História Surviving to Hell - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias The Walking Dead
Personagens Daryl Dixon, Glenn Rhee, Hershel Greene, Personagens Originais, Rick Grimes
Tags Daryl Dixon, Personagem Original, Romance, Yaoi
Exibições 32
Palavras 2.102
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ecchi, Famí­lia, Ficção Científica, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Suspense, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hello, friend.
Guess who's back?

Fiquei tão feliz com o retorno da fic (e pela vitória do meu time, cof cof), que estou postando o capítulo já.
Obrigada aos que favoritam. E aos que comentaram: meu liebe, @misternobody, minha maior fã (só que não) e outras coisas (rs), @darklighter, @destielucky, @linezelda, @MaddieBarnes (com o icon do meu marido) e a @Inofensiva, que deu uma chance pra StH. Obrigada, de verdade <3
E aos fantasmas também, é claro. Apareçam <3

Boa leitura!

Capítulo 2 - Despedida.


Fanfic / Fanfiction Surviving to Hell - Capítulo 2 - Despedida.

Brayden Mitchell - Atlanta - Arredores da Prisão

 

Estou entre Rick e Daryl, com os dois braços ao redor do pescoço deles, que me auxiliam para andar, enquanto vou indicando o caminho até a casa. É estranho, porque são uns centímetros menores que eu. Me sinto como uma criança frágil. Que bela bosta. Daryl está carregando a sacola com as bebidas com a mão livre, enquanto Rick o faz com a minha sniper. Já faz mais de dez minutos que estamos andando, mas ninguém disse nada. Eles são otários demais.

– Então... - digo, tentando quebrar o silêncio. – Vocês estão há muito tempo nesse lugar?

– Uns poucos meses. - Rick responde. – E você? Há muito tempo nessa... casa?

Ele disse meses? Caralho, nem quando o mundo era normal eu ficava mais de um mês em um lugar só.

– Não. - respondo. – Eu e Lauren estávamos andando por aí, saqueando lojas e mercados, até que ela ficou doente. Aí achei a casa e estamos lá desde então.

– Só vocês? Não havia mais ninguém? - o outro, Daryl, pergunta desconfiado. Há uma certa arrogância na voz dele, mesmo que mínima, que me faz querer socá-lo.

– Claro que havia. - digo seco, como se fosse óbvio. – Mas morreram. Como todos os outros. As pessoas morrem.

– Nós estamos vivos. - ele rebateu, tão seco quanto eu.

O que esse cara com asas de anjo no colete acha que é?

– Por enquanto. - eu disse, com um sorriso irônico. – Todos vamos morrer.

Ele me ignora, olhando a mata e continuando a andar.

Olho para Rick, curioso.

– São quantos no seu acampamento? - pergunto.

– Alguns. - ele responde. E só. Não diz mais nada.

Resolvo fazer o mesmo e seguimos em silêncio por um bom tempo. Ora eu dizendo o caminho, ora Rick perguntando.

Por mais que eles estejam me auxiliando, andar com uma perna só, enquanto seguro a machucada erguida, é bastante cansativo. Ainda mais que sinto meu tornozelo latejando e o sangue lutando para escorrer pelo nó forte que o cara, Daryl, fez. Quando finalmente chegamos à pequena casa branca, suspiro de alívio.

Como sempre, está incrivelmente silenciosa, sem sinal de vida. Mas sei que há uma lá dentro, me esperando chegar. Ou melhor, esperando a tequila.

– É aqui mesmo? - Daryl pergunta desconfiado. Já se afastou de mim, e agora só Rick me segura.

Olho pra ele, incrédulo. Ele acha que eu sou algum retardado ou que sofro mal de Alzheimer?

– Eu machuquei o tornozelo, não a cabeça, seu idiota. - respondo depressa, sem paciência. – É claro que é aqui.

Ele me lança um olhar mortal. Talvez queira me avançar agora. Tudo bem, é recíproco. Lhe devolvo o olhar.

– Que tal entrarmos agora? - Rick sugere, também impaciente.

Olho pra ele, tentando me equilibrar, agora apoiado apenas nele.

– Pode dar minha arma?

– Por que precisa da sua arma, se ali dentro só tem sua família? - Daryl questiona de forma cínica.

Talvez agora eu realmente deseje armar uma pra ele. Mas estou com a perna fodida e minha parceira, com o corpo todo ferrado.

– Foda-se então. - digo e me afasto de Rick, mancando igual a um idiota.

Enquanto pulo com uma perna só, desço a machucada quando canso demais, para apoiar, mesmo que pouco, no chão. Devagar como uma mula, finalmente chego à porta de entrada. Me apoiando com uma mão na parede, giro a maçaneta com a outra.

– Lauren, amor, vou te salvar! - digo abrindo a porta até o limite. – Quer dizer, esses dois caras sem graça aqui vão.

Mas quando olho em direção ao sofá, não há nada ali. Manco até ele. Lauren não poderia se levantar assim. Realmente está vazio, com a merda de uma poça de sangue no carpete verde. Por que diabos aquilo está ali? Talvez ela só tenha passado mal e se esforçado a ir ao banheiro. Não, não, ela não conseguiria. Não podia nem com a minha ajuda. Talvez ela tenha... merda.

– CARALHO! - berro nervoso, pensando no pior. – LAUREN!

Assim que a chamo, os dois caras entram correndo na sala.

– Quê? - Rick pergunta com a arma empunhada. Daryl também empunha a sua, mesmo que seja muito mais diferente.

– Aquela retardada não tá aqui! - digo desesperado. Pra onde diabos ela foi? – LAUREN! CARALHO, VEM LOGO! TEMOS AJUDA!

– Achei que ela estivesse doente, quase morrendo. - Daryl comentou, com o cinismo e desconfiança que eu já espero quando ele abre a boca.

– Vai se foder, cara! - praguejo. Se eu não tivesse com a perna bichada ou com Lauren sumida, o socaria. – Acha que eu previ isso? LAUREN!

Ainda mancando, dou a volta no sofá e caminho até a cozinha. Antes mesmo de chegar à passagem que não tem porta, escuto algo se movimentando até mim. Passos incertos e barulhos estranhos. Estranhos, mas conhecidos. Diabos, um errante. Com certeza. Então Lauren fugiu dele? Provavelmente.

Paro e alcanço a faca no cortuno. Espero a criatura vir. Rick e Daryl também perceberam e agora empunham suas armas em direção à abertura que dá para a cozinha. Os passos vão ficando mais próximos e então a criatura passa pela porta.

A cena que vejo me deixa totalmente fraco, inerte. A porra do errante é Lauren, minha Lauren. Ou ao menos foi uma hora atrás. Seus cabelos que sempre foram tão bonitos, mesmo na bagunça do mundo, agora estão sem vida, assim como seus olhos. Está pálida, já criando uma coloração acinzentada. Posso ver as veias pelo seu rosto tão acesas.

E ela segue caminhando até mim, com as mãos erguidas e os dentes a mostra, como um cão com raiva. Mesmo em passos lentos, está cada vez mais se aproximando de mim. Mas eu não consigo fazer nada. Tudo parece lento e eu posso escutar os dois caras falarem algo à mim. Mas eu não posso fazer nada além de olhar para ela e esperá-la.

Eu sabia que a perderia, mas ali, daquele jeito, é forte demais. Não é a morte, é o que vem depois. Ver quem você tanto se importa daquele jeito tão baixo, tão sujo, é a maior merda dessa porra. A sensação de antes, o medo, está aqui. Mas dessa vez muito mais forte. Talvez o medo sempre pareça o pior, assim como a dor, até que você prove de novo. Sempre aumenta, sempre te fere cada vez mais, de uma forma muito mais desgraçada. Então eu descubro que a dor não era a de perdê-la, mas da possibilidade de vê-la daquele jeito. E puta que pariu, é um cão dos diabos.

Posso ver Lauren no dia em que a conheci, tão bela e estúpida, me xingando a cada frase que dizia. Seus cabelos sempre amarrados numa rabo de cavalo, sua camisa regata decotada, sua calça jeans apertada, sua boca dizendo coisas reconfortantes ou me mandando pro inferno. A primeira vez que nos beijamos, depois a primeira transa. Estar com ela me fazia esquecer toda aquela merda de mundo. Ela foi minha válvula de escape por meses, e agora não é nada mais que uma porra de memória estúpida.

Quando resolvo piscar e voltar à realidade, estou de joelhos no chão, com os olhos cheios de lágrimas. Porra, estou chorando como um garotinho que rala os joelhos na escola. Daryl está na minha frente, fazendo o serviço que não consegui fazer. E Rick está agachado ao meu lado, com a mão em meu ombro.

– Sinto muito por não termos chegado a tempo. - ele diz com a voz séria.

– Não. - digo e olho pra ele. Dou um sorriso amargo. – Eu sinto.

Com a ajuda de Rick, fico de pé, ainda me recompondo. Olho para o chão a minha frente e vejo o corpo de Lauren, agora totalmente sem vida. Ergo os olhos até Daryl, que me encara. Mas agora não há desconfiança em seu olhar, apenas algo que eu não sei o que é. Talvez entenda o quê estou passando, ou então esteja apenas com pena de mim.

– Bem, não tem mais nada aqui. - falo alto, olhando para os dois. – Podem ir. Só peço que me ajudem a carregar o corpo dela lá pra fora. Não vou deixar ela se decompor como os outros.

Rick olha direto nos meus olhos. Talvez ele saiba como essa merda é dos diabos. Ainda em silêncio, balança a cabeça de forma positiva. – Claro.

Ele olha para Daryl e eu sigo seu olhar. Então o cara apenas concorda também, balançando a cabeça.

Todo o processo de levar o que já foi Lauren para o quintal, pegar uma pá na parte de trás da casa e cavar uma cova foi em silêncio. Deixei que eles colocassem o corpo dela a sete palmos do chão, mas na hora de enterrar por completo, tive que fazer. A porra do tornozelo doía, latejava, mas eu não parei. Fiquei uns quinze minutos para tapar o buraco, até que enfim sentei sobre a cova e descansei.

Mesmo agora, já descansado, continuo a olhar para a areia misturada com mato que me separa de Lauren. Não me resta mais nada, nem de perto. Ela agora tá em paz, e eu vou viver por um bom tempo com essa agonia de merda. E eu sequer me despedi dela, porque tava procurando a merda de uma bebida. É claro! A porra da tequila que ela pediu... Queria que eu não estivesse na hora que ela se fosse. Lauren odiava despedidas. Ela sabia que iria morrer em poucos minutos. Filha da puta! Que mulher desgraçada. De novo, me enganou. Deve ser por essas habilidades de cuzão que eu tanto gosto dela. Pessoas filhas da puta são o meu tipo de pessoa. Preciso me despedir com classe. Me estico e pego a garrafa de tequila ao lado. É dela. Coloco sobre a areia batida.

Olho para trás, ainda sentado, e vejo Rick agachado, olhando pra minha cara de bosta, enquanto Daryl está de pé, olhando para a floresta, quase já dentro dela. Desvio o olhar de ambos e tento me levantar. Dói. Meu tornozelo parece pior que antes, embora agora não esteja doendo, apenas dormente. Talvez eu perca o pé. Foda-se. Me ajoelho com a perna boa e ergo um pouco, mas quando estou quase de pé, tudo dói de novo e eu caio. Antes que chegue no chão, alguém me segura pelos braços. Me ajuda a ficar de pé. Olho para o lado, vejo Rick.

– Obrigada. - agradeço, enquanto ele me auxilia a andar para longe da cova.

– Não salvamos ela, mas podemos salvar você. - ele diz firme.

Daryl se vira para Rick e os dois se encaram.

– Podemos? - ele questiona. Talvez ainda desconfiado.

Rick ergue a sobrancelha. Os dois parecem conversar por olhares. Irmãos ou gays? Foda-se. Após alguns segundos, Daryl balança a cabeça, concordando.

Rick olha para mim. – Quantos errantes já matou? - pergunta sorrindo.

– Por que isso importaria? - rebato. Não tem por que perguntar isso. Ele continua a me encarar, esperando a resposta. – Vários. Não sei, não conto.

Eu ainda tenho meu braço ao redor do pescoço dele, me apoiando.

– Quantas pessoas já matou? - pergunta novamente. Talvez agora eu entenda.

Penso um pouco. Foram alguns. No começo, durante e pouco antes de chegar nessa casa com Lauren. Não sei ao certo.

– Algumas. - respondo. – Não sei ao certo. Talvez umas dez.

– Por que? - Rick pergunta automaticamente.

Ergo a sobrancelha. – Isso é um teste vocacional?

– Por que? - ele insiste sério.

– Por que precisei. Simples. - respondo. – Na maioria das vezes, pra me defender. Pra defender o meu pessoal, quando eu tinha um pessoal.

Ele assente com a cabeça, dando um sorriso fraco. Franzo o cenho.

– Passei no seu teste de personalidade? - pergunto irônico.

– Talvez. - ele tira o braço esquerdo das minhas costas e estende para um cumprimento. – Sou Rick.

Como se eu não soubesse, não é? Mas eles não sabem quem sou. Vantagem. Até agora. Estendo o braço esquerdo, que está livre, e aperto sua mão.

– Brayden.

– Ele é o Daryl.

– Eu sei.

Rick balança a cabeça e olha para a frente. Coloca o braço de volta nas minhas costas e começamos a andar.

Antes de entrar de vez na floresta, olho para trás. A cova com a garrafa. Estou deixando Lauren. Mais uma perda, mais uma despedida. E merda, sinto que não é a última. Nunca é. Mas isso não vai me impedir de continuar, não pode me impedir. Sorrio, como se estivesse sorrindo pra ela. Me viro e continuamos a andar. Talvez o continuar esteja ali, com Rick e Daryl, em seu acampamento, em sua família. Seja onde for, não será a merda de um fim.


Notas Finais


É, eu tive que matar. Nem por motivos de "ela atrapalharia o OTP", não mesmo, juro. Mas por que eu adoro MATAR. risos

Espero que tenham gostado. Até o próximo <3


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