História Survivors - Capítulo 93


Escrita por: ~

Postado
Categorias The Walking Dead
Exibições 59
Palavras 4.274
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Romance e Novela, Terror e Horror
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


I´M BACK SURVIVORS!
Como vocês estão? Já estava com sdds <3

Nesse cap usei algumas referências usadas na série, mas as mudei ao máximo colocando-as no contexto da fanfic.
Está bemmmmm grandinho, mas muuuito legal. Espero que amem!
Obrigada por tudo, e...
Boa leitura!

Capítulo 93 - 24 Hours in Hell.


Fanfic / Fanfiction Survivors - Capítulo 93 - 24 Hours in Hell.

Quando você fica doente, começa com apenas uma bactéria. Um único repugnante intruso. Logo, o intruso se duplica, torna-se dois. E então, esses dois tornam-se quatro. Esses quatro tornam-se oito. E antes que seu corpo perceba, ele está sendo atacado. É uma invasão. Para um sobrevivente, a pergunta é: quando os invasores chegaram, tomaram conta do seu corpo... como você se livra deles?

  -Devolva. –A voz de Gabriela tomou conta do quarto, enquanto a parte da frente de sua pistola era apontada para um dos três homens presentes naquele cômodo da casa. Ela recarregou sua arma, e o ameaçou. –Não tenho medo de atirar.

  O homem gargalhou. –Ah.. ruivinha.. O que acha que acontecerá depois que você fizer isso?

  -Você morre.

  Depois de meros segundos, Jay ultrapassou a porta do quarto e deu passos lentos até encontrar-se com Gabriela e ficar ao lado do homem.

  -Ah, claro... Imaginei que seria você. –Os dois, se viram pela primeira vez depois de muito tempo. –Sempre se fazendo de durona, não é? -Gabriela o observou de cima abaixo, e forçando-se a digerir seu aparecimento ali, não se conteve.

  -É melhor você ir. –Ela praticamente ordenou, sem abaixar sua arma. –Antes que eu arrume outra cicatriz para a sua coleção.

  -Eu sabia que você não ia superar a morte dele tão depressa. –Ele se referiu a Ben, e ela se calou por míseros segundos. –Mas... Me ameaçar? Isso é uma novidade e tanto!

  -Gabriela... abaixe isso. –Interrompendo a conversa dos dois, e sendo seguida por mais capangas e por Rick, adentrei o quarto e fiquei em frente ao seu corpo.

  Ela então, me olhou completamente assustada com o meu estado físico. Tencionando ao me ver daquela forma, não acreditou no que estava acontecendo. –Emma? –Vi a surpresa presente em seus olhos verdes, e seu nervosismo ao ver-me inteiramente machucada. –O que ele... fez com você?

  -Eu?! –Jay interviu, e ironizou sorrindo. –Eu não fiz a metade do que pretendo fazer. E farei ainda mais se não se comportar.

  -Comportar?! –Gabriela franziu seu cenho, e não acreditou em suas palavras. –Eles estão pegando as coisas de Sam! –Observando Rick brevemente, ficou sem o que argumentar diante daquela situação. –Seus remédios, suas roupas... Vocês não podem simplesmente...

  -Sim, nós podemos. –Jay a interrompeu mais uma vez, dando passos para frente e ignorando a presença de sua arma ali. –Podemos muito além do que estamos fazendo. E eu não vou mentir, ruivinha... Eu planejo muitas coisas. Tenho muitos planos, muitas possibilidades... E elas aumentam. Cada vez mais.

  -Gabriela, por favor... –Rick tentou intervir.

  -Eu não mandei você abrir a boca, Grimes. –Jay o calou sem gritar, mantendo o seu tom sarcástico. Inferiorizado, ele permaneceu em silêncio e ainda dentro do quarto que Sam costumava dormir. –Onde estávamos? Ah... sim. O momento em que estou pensando seriamente em explodir esse lugar. –Gabriela calada e sem se mexer, ouvia Jay se forma clara. –Escuta, ruivinha... Eu gosto de você. Realmente gosto. Você foi minha putinha favorita desde do terminal, realmente foi. Então, eu não quero que isso termine mal... E muito menos ter que atirar em sua preciosa cabeça vermelha, para fazê-la ainda mais vermelha. Eu nunca falei tão sério. –Jay diminuiu seu sorriso, e fazendo-a se recordar de todas as pessoas que perdemos, inclusive Sam, finalizou. –Você realmente quer que eu te prove o quão sério estou? De novo?

  Gabriela me observou pela última vez, e finalmente abaixou sua arma. Foi como mostrar mais uma vez, para uma dos milhares de habitantes daquele lugar, que estávamos em perigo. E que Jay podia fazer muito mais do que fazia. E que não se recusaria de fazer tal coisa.

***

  -Então, é aqui. A famosa clínica! –Estávamos em frente à construção que nos levava à clínica de Erin. Eu estava de mãos amarradas atrás de Jay. E logo a sua frente, Marie e Rick permaneciam parados assim como Erin, Alex e Daryl, que estavam poucos centímetros de distância de nós. –Aposto que tem muitas coisas interessantes para mim... –Jay caminhou até Erin e Alex, observando o médico profundamente. –Estou certo, Eric?

  -É Erin. –O médico o interrompeu. 

  -Eric, Erin... Não importa. –Jay afirmou sério. –Por mim, seu nome é “merdinha” a partir de hoje. Agora me responda, Eric. –Ele insistiu, provocando-o. –Eu vou me interessar?

  -Sem os remédios necessários, não vamos conseguir sobreviver. –A voz de Alex se fez presente, chamando a atenção de Jay e livrando Erin da tensão que passava. –São para as crianças, e...

  -“São para as crianças!” –Jay o debochou, e riu amarguradamente. –Eu não dou a mínima para as crianças. E mesmo se desse, eu não me lembro de ter falado com você, doutorzinho.

  Alex o olhou se segurando para não cometer um erro fatal naquele momento. Estávamos cercados por pura tensão. Daryl ainda me olhava de longe, tentando processar o que Jay tinha feito à mim desde o dia que deixei HoldWood. Podia imaginar o que ele sentia facilmente. Eu sentia o mesmo ao vê-lo tão de perto e sentir que ele ainda estava tão distante.

  -É por aqui. –Marie, abrindo a porta do prédio, se prontificou seriamente. –O elevador é no final do corredor.

  Em volta de nós, ainda estavam presentes todas as pessoas de meu grupo e alguns habitantes. Não via crianças. Provavelmente, estavam sendo cuidadas e protegidas em algum lugar específico. Saber que Judith, Charlie, Julia e os outros não corriam riscos, aliviava parte de meu nervosismo. Jay depois de alguns segundos, ultrapassou Rick e Marie com passos quase lentos, até chegar perto de meu corpo novamente. Sem pensar duas vezes, agarrou meu antebraço e me encaminhou até a porta. Quando estávamos passando pela mesma, Daryl tentou ir para cima de Jay e nos acompanhar na entrada para a clínica. Mas, um nos capangas presentes, colocou a mão em seu peito e interrompeu seus passos. –Ah, ah, ah. –Jay, o observou e ordenou. –Você fica. –Daryl o encarou ameaçando-o com os olhos e mentalizando dar outro golpe em seu forte maxilar. Mas, contendo-se e vendo a minha insegurança por saber o que aqueles homens seriam capazes de fazer à qualquer um presente ali, apenas me olhou preocupado. Sem poder dizer nada, e voltando a ser arrastada por Jay, assenti de leve com a cabeça. Queria tranquilizá-lo. Mostrar que Jay não me mataria tão facilmente. Mas, nada seria capaz de tirar os duros pensamentos da cabeça de Daryl.

  Não demorou muito tempo para que chegássemos no andar de cima. Eu, Jay, dois homens, e Rick. Trocamos alguns olhares dentro do elevador, mas nada capaz de fazê-lo relaxado naqueles momentos de tensão. Eu não tinha o visto preocupado daquela forma desde o dia das invasões. Assim como eu, Rick estava com péssimos pressentimentos. E sendo líder daquele lugar, se achava na obrigação de conter toda a situação. Mas assim como Marie, todos sabíamos que ele era incapaz de realizar tal ato.

  -Uou. –Jay ultrapassou o elevador ainda comigo em suas mãos, sendo seguido por Rick e pelos dois homens. –É melhor do que eu imaginei. –E então, sem tirar seus olhos da sala, ordenou. –Peguem tudo.

  Os homens prosseguiram para frente, e passando a revistar tudo com suas mãos, pude olhar para Rick mais uma vez e perceber que alguém deveria fazer algo. E esse alguém não precisava ser ele. –Não, espera. –Os homens pararam de se mover, e eu observei Jay. –Você... você não pode fazer isso. Por favor. Eles precisam disso. –Diante de todos os necessitados daquele lugar, recordei-me da situação de Maggie e de Charlie principalmente. –Existem mulheres grávidas aqui. Crianças feridas, pessoas doentes. Eu sei que você não se importa... Mas, eu me importo. –Implorei, observando seus olhos negros. –Você tirou tudo de mim, e está tirando tudo deles. Apenas... deixe algo para eles sobreviverem. –A feição séria de Jay não me assustava naquele momento. Eu sabia que deveria fazer aquilo. E então, minha voz fraca se fez presente mais uma vez. –Por favor.

  Por mais que Jay fosse mais forte, mais rápido e superior, eu tinha uma vantagem. Ele estava apaixonado por mim.

  -Peguem tudo o que terminar com “cinina” ou “cilina”. –Jay orientou, referindo-se a remédios combatentes a prováveis infecções causadas por suas drogas. –Principalmente Amoxicilina e Penicilina.

  Uma parte de mim se tranquilizou, e eu e Rick nos observamos mais uma vez. Ele estava agradecido. O vi assentindo com a cabeça lentamente e abaixá-la em seguida. Eu sabia que pelo menos algo ali deveria permanecer. A esperança.  

***

    Com a parte de trás do caminhão aberto, esperávamos pelos móveis e suprimentos tirados da maioria das casas pelos homens. Jay estava em frente ao mesmo, e observando “suas conquistas” com um sorriso nos lábios, era cercado pelas pessoas de meu grupo. Eu esperava atrás de seu corpo, e sendo acompanhada por dois homens armados, fazer qualquer coisa naquele momento seria estupidez. Do outro lado, Rick e Marie estavam próximos um do outro. Agora, todos estávamos juntos. Mark, Erin, Alex e Gabriela também estavam lá. Eles me olhavam de longe, como a maioria das pessoas daquele ambiente. Observava Carol com saudades das conversas que tínhamos. Via Glenn e Maggie pensando em como estavam felizes por sua gravidez, e Beth recordando-me dos milhares de conselhos dados por mim para uma das meninas mais doces que já tinha conhecido. A bravura de Michonne e Sasha, me faziam falta, além de amigas, elas eram exemplos para mim. A saudade que tinha de Carl era inexplicável. Era como se eu voltasse a sentir o que senti quando perdi Max. Ele era meu irmão. E sofríamos ao nos vermos daquela forma. Eu via Daryl. Eu simplesmente não conseguia expressar o que eu sentia ao enxergá-lo de forma tão triste e preocupada. O pior, era que eu me sentia culpada. Por tudo aquilo. E mesmo quando consegui escapar do terminal, e acabar de certa forma com Jay, não conseguia mais repetir as mesmas palavras presentes em minha mente quando o matei. “Eu me perdoo”, não estava mais em meu dicionário.

  -Não. –Marie caminhou até um homem, que estava com sua grande penteadeira de madeira em mãos, e tentou tirar de suas mãos um objeto que não identifiquei. –Isso não! –Um dos homens interrompeu seus passos com a metralhadora apontada para seu corpo. O capanga observou Jay sem saber o que fazer, e viu a palma de sua mão aberta ordenando para que ele jogasse o objeto até suas mãos. E então, Jay o observou e o abriu. E todos percebemos que o objeto era um batom. –Por favor... Não faça isso. –Não sabíamos o motivo. Mas, de alguma forma, o pequeno objeto significava muito para Marie.

  Jay então, o observou e deu um pequeno riso irônico. Em seguida, seus olhos se escureceram, suas feições mudaram-se e ele lançou com toda as suas forças o objeto no chão. Depois, correu até Marie e gritou bem perto de seu rosto. –O próximo que me desafiar, vai ter sua cabeça explodida! –Depois, ele permaneceu no mesmo lugar. Enquanto todas as pessoas ali presentes, inclusive eu, o observávamos com medo. Marie fechou seus olhos diante de seu berro, e os abriu em seguida, o olhando seriamente. Ela simplesmente segurou suas lágrimas, e desviou de seu corpo, caminhando rapidamente até sua casa. Saindo de toda a confusão. Rick a observou de longe, e sendo cercado pelo corpo de Jay, que se aproximou do mesmo, ouviu suas palavras. –Sabe... o que “cabeça explodida” me lembra? Que você tem muitas armas... que fariam um grande estrago. –Seu ataque de fúria atingiu o nível zero. E ele se mostrou bipolar mais uma vez sendo sarcástico. –Todas as armas que tirou do terminal quando fodeu com todas as pessoas presentes nele.... Todas as munições que esconde de mim, todas as metralhadoras, escopetas, pistolas, rifles, granadas.... São minhas agora. –Ele afirmou, sorrindo. –Então, diga-me, Policial Grimes... Onde estão minhas armas?

***

  A partir daquele momento, estávamos em frente a grande dispensa onde guardávamos armas dentro de HoldWood. Praticamente, todo o nosso estoque estava lá, com exceções das transportadas pelos habitantes da comunidade. –Sabe... Você deveria agradecer por eu não estar levando tudo. Eu poderia muito bem acabar com seus suprimentos e deixar vocês morrerem de fome. Mas... Eu sou um bom homem. E sendo um bom homem, entendo que suas vidas miseráveis precisam de algo para continuarem a ativa. –Em frente a Rick, Jay o dominava mais uma vez, e na frente de todos. –Eu só estou tirando o que vocês podem usar contra mim. E claro... Estou com a fraca. Mas, ela não é de mais de vocês... Então, isso não conta. –Ouvi sua referência sendo usada contra a mim mais uma vez, e fui alvo de mais olhares por parte de Daryl. Olhei para baixo, e impossibilitada de me defender, fui obrigada a permanecer calada e com minhas mãos ainda amarradas. –Deveria agradecer... por eu estar te mostrando que ela continua viva. Agradecer por eu estar cuidando dela.

  -Você chama isso de cuidar? –Rick aumentou seu tom de voz, e no comando, se achou no direito de enfrentá-lo.

  -Eu não sei, Rick... Talvez você iria preferir que eu não cuidasse, não é verdade?! –Jay aproximou seu rosto do seu, e permanecendo com sua pistola em mãos, sussurrou enquanto seus homens entravam na dispensa e recolhiam todas as armas presentes ali. –Você é um mal-agradecido. Como ela. –Rick o observou em silêncio, e voltando a ironizar, Jay sorriu. –Olha, eu sei que começamos com o pé esquerdo. Mas, você me forçou a fazer isso! Destruiu minha casa, matou meus homens, tentou acabar comigo... Era o mínimo que eu poderia fazer. Eu sou a vítima da história. Sou apenas um homem esperando por certo apoio moral dos que um dia.. tentaram me derrubar! Invadir sua comunidade, matar alguns de seu grupo, ficar com a fraca... É apenas uma forma de te mostrar o que vocês realmente merecem. Porque eu juro, que se vocês não querem merecer isso, eu posso fazer pior. Muito. Muito. Muito pior. Só depende da colaboração de vocês. Depende da sua colaboração. –Rick olhou para baixo sem conseguir mais ouvir as duras palavras de Jay. -Então... me responda algo, Rick... Você está colaborando?

  -Eu o deixei entrar. –Rick o enfrentou, olhando-o novamente. –Deixei que pegassem nossas suprimentos, nossos remédios... Deixei que pegassem Emma.

  -Emma não é sua para que você “me deixasse a pegar.” –Ele se aproximou ainda mais e afirmou seriamente. –Ela é minha. Minha propriedade. E na próxima vez... que você se achar no direito de se achar dono de algo que é meu, eu acabo com esse lugar. –Ele finalizou, antes de entrar e pegar as armas que faltavam. –Eu fui claro? –Jay estava superando Rick a cada segundo que passava. Ele o inferiorizava, e o lembrava que o verdadeiro dono daquele lugar, era Jay. E ninguém mais. Rick, sem ter apoio de Marie, que não estava mais entre nós, assentiu lentamente e de forma forçada olhando fundo nos olhos de Jay. –Ótimo. –Finalizando, sorriu. –Porque estamos apenas começando, amigo.

  Depois de poucas horas, os homens já tinham pegado todas as armas de HoldWood. Da dispensa, dos carros, dos habitantes. Menos das pessoas de meu grupo. Os homens então, colocaram Rick, Daryl, Michonne, Carl, Sasha, Carol, Glenn, Maggie, Beth, Alex, Mark e Gabriela, lado a lado. Eu ficava na frente de todos, ainda sendo rendida pelos homens. Jay passou a caminhar por toda a fila, recolhendo a arma de cada um presente na mesma. Sorrindo ao ver Gabriela mais uma vez, mostrou prazer ao segurar sua pistola e a metralhadora de Mark, que o encarava seriamente. Ele então, foi até Alex e também o rendeu, murmurando um “obrigado” em seguida. Depois, recolhendo as armas de Glenn e Beth, ficou à frente de Maggie, que assustada com toda a situação, mantinha uma de suas mãos em cima de sua barriga. Entendo do que se tratava, Jay sorriu. Maggie estava grávida, e por aquele fato, ela é prioridade em quesito de "proteção" diante daquilo tudo. Jay me observou. –Faria tudo para protegê-la, não faria?

  Permaneci séria, e com lágrimas em meus olhos. Poderia simplesmente ignorá-lo, mas Jay odiava quando não era respondido. –Sim.

  Ele voltou-se para Maggie, e a analisou de cima abaixo, enquanto era encarado por Glenn de forma ameaçadora. –Por sua percepção eu estaria a estuprando todos os dias. Minha pele estaria tocando a dela... Ela seria meu novo brinquedinho. Talvez, eu tenha escolhido a mulher errada.

  Tentando tocar em seu rosto com o dorso de sua mão, foi interrompido por Glenn, que entrou na frente de Maggie e não teve medo de deter Jay. –Não.

  Jay então, gargalhou, sorrindo ao ver tal cena. –Relaxe... Garoto japonês. Só estou brincando. –Ele ironizou, me observando mais uma vez. –Não a trocaria por nada. –Senti nojo ao escutar aquela frase, assim como Daryl que trincou sua mandíbula ao me ver rebaixada mais uma vez.

  Jay passou por Carol, Michonne, Sasha e Carl. Também recolhendo suas armas e entregando as mesmas para seus capangas. Quando passou por quase todos, com sua arma em mãos, parou em frente a Daryl e observou a crossbow devolvida ao seu corpo logo depois do golpe dado por suas mãos. Jay o observou com um sorriso de canto de boca, abrindo a palma de sua mão em seguida, pedindo a arma. Daryl me observou mais uma vez. Ele não queria fazer aquilo, não queria se rebaixar e não iria tão facilmente. Mas, eu não queria que ele sofresse as consequências. Então, o observei profundamente e ele entendeu o que eu queria dizer. Jay não desistiria tão facilmente. Ele largou a crossbow no chão, e sem parar de olhar para Jay, o obrigou a curvar-se até o gramado e pegar a arma tão desejada. Ele voltou-se a Daryl e o olhou o ameaçando sem dizer nada. Por fim, ele chegou no último da fila. E dando um imenso sorriso para Rick, afirmou. –Só falta você, policial.

  Rick viu que não tínhamos saída. Eles estavam sem armas, sem munições, sem proteções. Jay tinha tirado tudo o que os mantinha vivos. –Jay, me escuta.... Por favor, pelo menos... Deixe uma arma.

  -Desculpe, Rick. –Jay o interrompeu. –Isso não vai ser possível.

  -Eu não posso. –Rick se recusou a entregar a última arma restante. –Eu não... não posso fazer isso.

  Jay o observou seriamente por muitos segundos. Ele viu que Rick não cederia a proteção de seu grupo. E então, murmurando um “ok” sorridente, chamou-me para perto de seu corpo. –Fraca, pode vir aqui, por favor? –Meu coração se acelerou ao ouvir sua voz se referindo a mim mais uma vez. Permaneci parada, e fui empurrada de leve por um dos homens. Obrigada a fazer aquilo, obedeci. Demorei a me aproximar totalmente de seu corpo, mas Jay segurou meu pulso e me colocou à sua direita. Jay não tirou seus olhos de Rick, que temia que algo pudesse acontecer. E aconteceu. Por uma questão de segundos, senti meu nariz doer intensamente depois de ouvir um grande barulho e cair de lado no chão. Jay tinha me nocauteado com sua pistola, derrubando-me e me fazendo grunhir de dor ao encontrar-me com o solo. Não consegui me equilibrar por conta das minhas amarradas mãos, sendo obrigada a me entregar a dor e ter a lateral de meu corpo completamente machucada. Erin então, que sem armas permanecia fora da fila, ao ver a cena, correu até mim tentando me ajudar. Senti suas mãos agarrando meus braços e me reerguendo, mas em seguida, meu corpo foi jogado no chão novamente quando mais homens se aproximaram e apontaram suas metralhadoras para seu corpo. Um silêncio estrondoso tomou conta do local. E sendo quebrado por Daryl, o homem que carregava fúria em seus olhos ao me ver machucada, tentou correr até Jay mais uma vez, mas foi segurado por Alex e por Mark. Carol ficou atrás do corpo de Daryl, e colocando uma de suas mãos em suas costas, tentou acalmá-lo, contendo suas lágrimas. Ouvi seus grunhidos desesperados tentando-se se soltar, e consegui imaginar seus olhos feridos ao ver-me mais uma vez daquela forma.

  Recuperando-me, passei os dedos pelo sangue que escorria pelo meu nariz e apoiei minhas mãos no chão, tentando me levantar. –Emma... –Ouvi a voz de Carl assustado, e quis tranquilizá-lo, por mais tonta que estivesse.

  -E-eu... Eu estou bem. –Consegui ficar agachada enquanto era avistada por todos da fila, que me observavam transtornados. Enquanto me levantava, ouvia a voz de Jay se pronunciando novamente.

  -Ouviu isso, Rick?! Ela está bem! -Daryl me olhou assustado e completamente preocupado, ainda sendo preso pelos braços. E então, Jay se aproximou rapidamente de Daryl e segurou seu maxilar com uma de suas mãos, movendo seus olhos na direção dos seus de forma bruta. –Não vai querer ver quando ela estiver mal. Ou vai?

  Depois de alguns segundos, Daryl não afastou de suas mãos, mostrando-se mais uma vez que não tinha medo de Jay. Ameaçando-o sem se mover. –Eu vou te matar.   

  Jay continuou o olhando profundamente, até que sorriu e se aproximou ainda mais de seu rosto, dizendo suas últimas palavras antes de soltar o mesmo. –Tente.

  Jay me ameaçava durante todos as angustiantes horas daquele dia. Indiretamente, ou diretamente, ele me machucava. E ninguém tinha mais fúria diante daquela situação do que Daryl. Rick então, sem nenhuma opção, entregou sua pistola para as mãos de Jay, que sorriu ao vê-la. -Isso sim é ouvir e entender a mensagem! –Jay sorriu e se fez sarcástico, olhando para seus homens, e consequentemente para mim, que terminava de ter meu corpo erguido pelos homens novamente. –É bom saber que agora entende quais são as minhas condições.

  Não conseguia erguer minha cabeça. Estava tonta, machucada e dolorida. Apenas ouvia vozes, e via borrões, sentindo o sangue ainda escorrer pelo meu nariz. Pude avistar lágrimas escorrendo pelo rosto de Beth, as feições preocupadas de Maggie e Glenn, e a tensão de todos ao me verem daquela forma. Carol tinha lágrimas em seus olhos como Carl, e Erin estava ainda rendido. Inclusive de Sasha, que sempre se mostrou forte em qualquer situação. Mas, como Michonne, Gabriela, Mark ou Alex, nenhuma pessoa forte o bastante superaria Jay.

  -Por favor... –Maggie implorou. –Deixe... Deixe-a ficar.

  -Desculpe-me, gatinha. Não vai acontecer. –Mais uma vez, ele negou qualquer petição feita pelo líder do lugar ou por qualquer pessoa do grupo. Voltando-se para Rick, continuou. –Agora... o seu próximo passo... é lembrar-se desse dia. Isso serve para você, caçador. –Ele observou Daryl, que o encarava furioso e ainda era imobilizado. –Não vão se meter em meu caminho, não vão me procurar, e muito menos procurá-la. –Recuperando parte de minha visão, pude ver aos poucos a cena presente na minha frente. –Porque... eu juro por deus.... que se eu ouvir falar de vocês, ou sobre a existência dessa preciosa comunidade, eu vou voltar. Eu tenho certeza que você não vai querer que eu volte. –Rick levantou a cabeça mais uma vez, e observou os olhos de Jay. –E sobre a fraca... Bom, não se preocupe. –Aproximando-se pela última vez de seu rosto, e encarando os olhos azuis de Rick, disse suas últimas palavras. –Ela está em boas mãos. -Meus pés foram locomovidos em direção a caçamba de uma velha picape que transportava alguns suprimentos.

-Não... Não... Emma... –Gabriela tentou chamar-me, mas eu a interrompi.

  -Tudo bem. –Observei todos, e sussurrei com minha fraca voz. Movendo meus olhos para Rick e para todos do grupo. –Tudo.. bem. –Depois, observei Daryl e afirmei com todas as minhas forças restantes. –Tudo... vai ficar bem. 

  -Bem... Vocês ouviram. –Jay sabia como contornar qualquer situação, e fazendo com que os homens deixassem Erin livre, ordenou sorrindo. –Foi um longo dia, homens! Vamos para casa! –Senti meu corpo se sentar em uma espécie de banco, e observei todos os homens adentrando seus veículos para deixar HoldWood mais uma vez. Inclusive Jay, que observou Rick pela última vez, e entrou em seu carro.

  A picape deu partida. Um homem agarrava meu braço e me impedia de me levantar. Movi minha cabeça em direção a comunidade e permaneci sentada. Todos me avistavam de forma triste, inclusive Carl. –Não! Emma! -Que se desesperava ao ver-me partindo e se jogou no chão deixando-se levar por lágrimas sendo contido por Michonne, que contornava seu corpo com seus braços, segurando-o e me olhando de forma dolorosa. Observei todos de meu grupo. Rick me olhava com lágrimas em seus olhos, enquanto Daryl, conseguia se soltar das mãos de Mark e de Alex e passava a correr em direção ao automóvel, que ganhava velocidade e se afastava da comunidade. Eu o observava correr, e não tinha condições de fazer nada. Apenas permanecia sentada. Machucada. E indefesa. Depois de certos quilômetros, ele parou de correr. E ficou a poucos metros de distância dos portões abertos. Deixei com que uma lágrima corresse por um de meus olhos machucados enquanto ele se ajoelhava de forma acabada, e me observava de forma cada vez mais distante. Pela primeira vez em minha vida, pude ver Daryl chorar. Não foi um choro desesperado, ou que chamasse atenção. Foi um choro sem esperanças. Um choro que nós dois compartilhávamos enquanto nossos corpos eram afastados a força. Ele me olhava com dor. Enquanto eu via a única pessoa que pude amar na vida, ficar cada vez mais longe de meu corpo. Eu estava deixando-o. Mais uma vez. Aquele era o fim.

  O que você faz quando uma infecção pega você, quando te domina? Você faz o que deve fazer e toma o remédio? Ou aprende a conviver com isso e espera que um dia desapareça? Ou desiste completamente e...

 A deixa te matar?


Notas Finais


Comentem! <3


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