História Superstar - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias My Chemical Romance
Personagens Frank Iero, Gerard Way, Personagens Originais, Ray Toro
Tags Frerard, My Chemical Romance, Romance
Exibições 15
Palavras 3.966
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Fluffy, Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


DESFECHO!!!!!!!!!!!!
Gente, eu estou super emocionada, SUPER mesmo, pois esta é a minha PRIMEIRA história contínua que é concluída e postada para vosso deleite! *___*
OBRIGADA, MUITO OBRIGADA POR SUPORTAR A TIA E ME DAR O PRIVILÉGIO DE SER AMADA POR VOCÊS PELA MINHA ESCRITA!
AMO, AMO, AMO VOCÊS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! BOA LEITURA!!!!!
<3 <3 <3

Capítulo 7 - Epílogo - Você e Eu


Fanfic / Fanfiction Superstar - Capítulo 7 - Epílogo - Você e Eu

 

Capítulo 07 - Você & Eu

 

“O Amor. Quem sabe alguma coisa sobre o amor de outra pessoa? Quanto mais se ama, quanto mais se conhece a extinção da perda do amor, mais se respeita o silêncio de nada saber diante da servidão espiritual do outro.” -  Cântico de Sangue (Anne Rice)

 

Frank andava calmamente ao lado de outra pessoa (ou espírito, se preferir) e a conversa entre ambos estava animada. A figura notória não precisava de seguranças ou qualquer outro aparato naquele lugar. Finalmente, todos realmente eram iguais, sem distinções ou privilégios. Iguais, semelhantes, amigos, família. Os dois pararam por um momento e se despediram.

- Até mais, Frank. Ainda temos muito a conversar sobre o AC/DC quando eu ainda estava lá tocando o terror.

- Vou aguardar ansiosamente. Super valeu!

A figura masculina acenou e seguiu pelos ladrilhos dourados. Frank ainda ficou ali um bom tempo, mas não o contava mais, na verdade o tempo deixou de existir, assim como a distância e a dor. Era o que Frank mais gostava neste lugar, a total inexistência do tempo, ele jamais imaginou que amaria tanto a eternidade. Esta coisa sem começo, sem meio e sem fim, indefinida. Era muito bom saber que não precisava ter pressa em nada e nem com ninguém, se não pudesse encontrar e falar com alguém hoje ou daqui mil anos terrestres, isto não importaria de forma alguma. Andou mais uns passos de olhos fechados e pensou em seu lugar neste mundo que parecia mágico, surreal. Para ele, cada vez que olhava para aquele lugar, ainda tinha a sensação de que estava em Asgard. Frank sempre ria consigo ao fazer esta menção não louvável. Não porque Asgard era feia, mas sim porque era linda, porém ainda incomparável à beleza daquele Paraíso que ele agora fazia parte. "Agora" era modo de dizer, pois  já havia deixado de levar em conta o tempo que estava ali desde que deixou sua existência terrestre. Frank abriu os olhos e viu-se de frente para seu castelo de topázio, seus vizinhos ilustres lhe acenaram e ele correspondeu, mas foi outro alguém que lhe chamou a atenção.

- Frank.

- Sim.

- Preciso que venha comigo agora.

- Claro.

Frank sorriu e saiu andando atrás da criatura maravilhosa que estava à sua frente. Gabriel. Ele andava tranquilo e não questionou o que seria. Frank além de ser um espírito livre havia se tornado um espírito tranquilo quando seus rompantes terrenos foram superados. A caminhada foi curta, porém a distância seria longa se imaginássêmos termos terrestres, no momento, ele e o anjo estavam no portão da Cidade. Frank juntou as mãos frente sua barriga e entrelaçou os dedos, geralmente Deus apareceria logo, geralmente quando queria lhe falar algo ou até mesmo mostrar-lhe alguém. Da última vez, Ele havia apresentado B.B. King para ele. Frank extasiou-se.

Pausadamente, Gabriel virou-se e disse:

- Agora posso ir. O Grande Eu Sou se aproxima.

Frank permaneceu na mesma posição e logo viu Deus se aproximando com uma pessoa. Não tentou imaginar quem poderia ser pois existia inúmeras possibilidades, apenas aguardou. Ajeitava sua própria vestimenta e sorria. Fechou os olhos e a seguir olhou firme para frente e contemplou algo que pareceu fazer sobressaltar algo nele. Era como se perdesse o fôlego ou voltasse a ter um coração novamente, sentia um violento estremecer dentro de si. Deus se aproximava mais e Frank não conseguiu mais ficar parado, saiu correndo em direção à Deus e quem estava ao Seu lado. A pessoa ao lado Dele também iniciava uma corrida em direção à ele e os dois sorriam conforme a distância se tornava cada vez mais curta até que ficaram frente a frente.

- Enfim. - Frank abria a boca em seu melhor sorriso.

- Enfim. - Gerard também sorria abertamente e o puxou pelo braço, envolvendo-o num abraço forte e apertado, carregado de saudade e muito amor. Frank o apertava tanto que se ambos fizessem parte de uma experiência química, os corpos se fundiriam em um só.

Aquele abraço durou um século, talvez mais e Deus os contemplava, somente sorrindo, sem nada dizer. Como falavam na Terra: "Não ia estragar o momento deles". Gerard suspirou fundo e Frank riu pois lembrou-se dele com suas atitudes mortais logo no início. Ambos se afastaram só um pouco e permaneceram olhando-se, contornando cada ponto dos rostos com seus dedos grossos, fixados como um pintor que concentra-se em sua pintura. Frank acariciava o rosto de Gerard e novamente o abraçava, mas agora com o rosto posto no peito dele que, por sua vez, o envolvia novamente entre seus braços como se o protegesse ou fosse protegido.

- Demorei? - Gerard brincava.

- Não sei mensurar. – Frank sorriu e levantou o rosto para olhar para ele. - Aqui o tempo não existe, nem a distância.

- Que ótimo! Já adorei este lugar então.

Neste momento, Deus se aproximou dos dois.

- Frank, este é Gerard. Gerard, este é Frank. - e Ele sorriu enquanto os dois caíam na gargalhada. - Como Frank tem mais tempo de casa, peço que faça as honras com o nosso mais novo morador.

- Sim, Senhor. - ele respondia prontamente.

- Um segredo, Gerard. Quem vê assim, não imagina o quanto deu trabalho. - Deus piscava.

- Ah, é? Típico! - ele parecia curioso. - Quero saber de tudo, senhor Frank.

- Vai saber. Temos toda a eternidade para isto. - ele o abraçava novamente. - E eu nem fui tão terrível assim. Ele é exagerado. Não ligue, Gerard.

- Frank, Frank, o que faço com você? - Deus gargalhou, Frank acompanhou e Gerard parecia um pouco assustado com esta cena mas riu - Bom, estou indo. Frank conduza Gerard até a moradia dele. - Deus fechou os olhos e Frank também. Gerard achou estranho, talvez fosse uma transmissão de pensamento, era um recém chegado e ainda tinha milhares de coisas a aprender, então restava aguardar.

- Está certo, Senhor. Até mais. - Frank acenou juntamente com Gerard e Deus afastou-se. Gerard o olhou e Frank sentia-se em paz. - Que bom que está aqui.

- Estou feliz em estar aqui. - ele o beijou no rosto. - Então, quer dizer que o senhor tocou o terror ao chegar aqui? - ele dava passos curtos, abraçando o menor.

- Aqui não, mas comecei lá na vastidão branca quando me encontrei com o anjo da morte. Viu-o?

- Sim. Gostei dele, sujeito simpático. - Gerard dizia como se estivesse falando do ser mais natural do mundo e Frank caiu na gargalhada. - O que foi?

- Como ele era?

- Ele era um sujeito cheio de aparatos, roupa negra, olhos vermelhos e uma foice só pra não perder o costume.

- Sério? - Frank esbanjava um largo sorriso.

- Claro. Por quê? - Gerard estranhou.

- Porque para mim, ele era um cavalheiro lindíssimo saído de um dos meus imaginários literários. - Frank sorriu e Gerard parou-os.

- Como assim? Ele aparece de uma forma para você e para mim de outra?

- Isto mesmo. - Frank estranhou - Ele não te disse isto?

- Não.

- Que estranho. Quando ele te encontrou, veio até você e disse que você estava morto? Qual foi sua reação? Não duvidou? Achou que estava sonhando ou negou a morte? - Frank disparou as perguntas diretamente, sem pausa.

- Calma, uma pergunta de cada vez. – Gerard o olhou firme. - Quando me deparei com ele e foi feita a revelação de minha morte, eu apenas disse que se eu realmente estava morto, eu queria te ver imediatamente. “Se estou morto, quero ver Frank e você sabe de qual Frank estou falando, sei que está vendo em meu pensamento agora.”

Frank sobressaltou-se, aquela resposta ele jamais imaginaria. Gerard sorriu e pegou firme em suas mãos e trouxe até o rosto dele. Frank acariciou-o mais uma vez e aproximou-se do peito dele.  Fechou os olhos e pediu que ele fechasse os olhos também.

- Feche os olhos, Gerard e fique bem tranquilo. Apenas sinta o meu carinho e amor.

Gerard fechou os olhos e relaxou completamente, fez exatamente como Frank pediu. Um êxtase tomou conta dele e sentia-se ainda mais leve do que antes, mais seguro e finalmente, que estava no lugar certo. Havia encontrado seu lugar, enfim.

- Eu creio que sim, querido. - Frank respondia ao pensamento dele. Gerard riu. - Abra os olhos.

- Você pode ler meus pensamentos? - ele sorria de olhos fechados e Frank murmurou um "Uhum" - Como se não pudesse ler antes também. - e abriu os olhos.

A visão estava limpíssima e Gerard contemplou as moradas preparadas para todos naquele lugar, qualquer descrição era inválida, nem mesmo o apóstolo João em Apocalipse havia logrado êxito, era algo surpreendentemente incrível, fantástico e totalmente impossível relatar. Gerard apenas conseguiu suspirar um "Wow!" e Frank sorriu pela exclamação. Então, o tomou pela mão e conduziu até a entrada.

- Esta é sua morada. - ele fazia gestos com mão como um demonstrador de produtos. Gerard riu e se aproximou mais do castelo de pedras preciosas. - Deus achou por bem fazer o seu assim.

- Poxa! Eu agradeço imensamente! É altamente sensacional! Eu queria expressar em um alto e bom palavrão mas acho que minha língua espiritual seria fulminada.- ele olhava ao redor e surgiu uma dúvida, enquanto Frank gargalhava. - E o seu? Onde é seu castelo? – uma leve apreensão agitou o espírito recém chegado de Gerard. Ele tentou sorrir e Frank pegou em sua mão, fazendo -o num movimento rápido dar uma volta rápida em 360º.

- Aqui.

Gerard se maravilhava imensamente. Seria possível que viveriam juntos sob o mesmo lugar por toda a eternidade? Em liberadade? Sem medo?

- Eu precisava da cor dos teus olhos. Para me acalmar e continuar a trazer a tona o que há de melhor em mim e por isso, este lugar é feito com as cores que lembram você e eu. Este é o nosso lugar, Gerard.

Gerard estava estupefato, tão surpreso quanto Frank na declaração de que ele queria vê-lo assim que soube que estava morto. Esta conexão nunca iria cessar.  Não havia tempo suficiente para apagar a bendita simbiose que agora nem fazia mais sentido.

- Meus olhos... Seus olhos. Nossas cores preferidas. - Gerard suspirou e sorriu.

Frank exibia largo sorriso e Gerard impulsionou-se para abraçá-lo novamente. Desta vez, o abraço possuía um sentimento diferente, um e outro sentiam uma emoção contundente. O momento durou mais que antes, perdidos na própria eternidade.

- Minha luz guiadora, meu bote salva vidas, minhas notas de canção, minha salvação. - Gerard dizia com um amor imensurável. Frank sentia em seu espirito e era preenchido por cada palavra, assim como lembrava de que Gerard havia escrito um texto para ele com essas declarações. - Como você não é meu? Sempre foi, sempre será. – Gerard afirmava e Frank não continha a alegria, o sorriso estampado no rosto não se desfazia. Soube naquele momento que Gerard lera a carta, a última que ele havia escrito. Se afastou um pouco do peito dele e olhou-o. Gerard sorriu. – Meu Frank.

- Você leu a carta? - ele estava curiosíssimo.

- Sim. Amei demais apesar de ser um tanto visceral. Foi um grande tapa seguido de carinho, mas foi complicado. - ele riu e Frank acompanhou.

- Desculpe. Eu só precisava despejar tudo o que eu estava sentindo e guardando, não estava suportando mais dentro de mim e não dava pra compartilhar com ninguém que não fosse você.

- Eu entendo e fico feliz por ter desabafado de maneira tão honesta e exagerada como sempre.

- O exagero que você ama, né? - Frank brincava com a mão dele, balançando-a.

- Sabe que sim. - o olhar de Gerard era extremamente carinhoso.

- Mas, como você leu? Estava numa caixa no meu quarto. Você foi até minha casa e viu minhas coisas, o quê? – Frank comprimiu-se. – Cindy?

- Cindy é a responsável.

- Ela nos descobriu? – Frank preocupou-se. – Você foi morto por isto?

- Não. Após sua... sua partida para cá, Cindy e Monica foram arrumar suas coisas. Roupas, livros, DVD, CD, caixas, gavetas e etc... Mas, elas chamaram Ray para ajudar, e ele ficou incubido do porão. Foi ele que descobriu a caixa onde estava a carta, viu meu nome e imediatamente separou com outros itens.

- Sempre inteligente e aliado!

- Incrível aliado mesmo, pois pegou tudo o que se referia ao nosso relacionamento, analisou tudo de cabo a rabo e então me ligou. Disse que gostaria de conversar comigo e me dar algumas coisas. Coisas que ele achava que devia ficar comigo.

- Sério que Ray fez isto? - os olhos de Frank estavam estalados e brilhantes.

- Sim. Combinei de ir encontrá-lo e então Ray me deu a caixa onde você guardava tudo relacionado a nós, incluindo meus presentes para você...

- Eu colocava lá porque tinha até medo de usar e estragar e aí eu ficaria horrivelmente deprimido. - Frank tentava se justificar e Gerard deu um aperto de leve na mão dele.

- Era pra você usar e não guardar...- ele sorriu e foi retribuído - Enfim, Ray me entregou a caixa, seu notebook, cadernos e esboços de composições que tinha escrito, bem como pediu para eu ficar com sua coleção de LP’s, DVD's e CD's de música, já que nossos gostos eram idênticos.

- Não acredito! Sério mesmo? - Frank estava bem feliz.

- Sim. Sua família me pediu para ficar com seus livros e eu aceitei.

- Poxa vida, fico muito feliz por esta atitude dela, não há melhor coisa que eu poderia desejar!

- Que bom que estava de acordo com a decisão dela. - Gerard sorriu e abraçou Frank bruscamente. Ele ficou sério pelo ímpeto do ato, porém altamente confortável e feliz novamente por estar entre os braços daquele que jamais deixou de amar. Gerard rompeu o silêncio – Inicialmente, Ray me entregou a caixa e que iria pegar o restante das coisas. Abri e me deparei com o envelope destinado a mim. Uma carta. Achei estranho, pois me soou como se fosse uma carta de despedida. - ele suspirou profundamente como se ainda respirasse e Frank apertou-o contra si. - E foi. Uma despedida cheia de amor e dor, porque parece que não há como ter um sem ter o outro, amor e dor são um casal.

- Faz sentido. - ele concordava.

- Li a carta e me senti destruído. Foi tão forte que parecia socos em minha mente. E aí, me deparei com aquele final onde você apresentava duas opções de escolhas e uma delas você havia tomado. As duas eram duras. E no dia seguinte, você partiu. Pra sempre. – Gerard o agarrava de modo que se ainda fossem mortais estava prestes a sufocar ou machucar Frank. - Não podia ser assim, Frank!

- Eu não escolhi morrer, Gerard. – ele também o apertava e embora o sentimento fosse muito forte, nenhum dos dois chorava. - Independente de qual fosse a minha decisão, morrer não estava incluída, eu continuaria vivo, só que nosso relacionamento mudaria.

- Eu sei, eu sei, não estou te culpando por partir. - Gerard relaxou os braços, Frank também e ficaram de frente um para o outro, olhos nos olhos e de mãos dadas - Eu só não queria que tivesse sido assim, não foi justo com a gente. Foi desleal! Eu senti sua falta todos estes dias! Quando recebi a notícia da sua morte, foi uma morte para mim também! Foi desesperador! - ele o puxou, apertando-o contra si - Só poderiam estar errados, eu dizia o tempo todo, não era possível e você devia ter passado mal, qualquer coisa, estava no hospital... O que fosse! Morto não! Mas era verdade e fiquei estraçalhado. Tanta coisa me passou pela cabeça, principalmente os momentos que passamos juntos e numa rajada sem piedade e ácida, cortante me vinham todos aqueles momentos que ainda devíamos viver. Devíamos! Fomos obstruídos, sabotados! Como eu iria viver sem meu Frank? Como eu faria isso ser possível? - Gerard dizia num sussurro.

-Foi exatamente por isso que cheguei aqui "tocando o terror". Tenho absoluta certeza disso. Mas ao que parece, assim como na Terra, a justiça é uma coisa meio complicada de entender e extremamente nebulosa aqui também. Os seres sobrenaturais são realmente assombrosos em suas maneiras de execução e o significado para os atos.

- Talvez um dia possamos realmente entender isso... Bem, agora já passou, não importa mais, nós vencemos! Até porque não precisaremos mais contar quantos dias se passaram e em quantos deles estivemos juntos. – Gerard o olhou e sorriu. Frank lembrou-se imediatamente do bilhete Matemática do diabo, que havia escrito - Aquilo foi pesadão também. Mas passou, passou, estamos juntos aqui e isto é o importante! Porém, ainda gostaria de saber o que você havia decidido. - Gerard e sua curiosidade atacavam novamente, Frank teve de rir alto.

- Curioso que só!

- Me fala, agora nem importa mesmo, já passamos por tudo! Inclusive pelo vale da sombra e da morte, literalmente, mas a curiosidade mórbida ainda me ronda! - ele gargalhava.

- É, depois das nossas bodas de sangue, um vale veio a contento - Frank gargalhou abertamente também.

- Vamos lá, me diz.

Frank olhou-o profundamente e acariciou-lhe a face, Gerard fechou os olhos, abrindo-os a seguir.

- Eu amo você. – Frank disse com uma felicidade palpável e Gerard estava emocionadíssimo - Por te amar tanto, eu escolhi que iria te dar uma escolha também. A de vir comigo, de sair do nosso país e deixar para trás o medo, a culpa, a nossa falsa identidade. Tudo. 

- Não era à toa que existiam duas passagens no mesmo envelope da carta – Gerard disse simples e com um sorriso leve.

- Exato. Eu pediria para vir comigo, e por mais que tivéssêmos de deixar nossos filhos, eles nunca seriam desamparados por nós, pois poderíamos estar longe dali, mas lhes enviaríamos os recursos necessários, bem como para Cindy e Sybbyl. Ainda que não desejassem por orgulho, a necessidade da realidade de nosso país as compelaria. - Frank disse com calma e firmeza. Gerard prestava atenção. - Você tinha o direito de me dizer "não" e eu o dever de respeitar. Nós tínhamos um relacionamento totalmente transcendente a qualquer relação de casal de namorados ou casados, era algo muito completo, lindo e que nos fazia bem de inúmeras maneiras. Nós precisávamos da liberdade. Ser livre para ter você no meu corpo ou andando de mãos dadas, ou abraçados e falando a todos que "estamos juntos". Eu e você já havíamos construído nosso próprio mundo, nos estabelecido para estar ao lado um do outro nos bons e maus momentos, muito mais maus do que bons. Nós sempre nos completamos. Mas a sombra da morte grotesca nos rondava. Eu não poderia destruir aquilo que pedi tanto a Deus para ter. Eu queria viver a minha história de amor, eu conheci você e se tornou meu parceiro incondicional. Deus me deu. O que mais poderia almejar? Nada. Eu já possuía tudo, só que não em meu país, me escondendo, fugindo, tendo uma vida que não era minha, sendo o que não sou. Eu necesitava viver com você, Gerard, viver o bastante. Juntos, indefinidamente, "até que a morte nos separasse", o que aconteceu – os lábios de Frank tremiam, bem como seu corpo tomado pela emoção - e sermos unidos na "outra vida", o que também aconteceu. O motivo da minha revolta ao morrer foi que, justamente no dia que você leria meu depoimento mais honesto e eu te falaria a minha decisão, esta que acabei de lhe dizer, naquela madrugada o povo aqui foi lá buscar minha alma. Não conseguia aceitar isto de maneira alguma! Eu ainda precisava de você e você de mim!

Gerard estava extasiado e soluçava pelo modo que chorava, a emoção lhe brotara nos poros, em cada partícula de seu corpo sobrenatural e ele não se continha. Se derramava. Seria indescritível formar palavras para expressar o sentimento que invadia seu espírito e o preenchia de tal forma que ele ainda não poderia compreender completamente. Mas, não interessava se não compreendia, ele sentia o toque de algo maior dentro de si e Frank era o responsável. Esse amor era realmente verdadeiro e transcendia tudo que ousava imaginar. A única coisa que ele conseguiu dizer foi:

- Eu amo você. – Gerard o abraçava novamente. Frank enterrou sua face no peito dele, mergulhado na mesma emoção. - E me perdoe por todas as vezes que te fiz sofrer e as lágrimas que deixei você derramar. Eu não tinha este direito e ... - ele foi silenciado pelo dedo indicador de Frank sobre seus lábios.

- Pare. Agora. O que importa é que estamos aqui. Nós vencemos. Estamos juntos novamente. - a voz dele era serena e doce.  – Nós sofremos, fomos silenciados, mutilados na nossa alma, mas acabou, Gerard. - Gerard colocou seu rosto no ombro dele e o apertou um pouco mais. Frank suspirou e tentou transmitir-lhe calma. Ele parecia respirar fundo e o olhou.

- Você é incrível. E é óbvio que eu teria aceitado ir com você. Eu iria além do fim do mundo.

- Eu sei. – ele riu - Bom, acho que por hoje é só, né? Muitas emoções para um recém chegado.

-Não, agora eu preciso te contar uma coisa.

- O que é?

- Ainda que você não fizesse a viagem também, eu usei a passagem que me deixou. Eu saí de nosso país e fui viver a vida que nós dois planejávamos, que tanto desejamos e nos foi tirada esta oportunidade.

- Não pode ser... Sério?

- Sim. Eu confesso que demorei um tempo para tomar a decisão e então, quando a tomei, todos achavam pelas minhas atitudes que eu cometeria suicídio. Estavam preocupados comigo.

- Eu imagino.

- Então, preparei tudo, deixei uma carta para Sybbyl e Muriel, pedi que me perdoassem, mas eu não poderia viver mais em uma mentira. Não as desampararia jamais, porém, eu necessitava trilhar outro caminho. O caminho que havia sonhado junto com o grande amor da minha vida.

- Meu Deus, você é louco mesmo! Eu escolhi certo!

- Sim! Então, fui para um lugar onde pudesse realizar todos os nossos sonhos musicais e de liberdade. Nossas composições ganharam o mundo, Frank. Você foi aclamado mesmo estando aqui e não lá. Recebeu muitos aplausos pelo tesouro que havia criado e eu contemplei isto, fiz questão de honrar nosso amor. Você merecia tudo e muito mais.

- Gee, eu não consigo imaginar...

- Acredite, você estava lá comigo, de uma forma ou de outra, meu amor. E eu te agradeço! Todas as pessoas te agradecem!

Frank o puxava para si, Gerard soltou riso. Os dois se abraçavam sem desatar, firmes, carinhosos, emocionados e com um sorriso no rosto o qual jamais lhes seria tirado. O amor, ah, o amor nem precisava nada dizer se imperava ali naquele momento ou no ser de cada um. O amor foi feito especialmente para eles.

-Agora somos eu e você. Pra sempre!

Gerard disse ternamente. Frank repousou sua cabeça sobre o peito de Gerard e o mesmo começou a balbuciar o som de uma canção. Frank sorriu ao relembrar a canção e entregou-se a uma dança suave. Não mais que de repente, o que pareceu uma fina garoa derramava-se sobre eles. Frank ergueu a cabeça para o alto e com os olhos fechados, sorriu em meio a dança que tanto esperou, porém não mais feliz do que por estar nos braços do homem que sempre amou. Os lábios dos dois se tocaram para um beijo amoroso e aquilo permaneceria. Eternamente.

 

"Os outros, eu conheci por acaso. Você, eu conheci porque era preciso" - Guimarães Rosa.

FIM

 


Notas Finais


Diga para a Tia!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Diga tudo o que vocês acharam!!!!
OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA, MIL VEZES OBRIGADA!!!!!!!!!!!!
E faz o obséquio de ir lá dar uma olhada em The Setting Sun e A Kiss Before She Goes, HEIN?! Tem mais Frerard lá para vocês (caso ainda não sejam leitores rs)
AMO-VOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! <3 <3 <3


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