História Survivors - Capítulo 78


Escrita por: ~

Postado
Categorias The Walking Dead
Exibições 109
Palavras 4.711
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Romance e Novela, Terror e Horror
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi oi Survivors <3
Esse capítulo está ENORME (compensando minha ausência :x)
Vamos ter pela primeira vez um POV´s Daryl! Espero que realmente gostem, como eu gostei.

Obrigada por todos os coments e favoritos! Vocês são incríveis!!!

Boa leitura!

Capítulo 78 - Killer Pain.


Fanfic / Fanfiction Survivors - Capítulo 78 - Killer Pain.

POV´s Daryl

  Dei alguns passos para a direção oposta de onde estava Rick, e de repente, me virei novamente indo até ele de forma rápida, encarando seus olhos. –Ela não podia esperar até a gente voltar?! –Indaguei de forma rude, preparando-me para voltar a andar de um lado para o outro novamente.

  -Até Jay voltar? –Rick franziu seu cenho e me observou, como se a ida de Emma tivesse um óbvio motivo.

  -Eu teria dado um jeito! –Minha voz rouca e rude se fez presente novamente, enquanto eu me virava e passava a andar para outra direção novamente.

  -Ei, ei! –Rick me chamou, e então eu o olhei de forma obrigada. –Jay matou vários dos nossos. Invadiu nossa propriedade, roubou nossos suprimentos e uma criança! Emma não conseguiu se conter. Ela não conseguiu permanecer aqui! –Um frio intenso subiu pelo meu corpo quente ao ouvir seu nome mais uma vez. Tentava observar Rick e acreditar em suas palavras, mas era impossível. Emma tinha deixado a comunidade. Me deixado. –Vamos achá-la. Mas, até lá... Ela vai ficar bem. Ela tem um carro, armas, e suprimentos. Ela é.. ela é... uma sobrevivente.

  -Não diga algo que você não sabe! –Aumentei ainda mais meu tom de voz e o peitei. Rick me observou sem argumentos, olhando para baixo em seguida. Sabia que não faria nada para o ferir, mas eu era capaz de destruir tudo ao meu redor naquele momento. Me virei mais uma vez, tirando meus olhos vidrados dos seus, e ouvi sua voz mais uma vez.

  -Ela fez isso por nós. –Rick conseguiu observar meu perfil, enquanto continuava. –Emma conhece Jay como nenhum de nós conhece. Não importa o que ela está fazendo, sei que... tem um plano. Você sabe como ela é. Não vai desistir até encontrá-lo.

  Depois de se referir a Charlie, fui até sua direção novamente. –Isso é coisa dela. –Afirmei, quase sussurrando. –Isso não quer dizer que ela tem que nos deixar! –Virei-me irritado mais uma vez, e disse para mim mesmo sem me importar com a presença de Rick. –Me deixar. –Rick continuou em silêncio, enquanto eu tentava manter todas as merdas que pensava em minha furiosa mente. Caminhei lentamente até a beirada da varanda de onde estávamos, coloquei meus braços sobre a mesma e encostei minha testa nos mesmos, fechando meus olhos. Eu lembrava dela em todos os minutos daquele dia, de forma inconsciente e aleatória. Tentava pensar que tudo iria se resolver, como Emma me fazia pensar. Mas, minha mente fodida me trazia para a realidade novamente. Quando meu pai me batia em seus momentos de fúria, eu pensava que aquilo era a pior dor que eu poderia sentir e que nunca sentiria algo mais ruim. Mas o que eu sentia naquele momento não era uma dor física. Era como se tudo dentro de mim estivesse sendo destruído, de forma progressiva.

  -Jack e Eliza não viram nada passando pelos portões principais ontem à noite. –Ouvi a voz de Marie, e levantei minha cabeça de forma preocupada, a observando enquanto a mesma subia as escadas. –Alguns habitantes estão procurando pelos pontos principais, mas acho impossível ela estar aqui dentro à esse ponto.

  Rick suspirou pesadamente, e colocou as mãos em sua cintura olhando para baixo. Permaneci no mesmo lugar. Ele então, olhou para Marie e afirmou sua ideia. –O portão com cadeados. –Referindo-se ao único que não havia vigias utilizado para rondas simples ao redor da comunidade, perguntou. –Sabe se alguém... a viu saindo por lá?

  -Bom... Erin ficou acordado durante a madrugada. O portão é ao lado da clínica, podemos ver se ele sabe de alguma coisa. –Não consegui ouvir a sua frase por completo, apenas peguei minha crossbow repousada em cima da pequena mesa de centro e ultrapassei os dois.

  -Daryl! –Ouvi a voz de Rick me chamar, mas o ignorei. Passei a dar rápidos passos até a clínica de Erin, sendo observado de forma estranha por alguns habitantes. Eu não dava a mínima. Abri a porta de forma rude e entrei. Observei a extensa dispensa, e então, Erin em frente o quarto clínico com alguns objetos cirúrgicos em suas mãos.

  -Ei! –Gritei, e percebi que Rick, e Marie me seguiam. –Onde ela está?! –Indaguei me aproximando do mesmo, enquanto ele me olhava sem entender.

  -“Onde ela está”? –Ele repetiu minhas palavras, franzindo seu cenho. –De quem... você está falando?

  -Daryl, pare aí! –Ouvi a voz de Marie, e logo pelo canto dos olhos, vi que a mesma entrava na clínica junto a Rick.

  -O que está acontecendo?!

  A cara de sonso de Erin me irritava profundamente, e eu não pararia até arrancar todas as informações necessárias de sua garganta. –Emma. Ela desapareceu. –Afirmei com raiva, imaginando que ele mentia. –Não finja que não viu algo, não me faça socar sua cara!

  Ouvimos o barulho da porta se abrir mais uma vez, e conseguimos ver nosso grupo entrando pela mesma. –Não encontramos nada nas casas. –A voz de Maggie junto a Glenn se fez presente.

  -Ela não está ao redor dos portões, e nem das torres de vigia. –Carol, junto a Sasha e Michonne se pronunciou.

  -Não está em nenhum lugar. –Carl, extremamente abalado e preocupado, afirmou triste ao lado de Beth, que segurava a bravinha em seu colo.  

  -Como assim desapareceu?! Do que vocês estão falando?! –Ele insistiu.

  -Erin, eu sei que está nervoso e que isso é muita coisa para seus ouvidos agora. Mas, precisa tentar nos ajudar. –Marie, de forma mais calma, me ultrapassou e observou Erin. –Não a encontramos em nenhum lugar, e acreditamos que ela saiu da comunidade ontem de madrugada.

 –Eu não vi nada... eu... apenas terminei meu trabalho e deixei de vigia outra pessoa em meu lugar. Estava cansado demais para...

  -Outra pessoa? –Rick perguntou em meio dos olhos confusos e preocupados do médico. –Que outra pessoa?

***

  Abri a porta do quarto de Alex com apenas um chute. O avistei dormindo de bruços, e larguei minha crossbow no chão sendo seguido pelos membros de meu grupo. Ainda poderia ouvir os gritos de Rick me chamando, mas eu não me importei. Não desistiria de Emma. Segurei as partes de trás da blusa de Alex, e com força, ergui seu corpo. –Ei! –Ele acordou confuso, enquanto eu o arrastava pelo chão e encostava suas costas na parede mais próxima. –O que está fazendo?!

  -Onde ela está?! –Indaguei furioso, enquanto Alex tentava me afastar com suas mãos.

  -Eu não sei, eu... -Vi seus olhos arregalados, e percebi que ele estava mentindo. –Ela?! Do que...

  -Não minta para mim! –Levei meu punho até seu rosto e o soquei, trincando minha mandíbula. Ainda zonzo, ele caiu no chão sendo sustentado por minhas mãos.

  -Daryl! –Percebi que alguns do grupo tinham entrado no quarto, mas eu não me contive de tentar socá-lo novamente.

  Quando me abaixei, segurando em sua gola e tentando acabar com seu rosto novamente, senti meus braços e meu corpo sendo agarrados por Rick, Glenn e Mark. Tentei me soltar diversas vezes, enquanto Erin caminhava rapidamente até Alex e tentava o levantar. Marie fez o mesmo, e então observou Alex, que me encarava furioso. –Sabemos que você a viu ontem a noite. Mentir não vai nos ajudar a encontra-la e não o livrará de sua punição. –Ele não disse nada, apenas ficou olhando para um ponto fixo a sua frente. -Alex, para onde Emma foi?! –O mesmo então, me encarou e eu fiz o mesmo. Contive toda a raiva presente dentro de meu corpo, e segurei-me para não ir para cima daquele canalha pela terceira vez.

  -Eu não... eu não sei. –Ele mentiu mais uma vez, e então, por uma fração de segundos que não estava sendo segurado por Glenn, ou por Rick, tentei correr até ele mais uma vez.

  -Seu filho da puta! -Tentei de forma brusca agarrar sua blusa, mas os gritos desesperados das pessoas de meu grupo fizeram com que eu fosse segurado mais uma vez.

  -Daryl, para! –Ouvi a voz de Glenn, e então, a de Alex.

  -Tirem esse filho da mãe daqui!

  Rick e Glenn, me empurraram até o outro lado do quarto, me imobilizando enquanto eu ainda observava Alex furioso. –Daryl! Daryl! Olha para mim! –Rick segurou meu rosto com suas mãos, e me forçou a o observar, enquanto Marie e Erin continham Alex. –Nós vamos achá-la! –Eu respirei ofegantemente, enquanto continha as lágrimas que queriam de forma dolorosa surgir em meus olhos. -Ei, ei! –Consegui conter minha raiva, e finalmente prestei atenção em Rick por completo. -Nós vamos achá-la. –Ele assentiu, me tranquilizando. –Nós vamos achá-la.

***

POV´s Emma

  Lavei meu rosto com água gelada, e então olhei para meu reflexo no espelho sujo do pequeno banheiro. Minhas mãos doíam por conta da intensidade da minha raiva a minutos atrás e meu fôlego se esgotava por saber que encontraria Jay minutos depois. Eu sentia falta de todos daquela comunidade, até mesmo dos que eu não falava todos os dias, mas era agradecida por suas presenças ali. Sentia como se uma força superior maligna tivesse enfiado a mão dentro do meu peito e arrancado meu coração, o esparramando no chão. Pensava no que Daryl estaria fazendo naquele momento, e no que ele pensava. Eu odiava preocupar as pessoas, era assim desde de pequena. Lembrava de uma vez que, por descuido meu, cortei parte de minha mão com uma de minhas flechas. Poderia parar o treino, e cuidar da ferida. Mas, não queria que meu pai ficasse triste pelo meu pequeno deslize. E então, permaneci duas horas ali, sentindo dor e estancando o sangue em minha blusa. Tudo para não fazer mais uma das pessoas presentes naquela pequena floresta sentir dor. Desde os pequenos atos, aos extremos... odiava preocupar quem eu amava.

  Desci as escadas me preocupando com o barulho que meus pés faziam ao encontrar com os degraus. Quando ouvi alguns míseros barulhos dentro da sala de jantar, então encostei minhas costas na parede, me escondendo. –Quer que eu vá até lá? –A voz do segurança de Jay se fez presente.

  -Não, dê a ela algum tempo. –Jay ordenou. –E só fale quando eu mandar. Da próxima vez ficará sem carne por um mês. -Olhei para minha frente, e fechei meus olhos antes de prosseguir. Minhas mãos suavam, mas eu me forçava a parecer o mais natural possível. Saí de trás da parede e parei em frente à mesa de jantar, observando o que havia em minha frente. Jay estava em pé ao lado de uma cadeira, e seu segurança estava atrás. Haviam dois pratos, duas taças e talheres velhos. –Você demorou.

  -Não tenho noção de tempo. –Me sentei, mentindo, e tirei uma bombinha de meu bolso. Colocando em seguida, meu arco e minha bolsa de flechas em cima da mesa. –E nem com escadas. –Levei a mesma até minha boca, e passei a usá-la. Sentia falta de ar, e a usava como distração.

  Por menos que parecesse, eu estava com medo. Jay se sentou, e eu passei a usar a bombinha de forma rápida e repetitiva, sem observá-lo. Os dois me fitavam como nunca, e então eu finalmente o olhei. –A montanha de esteroides vai ficar sempre por perto?

  Depois de me referir ao homem, Jay ordenou sem olhar para o mesmo. –Pode sair, Will. Eu estou armado. –Sua afirmação, de certa forma, serviu como ameaça. O homem, de forma pesada, me encarou pela última vez e deixou a sala. –Eu trouxe um presente para você.

  -Não pedi por um. –As palavras pularam da minha boca.

  -Não importa. Dentro do meu território...

  -Eu não sou ninguém. –O completei, e o observei sem me afetar com sua rigidez. –Já entendi essa parte.

  Jay poderia sacar sua arma, fechar seus punhos, e acabar comigo ali mesmo. Mas, ele simplesmente deu um pequeno sorriso sem mostrar os dentes, prendeu sua respiração e ordenou. –Olhe debaixo da cadeira.

  Demorei alguns segundos para me mexer, mas logo abaixei meu tronco e alcancei uma pequena caixa embaixo do objeto. Ela tinha uma fita vermelha amarrada ao seu redor. Observei Jay e ele assentiu ainda sorrindo, para que eu a abrisse. Demorei bons segundos para desamarrar o laço, e tirar sua tampa, até ler um pequeno papel.

AOS NOVOS COMEÇOS.

  Ignorei as suas palavras idiotas e peguei um pequeno caderno embaixo do papel. A cor azul e os desenhos de flechas feitos por canetinhas coloridas me indicaram o que era aquilo. –Minhas músicas... –Observei o caderno transtornada. Não me lembrava que ainda tinha aquilo, e ao mesmo tempo, não acreditava que o objeto estava em minhas mãos.

  -Isso aí. –Jay concordou. –Devo admitir que não entendi as notas sem sentido. –Ele se referiu às teclas do piano, e então, eu o olhei. –Mas, valeu a pena. –Observei ele por bons segundos, até que calmamente, peguei o caderno sem abri-lo, e o coloquei dentro da pequena caixa, a tampando. Não agradeceria por tal ato. Jay era repulsivo, e fez aquilo para me manter ainda mais em suas mãos. Mas, ele não conseguiria. Passamos a nos olhar fixamente, e o silêncio constrangedor tomou conta de nós mais uma vez. Desafiávamos o outro apenas pelo olhar, e consequentemente, pelo medo. –Vou apresentá-la a criadagem. –Jay então, bateu duas vezes suas mãos. –Nancy! -Em seguida, uma mulher de idade saiu da cozinha. Ela parecia ter cerca de 50 anos. Tinha cabelos curtos grisalhos, usava roupas velhas, e estava suja. Seu rosto não desmentia os meus pensamentos. Ela parou ao lado da mesa, e olhou para Jay com medo. –O que temos de jantar?

  A mulher então, deu dois passos para frente e colocou duas panelas em cima da mesa. Depois, voltou-se para o mesmo lugar e afirmou com sua rouca e tímida voz. –O que você pediu, senhor.

  -Eu não vou ficar em uma casa com uma escrava. –Afirmei de forma rude, o observando.

  -Ah, por favor fraca... não seja hipócrita. –Jay observou a mulher de forma irônica e ordenou. –Diga a ela o quanto está feliz com o seu trabalho.

  A mulher, ainda de forma forçada, me observou. Ela tinha um cheiro extremamente ruim, e parecia faminta e inferiorizada. –Eu tentei fugir do terminal uma vez e Jay... me aceitou novamente. –Suas palavras eram forçadas e sem nexo. –Isso me deixa longe dos monstros... –Ela se referiu aos errantes. –E ganho recompensas se fizer o que ele mandar.

  -Viu? –Ele se fez sarcástico. –Tem gente que acredita em segundas chances. –Fiquei sem palavras diante daquela situação, apenas o observei sem acreditar e permaneci em silêncio. –Pode colocar a comida. –Nancy, então, abriu uma das panelas e tirou com um pegador um pedaço de carne com molho em cima. Não consegui saber se era de animal, ou de um ser humano. Mas, as lembranças do terminal, me deram respostas em minha cabeça. Depois, ela colocou algumas sementes e girassóis e tomate em fatias em meu prato. Levantei minha cabeça, enquanto Jay segurava seu garfo e observei seu sorriso de canto de boca. –Relaxe, não são do garoto. –Ele afirmou de forma extremamente fria, percebendo minha insatisfação diante daquilo.

  -Não estou com fome. –Afirmei, tentando não olhar para seu prato. –Vou ter um jantar gasoso. –Minha irônia o pegou de surpresa, enquanto eu levava a bombinha até minha boca e passava a sugar seu ar de forma progressiva e ofegante.

  A verdade era que eu estava faminta. Todos os alimentos foram retirados da bolsa, e consequentemente, eu era obrigada a comer o que Jay queria, e ao seu lado. Mas, eu não me entregaria facilmente. Não sabia quem tinha preparado aquilo, e se era de certa forma, confiável o bastante. Jay escravizava pessoas, como escravizou Ben um dia. Ele me via usando a bombinha sério, enquanto segurava seus talheres e não se movia. Percebi que o ar tinha acabado, e então observei Nancy. –Pode pegar outra bombinha em minha bolsa, por favor?

  Ela, observando Jay de forma insegura, assentiu saindo de perto, e vendo que ele continuou me encarando. Repousei minhas costas na cadeira de forma pesada, e cruzei meus braços ainda o olhando. –Já pensou que usa isso demais? –Ele apoiou os cotovelos na mesa, soltando os talheres, e entrelaçou seus dedos me olhando.

  -É a única forma de aguentar minha vida depois do que fez comigo. –Afirmei, sem me mover.

  Jay deu uma mísera risada sarcástica, e logo seus dentes brancos apareceram. –Você me culpa.. pela sua asma?! –O observei sem acreditar em suas palavras. –Vamos lá, nem tudo foi ruim. –Ele sorriu se referindo ao terminal, e depois fez o mesmo falando sobre as mortes que causou. –Bom, certamente teve um final ruim, mas...

  Curvei-me para frente, e observei seus olhos como nunca. –Chama de “final ruim”... matar praticamente todas as pessoas com quais eu me importo? –Seu sorriso desapareceu, se tornando menor do que antes. –Não Jay, eu não te culpo pela minha asma. Eu o culpo por Ben, por Lucy, por Sam, por Charlie...

  -Ei, ei, ei. Calma, aí... vamos deixar isso claro. –Jay ironizou me interrompendo. –Eu não mandei que matassem Sam, mandei que matassem todos da comunidade menos você.

  -O quê? –Indaguei, franzindo meu cenho.

  -Eu disse aos meus homens “livrem-se deles” e não “atirem neles”. –Sua voz sarcástica ferveu meu sangue como nunca. –Eles escolheram atirar em Sam.

  -Seu filho da puta! –Minha voz atingiu um grau de altura intenso, enquanto eu pegava uma de minhas flechas e perfurava meu prato com todas as minhas forças, o quebrando no meio e cravando a flecha na mesa. Quando me sentei novamente, o observando, Will apareceu atrás de mim e encostou sua metralhadora em minha cabeça.

  Fechei meus olhos de forma breve e sentir meus pulmões estremecerem. O observei e Jay riu. –Testando seus limites, não? –Podia sentir a pressão da arma em minha nuca, e a respiração do homem atrás de mim. –Eu admiro isso em você, temos muito em comum.

  -Eu posso ficar aqui o tempo que quiser. Posso brincar de casinha, e te aguentar. –Afirmei, dura comigo mesma. –Mas, eu quero o que tirou de mim. Estou aqui por um motivo, e você sabe qual é. Minha vida pela a do Charlie, foi o que me prometeu.

  -Charlie só voltará no momento em que...

  -Eu te escolha? –Indaguei, e Jay se calou, ficando sério.

Ele ficou alguns segundos em silêncio, mas em seguida suspirou pesadamente. –Abaixe a arma, Will.

  Fiquei alguns segundos no mesmo lugar, enquanto Jay ainda me olhava. –Eu estou satisfeita, e cansada. –Levantei-me, e avistei Nancy caminhando até a sala, entregando-me a bombinha. A segurei, e quando tentei prosseguir, senti meus braços sendo agarrados pelo homem novamente. O observei, e ordenei. –Tire suas mãos de mim! –Empurrei seu corpo. O homem mal se moveu, mas Jay o tranquilizou.

  -Deixe ela ir. –Sua voz mandona tomou conta de nossos ouvidos, e então ele se afastou de mim ainda me fitando.

  Observei Jay pela última vez, e entes de me virar, vi Nancy catando os míseros pedaços de vidro do prato quebrado em cima da mesa. –Eu sinto muito. –Ela me olhou de forma triste, e Jay fez o mesmo insatisfeito. Peguei meu arco e flecha, meu caderno de músicas e minha bombinha, deixando a sala de jantar.

***

  Cheguei até meu quarto, e abri a porta do mesmo. Quando acendi a luz, me deparei com a janela aberta. Dei lentos passos estranhando tal fato, e joguei minhas coisas em cima do colchão que já estava recolocado em cima da cama. Tentei ir até a janela, mas senti minha boca sendo tampada por uma mão. –Não grite! -Arregalei meus olhos e grunhi gritos de susto, sendo puxada para trás. –Sou eu, Alex! –Seus sussurros altos me pegaram de surpresa, e então eu arranquei sua mão de minha boca e me virei, encostando-o na parede e segurando seus braços.

  -O que diabos está fazendo aqui?! –Sussurrei o mais baixo que podia, enquanto observava seus olhos.

  -Vou tirá-la desse lugar. –E então, moveu seu corpo para trás de mim, me abraçou de forma forte e começou a me arrastar para janela. Alex carregava uma pistola em suas mãos, e estava sem malas. –Está sobre o controle dele!

  -Não, eu não estou! –Empurrei seu corpo como pude, e ele tentou me agarrar novamente.

  -É o que ele quer que você diga!

  -Merda, Alex! –Agarrei as golas de sua blusa, e encostei suas costas novamente no vidro da janela. –Eu sei o que estou fazendo. –Observei seu maxilar extremamente machucado, assim como parte de seu nariz. –O que aconteceu com você?!

  -Daryl. –Ele me respondeu, alertando-me sobre o que aconteceu. –Eu sabia que você veio até aqui, mas eles não.

  -Merda! –Fechei meus olhos brevemente e recordei-me de suas palavras. -Você me seguiu?! –Indaguei sem acreditar.

  -Isso não importa agora! –Alex voltou a falar o que queria, e eu fiquei em silêncio ainda o imobilizando. –Se não sair daqui agora, eles vão vir atrás de você e vamos morrer. –Já era de noite, provavelmente, eles tinham descoberto meu desaparecimento de manhã. –Agora, vamos! –Ele agarrou meu pulso, e nossos passos foram interrompidos pela voz de Jay.

  -O que está acontecendo aí em cima?! –Sua voz veio da escada, e Alex soltou meu pulso.

  Caminhei até a porta, e a tranquei com a chave. –Nada! –Gritei. –Só estou tentando arrumar as coisas, me deixa em paz!

  -Como quer que eu volte para lá sabendo que está correndo sérios riscos aqui?! -Virei-me e observei Alex caminhando até mim novamente. –Isso não vai dar certo, Emma. Achar Charlie não vai nos livrar de Jay. Eu vou descer, e atirar naquele cretino!

  Alex tentou caminhar para frente, mas eu o interrompi. -Cala a boca e me escuta! –Corri até seu corpo e agarrei parte de sua jaqueta. Joguei o mesmo em cima da cama, e coloquei minhas pernas ao seu redor, ficando em cima de seu corpo e o imobilizando por completo. –Não pode matá-lo com Charlie ainda em suas mãos. –Falei da forma mais rude que pude. –Há pessoas inocentes nessa casa! –Me referi a Nancy. –Eu estou cuidando de tudo. Se você o matar, você me mata. E eu juro por tudo que é mais sagrado, Alex, eu vou te assombrar pelo resto de sua vida. –Me levantei, e o puxei para fora da cama novamente. –Estou aqui porque tenho que estar, e quero estar. Agora, volte para a comunidade e não deixe ninguém saber que eu estive aqui.

  -Ok! –Ele afirmou exausto de minhas palavras, tirando de seu bolso um pequeno estojo preto. –Mas, fique com isso.

  -Que merda é essa, Alex?

  Alex o abriu, e então deixou a minha vista algumas seringas que continham heroína. Arregalei meus olhos e abri minha boca de leve, observando-as. –Eram de Sam. –O olhei, segurando o estojo e ele continuou. –Apaga qualquer um por boas horas. Precisará de um plano b.

  -Alex, você tem que ir. –Não neguei o que tinha me dado. –Agora!

  -Fraca, abre a porta! –Ouvimos a voz de Jay mais uma vez, e nos observamos.

  -Vai, vai! –Obriguei Alex a descer, e então o mesmo, colocou os pés em uma das árvores que cercavam a casa, e me observou pela última vez.

  -Por favor, volte logo.

  -Eu vou. –Em questão de segundos, ele desapareceu, e então, eu fechei a janela. Corri rapidamente até a porta guardando o estojo em meu bolso, e abri a porta, da forma mais natural possível. –Algum problema? –Indaguei, observando Jay revistando o quarto com os olhos.

  -Vamos ter se não pegar seu arco e desce em cinco minutos. –Ele então, se virou, passou a andar em direção oposta a mim.

  Saí do quarto, e observei suas costas. –Do que está falando?

  Jay se virou, calmamente, e afirmou. –Vamos dar um pequeno passeio.

***

   POV´s Daryl 2

  Sentei-me de forma desajeitada e encostei minhas costas em uma das árvores da extensa floresta. Flexionei meus joelhos, e coloquei meus pés no chão. A escuridão da noite dificultava meu olhar em direção aos possíveis errantes que apareceriam, mas isso era a minha última preocupação naquele momento.

  FLASHBACK ON

  -Daryl, para onde está indo?! –Ouvi a voz de Glenn atrás de meus ouvidos, e então saí pelo mesmo portão que Emma saiu, sendo ainda seguido por ele e por Carol.

  -Para fora. –Afirmei com minha rouca voz, e passei a caminhar em direção oposta a comunidade, tentando enxergar rastros de pneus e pegadas iluminadas pelo sol daquele tarde.

  -Ei, você não pode sair desse jeito! –Me virei já distante da comunidade, e observei Carol. –É arriscado demais.

  Ouvindo sua voz, me virei, e eles pararam de andar. –Quando chegamos ao terminal, fomos quase mortos pelas mãos daqueles cretinos. –Me referi a Jay, e Glenn entendeu o que eu dizia. –O vi tirando a roupa da Emma, a batendo e a xingando como nunca! –Apontei para minha cabeça, e gritei. –Ele me amarrou, colocou uma arma na minha cabeça! –Eles ficaram sem palavras, e então, eu me virei novamente. –Não posso deixar que ele a mate.

  -Acha que isso é sua culpa?! –Glenn insistiu, e eu o olhei de novo.

  -Eu sei que é. –Afirmei, próximo ao seu corpo. –Se eu tivesse deixado aqueles filhos da puta a levarem naquela noite, nada disso teria acontecido! Vou fazer o que deveria ter feito antes.

  -Não, não vai! –Carol segurou meu braço, e virou meu corpo mais uma vez. –Sei que está com a cabeça quente, e que quer fazer isso por ela... Mas, Daryl, vai se matar se algum daqueles homens te acharem.

  -Ela se foi, cara. –Glenn afirmou, e eu fiquei em silêncio. –Eles são perigosos.

  -Eu não ligo. –Afirmei da forma mais rude que consegui, e mais uma vez, Glenn interrompeu meus passos ficando na minha frente.

  -Daryl! –Parei de caminhar, e o observei mais uma vez. –Precisamos voltar, e resolver isso juntos. Pensar no que fazer em casa. Na nossa casa. Maggie está grávida, está bem? Ela está grávida, e vamos finalmente construir uma família. –Fiquei em silêncio, surpreso com o que dizia. –Se aqueles homens nos fizerem algum mal, eu não sei o que farei. Precisamos de você. E todos de lá precisam de nós agora.

  -Nós vamos encontrá-la, Daryl. –Carol tentou me acalmar. –Eu prometo, nós vamos encontrá-la. Por favor, não piore as coisas.

  Respirei pesadamente, e olhei os dois mais uma vez. –Eu não posso. –Virei-me, e ultrapassei Glenn.

  -Daryl!

  -Eu não posso! –Gritei o mais rápido que consegui e continuei meu caminho, deixando todos para trás.

  FLASHBACK OFF

  Sabia que procurá-la sem nenhuma base de localização poderia me trazer problemas, mas por mais que minha cabeça me obrigasse a continuar, e a não desistir, as dores emocionais me pegavam de surpresa. Traguei profundamente meu cigarro, e o observei distraído em seguida. Não conseguia tirar Emma de minha cabeça. Não conseguia admitir sua ausência. Não conseguia sair daquele lugar, e voltar para a comunidade. Um dia. Um dia sem sinais de Emma, ou de qualquer canalha do terminal. Encostei o cigarro em minha mão, e o apaguei queimando minha pele. Senti o cheiro da fumaça, e uma forte ardência em minha mão. Mas, nem as cinzas ferventes conseguiam apagar o que estava sentindo. Apesar das horas arrastarem-se, parecia que haviam se passado meses. A lembranças de seu lindo rosto em frente a mim dizendo “eu te amo”, me faziam lembrar dos nossos momentos juntos.  Já tinha transado com diversas mulheres, e me relacionado como forma de distração. Mas, nunca amei alguém como um dia amei Emma Willians. Eu não tinha mais raiva. Não odiava suas mentiras em relação a gravidez, ou sobre o aborto. Eu só a queria por perto, para recomeçar tudo novamente. Cada segundo sem ela era pior. Eu tentava ignorar a dor, mas nada bastava. Por mais que eu tentasse ser forte, como Merle me obrigava a ser, era impossível fugir daquela situação que me sufocava. Abaixei minha cabeça, e passei a chorar. Não me lembrava da última vez que tinha chorado. Mas, tinha certeza de que meus grunhidos abafados, minhas duras lágrimas e meus gemidos primitivos indicavam o que eu sentia. A única pessoa que me fazia sentir vivo não estava mais ao meu lado. E a dor assassina, me matava de forma lenta. Mais uma vez. 

 


Notas Finais


Chorei sim com esse capítulo!
Para onde Jay levará Emma? Por que Emma pediu ajuda para Mark antes de partir? O que Daryl fará? Qual será o destino de todos???
Não percam o próximo. Obrigada por tudo, eu amo vocês.
Devo tudo aos meus lindos leitores!
Até a próxima! (=


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