História Summertime Sadness - Capítulo 42


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Categorias Big Bang, DEAN, G-Dragon
Personagens DEAN, D-Lite (Daesung), G-Dragon, Personagens Originais, Seungri, T.O.P, Taeyang
Tags Bigbang, Daesung, D-lite, Jiyong, Kwon Jiyong, Love, Seungri, Taeyang, Top
Visualizações 315
Palavras 5.067
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi queridos leitores, tudo bem?
Antes que leiam, gostaria de fazer algumas considerações iniciais, certo?
Primeiramente, esta é uma versão editada e reescrita do capítulo 42-Verdades e está com o final totalmente diferente do original.
Escrevi essa fanfic há um tempo e confesso que foi triste precisar reescrever o final desse capítulo após ler as reclamações realizadas na versão anterior. Havia um motivo para que as coisas estivessem acontecendo daquela maneira e esperava que estivesse ficando subentendido que tudo se encaixaria de melhor forma no final, pois eu tinha completa noção da repetição de Bhea e Jiyong em términos.
Segundamente, a fanfic ficou indisponível por alguns dias enquanto eu refletia sobre o que fazer, além de estar desmotivada, tive dúvidas sobre o rumo que daria á história. Precisei reler tudo do começo, as versões estendidas e até mesmo os comentários de vocês para conseguir chegar em uma decisão mais acertada. Ray e Thay, meus amores, obrigada pelas mensagens de apoio e por aguentarem falar comigo em meio dessa bagunça, vocês foram essenciais para mim.
Por fim, decidi continuar a história, de maneira á agradar todos os tipos de leitores que me acompanham fielmente, editando boa parte do capítulo que leram na semana passada e assim, prosseguir com os demais. Entretanto, mudança de planos, decidi encurtar a história, descartar Starlight e reescrever os últimos capítulos para que o fim chegue mais rápido, antes de maiores reclames sobre a enrolação proposital da história e do personagem Dean. Não levei pro pessoal, aceitei de coração todas as críticas e as usei para aprimorar, apesar de não concordar com todas, temos o direito de opiniões diversas e aprecio a sinceridade e a delicadeza de cada um ao falar comigo.
Por último, gostaria de agradecer imensamente á você leitor ou leitora que me acompanha desde o ano passado nesse loucura que foi Summertime Sadness, vendo toda a evolução de cada personagem e que ainda permanece aqui comigo nessa viagem.
Tenham uma boa leitura.

Capítulo 42 - The Leaders


Fanfic / Fanfiction Summertime Sadness - Capítulo 42 - The Leaders

Jiyong

Abro os olhos conforme a luz do Sol volta a invadir o quarto, lembro que a janela continuava sem a proteção das cortinas desde a mudança e somente o pensamento de precisar mudar novamente me causa uma sensação de exaustão. Deixo minhas costas irem de encontro ao colchão mais uma vez, percebendo o quão grande ele era. O dia seria longo e ainda eram dez da manhã.

- Contínuo achando uma ótima ideia o casamento ser no Jardim. - Bheatriz entra no quarto com um enorme caderno em mãos, cheio de papéis pendurados nas laterais e recortes de tecidos balançando conforme caminhava. A olho por poucos segundos antes de voltar minha atenção para o teto.

- É, pode ser. Ter que vir diariamente para cá já anda enchendo meu saco.

- Quando muda de volta?

- No momento, estou bastante satisfeito com o meu apartamento. Coisa que você saberia se não estivesse passando o dia inteirinho trabalhando ou sendo babá da Hayi.

- Já falamos sobre isso, Jiyong. - Ouço o baque do caderno contra a superfície da mesinha de cabeceira. - Vocês estão fazendo comeback, o IKON está em fase de preparação, perdi três meses de trabalho com o Hyuk.

- Bheatriz, eu vou entrar em turnê em menos de um mês. - Respondo, apoiando o corpo no cotovelo esquerdo - Depois não me venha com reclamações por falta de atenção.

- Estamos muito ocupados, os dois.

- Mas você que sempre ficou martelando no meu juízo sobre meu excesso de trabalho.

- Kwon Jiyong provando do próprio veneno...

- Deixa de gracinha e me ajuda a levantar daqui. - Estico as mãos, imaginando que logo a perna ingrata começaria a doer.

- Já marquei com um fisioterapeuta pra te acompanhar na turnê. Sem maiores desculpas.

Como o esperado, meu Reino estava transformado. Não havia o menor resquício de minha habitação ali, não naquele momento. Arranjos florais, amostras de louças e tecidos cor de rosa estavam espalhados por toda a sala, deixando claro a passagem da Hayi por ali. Como se não bastasse precisar mentir mais do que um ator para melhorar a história dos dois aos olhos dos pais dela, aguentar seus xiliques diários e ceder minha casa para aquela cerimônia de praxe para quem já havia ultrapassado todo e qualquer limite das leis divinas.

- Pronto? - Bheatriz pergunta. - Você tem uma sessão de fotos hoje para o booklet do álbum .

- Você matou a assistente e jogou no porão! - Arregalo os olhos, fingindo surpresa. - Derrubou ela da escada.

- Deixe de besteira - Ganho um empurrão em resposta.

- Sério, você está fazendo o serviço dela.

- Você subornou a Hani.

- Só não queria um fisioterapeuta marcando cada passo que eu dou.

- Tarde demais... - Ela volta a pegar o caderno e as chaves do carro. - Vamos?

- Lembra da sessão de fotos? - Pergunto, mancando até o carro, xingando mentalmente em seis idiomas.

- Claro, já fui avisada por meia empresa.

Sorrio para ela, percebendo que estava toda maquiada ás nove da manhã em plena quarta feira.

- Você fica mais bonita sem tudo isso, sabia?

- Não me bajule, seu fisioterapeuta chega amanhã cedo.

Youngbae

Os flashes tomavam conta da sala. Naquele espaço de tempo, Bhea tinha tanto poder quanto Jiyong, demonstrando ser a rainha perfeita para o trono nunca ocupado. Por mais incrível que pareça, ela estava aparentando ser tão badass quanto ele. Maquiadores davam os últimos retoques em seu rosto enquanto Ji tirava algumas fotos sozinho, imponente como sempre. Trocaram o casaco dela, para que os dois ficassem com roupas de casal, os sorrisos e as risadas acabam gerando mais cliques, causando um contraste entre as expressões poderosas e os olhares apaixonados.

- Você não deveria estar aqui. - Rosé sussurra.

- E nem você. - Respondo, sentando no chão ao seu lado, no cantinho do estúdio.

- Estou observando a eonnie. Nunca a vi tão...

- Tão parecida com ele?

- Isso, isso. Comentaram que estava mais badass que o photoshoot com a CL eonnie.

- Eles realmente vão ficar nesse conceito?

- Não sei. Tem várias peças de roupas ali, sei que existe um roteiro, mas o Jiyong oppa já o modificou por completo.

- Tipico.

Fico em dúvida se Bhea estava apenas deixando transparecer seu lado mais obscuro ou se seria apenas uma mera atuação para as fotos. Ao longe observo uma terceira figura se aproximar no escuro, movimentando - se silenciosamente pelos cabos de força e mantendo sua identidade oculta, ao menos aos olhares alheios. Tento ignorar para não chamar a atenção de Hyuk ou o circo estaria armado.

- Bhea, poderia sentar no braço da cadeira? - Ouço alguém perguntar, notando que agora havia um trono real no meio do estúdio. Obediente, ela apenas senta no local apontado, com Ji ao seu lado, com uma coroa dourada posta na cabeça de maneira propositalmente torta.

- Eles estão...

- Apaixonados! - Completo.

De fato, ela não era mais a garotinha inocente que havia conhecido há quase dois anos. Jiyong a mudou por completo, transformando-a em alguém semelhante á ele. No fundo, os dois já tinham a mesma essência.

- Flores para a Bhea! - Jennie entra, animada.

Olho para o lado e percebo que o visitante não estava mais entre nós. Conforme a mais nova entra com o gigantesco buquê de rosas vermelhas, vejo a expressão no rosto do meu amigo mudar de pacífica para levemente enfurecida, deixando claro que o agrado não vinha dele. Uma pausa é solicitada por ele e tomo a liberdade de me aproximar.

- Mandou bem, cara. - Cumprimento.

- Não fui eu! - Ele sussurra para mim, me puxando para nos afastarmos de Rose, Jennie e Bhea.

- Eu sei que não. Tínhamos um observador até cinco minutos atrás.

- Começa com Kwon e termina com Hyuk?

- Sim...

- Palhaço... - Jiyong volta a franzir a testa.

A animação das três do outro lado da sala logo acabou, aparentemente Bhea havia localizado o cartão no meio das flores e já estava ciente de que não vinham do namorado. Ele até tentou pegar o cartão para ler o conteúdo, sem sucesso, Bheatriz guardou-o e pediu que Jennie levasse para sua sala.

- Não vai me dar?

- Não!

- Muito bem, então! Ensaio Cancelado.

- Como se eu me importasse com isso.

O desdém na frase foi sentido até por mim, relis espectador da discussão entre o casal causador de burburinhos da empresa. Ji ficou incrédulo por ter sido desafiado e contrariado quando ela simplesmente virou as costas e saiu, sem demonstrar o mínimo interesse em continuar ali. A equipe demonstrava não saber a quem seguir e acabaram saindo do estúdio em seguida.

- Isso foi sério? - Pergunto.

- Eu não estou reconhecendo a minha própria namorada. Parece que...

- Que ela se transformou em uma versão mais nova de você?

Bhea

Eu estava perplexa, passada, ainda surpresa com o ato de loucura que Hyuk teve em desafiar Jiyong, aquilo causaria uma confusão enorme, apenas sendo realista. Caminho com Rosé pelos corredores, ainda vestindo a roupa do ensaio de fotos, com milhares de coisas passando pela cabeça como um turbilhão.

- O que tinha no cartão?

- Ele precisa falar comigo.

- Precisava fazer essa cena toda? Reze pro Youngbae oppa segurar o GD, porque ele tava com uma cara...

- Eu sei, eu sei.

- Como vocês estão nesses últimos dias?

Esse era a pergunta crucial, á que pé estávamos nos últimos dias desde o anúncio. Por um lado eu estava trabalhando como louca, por outro Jiyong estava sempre com Yang e a equipe de mídia, discutindo termos para um contrato de imagem entre YG e eu. Não estávamos tendo um relacionamento apropriado e mal conseguia lembrar se o havia beijado pela manhã, esse tipo de contato estava cada vez mais raro entre nos.

- Mornos. - Respondo, fingindo não dar muita atenção.

- Você tá descendo pra falar com o Dean?

Sem coragem para dizer que sim, apenas confirmo com a cabeça, entrando no elevador sem nem pensar duas vezes. Aquilo realmente estava precisando de um ponto final, afinal, Hyuk e eu não tínhamos trocado nenhuma palavra desde o anúncio, talvez eu devesse isso á ele.

O nervosismo tomava conta de mim, enquanto eu puxava as mangas daquele casaco de couro esquisito e tentava ao máximo ignorar o tamanho do shorts que me obrigaram a usar. Era praticamente uma guerra comigo mesma. E sair do elevador em um estacionamento completamente vazio, com exceção da BMV Preta que eu poderia reconhecer em qualquer lugar, não foi de muita ajuda.

- Ora, ora, ela veio... - Hyuk sai do carro, usando um jeans escuro com um moletom cinza, ele coloca o capuz na cabeça, dando um sorriso típico de quando estava aprontando.

- Sem ironias, apenas diga o que precisa dizer.

- Esse é o seu problema Bheatriz. As pessoas, para você, são descartáveis e esse ensinamento veio do Jiyong. Você entrou no mundo dele de uma maneira, que acabou perdendo sua verdadeira essência no caminho. Nós dois sabemos muito bem disso. - Ele inicia, sentando no capô do próprio carro, ainda com o capuz cinza cobrindo a cabeça. - Sempre me disse que queria algo normal, lembra? Algo leve. Gostaria de viver a sua vida, continuar seus sonhos e que ao lado dele nunca iria poder fazer isso. Lembra como podíamos sair na rua sem um bando de gente gritando? Jiyong e eu temos famas diferentes e te garanto que ele nunca vai poder dar a vida que promete, ao contrário de mim. Estou disposto á fazer sacrifícios.

- Qual a finalidade desse discurso agora?

- É mentira? Me responde, Bhea. Tô falando alguma mentira?

- Não. - Respondo, quase mordendo a língua.

- E na primeira oportunidade você sempre volta correndo pro lugar que tanto reclama, pra ficar como o poodle que ele adora exibir quando bem quer. - Os olhos dele estavam bem fixos em mim, sem sequer piscar, apenas me encarando como se estivéssemos em um julgamento. - Você já leu o contrato? Sabe o que vai assinar amanhã? Você será 100% propriedade desta empresa. Assim como eu, o problema é que isso te limita a não ir sequer tomar um café sem estar acompanhada por um representante.

- Isso é ridículo, Hyuk.

- Quer que eu mande a cópia pra você? Á propósito, lembra de quando enviou o currículo pra SM naquela categoria de produção do EXO?

- Na época do acidente do Jiyong? Lembro, lembro sim.

- Você foi aprovada, Bheatriz. Eles enviaram a solicitação para a YG e uma correspondência pro dormitório do BLACKPINK.

- Como você sabe disso?

Sem mais palavras, ele estica o braço direito, me entregando um envelope pardo com o símbolo cor de rosa na frente, puxo rapidamente os papéis, sem parar muito para ler o que havia em todos eles, basicamente era uma contratação.

- Achei na mesa do seu namorado. Junto com o seu contrato de escravidão.

- Quando? - Pergunto, confusa com o que estava acontecendo.

- Ontem á noite.

- Mas...

- Presta atenção, olha pra mim. - Dean sai de cima do carro, levantando meu queixo com o indicador para que nossos olhos se encontrassem. - Bheatriz, você não merece estar em um relacionamento em que a fama te controle involuntariamente, em que você perca a sua liberdade e oportunidades de crescimento de trabalho porque alguém quer te ter á disposição sempre que desejar. Isso não é justo com você e nem com todo o esforço que fez pra chegar aqui. E o pior é que no fundo...

- Hyuk.. - Sussurro quando percebo que estamos dando lentos passos, minhas costas já estão á centímetros da coluna, prestes á ser encurralada por ele.

- Todas aquelas tardes trancados na minja sala, todos aqueles dias na praia, os festivais de musica, as madrugadas em que corriamos para a casa do outro com uma saudade incontrolável ... No fundo, você sabe que funcionamos muito melhor como casal do que como artista e produtora. - Seu olhar continua fixo ao meu, enquanto todos os pensamentos de saída que eu deveria estar tendo vagam pela minha mente e se esvaem como areia ao vento. Apenas continuamos á nós olhar enquanto estamos praticamente abraçados. Não posso negar que um filme passa pelos meus pensamentos, desde o primeiro passeio juntos, Hyuk havia se mostrado ser tudo o que sempre esperei de alguém para estar ao meu lado. E por um leve momento, fraquejo.- Pensa em tudo o que te falei, você vale mais do que um cara que quer te expor como um troféu. - Seus lábios tocam os meus levemente, quase como um selar que teve um gosto de saudade. Antes de Hyuk dar passos para trás, virando de costas ao se aproximar novamente do carro. - Você sabe onde me achar e no fundo, sabe que quer a paz que te dou.

Observo-o sair do estacionamento e aproveito para ter meio segundo de paz, sento na lateral do que deveria ser a minha vaga, espalhando os papéis para ler atentamente o que cada um continha. No fundo eu estava esperando que tudo não passasse de uma medida exagerada e desesperada de Dean para que me ter de volta. No final das contas, era tudo verdade.

Jiyong

Rodopio sem parar na minha cadeira, esperando que alguém me dê a localização da minha namorada o mais rápido possível, entretanto, antes que eu volte a ligar para segurança, sou surpreendido com a porta sendo aberta.

- Eu tenho apenas uma pergunta, uma única pergunta. - Bheatriz entra, com um casaco do IKON jogado sobre a roupa das fotos.

- Eu posso saber o que está acontecendo?

- Por que? Por que eu preciso ser um fantoche no joguinho de vocês? Qual o problema de sermos apenas você e eu? Assim como no começo? - Ela pergunta, me acertando com um envelope com o selo da SM.

Papéis se espalham por todos os lados, fico na dúvida se os recolho ou se tento entender o que de fato estava acontecendo ali. Em um minuto estamos progredindo, no seguinte estamos em uma nova guerra.

- Por que isso precisa ser um negócio? Você é tão pau mandado que não pode sequer ter uma vida pessoal? - O volume da voz dela começava a aumentar, os cabelos castanhos já estavam bagunçados conforme ela passava a mão estressada nos fios. - Maldita a hora que eu entrei nessa droga de empresa pra ficar perto de você, Jiyong.

- Você progrediu aqui.

- Pro inferno, você e esse seu papinho de que a YG fez algo por mim. Não vou cair nessa, não mais.

- Bheatriz, me explica. - Respiro fundo, indo até ela para tentar acalmá-la - O que tá acontecendo, de verdade?

- Éramos você e eu, lembra? Com todos os nossos problemas, com todas as divergências. Mas ainda assim, era um relacionamento. E agora me deparo com uma reunião de mídia sobre como devemos andar lado a lado no aeroporto?! Jiyong, eu fui solicitada por outra empresa, com o dobro do salário e esconderam de mim!

- O assunto é dinheiro, também?

- O meu dinheiro! - Ela grita - Do meu trabalho.

O clima estava começando a fugir do meu entendimento, de repente até uma proposta de emprego que nunca havia sido mencionada á mim, estava sendo jogada na minha cara. Á minha frente um misto da personalidade verdadeira e da criada pela vida na YG se manifestava enfurecida, apesar das roupas caras que vestia, Bhea continuava com os mesmos princípios. Começo a suar frio de nervoso, enquanto um instante de silêncio é feito para que a informação seja processada por ambos.

- Você não pode me dar o que eu preciso e eu não posso ser quem você quer, é a verdade.

- O que isso significa?

- Que depois de agirmos como dois loucos apaixonados, deveríamos tirar um tempo para refletirmos se o caminho é o certo para ambos.

- O que quer dizer com isso? - Pergunto, rezando para não ser o que estava em meus pensamentos.

- Precisamos de um tempo longe, um do outro. - Bheatriz me encara, respondendo friamente.

- Bhea.. Não! Chega de pedir tempo pra pensar, chega de ficar fugindo e se escondendo em desculpas vazias. Se realmente não conseguir apesar de tudo...

- Realmente preciso de um tempo!

- Se você sair por essa porta, não precisa mais voltar. - Solto, em um momento de estupidez da qual me arrependeria segundos depois.

A porta é aberta e ela sai, sem sequer olhar para trás. Levo as mãos á cabeça, tentando entender o que tinha acontecido ali nos últimos dez minutos. Onde essa descarga teria sido acionada? De repente tudo estava desmoronando e eu me sentia completamente perdido naquela avalanche.

Bhea

Corro, com toda a velocidade que consigo, corro para a direção contraria da sala que deixei. Não gostaria de ver ninguém, nenhum daqueles que considerava próximos e que faziam parte do grupo de artistas. Nenhum deles pertencia á mesma situação que eu, logo não poderiam opinar. No meio da confusão mental que me encontro, acabo entrando em uma sala vazia qualquer e sento no canto, respirando sem fôlego.

O desdém na voz de Jiyong havia ferido, provavelmente ele nem o notou, mas estava lá, nas entrelinhas que deveria ter lido antes de aceitar o seu pedido para voltarmos. Quando eu iria aprender? Nunca daria certo, nunca poderia ser boa o bastante para o cara mais incrível da Coréia. Olho para as roupas que vestia e sinto uma enorme vontade de arrancar tudo aquilo de mim, sinto como se minha alma estivesse vendida ao Yang e então me deixo chorar, me deixo sentir toda a mágoa que houvesse ali.

Não sei ao certo quanto tempo fiquei naquela sala escura, mas foi de duração suficiente para que eu tomasse as rédeas da minha vida novamente e consigo ficar de pé com firmeza para andar pelos corredores com a cabeça erguida.

- Bhea! - Vejo minha assistente vir em minha direção. - O Jiyong ajusshi deixou muitas, muitas mensagens.

- Hani, preciso que você peça para alguém ir ao dormitório do BLACKPINK e faça minhas malas.

- A eonnie vai viajar?

- Basicamente... Se precisar de mim, estou na minha sala.

Eu não fazia a menor ideia de onde iria dormir naquela noite, mas tinha a total certeza que de que não gostaria de passar mais uma noite sob aquele teto. Olho para o elevador abrindo e fechando atrás de mim, tomando uma decisão definitiva.

- Se precisar de mim, estarei no oitavo andar.

- Eonnie, não tem nenhum compromisso marcado com ele.

- Libere minha agenda, Hani.

Pressiono o botão prateado decidida, com todo o meu discurso na ponta da língua, sabendo cada palavra que diria á ele para me livrar daquilo tudo de uma única vez.

- Bheatriz, creio que não esteja na agenda - A secretaria me segue conforme disparo pelo andar.

- Dane-se!

- Mas você precisa de horário pra falar com ele.

- Não ligo.

- Senhor, ela não me deixou anunciar.. - Ela vem atrás de mim, quando abro a porta.

- Tudo bem, já estou acostumado com os rompantes do casal. - Yang dispensa a secretaria - Feche a porta e mantenha o elevador travado, antes que a trupe arteira venha atrás dos líderes.

- Senhor, eu vim pedir a minha demissão. - Inicio, determinada e corajosa.

- Muito bem, por que não se une ao seu namorado que veio também solicitar a demissão.

Olho para trás e vejo Jiyong esparramado no sofá com os pés para cima, dá um sorriso cínico e acena para mim. Me aproximo para sentar ao seu lado, enquanto nosso chefe parecia imerso em pensamentos externos.

- É sério isso? Ou mais um de seus truques?

- Eu realmente pedi o desligamento da empresa. - Vejo a seriedade em seus olhos.

- Continuo sem querer falar com você. - Afasto -me para o lado oposto.

- Tudo bem... - Ele me segue.

- Sai. Fique do outro lado. - Aponto para a direita.

- Você continua falando comigo.

- Mas eu não quero precisar falar. Você foi bem claro no que disse. - Respondo.

- Por sinal, pelo selinho entre você e o Kwon Vergonha.

- Que?

- Temos as gravações das câmeras que podem ser solicitadas por acionistas. - Yang se envolve, ainda concentrado em uma pilha de papéis. - Jiyong é um acionista. Agora se puderem manter o silêncio até eu finalizar a análise dessa letra para o Hanbin.

- Bom ponto. Você apoiou o Hanbin quando ele quis ser alguém normal e o ajudou quando ele voltou á Seoul com uma garota á tiracolo.

- Jiyong... Vocês, os dois. São a maior dor de cabeça que eu poderia ter arrumado pra mim. Vocês querem ficar juntos, mas colocam uma série de problemas e impedimentos que no fundo, não fazem nenhum sentido. - O Chefe continua. - Eu não os apoio por não conseguirem ser um casal decente no sigilo, muito menos em público. Olhem para Hayi e TOP, Hanbin e Sophia...

- É sério? - Pergunto. - Pode ligar pro Recursos Humanos? Realmente quero sair daqui.

- Vão, eu envio a cobrança da recisão para o endereço de vocês. Só saiam daqui e levem toda a sua complicação. Vocês não fazem isso dar certo e vem buscar meu apoio?

- E quanto á proposta de emprego da SM? - Pergunto, levantando- Algum esclarecimento?

- Aproveite sua demissão e vá requisitar sua vaga. - Ele me corta, secamente, sem maiores explicações.

Jiyong e eu saímos da sala completamente confusos, afinal, ele não poderia estar falando sério em aceitar as duas demissões tão facilmente. Ou talvez estivesse farto, de sempre estarmos correndo para que milagrosamente nossos erros fossem encobertos e corrigidos.

- Somos uma complicação, pelo visto.

- O que quer fazer agora que somos mortais?

- Continuar longe de você.

- Ah, qual é, Bhea?! Eu falei tudo aquilo no impulso, nem estava pensando direito no que poderia sair da minha boca.

- Por que se demitiu?

- Pra você me aceitar de volta. - Seu sorriso descarado aparece. - Estamos ficando cada vez mais parecidos.

- Até demais...

Encaro Jiyong por alguns instantes, imaginando uma vida em que ele não fosse o GDRAGON, certamente seria maravilhoso para nós se a tal figura nunca tivesse existido. Olhando de perto, era visível o quanto os dois acabavam se tornando um ser indivisível e apesar de terem suas divergências, Ji nunca deixaria de ser o Dragão mimado e bajulado dos palcos. Segurei sua mão por mais um tempo, enquanto olhávamos para o telão com os teasers do BIGBANG, decidindo se entrariamos em mais uma reunião com o Yang.

- Vá, vá conseguir seu nome de volta, Jiyong. Você e eu sabemos que é o que vá fazer no segundo em que der as costas e descer.

- Mas, Bhea...

- É o seu sonho, sua vida. Você está habituado e precisa de alguém que esteja também. Esse alguém não sou eu. - Beijo sua bochecha, ficando na ponta dos pés, sentindo uma lágrima escorrer de seus olhos. - Vá.

- E-E você?

- Eu tenho um novo emprego pra aceitar e uma mudança á fazer.

- Mas, você está indo embora? Bheatriz, não... - Suas mãos me seguram e viro o rosto para não chorar.

- Eu preciso me encontrar, Jiyong... Me reencontrar com a garota que você estragou.

- Eu sinto muito, de verdade.

- Eu também, também sinto muito.

Sinalizo para que ele vá, para que me deixe ir embora e apesar do abraço apertado, em poucos instantes ele está correndo de volta para a sala do presidente. Não poderíamos nunca mudar aquilo, uma vez GDRAGON, sempre GDRAGON e não seria eu a pessoa a tentar mudar a ordem da vida. Silenciosamente rezo para que ele desista no meio do caminho, para que Jiyong me pedisse pra ficar ou que simplesmente olhasse para trás conforme nos afastamos, aquela despedida era tão injusta, um simples "eu sinto muito " não pagava um ano e meio de sacrifícios, términos, dor, choro, amor, alegria, felicidade e o pensamento que nunca mais veria aquele sorriso novamente, o sincero sorriso, onde os olhos dele se uniam em harmonia e uma risadinha escapava de seus lábios. Não teria como definir em palavras ou mensurar em números meu amor por aquele homem, especificamente falando desde o dia em que esbarramos um no outro e em quanto meu sentimento por ele crescia enormemente a cada minuto. Mas por que ele não estava atrás de mim? Por que minhas pernas não estavam se movimentando para correr até aquela maldita sala? Por que aquela despedida soou tão definitiva? Olho para trás, vendo -o caminhar decidido para Yang, tomando de volta seu trono e seu reinado.

"우리 사랑하지 말아요 아직은 잘 모르잖아요(let's not fall in love ", ouço vindo do telão presente no meio do andar semi vazio. Congelo na posição que estou, olho para o lado de imediato e me deparo com o videoclipe. Aquela música não...

Permaneço atônita por todos os dolorosos segundos que aquela canção dura, vendo uma Bhea e um Jiyong tão naturais quanto á luz do sol e me sinto mal por lembrar o quão verdadeiramente fomos felizes ali. Como poderíamos estar dando um fim?

- Eu odeio, odeio, odeio essa música. - Ouço a voz dele, me viro e o vejo sentado na mesa vazia da secretaria há vários metros de mim. - A odeio pelo simples fato de me mostrar que sem você eu não nada que preste, sem você eu não escrevo, não me concentro, não canto direito, fico uma porcaria no palco e simplesmente não sei mais ser sozinho. - Sua voz sai firme, ainda olhando para o telão que agora continha um mv do IKON - É irônico, não é? Não existe um Jiyong sem uma Bheatriz, logo sem Jiyong, nada de GDRAGON. Então qual seria minha motivação para entrar naquela sala e pedir meu emprego de volta, se não posso executá-lo? O pior de tudo é que vou ficar feliz se você estiver feliz longe daqui e longe de mim, mesmo sabendo que seria basicamente game over pra mim. - Seu olhar continua distante do meu. - Se eu te sequestrar, você vai se salvar, na certa. Se eu correr daqui com você, Yang me acha... Estou com bem poucas opções neste momento, sabe?!

- Por que não um simples, fica? Uma palavra pode solucionar seus problemas. - Sorrio, cruzando os braços diante do monólogo que ele havia feito.

- Não é uma palavra muito simples? Olha pra mim... eu ainda sou o GDRAGON, por favor... Atitudes grandiosas precisam ser feitas. - Ji levanta, sorrindo de canto e dá alguns passos.

- Acho que menos é mais.

- Por favor... já olhou pro cara que tá na sua frente? Não sabe que ele tem tudo nas mãos?! Estava pensando em uma ida as pressas á Paris, luz de velas na Torre Eiffel... - Mais passos.

- Talvez um eu amo você possa ser adicionado, nada mais. - Contínuo parada, deixando-o vir.

- Um carro novo me parece simples demais. Um eu te amo em uma bandeira arrastada por um avião? Bem brega. Talvez uma placa de ouro gravada exposta? Mas onde poderia ser colocada? - Uma pequena pausa para uma falsa expressão pensativa e estamos frente á frente.

- Pode colocar um por favor no pedido, eu deixo. - Descruzo os braços.

- Já te falei que sou o GDRAGON?

Jiyong ajoelha, sem ao menos falar mais nada, apenas abaixa á minha frente e pega minhas duas mãos, o sorriso causado pela brincadeira se fecha e seus olhos fixam nos meus.

- Por favor, fica. Você sabe que é mais importante do que tudo isso pra mim, sabe que preciso fazer isso porque é a minha vida estar nos palcos, mas também sabe o quão dependente sou do teu amor e de ter você comigo. Realmente, somos um time e eu não consigo imaginar mais nenhum dia da minha vida em que eu não precise ouvir suas reclamações sagradas, porque você é chata pra caramba e me enche o saco. Mas eu sou um homem absurdamente realizado por perder minha paciência com você, por estar brigando contigo, por estar presente pra levar todos os tapas e objetos que forem jogados, por poder fazer as pazes desesperadamente quando não conseguimos estar longe, por poder dizer que te amo e ter a sorte de passar o resto da vida com alguém que tem todo o meu coração. - Jiyong abaixa a cabeça por um instante, voltando á me olhar. - Fica porque sem você eu vou ficar perdido, porque vou voltar á minha pior fase e não vou mais conseguir fazer nada da vida. Fica, porque infelizmente não sei mais estar sozinho e vou virar um grande filho da puta, fica pra me ajudar a manter a razão e aprender a não ser impulsivo. Com você eu mantenho o Jiyong vivo e não me perco nesse mundo louco. Bhea, sem ti, perco meu norte. Você é meu norte.

Respiro fundo, apertando as mãos dele nas minhas, puxando -o para cima, com todo aquele peso para um abraço desesperado. Não tinha palavras para responder naquele momento em que tudo o que precisava ser dito foi, e absurdamente mais. Eu o amava, eu o amava insanamente e nada poderia diminuir isso.

- Eu fico, eu fico, claro que eu fico. - Respondo, quando ele puxa meu rosto para perto. - Claro que fico.

- Eu te amo.

- Eu te amo. - Encosto minha testa na dele, deixando nossas respirações se cruzarem, estando ambos levemente ofegantes.

- Que lindo que todo mundo se ama. - Ouvimos Yang da porta - Agora voltem pra droga da sessão de fotos antes que eu realmente ponha os dois no olho da rua. - Milagrosamente há um sorriso em seus lábios.

Aperto a mão que está entrelaçada na minha, apoiando minha cabeça em seu ombro conforme caminhamos lado a lado para o elevador. Nenhuma outra palavra deve ser dita, que o amor mais maluco e resistente do mundo falasse por si só.



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