História Summertime - Simbar - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Sou Luna
Personagens Ámbar Benson, Delfina, Gaston, Luna Valente, Matteo, Nina, Pedro, Personagens Originais, Ramiro, Sharon, Simón, Yam
Tags Âmbar, Delfi, Gastina, Gaston, Luna, Lutteo, Matteo, Nina, Pedro, Pelfi, Simbar, Simon, Sou Luna, Soy Luna
Exibições 93
Palavras 5.215
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oiiiii pexoass ❤❤❤
Daqui é a My, desculpem a demora mais chegamos kkkk
Bora ler?

Capítulo 10 - Ten


Fanfic / Fanfiction Summertime - Simbar - Capítulo 10 - Ten

SIMÓN POV MODE

Comecei a andar de um lado para o outro dentro do quarto feito um idiota. A idéia de que Ámbar não aparecesse era mais do que humilhante, era assustadora. Eu nunca tinha deixado às coisas chegarem nesse ponto: seja lá de qual ponto estamos falando, digo, nunca tinha gostado assim de uma garota. É claro que algumas delas já me surpreenderam, mas com a Ámbar era diferente: Era estranho porque mesmo ela sendo bastante teimosa e insuportável, - Além de irmã do meu melhor amigo, devo acrescentar – Ela parecia me ter em mãos. Tudo o que ela fazia, cada gesto, o jeito de falar, de andar, até a forma com que ela me tirava do sério era irresistível pra mim. E eu não sei como isso veio acontecer, porque sinceramente eu a odiava. Tudo aquilo que eu não suportava nela tinha sumido, ou pior ainda, se transformado em alguma forma estranha de qualidade. Qualquer garota que me desse um bolo pra sair com as amigas deveria ser ignorada até a morte. Mas não, quando ela faz isso...


Olhei para o visor do celular e percebi que estava andando sem parar há pelo menos quinze minutos. Mas que merda, porque ela tinha que demorar tanto? Tirei os tênis e me joguei na cama, procurando algo na TV. Passei canal por canal, sem reparar em nada do que estava ali, era um gesto automático, irritante. Soltei o controle na cama e olhei para a tela, onde algumas mulheres realmente gostosas estavam fazendo o que bem queriam numa piscina. Ri sozinho.


-Ámbar, olha o meu estado!

- Liga no Playboy TV. – Ela respondeu rindo e sumiu escada acima.


- Playboy TV.

Murmurei, rolando os olhos. Até nisso eu tinha que lembrar dela. Desliguei a TV poucos minutos depois, eu não prestaria atenção nem naquilo, quando tinha algo engasgado em minha garganta. Ela estava demorando demais. Conseguia ouvir o som alto da festa no andar debaixo, aquilo iria longe. Eu poderia descer e ver com meus próprios olhos, ela provavelmente estaria dançando em cima de alguma coisa com as amigas, como se não se importasse. Mas eu sabia que ela se importava. Ela tinha que se importar. Puxei dois travesseiros enormes e deitei neles, virando a barriga para baixo e fechando os olhos, como se convencesse a mim mesmo de que não estava esperando ninguém. Mas eu tinha bebido muito, e meus olhos começaram a ficar pesados. Procurei pelo celular no bolso.

- Quarenta minutos. – Disse baixo e enterrei o rosto nos travesseiros, nervoso.

Eu não estava mais conseguindo vencer a luta contra meus próprios olhos, eu teria que levantar naquele instante se quisesse estar acordado quando ela chegasse. Se ela chegasse. Respirei fundo, mas não consegui me mover. O som da festa parecia mais distante, minha cabeça já começou a misturar as imagens de tudo o que eu tinha visto e feito no dia. Eu não tinha mais forças.


Londres, 2002.


- Eu quero fazer um boneco de neve gigante! – Matteo disse maravilhado enquanto os flocos caiam sobre nossas cabeças. Meus olhos brilharam.

- Claro, e dessa vez ele não vai cair! – Eu disse e nós dois rimos, entrando pelo jardim coberto de neve da casa dos Smith Balsano.

Fazia pouco menos de um mês que eu havia me mudado com minha mãe para aquele bairro. Meus pais tinham se separado e eu estava achando tudo aquilo uma droga. Como todo moleque de dez anos, eu queria ter meu pai por perto, mas com a mudança eu estava a pelo menos duas horas dele. Várias estações de metrô e um ônibus. Eu havia decidido que faria o possível pra irritar minha mãe, o suficiente pra que ela resolvesse voltar pra nosso outro bairro, perto do meu pai e dos meus amigos. Mas logo nos dias que eu cheguei, conheci meu vizinho da frente, o Gastón. Ele era um garoto legal, e tinha um outro amigo, o Matteo. Logo me enturmei com eles e acabei perdendo o foco do filho revoltado que eu queria ser. Eu nunca tinha ido até a casa do Matteo, costumávamos ficar na casa do Gastón. Assim que ele abriu a porta da casa, sua mãe, que estava sentada no enorme sofá enrolada em uma manta, sorriu pra mim.

- Hey querido, você é o famoso Simón?

- Famoso? – Fiz careta e Matteo também.

- É, o Matteo e o Gastón falam bastante de você.

- Ah. – Respondi um pouco sem graça e ela riu.

- Estou com um bolo de chocolate no forno, vocês vão fazer o que?

- Boneco de neve! – Respondemos juntos e a Sra. Smith Balsano. 

-Tudo bem, eu os chamo assim que ficar pronto.

Saímos para o jardim e começamos nossa milésima tentativa de um boneco de neve. Os mais próximo que chegam, tinha desmoronado em vinte segundos. Gastón tinha saído com os pais dele e provavelmente não viria aquele dia, o que não tinha tanta importância, na verdade. Ele reclamava demais de ficar no frio por tanto tempo.

- Vou buscar uma pá maior, acho que deve ter alguma nas coisas que minha mãe usa no jardim – Matteo azendo careta quando nosso boneco caiu de novo. Eu ri.

- Vou continuar montando.

Comecei a juntar a neve novamente assim que Matteo pocos minutos depois, uma garotinha se aproximou. Garotas não eram legais, não naquela época. Ela estava toda de rosa, parecia de brinquedo, com as bochechas vermelhas por causa do frio e um gorro imenso na cabeça. Eu ri, e ela sorriu. Tossi logo em seguida, lembrando que eu não devia sorrir para garotas e me virei para o boneco. Mas ela não se moveu. Continuou ali, como uma Barbie em miniatura que alguém tinha fincado na neve. Fiz uma careta.

- Perdeu alguma coisa? – Disse, levantando.

- Posso ajudar você? – Ela respondeu com uma voz animada, voz de menininha. Torci o nariz.

- Não, meu amigo já está me ajudando. – Bufei.


- Porque garotos são tão idiotas? Eu sou uma menina, não um leão. Eu não vou morder você! – Ela disse num tom de voz óbvio e meu queixo quase caiu no chão. Ela era menor que eu, como podia falar daquele jeito? Fiquei sem resposta, e ela riu.

- Mas... Mas... – Gaguejei – Essa é a casa do meu amigo!

- Eu sou irmã do seu amigo. – Ela riu – Você é o Simón, né? Minha mãe falou. Cadê o Gastón, ele não vem hoje? Ele escondeu minha boneca, eu tenho certeza! Mas ele vai pagar, vai pagar muito caro e... – A pequena criatura disparou a falar e tudo o que eu fiz foi ficar com cara de bobo, sem conseguir interromper. Menina estranha aquela.

- Achei uma maior, Simón! – Matteo chegou – Ah, já se conheceram? Essa é o chuchu, minha irmã.

- Ámbar, me chama de Ámbar! – Ela resmungou e eu ri.

- Que seja. – Matteo murmurou.

- Posso ajudar vocês Matteo? – Ela perguntou e ele deu de ombros, fazendo-a dar pulinhos animados e se juntar a nós.


- Gastón! – Vi Ámbar correr em nossa direção e pular em Perida. Ele pareceu sem graça, mas a abraçou.

- Hey, Ámbar! – Respondeu sorridente.

- Oi, Simón! – Ela disse feliz e eu dei um passo pra trás, pra evitar que ela fizesse o mesmo comigo. Não que eu achasse que ela faria, ela parecia gostar bem mais de Gastón. Mas só pra garantir. – O Matteo está no quarto dele!

- Valeu, baixinha! – Gastón disse e ela fez careta, o que me fez rir.

- Ei, eu tô quase da sua altura, Perida! – Ela bufou e cruzou os braços, caminhando até a cozinha – Ô mãe, o Gastón me chamou de baixinha de novo! – Ela dizia com a voz chorosa e nós gargalhamos, subindo para o quarto.

- Hey Matteo! – Dissemos ao entrar no quarto, e ele sorriu.

- E aí! – Disse estendendo a mão para nosso novo jeito de cumprimentar. Algo como bate as mãos, gira pra lá e pra cá e faz um barulhinho com a boca. Afinal, todos os garotos e turmas legais tem que ter seu próprio toque. – Vocês acreditam que a minha irmã e as amigas dela conseguiram fazer um boneco de neve? Bem melhor que o nosso!

- Ah, fala sério! Elas são garotas de nove anos! – Respondi. E daí que eu só tinha dez, elas tinham NOVE. Pirralhas.

- A Ámbar consegue tudo o que ela quer, Simón! – Matteo riu. – Meu pai veio aqui no fim de semana e terminou a casa da árvore! – Ele disse empolgado.

- Estamos esperando o que? Vamos pra lá! – Gastón saltou da cama e nós descemos as escadas correndo.

Ámbar estava no jardim balançando numa árvore em frente a enorme casa de madeira que o pai deles havia feito. Ela sorriu ao nos ver.

- Vão fazer o que? Posso brincar com vocês? A Delfi não vem mais... – Ela fez bico e Matteo riu.

- Casa da Árvore. – Ele disse gargalhando. Ámbar fez uma careta e depois fechou a cara, Gastón olhava sério. E eu com cara de nada.

- Vou ficar aqui mesmo. – Ela respondeu fazendo bico.

- Por quê? – Ouvi minha própria voz perguntar, sem eu nem ter pensado antes. Ela levantou o olhar, sem responder nada.

- Porque ela tem medo! – Matteo apontou e começou a rir, e eu comecei a rir junto com ele. Medo de ir numa casa da árvore? Que garota besta!

-Gente, deixem ela... – Gastón disse baixo e eu vi uma lágrima escorrer pelo rosto de Ámbar. 

-Medrosa! – Eu disse rindo e bati minha mão na de Matteo. 

- Eu odeio você, Simón Álvarez. Meu irmão é um idiota depois que te conheceu. Você é um idiota – Ela chorava – Fiquem com sua casa da árvore estúpida. Eu odeio todos vocês! – Ela saiu correndo em direção a casa, e parou na escadinha, virando de frente – Menos o Gastón, eu não odeio o Gastón! – Disse chorando e correu pra dentro, enquanto nós ainda ríamos.


Acordei num pulo. Meus olhos demoraram pra se acostumar com a luz do abajur, e eu esfreguei os olhos.

- É por isso que ela me odiava? – Lembrei, confuso, sem saber se aquela imagem fazia parte de um sonho ou de uma realidade distante. Meu quarto estava vazio, nenhum sinal de que Ámbar tinha passado por lá. Olhei para o relógio, quase quatro da manhã, eu tinha cochilado por vinte minutos. Passei a mão pelo cabelo, revoltado, e me joguei nos travesseiros. Estava claro: Ela não iria aparecer.


Londres, 2007.


Era triste ser um calouro de colegial. Nos primeiros dias de aula, era tudo novo, estávamos empolgados e tudo mais. Nunca tinha visto tantas garotas bonitas concentradas em um só lugar. Mas quando você é novo na High School e não é exatamente como os jogadores de futebol veteranos, tudo perde a graça bem rápida. Garotos de quinze anos, magrelos e com tendências roqueiras não agradam as líderes de torcida. Talvez quando tivermos dezesseis... Coloquei os fones de ouvido e fiquei observando a movimentação da escola. Vi alguns garotos do terceiro ano pararem suas idiotices por dois segundos e virei o pescoço pra ver o que eles viam. Ámbar e suas amigas estavam entrando no pátio do colégio, que nem naqueles filmes americanos, desfilando. Parecia que todo mundo abria espaço pra que elas passassem. Porra, elas também são calouras! Quando cruzaram ao lado dos playboys do colégio, um deles a segurou pelo braço. Eu não estava perto o suficiente pra entender o que diziam, sei que ela sorriu idiotamente pra qualquer merda que aquele acéfalo disse. Os dois riram e ela continuou seu caminho, enquanto ele e seus quatro amigos encaravam sua bunda.

- Hey dude! – Matteo do meu lado e eu chacoalhei a cabeça com força.

- Hey.

- Tava olhando o que? - Sua irmã, aquela nojenta gostosa! Quase respondi, mas respirei.

- Umas garotas que estavam passando, só isso. – Murmurei, rolando os olhos.


- Matteo! Ámbar chegou pulando e eu arqueei uma sobrancelha, assim como Pedro. Ele também não estava acostumado com o jeito estranho daquela garota.

- Meu Deus, vai chover hoje! A Ámbar Smith Balsano passando pela mesa dos losers com o refeitório lotado, wow! – Bati palmas e ela levantou o dedo do meio, sem olhar pra mim. Ri baixo.

- O que aconteceu, sua doida?

Matteo perguntou rindo e Gastón encarava interessado. Duas amigas dela estavam paradas logo atrás. Delfina, que era simpática, vizinha deles desde sempre, e Nina, uma garota meio maluca que se juntou a elas no colégio. A outra nojentinha, a tal da Luna, não se deu ao trabalho de chegar perto de nós, estava na mesa dos populares, olhando para o nosso lado com desdém.

- Você está olhando para a mais nova integrante da equipe de líderes de torcida desse colégio! – Ámbar pulou animada junto com as amigas. Gastón riu.

- Você passou? – Ele perguntou empolgado e Ámbar riu. A amiga dela deu um tapa na cabeça de Perida.

- Claro que não, Perida, ela só está empolgada porque perdeu! – Nina disse gargalhando e ele fez careta – Eu tô brincando, bobinho! – Ela sorriu e Matteo e Gastón também.

- Parabéns! – Matteo disse tentando parecer empolgado, mas parecia um pouco preocupado. Muito provavelmente porque sua irmãzinha querida viraria uma biscate como todo o resto das cheerleaders. Mas eu desconfiava que ela já era assim.

- Obrigada, chuchu! – Ámbar sorriu. – E nem venha pedir os telefones das minhas companheiras de equipe, Álvarez. Conheço sua tara por líderes de torcida, mas gosto bastante daquelas garotas para desejar algum mal a elas. – Ela disse com uma piscadinha e os garotos gargalharam.

- Outch! – Gastón sacaneou.

Apoiei as duas mãos na mesa e inclinei meu corpo pra frente, aproximando meu rosto do dela. Ámbar fez o mesmo, queria mostrar que não tinha medo de mim, mas deveria. Vi os veteranos amigos dela se aproximarem e acariciei seu rosto.

- Mas que mal eu posso oferecer a elas, docinho? – Disse sorrindo o primeiro apelido infeliz que veio na minha cabeça – Elas já vão ter que aturar você, qualquer coisa depois disso é lucro! – Ri alto e os garotos também. Ámbar abriu a boca, mas não emitiu nenhum som. Sorri vitorioso.


Minha relação com a Ámbar  parecia ficar cada dia pior. Não que eu realmente me importasse com isso, afinal, infernizar a vida da docinho (ela odiava esse apelido, então eu passei a usar sempre) era um dos meus hobbies favoritos. O único problema é que ela parecia gostar de arruinar minha vida também, então eu sempre me via em situações complicadas por causa daquela garota. Eu odiava admitir, mas ela era esperta. Nossa guerra nunca teria fim.

- Simón, ME LARGA! – Ela berrou enquanto eu a prendia entre minhas pernas na cama, e segurava seus braços – SAI DE CIMA DE MIM!

- Você vai ter que retirar o que disse. Você foi longe demais, porra! – Gritei, sentia meu rosto queimar. Acho que nunca tive tanta raiva de alguém como naquele momento. Eu estava segurando seus pulsos porque se ela não fosse uma garota, meus braços já teriam parado no seu rosto, num murro bem dado. Ela merecia.

- Eu não vou retirar*******nenhuma! – Ela parecia gritar mais alto do que eu – Eu estou pouco me lixando pro que vão achar de você!

- Mas é mentira,********! – Apertei mais seus pulsos, e vi Ámbar morder o lábio para não gritar. Tentei afrouxar um pouco minhas mãos – Eu não broxei*******nenhuma!

Então ela começou a rir descontroladamente. Senti meu coração acelerar em um nível que poderia ser escutado a quilômetros. Bom, eu estava ficando com uma das líderes de torcida, a Jazmín. Ela era muito gostosa – Burra como uma porta, mas não é preciso muita inteligência para as intenções que eu tinha com ela – E a maldita da garota apareceu na minha casa no dia do aniversário da minha mãe. Estava cheio de parentes lá, e sabe... Ela queria um pouco mais do que eu conseguiria oferecer com toda a minha família no andar de baixo. Eu simplesmente a dispensei, o que não significa que eu broxei. Mas não, é claro que a Ámbar Smith Balsano fofoqueira espalhou para o colégio inteiro que eu era um broxa. Ótimo. Eu poderia matá-la ali mesmo.

- Para de rir! – Berrei e ela tentava recuperar o fôlego, mas não conseguia. Comecei a torcer pra ela ter um colapso e morrer engasgada. De verdade.

- Ai Simón! – Ela disse com a voz arrastada – Pela última vez: Eu não me importo que você não consiga dormir com mais nenhuma garota daquele colégio. Eu não me importo com nada que venha de você.

Meu estômago revirou e eu a apertei com um pouco mais de força, e dessa vez ela gritou. Num movimento rápido, subiu um dos joelhos e me atingiu bem nas partes, se é que me entende. Caí para o lado, gemendo. Ámbar xingava baixo e girava os pulsos com cara de dor. Depois um sorriso malicioso tomou conta de seu rosto, ao ver o meu estado.

- É – Ela riu – Parece que agora realmente você vai virar um broxa. – Disse por fim e gargalhou, saindo de seu próprio quarto.

- Nunca mais olha na minha cara. – Murmurei, me contorcendo. Ela sorriu.

- Será um prazer.


Leeds, 2007.


- Onde é o banheiro mais próximo? – Disse ofegante e Jim riu, esfregando seu corpo contra o meu. Estávamos em uma arquibancada quase cheia, e ela rebolando no meu colo enquanto me beijava. Tudo bem que ela era gostosa e tudo mais, mas aquilo estava ficando bastante constrangedor.

- Tem o vestiário dos times – Ela disse beijando meu pescoço. Sorri malicioso.

- JIM! – Ouvi aquela voz irritante e abri os olhos. Era ela mesma. Bufei.

- Oi, Ámbar! – A garota pulou do meu colo e se arrumou, sem graça.

- Pro alongamento, agora! – Ámbar rolou os olhos brava enquanto arrumava seus cabelos em um rabo de cavalo. – Se você tiver uma torção no meio da partida, eu juro que quebro sua cara.

Como ela era educada, minha nossa! Poderia dizer “Juro que substituo você por outra lider de torcida burra”, mas não! Ela tinha que agir como se mandasse em tudo. Na verdade ali ela mandava, ela era capitã das líderes de torcida. Até hoje, no caso. Ela tinha renunciado ao cargo por causa do teatro. De cheerleader a Julieta, grande evolução. Era final do campeonato de futebol, estávamos em Leeds, no colégio dos adversários. Eu odiava futebol, mas os caras também vieram, e eu tinha a Jim pra me animar um pouco.

- Desculpa. – Vi Jim murchar e saí do meu transe. Ámbar rolou os olhos.

- Que seja. – Ela murmurou como se fosse para si mesma, e Jim nem me deu tchau, apenas desceu as escadas correndo em direção ao resto da equipe. luinha me olhou de sobrancelha erguida. – Álvarez. – Disse, com um sorrisinho forçado, e eu ri.

- Fala, docinho. – Sim, aquele papo de nunca mais olhe na minha cara não durou duas semanas. Só o tempo suficiente para ela ter se revoltado com algo que eu disse tacado uma bola na minha cabeça. Mais uma vez, um poço de delicadeza.

- Pare de desencaminhar a Jim, ela já é péssima, mas estamos sem saltadoras. Não me irrite. – Ela disse apontando o dedo e eu gargalhei.

- Não tenho culpa se você não cuida bem das suas líderes de torcida, Ámbar.

- Ámbar, corre aqui! – Ouvi Luna gritar com vários pompons em mãos e fiz uma careta. Ámbar apenas virou e foi embora, me deixando sozinho na arquibancada. Em dois minutos Gastón chegou – Ele estava namorando uma líder de torcida, uma tal de Mile - Matteo veio com ele e Pedro tinha ficado dando em cima das cheerleaders do time adversário. Ficamos conversando qualquer besteira até que o jogo iniciasse.


Go, Lions! Go, Go, Lions!

Quem é seu Lion favorito?

JOSHUA!

Go Go Joshua!


- Go Go Joshua!

Imitei com a voz afetada e Pedro gargalhou. Ao contrário do que eu torcia secretamente, o time do colégio estava ganhando, 3x0 na casa do adversário, em uma final... É óbvio que o Joshua Savage, capitão dos Lions - que parecia mais um modelo com aqueles cabelos voando de lá pra cá - tinha feito dois dos três gols. Não me chamem de gay, mas aquele idiota era realmente bonito. Cento e dois por cento das garotas do colégio sonhavam em dormir com ele. Mas ele não podia, claro que não. Ele tinha dona. Isso mesmo, adivinhem? Ámbar Smith Balsano. O capitão do time com a capitã das cheerleaders. Típico. Fim de jogo e todos começaram a pular ao meu redor, inclusive Matteo, que parecia realmente empolgado. Papéis prateados caíram sobre nossas cabeças, e eu vi Josh – como ele era chamado – Correr em direção a Ámbar. Ele poderia ter escorregado, seria tão legal. Mas ele não escorregou, e ela também estava correndo. Como naqueles filmes melosos de romance, ela pulou em seu colo, cruzando as pernas ao redor de sua cintura, e eles trocaram um beijo de cinema. Meu estômago revirou e eu fiz uma careta, sem nem saber porque. Olhei para o lado e vi a expressão de Matteo mudar. Qual era o problema dele? Devia saber da reputação da irmã, então porque parecia tão surpreso? Parei de pensar no que não devia quando Jim surgiu na minha frente – Parecia ter brotado do chão – Já me beijando. Correspondi ao beijo já pensando que ela estaria animada para comemorar, e ri sozinho.


Eu não gostava de festa com pessoas populares. Tudo bem que era engraçado ver aquelas riquinhas perderem a linha, os brutamontes brigarem entre si, mas definitivamente não era a coisa que mais me agradava no mundo. Jim tinha ido ao banheiro com as amigas, coisa que eu me recusei a entender anos atrás, esse lance de banheiro com companhia. Gastón nem tinha vindo, tinha ido comemorar a sós com Mile. Certo ele. Pedro e Matteo deviam ter se arranjado com algumas garotas por aí. Esperei que Jim voltasse, e ela começou a falar sem parar. Ela era irritante, a voz dela me irritava e eu não estava bêbado o suficiente pra agüentar aquilo. Saí atrás de algo mais forte, e vi Ámbar sentada no colo de Joshua enquanto conversava com Luna e o namorado dela, o goleiro do time que eu não lembrava o nome. Ela parecia ter um ataque de riso de algo que a amiga estava dizendo. Chacoalhei a cabeça e tirei meus olhos de lá, porque diabos eu estava os encarando mesmo? Fui até a cozinha, peguei um copo cheio de vodka e virei. E virei mais alguns outros, assim que Jim me encontrou. Já estava sentindo meu corpo formigar, aquilo não era nada bom.

- Eu vou pra casa. – Disse com a voz arrastada e não ouvi o que ela disse, mas girei as chaves do carro nos dedos. Saí cambaleando, não vi nenhum dos garotos, nem procurei. Acionei o botão que abria a porta do carro e tentei acha-lo entre tantos. Olhei para trás e vi que Ámbar discutia com Joshua. Luna e o goleiro estavam atentos a tudo. Josh a puxou pelo braço, ela o com força e para a minha surpresa, veio até mim. Pisquei os olhos com várias vezes.

- Você não vai dirigir nesse estado, Álvarez. – Ela puxou a chave da minha mão, mas não com força suficiente para arrancar. Segurei ainda mais forte, rindo.

- Quem vai me impedir, você? – Gargalhei e ela bufou.

- Sim. – Opa. Por essa eu não esperava. – Dá essa chave, eu vou te levar.

- Que? – Definitivamente eu estava mais bêbado do que eu pensava. Ámbar Smith Balsano preocupada com meu estado? Não, aquilo não estava acontecendo.

- Anda Álvarez, dá a porcaria da chave! – Ela disse mais alto e eu olhei para suas pernas descobertas. Ri malicioso.

- Belas pernas. – Ouvi minha voz de tarado e ri mais alto. Ámbar girou os olhos e pude perceber que ela reprimiu o riso.

- Pervertido!

- Mas é verdade! – Não, eu não estava falando isso! Dessa vez ela riu alto.

- Cala a boca. – Disse baixo e eu poderia estar louco o suficiente, mas acho que vi suas bochechas corarem.

Sorri sozinho e atravessei a rua até meu carro. Ela estava logo atrás de mim. Bufei.

- Eu vou dirigir, volta pro seu capitão, anda! – Disse impaciente.

- Você não sabe nem o que tá falando, seu idiota! Não vou deixar você dirigir assim!

- Por quê? – Perguntei e ela suspirou.

- Porque... Porque meu irmão gosta de você e porque a Jim é muito nova pra ficar sem namorado! – Ela disparou e eu gargalhei, entrando no carro.

- Quem é o namorado da Jim?

Foi a última coisa que eu disse, rindo alto, antes de arrancar cantando pneus. Olhei pelo retrovisor e não sei como – Ela devia ser ninja ou coisa do tipo – Mas seu Audi estava atrás do meu carro. Buzinei, impaciente. Mas ela continuou me seguindo. Coloquei a cabeça pra fora da janela e virei pra trás, gritando:

- Pára de me seguir, porra!

- Simón! – Ela gritou, e eu virei para a frente. Não consegui frear, meu carro foi direto numa árvore. Bati a cabeça com força no volante e senti meus olhos girarem, procurando algum foco. Eu estava perdendo os sentidos. Ouvi o barulho da porta abrindo ao meu lado e alguns gritos desesperados. Dela.

- Simón, olha pra mim por favor! Simón! – Ela gritava, e do nada a dor em meu rosto parecia pequena, meu coração parecia que ia explodir. – Simón, por favor... – Ela repetia, e eu ouvi o barulho das teclas do celular dela.

- Ámbar... – Minha voz saiu fraca, e eu consegui levantar a cabeça, ainda completamente tonto. Ouvi o barulho de algo caindo no chão, e em seguida sua voz estava próxima de mim, baixa, chorosa.

- Vai ficar tudo bem... – Ela murmurou – Fique calmo.

Abri os olhos devagar, e a vi abaixar pra pegar o celular.

- Eu tô bem. – Disse baixo – Me leva pra casa. – Pedi, vendo duas Ámbar’s em minha frente.

- Eu vou ligar pra uma ambulância, é melhor e... – Ela ia dizendo e eu a interrompi.

- Não, eu estou bem, só estou um pouco tonto, juro. – Disse e ela suspirou alto.

- Consegue se mexer? – Perguntou, sua voz tão baixa e doce que nem parecia ela. Eu podia ver o desespero em seu olhar. Sorri de canto, involuntariamente.

- Você me ajuda?

Disse jogando as pernas pra fora do carro e ela assentiu com a cabeça. Foda-se meu orgulho. Ámbar me ajudou a levantar e a andar até seu carro, que estava quase do lado do meu. Não lembro exatamente o que ela foi falando no caminho, mas percebi que ela tentava me manter acordado, porque eu tinha batido a cabeça. Chegamos até o hotel onde todos estávamos hospedados, e ela subiu até seu quarto, me levando meio sem jeito. O perfume dela era bom, mas eu nunca iria admitir isso. Sentei em sua cama e ela correu, arrumando seu cabelo em um coque. Meus sentidos estavam voltando. Ela veio com uma caixa de primeiros socorros.

- Você tem certeza que não quebrou o nariz? – Perguntou baixo e eu ri. Meu nariz realmente devia estar parecendo uma merda. Mas não doía.

- Tenho. Tá tão feio assim? – Perguntei e ela riu.

- Razoável. Vou precisar limpar esse corte, vai arder.

Disse com um algodão na mão e eu fiz careta. Ámbar se aproximou do meu rosto, e de repente meus olhos ganharam foco novamente. Puta merda, ela era muito linda. sua respiração calma e quente perto da minha boca fez com que eu mordesse o lábio sem querer, mas ela não reparou. Segurou meu rosto e passou algo que ardia muito na minha bochecha. Arfei e apertei sua cintura. Ela riu, e eu fiquei vermelho.

- Tudo bem. – Ela murmurou, sem olhar pra minha mão, e continuou o que estava fazendo.

Minha cabeça doía feito o diabo quando eu acordei naquela manhã. Xinguei todos os palavrões possíveis suspirei. Eu não lembrava exatamente de como tinha chegado ali, mas sorri ao lembrar do jeito que luinha havia me tratado. Tomei um banho e olhei meu rosto, não estava tão ruim, tinha um curativo na bochecha. Eu não sabia porque, mas senti meu coração bater mais forte, e fiquei com medo daquilo. Me troquei rapidamente e corri para o hall principal. Muita gente estava indo embora. Avistei Ámbar com algumas meninas e sorri, indo até elas. Ela saiu do meio das garotas e veio até mim.

- Não fala comigo, Simón. – Disse baixo, sua voz era de raiva.

- Mas... O que foi que eu fiz? – Eu disse, assustado. Ela abaixou o olhar, percebi que tinha chorado. Aquilo deu um nó na minha garganta.

- Você existe. – Disse simplesmente e saiu da minha frente, mas parou – Ah! A chave do seu carro está com o Pedro.

Então ela partiu, e eu fiquei com cara de nada, no meio do saguão do hotel. Andei meio desnorteado entre as pessoas e ouvi Luna, sua amiga, comentando com uma menina.

- O Joshua terminou com a Ámbar por causa daquele idiota. Ela não devia ter ido atrás dele. Ele que morresse no primeiro poste. – Disse, olhando pra mim, e eu entendi tudo. Até tentei falar com Ámbar por uns dias depois, mas ela não me ouvia. Então começamos a nos odiar de novo. Afinal, não era um gesto daqueles que ia mudar muita coisa. Ela não queria que mudasse, então, pra mim estava ótimo daquele jeito. Ámbar Smith Balsano volta pra lista negra. Fim de papo.


 


Girei na cama acordei, desconfiando que mal tinha dormido. Lembrar de coisas assim enquanto se dorme é cansativo. Desenterrei minha cabeça do travesseiro, coçando os olhos. Então meu coração deu um pulo. Olhei para o relógio – cinco e dezenove – E voltei meu olhar pra ela. Sentada na poltrona olhando a chuva cair na varanda. Ela. Ela estava ali. Não consegui me mover, parecia que eu tinha borboletas no estômago. Tudo bem, isso foi bem gay, mas parecia.

- Você disse meu nome enquanto dormia – Ela disse sem virar. Porra, como ela sabia que eu tava acordado? – Duas vezes. – Completou e eu senti meu rosto corar. Ela olhou por cima do ombro, sorrindo. – Talvez eu seja a garota dos seus sonhos... – Disse rindo, enquanto levantava em minha direção. Fiz o mesmo, me aproximando rapidamente.

- Talvez você seja... – Disse baixo, aproximando meu rosto do dela. A pouca luz vinha do abajour, e eu podia sentir um tremor na espinha ao olhar em seus olhos. Parecia que tinha alguma conexão ali. Ela sorriu de canto, cruzando os braços ao redor do meu pescoço.

- Pensei que você fosse me chamar de pretenciosa. – Disse baixo e eu a puxei pra muito mais perto, aproximando minha boca de seu ouvido.

- E você é. – Eu ri, e ela me acompanhou. – Pretenciosa, teimosa, mandona, irritante, maluca, bipolar...

- Eu espero que tenha um “mas” no final dessa frase... – Ela disse rindo e eu gargalhei.

- Mas... – Disse e ela me encarou nos olhos – Eu sei que eu também não sou grande coisa... Então eu me atrevo a dizer que a gente se merece - Eu ri e ela sorriu, mordendo minha bochecha.

- Um amor bipolar... – Ela sussurrou – Eu gosto dessa idéia! – Disse rindo, e eu ia me manifestar, quando ela me deu um longo selinho – Não mais do que eu gosto de você. Eu acho que no fim das contas, você sempre foi a parte que faltava, docinho - Rimos alto e ao mesmo tempo, e ela estava corada, o que fazia meu coração bater de forma estranha - Eu só demorei muito pra reparar. – Ela disse por fim.

Âmbar sorriu o sorriso que eu adorava, aquele que ela não mostrava pra ninguém. A puxei pra cima, e ela cruzou as pernas ao redor da minha cintura.

- Linda... – Disse sem nem pensar, colocando uma mecha de seu cabelo para trás da orelha, e aproximando nossas bocas. Ela fechou os olhos sorrindo e eu soube que aquilo era certo. Ela não era apenas quem eu queria. Ela era o que eu sempre quis.


Notas Finais


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