História Superman - Capítulo 1


Escrita por: ß

Exibições 75
Palavras 7.062
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Lemon, Shoujo (Romântico), Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Tema 78 do Desafio dos 100 Temas: concluído.

Só queria dizer que essa fanfic foi escrita para @ArlleW. Queria ter postado no dia do seu aniversário, mas não deu porque a vida tem dessas coisas e.e

Espero que tenha gostado do presente lindona, e novamente, feliz aniversário <3

AGORA DEIXA EU BABAR NESSA CAPA MARAVILHOSA QUE A @DEADLER FEZ PRA MIM, PUTA QUE PARIU.

Capítulo 1 - Único


— E é aqui que a magia acontece!

O entusiasmo do Dylan fazia o lugar parecer muito mais incrível do que realmente era.

Eu não conseguia sentir aquela emoção de estar nos bastidores da Warner Bros e ver apenas um bando de atores e funcionários correndo de um lado para outro com toneladas de papeis, caixas e algumas coisas que eu não consegui identificar.

Talvez porque eu não era um ator como ele.

— Você ainda não me mostrou o pote de ouro no final do arco íris.

— Você consegue ser um chato às vezes, sabia? Fez algum curso para ser insuportável?

— Fiz aquele que você dá aula. Aprendendo a arte dos manés, módulo básico até o pré-avançado.

— Babaca.

Pode parecer que a gente se odeia, mas é pura impressão. Dylan O’Brien é meu amigo quase de infância, já que a gente acabou se conhecendo na adolescência em uma tentativa frustrada de estrelarmos um seriado. A gente disputava o papel principal, praticamente saímos no braço por aquele personagem, e no final nenhum dos dois foi selecionado. Acabamos nos unindo para afogar as mágoas e superar a derrota, e assim a nossa amizade cresceu.

Até demais para o meu gosto.

Além disso, o seriado foi cancelado na metade da primeira temporada por falta de audiência. Quem ri por último ri melhor.

Depois disso ele continuou na carreira de ator enquanto eu acabei gravando um vídeo cantando e joguei no YouTube, mas o bendito fez um baita sucesso e aqui estou eu... Aproveitando para compor e cantar músicas por preguiça de tentar ir atrás de uma carreira como ator.

Isso deu tão certo que os diretores de um seriado da CW me pediram uma das minhas músicas para ser a música tema de um dos personagens, eu estava sem nada melhor pra fazer na hora e pensei “ah, bora né”. Só sabia que seria tocada em Supergirl, e gostei da ideia a princípio, já que eu curtia um pouco dos quadrinhos e achava as séries de heróis da Warner legais.

Mas o Universo resolveu me sacanear de uma forma extremamente filha da puta.

A música que eles escolheram foi Wild, uma música legal, tem umas pegações marotas e um ritmo bacana para dar uns amassos no banco de trás do carro. Achei estranho para aquele seriado, mas como gostava da música nem liguei. Só que aquela música seria tema do Superman, que para quem não sabe, é interpretado pelo Tyler Hoechlin.

Tyler Hoechlin.

TYLER HOECHLIN, UM PUTA HOMEM GOSTOSO QUE É MEU CRUSH DESDE MUITO TEMPO!

Como se tudo não bastasse, o Tyler é um dos melhores amigos do Dylan, e como o mesmo acabou vindo para Los Angeles por causa de um filme que vai gravar aqui, ele decidiu dar uma passada no set da Warner. E eu tive que vir com ele depois de uma série de chantagens emocionais (não se enganem com essa carinha de abandono: Dylan com frescura consegue ser pior que qualquer pessoa mal comida), já que eu não queria correr o risco de encontrar com o Tyler por ai, mas como podemos ver, eu não pude escapar dessa furada.

Só me fodo nessa merda.

— Por que eu tenho que vir com você mesmo? — Ele deu de ombros.

— Você não tem nada melhor pra fazer, Troye, provavelmente ia ficar se masturbando a tarde inteira.

— Ei! — Ok, não era tão mentira assim...

— Além disso, achei que você ia gostar de conhecer o elenco de Supergirl, já que a sua música está na série. E o Tyler tá gravando por aqui também, faz tempo que a gente não conversa, então quis dar um alô.

— É... Vendo por esse lado pode ser legal.

— Se você se comportar direitinho eu até arrumo um macho pra você.

Dylan tinha três grandes paixões: os Mets, nuggets e irritar os outros. No meu caso, ele adorava me irritar ao ficar me arrumando caras, além de esfregar na minha cara que eu não conseguiria chamar um cara para sair sozinho.

Eu era o amigo gay dele e ele era o meu amigo hétero, daqueles que vivem grudados e que por isso fazem todos pensar que existe um caso, quando na verdade passam a tarde inteira jogando videogame e se entupindo de pizza. E a verdade é que nenhum de nós se importava com isso, até porque muitos acham que ele pega praticamente todo o elenco de Teen Wolf, então um shipp a mais ou a menos não faz tanta diferença.

Se bem ele e a Holland são fofos juntos. Amo Stydia e vou defendê-lo.

No entanto, as brincadeiras do Dylan tinham um fundo de verdade, mesmo que ele nunca admitisse. Porque eu nunca fui do tipo sociável, ao contrário dele, que por isso tenta a todo custo me arrumar alguém para que eu não vire um velho ranzinza e solitário vivendo numa mansão empoeirada com 73 gatos. É a forma dele de dizer “eu me preocupo contigo, seu bosta”, e eu até que gosto disso.

Principalmente se ele conseguisse me arrumar o amigo gostoso que eu amo secretamente. Mas confesso que tenho medo da forma como ele faria isso, e por isso nunca tive coragem de contar que eu era apaixonado por Tyler Hoechlin.

— Você vai no meu show semana que vem? É em Nova York e sábado à noite, então nem pense em recusar.

— Só vou se você me deixar entrar no camarim e autografar suas fotos.

— Eles não deixam entrar animais lá dentro, lamento.

O filho da puta socou o meu braço.

— Se eu não tiver nada melhor para fazer eu vou.

— Queria que você fosse mesmo, seria legal.

— Relaxa, eu estarei lá. Até porque eu preciso fazer uma...

Ele não completou a frase, tudo que vi foi um vulto raspando do meu lado e derrubando o Dylan no chão com a delicadeza de uma bomba atômica. Como eu estava distraído, aquilo conseguiu fazer o meu coração disparar de nervoso, e eu me segurei para não dar um grito assustado de menininha, que destruiria ainda mais a minha imagem naquele lugar por estar andando ao lado de Dylan O’Brien.

Porém, depois de passado o susto, eu notei que havia um cara de quase dois metros de altura e músculos excessivamente definidos, enfiado em uma roupa azul justa demais. Reconhecia de longe aqueles cabelos negros curtos e aquela bunda escultural.

Estava tendo outra taquicardia naquele exato momento, dessa vez por causa de Tyler Hoechlin.

— PORRA CARA, TU É PESADO PRA CARALHO! — Dylan gritou.

— Obrigado por dizer que eu tô gordo!

— Ô OBESIDADE, DÁ PRA SAIR DE CIMA DE MIM?

Tyler rolou para o lado e se ergueu em um pulo, e eu comecei a pensar se estava muito na cara que estava babando por aquele homem, mas como ele nem notou a minha presença eu tive certeza de que estava seguro.

— O que você faz por aqui? — Ele ajudou Dylan a se levantar.

— Estava por perto e decidi dar uma passada por aqui, e de quebra tirar ele da toca. A propósito: Tyler — apontou para o moreno, e depois para mim — Troye. Sei que já se conhecem de longe, agora sejam amiguinhos.

Ele abriu um grande sorriso e me puxou para um abraço, e precisei respirar fundo quando senti aqueles braços fortes me envolverem. Os olhos verdes dele ainda eram mais lindos quando vi de perto, e mesmo preferindo-o com barba, ainda achava aquele homem maravilhoso com a cara limpa.

Jesus.

— Foi você que fez a música tema para mim, não é?

— Sim...

— É muito boa. Achei estranho colocarem aquilo na série, mas pelo menos é uma música decente. E é engraçado porque nunca imaginaria uma música de pegação para o Clark.

— Fiquei surpreso com isso também — você nem imagina o quanto.

— O diretor aqui tem umas ideias meio estranhas, o Jeff era bem melhor nesse ponto.

— POIS É, NINGUÉM MANDOU A MADAME ABANDONAR A GENTE!

Dylan gritou da forma mais escandalosa possível, que logo chamou a atenção de qualquer ser vivo que estivesse em um raio de dez quilômetros, e me matou de vergonha com sucesso. Na mesma hora, Tyler fez uma carinha de cachorro que caiu da mudança digna de um Oscar.

E das chaves do meu quarto se quisesse.

— Mas... Mas fazer o Superman era o meu sonho!

— Verdade, tinha esquecido que você era nerd — o moreno fechou a cara. — Ei, não seja um lobo azedo!

Eles voltaram a rir e com suas brincadeiras feito duas crianças, mas admito que eu gostava de ver aquela amizade dos dois, já que o Tyler me lembrava muito do Dylan nesse aspecto. Tyler era um cara divertido e carismático como Dylan, gostava de ser o centro das atenções e de animar as pessoas, contava piadas a todo tempo e tratava as pessoas como se fossem grandes amigos, mesmo sem conhecê-los realmente.

A primeira vez que vi Tyler Hoechlin foi quando Dylan se mudou para Nova York gravar a primeira temporada de Teen Wolf, em 2011. Eu fui visitá-lo em sua nova casa, que era uma espécie de república com dois colegas da série, os T’s Posey e Hoechlin, e no momento que ele me apresentou aquele homem de olhos verdes eu paralisei.

Foi praticamente amor à primeira vista.

Sair com os dois era uma verdadeira curtição, mesmo que em todas as poucas vezes em que saímos juntos eu voltasse desapontado para casa. Claro que Dylan sempre me empurrava para os amigos, e por intermédio dele eu acabei ficando com Colton Haynes e Charlie Harver (rolou até um a três, muito bom por sinal), mas, no final das contas, era em Hoechlin que eu pensava toda vez que fechava os olhos. E por isso mesmo nunca consegui contar para Dylan, a ideia de ser apaixonado por um cara hétero e melhor amigo do meu melhor amigo era algo que preferia manter comigo.

Precisava aceitar o fato de que Tyler nunca me daria uma chance.

— E tem os filmes ainda, quero focar mais nessa parte — saí do meu devaneio e voltei a prestar atenção na conversa dos dois. — Seria ótimo manter tudo, mas eu não consigo me concentrar direito assim.

— Então por que veio pra Supergirl, cara?

— Porque só faria dois episódios aqui, então não seria tão pesado assim. Ei Dylan, pode me ajudar com o zíper aqui? Odeio essas roupas difíceis de alcançar.

Nós estávamos em um tipo de camarim, havia acabado de notar e não me lembrava de ter chegado até aqui. Tyler estava sentado em um banco e tinha tirado as botas de couro vermelhas, havia uma pequena pilha de roupas ao seu lado esquerdo e o Dylan estava atrás dele, abrindo o zíper em suas costas. Parecia que ele queria se trocar, mas como estávamos nós dois dentro daquela sala acredito que ele iria esperar para tirar aquela roupa.

No entanto, para o meu desespero, eu estava redondamente enganado.

Depois de ter soltado o zíper, Tyler as mangas e toda a parte de cima da roupa, e logo em seguida retirou-a por completo. Agora eu não estava somente de cara a cara com Tyler Hoechlin, meu maior crush, mas estava de frente com um Tyler Hoechlin quase pelado, usando apenas uma boxer listrada e exibindo aqueles músculos diabolicamente esculturais. E vê-lo somente de cueca foi o suficiente para me corar mais que um pimentão, suar frio e transformar meu coração em um solo de bateria ensandecido.

Sendo assim, fiz a única coisa que passou pela minha cabeça naquele momento: pigarreei. Que logo chamou a atenção dos dois.

— Nossa, eu esqueci que você estava ai — ele deu um sorriso constrangido, puxou a roupa azul sobre seu corpo com uma mão e levou a outra até a nuca. — Perdão.

— A gente tem esse hábito mesmo, principalmente quem já foi do teatro — Dylan deu de ombros — muitas vezes não dá tempo de ir para o camarim se trocar entre as cenas, então é no backstage mesmo.

Aproveitei aquele momento para me virar de costas para os dois, e me decidia se tentava tirar aquela imagem da minha cabeça ou não. Mas quem eu queria enganar? Nunca iria me esquecer do dia que vi Tyler Hoechlin só de cueca.

Nesse meio tempo onde eu fazia de tudo para me acalmar, Dylan veio do meu lado, passou o braço pelos meus ombros e sussurrou baixo o suficiente para que só eu escutasse:

— Gostou da visão, foi?

— Vai se fuder!

Depois de terminar de se vestir (felizmente ou não, dependendo do ponto de vista) nós finalmente saímos do estúdio, do qual eu confesso que já estava enjoado. Graças a Deus que a carreira de ator não deu certo, aquela confusão de pessoas, papéis, figurinos, fios e câmeras era demais para mim.

Bem, se for parar pra pensar não era muito diferente dos bastidores dos shows, mas não importa.

Enfim estávamos livres daquele lugar, e se tudo der certo, em pouco tempo eu estarei em casa. Tyler é um cara legal, talvez nós pudéssemos ser bons amigos se eu não fosse tão afim dele, mas ficar perto de um cara que eu gostava e sabia que jamais poderia ter nada com ele é quase um suicídio.

— Olha só, antes que eu me esqueça, o meu aniversário vai ser no sábado, então vou dar uma festa em casa. Vocês poderiam ir.

Oi?

— PORQUE CÊ NÃO ME AVISOU ANTES SEU SACO DE BOSTA? CLARO QUE A GENTE VAI!

A gente?

— Sei muito bem o que você tá pensando Troye, a gente vai nessa porra sim e não quero saber de desculpas — Dylan me segurou pelos ombros com sua melhor expressão de chantagista, e depois de voltou para o Tyler. — Me passa seu endereço!

— Mandei no Whats. A gente se vê lá então.

— Demorou!

Vi o moreno abrir um sorriso largo que derreteu o meu coração, assim como aqueles olhos verdes brilhantes o deixavam ainda mais incrível. E no final das contas, eu seria arrastado para uma festa com ele no final de semana, que provavelmente teria muita bebida e garotas o beijando em cada canto que eu estiver.

Tem como isso ficar pior?

 

 

***

 

 

Sim, tem como ficar pior. E muito pior.

Para começar, no sábado caiu uma puta chuva, foi um temporal tão grande que eu achei que Deus estava criando um segundo dilúvio. Teve água pra todo lado, além de relâmpagos e trovões fortes, rajadas de vento e granizo. Uma pedra de gelo acertou minha janela e a espatifou inteira, e com isso a minha sala ficou alagada. Por uma incrível coincidência o meu celular estava na sala, então é possível imaginar o estrago. Chegando na festa descobrimos que o aniversário do Tyler era na verdade um Projeto X, ou seja, muita bebida. Eu nunca vi tantos tipos diferentes de drinks por metro quadrado e gente completamente alterada, eu me sentia dentro de um clipe do LMFAO.

Inclusive reconheci a maioria dos drinks que eles apresentam em Shots. E um aviso: nunca confiem no Kamikaze. É cilada.

Enfim, havia muitas pessoas bêbadas, muitas mesmo. E eu sou um imã natural para bêbados, então uma grande quantidade deles fez amizade comigo. Durante toda a festa eu ganhei nove novos melhores amigos, que com certeza nunca mais se lembrariam de mim, quatro segredos, e dos bons, e duas viagens marcadas, uma para o México e outra para o Himalaia. Teve ainda dois caras que queriam me bater por motivos que eu ainda não entendi, uma garota que simplesmente me abraçou e chorou no meu colo, e uma outra que derrubou uma bebida em mim. Pelo menos tinha um gosto bom.

E com tantos bêbados nessa festa, adivinha quem resolveu beber todas, dar PT e dar trabalho única e exclusivamente para mim?

Exatamente: Dylan Filhodaputa O’Brien.

Tive que carregar esse maldito por dois lances de escada, dar banho, correr pela casa inteira a procura de remédios para dor de cabeça e estômago, curativos para um corte incrivelmente absurdo na palma da mão esquerda que até agora não faço ideia de como ele conseguiu realizar a proeza, e para completar ele ainda vomitou em cima dos meus sapatos.

Como se isso tudo não fosse suficiente, por causa do seu estado nós teríamos que dormir na casa do Tyler. Ou seja, vou passar a noite inteira querendo dar uns pegas no cara que dorme no quarto ao lado e que provavelmente vai transar com uma garota qualquer.

— Eu vou matar esse desgraçado.

— Realmente, ele merece ser atropelado por uma manada de elefantes raivosos depois de hoje.

Holland me ajudou com o Dylan, e confesso que sem ela já o teria jogado pela janela. Sendo aniversário do Tyler, além dos seus familiares e amigos ele convidou o elenco de Teen Wolf e Supergirl, assim como a equipe das duas séries, então muitos deles estavam presentes. E ao ver o estado deplorável do Dylan, a ruiva ofereceu ajuda no mesmo instante.

Era incrível ver o quanto ela era paciente e cuidadosa com ele, aquela cena tão fofa me fez pensar muito sobre o quanto eles se gostavam, e queria muito que um dia esses dois acabassem juntos. Inclusive aproveitei que o Jeff Davis estava na festa e mandei um papo reto sobre umas cenas de beijos entre Stiles e Lydia nessa próxima temporada.

Espero que ele se lembre disso amanhã.

— Pode voltar para a festa querido, eu cuido dele.

— Não tenho vontade de voltar Holly — suspirei — vi coisas que não deveria.

— Vamos, conte para mim o que magoou o seu coração.

De tudo o que aconteceu, a pior coisa, que acabou com a festa para mim, foi quando eu vi o Tyler aos beijos com uma garota. Eu sabia que nós nunca iríamos ter absolutamente nada e que ele era hétero, mas mesmo assim, vê-lo com outra pessoa quando na verdade eu queria estar no lugar dela dói, e dói muito.

E sendo uma mulher, eu sabia que não tinha condições de competir, já que eu não tenho seios e uma vagina para oferecer a ele, o que só piorava as coisas.

— Eu vi o cara que eu gosto dando uns amassos em uma garota. Mas tudo bem, a gente supera.

— Imagino como deve se sentir Troye, e realmente, não é bom alimentar esperanças quando o cara não é gay — Holland disse em um tom bastante maternal, eu gostava da forma como ela sempre era gentil. — Mas existem vários rapazes lá embaixo, querido, e com certeza você vai achar um que valha a pena.

— Você tem razão. Vou tentar encontrar um cara são o suficiente para não vomitar em cima de mim que nem esse asno ai fez — ela soltou um riso baixo.

— É um bom plano.

Decidi voltar para a festa para deixar os dois a sós, pois quem sabe não acaba rolando algo entre os dois e a Holly finalmente entra para o clã? Eu ficaria feliz se isso acontecesse.

Estava atravessando a porta quando ela me chamou.

— Sim?

— Boa sorte com o Tyler.

 

Caralho.

 

COMO

ELA

SABE

DISSO?

 

Congelei na porta do quarto, ela me abriu um sorrisinho meigo e extremamente psicótico e depois acenou para mim, algo que me arrepiou da cabeça aos pés. Pelo visto não era só a sua personagem que era vidente. Não consegui pensar em muita coisa, mas no momento rezar um Pai Nosso e correr para longe daquela ruiva parecia a coisa mais sensata a se fazer.

Ou dar em cima de um exorcista.

Entretanto, depois de passado o susto, admito que aquilo só me fez pensar ainda mais no Tyler. Já não me lembrava da garota que estava com ele, apenas via em minha mente os seus olhos verdes tão lindos e o seu sorriso. E inconscientemente eu voltava para poucos dias atrás, quando vi tirando o traje do Superman no camarim, que com certeza foi o mais próximo que tive daquele homem.

Eu tinha o péssimo hábito de criar uma nova realidade em minha mente, dessa vez onde Tyler Hoechlin fazia parte dos meus dias. Eu via a antiga rua onde morava com meus pais na Austrália quando era pequeno, onde ele me esperava na frente da cerca de madeira que eu gostava tanto com um sorriso sedutor de bad boy e me beijava com intensidade, me fazendo esquecer o mundo a nossa volta. Sempre achei aquele bairro triste demais, já que os vizinhos não tinham muita amizade uns com os outros e eram sempre frios, mas ele com certeza faria as coisas serem diferentes. E se não conseguisse, nós poderíamos simplesmente fugir de tudo.

Cara, eu estava completamente apaixonado por ele, louco por Tyler Hoechlin, e nunca poderia imaginar que amar um cara doesse tanto. Mas eu teria que lidar com isso, porque não iria me livrar disso tão cedo e...

— Pelo menos a chuva não estragou a festa.

A mão pesada sobre o meu ombro me tirou dos meus pensamentos de uma vez, e com isso me arrancou um grito histérico demais. Era fácil me assustar quando eu estava distraído, mas dessa vez foi algo extremo, muito provavelmente porque o homem que me trouxe de volta à realidade era o mesmo que me tirou dela.

E o mais irônico de tudo é que o Tyler se assustou com o meu susto.

— Eu preciso parar de me distrair desse jeito — disse ainda ofegante pelo leve ataque cardíaco — senão nem vou chegar aos 30 anos.

— Minha culpa. Prometo que não te assusto mais.

Ele ergueu as mãos em sinal de rendição e deu meia volta, e percebi que ele já estava alterado pela bebida. Não chegava ao ponto de estar bêbado, mas se pegasse mais uns drinks ele provavelmente seguiria o mesmo caminho do Dylan.

Era bom passar longe dos malditos Kamikazes.

— Tudo bem, já me acostumei com os meus escândalos — ele riu e passou o braço pelo meu ombro com força demais, me jogando para o peito dele. Não que eu tenha achado aquilo necessariamente ruim.

— Cadê o Dylan?

— Deu PT há muito tempo, agora só daqui a umas horas. Ele tá desmaiado num dos quartos e a Holly tá cuidando dele.

— Sempre quis que esses dois se pegassem.

— Meu Deus, eu também! A gente devia montar um fã-clube.

Ele soltou uma gargalhada muito alta, e quase tombou para trás se eu não tivesse usado toda a minha força para impedir que ele fosse direto para o chão. E considerando que o Tyler deve pesar umas quatro vezes mais do que eu, eu precisava dar um jeito de impedir que isso aconteça de novo.

— Vem comigo.

Tyler foi me guiando pelas pessoas e corredores, até pararmos em um grande quarto, que imaginei ser o dele. Assim como Dylan, ele torcia para os Mets no beisebol, mas também havia alguns pôsteres dos Lakers, de basquete, e um time de futebol que eu nunca ouvi falar. O Dylan me disse uma vez que ele era fanático por esportes, e eu imaginava que sim pelo seu porte físico, só não esperava que fosse tanto assim.

— Eu não tenho mais idade para isso — ele resmungou, e eu não pude evitar um sorriso, já que ele ficou meio fofo ao se jogar na cama.

— A festa foi muito boa para você pelo visto.

— Tirando a parte que abaixaram as minhas calças na frente de um monte de gente e depois me ergueram e me levaram de cueca pela casa toda foi sim.

— Acho que consigo imaginar sua dor — suspirei, essa provavelmente foi a conversa mais longa que já tivemos. E talvez a última. — Bem, preciso ir. Obrigado pela festa e feliz aniversário.

— O que? Não!

Ele se levantou em um pulo e veio em minha direção, mas como foi tudo rápido demais e ele ainda estava alcoolizado, caiu de joelhos no chão na mesma velocidade. Eu corri para ajudá-lo a se levantar, e quando conseguiu se firmar, Tyler segurou meu braço com um pouco mais de força, e me encarou com uma expressão confusa, um pouco angustiada.

— Fica, por favor.

— É muito gentil da sua parte, mas com o Dylan capotado eu realmente queria ir embora. Amanhã venho buscar o traste quando ele...

Não consegui completar a frase, pois, contrariando todas as possibilidades que eu julgava reais, ele me beijou.

Tyler Hoechlin havia me beijado, e aquilo me paralisou, porque eu nunca imaginei que um momento assim poderia realmente acontecer, então fiquei estático, completamente sem reação. Isso não passou despercebido por ele, que se afastou dos meus lábios com os olhos arregalados, e depois fez uma expressão de arrependimento que cortou o meu coração.

— Desculpa, eu bebi demais... Isso nunca mais vai acontecer de novo cara, me desculpa por ter...

Dessa vez fui eu quem o impedi de completar a frase.

Acordado daquele transe, eu praticamente avancei em seus lábios como se o devorasse, eu o beijei com o máximo de desejo que eu possuía dentro de mim. Afinal de contas, eu sonhei com aquela droga de momento infinitas vezes, e nunca iria deixá-lo escapar de mim agora que eu sei que ele também me queria. Não pensava em mais nada, apenas sentia o gosto daquele beijo tão carinhoso e envolvente, algo totalmente diferente da imagem que eu tinha criado de Tyler.

Ele me cercou com os seus braços fortes e me ergueu do chão, me jogando na cama tão rapidamente que me deixou ainda mais excitado, posicionando o seu corpo acima do meu de um jeito um pouco possessivo. Mas quando abri os olhos, vi aquelas esferas esverdeadas me encarando com um brilho singular.

Havia paixão no interior dos seus olhos.

— Faz muito tempo que eu queria que você me desse uma chance, e fico feliz por finalmente ter conseguido — ele sussurrou para mim.

— Por que você nunca disse nada?

— Não sabia como chegar em você...

Ele abaixou a cabeça para desviar o olhar, e notei o seu rosto assumir um tom levemente avermelhado. Não sabia dizer se isso era efeito do álcool, mas o moreno parecia envergonhado, estava me mostrando um lado fofo e tímido que eu não conhecia. Por um lado era bom, já que eu estava gostando de conhecê-lo, mas por outro lado era ruim, pois a gente poderia estar se pegando há muito tempo.

Frouxo do caralho.

Toquei o seu rosto para que ele olhasse de volta para mim, e cara... Como eu estava louco por aquele homem. Tyler me beijou mais uma vez, agora mais selvagem do que antes, e eu senti aquilo ser a deixa perfeita. Segurei a borda da sua camiseta e enfiei as mãos por dentro da mesma, explorando cada centímetro de músculos rígidos e bem definidos ao mesmo tempo em que a erguia para expor melhor o seu tronco. Ele aceitou de bom grado quando eu a retirei por completo, mas se assustou no momento seguinte, onde eu inverti as posições e fiquei por cima dele, depositando minha mão sobre o botão da calça jeans.

Engoliu em seco quando eu soltei o botão e abri o zíper, tanto que o encarei, perguntando silenciosamente se poderia ganhar sua permissão para poder seguir em frente. Tyler apenas fez que sim com a cabeça, então arranquei o seu jeans o mais rápido que pude, deixando-o apenas com a boxer azul escura. Ele levou suas mãos ao rosto quando se viu quase sem roupas, corado, e aquela visão o deixava ainda mais gostoso, me enlouquecendo de todas as formas possíveis.

Mas apesar de envergonhado, Tyler tinha muita pegada. Desabotoou a minha camisa e a retirou enquanto me beijava, os braços fortes envolviam o meu tronco e o contato áspero das suas mãos nas minhas costas esquentava o meu interior. Desci uma das mãos até o seu membro, que já estava duro o suficiente, fazendo com que o moreno arfasse, e com isso eu beijei o seu pescoço, pedindo mais uma permissão. E ao sentir que conseguira, marquei a sua pele com toda a minha força, para que ele jamais esquecesse que naquela noite eu o fiz meu, e Tyler gemeu. O seu corpo forte estremecia abaixo do meu, a sua respiração era pesada e intensa, ele me apertava cada vez mais forte ao mesmo tempo em que os gemidos que saíam da sua voz grossa mais pareciam rugidos.

Ele inverteu as posições, me jogou na cama com um meio termo entre a selvageria e o cuidado, arrancou as minhas calças rapidamente e se deitou sobre mim, sustentando o seu corpo com os antebraços apoiados no colchão e me beijou com fervor enquanto esfregava a sua ereção na minha. Eu passei os braços pelo seu pescoço e agarrei os seus cabelos negros com certa força, fazendo Tyler soltar um urro meio contido e me estremecendo de prazer. Com isso ele me agarrou, me ergueu da cama e me jogou na parede, mas ainda tinha certo zelo para não me machucar.

Esse lado carinhoso dele só ganhava pontos comigo.

O beijo que recomeçamos era ainda mais selvagem do que os anteriores, e muito provavelmente o pega mais animal que já experimentei na minha vida, pois mesmo sendo tímido e envergonhado, Tyler se acendia de uma forma impressionante, liberando a fera que havia dentro dele para me satisfazer. Ele me pegou e me segurou em seu colo, dando abertura para que eu enlaçasse as minhas pernas sobre sua cintura, e com isso pudesse sentir a contração dos seus glúteos muito bem trabalhados.

O clima estava tão quente e intenso que ao passar a mão para os seus cabelos eu acidentalmente acertei um tapa no seu rosto, forte o suficiente para que ele baqueasse por um momento.

— Caralho, desculpa!

Mas ele apenas se virou para mim com um sorriso sacana e mordiscou o meu lábio inferior:

— Eu gosto disso.

Tyler gostava de sentir dor, e eu adorava causar dor.

Isso estava ficando cada vez melhor.

Desci do seu colo e nos virei para que eu sentasse na cama. Ele estava vindo para cima de mim, quando eu o impedi ao colocar as mãos sobre o seu peito forte e bronzeado, que agora tinha uma coloração bastante avermelhada. A princípio ele não entendeu, mas quase que imediatamente eu desviei o olhar para o seu baixo ventre e puxei a sua cueca, finalmente tendo uma visão privilegiada sobre o seu corpo inteiramente descoberto. Como Tyler era alto, meu rosto ficava praticamente na direção de seu membro, que era proporcional ao tamanho de seu dono. Não era aquela coisa exageradamente grande e reta como nos filmes pornôs, chegava a ser um pouco inclinado para a esquerda, mas tinha o tamanho suficiente para me fazer arfar.

Ele colocou a mão sobre os meus cabelos e eu voltei para cima para encarar sua expressão. E, como imaginava, exibia feições constrangidas e apreensivas, provavelmente se perguntava se eu havia gostado da visão de seu corpo.

Enfiei o seu pau inteiro na minha boca para acabar com suas preocupações.

Ouvi-o soltar um gemido meio engasgado e sua respiração acelerar, assim como os músculos de todo o seu corpo se enrijeceram, confirmando que ele estava gostando daquele oral. Confesso que a pele dele já tinha um gosto mais salgado pelo suor, e o cheiro do seu sexo ficava cada vez mais forte, mas ainda assim era tão prazeroso para eu chupá-lo quanto deveria ser para ele ser chupado.

A sua respiração ficava mais curta e pesada, e ele acariciava os meus cabelos sem forçar a minha cabeça para frente. Contudo, de uma hora para outra ele segurou a minha cabeça e tirou o seu pau da minha boca, dando-me um selinho logo em seguida.

— Não quero gozar tão cedo.

Tyler me pegou no colo e me colocou na cama com gentileza, passando a me beijar mais lentamente para se acalmar e não atingir o orgasmo. Depois pegou uma camisinha no criado mudo e eu aproveitei o momento para tirar a cueca que ainda estava no meu corpo. A sua pele estava bastante vermelha e úmida pelo suor que escorria em gotas por todo o seu corpo, a barba aparada há poucos dias parecia mais evidente e os olhos verdes cada vez mais brilhantes, indiciando nesse conjunto que ele estava preenchido de tesão. Aos poucos nós fomos voltando ao ritmo de antes, dessa vez com Tyler posicionado sobre mim e entre minhas pernas.

E ao se dar conta da situação, ele pigarreou:

— É... Você prefere ir por baixo ou por cima?

— E eu lá tenho cara de ativo? Manda ver!

Ele arregalou os olhos e depois soltou um riso curto enquanto colocava a camisinha sobre seu pau. Posicionou-se mais perto da minha entrada enquanto estava curvado sobre mim, mordiscando meus mamilos e fazendo uma trilha de beijos pelo meu peito e abdômen. Abri um pouco mais as pernas para facilitar para ele, mas, inesperadamente, Tyler me ergueu e me colocou sentado sobre seu colo. Ele me permitiu que eu encontrasse a melhor posição e assim me penetrou, deixando que eu soltasse meu peso sobre suas pernas cruzadas e seu membro ereto.

Logo de início eu adorei aquela posição, já que o pau dele acertava a minha próstata com muita facilidade e me fazia ver estrelas. O meu pau estava mais duro que nunca, eu tinha a sensação que teria vários orgasmos ao mesmo tempo, aquele com toda a certeza estava sendo o melhor sexo que já tive em toda a minha vida. Porém, quando eu encarei o seu rosto por um instante, vi uma careta de dor assumir as suas feições, e foi ai que eu percebi que aquela posição era bastante desconfortável para ele, muito provavelmente era doloroso já que seu pau não era reto.

Saí de cima dele, e voltei a encostar as costas na cama, e puxei o seu corpo pelos ombros junto comigo, deixando-o deitar sobre mim e ficar entre minhas pernas.

— Não quero fazer algo que machuque você, vamos fazer o convencional mesmo.

— Tem certeza? Eu posso aguentar — ele exibia um olhar apreensivo. — É melhor pra você, e mais romântico.

— Que mané romântico, eu quero sexo, caralho! E pode meter em mim comigo embaixo, não vou quebrar.

Tyler soltou uma gargalhada alta, e depois me deu um beijo ardente.

— Queria ter transado contigo antes.

Ele levou dois de seus dedos a minha boca para que eu os lambuzasse com minha saliva, e logo em seguida os introduziu no meu ânus, o suficiente para que eu me remexesse com o desconforto, mas aos poucos ele ia fazendo movimentos de vai e vem dentro de mim para que eu me acostumasse com a sensação. E quando fiquei mais relaxado, ele me pediu permissão, que eu consenti praticamente na mesma hora, e logo Tyler introduziu o seu membro dentro de mim. Não era tão incrível quanto ir por cima, mas ele mandava bem, então continuava sendo o melhor sexo de todos.

Tyler agora fazia as estocadas, sentia seu pau pulsando com uma violência contida dentro de mim. O suficiente para não me machucar, mas ainda sim tinha aquela pegada de macho alfa que eu tanto adorava. Ele trincava os dentes e urrava de prazer quando eu arranhava as suas costas, totalmente excitado, e depois me ofereceu o seu pescoço para que eu o marcasse de novo, dessa vez ainda mais forte do que as anteriores. O prazer enlouquecedor me fazia querer devorar cada pedaço daquele homem, eu apertava com vontade os seus músculos incrivelmente definidos dos braços e da bunda descomunal, pois havia sonhado aquele momento infinitas vezes.

Não demorou muito para que eu sentisse o gozo chegando perto, e percebi que ele também estava chegando lá, então não tentei impedir. E quando finalmente atingi o orgasmo, me desmanchei nos braços de Tyler enquanto meu esperma cobriu o seu peito e abdômen, sentindo como se um grande incêndio tivesse se apagado de uma vez dentro de mim. Meu corpo tremia, mas não tive tempo de me recuperar, já que o moreno saiu de dentro de mim e me beijou com fervor, levando sua mão até o próprio membro e começou masturbar, um tanto frenético. Como ele ainda não tinha gozado eu decidi ajudá-lo a chegar lá, e quando ele foi se cansando eu retirei a sua camisinha e passei a bater por ele, que arfava. Até o momento onde o esperma jorrou de seu pau, fazendo com que Tyler soltasse um urro de prazer. Depois disso ele desabou na cama, completamente exausto e esgotado, o peito musculoso subindo e descendo um pouco mais devagar, já que ele se forçava a relaxar.

E antes que eu tivesse qualquer reação, Tyler me puxou para o seu corpo, envolvendo-me em um abraço e colocando minha cabeça sobre seu peito. Quando o encarei, vi aquele sorriso maravilhoso formando uma expressão tão fofa que me derreti, e o beijei. Ele correspondeu ao meu beijo com ternura, sua postura era carinhosa e cheia de cuidado, e a cada segundo eu me apaixonava ainda mais por Tyler Hoechlin. Deitei sobre seu ombro e toquei seu rosto delicadamente, observando-o colocar sua mão por cima da minha e fechar os olhos, caindo no sono tão rapidamente quanto eu.

 

 

***

 

 

Se tinha algo que eu odiasse, era ser acordado pelo sol de manhã entrando pela janela aberta.

Que por sinal era exatamente o que havia acontecido.

Respirei fundo e vi aquelas paredes brancas repletas de pôsteres e quadros de times, por um instante não lembrava onde estava. Até que senti o corpo quente abaixo de mim e vi Tyler dormindo tranquilamente.

Bem... Tranquilamente não era a palavra certa, já que ele estava atirado no colchão em uma posição meio aleatória, completamente pelado, com um dos braços embaixo de mim e o outro dobrado de forma estranha atrás da cabeça, os cabelos bagunçados e a boca meio aberta. A visão era bem broxante mesmo, exatamente como estão imaginando. Mas é claro que o trouxa aqui achou a coisa mais linda e fofa do mundo.

Amor só fode as coisas.

Levantei-me com cuidado para não acordar aquele monumento (por sinal: que pau é esse?), e comecei a pegar minhas roupas e me vestir em silêncio. Eu me dei conta de que ele estava bêbado quando ficou comigo ontem à noite, então existe a chance de que ele só tivesse transado comigo por causa do que tomou.

Chamamos isso de alcoolsexual: o cara hétero que deixa de ser hétero depois de beber todas. E não era nada legal dormir com um cara desses, já que ao acordar e se dar conta de que transou com outro cara ele costuma ficar bastante agressivo e ignorante.

Experiência pessoal, vão por mim.

Eu não suportaria ver isso logo do cara que eu amava secretamente. Guardaria com carinho aquela noite incrível e o quanto ele foi carinhoso comigo, só depois eu iria mandar o Dylan soltar umas indiretas para ver se o terreno estava seguro para um segundo round e...

PORRA, TEM O ASNO DO DYLAN AINDA.

Só me fodo nessa merda.

Mas espero que ele tenha pegado a Holland pelo menos. Sou Stydia assumido, então tô contando que eles se deram bem. Agora é pensar como vou arrastar esse saco de bosta daqui.

— Onde você pensa que vai?

Dei um pulo quando ouvi a voz do Tyler atrás de mim, literalmente. Não fazia ideia de quando ele se levantou e veio até a porta que eu começara a abrir, só sei que ele estava em pé, de braços cruzados e com uma expressão muito mal-humorada no rosto. Eu gostaria de poder prestar mais atenção nele e na situação em si, mas como ele estava completamente pelado na minha frente, a única coisa que eu cérebro conseguia enxergar e processar era o seu pau.

— Ei, olha aqui em cima!

— Com um pau desses de fora fica difícil.

Tyler avistou a sua cueca jogada perto de mim e a vestiu o mais rápido que conseguiu. Foi ai que eu percebi que ele estava um pouco constrangido, e isso o deixava muito fofo. Além do fato de ele ficar incrivelmente gostoso só de cueca.

— Então você vai só transar comigo e depois ir embora como se eu fosse qualquer um?

Sério que a gente realmente tá tendo essa conversa?

— Achei que você só tinha transado comigo porque estava bêbado, por isso resolvi ir embora antes que você acordasse e me xingasse pela grande besteira que fez.

— Ficou louco? — Ele arregalou os olhos e veio até mim, me segurando pelos braços com certa força. — Nunca faria isso contigo!

— Mas você não era hétero? De onde saiu isso, desde quando?

— Eu nunca fui hétero — ele abriu um sorriso. — Sou bissexual, achei que sabia disso.

— O Dylan me disse uma vez que você era o viado mais macho que ela já conheceu, mas achei que era alguma das piadinhas dele. Ah... Teve a vez que ele comprou um carro flex e disse que se lembrou de você... Tudo faz sentido agora.

Ele soltou um riso curto e se aproximou um pouco mais de mim, soltando os meus braços e segurando o meu rosto com as suas mãos grandes. Sua expressão era de ternura, e poderia dizer até mesmo de paixão, de forma que aquele olhar de esmeralda e seu sorriso simples me dominaram.

— Já faz algum tempo que queria ficar contigo, mas não sabia se você me daria uma chance, e sempre fui meio inseguro... Fiquei ontem o dia inteiro criando coragem para chegar em você, e depois que finalmente consegui não iria te expulsar daqui ou me arrepender por aquela noite incrível. E se você quiser, eu gostaria muito de continuar te vendo daqui pra frente e ter mais noites como essa.

Aquilo... Eu simplesmente não sabia o que dizer. Não sabia se havia palavras que conseguissem expressar tudo o que eu queria dizer naquele momento.

— Desculpa por nunca ter dito nada antes, mas eu gosto de você, Troye.

— Eu também.

No fundo não havia mais nada a se dizer, só os meus lábios naqueles lábios rústicos e sentir o seu gosto amadeirado. Ele me abraçou daquela maneira carinhosa e protetora que eu aprendi a gostar tão bem, enquanto o cheiro de almíscar do seu corpo me preenchia por completo.

Esse momento poderia ser extremamente fofo se eu não tivesse apertado a bunda e depois o pau dele, que riu.

— Você fica muito gostoso de cueca, não consigo resistir — dei de ombros.

— Você também é do jeito que eu gosto. E quanto à noite de ontem... Foi bom pra você?

— Se foi bom? — Dei um selinho nele. — Eu transei com o Superman, o que poderia ser melhor que isso?


Notas Finais


78. Uma fanfic baseada na música “Wild - Troye Sivan”.

Wild: https://www.youtube.com/watch?v=fdXNNveYOfU


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