História Surrender - Capítulo 51


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Categorias Kuroshitsuji
Personagens Aleister Chamber (Visconde de Druitt), Alois Trancy, Bardroy "Bard", Ciel Phantomhive, Claude Faustus, Elizabeth Midford, Finnian "Finny", Grell Sutcliff, Mey-Rin, Personagens Originais, Pluto, Sebastian Michaelis, Sr. Tanaka, Undertaker, William T. Spears
Tags Anjo, Black Butler, Demônio, Hentai, Manipulaçao, Sebastian Michaelis
Visualizações 91
Palavras 1.965
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Hentai, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Aqui está o capítulo, como prometi, último que vou postar antes de ir de férias para o Japão.
São 3 semanas que vou ficar longe de tudo e de todos!
Mas logo, logo eu regresso.

O título do capítulo é o título de uma música dos My Chemical Romance porque algumas partes da música fazem tanto sentido com este capítulo.
E quem já conhece a música já deve estar praí de sobrancelha erguida.
Para quem não conhece, eu sugiro irem ver um lyrics video ou assim e depois voltarem. É um preparo psicológico?

A imagem do cap fui eu que fiz! Demorei imenso tempo, bem mais do que da outra vez. Eu quis fazer realismo e acabou que as mãos e as roupas estão bastante boas, mas as caras dão-me agonia visual.
Mas, pronto, foi a minha homenagem para o Nathan, este desenho.

Capítulo 51 - The light behind your eyes


Fanfic / Fanfiction Surrender - Capítulo 51 - The light behind your eyes

Evangeline percorria o caminho de volta para a mansão num estado semelhante a sonambulismo. Por isso, e porque já o rio longe corria, estava completamente alheada da luta que lá ocorria. A cada passo que dava, uma nova lesão surgia no corpo do seu irmão e ela nem ao menos desconfiava disso.

O seu transe era de tal forma que demorou a notar a presença de Ash. Não ouviu o bater das suas asas, nem o ar que soltou numa expiração ruidosa, uma censura. Apenas o som do desembainhar de uma espada arranhou os seus entorpecidos sentidos. Voltou-se, os olhos muito arregalados de susto, e viu o anjo caído atrás dela. O terror roubou-lhe a voz por segundos. Ela sabia para o que Ash viera.

- E então… mataste o demónio? – Questionou, mas pelo tom soturno da voz, Evangeline soube que ele já conhecia a resposta.

- Não. Eu tentei, mas não fui capaz… - Engoliu em seco e cerrou os punhos, desgostosa da sua própria cobardia. E, apesar do coração parecer que lhe ia saltar da garganta, levantou os olhos, encarando os violeta frios do seu algoz e confessou: - Na verdade… eu não quis. Eu amo-o… provavelmente estou louca, mas essa é a verdade. Quero salvar Ciel, quero fazer o bem, e estimo Deus como meu Pai, mas não irei matar Sebastian.

Ash não parecia impressionado com a honestidade de Evangeline. Semicerrou os olhos e o rígido maxilar mal se abriu para lhe oferecer a sentença.

- Não és digna de te denominares filha de Deus. Pecaste mais que todos esses humanos porcos, que esses anjos iludidos que se acham virtuosos… porque amas um inimigo do Criador, uma criatura fétida. Ele injectou no teu coração tão negro veneno que já nem há qualquer luz nas tuas íris. Não mereces existir! – Os seus dedos longos tamborilaram na lâmina da espada, que erguia lentamente. Com esta visão, toda a coragem que restava à jovem se esvaiu e viu-se de joelhos, a pedir clemência.

- Senhor Ash, por favor, não me condene assim. Torture-me, que assim me castiga, mas não me mate. – Repudiava-a a ideia de ser punida por alguém que era mais pecador que ela, impiedoso e cruel. Ela perdia-se por amor, mas ele obtinha prazer igual na violência. Enojava-a, assim, o seu pedido, mas a paixão pela vida era tanta, era tão hedonista, que não hesitou em humilhar-se.

- Implora, arrasta-te aos meus pés como verme das trevas que és, nada me vai fazer ter piedade. Porque isso seria pecar. Não há nada pior que fechar os olhos à podridão do mundo, que é o que eles… - Apontou com a espada para o Céu. – Fazem. Excepto amar a própria podridão, isso é o cúmulo.

Evangeline não teve tempo para pedir mais nada, a espada de Ash cruzou o ar, quase lhe cortou o pescoço. Foi por pouco que se desviou. E gritou, porque o “nada”, o eterno esquecimento, passou tão rente a ela que Evangeline podia jurar que lhe sentira o toque. Correu para longe do seu carrasco. Desenvolveu as suas semidecompostas asas e levantou voo, não sem dificuldade. Virava-se para trás, de quando em vez, e verificava que Ash a perseguia. Era tão veloz que a anjinha desistiu de fugir e procurou abrigo e camuflagem no meio das árvores. Pousou e, como num jogo de escondidas, freneticamente procurou local que a ocultasse dos olhos vis.

- Foge, desgraçada, é o que todos fazem depois de provarem do fruto proibido. Mas a justiça sempre os encontra. – Foi o que a loira ouviu, escondida atrás do tronco de uma árvore grossa. “Meu pai, deixe-me viver!” Rezava, com lágrimas nos olhos.

A espada de Ash retiniu junto do seu ouvido, foi espetar-se na cortiça. Evangeline mais uma vez tentou escapar da feroz presença, mas Ash puxou o seu vestido e ela despenhou-se. O anjo caído ia, assim, espetar a espada nas costas de Evangeline, matando-a como a um borrego, quando foi surpreendido por uma lancinante dor na mão direita. Deixou cair a espada, olhou a mão ensanguentada. Nela havia-se espetado uma lança prateada em forma de pluma.

- Quem se atreve a usar uma arma divina contra um puro?! – Protestou, sentindo-se afrontado. Ao ver Nathan, um sorriso retorcido indecifrável, podia ser tanto de amargura quanto de satisfação, veio-lhe aos lábios. – Oh, tomas o partido dela, não é? Pois digo-te o que lhe disse! Quem ama impuros não tem perdão nem futuro. Se não queres repousar em eterna escuridão, ajuda-me a matá-la e talvez te conceda perdão.

- És louco! Não ousaria erguer contra a minha irmã um dedo que fosse, quanto mais a espada. – Gritou Nathan, Evangeline pôde contar-lhe quatro espaços vazios na boca, dentes perdidos. Mas não sabia que havia de pensar disto, uma vez que não entendera ainda que o seu anjo da guarda tinha corpo.

- Tanto pior! – Ash encolheu os ombros. Avançou em direcção ao que queria expurgar. Nathan tentou buscar mais das suas lanças benzidas mas o outro não lhe deu chance. Com um golpe vigoroso, cortou a mão do anjo guardião, foi quase uma retaliação. Nathan agarrou a mão parcialmente decepada, dobrou-se cheio de dores. Não deveria ter-se distraído, mas quem o pode recriminar? As veias palpitavam, sangrando essência vermelha, tornando-o escravo do suplício.

- Nathan! – Evangeline gritou, ao perceber que o irmão tinha forma física como ela e era passível de sofrer. – Pare! Pare! – Correu até Ash e enganchou-se-lhe toda no braço que empunhava a espada. Uma borboleta que lhe pousasse ali não provocaria menor incómodo. O albino nem ao menos quis ter o trabalho de a sacudir. Pouco disposto a brincar, porque de joguinhos de tortura era Ângela a perita, não ele, deu a facada fatal na barriga daquele que considerava imoral.

Nathan abriu a boca, mas dela não saiu nenhum som, parecia que o seu grito tinha sido roubado pela irmã, essa sim gritava, horrorizada, enquanto via o seu anjo guardião caindo de joelhos, esvaindo-se em sangue. Ash humedeceu os lábios com a língua, deliciando-se com o cenário de miséria que causara. Era sádico, como dissemos, e a violência abalava-o de gozo.

Evangeline esqueceu completamente a maligna presença de Ash. Lançou-se ao chão e virou o irmão, que, muito contra vontade, se ia deixando vencer. No rosto lívido tinha estampada a frustração de querer mover as pernas e os braços mas os músculos não lhe obedecerem. Tremia, porque o calor do seu corpo o abandonava.

- Nathan, Nathan… - Insistia em chamá-lo, traçou o seu rosto com os dedos, tentando acordá-lo. O moribundo descerrou as pálpebras, mas não conseguia ver da irmã mais que uma imagem desfocada. – Como sangras? Porquê? O que fizeste? Isto não pode estar a acontecer, não pode. – Com as mãos em concha apertou a ferida do anjo e tentou estacar o fluxo de sangue que mais e mais o debilitava. Mas as suas pequenas mãos nada conseguiam fazer, então rasgou, tremendo toda, mais um pedaço do seu vestido, desta vez bem maior, e cobriu com ele o abdómen estilhaçado do irmão. Se resultara uma vez, resultaria outra, era no que queria acreditar. E foi grande a sua fé até ao fim. – Não me abandones… - Sussurrou, chorando.

O rosto de Nathan tinha perdido toda a cor, estava agora mais pálido que cera, e as manchas roxas que tinha em volta dos olhos fazia parecer que já tinha falecido. Lutava para viver, mas era batalha injusta, como todas as que travara naquela noite. Que seria da sua pequena Evangeline? Como poderia cuidá-la se se deixasse apagar daquele mundo e do outro? Agarrava-se à sensação da mão quente da mais nova na dele, como se isso o fosse capaz de salvar. Mas não era.

Queria dizer-lhe muita coisa, queria explicar-lhe que o quer que fosse acontecer, ele não a abandonaria. Porque se o único lugar onde pudesse continuar a existir fosse nas memórias da menina, então iria pedir-lhe que pensasse nele com carinho, a todo o momento que se sentisse completamente só.

Evangeline nunca chegou a receber estas palavras de conforto, Nathan não conseguia puxar o ar para os pulmões, e sufocava também de tristeza. Tão nublados de inconsciência se lhe toldaram os olhos que Evangeline deitou a cabeça sobre o seu peito. Ouviu, pela primeira vez, o bater do coração do irmão. De facto, a sua última palpitação. O silêncio que se seguiu fê-la erguer a cabeça. Precisava de lhe sondar o rosto, porque não acreditava que Nathan tinha morrido apenas porque o seu coração parara. Não havia expressão, aquela alma feita corpo falecera.

- Nathan, Nathan, não me deixes sozinha! Eu preciso de ti! – Abanou o cadáver do irmão, tentando despertá-lo. Porque não sabia que já o perdera, desesperada agarrava-se a uma esperança de criança. Soluços estalaram-lhe no peito e todo o seu corpo convulsionou com o choro. Juntou as mãos, sujas do sangue fraterno, e rezou, mas na sua voz havia mais lágrimas que palavras. – Deus, meu Deus, salva-o! O meu irmão não merece morrer! Ele é inocente, inocente, tão inocente. Não merece perder a vida eterna por minha causa. Se é justo, não o deixe morrer-me nos braços. Leve-o para longe de mim, se for preciso, mas deixe-o vivo! Em nome do pai, do filho e do espírito santo. – O dedo trémulo desenhou uma cruz no ar. – Ámen.

Tal era a sua fé, ainda que tintada dos prazeres do mundo, que imaginou que a face do rapaz corava, que ele se sentava e a cingia nos braços e quase sorriu. Contudo, uma voz no seu ouvido trouxe-a bruscamente de volta à realidade. Era Ash que lhe sussurrava:

- Deus não salva os pecadores. Não percas tempo orando que o enojas.

Evangeline soltou um suspiro, entre um e outro soluço. Ela não compreendia porque Deus não ajudava Nathan. E por pouco o seu espírito não se revoltou contra o Criador. Apesar de ter conseguido manter a paz, algo havia-se quebrado dentro dela. Sentia-se abandonada por Deus.

Ash, vendo-a tão absorta na própria desgraça, quis terminar o que começara. Tentou golpeá-la, mas mais uma vez não foi bem-sucedido. Evangeline ardia de amor à vida e o seu corpo reagiu por ela. Instintivamente levantou as mãos para se proteger. Sentiu a lâmina furar a sua pele, mas foi coisa pouca. Isto porque alguém mais a protegera.

Sebastian surgira, em toda a sua graciosa presença, irradiando perniciosidade. Segurara o cabo da espada de Ash, impedindo-a de avançar sobre a anjinha.

Ash rugiu, enraivecido, mas prudentemente recuou para dentro do matagal. Tinha ciência de que não era páreo contra um demónio do calibre de Sebastian. Precisava de arranjar mais força, mais poder, aliados… E, como não tinha quem cuidar, não o acometeu a loucura que levara Nathan ao túmulo. Fugiu, pois, não sem ao ar atirar imprecações:

- Queimarás demónio! Tu e essa traidora! Aguardem que voltarei, provarão da força da minha justiça.

Evangeline não lançou um só olhar ao anjo caído que se escapava. Dobrara-se sobre Nathan e chorava novamente. As suas pernas alvas, despidas devido aos rasgões do vestido, estavam gotejadas de lágrimas.

Sebastian sorriu vitorioso, na contemplação dos olhos vítreos do pobre ser que antes de ser anjo fora criança e que agora não era coisa nenhuma nem nunca mais voltaria a ser. Por alguns minutos ali se quedou, banhando-se na dor de Evangeline, mas acabou por cansar-se do seu pranto e anunciou com toda a calma:

- Vou voltar para a mansão! Estás livre dos teus deveres de criada enquanto o teu luto durar. Dou-te todo o tempo que quiseres para concederes um funeral digno a teu irmão.

Evangeline não reagiu, mas Sebastian estava certo de que ela o ouvira. Portanto, seguiu tranquilamente. Puxou o relógio prateado do seu bolso e consultou as horas. Ciel deveria ser acordado em cinco minutos.


Notas Finais


... Desculpem...
Desculpa, Saint </3 O Nathan agradeceu pelos cuidados e pelo chocolate!

Devo admitir que esta foi a morte que até hoje mais me custou descrever. Não sei se porque para ele não há um além mundo ou se porque era precioso demais para a Evangeline. Mas a verdade é que ele nunca a abandonou. Isso foi verdade! Eu disse-vos que ele nunca a abandonaria.
E sobre se eu chorei a escrever este capítulo é confidencial. Mas quebrou-me um bocadinho o coração.

E evidentemente que o Sebastian sabia que isto ia acontecer. Ele só não veio salvar Evangeline antes porque não lhe convinha.

Enfim, mais uma vez desculpem, sei que devem estar com raiva de mim, e de Ash, e de Deus e de Sebastian e etc.

Já escrevi também a cena de luto, que é de cortar o coração, mas ainda não terminei o restante do capítulo.

Bom... tchau! #GoodbyeNathan


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