar o cenho. – Para a clínica, eu irei.

Aquilo era melhor do que música para os ouvidos de Conrad. Ele disse que ela iria, mas sabia que quando fosse a hora certa ele daria para trás, ele jamais a deixaria em um lugar que ela mesma não quisesse, dessa vez ele faria diferente, ele havia dado voz a Melissa, e agora mais que tudo ele estava feliz, ele estava certo de que ela se curaria, e que logo ela voltaria para casa e seria a sua garotinha novamente, a sua Melissa de sempre.

– Não sabe o quanto que isso me deixa feliz. – Disse levantando e indo até a menina, abraçando-a forte em seus braços. – Vê-la bem é a única prioridade que eu tenho agora. – Ele disse deixando algumas lágrimas caírem de seus olhos, assim como Melissa.

...

Já era quase onze horas da noite e Melissa não conseguia dormir, era como se algo ruim estivesse acontecendo, ou fosse acontecer, ela não sabia explicar, mas apenas sentia um aperto em seu peito. Seu celular tocou alto, fazendo-a ter um pequeno susto mais ainda quando viu o nome dele brilhar na tela. O que ele queria dessa vez? – Ela pensou quando viu o nome de Justin brilhar na tela. Suspirando ela deslizou seu dedo pela tela, levando-o o celular para seu ouvido ouvindo longos suspiros e fungados.

Ele estava chorando? – Ela pensou.

– Mel? – Sim, ele estava chorando. – Comprovou por sua voz.

– O que houve? – Perguntou rápida. Mesmo estando brava com ele por ele a ter ignorado ela ainda se preocupava com ele mais do que deveria, mas do que podia, porque no final de tudo ela ainda o amava mais do que deveria amar, até mesmo mais que si própria.

– Eu preciso de você. – Ele murmurou embolado.

– Você bebeu? – Ele aparentava estar bêbado.

– Eu preciso de você Melissa... – Disse baixinho fungando no final. Droga! Como se afastaria dele dessa forma? – Pensou.

– Eu não posso ir. – Dizer aquilo a cortou fundo porque ela queria ir, era mais que obvio. 

– Meu coração está destruído. – Disse em um fio de voz. – Dói tanto...

Melissa comprimiu seus lábios e se falou mal mentalmente por ser fraca mais uma vez.

– Eu já estou indo. – Disse finalizando a ligação em seguida.

Melissa trocou de roupas e pegou seus tênis brancos na mão junto com a chave de seu automóvel, ela caminhava em passos lentos e calmos pela casa, tudo que ela queria era fazer algum tipo de barulho para acordar seus pais e tudo dá errado. Após sair de casa ela foi até a garagem e entrou em seu carro dando partida para fora de casa indo até a de Justin que não era longe da sua já que ambos moravam no mesmo condomínio. 

Ao estacionar na frente da casa dele ela desceu e caminhou até a entrada da mesma e surpreendeu por a porta estar aberta, talvez ele mesmo tenha feito isso por saber que ela viria. Melissa caminhou lentamente pela sala e subiu as escadas pulando um degrau, ela não queria fazer barulho, mas também não queria demorar, ela sentia que ele estava mal e poder abraça-lo agora era tudo que ela mais queria.

Ao entrar no quarto do mesmo ela se assustou pela bagunça, tinha alguns cacos de vidro perto da porta do banheiro e algumas garrafas secas de bebidas jogadas pelo cômodo.

– Justin? – Ela chamou baixo tendo a visão dele sentado no chão apenas de calça jeans preta com alguns rasgões nos joelhos, seus olhos estavam vermelhos assim com seu rosto, ele estava completamente descabelado. Ele não parecia o Justin de antes, o seu Justin. – O que houve? – Perguntou enquanto caminhou lentamente até sentar-se junto dele.

– Porque tem que doer tanto? – Ele disse a olhando. Vê-lo daquela maneira, tão frágil, vulnerável acabou com Melissa. – Porque ela tinha que fazer isso? Porque ela tinha que me destruir desse jeito? Eu não merecia isso, merecia? – Melissa estava confusa.

Do que ele estava falando realmente? – Ela pensou.

– Ela? O que aconteceu? – Melissa segurou no rosto do loiro o fazendo a olhar.

– Ela nunca me quis de verdade, apenas me usou.

Ele falava de Helena? – Pensou.

– Com ela... Quer dizer Helena?

– Ela estava comigo apenas para pagar o tratamento da mãe. – Ele riu seco. – Como eu não percebi antes!? – Não percebeu assim como não percebeu como eu te amo e sofro por isso durante todos esses anos. – Ela quis o responder, mas ele já estava quebrado demais para um dia.

– Eu sinto muito. – Melissa disse puxando seu corpo para próximo do dela. Justin apoiou sua cabeça no peito de Melissa, suas lágrimas molhavam seu moletom, mas nesse momento ela não se importava com isso, ela só queria fazer toda a dor dele ir embora. – Sinto muito.

– Eu não mereço você Melissa, sua amizade, sua companhia, sua compaixão... – Ele disse erguendo seu rosto para analisa-la. – Eu sei que a machuquei, só não sei como e mesmo assim você está aqui para mim.

– É para isso que os amigos servem, não é mesmo!? – Ela disse mesmo que aquilo estivesse a corroendo por dentro. Ele apenas assentiu.

– Sim, é. – Justin passou sua língua por seus lábios e encarou-os de Melissa, eram tão convidativos, grossos e macios que ele esperaria nunca parar de senti-los. Lentamente ele se aproximou dela mais precisamente de seus lábios, tendo-os roçando com os seus. Ele fechou seus olhos e, pois suas mãos uma de cada lado do pequeno e macio rosto de Melissa, puxando-a para mais perto. Sua língua pediu passagem e logo foi cedida quase que imediatamente e ele sorriu mentalmente com isso, ela o queria tanto quanto ele a queria.

Uma de suas mãos desceu pelo corpo da menina, alisando-o e apertando sua cintura, logo entrando pelo pano grosso do moletom. Seus dedos faziam carinhos em forma de círculos pela barriga lisa de Melissa que apenas suspirava entre o beijo. Justin nunca sabia descrever o que sentia quando tinha os lábios dela nos seus, nunca eram iguais com Helena, seus beijos com ela nunca o deixavam como quando ele fazia com Melissa, mas agora ele sabia o porquê. Helena não era Melissa.

– Eu não posso. – Melissa disse afastando-se dele. Ela ficou de pé e ajeitou melhor sua roupa em seu corpo.

– Eu sei que você quer. – Justin disse também ficando de pé.

– Mas você não. – O respondeu de maneira rápida, o que o fez cruzar o cenho.

– O que te leva a pensar isso?

– Você me chamou aqui apenas por Helena não estar, apenas por estar triste, carente, eu sempre sou a outra para você, sempre a segunda opção. – Melissa disse carregada de ressentimentos. 

– Isso não é verdade! – Ele cuspiu as palavras.

– Não? – Ele negou. – Então me diga uma vez que me chamou por me querer por perto, diga-me uma única vez que pensou apenas em mim com você e não por você querer alguém por estar solitário. – Ele ficou calado a encarando. – Apenas uma vez... – Ela murmurou mais como um pedido de que ele o fizesse, ela o queria ouvir dizer que ao menos uma vez ele a quis como ela sempre o queria.

– Antes eu não saberia responder essa pergunta, mas agora é diferente Melissa. Desde nossos últimos beijos que eu não consigo parar de pensar em você, não consigo parar de sentir o gosto de seus lábios, o quão macio e doce eles são, o quão viciante é você. – Ele disse aproximando-se dela. – Eu estou viciado em você. – Ele murmurou cheirando o pescoço da menina que teve leves arrepios o que fez o loiro a sua frente sorrir com o ato.

– Você não me parece bêbado. – Melissa disse trêmula.

– É porque eu não estou. – Disse com um pequeno sorriso nos lábios.

– Porque mentiu?

– Parecia ser o único jeito de ter você aqui.

– Então quer dizer que tudo isso fora mentira? – Ele negou enquanto tirava alguns fios de seu cabelo do lado esquerdo do pescoço da mesma, dando-lhe total visão do mesmo. 

– Não, a parte da Helena foi verdade e tudo o que eu te disse. Mas eu não quero falar dela, não agora que eu te tenho aqui. – Sussurrou no pé do ouvido da menina. Justin passou sua língua quente pelo pescoço de Melissa que tremeu pela sensação. Ela fechou seus olhos e suas mãos em punhos.

O que estava acontecendo? – Ela pensou.

– Eu não sei o que eu te fiz para te magoar desse jeito Mel, mas eu me odeio por isso, eu sinto muito por tudo, seja lá o que for eu nunca o quis fazer, me desculpa. – Ele colou sua testa com a dela. – Abra os olhos, preciso vê-los. – Pediu e assim ela o fez. – Me desculpa.

Não era tão simples assim, ela não conseguiria dizer que o desculpava por algo que ele nem ao menos sabia o que era ou o quão grande era. Melissa conhecia Justin o suficiente para saber que se ele soubesse o que ele tem a feito fazer e passar durante todos esses anos ele não pediria desculpas, porque ele sabia que tudo isso não teria desculpas e sim perdão, e talvez ela nunca o desse. Não fora algo bobo, ou uma pequena discussão de um dia, e sim algo grande e de anos e mais anos, foram tantas dores de proporções diferentes, algo que talvez alguém jamais entenda, assim como ela não entendia. Ela não sabia o que o responder, então apenas o beijou. Justin se surpreendeu no começo, mas não se afastou, pelo contrário, ele puxou mais o corpo de Melissa para junto do seu, apertando-o sua cintura, impulsionando-a a subir em seu colo, e assim ela o fez. Melissa enroscou suas pernas uma de cada lado da cintura do loiro que se virou e caminhou até a cama, deitando-se devagar sobre o corpo dela. 

Melissa o queria tanto que fora difícil se afastar dele. Ela não podia ficar nua na sua frente, seria como mostrar tudo que ela fazia, seria como destruir tudo, destruir tudo que ela nem ao menos sabia se ao amanhecer ainda continuaria tendo. Porque tudo o que estava acontecendo não parecia ser real ou se quer algo que durasse, ela nunca durava com ele por ele sempre arrumar uma maneira de machuca-la.

– Eu não posso, desculpa. – Ela disse se soltando dos beijos do mesmo, afastando-se do corpo do loiro que bufou frustrado. – Desculpa.

– Não, tudo bem, eu entendo.

Não, você não entende, e nem nunca irá. – Ela pensou.

– Eu acho melhor eu ir. – Melissa ameaçou levantar-se, mas Justin a impediu segurando em seu braço, trazendo-a de volta para a cama.

– Por favor, fica! – Melissa o olhou por alguns segundos e suspirou assentindo com um pequeno sorriso no rosto assim como ele.

Justin deitou na cama e a puxou sobre seu corpo, fazendo-a apoiar a cabeça em seu peitoral com eles sempre costumavam ficar. Melissa começou a passar suas mãos sobre o peitoral do mesmo, seus dedos faziam linhas imaginárias sobre ele. Ela sentiria falta dele, de seu cheiro, de seu corpo colado ao dela, de seus beijos e carinhos... Seria doloroso demais o deixar, ainda mais sem nenhuma explicação.

– Eu preciso te contar uma coisa. – Ela disse baixo. Justin ajeitou-se melhor para encará-la. – Eu irie ter que fazer uma viagem... – Ela mordeu seu lábio inferior. Céus era tão difícil fazer aquilo com ele a olhando com tamanha ternura.– Pôr um tempo indeterminado.

– Não pode fazer isso, e a escola? – Justin disse baixo. – Seus pais sabem disso?

– Na verdade a ideia foi deles. – Soltou um pequeno riso.

– Foi o seu pai não é mesmo? Ele me quer longe de você. – Travou o maxilar.

– Eu escolhi isso Justin.

– Então porque está aqui? Porque veio se vai embora?

– Porque você pediu! – Melissa disse alto saindo de seus braços.

– Você não tem que ir... – Ele murmurou.

– Acredite em mim, eu tenho. – Disse baixo assim como ele.

– Porque está fazendo isso comigo? É por causa do que eu te fiz? Eu já disse que eu não sei o que foi Melissa, mas eu me sinto um merda por seja lá o que eu tenha feito com você, acredite, eu nunca quis te machucar.

Me machucar fora o que você mais tem feito. – Ela pensou.

– Talvez assim seja melhor. – Ela deu de ombros. – Seja forte Melissa, apenas seja forte. – Ela repetia para si mesma.

– Não irá ser melhor para mim.

– E porque não seria? O contrato irá acabar e pode se ver livre de mim e de qualquer coisa que me liga a você, irá estar da maneira que sempre quis Justin.  – Ele negou aproximando-se da menina.

– Tudo que eu sempre quis está aqui e agora na minha frente eu só fui cego o bastante para não ver isso antes.

– O que quer dizer?

– Eu quero dizer que eu quero estar com você Melissa, sem contrato ou algo escrito em uma merda de papel que diga que temos que estar juntos, quero estar com você porque eu realmente quero. – Colocou suas mãos sobre o rosto da menina que sorriu fraco assim como ele. – Eu quero estar com você de verdade.

– E se não der certo? – Perguntou baixo o encarando intensamente.

Céus como ele era lindo. – Pensou.

– E porque não daria? – Perguntou ainda com aquele maravilhoso sorriso nos lábios.

Eram tantas as respostas que Melissa poderia dá-lo, tantos motivos que justificavam porque eles não poderiam dar certo que ela quase chorou ali na frente dele por isso. Ela esperou tanto por esse dia que agora que estava acontecendo de verdade ela não sabia o que fazer ou se quer o que dizer. Estar com ele sem ser por causa de um contrato era o seu maior sonho, e agora estava sendo real. Seu sorriso interior estava quase rasgando dentro de si.

– Eu não sei... – Deu de ombros.

– Podemos tentar Mel, sei que podemos. – Aproximou seus lábios dos dela. – Eu quero tentar, e você?

Ela queria? Queria arriscar tudo novamente? Arriscar sentir as mesmas dores só que agora de formas piores? Ela não sabia ao certo o que perderia se tentasse com ele, ou o quanto sofreria apenas sabia que queria, era obvio que ela queria. Melissa puxou-o para mais perto e o beijou o que o fez sorrir entre o beijo.

– Eu quero. – Disse assim que seus lábios afastaram minimamente dos dele. – É tudo que eu mais quero. – Pensou.

 

— Eu não sou um anjo, eu nunca fui, mas eu nunca te machucaria.


Notas Finais




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