História Suprema(cia) - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Visualizações 12
Palavras 1.829
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 12 - Do abandono ao absoluto consolo


– Vamos sair daqui! – disse Mari, um tanto nervosa. 

Momentos depois, ambas estavam andando de volta ao prédio.

– O que vamos fazer? – Daphne suspirou, meio angustiada. 

– Você ainda pergunta? Gabi tá totalmente fora! Não quero que ninguém me veja com uma drogada. Ela passou dos limites...

– Mas Mari.. Temos que ajuda-la a sair dessa situação! Somos as únicas amigas dela. 

Mari deu uma risada irônica.

– E nós vamos ajuda-la... Não publicando no site da faculdade a nossa descoberta. Aliás, isso é um segredo nosso, Daphne! 

 

***

 

– Você está tão quieta, Cris. – Lola comentou, quando ambas estavam em seus quarto naquela noite. 

E realmente, Cristina estava quieta. Mas seus pensamentos não a deixavam em paz... Talvez sair para caminhar pelo jardim e tomar um ar fresco fosse uma ótima ideia... 

Ela olhava pela janela e o jardim nunca parecera tão atraente. 

– Eu sou quieta. – disse para a amiga, que parecia preocupada. – Eu só... Preciso dar uma volta. 

– Aconteceu alguma coisa? Tá com saudades de casa? Eu entendo, eu sinto falta de casa também... 

– Não, Lola... – ela suspirou. – Não é nada disso. A última coisa que eu quero é voltar pra casa...

– Por que? Problemas com a família? 

– Não... Não... Eu vou lá fora. 

– Ah, então eu vou com você. 

– Não, Lola... Eu preciso ficar sozinha.

– Não vai me contar o que tá acontecendo? Não confia em mim? 

– Não é isso. O problema não é com você... Tem umas questões internas que preciso resolver comigo mesma. – então ela foi até o criado mudo ao lado da cama, pegou papel e caneta e saiu. 

Lola sentou na cama e pegou o celular pra ver as notificações do Facebook. 

Até que recebeu uma mensagem no Whatsapp. E era do Chocolate.

Soltou um suspiro e começou a digitar rápido. 

Oq vc quer?” 

“Calma. Tá estressada? Só queria te dizer que te vi hj na praça de alimentação mais cedo. Vc tava linda, exceto pelo corte de cabelo meio torto. Não entendo como ainda não processou quem fez isso...” 

Contra sua própria vontade, ela riu. 

Idiota! Eu mesma cortei.”

“Kkkkkk Mds, Lola! Procura um salão e arruma isso.”

“Pensei q fizesse curso de Medicina, não de moda” 

“kkkk ... Vc é mto grossa. Eu devia parar de te encher o saco. “

“Devia msm”

“Mas não vou, pq sou um ótimo amigo.

Lola fez uma careta. 

“Não somos amigos” 

Nossa, agr vc me magoou. Mas te perdoo... Quando vamos nos ver?”

“ Não quero te ver, nem te conheço. É arriscado.”

“E pq seria? Eu só quero conversar... Já entendi q vc não quer namorar e nem ficar cmg. Mas dá uma chance pra nossa amizade! Pode acabar gostando de mim mais doq imagina.”

Lola deu um sorriso de lado, pensando no quanto esse cara era convencido. Mas apenas leu a mensagem e não respondeu mais.

 

***

 

Cristina caminhou em direção ao grande ébano do jardim dos fundos e se sentou nas raízes daquela árvore, resolvendo que era um ótimo lugar para refletir e escrever seus poemas. 

Quando ela estava prestes a começar, seu celular começou a tocar. Seu coração gelou por perceber que era seu pai. 

Que estranho, sua família até agora não havia nem dado sinal de vida. 

Mesmo assim, ela atendeu a ligação no segundo toque. 

– Alô... – disse. 

Ouviu alguns soluços do outro lado da linha e uma respiração ofegante. 

– Cristina... – disse seu pai, que parecia chorar. 

Ela já começou a ficar preocupada. 

– Pai, o que aconteceu? Por que você está desse jeito? 

– O Luís... Até agora não entendi direito o que aconteceu. Parece que ele se envolveu numa briga...

– Ele tá muito machucado? Precisou ir para um hospital? – Cris já apertava o celular com força.

– Não, filha... Você não entendeu. Ele morreu... – após dizer isso, ele caiu em prantos. 

Cristina deixou o celular escorregar de sua mão e tudo a sua volta pareceu não ter sentido. Sua vista começou a embaçar e foi como se alguém tivesse lhe tirado o chão. Não conseguia respirar, não conseguia sentir o coração bater... 

Começou a suar frio, pelo desespero por não estar respirando. Talvez a morte estivesse mais próximo agora, não sabia... Mas estava com medo. Começou a tentar desesperadamente puxar o ar pra dentro dos pulmões e depois soltar, mas parecia que não surtiu efeito. 

Estava sufocando e morreria ali mesmo, sem ninguém para socorrê-la. 

– Cristina! – ouviu alguém chamar, era uma voz familiar, mas não soube identificar quem era. – Cristina, olhe pra mim!

Ela foi agarrada por braços fortes, só então notou que havia fechado os olhos. 

Mas ao abri-los, dei de cara com um par de olhos verdes que pareciam preocupados com ela. 

– Edu... Ardo. – ela estava ofegante, mal podia respirar. 

– Você só precisa respirar fundo, ok? 

– Não, não, não... não dá. Me solta! – ela começou a se contorcer para fazê-lo soltar seus braços, o pânico ameaçando dominá-la. 

– Shhh... – disse ele e a puxou para si, mantendo-se num abraço. – Calma, tá tudo bem. – ele ficou afagando o cabelo dela. – Olha, eu não sou muito bom cantando, mas... Tem uma música que minha mãe cantava pra mim quando eu era criança e tinha pesadelos. Era assim: “ Dorme agora, é só o vento lá fora”. 

Ela se afastou um pouco e riu.

– Sua mãe cantava Renato Russo pra você? Por que eu não tenho uma mãe assim? 

– Pelo menos fiz você rir. – disse ele, percebendo que o ataque de pânico dela já estava passando. 

O sorriso dela logo foi transformado em lágrimas, que simplesmente foram caindo, sem ela se dar conta. 

Ela se odiava por isso, não queria que ele visse toda sua dor assim. Era humilhante, depois de tudo que ele fez com ela... 

Agora ela esperava que no mínimo ele fosse zoar ou filmar pra colocar no site da faculdade. Mas em vez disso, ele a puxou para seus braços. 

– Chora. Pode chorar. Sei que isso pode aliviar... 

Era tudo que ela precisava. 

Cristina simplesmente desabou, como se estivesse em queda livre... E chorou muito, tanto que pensou que iria desidratar. 

Só se deu conta quando percebeu que estava encharcando a blusa de Eduardo. 

Então uma crise de consciência a dominou e ela se afastou de uma forma abrupta, como se tivesse levado um choque. 

Limpou as lágrimas com as mãos e tentou não cair em prantos novamente. 

– Deve estar rindo de mim por dentro. – disse. 

– Cristina, pelo amor de Deus... Não sou o monstro que imagina. 

– Desculpe se não confio em você. Talvez eu tenha motivos pra não confiar... 

Edu ponderou. 

– Isso é verdade, mas... Estou aqui agora te consolando. E te ajudei com a crise de pânico. Então você vai ter que me agradecer por isso e me dizer o que se passa. 

– Não confio em você o bastante pra falar, tenho medo que esteja gravando tudo pra colocar no site da faculdade. 

Ele fez uma careta. 

– O quê? Não, se acha que eu postei seu vídeo na internet, tá muito enganada. Eu só... Cometi o erro de confiar em quem não deveria. Mas já passou. Seu vídeo não tá mais lá... Aliás, ninguém se lembra mais. Estão todos vendo o do Yuki, que foi patético. – ele revirou os olhos. 

– Por que odeia ele tanto assim? Yuki é gente boa... 

– Diz isso porque não o conhece direito, garota. Ele é como o oceano... 

– O oceano ? 

– Sim, de longe parece algo incrível e bom, mas quando você se aprofunda, pode te afogar até a morte. É sério, tome cuidado com ele. O que ele fez pra mim não importa mais, só não quero que prejudique mais pessoas. 

– Não, deve haver um mal entendido. Yuki não é nada disso.. 

– Um dia você verá que tenho razão. Mas por que está triste ? Ainda é pelo seu ex? 

– Como você sabe de Pedro? 

– Você me contou na outra noite, quando estava bêbada. Eu filmei... Mas antes que diga algo, eu não mostrei a ninguém o vídeo, achei que era muito pessoal pra ser exposto assim. 

– Não acredito nisso... Eu não lembro de ter falado sobre ele.

– Mas falou. Relaxa, é um segredo nosso. Agora que provei que você pode confiar em mim, já pode me dizer o que houve. – ele cruzou as pernas e apoiou as mãos nos joelhos. 

Naquela noite, Eduardo estava usando uma bermuda bege, uma regata branca é um boné preto virado pra trás, fazendo com que assumisse um aspecto mais jovial ainda, como um adolescente. Mas era óbvio que ele não era, devia estar na faixa dos vinte anos. 

– Você soube me acalmar tão bem, parece que sabia exatamente o que fazer. – Cris comentou, analisando ele. – Normalmente as pessoas não sabem o que fazer ou acabam entrado em desespero, isso aumenta meu pânico. Mas você ficou extremamente calmo e não se deixou levar. 

– Não me deixo abalar por meras tempestades. Eu fiz curso de enfermagem antes de entrar em Ed. Física. 

Ela arregalou os olhos, em surpresa. 

– E por que escolheu Ed. Física? 

– Quero ser treinador de basquete. Ou professor, estou analisando as possibilidades. E a senhorita? Jornalismo para uma garota tímida? Acho que não faz muito sentido! – ele riu. 

– Para. Sei que pode parecer patético, mas eu quero ser colunista ou editora de uma revista. 

 –Não, não é patético. Se é o seu sonho, quem sou eu pra dizer que você não consegue? Vá em frente. Mas... Você está mudando de assunto.

– Foi o meu irmão... Ele morreu. Meu pai acabou de me ligar avisando. 

– Sinto muito. De verdade, se precisar de ajuda, é só contar comigo. 

– Por que tá fazendo isso? Eu não conheço essa sua versão. 

– Talvez não me conheça bem o bastante.

– Não sei porque está com a Mariana. Ela é muito diferente de você. 

– Ela é uma pessoa maravilhosa depois que você a conhece melhor. Só tem alguns defeitos que faz com que as pessoas se afastem. Ela não consegue se controlar muito bem. Sei que ela está pegando no seu pé, eu farei de tudo pra isso não acontecer. 

– Obrigada. Eu só... Perdi o rumo agora. Quero ir pra casa ver minha família, mas não posso... Simplesmente não posso. Não vou nem no enterro dele. Eu o amava tanto. – ela recomeçou a chorar e logo que percebeu, Edu já a envolveu novamente. 

Depois de alguns minutos em silêncio, Cris se afastou, pegou o celular e guardou. 

– Preciso voltar pro meu quarto, já está tarde. 

– Eu posso te levar pra casa, se quiser. Eu tenho carro. Vamos no sábado e voltamos domingo. 

Aquela proposta a surpreendeu.

– Obrigada, mas é melhor não. Eu vou ficar bem. – ela ficou de pé. – Preciso ir.

Edu levantou também. 

– Antes de ir, quero te pedir um favor. Finja que essa nossa conversa não aconteceu. Ok? 

– O quê? Por quê? 

– Porque Yuki me odeia, Cristina. E minha namorada não gosta de você. Vai ser ruim nossos amigos saberem que andamos juntos. 

– Então você tá preocupado com a reputação? É mesmo um idiota! – ela revirou os olhos e saiu.

Eduardo a acompanhou com os olhos, sorrindo de um jeito cínico.


Notas Finais


E aí, pessoal? Digam-me oq estão achando!
Xoxo 😘


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...