História Supernova - Capítulo 5


Escrita por: ~ e ~Cacta

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys, Constelações, Estrelas, Jimin, Minv, Seokgi, Supernova, Taehyung, Universo, Vmin, Yonjin
Exibições 102
Palavras 4.016
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


estão sentindo esse aroma? isso mesmo, é aroma de atualização! oi gente, tudo bem com vocês? antes de qualquer coisa eu e a cacta queremos agradecer do fundo dos nossos corações pelos 100+ favs, ficamos muito felizes e estamos imensamente gratas por todo esse retorno, eu fico toda animada em ver que tem gente que está gostando da nossa bebêzinha supernova e eu espero chegar bem longe com vocês! <3
eu tive um certo trabalhinho pra poder fazer esse capítulo, teve um momento que eu simplesmente larguei tudo meio frustrada e fui fazer qualquer coisa que não fosse olhar pra ele çalskdj mas como eu prometi que teria atualização, então aqui está ela e eu particularmente gostei do que escrevi e estou na expectativa para saber se vocês vão gostar também [risadas malignas no fundo]

como sempre, vou indicar uma musiquinha para vocês ouvirem enquanto leem, que inclusive é uma música que eu tenho gostado muito esses tempos e que combina com o capítulo; vou deixar o link nas notas finais para vocês ouvirem "who said anything (about falling in love)?" do the hoosiers e é isso aí. boa leitura! <3

Capítulo 5 - Procyon


Fanfic / Fanfiction Supernova - Capítulo 5 - Procyon

JIMIN

 

Se eu dissesse que estava a beira de um colapso vocês iriam acreditar? Digo, não que eu estivesse com falta de ar nem nada do tipo, fisicamente eu estava muito bem, mas meu cérebro já havia dado tantas voltas que eu já não sabia fazer nada além do automático.

Depois daquela revelação, a única coisa que fiz foi dizer para irmos para casa antes de perdermos o último metrô, e, assim, fomos sem hesitar com um filhote de gato em mãos que por acaso não parava de roçar em Tae como se o calorzinho de sua pele e o brilho em seu peito fossem a coisa mais confortável do mundo, o que eu não poderia negar de forma alguma, mesmo que não fosse exatamente a coisa mais normal do mundo, até porque eu meio que tive que tentar esconder aquilo de alguma forma durante o caminho ou achariam que estávamos fazendo um show de luzes conceitual durante o dia.

Olha, eu sei que eu deveria acreditar no Tae, ok? Ele falou sobre ser uma estrela com tanta confiança que, por um momento, eu até cheguei a acreditar em suas palavras, mas fala sério, isso não é possível, uma estrela não teria caído no bosque perto de casa e agora meio que morava comigo, isso tá parecendo um enredo de filme para pré-adolescentes e eu nunca fui muito de gostar desses filmes... Ao menos não na frente dos meus amigos, claro. De qualquer forma, o quão bizarro isso é? Quer dizer, uma personificação de estrela realmente pode existir esse jeito? Por um momento eu até olhei todos ao meu redor no metrô porque vai que mais alguma estrela tá ali e eu não sei, né? Já pensou se um dia eu encontro Plutão, acho que eu deveria desenhar pra não esquecer, até porque eu já vejo um anão com cara de bravo e totalmente bolado por não ser mais considerado um planeta.

— Chimchim? — o não-tão-humano-Taehyung me chamou e eu acabei desviando o olhar de um cara baixinho que estava no vagão e que parecia muito com o que eu pensava para personificação de Plutão. A expressão de Tae não parecia muito boa, ele estava meio choroso como se tivesse visto ou ouvido algo errado e no mesmo momento eu acabei sentindo certa culpa, mesmo não sabendo se isso era algo causado por mim ou não. Quis abraçá-lo para passar algum tipo de conforto, mas me contive. — Você acredita em mim, não acredita? Acredita que eu sou uma estr-

Arregalei os olhos e tampei a sua boca com a minha mão o mais rápido que eu conseguia, olhando ao redor em seguida só pra ter certeza que ninguém tinha ouvido o início do que ele iria me falar. — Eu... Acredito em você, ok? Mas isso poderia ser um segredo só entre nós? — e eu apenas tirei a mão de seus lábios quando ele assentiu, notei que agora ele sorria, como se o fato de agora termos um segredo fosse algo especial, o que eu não discordava, mas também não chegava a comemorar. Ter segredos com uma estrela significava algo?

Sabe, quando eu era menor sempre rezava para uma das estrelas que eu sempre via pela janela. Não que eu rezasse de fato, eu sou o cara menos religioso que vocês vão conhecer, mas eu sempre fazia questão de dizer os meus desejos para essa estrela, como se pedir algo para um corpo celeste fosse fortalecer o que eu queria para que isso se realizasse sabe-se lá quando. Quando eu era uma criança ingênua realmente acreditava nessa estrela, ela era a mais brilhante do céu, mas com o passar do tempo eu fui esquecendo essa minha simples crença da mesma forma que alguém esquece alguma fórmula de matemática; porém, diferente dos meus sentimentos com exatas, eu amava aquela estrela e me lembrar dela agora me fez querer pedir desculpas para o céu antes de dormir. Deveria ser muito doloroso ser esquecido por alguém que um dia significou tanto.

Não demoramos muito para chegar até a estação onde deveríamos descer e quando o fizemos acabei tendo que segurar as sacolas com tecidos e materiais enquanto cuidava para que uma certa estrela acabasse não caindo por estar sonolento demais, o que acabou fazendo que muitas adolescentes nos olhassem com um sorriso diferente; quis dizer que não éramos namorados nem nada e que eu estar segurando a mão dele era algo comum, mas aposto que elas não iriam querer me ouvir.

Sempre gostei muito de ir em lojas de tecidos e me acabar em alguns poucos metros de cada coisa quando a bolsa da faculdade acabava chegando em minha conta, era quase como recuperar a  vida com alguma poção em um jogo, eu me sentia uma nova pessoa, mas Taehyung não era assim, então quando ele chegou em casa, se limitou apenas a tomar banho e trocar de roupa antes de se jogar na cama e adormecer pouco tempo depois com o Doguinho dormindo no travesseiro ao lado de seu rosto, eles pareciam formar uma boa dupla.

Jin ficou nervoso quando chegamos com o gato no colo, ele chegou a reclamar que a gente não tinha dinheiro ou espaço pra cuidar de um bichinho de estimação, não é como se vida universitária permitisse luxos, mas foi só ele enfim ver o filhote que ele acabou caindo de amores e dizendo que ia parar de comprar meu cereal favorito só pra comprar ração; aquilo só podia ser um complô pra eu ter o dia mais difícil de todos, mas eu acabei aceitando de um jeito ou de outro porque todo mundo parecia feliz por ter uma companhia nova que, inclusive, não parava de pedir carinho a todo o momento. Eu realmente poderia filosofar em como eu me sentia o Doguinho quando carente, mas acho melhor continuar porque o que vem agora é bem estranho.

Eu sei que pesquisar algumas coisas no Google realmente não é algo recomendado caso você não queira achar que está morrendo ou algo do tipo, mas eu não pude evitar pegar o computador para pesquisar mais sobre o que estava tornando a minha cabeça mais confusa e cheia de voltas do que ela já é; uma vez, quando criança, a professora pediu para eu desenhar como era a minha mente e eu acabei me desenhando com uma montanha-russa meio doida dentro da minha cabeça, o que me fez ser chamado de bolinha de criatividade pela professora e de louco pelos meus colegas. Ora, a culpa não é minha se aqueles caras tem a cabeça vazia demais. E eu comecei a sair do assunto de novo, não é? Caramba, Jimin, foco.

Eu mudei mil vezes o que eu pesquisava porque, mesmo com tantos links, nenhum deles ajudava ou aparentava ser convincente. “Estrelas podem virar humanos?”, “Estrelas-humanas: o que comem e onde vivem?”, “Plutão deixou mesmo de fazer parte dos planetas legais?”. Foi só quando eu pesquisei sobre desejos e desconhecidos brilhantes que eu acabei encontrando alguma coisa, isso depois de passar vários links de fanfics de Crepúsculo. Tudo bem que o Yahoo Respostas não era uma alternativa tão boa, ele não é tão convincente quantos os sites que vi antes, mas até o momento aquele era o único link que parecia que ia mesmo me ajudar, e por isso eu acabei lendo toda a pergunta do autor que parecia bem desesperado escrevendo tudo em caixa alta.

Aparentemente, eu não era a pessoa na situação mais bizarra ali. O autor da pergunta parecia desesperado para encontrar o motivo pelo qual alguém desaparecia, e segundo a descrição, não era como aquele desaparecimentos policiais, e sim desaparecer do jeito que a gente diminui a intensidade de uma imagem no photoshop, como se ele estivesse de fato sumindo. Ele não especificou nada, apenas perguntava em desespero se isso era normal e onde poderia ir para resolver a situação; realmente queria saber como isso poderia acontecer, mas quando rolei a página vi que não havia nenhuma resposta ali além de uma escrita pelo próprio autor.

“Minha estrela se apagou. Obrigado por tudo.”

Engoli em seco e foquei um pouco em Taehyung quando ele se mexeu na cama, puxando um pouco mais a manta quente para perto do rosto, o que me fez sorrir um pouquinho por ele parecer tão adorável ali. Ele não continuava a brilhar, agora era tão normal quanto qualquer adolescente por aí, da mesma forma que aconteceu no bosque, e por algum motivo eu acabei temendo o que poderia acontecer dali para frente. Digo, não era bizarro que uma estrela apagasse dessa forma? Estrelas geralmente brilham quando morrem, não? Puta merda, já pensou se esse cara na minha cama é uma estrela-zumbi? Será que se ele me morder eu acabo ficando infectado também? Foco, Jimin, foco, você já tá começando a enlouquecer demais por conta de algo que... Ah, droga, isso tudo parece mesmo mentira, não é?

Belisquei meu braço para tentar me acordar de alguma forma caso tudo isso fosse um sonho, mas nada aconteceu além de eu sentir uma dor aguda no lugar que apertei com força. Certo, sem sonhos ou loucuras, aquilo tudo era real e eu esperava que o e-mail de contato do cara do Yahoo respostas também fosse verdadeiro, porque acabei mandando uma mensagem meio desesperada para ele. 

É claro que eu pensei em conversar com o Jin sobre o assunto, perguntar o que ele pensava sobre tudo, até porque ele era a pessoa em quem eu mais confiava no mundo, mas não achava justo que ele tivesse o seu descanso interrompido com um adolescente que pensava demais. Esperava que meu melhor amigo soubesse da história de forma melhor do que eu soube.

 

 

Acordei na manhã seguinte sentindo alguém me abraçando como eu fosse um travesseiro e apenas depois de coçar meus olhos com os punhos, pude notar que era o garoto estrela que me segurava como se eu pudesse fugir dele, o que eu tenho certeza que eu não faria, mesmo não sabendo por qual razão eu pensava isso.

Eu sei que é muito coisa de filminho de romance olhar alguém dormindo e ter vontade de fazer carinho na pessoa, sempre me perguntei o porquê de sempre fazerem isso, mas olhando Taehyung dali eu entendia o impulso dos casais. Ele parecia calmo durante o sono, sem sonho ou pesadelos, apenas descanso, e a sua expressão relaxada era bonita a ponto de eu ficar impressionado, como se jamais tivesse visto alguém que chamasse tanto a minha atenção, por um momento cheguei até a esquecer da primeira vez que vi Jungkook dormindo, o que cheguei à conclusão de que realmente não se comparava a minha estrela que respirava tão calmo perto de meu pescoço.

Teria o trago para mais perto para tentar voltar a dormir novamente, dessa vez sabendo que ele realmente estava ali comigo, mas uma notificação de e-mail no meu celular me fez ficar atento e claramente desesperado pra conseguir encontrar o aparelho no meio de todas as cobertas. Sem me desvencilhar tanto do garoto mais alto que eu, desbloqueei a tela assim que encontrei o tijolo que chamava de celular e assim pude ver o e-mail que eu achava que jamais chegaria. Tentei não rir de novo com aquele endereço.

 

[email protected]
(terça-feira, 6 de dezembro. 10:36.)

Oi, Jimin. Achei estranho receber um e-mail sobre aquilo depois de literais dois anos do acontecimento, tem certeza que estamos falando da mesma coisa? Se isso for algum tipo de piada eu te mando tomar num lugar nada agradável agora mesmo.

[email protected]
(terça-feira, 6 de dezembro. 10:47)

Oi, oi! Eu não sei se estamos falando da mesma coisa, sinceramente, eu já nem sei mais o que está acontecendo e você foi a primeira pessoa que me pareceu mais perto do desespero que eu estou passando agora... Não que alguém esteja desaparecendo, mas eu não estou sabendo lidar com nada disso e achei que pudesse me ajudar. Já ouviu falar de estrelas que viram pessoas? Isso é mesmo algo comum? Espero que não me mande tomar em lugar nenhum.

[email protected]
(terça-feira, 6 de dezembro. 11:04.)

Convincente, mas não muito, não vou te xingar de nada de qualquer forma, até porque não acredito no que não posso ver. Realmente acha que pode encontrar respostas no Yahoo e que elas podem vir de mim? Não gosto desse assunto e é melhor que não espere muito.

[email protected]
(terça-feira, 6 de dezembro. 11:12)

Eu estava muito desesperado, ok? Não era como se eu pudesse encontrar respostas para personificações de estrelas em qualquer lugar, até porque até agora eu não achava que isso havia acontecido com alguém além de mim. Podemos continuar a manter contato? Não acho que eu vá conseguir lidar com isso sozinho.

 

Não recebi mais respostas e isso me fez revirar os olhos e deixar o celular de lado, ignorando qualquer outra notificação de mensagem de texto com o toque que Jin escolhera quando eu comprara o celular alguns anos antes; eu devia ter ido para a faculdade, talvez fosse por isso que eu tivesse tantas mensagens de Jin no aparelho, e eu provavelmente estava perdendo uma das melhores aulas de indumentária moderna e contemporânea, mas não era como se eu fosse conseguir me concentrar sobre qualquer espartilho e anáguas quando eu tinha uma estrela de verdade deitada na minha cama.

Falando em uma estrela de verdade deitada na minha cama, Taehyung agora parecia estar tendo algum sonho e murmurava palavra ou outra, às vezes apertando a camiseta que eu usava entre os seus dedos como se precisasse se firmar ali. Ele não parecia estar indo bem seja no que se passava durante o seu sono e foi por isso que eu comecei leves cafunés em seus cabelos vermelhos, rindo baixo assim que o vi procurar mais do meu toque em um movimento inconsciente para mais perto, movimento o qual nos deixou próximos a ponto de eu sentir sua respiração quente em minha pele.

Kim aos poucos despertava e notei que assim que ele percebeu que me abraçava, hesitou em colocar distância entre os nossos corpos, ele parecia feliz em estar ali e isso me aqueceu o peito por um momento; geralmente as pessoas eram o meu porto seguro e não eu o delas.

— Eu tive um sonho tão estranho, ChimChim. Você não estava e eu achava que você tinha ficado preso naquele aparelho engraçado que me ensinou a mexer.

— Mas isso aconteceu mesmo, inclusive... — acabei sendo interrompido por um miado que veio das cobertas, o que me fez as levantar e dar de cara com um filhote de gato sonolento que por sorte não havia sido esmagado durante a noite ou eu realmente me sentiria a pessoa mais culpada de todo o mundo. Doguinho – por que eu deixei Tae dar esse nome mesmo? – parecia agitado e miava repetidas vezes como se quisesse algo; eu não era a pessoa que mais sabia sobre felinos no mundo, mas como o meu estômago roncou logo supus que não era o único que estava com fome ali.

Me desvencilhei dos braços de Tae para que fossemos até a cozinha e em pouco tempo todos nós estávamos devidamente alimentados, dessa vez a sujeira sendo feita em grande parte pelo novo companheiro da família ao invés do garoto que agora, felizmente, já sabia usar uma colher. Ele parecia feliz em aprender tudo e isso me fazia sorrir tanto quanto ele.

Por mais que eu tivesse tido aqueles pensamentos super românticos quando estava na cama, agora me recordava por qual motivo meus sentimentos estavam tão a flor da pele e minha cabeça tão pesada como se eu estivesse doente. Taehyung era uma estrela, ou ao menos ele dizia ser uma, e eu não sabia lidar com isso do mesmo jeito que a Bella lidou em Crepúsculo; eu não queria machucá-lo e não queria me machucar caso ele fosse perigoso, não queria que minha vida acabasse tendo toda uma reviravolta por alguém que não era nada mais do que um desconhecido que acolhi em meu apartamento que parecia tão pequeno agora com tanta companhia.

Eu precisava encher minha mente com alguma coisa diferente, deveria pensar em qualquer coisa que não fosse o fato de uma estrela acelerar meu coração, e foi por isso que decidi desempacotar todos os tecidos durante a tarde e tirar algumas medidas de Tae, o qual pareceu se divertir bastante com a fita métrica, ficando curioso quanto as suas medidas - o que eu estranhei, mas deixei passar, vai que é assunto de estrela. Bom, se eu não podia resolver o problema com brilhos estranhos e sentimentos novos, eu podia resolver de uma vez a falta de roupas de alguém que me fazia colocar mais peso do que o comum dentro da máquina de lavar, já que seria muito estranho pedir roupas emprestadas para o Jungkook.

O não-tão-humano Kim não parecia bem, mas continuava em silêncio e isso me agradou bastante porque eu realmente não estava preparado para falar sobre qualquer coisa com ele, eu não estava preparado para o encarar de fato e aceitar que coisas estranhas estavam acontecendo comigo e eu estava gostando. Não é estranho pensar que alguém consegue nos abalar de formas diferentes em tão poucos dias? Mesmo que eu sempre gostasse de sensações novas, essas estavam me confundindo e eu duvidava muito que eu conseguisse organizar tudo na cabeça, afinal, não seria uma estrela que faria a minha confusão interna ser resolvida, seria?

Quando eu costurava tudo parecia mais silencioso dentro de mim, por mais que uma máquina industrial fizesse bastante barulho para uma casa só. Claro que eu não era o maior profissional fazendo qualquer roupa, mas de certa forma eu gostava de aprender com os meus erros e gostava mais ainda de poder ver a peça que planejei pronta, eu era tomado por um sentimento de satisfação sem comparações e eu esperava que essa fosse a primeira sensação boa da semana ou não conseguiria sobreviver até sexta.

Não sei quanto tempo fiquei ali, era comum que eu acabasse perdendo a noção de hora quando eu sentava perto da máquina de costura, e apenas notei que talvez estivesse tarde quando Jin entrou no nosso ateliê, que apelidamos de estoque de bagunça, e anunciou que pediria pizza porque não estava com saco para tentar cozinhar qualquer coisa; ele pareceu estranhar o clima que havia dentro do quarto, mas resolveu não comentar sobre, apenas me direcionou o olhar de “vamos conversar mais tarde” e eu aceitei de bom grado.

Durante todo aquele tempo Taehyung ficara sentado no chão ao meu lado, vez ou outra mexendo nos pedaços de tecido que caíam e, às vezes, observando cada movimento que eu fazia ao costura.  Isso me trazia uma tensão grande, não gostava dessa coisa de ser observado, tanto que sempre fiquei meio perturbado com o assunto anjos da guarda que sempre nos observam, e foi por toda a aflição acumulada que me assustei quando o garoto me chamou um tanto desesperado; não consegui evitar a expressão nervosa e notei que havia sido um erro quando vi a tristeza no olhar inocente do maior. Eu estava uma pilha de nervos e isso não daria em nada bom.

Respirei fundo e tentei me recompor. Passei a mão por meus cabelos e tirei o pé do pedal da máquina, a desligando em seguida apenas por precaução.

— O que foi, Tae?

— O doguinho. Ele sumiu, Chim. — ele parecia desesperado, observava todo o quarto enquanto mexia em lugar ou outro onde o filhote pudesse ter se escondido. — Ele estava comigo agora mesmo, não vi quando ele saiu.

Bufei nervoso e me levantei da cadeira, deixando o short que eu costurava de lado com certa irritação. Eu não estava bem, precisava de tempo para pensar sobre tanta coisa que o sumiço do felino me fez ficar um tanto mais nervoso do que eu já estava e de imediato eu acabei me apressando para ajudar Taehyung a procurar pelo novo bichinho de estimação. O olhando dali eu sabia que deveria ser o mais leve possível, a sua expressão chateada me fazia querer sair de casa e passar um tempo fora para respirar novos ares, ares que não fossem dele, mas algo me dizia que isso não melhoraria nada, eu não conseguiria fazer nada melhorar se eu fugisse; fugindo do mesmo jeito que o Doguinho havia feito, ugh por que tudo tem que dar errado ao mesmo tempo mesmo?

Não passamos tanto tempo quanto eu pensava procurando, até mesmo porque não havia dado nem vinte minutos do sumiço quando ouvimos a campainha tocar. Poderia ser qualquer pessoa, qualquer uma mesmo, mas eu não esperava que o neto da Sra. Sook estivesse ali tão cedo, tanto que isso me fez ficar um pouco mais tenso. Se eu continuasse assim meus músculos começariam a doer.

— Algum problema, Namjoon?

— Nenhum, Jiminnie, e boa tarde pra você também. — ele me mostrou aquele sorriso fofo dele com covinhas e eu me senti obrigado a sorrir de volta também; mal sabia ele que eu fazia piadas de que ele é o mini traficante de drogas da avó, coitado. Por favor, não contem pra ele. — Eu vi esse gato saindo da sua casa assim que Jin chegou, então vim devolver depois de dar uns agrados pra ele.

— Você drogou o meu gat-

— Ah, olá, Nam! — Jin falou falsamente animado e claramente querendo me interromper pra não ter nenhum problema depois. Acho que ninguém gosta de ser chamado de traficante por aí, mas não é minha culpa se esse cara ganha dinheiro de um jeito muito suspeito. — Apesar de parecer meio stalker, obrigado por cuidar do...

— Doguinho! — Tae completou ao chegar correndo para pegar o gato do colo de Namjoon, o qual pareceu bem surpreso por termos mais uma pessoa ali que não era Jeon, mas ele não perguntou nada porque isso era, de longe, o acontecimento menos estranho de todo aquele prédio.

Olha, eu queria me desculpar sinceramente pelo o que vem agora, realmente não era a minha intenção, ok? Mas sabe quando você tá uma pilha de nervos e só consegue pensar em gritar com a primeira pessoa que aparecer na frente? Pois é, era assim mesmo que eu me sentia, e é claro que eu poderia ter direcionado essa raiva pra qualquer pessoa, mas fui fazer isso justamente com alguém que nada compreendia sobre humanos e toda essa coisa de querer desabar quando a pressão parece nos esmagar até ficarmos bem pequenininhos e incapazes de fazer qualquer coisa.

Eu passei a mão por meus cabelos quando Tae virou para me olhar, e foi aí que eu acabei explodindo, porque eu estava passando todo aquele stress por culpa dele e isso estava me deixando a beira de um penhasco de sentimentos.

— Percebeu o quanto isso foi irresponsável de sua parte, Taehyung? Sua sorte é que Namjoon o encontrou no corredor.

— Jimin não fala assim com ele!

— Não, Jin, se ele quer continuar aqui tem que aprender logo como ser alguém normal, porque eu não aguento mais! Eu não consigo nem lidar com os meus próprios problemas, imagina só os de alguém que nem tem família.

Certo, podem me enterrar vivos, jogar pedras, me queimar em praça pública, porque o que vem agora é de quebrar o coração de qualquer um, inclusive o meu que acabou quase parando quando eu vi o que tinha causado. Ver qualquer pessoa chorando é ruim, eu não consigo não me sentir mal quando alguém chora perto de mim, mas ver Taehyung chorando era uma das piores visões que eu já poderia ter tido, porque todos os arrependimentos que eu tive na vida acumularam de uma só vez na minha garganta, me impedindo de falar qualquer outra coisa.

O brilho leve que antes havia em seus olhos ficou opaco e os seus olhos marejados nada mais demonstravam além de dor, e não uma dor comum, parecia que ele sentia tudo com mais intensidade, como se alguma fibra do fio que nos unia tivesse saído do lugar. Ah, droga, eu fiz algo ruim, muito ruim mesmo, e a confirmação pra isso ficou bem clara quando Tae acabou apagando nos braços do Namjoon.


Notas Finais


Who Said Anything (About Falling In Love)?; The Hoosiers: https://youtu.be/uTkSJ2oKvPE

por que eu sinto que deveria sair correndo para as colinas? dçalksdj eu não imaginei que ia colocar um angst justamente nessa parte da fanfic, mas digamos que eu tenha achado necessário e aff eu amei tanto deixar os sentimentos do jimin intensos, foi mais forte que eu :( apesar do sofrimento, espero que vocês tenham gostado e chorado tanto quanto a cacta quando ela betou (ou seja, se tiver erro é culpa dela cofcof);

como sempre digo, estou todos os dias no twitter @kaigansxn pra vocês falarem comigo, deixo até chorarem no meu ombro pós-ler essa capítulo açsldj até o próximo! <3


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