História Survivors - Capítulo 79


Escrita por: ~

Postado
Categorias The Walking Dead
Exibições 95
Palavras 3.544
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Romance e Novela, Terror e Horror
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi Survivors, como vão?
Senti saudades!
Vou atualizar em pouco tempo, então não percam o próximo e comentem muito!!!

Boa leitura (:

Capítulo 79 - Demons On My Skin.


Fanfic / Fanfiction Survivors - Capítulo 79 - Demons On My Skin.

Não foram precisos muitos minutos até chegarmos ao nosso destino. Já eram quase três horas da manhã, e as ruas da Georgia estavam tranquilas. Os faróis do carro que Jay dirigia iluminavam o caminho livre de errantes. Três homens, dos quais eu não tinha certeza se conhecia ou não, ficavam na parte de trás da van. Eles não falavam sem alguma pergunta feita pelo seu líder. Era uma espécie de dominação. Ninguém falava, ninguém se mexia, ninguém pensava... sem a autorização de Jay. Não fiquei em silêncio porque quis aderir-me a sua doentia forma de mandar nas pessoas ao seu redor. Mas sim, porque estava com medo. Observava através da suja janela milhares de árvores passando por nós. Ás vezes, perdia-me em meus próprios pensamentos tentando, de certa forma, saber para onde ele me levaria. Sua jaqueta preta, suas botas de couro marrom, suas cicatrizes intermináveis, e seu silêncio. Eu o observava a cada cinco minutos. E mesmo assim, não era o bastante para eu ter certeza de que ele não faria nada comigo. Ou com ninguém. Querendo ou não, Jay conseguia fazer-me pensar que eu fazia parte dele, e vice-versa. Mesmo com meu arco e flecha em mãos, ele sabia que não faria nada contra ele. Naquele momento. A questão era: ser forte o bastante para resistir às suas dominações, ou entregar-me para não sofrer as consequências? Qualquer que seja a resposta, eu faria de tudo para tentar trazer Charlie de volta. E iria morrer tentando.

  Descemos do carro juntos. Esperei até que um dos homens armados abrissem a porta, e de forma clichê, segurassem em meu braço. Segurei meu arco como pude, e fui impossibilitada de alcançar uma de minhas flechas por mais que eu tentasse. -Eu sei andar sozinha. -Observei um dos homens, que machucava meu braço com sua áspera mão, e Jay nos observou. 

  -Também sabe usar seu arco sozinha. -Ele afirmou, e eu parei de me mexer. -Não piore as coisas. 

Antes de se virar, não disse absolutamente nada. "Piorar as coisas". O que aquilo significava? Eu simplesmente estava perdida. Enquanto Jay ia na frente, o seguíamos. O lugar não era nem um pouco estranho ao meu olhar. O principal supermercado da região, onde fazia compras semanais com minha família, estava na minha frente novamente. Mesmo depois de anos sem vê-lo, recordei-me da última vez que consegui de certa forma, adentrá-lo.

  FLASHBACK ON

  -Emma! Emma! –Ouvi a voz desesperada de Max gritando por mim. Terminando de colocar o máximo de comida que consegui dentro do velho carrinho, o observei. Um homem e uma mulher desconhecidos tentavam arrancar de seus braços alguns produtos encontrados por Max. –Não, isso é meu!

  Por uma questão de segundos, observei o homem desistir de lutar contra Max e em seguida, sacar uma pistola. –Max! –Esbarrando em milhares de pessoas desesperadas por suprimentos em um mundo quase apocalíptico, posicionei uma flecha em meu arco e disparei contra o braço do homem. A mesma, passou de raspão contra o mesmo. Vi parte de sua camiseta ser rasgada, e um pouco de seu sangue escorrer da ferida.  Antes que eu pudesse fazer algo a mais para evitar aquela situação, a mulher puxou o braço de seu suposto marido, já com outros produtos em mãos.

  -Esqueça! Vamos... vamos! –E então, me olhando pela última vez de forma fixa, correu para a direção oposta junto com a mulher.

  Observei Max, que tinha se esquivado como pôde de toda situação. –Droga, Max. –Lamentei a situação e curvei-me até alcançar as laterais de seu rosto com minhas mãos. –Você está bem?! Ele... ele te machucou?! –Max negava com a cabeça, e ainda assustado, não conseguia formular palavras.

  Quando olhei para o lado oposto, percebi que um policial corria em nossa direção. Ele, que estava armado, observou fixamente meus olhos. Como reflexo, pendurei meu arco em meu braço e me rendi, mostrando minhas mãos para o desconhecido homem. Max, tendo eu como reflexo, fez o mesmo largando os produtos no chão. Por tanto que eu tremesse pensando que algo terrível iria acontecer, o policial apenas nos ultrapassou e correu até a prateleira mais próxima, colocando dentro de uma sacola remédios variados. Os observamos juntos, e só ali que eu percebi que o mundo de fato, tinha acabado.

  FLASHBACK OFF

  Continuamos a caminhar. Adentramos a porta principal, e sem checar se haviam errantes dentro ou utilizar uma lanterna, Jay apenas a abriu. Observei o lugar escuro e destruído. Produtos no chão, biscoitos espalhados, águas derramadas. Mais uma vez, consegui me lembrar claramente do dia em que sobreviventes lutaram para conseguir suas últimas esperanças de sobrevivência. Eu ainda era arrastada por um dos homens, e Jay, continuava andando na frente de todos. Logo de cara, pensei no pior. Um supermercado velho livre de errantes, e de pessoas, seria um ótimo lugar para acabar de vez com a “fraca”. Mas, eu estava errada. Segundos depois, nos aproximamos dos fundos do mercado. Logo perto dos caixas, havia um círculo completo por vários homens. Poderia perder meu tempo contando-os, mas os olhares direcionados a mim tiravam todos os pensamentos úteis de minha mente. Suas grandes e diferenciadas armas me causavam arrepios. Diante de meu olhar, eles eram os demônios presentes no mundo. Jay era o criador deles, e assim como uma epidemia, o mundo pós-apocalíptico se tornaria propriedade de monstros. Quando paramos finalmente atrás do círculo, e Jay adentrou o mesmo, me senti indefesa por possuir apenas meu arco e flecha. O homem que me arrastava parou de andar, e enfim, soltou meu braço. Observei Jay ficando sozinho dentro do vazio círculo e permaneci parada.

  -Boa noite. –Sua voz extremamente sarcástica adentrou os ouvidos de todos, enquanto ele ainda perambulava entre os homens. –É uma pena ter que vir aqui à essa altura do campeonato, não é mesmo? –O homens tinham cerca de 25 à 55 anos. Todos armados, sem exceções. –Então... qual dos putos teve a brilhante ideia?

  -Esse aqui. –Um dos capangas de Jay, abriu espaço para mais dois homens entrarem no círculo arrastando um homem que mal conseguia ficar em pé. De pele branca, cabelos loiros e com cerca de 25 anos, estava completamente machucado. Um de seus olhos estava infeccionado, e seu rosto sangrava muito, junto com hematomas profundos em seu pescoço, pernas e braços.

  Os homens o soltaram, e então, ele caiu de joelho na frente de Jay. Suas roupas largas e rasgadas, provaram mais uma vez, que ele foi brutalmente espancado. –Jackson? –Ele indagou, com um sorriso em seus lábios. Jay soltou uma curta risada, mais parecida com um grunhido irônico, até que se aproximou do homem. –Eu realmente não esperava isso de você. –Mesmo zonzo, o homem o observava com os olhos quase fechados. Observei aquela cena de forma transtornada, impossibilitada de conseguir fazer algo. –Sabe, Jack... Eu nunca fui fã de abrir vagas para novos homens. –O homem o observava sem palavras, com lágrimas nos olhos, enquanto tremia. –Mas.... Tentar fugir? –Seus dentes apareceram, e então, ele continuou. –Tentar fugir com os meus suprimentos e munições?!

  -Jay, eu...

  -Cala a boca! –Sua voz grossa e baixa fez com que o homem se calasse. –Quando eu falo, você escuta calado. –Ele continuou quieto, com medo de dizer mais alguma coisa. –Roubar munições, fugir, e ter o direito de falar? –Jay gargalhou. –Não é legal.... Nada legal. –Seu sorriso diminuiu. –Você não tem a porra da ideia... de como essa merda é. Mas... Acho que você terá daqui a pouco, não se preocupe. –Ele então, passou a caminhar pelo círculo, sem tirar os olhos do homem. –Saberá que quando seu líder disser que há regras... Elas devem ser cumpridas. –O homem chorava silenciosamente, e o observava com medo. A pistola de Jay era girada entre seus dedos de forma tranquila e sagaz. –Saberá que quando seu líder disser que você só pode fazer algo quando ele permitir... Arcará com as devidas consequências se fizerem o contrário. –Ele parou de andar, e sorriu mais uma vez. -Sim... Você vai se arrepender de ter me desafiado daqui a poucos segundos, meu amigo. –Jay observou o homem da forma mais fixa que conseguiu, e então, se agachou a sua frente flexionando um de seus joelhos. –Você realmente não aprende... não é? –Ele parecia extremamente acostumado com aquela situação. Mesmo assustado, saberia do que Jay era capaz. –Pobre, pobre... Jack. Te matar era a última coisa que eu pensava que iria fazer essa semana. –Parando de girar sua arma, levantou-se e riu. –Eu só... não consigo decidir. –Haviam milhares de maneiras que Jay poderia usar para acabar com aquele homem. Errantes. Pistolas. Facas. Porradas. Mas, levantando suas sobrancelhas, e tendo uma ideia, me observou. E, assim silenciosamente, decidiu que usaria flechas. –Venha aqui fraca. –O observei e permaneci parada. –Por favor?

  Observei brevemente o homem que antes me segurava, e então sem pressa de progredir, comecei a andar para dentro do círculo. Olhava o homem machucado a medida em que me aproximava, e temíamos sobre o mesmo fato. –Essa é minha garota. -Jay então, levantou um de seus braços e envolveu minha nuca com o mesmo, colando nossos corpos e se sustentando em meus ombros. Tentei ao máximo não ter contato com o calor de seu corpo, mas sua força curvava meus ombros cansados e controlava o movimento de meu tronco. Assentindo a cabeça, ordenou que dois homens segurassem o rendido sem disser nada. Ele tentou se soltar, mas sendo sustentado por dois capangas, não conseguiu escolher uma opção além de ficar em pé em frente a nós dois. Jay deu dois tapinhas em meu ombro, como forma de consolo sobre o que viria a seguir, e ultrapassou meu corpo, ficando ao lado do homem. –Nós tentamos adestrá-lo... como um cão de rua. –O homem machucado permaneceu observando Jay, até que ele contornou seu corpo que era ainda segurado por capangas, e ficou ao seu lado novamente. –Mas, sabe como é que é. Um cão de rua... será sempre um cão de rua. –Risadas quase silenciosas se fizeram presente, enquanto eu permanecia quieta, observando o movimento sem entender. Em fração de segundos, Jay usou todas as suas forças para socar o estômago do homem o mais forte que conseguiu. Como reflexo, suspirei com medo, enquanto arregalava meus olhos e observava o homem se curvar e vomitar toda a bile presente em seu organismo. Ouvi suas tosses desesperadas, e seus grunhidos feridos. Jay gargalhou, e o homem cuspiu sangue coagulado, impossibilitado de levantar sua cabeça novamente. –E ele continua mijando nas calças! –Com irônia, ele observou com prazer a dor do homem, até levar seus olhos escuros até mim novamente. –Eu ia forçar o desgraçado a morrer lentamente por vários tiros disparados da minha querida pistola. Mas... eu tenho uma ideia melhor. –Jay caminhou até mim lentamente, colocou seu corpo atrás do meu, e segurando meu arco com uma de suas mãos, tentou o erguer. –Se me permite... –Transtornada, Jay me obrigou a posicionar uma flecha em meu arco. Com seus dedos ásperos, segurou minha mão tão rigidamente, que pude senti-la arder em seguida. E em seguida, forçou-me a posicionar a flecha no arco e a puxar, até mirá-la na cabeça do homem machucado. Ainda forçando minhas mãos, sussurrou em meus ouvidos. –Se quiser sobreviver, assim como o garoto... -Sua referência a Charlie fez com meus ossos ficassem imóveis. -A confiança deve ser conquistada. –O segui com os olhos, até que ele caminhou até meu lado esquerdo e permaneceu ali, me observando. –Faça. -Olhei o homem incrivelmente ferido, e junto a ele, lágrimas tomaram conta de meus olhos. Eu devia matá-lo. Observei seus cabelos loiros, sua pele machucada, e seu cavanhaque tingido quase invisível, e assim, pude me recordar de Sam. Sua aparência me lembrava o meu melhor amigo, e a partir desse fato, sabia que não seria capaz de fazer aquilo. Mais uma vez, me lembrei de Sam. Suas cicatrizes inacabáveis, seus machucados pelo corpo, o medo presente em sua alma, e o medo de ir embora, acompanhando sua bravura. Uma lágrima correu pelo meu rosto, enquanto eu prendia meu frustrante choro e tremia minhas mãos. Observei Jay, e neguei com a cabeça em meio de lágrimas. Seu sorriso desapareceu, e então, ele observou um dos homens presentes no círculo. O mesmo, se aproximou de mim e colocou uma pistola em minha cabeça. A senti encostada em meio de meus cabelos, e um frio intenso arrepiou minha pele. Fechei meus olhos ainda segurando o arco, e escutei a voz de Jay. –Se você morre, o puto morre. –Abri meus olhos novamente, e ele continuou. –Acabe com os miolos do filho da puta, e sua dívida estará paga. –Engoli seco, e recordei-me de Charlie. –O garoto volta para casa... e cumprimos o acordo.

  Olhei para o jovem homem. Conversamos pelo olhar durante um mísero minuto, até que por meio de minhas lágrimas, ele conseguiu entender que eu não tinha opção. -Seja rápida. –A voz fraca e desesperada homem adentrou meus ouvidos, enquanto ele ainda me fitava trêmulo. E então, ele fechou seus olhos, e prendeu sua própria respiração, preparando-se para morrer. Olhei pela última vez a poça de sangue ficando por baixo das solas de meus sapatos, seus machucados e seu olho que mal conseguia se fechar.

   Fiquei alguns segundos o observando, até quando limpei minhas lágrimas, tentando me concentrar no que fazer. -Faça, fraca. –A voz de Jay se prolongou. –Faça como uma mulher de verdade!

  FLASHBACK ON

  Sam estava deitado na cama. Pálido, com seus olhos fechados, imóvel, e sem vida. Seus machucados ainda estavam visíveis ao meu olhar, e eu conseguia perceber sua exaustão por conta de suas olheiras roxas, e sua pele úmida. 

  -Troquei de roupa três vezes... Queria estar bonita. -Escutar as palavras de Gabriela, e observar meu melhor amigo morto era como uma flechada em meu coração. Sam não respirava, não falava, não se mexia. E seu coração... não batia. -Eu teria estado aqui mais cedo... -Ela engoliu seco, enquanto seus olhos ficavam marejados de forma progressiva, e sua voz falhava. -Mas não conseguia decidir qual roupa usar. 

  Um silêncio tomou conta daquele lugar. Minhas lágrimas pareceram se esgotar, como meu fôlego. Eu me forçava a tirar os olhos do corpo de Sam, mas não conseguia. Todos estávamos abalados, e de forma preocupada, eu só conseguia pensar em Sam. E no que ele poderia se transformar em questão de segundos. -A uma hora atrás ele estava me pedindo em casamento. -Gabriela sussurrou mais uma vez. -E agora... -Sua voz falhou, e uma lágrima correu pelos seus olhos. -Agora ele está virando um errante. Não é ridículo? -Ela indagou, e de forma breve, Daryl me observou. -Não é a coisa mais ridícula... que já... escutaram?!

  Alex e Erin se aproximaram, e impediram que o pior pudesse acontecer. Com um pano, cobriram o rosto de Sam, enquanto Alex furava seu pescoço com uma pequena faca. Glenn abraçou Maggie como nunca, e Rick levou as mãos até seus cabelos, fechando seus olhos. O elevador se fechou, e os gemidos e lágrimas de Gabriela ficaram cada vez mais distantes. E eu, permaneci ali parada, observando pela última vez Sam sendo o que ele era: um sobrevivente. Uma pessoa, um amigo, um homem, e uma das pessoas mais importantes que tinha acontecido, tinha morrido. Bem na minha frente, como se aquela cena fosse prevista. A escuridão levou mais uma parte de meu coração, e minhas lágrimas se foram, deixando para trás dor, tristeza, e... solidão. 

  FLASHBACK OFF

  Mais uma vez, entreguei-me a dor. O choro tomou conta de mim, e eu gemia em meio de lágrimas. E eu permaneci parada. –Qual é o problema? –Jay indagou, e continuou a me fitar. Fiz o mesmo, enquanto chorava e sentia minhas mãos doerem. –Vou lhe dizer qual é o problema. O problema é que... Você não é uma mulher de verdade. Você é só mais uma fraca! –Seu grito alto machucou meus ouvidos, e seu olhar escuro fixou em mim quando nunca.

  -É você ou ele, fraca! –Ouvi a voz do homem velho que encostava sua pistola na lateral de minha cabeça.

  As lágrimas de secaram. O choro terminou. E a raiva, se aprofundou. Olhei para um ponto fixo a minha frente, e respirei profundamente antes de afirmar. –Me chame de fraca mais uma vez... –Aumentei meu tom de voz, e afirmei. –E eu mato você.

  -Como é? –Ele insistiu sem acreditar, e então carregou sua arma. –Fraca!

  Meus olhos se direcionaram para seu rosto, e por uma fração de segundos abaixei-me, colocando as mãos em minha cabeça, e como reflexo, o homem atirou em um ponto cego. O tiro passou por cima de mim, e pegou em outro capanga, que caiu no chão segundos depois. Depois que me levantei, segurei com uma de minhas mãos seu braço e cravando minha flecha em seu pescoço, fiz com que sua pistola caísse no chão. Ouvi o grito de dor do homem adentrando meus ouvidos, e ativando toda a adrenalina presente em meu corpo. Um capanga qualquer, tentou me segurar, mas usando minhas mãos, consegui empurrá-lo. -Não atirem! -Ouvi o grito de Jay assim quando apressei-me a fugir daquele lugar. Não vi para onde levaram o homem ferido, ou se ele permanecia no mesmo lugar. Eu apenas pensava em fugir. Foi automático. -Segurem-na! -Utilizando meu arco e flecha, atirei contra dois homens que tentavam me cercar. Sabia que seria inútil, mas atirei a maioria de minhas munições por puro reflexo. Ultrapassando alguns capangas, e empurrando o corpo de alguns, deixei o grande círculo e passei a correr da forma mais rápida que consegui em direção a saída. Eu não olhava para trás. Apenas segurava meu arco de forma rígida, respirava rapidamente, e sentia meu corpo em movimento tremer como nunca. Passei por cima de vários produtos e tentei não escorregar nas inúmeras poças de refrigerantes e água. Quando finalmente alcancei as portas do supermercado, avistei dois homens armados parados nas mesmas. Meus passos foram interrompidos, e então eu os observei caminhar até mim. Olhei para trás, e vi Jay na multidão de homens que me perseguiam. Pensa, Emma. Pensa, Emma! Olhei para frente e observei uma grande estante com várias garrafas com conteúdos alcoólicos. Em relação aos dois homens, segurei meu arco e derrubei um atirando em seu peito. O outro, que de certa forma conseguiu segurar meu pescoço com uma de suas mãos, teve seu crânio fraturado por uma pancada feita pela parte pesada de meu arco. Brevemente, coloquei minha mão em meu pescoço estrangulado, tentando voltar a respirar. E então, corri até atrás da estante, e utilizando o peso de meu corpo para empurrá-la, a derrubei em cima de todos os homens que me seguiam. Alguns, tiveram seus corpos feridos. Outros, caíram no chão. E a minoria, como Jay, me observaram mais uma vez. -Não fuja! -Automaticamente, avistei um grande extintor de incêndio largado no chão do supermercado. Isso! Peguei o objeto extremamente pesado, e com um único movimento, o ergui lançando-o contra a porta, que se quebrou em pedaços de vidro. Ainda conseguia ouvir os gritos e os passos atrás de mim enquanto eu saía de dentro do lugar e ultrapassava os carros com meus longos e rápidos passos. Chegando na floresta, avistei dois errantes. Um deles, sem vestimentas, tentou me morder. Não me importei em matá-lo. Apenas agarrei seus braços, enquanto chutava o segundo, e empurrei seu corpo na direção do mercado tentando, de certa forma, atrasar a vinda daqueles que não queriam o meu bem. Com o caminho livre, corri por mais alguns quilômetros, até que os barulhos diminuíram. Mal conseguia respirar. Minhas pernas doíam, minha pele suava, e meu corpo gritava por um segundo de repouso. Demorei alguns segundos para parar, até que encontrei uma grande árvore e encostei minhas costas na mesma. Não fechei meus olhos por nenhum momento. A escuridão da floresta era o bastante para fazer-me ouvir minha própria respiração ofegante. Não sabia para onde ir, e se deveria ir. O que aconteceria se não cumprisse a dívida que tinha com Jay? Charlie morreria? Eu não conseguiria voltar para casa? Mais uma vez, eu seria uma fraca? As dúvidas rondavam pela minha cabeça, enquanto eu mal conseguia manter-me em pé. Pensei em utilizar minha bombinha, mas não tinha forças para alcançar meu bolso. Quando finalmente pensei em mover-me, e procurar por respostas, dei de cara com o corpo de Jay. Com dois homens atrás de sua enorme estrutura, ele sorriu mostrando-me todos os seus dentes. Como reflexo, suspirei de susto e arregalei meus olhos. Colocando uma flecha em meu arco, apontei o mesmo em sua direção e o observei, ameaçando-o. -Calma, fraca. -Seus doentes olhos escuros me observaram mais uma vez. -Não vai doer nada. -De repente, vi sua mão armada se direcionando para a lateral de minha cabeça, e uma dor intensa tomar conta da mesma. Tudo ficou escuro, meu arco caiu no chão e eu não tive equilíbrio sobre meu próprio corpo. Caí. Senti o impacto quebrar algumas flechas de minha mochila, e parte de minhas mãos ficarem doloridas com o arco. Observando as gramas embaçadas, e sentindo o vento frio da madrugada percorrer minha pele pela última vez, fechei meus olhos de forma involuntária. 

E mais uma vez, os demônios que me assombravam tomaram conta de mim. 


Notas Finais


Então gente, sei que esse capítulo foi bemmmmm curtinho. Mas, de certa forma, o próximo vai compensar.
Minhas provas finalmente acabaram, e eu poderei atualizar o capítulo até no máximo quinta-feira.
Obrigada por tanto apoio, pelos coments e pelos MA RA VI LHO SOS favoritos!

Vocês são incríveis, e eu me sinto cada vez melhor quando leio seus agradecimentos e elogios relacionados ao meu trabalho. (:
Amo vocês! Não me abandonem e não percam o próximo. Saberemos mais sobre HoldWood, Daryl, Mark, Charlie e como Emma ficará. :x
Obrigada!
Até a próxima <3 <3 <3


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