História Surpresa Irresistível - Capítulo 5


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Personagens Personagens Originais
Tags Romance Erótico
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Palavras 6.141
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - 5


Quando meu despertador tocou às seis da manhã, parecia que eu tinha acabado de fechar os olhos.
Com o rosto debaixo do travesseiro, podia perceber que o quarto ainda estava escuro. Mesmo assim, também ouvia o eco das buzinas na cidade lá fora, o burburinho das pessoas que já encaravam a manhã fria a caminho do trabalho, faculdade ou seja lá o que os adultos fazem a essa hora.
Rolei para o lado, calculando em minha mente quantas vezes poderia apertar o botão de soneca sem me atrasar, quando lembrei exatamente onde eu estava... E com quem estava...
E o quanto me diverti na noite passada.
E a cama de quem provavelmente estava do outro lado, separada apenas por
uma insignificante parede.
Ele poderia estar na cama neste exato instante. Fechei os olhos e me permiti imaginar isso.
De repente, levantar e me arrumar para um dia inteiro com ele parecia mais importante do que dormir.
Pulei da cama e corri para o banheiro, tomando cuidado para evitar qualquer espelho no caminho. Hoje seria meu primeiro dia na conferência. Meu primeiro dia trabalhando ao lado do Niall Stella,aprendendo e sendo parte daquilo que ele fazia, e não apenas um vulto em seu
campo visual.
Depois da noite passada, passei a enxergá-lo de um jeito muito diferente. Ele ainda era o homem que preferia ficar a distância, observando e tomando nota sobre que estava sendo dito e como foi dito, mas também sabia ser um cara
simples, relaxado e engraçado, saindo com outros caras e tomando drinques num
bar. Sabia descontrair, ser sociável, rir de si mesmo e dos outros com sua maneira gentil.
Ele me provocou de novo – na frente de seu irmão – com seus olhos escuros brilhando com diversão e ternura. Senti meu estômago dar um nó e o coração
martelar no peito só de lembrar. Será que ele seria assim durante toda a viagem?
E se fosse, como eu resistiria a não cair a seus pés declarando meu amor? Ah!
Eu poderia pensar em centenas de maneiras para estragar tudo num dia normal de trabalho. Mas hoje? Cansada e sofrendo os efeitos do Jet lag?
Quem sabe o que poderia acontecer?
Eu praticamente sentia as bolsas pesadas debaixo dos meus olhos, mas mesmo assim um lampejo de adrenalina disparou por minhas veias. Meu coração
acelerava quando eu imaginava nós dois trabalhando pertinho um do outro, debruçados sobre algum arquivo na mesa, nossos ombros se tocando lado a lado
e seu cabelo macio caindo sobre a testa. Isso acabaria num desastre, com certeza.
Comida era a última coisa em minha mente, mas eu precisava dar o meu melhor hoje.

Liguei para o serviço de quarto e adorei ouvir a campainha apenas
alguns minutos depois de sair do banho.
O cheiro de café da manhã invadiu o quarto, e qualquer ideia sobre não estar com fome desapareceu imediatamente. Corri para a porta, parando para checar se estava tudo certo com meu roupão, pois era cedo demais para acharem graça
de qualquer gafe com meu vestuário.
Assinei a conta e estava fechando a porta, quando Niall Stella apareceu saindo
do elevador. Deus do céu.
Ele estava malhando.
– Bom dia, Ruby. Mantenha a compostura. Você consegue.
– Bom dia. Acordou cedo – eu disse.
Número de Vezes Em Que Vi Niall Stella Suado: uma.
Tentei olhar discretamente, mas era impossível ser sutil.
Eu achava que o Niall Stella sabia usar um terno, mas ele usava camiseta como se tivesse nascido para isso. Eu queria agradecer aos céus por aquela camiseta azul extremamente
apertada. Ele a vestia de um jeito tão casual. Totalmente sem malícia. Conhecendo a pessoa, deve ter escolhido por algum benefício aerodinâmico
complicado. E, Deus do céu, a camiseta fazia maravilhas com seu peitoral.
Ele tinha ótima postura, a barriga era reta, o peito definido e volumoso. Vestia um calção de futebol, e as pernas eram musculosas, como eu imaginava. Vê-lo assim desse jeito me deixou impressionada com seu tamanho novamente. Eu sempre fui alta e nunca estive perto de um homem que me fazia sentir tão miúda e feminina. Com essa proximidade e o frescor de seu suor entre nós, fiquei ciente
demais das minhas próprias curvas, minha boca, e o quanto ele se sobrepunha a mim por vários centímetros.
Sem esforço, tudo nele era drasticamente masculino.
– Você pediu batatinha no serviço de quarto? – ele provocou, fazendo um gesto
para meu roupão.
Olhei para baixo e comecei a rir.
– Eu estava pensando em vestir isso durante o mês inteiro, espero que não se importe. – Segurei o nó do cinto e percebi seus olhos seguindo o movimento. Meu Deus.
Eu queria esticar os braços e agarrá-lo, usando a gola da camiseta para puxá- lo para a cama. Ou talvez pudesse agarrar a barra suada da camiseta e usar para me apoiar enquanto ele me comia por trás... Oh.
Senti meu rosto corar.
Ele apoiou seu largo ombro na parede e me encarou.
– O vestido que você usou ontem era muito bonito. Você podia alternar entre os dois.
Eu ri.
– Eu... Espera um pouco, o quê?
Meus olhos se arregalaram enquanto eu processava aquilo. Seu rosto também estava corado, mas ele não desviou os olhos. Não fique afobada, Ruby.
Não estrague tudo.
– É uma boa ideia – eu disse, sentindo um sorriso enorme invadir meu rosto.
Fingi arrumar a saia do roupão descendo até as coxas. – Entra vento demais por aqui.
Concordando, ele pareceu morder a parte de dentro da bochecha para impedir
um sorriso.
– É o que parece.
Apontei meu polegar para a porta atrás de mim.
– Então... acho que vou vestir umas roupas de verdade.
– Certo. Vou tomar banho e encontro você lá embaixo,pode ser? – ele perguntou quando me virei para entrar no quarto.
Secretária Imaginária, por favor, acrescente “assistir ao Niall Stella tomando banho” na minha lista de coisas a fazer antes de morrer. E ponha no primeiro
lugar, se não for muito trabalho.
– Bom plano.
Ele assentiu uma vez.
– Vou ser rápido.
– Não – eu disse, alto demais, rápido demais. Fechei os olhos, respirando fundo para me acalmar. – Não tenha pressa.
Ele parou com o cartão de acesso inserido na maçaneta da porta de seu quarto e olhou sobre o ombro para mim. Seu pequeno sorriso mostrou que ele leu cada
pensamento em minha mente antes que eu tivesse a chance de colocar tudo em ordem.
– Está tudo bem? – ele perguntou num tom baixo.
– Sim. Só preciso de café.
Seus olhos brilharam com um deleite misterioso.
Como se gostasse do meu absoluto e desesperado tormento.
– Certo, então. Vejo você lá embaixo.
Que comecem os jogos, Mr. Darcy.

A descida do elevador foi a mais longa da minha vida. Contei cada andar que passava na tela, sentindo meus nervos aumentarem enquanto me aproximava do térreo. Niall estaria esperando por mim e depois andaríamos até o escritório temporário. Apenas nós dois. Sem distrações. Sozinhos. Nada de mais.
Só que era, sim, algo enorme. Era o começo de uma das experiências profissionais mais empolgantes da minha vida, e também um dia cheio com a
pessoa que eu tinha certeza que era o Homem Mais Maravilhoso do Planeta.
Ajeitei meu vestido, endireitei o colarinho da jaqueta e chequei tudo novamente: bolsa, notebook, celular, bunda e calcinha, tudo certo. Apesar do
nervosismo, eu ainda estava cansada. A bolsa do notebook parecia mais pesada do que de costume, a combinação de fadiga e tensão me deixava um pouco inquieta.
Chequei meu reflexo outra vez e subitamente comecei a questionar meu visual. Lá fora estaria frio, mas dentro do escritório provavelmente estaria quente demais, com o aquecedor ligado para compensar o clima de março. Escolhi botas que subiam até o joelho e com um salto considerável; seriam, ao mesmo tempo, confortáveis para andar e quentes o bastante, caso tivermos que ir até a
cidade para vistoriar as muitas estações de metrô sob nossa supervisão. Imprimi todos os arquivos e relatórios que precisaria. Eu estava pronta.
Mas ainda aterrorizada.
Cheguei ao saguão, comecei a procurar por Niall e logo o encontrei. Ele estava atrás de mim, perto da recepção e – Jesus, me salve – junto com o casaco
dobrado no braço, seu terno era de outro mundo.
– Putz, você fica bem de terno.
Pensei essas mesmas palavras centenas de vezes nos últimos meses. Milhares.
Eu as dizia para mim mesma quando passava por ele nos corredores; provavelmente possuía mais de uma fantasia sexual que começava com esse
exato comentário. Mas nunca, em nenhuma delas, ele engolia em seco, olhava para meu corpo e respondia com um:
– E você fica bem com qualquer coisa.
E então senti que imediatamente queria enfiar as palavras de volta na garganta e morrer.
Perdão?

Quando eu era pequena, eu tinha uma Lousa Mágica. Passava horas olhando
para aquela moldura vermelha e tela cinza, girando os botões para rabiscar sempre que meu ônibus atrasava ou quando voltava para casa. A maioria das
pessoas fazia desenhos ou jogava algum jogo, mas eu tinha obsessão em desenhar meu próprio nome e aperfeiçoar a arte de desenhar cada letra sem
deixar aparecer as linhas que as conectavam.
Minha mãe dizia para desenhar outra coisa, que eu iria marcar a tela com aquelas letras se continuasse a fazer a mesma coisa toda vez. E ela estava certa.
No fim, por mais que eu sacudisse a moldura querendo apagar a imagem, uma sombra das letras permanecia na tela.
Eu sabia que agora seria exatamente a mesma coisa: essa frase ficaria marcada em minha alma para sempre.
E você fica bem com qualquer coisa.
Niall Stella realmente falou isso? Será que eu estava tendo um derrame? Será que conseguiria pensar em qualquer outra frase pelo resto da vida?
Quando acordei do transe, percebi que ele já tinha começado a andar e estava
quase saindo. Acelerei meus passos e o segui para fora do hotel, virando à esquerda na Rua 56.
E você fica bem com qualquer coisa.
– ... recebeu tudo? – ele disse, e pisquei de volta paraa realidade.
– Desculpe, o que você disse? – perguntei, tentando acompanhar suas longas passadas. É sério, andar ao lado dele era como galopar ao lado de uma girafa.
– Perguntei se minha assistente, Jo, enviou tudo para você. Se tudo chegou bem. Normalmente eu não enviaria coisas para você, já que não está trabalhando para mim aqui, mas achei que seria melhor se estivéssemos no
mesmo compasso.
– Oh, sim, sim – eu disse, concordando. – Os e-mails chegaram ontem logo
depois que aterrissamos. Ela é muito... eficiente.
Niall Stella olhou para mim com seus cílios obscenamente longos.
– É verdade.
– Desde quando ela trabalha com você? – perguntei, minha voz soando um pouco distraída, até mesmo para meus próprios ouvidos. Nunca estive com ele
sob a luz do dia desse jeito, e estava me sentindo um pouco atrapalhada com o quanto ele era bonito: sua pele era maravilhosa, clara, macia e absolutamente impecável. Estava óbvio que ele se barbeou sem pressa e tudo era perfeito, até mesmo as costeletas. Fiquei imaginando se ele media com uma régua.
Ele pensou um pouco.
– Quatro anos em 12 de setembro.
– Uau. Isso foi... específico.
Ele sorriu e pegou seu celular.
E você fica bem com qualquer coisa.

O ar estava gelado em meu rosto e fechei os olhos, agradecida pela brisa matinal. Ajudou a clarear minha cabeça enquanto andávamos pelos primeiros
quarteirões antes de virar à direita na Sexta Avenida.
Apenas agora me ocorreu que esta era minha primeira manhã em Nova York.
Londres era enorme e você se sentia numa cidade grande. Mas sempre tive a sensação de ser um lugar que existia há séculos, que as árvores e os prédios e até
mesmo as calçadas não haviam mudado desde que foram criados. Nova York claramente tinha seus prédios antigos, mas muitas coisas eram modernas e
novas, muito aço e vidro se estendendo até as alturas. Parecia um constante ciclo
de renascimento. Andaimes envolviam a maioria das calçadas e nós simplesmente passávamos por baixo ou seguíamos setas para contorná-los. Tentei usar esse tempo para revisar o que poderia acontecer hoje: marcar reuniões com as autoridades locais, apanhar a agenda completa de todos os
palestrantes e compilar uma lista de quais estações precisam mais de reforma.
Mas eu não conseguia me concentrar, e sempre que o som do trânsito diminuía e meus pensamentos finalmente começavam a se organizar, Niall
desviava de alguém e raspava meu ombro. Ou apontava para uma tábua solta na calçada e tocava meu braço para avisar. Andamos por cinco minutos, e se
alguém perguntasse em que eu estava pensando, eu gaguejaria algo sem sentido e ficaria rindo sem graça.
Chegamos à esquina e esperamos o sinal abrir. Niall guardou o celular no bolso
e ficou a uma distância respeitável de mim, mas perto o bastante para que o braço de seu casaco tocasse em mim quando ajeitei minha bolsa no ombro.
A manhã estava fria e sua respiração soltava uma nuvem de condensação sempre
que exalava. Precisei me forçar para não ficar olhando vidrada os seus lábios, e a maneira como a língua aparecia para umedecê-los.
Quando o sinal abriu, a multidão começou a andar na nossa frente, e senti sua mão pressionando nas minhas costas para que eu andasse. Sua mão nas minhas costas... a apenas alguns centímetros da minha bunda. E
se fosse pegar na minha bunda, era basicamente o mesmo que se tocasse entre as pernas. Então, sim, meu cérebro reagiu como se o Niall Stella estivesse
tocando meu clitóris e eu quase tropecei e caí de cara na rua.
Chegamos no outro lado, e ele pareceu fazer um esforço consciente para diminuir o passo.
– Você não precisa ir mais devagar – eu disse. – Consigo acompanhar.
Niall Stella sacudiu a cabeça.
– Perdão? – ele perguntou, fingindo que não tinha entendido. Então, primeiro:
ele estava tentando ser educado e não apontar que minhas pernas curtas não conseguiam acompanhar as dele. E segundo: ele era um péssimo mentiroso.
– Você tem uns dois metros, com pernas que são o dobro das minhas. É claro que vai andar mais rápido que eu. Mas eu consigo acompanhar, prometo que não vou fazer você ir mais devagar.
Seu rosto ganhou um toque de vermelho e ele sorriu.
– Você quase caiu ali atrás – ele provocou, mostrando a rua atrás de nós. Meu coração acelerou, e não tinha nada a ver com a corrida pelas ruas de Nova York.
– Eu estava tentando fingir que aquilo não aconteceu – eu disse, rindo. Ainda bem que ele manteve o olhar para a frente, pois meu sorriso se abriu tanto que podia até rachar meu rosto em dois. – Para o inferno estes sapatos chiques, da próxima vez vou usar tênis.
– Não são nada mal – ele disse, fazendo um gesto com a cabeça em direção às minhas botas. – São bonitos, na verdade. Eu lembro que a Portia usava o salto
mais alto possível, mesmo em viagens. Ela... – Ele parou, olhando para mim como se percebesse que eu não saberia de nada disso. – Desculpe. Vou não chatear você com os detalhes daquilo.
Espera aí, como é?
Mesmo de perfil, eu podia ver suas sobrancelhas se juntando. Ele claramente não pretendia despertar nenhuma lembrança, mas eu não podia negar que uma
parte secreta de mim adorou esse deslize. Esse lampejo em que ele se permitiu entrar num lugar confortável onde baixava suas defesas, mesmo que fosse por apenas um momento.
– A Portia era sua esposa? – perguntei, mantendo um tom de conversa casual.
Definitivamente sem mostrar que eu estava destrinchando cada palavra dita.
Ele havia mencionado ela antes no avião, mas não tinha falado o seu nome.
Andamos mais alguns passos antes de ele assentir, sem acrescentar mais nada.
Apenas tive contato com a ex - Sra. Stella de passagem, mas não sabia quem era e, portanto, não pude notar cada detalhe. Ouvi histórias aqui e ali, mas nada de
mais. Era como se houvesse uma regra implícita sobre fofoca no escritório: um pouco pode ser aceitável, mas muitos detalhes seria mau gosto.
Passamos por um trio de lindas estátuas de bronze em frente a um arranha-céu, uma delas ao lado do edifício, e duas no outro lado.
– Estas estátuas representam a Vênus de Milo – eu disse, apontando para elas.
– São chamadas de Mirando sempre a avenida. Ele seguiu meu olhar.
– Mas elas não têm cabeça – ele notou. – Não estão mirando nada.
– Não falei isso – eu disse. – Os peitos é que são ótimos.
Niall fez um som como se estivesse engasgando.
– O que foi? – perguntei, rindo da sua expressão. –São mesmo! A cidade recebe um monte de reclamações por causa disso.
– Por causa dos peitos ou da falta de cabeça? – ele perguntou.
– Talvez as duas coisas.
– Como diabos você sabe tudo isso? Você disse que nunca esteve aqui.
– Minha mãe tem uma fascinação romântica por Nova York. Eu poderia ser sua guia turística e ficar enchendo sua paciência com um monte de informações aleatórias.
– Parece ótimo – ele disse, mas o tom de voz saiu estranho. Ele estava sendo sarcástico, ou...?
Oh, meu Deus.
Parei de repente, e Niall Stella precisou se virar.
– O que foi? – ele perguntou, olhando para a frente, tentando enxergar o que havia chamado minha atenção. – Está tudo bem?
– É o Radio City Music Hall – ofeguei, continuando a andar mais rápido.
– Icônico – ele concordou, com um toque de confusão em sua voz e facilmente alcançando minhas passadas.
– Eles fazem um show aqui no natal e minha mãe vai morrer quando souber que estive tão perto. – Minhas luvas deixavam quase impossíveis conseguir pegar qualquer coisa enquanto eu buscava meu celular no bolso do casaco. – Você tira uma foto pra mim?
Pela reação dele, parecia que eu tinha pedido para me desenhar nua.
– Não posso... – ele disse, depois sacudiu a cabeça, olhando ao nosso redor. – Quer dizer, não podemos simplesmente parar aqui.
– Por que não?
– Por que...
Ele não disse “não vale a pena”, mas seu rosto dizia tudo.
Olhei para as pessoas ao redor fazendo exatamente a mesma coisa.
– Ninguém está prestando atenção em nós. Poderíamos provavelmente nos beijar loucamente e ninguém iria notar.
Seus olhos se arregalaram antes de suspirar e apanhar seu celular.
– Vou tirar com o meu e depois envio pra você. O seu celular tem pedrinhas femininas demais pro meu gosto. – Um pequeno sorriso surgiu no canto de sua
boca. – Olhe pra mim, sou masculino demais para ser visto segurando seu celular.
Tive um vislumbre disso na noite passada, mas adorei ver de novo: Niall Stella era educado, brilhante, refinado e discreto, é verdade, mas Niall Stella era capaz de ser um cara, e sabia muito bem ser charmoso.
Eu sabia que estava abusando da sorte, mas, putz, ele ficou tão fofo parado ali, no meio de um mar de turistas passando ao redor enquanto preparava a câmera.
Ele podia até ter protestado, mas a expressão em seu rosto quando tirou a primeira foto o fez parecer... Encantado?
– Certo – ele disse, depois virou o celular para me mostrar. – Ficou boa.
– Venha aqui. – Ele se aproximou e eu apanhei seu celular, examinando a foto.
– Vamos tirar uma juntos – eu disse, segurando o celular na nossa frente.
– O quê... – ele começou a falar, mas pensou melhor.– Seu braço não é longo o bastante.
– Você está brincando? Sou ótima em tirar selfies. Só...dobre um pouco o joelho para minha cabeça não ficar grudada no seu ombro, o que não é algo
ruim, não me entenda mal, mas...
– Não acredito que estou fazendo isso – ele disse, tirando o celular da minha mão.
– Prometo que não vou contar ao Max que você tirou uma selfie na Sexta Avenida – sussurrei, e ele virou a cabeça, me olhando nos olhos.
Ele ficou apenas alguns centímetros do meu rosto. Ficamos praticamente casados ali. Niall olhou em meus olhos por mais alguns segundos antes de limpar a garganta.
– Vou cobrar isso.
Foi preciso tentar algumas vezes até encontrar o ângulo certo, e para a última, ele envolveu o braço na minha cintura e me apertou forte.
E foi assim. Eu mentalmente acrescentei um número “um” para o “Número de Vezes Em Que Niall Stella Envolveu os Braços na Minha Cintura e Me Puxou Para Perto”.
Fiquei sabendo naquele instante como seria celebrar o natal e os
aniversários, e as promoções de trabalho e ter o melhor orgasmo da minha vida, tudo ao mesmo tempo.
Ele olhou para a foto e virou a tela para que eu pudesse ver. Era uma boa foto, uma ótima foto, na verdade. Nós dois sorrimos; a câmera nos pegou no meio de uma risada quando ele tentou bater a foto com luvas.
– Qual é o número do seu celular? – ele perguntou, olhando para a tela.
Percebi seu rosto corar ainda mais do que já estava por causa do frio.
Passei o número enquanto ele digitava. Ele apertou o botão enviar e sorriu para mim: um pouco tímido, um pouco divertido, um pouco algo mais que eu não sabia se estava pronta para acreditar. Naquele momento, ele não se parecia em
nada um vice-presidente, ou uma paixonite intimidadora, ou um homem que terminou a faculdade antes dos vinte anos. Apenas parecia um cara lindo, no
meio da rua, ali comigo.
No bolso do meu casaco, meu celular tocou.
Tentei não pensar no fato de que agora ele tinha fotos minhas, e de nós dois juntos, em seu celular. Tentei não pensar no fato de que agora ele tinha meu
número de telefone. Tentei não pensar no quanto nos divertimos quando parei de
me preocupar sobre como agir perto do Niall Stella, e apenas comecei a aproveitar esse momento espontâneo com o Niall. Apenas Niall.
Quando ele guardou o celular e fez um gesto para eu segui-lo ao atravessar a rua, notei seu enorme sorriso.
Tentei não pensar sobre o quanto ele também parecia estar muito animado com tudo isso.

Nosso escritório temporário ficava num andar vazio de um grande edifício comercial. Toda a suíte fora alugada como escritório temporário para consultores visitantes pelo Gabinete de Transporte Metropolitano. É verdade que a cavalo dado não se olha os dentes, mas honestamente: nosso escritório tinha o tamanho
do banheiro do meu hotel, e o aquecedor estava claramente ligado no modo “expiação dos pecados no inferno”.
A janela não abria, e descobrimos isso só depois do Niall passar uns cinco minutos tentando abrir.
Ele definitivamente roubou minha atenção durante esse tempo. Seus ombros largos precisavam de um nome próprio: Niall Stella e os Deltoides.
E você fica bem com qualquer coisa.
Um escritório pequeno demais significava que Niall ficaria perto de mim o dia todo, tornando impossível me concentrar em qualquer tarefa simples. E quente demais significou que em menos de uma hora ele tirou o blazer do terno e – depois de ficar visivelmente consternado – afrouxou a gravata e abriu um botão
da camisa. Também dobrou as mangas até o cotovelo.
Se eu pudesse, provavelmente subiria o termostato mais uns dez graus para dar uma olhada em seu peito nu.
Nota relevante: nunca me deixe no comando de nada.
Nunca vi seus braços antes (o que tirou o zero na coluna “Número de Vezes
Em Que Vi os Braços Nus do Niall Stella”) e, como esperado, sua pele era perfeita: braços torneados e pulsos terminando em dedos longos e finos. Sendo o
mais discreta possível, observei os músculos flexionando quando ele digitava, quando girava a caneta enquanto pensava, como os tendões das mãos se
apertavam quando ele batucava os dedos no braço da cadeira.
Niall Stella era uma pessoa inquieta.

Não conversamos muito enquanto trabalhávamos em nossas respectivas mesas, abrindo caixas e arrumando as coisas. Para o almoço, descemos na rua e topamos com um vendedor de cachorro-quente na esquina. Foi preciso um pouco
de persuasão da minha parte.
– Precisamos ficar na fila mais longa – expliquei, esperando pacientemente pela minha vez. – Você nunca assistiu o Food Network? Você percebeu que na
outra barraquinha tem apenas duas pessoas, mas nesta aqui tem um fila grande? O da fila pequena provavelmente vende churrasquinho de gato.
Ele suspirou, murmurando algo com seu sotaque delicioso sobre como estaria morto até o fim do dia, e também lançando um “Você chama isso de batatinha?”.
– Realmente, não sei como o seu irmão sobrevive numa cidade com tão pouco a oferecer – provoquei.
– Nem eu.
– O que você está fazendo? – perguntei, impedindo que ele passasse uma mostarda chique com cor de vômito em cima do pão. Pelo amor de Deus, tinha
até sementes naquilo.
Ele arregalou os olhos para mim, segurando o frasco no ar como se não estivéssemos falando a mesma língua.
– Você não pode passar isso num cachorro-quente de rua – eu disse. – Você vai preso.
– Você pode gostar dessa “mostarda” genérica com cor artificial – ele disse, e eu podia praticamente ver as aspas suspensas no ar – e eu vou usar a minha mostarda. – Nosso recém-casamento já precisava de um pouco de terapia.

Soltei vários gemidos de satisfação enquanto comia o cachorro-quente, só para
provar meu argumento: o meu era muito melhor do que o dele.
Niall fechou os olhos para esconder uma risada e sacudiu a cabeça para mim.
– Sabe – eu disse, depois de engolir uma mordida gigante –, se eu não flagrasse ocasionalmente esse sorrisinho que você tenta esconder, eu acharia que você é a pessoa mais disciplinada do planeta, ou é um replicante, ou então usa botox.
– É botox. – Ele deu uma grande mordida no cachorro-quente.
– Eu sabia. Você mal consegue esconder sua vaidade.
Ele riu e quase engasgou, depois roubou o guardanapo da minha mão.
– Exatamente.

Quando voltamos para o escritório, com as linhas de telefone ainda desconectadas e o aquecedor ainda forte demais (acho que cheguei a reclamar que estava derretendo), não conseguimos realmente trabalhar. As reuniões
começavam no dia seguinte e arrumamos algumas caixas de arquivos, mas nós dois estávamos distraídos – por razões diferentes, tenho certeza. Às duas da tarde ele já estava se preparando para ir embora.
Niall tinha planos para revisar e telefonemas a fazer, e tudo isso podia ser feito no hotel.
Caminhamos de volta em silêncio, do outro lado da rua do Radio City, mas eu podia jurar que seus lábios quase sorriram quando passamos por lá.

Na manhã seguinte, acordei antes do despertador, ansiosa para começar o dia e – patética, do jeito que sou – caminhar até o trabalho com um certo alguém.
Mas no meu celular, ao lado de uma mensagem do meu irmão e três da Lola, havia uma mensagem desse Alguém:
Chame um carro e vá sem mim. Tenho algumas coisas para fazer e chegarei mais tarde.
A esperança dentro do meu peito esfarelou-se como uma bolacha seca.
Respondi que o encontraria lá e depois caminhei os poucos quarteirões ao invés de chamar um carro, escolhendo um caminho diferente e tirando algumas fotos para minha mãe. Quando cheguei, o escritório ainda estava sufocante, e dei
graças a Deus por ter escolhido uma blusa de manga curta e por ter sido esperta e deixado o collant de lado. Afinal, não precisaria parecer levemente mais magra para ninguém, de qualquer maneira.

Ficar sozinha na sala foi realmente entediante, mas o telefone estava funcionando e finalmente pude trabalhar um pouco, assegurando ao Tony que
tínhamos chegado e tudo estava em ordem, além de conhecer algumas das outras pessoas que compartilhavam o escritório. Niall apareceu e entrou na sala
por volta do meio-dia, carregando várias sacolas.
Ele descarregou tudo sobre sua mesa e cadeira, e eu fiquei olhando com curiosidade.
– Bom dia – ele disse, pendurando o casaco num gancho perto da porta. – Ou
melhor, boa tarde. E pelo visto ainda está quente como o inferno aqui.
– Liguei para a administradora e amanhã alguém virá para consertar, mas pelo menos não tirei minha calça ainda, então você está com sorte.
– Isso é discutível – ele murmurou.
Ou pelo menos foi o que achei que ouvi.
– Como?
Ele me ignorou, colocando uma grande sacola de compras sobre a mesa e se distraindo com o conteúdo. Hoje ele estava usando óculos. Bom Deus. Em
qualquer outra pessoa, aquela armação em particular – com aros pretos e uma tira cromada nas hastes – significaria uma certa atitude cuidadosamente
escolhida de acordo com a moda. Mas eu sabia que o Niall Stella se vestia impecavelmente porque comprava só as melhores coisas, e provavelmente tinha
um alfaiate extremamente perfeccionista – e não porque prestava atenção em modinhas.
– Uma mulher escolheu a armação dos seus óculos –eu disse, apontando para seu rosto.
Ele tirou os olhos da sacola e deixou uma pasta na mesa, parecendo confuso.
– Desculpe?
– Uma vendedora escolheu essa armação. Você entrou numa loja, ela apareceu numa fração de segundo porque... – olhei para ele de cima a baixo mostrando a razão óbvia – ... e ela insistiu em encontrar a armação certa para
você.
Ele me estudou por alguns segundos e depois ergueu sua mão gigante e esplêndida para baixar os óculos e perguntou:
– O que significa isso? – Ele repetiu meu gesto, com seus olhos sobre meu corpo e a boca tentando impedir um sorriso.
– Significa “um gostosão entrou na loja e ele não tem uma aliança no dedo?”.
É como amarrar cachorro com linguiça.
– Como você sabe que quando comprei os óculos eu não estava usando aliança?
Ele estava me testando. E se divertindo. Putz, Niall Stella ainda estava flertando hoje.
– Você está menosprezando minhas habilidades de dedução. Está achando que eu não conheço a sua linha do tempo? Achei que você já sabia que minha esquisitice ultrapassa todos os limites.
Ele ergueu uma sobrancelha como se pedisse para eu continuar.
– Você comprou esses óculos em novembro. – Ele esperou pela próxima informação. Aquela que me fazia parecer completamente insana. – Certo, aqui vai – eu gemi. – Você parou de usar aliança em setembro.
Ele riu, colocando os óculos de volta e voltando a vasculhar a sacola.
– Você acha que eu sou esquisita? – perguntei com a voz mais fraca do que pretendia.
Ele ajeitou os óculos de novo e passou os olhos sobre meu rosto antes de murmurar:
– Sim, esquisita num bom sentido. Acho que você é inesperada, e eu raramente me surpreendo com as pessoas. Acho você uma pessoa realmente
rara.
Rara? Isso era definitivamente um adjetivo interessante.
Antes de ter uma chance de responder – e, sejamos honestos, eu provavelmente demoraria uma década – ele se levantou, sorrindo.
– Eu trouxe uma coisa para você. Percebi que já era hora do almoço, então... – Ele apanhou uma sacola branca e melada e tirou um cachorro-quente lá de
dentro. Coberto com mostarda normal.
– Você se rebaixou até o meu tipo de mostarda barata– eu murmurei, aceitando o cachorro-quente.
– Como não poderia? Você gemia de prazer em cada mordida ontem.
Só agora me ocorreu como aquilo devia ter soado.
– Eu...
– E até que o cara da manutenção apareça... – Ele puxou uma caixa da sacola
para revelar um grande ventilador de mesa.
– Você trouxe um ventilador?
– Não queremos que você se derreta toda, não é mesmo?
E foi assim. Finalmente com coragem suficiente, eu me levantei, dei a volta
em sua mesa e fiz aquilo que há meses eu queria fazer: arrumei sua gravata. Não me apressei, usando a oportunidade para ajeitar o nó e alisar o tecido sedoso descendo pelo peito.
Ele segurou a respiração e eu esperei, achando que tinha passado dos limites,
achando que tinha estragado esse pequeno progresso sendo ousada demais. O silêncio se agigantou sobre nós, crescendo cada vez mais pesado com cada tique do relógio.
– Obrigada pelo almoço – sussurrei.
– Imagina. – Um breve sorriso, um lampejo da covinha, e depois sua expressão ficou séria e seus olhos encontraram os meus durante uma pequena eternidade.
Finalmente – e enquanto meu pulso martelava na garganta – Niall tomou minhas mãos e as moveu subindo por seu corpo. Pude sentir seu torso, os planos
definidos da barriga sob o tecido da camisa, e então o peitoral rígido.
Agora foi a minha vez de segurar a respiração. A possibilidade de algo acontecer entre nós passou de uma adorável pequena fantasia para um novo tópico da minha agenda chamado “Número de Vezes Em Que o Niall Stella
Levou Minha Mão ao Seu Peito”. O que estávamos fazendo?
O leve aroma de seu perfume pairava no ar, além de um toque do café quente e a tinta fresca de um escritório em algum ponto no mesmo andar. Cheguei mais
perto lentamente, meu corpo se movendo por impulso, meu cérebro já não estava mais no controle de nada.
Ele também se aproximou, em pequenos movimentos hesitantes que fez o espaço entre nós desaparecer.
Seu nariz raspou na ponta do meu e pude enxergar seus cílios, sentir sua respiração sobre meus lábios. Fechei os olhos, sem saber se poderia ficar tão perto assim, vendo essas coisas, e continuar sendo a mesma
pessoa depois disso.
– Você vai me beijar? – perguntei, surpreendendo a mim mesma quando as
palavras escaparam da minha boca.
Seu peito estava pressionado contra o meu, mas ele não fez o que eu esperava que faria. Ele se afastou apenas o suficiente para olhar em meus olhos.
– Acho que eu não conseguiria parar – ele suspirou.
Botão interno de sobrevivência? Este não é um exercício.
– Talvez eu não queira que você pare. – Suas sobrancelhas se ergueram, mas ele não disse nada, apenas esperou que eu continuasse. Eu não sabia se
conseguiria falar, mas no fim consegui. – Já pensei muito sobre este exato momento, e o que eu faria ou diria.
Ele se afastou ainda mais para estudar meu rosto.
– Você pensou?
Fechando os olhos, admiti.
– Já faz vários meses.
Dessa vez suas sobrancelhas desaparecem sob a franja e continuei:
– Eu achava que sempre seria apenas uma paixonite. Nunca realmente achei que iríamos passar qualquer tempo significativo juntos. Mas aqui estamos nós, juntos por bastante tempo e nosso flerte é divertido, mas estou prestes a enlouquecer completamente... – Levantei o rosto, encontrando seus olhos
arregalados. Minha boca havia se adiantado e deixado o cérebro para trás.
Fechei os olhos novamente, gemendo de frustração.
– E agora eu deixei você constrangido.
Quando olhei novamente para o Niall, ele ainda estudava o meu rosto, com uma expressão suave.
– Não deixou. De jeito nenhum. Estou apenas... Desacostumado.
– Desacostumado com garotas admitindo que gostem de você? – Tentei rir casualmente, mas a risada saiu completamente constrangedora, mais um latido
do que uma risada. – Difícil de acreditar.
– Bom – ele disse, dando um passo atrás e encolhendo os ombros como se pedisse desculpa –, mas é verdade.
Como já disse antes, a Portia é a única mulher com quem... quer dizer, nunca tive mais ninguém, entende? – Ele passou a mão em sua nuca. – Além de estarmos numa situação de trabalho e que acabamos de nos conhecer, tem esse fato. Eu me sinto um pouco fora do meu ambiente aqui.
Meu queixo caiu. Quer dizer que o Niall Stella, o cara charmoso com um corpo que gritava Transei-Com-Todas-As-Deusas-Do-Sexo-Do-Mundo estava
diante de mim dizendo que ficou com apenas uma mulher a vida inteira? Eu sabia que ele conheceu a Portia quando era pequeno, mas a ficha de que ele
tinha transado apenas com ela não tinha caído. Nada de namoros no colégio.
Nada de anos na faculdade cheios de sexo selvagem. Nada de passar os vinte e poucos anos com uma mulher diferente a cada noite.
Zero sementes plantadas.
Eu podia praticamente sentir minhas sinapses se reorganizando.
– Então, veja só – ele disse, sorrindo um pouco –, se tiver algum interesse em
mim de verdade, você tem que entender que estou praticamente tateando no
escuro.
E nesse momento, quando eu esperava que ele fosse continuar me olhando nos olhos, que fosse pegar na minha mão e apertar, ou fazer qualquer outra coisa
para manter o clima – ou ao menos reconhecer que um clima aconteceu –, ele desviou os olhos, virou para sua mesa e começou a ler um relatório até que
murmurei algo sobre precisar usar o banheiro e saí da sala.



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