História Survivors - Capítulo 18


Escrita por: ~

Postado
Categorias Jogos Vorazes (The Hunger Games)
Personagens Alma Coin, Annie Cresta, Cashmere, Cato, Clove, Coriolanus Snow, Cressida, Delly Cartwright, Effie Trinket, Finnick Odair, Gale Hawthorne, Glimmer, Haymitch Abernathy, Johanna Mason, Katniss Everdeen, Madge Undersee, Peeta Mellark, Personagens Originais, Primrose Everdeen, Rue
Tags Darkfic, Drama, Everllark, Ficção Adolescente, Jogos Vorazes, Mistério, Peetniss, Romance
Visualizações 153
Palavras 3.970
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Heeeyy
Sorry pela demora, as aulas na faculdade voltaram essa semana e eu já tenho um monte de coisas para fazer, de qualquer forma não vou abandonar essa fanfic viiiiu, gente? Escrever é minha segunda vida então vou estar sempre voltando aqui :3
Anywayyy, boaa leitura ❤

Capítulo 18 - Quase Em Casa


Fanfic / Fanfiction Survivors - Capítulo 18 - Quase Em Casa

A ansiedade havia se tornado um grande problema para mim e o silêncio de Peeta me deixava agoniada ansiando por sua resposta. Suas mãos seguravam minhas costelas e seus dedos tocavam minhas costas agora desnudas, o casaquinho que eu usava deslizou sobre meu corpo enquanto nos beijávamos, se embrenhando em meus pés descalços. O corpo de Peeta estava curvado para trás enquanto o meu, próximo e quase sobre o seu, projetado para frente. Era uma posição estranha e parecia desconfortável, ainda mais com o vestido que eu usava que parecia ser frágil demais e estava marcado pelos dedos de Peeta. Meus joelhos pareciam não querer aguentar o peso do meu corpo enquanto estava sob o olhar penetrante dos dois oceanos azulados de Peeta, prendendo toda a minha atenção nos mesmos. Enigmáticos, porém ligeiramente surpresos. Talvez pela minha confissão, que parecia fazer o meu peito doer enquanto esperava por uma resposta. Mas nada veio. Continuávamos naquele silêncio, pela primeira vez, desconfortável. Tentei afastar o meu corpo, mas Peeta me segurava firmemente e quando pisquei estávamos deitados totalmente fora da toalha, sobre a areia gelada. Meu corpo quase por completo sobre o seu, rijo como o meu, e nossos pés entrelaçados. Nossas respirações descompassadas pareciam convergentes pelos nossos rostos próximos, selamos os lábios desajeitadamente e Peeta tomou meu corpo com os seus braços, suas mãos sobre a extensão nua das minhas costas com delicadeza proporcionavam choques elétricos pelo meu corpo. Então ele me abraçou levemente e eu ergui minha cabeça para poder ver os seus olhos bonitos. Peeta sorriu de leve, sorriso esse que fez meu coração dar um salto como se fosse sair pela minha garganta.

- Eu sei que esperar alguma coisa de mim é difícil demais para alguém aguentar, perdoe-me por fazê-la passar por isso. – pediu cauteloso.

- Você não tem que...

- Eu tenho sim, principalmente porque fui rude com você inúmeras vezes sem um por que específico. Eu nunca fui religioso e creio que isso dá para notar, mas eu sei que você foi um presente de Deus enviado para me salvar dos meus demônios. Você causou um efeito muito grande na minha vida desde o primeiro momento em que meus olhos encontraram com os seus naquela cafeteria, que antes era apenas um lugar comum como qualquer outro dessa cidade, e que agora é o nosso lugar. Eu devia agradecer por todos os nossos dias, sendo ruins ou bons, porque você não só ficou ao meu lado, você deixou tudo para ficar ao meu lado. Ninguém nunca fez isso por mim antes, nem mesmo Annie. E eu sei que a opinião das outras pessoas tem um efeito grande sobre mim, eu sempre quis me encaixar, mas sendo o que eu sou eu nunca irei me encaixar e isso faz com que eu me odeie todos os dias. As pessoas não vão gostar de mim e vão sempre me olhar torto e talvez eu não deixe de me sentir culpado pelas coisas que eu fiz e pela morte da noiva de Finnick, talvez eu fique sozinho para o resto da minha vida com todas essas coisas na minha cabeça me assombrando. Esse é o meu mundo. Bom, o que eu achava que era o meu mundo. Eu não deixei de pensar nessas coisas, esse foi um grande motivo para eu ter sumido de vista durante aquelas semanas. Querendo ou não minha mente é confusa e eu não consigo consertar, eu só pensei que se eu sumisse de uma vez os problemas das pessoas iriam acabar. E mesmo que você estivesse do meu lado durante esse tempo essas coisas se misturavam todas na minha cabeça e eu não consegui aguentar, talvez eu ainda não consiga, essa confusão ainda está aqui. As pessoas estavam tentando fazer com que eu me lembrasse de você, mas não dei ouvidos a nenhuma delas. Isso parece horrível, não é? Eu sei, eu sou uma granada.

- Peeta...

- Deixe-me terminar, Katniss. – consenti, calando-me. Seus braços ainda apertavam meu corpo levemente contra o seu e na minha cabeça eu imaginava como deveria estar sendo difícil para ele me contar. – Eu estive com alguns problemas para distinguir certas coisas nesse meio tempo, sobre mim, sobre o que eu sinto por você, sobre minha família. Por um longo período da minha vida eu pensei que Tyna realmente fosse minha mãe, mesmo nós dois não sendo fisicamente parecidos. Mas agora não tenho essa mesma certeza. Eu preciso... Eu não posso intensificar nossa relação agora. Eu consigo ver você um pouco além das minhas incertezas, mas eu ainda não consigo...

Suas imensidões azuis brilhavam pelas lágrimas, os meus olhos não deviam estar muito diferentes. As palavras de Peeta, como sempre, causando aquele efeito impactante que só ele conseguia manusear. Eu ainda não consegui digerir todas as informações, não porque eu estivesse pensando apenas em mim, e sim porque as coisas com Peeta não eram fáceis e tampouco para mim. Nós dois tínhamos os nossos próprios problemas, nossas escolhas, nossos próprios demônios, nossas próprias lutas para vencer. Nossos dois mundos colidiram, tornando-se um. Mas as divergências permaneciam, elas sempre estariam ali para nos lembrar de que as coisas eram difíceis e que a vida podia deixar sequelas. Essas que talvez nunca pudessem ser esquecidas ou apagadas. Mas em momento nenhum eu pretendia deixar Peeta, eu não conseguiria viver sem ele aqui. A dor de tê-lo perdido foi o suficiente para eu perceber que ele era a substância que eu precisava para estar viva. Eu não salvei Peeta. Nós salvamos um ao outro.

Então quando nos beijamos novamente eu senti o gosto salgado das nossas lágrimas misturado levemente com o gosto de hortelã e cereja, o que estranhamente parecia combinar perfeitamente. Peeta intensificou o beijo, mas no mesmo instante eu quebrei nosso momento, fitando seus olhos com intensidade.

- Peeta, eu não posso te perder de novo. Eu preciso de você aqui comigo, iluminando meus dias com o seu alaranjado pôr do sol. Não importa por quantos demônios você tenha que lutar, eu vou estar ao seu lado e vou dar o meu melhor para acabar com todos eles. Eu preciso de você, de todas as maneiras, nos dias bons e nos dias ruins. Você me deu o infinito em nossos dias contados e eu estou muito feliz com isso. Eu sei que é difícil para você com todos esses pensamentos se repetindo e se embaralhando em sua cabeça, mas você não está sozinho. Nunca vai estar. Eu vou sempre estar aqui, mas eu preciso que fique comigo. Você vai ficar?

- Sempre. – as batidas do meu coração se tornaram frenéticas – Eu disse que não ia e nem queria te deixar, Katniss. Posso estar confuso, mas ainda me lembro disso. Você é apaixonada por mim? – seu olhar não desviou do meu nem por um segundo ao perguntar. Não estavam surpresos ou confusos, mas pareciam incertos.

- Completamente.

- E o Hawthorne?

Revirei os olhos, incrédula com o que acabara de ouvir. Levantei-me, desvencilhando do seu abraço e me sentando desajeitadamente na areia gélida sem me preocupar em arrumar o vestido. Peeta repetiu meu ato, sentando-se ao meu lado.

- Eu não acredito que você me perguntou isso, Peeta! Pensei que esse fosse um assunto do qual não conversaríamos.

- Eu só estou curioso. – se defendeu – Lembro-me bem de ver os dois se beijando na saída da igreja antes de nos encontrarmos no Fryi Mont, além de vocês dois estarem com aquela proximidade quando eu te convidei para ir à minha casa. Está certo que não temos nada e que você o conhece há mais tempo, mas e aquela coisa que você disse que sentiu quando o beijou? Você não está brincando com os meus sentimentos, não é? Porque se você o ama...

- Você está se ouvindo?! Mas que droga, Peeta! – disse irritada – Depois de toda essa conversa pesarosa, de doar o meu sangue para te ter ao meu lado novamente e de nossos beijos achei que estivesse muito óbvio todos os meus sentimentos por você. Fora que Gale nem comigo mais está falando, ele praticamente sumiu da minha vida depois daquele dia em sua casa. Eu disse que senti uma coisa, mas advinha só? Não é nem um terço do que você me faz sentir. Gale não é o homem certo para mim, por mais que me digam o contrário. Cabe a mim dizer o que eu quero e o que eu não quero é a tentação de um único momento onde uma faísca de esperança e ousadia aparece minimamente para em seguida ser esmagada pela realidade cruel. Eu quero um momento de paz onde eu posso me sentir livre. Eu quero o alaranjado do pôr do sol diante dos meus olhos enquanto estou deitada no gramado. Eu quero o infinito. Eu quero as cores que transformam minha vida em uma pintura. Só você pode me dar essas coisas, Peeta. Só você.

Meu rosto estava virado em direção ao mar, as pequenas e leves ondas se quebravam na orla. A noite estava bonita, o céu estrelado e a lua cheia tão grande que parecia que eu estava próxima ao céu. Eu não estava irritada de verdade, embora minhas palavras tivessem sido proferidas bruscamente. Eu havia feito uma escolha antes mesmo de saber, só nunca pensei nisso porque escolher entre Peeta e Gale parecia cruel. Mas ainda sim eu queria o calor dos braços de Peeta, os beijos tão intensos que me levavam ao céu. Eu queria Peeta. E embora estivéssemos nessa relação surreal de beijos e abraços, existiam muitas coisas faltando. Confiança era uma delas. Eu pensava que tínhamos o suficiente quando éramos amigos, mas era evidente que não.

- Nós nunca vamos ter uma relação normal, não é mesmo? – debochou, soltando um risinho fanho no final da frase. – Estivemos falando sobre os nossos sentimentos e veja só como acabamos? No fim, é inútil.

- Do que é que você está falando? – perguntei sem entender, virando meu rosto em sua direção.

- Nós dois não sabemos nada sobre o que é “estar apaixonado”. Desejamos adentrar esse caminho, mas é evidente que não estamos fazendo certo.

- E o que devemos fazer então, conquistador?

Peeta fez uma careta.

- Não gostou do apelido, conquistador? – provoquei.

- Essa Katniss é nova, espero que não tenha aprendido isso comigo. – retrucou, divertido. Revirei os olhos, dando um empurrão em seu braço. – Eu tenho vontade de te puxar para um beijo toda vez que faz isso. – admitiu, fazendo-me corar – Essa é a Katniss que eu conheço, e que, de fato me conquistou.

- Para. – pedi, escondendo o rosto entre as mãos.

- É disso que eu estou falando, Katniss. – levantei meu rosto apenas para olhar o seu – Ficamos bem quando não estamos tentando nos encaixar em um padrão. É real.

- Real? O que temos não é? – perguntei confusa.

- Claro que é, Katniss. E eu quero que permaneça assim, mesmo que nossa relação seja peculiar às outras. Por isso mesmo. É única e, como eu disse antes: real. Eu não trocaria isso por nada.

- Então continuaremos sem rótulo algum? – perguntei. – Eu gosto da sua peculiaridade faz um tempo, Peeta. Eu gosto de você exatamente como é, foi por quem eu me apaixonei. Eu não mudaria isso, muito menos para me encaixar. Eu não ligo para isso, só quero ficar com você.

- Então quer dizer que Katniss Everdeen quer ser a minha namorada? – arqueou a sobrancelha com um sorriso torto.

- Bom você... Você disse que... Que não queria intensificar e... – tentei dizer, gaguejando e corando, mas a frase não conseguia ser proferida inteira devido à vergonha.

Peeta riu.

- Eu não sabia que você queria realmente namorar comigo. Eu queria pedir, mas eu achei que eu não era o suficiente para você com toda essa confusão na minha cabeça. Se eu fosse seu namorado eu queria ser por inteiro. Meu corpo, cada órgão vivo nele, e principalmente minha mente, que afinal só começou a funcionar corretamente quando você apareceu na minha vida. Foi a partir daí que minha vida realmente começou, mas...

- Não existe “mas”, Peeta. Você é o suficiente, eu não quero nem mais nem menos. Só você, exatamente assim.

Então uma coisa inacreditável aconteceu. O rosto de Peeta, antes pálido, passou a ganhar um tom escarlate e ele abaixou a cabeça, levando seu olhar para a areia. Era totalmente fora do momento, mas eu não consegui reprimir uma risada. Talvez Prim devesse ganhar um sorvete por isso, afinal só havia acontecido duas vezes. Até agora. Mas Peeta corando sempre parecia novo para mim, não era bobo, eram novamente aquelas faces desconhecidas ultrapassando as barreiras que o impediam de ser quem ele realmente era. E eu adorava ser parte dessa nova fase.

- Não ria de mim. – pediu, porém um sorriso ainda era visível em seu rosto, mesmo ele não estando virado diretamente para mim.

- Ah, mas eu rio sim! Isso é inédito! Peeta Mellark corando não é uma coisa que vemos todos os dias, conquistador. – provoquei, sorrindo de canto quando ele virou seu rosto levemente em minha direção. Empurrei de leve seu ombro. – Eu até gostaria de poder estar com o celular aqui para tirar uma foto, mas...

Fui surpreendida pelos lábios de Peeta sobre os meus e suas mãos em meu quadril, fazendo com que o fino tecido do meu vestido fizesse cócegas em meu corpo. Devido a isso acabei caindo sobre a areia, trazendo Peeta comigo e provocando nossas risadas entre o beijo, que, por isso, não durou muito.

- Você quem pediu. – se defendeu, lançando a mim um de seus sorrisos tortos. – Você quem merece uma foto com esse sorriso lindo. – Peeta rapidamente pegou o celular e capturou aquele momento. – Está linda. – comentou, escondendo o celular de mim quando me levantei para poder olhar a foto.

- Eu quero tirar uma com você. – pedi, fazendo bico. Peeta fez uma careta, mas não contestou. Colocou o celular em nossa frente esticando o braço para que coubéssemos os dois na pequena tela. Puxei os cantos dos lábios em um sorriso verdadeiro enquanto olhava para a câmera e no momento que a foto ia ser tirada Peeta grudou nossos lábios novamente, puxando-me para um beijo e finalmente tirando a foto. Segurei seu rosto com as duas mãos, puxando seu corpo levemente para mais perto do meu. Devíamos estar chegando à toalha novamente porque eu senti uma textura mais espessa sob minhas costas quando Peeta deitou meu corpo com cuidado, não deixando de retribuir o beijo. Meu corpo ficara rijo novamente, mas eu não me importei. Estava amando cada sensação que corria por ele, desde os choques a minha pele arrepiada e a sensação de algo gélido dentro do meu estômago, um friozinho gostoso, quase como cócegas. Peeta tinha razão. Nossa relação não era normal. Era louca e conturbada. Nós éramos dois loucos. Em um segundo nós estávamos nos declarando e no outro brigando. Uma hora estávamos nos beijando e outra hora chorando. Era verdade. Nossa relação era peculiar. Única. Real. E eu não seria normal o suficiente para acabar com ela.

 

               -x-

 

A noite havia passado tão rápido quanto o dia, aquela tensão e ansiedade haviam acabado agora que sabíamos um pouco mais dos nossos sentimentos loucos um pelo outro. Isso me tranquilizava um pouco, embora as coisas que Peeta havia finalmente me revelado ainda borbulhassem em minha mente. Eu ainda não sabia o que fazer com tanta informação, eu queria conversar com Tyna ou até mesmo Effie. Eu lhe devia desculpas pelo meu comportamento grosseiro e hostil e principalmente pelos meus sentimentos, naquele dia ainda não estava muito claro o que eu sentia por Peeta, mesmo que eu soubesse que havia alguma coisa acontecendo. Naquele dia eu não estava pensando direito, e como eu poderia? Com Peeta desacordado e drogado naquela cama de hospital era impossível conciliar qualquer coisa. Eu estava apreensiva e irritada ao mesmo tempo mesmo que ninguém tivesse culpa, mas agora não era mais novidade que eu não funcionava corretamente se Peeta não estivesse comigo.

Eu entendia o que Peeta queria dizer quando disse que não estava pronto para intensificar nossa relação, mas eu não tinha ideia de quando ou como isso poderia acontecer. Nós éramos crianças. Ainda precisava voltar para Baltimore no final do verão e Peeta tinha a família Undersee aqui, não sabia se ele iria realmente querer ficar quando Tyna não estiver mais entre nós, mas sabia que enquanto ele estivesse em Millshaven com todas essas mesmas pessoas o julgando ele não conseguiria estar plenamente feliz. Deixá-lo sozinho aqui na cidade com tudo isso partia meu coração, principalmente porque eu não queria. Enquanto eu estivesse na cidade não era um problema muito grande, mas como que eu contaria ao meu pai sobre Peeta? Eu gostava mesmo dele e queria ficar com ele. Ser a namorada, a amiga, o lar. Tudo o que ele precisasse. Mas como eu poderia levar isso adiante se meu próprio pai não aceitar? E se... E se ele fizer comigo o mesmo que fez com Cashmere? O que irá acontecer com a nossa família depois disso? E Prim? Ficaria bem sem mim? Eu não conseguia imaginar minha família se esvaindo por conta de um simples relacionamento, mas também via minha vida sem sentido algum se eu deixasse Peeta para trás. Ainda mais agora que ele havia criado coragem e se sentido confiante o suficiente – além de ter sofrido – para me contar. Peeta pensava que Tyna realmente era sua mãe, nem mesmo isso haviam lhe contado. Ele disse que havia se lembrado, mas lembrado do quê? Seria sua família? Estariam aqui? Eram coisas boas? Talvez não coisas boas, afinal, seu quase suicídio teve uma parcela de influência no meio dessas lembranças todas. Mas Annie... Não, ele não era o assassino. E a minha vontade era de descobrir quem ele realmente era e provar para todo mundo que Peeta era inocente e não merecia ser tratado como um nada por ser diferente, ele ainda era um garoto incrível com o coração enorme, mesmo que não tivesse descoberto isso ainda.

Fosse quem fosse o assassino de Annie este tinha feito um trabalho e tanto, sem digitais pelo corpo ou pelo local. Peeta estando exatamente onde o homicídio acontecera e estranhamente se lembrando apenas das ocorrências anteriores e posteriores ao homicídio enquanto o momento exato em que o homicídio acontecera fosse uma página em branco.

Eu não engolia essa história, mas infelizmente não havia muito oque fazer em relação a isso. Eu já estava assustada o suficiente com o encontro com Finnick antes de Peeta chegar e tinha medo de encontrá-lo por aí. Sabia que ele ia à igreja todos os dias como eu também fazia, já o vi me olhando algumas vezes, mas não achei que ele tivesse algum interesse em mim. Não que eu estivesse vangloriando esse fato, o jeito que ele havia olhado para o meu corpo e aquele sorriso maldoso me deixava enjoada. Não que Peeta soubesse disso, eu não me senti segura ou corajosa o suficiente para contar a ele e também era só mais um medo bobo meu. Ele não tinha que saber disso.

- Você está demorando demais nesse banheiro, Katniss. – ouvi a voz de Peeta ao longe, fazendo meu coração sobressaltar em meu peito pelo susto. Demorou um tempo considerável para eu perceber que eu estava trancada no banheiro do quarto em que eu e Peeta dividimos ontem à noite, sentada sobre a tampa abaixada da privada. Era para eu estar colocando o biquíni para ter um “dia maravilhoso na praia” – palavras de Peeta –, mas eu não consegui ter uma boa noite de sono como ele graciosamente deliciou. Mesmo que seus braços acolhedores tivessem me envolvido em um abraço durante a noite toda, esses pensamentos tomaram minha mente e não me deixaram pregar o olho. Então quando o dia estava acordando novamente eu resolvi ficar andando pela casa, usando apenas a camisa de Peeta, enquanto explorava os outros cômodos da casa. Fiquei na varanda observando a praia por um tempo e depois decidi comer alguma coisa e quando voltei ao quarto Peeta estava acordando. Ele ficou me encarando por um tempo sem pronunciar palavra nenhuma, não sabia exatamente porque ele o fazia. Ele havia me oferecido a camiseta ontem antes de deitar, mas eu não deixei que ele me olhasse porque eu estava envergonhada demais, principalmente porque eu ainda estava sem sutiã. Mas ele havia dito que eu ficava bem com ela, o que me deixou meio sem graça porque o próximo passo era me ver seminua.

- Eu... Eu estou saindo. – menti. Eu nem mesmo havia tirado a camiseta dele do meu corpo. Fitei meu reflexo no espelho. Eu estava com olheiras, meu cabelo estava preso em um nó bagunçado, mas não parecia a mesma Katniss Everdeen que chegara admirada em Millshaven. Havia algo diferente que eu não conseguia identificar exatamente, mas estava ali. Talvez há algum tempo, não sabia dizer.

Quando decidi finalmente colocar o biquíni me senti envergonhada por imaginar Peeta olhando para o meu corpo, vendo minhas imperfeições. Pensar nisso me fez recolocar a camiseta por cima do biquíni e finalmente deixar o banheiro, ainda insegura.

Peeta franziu o cenho. Ele estava sem camisa e ao perceber isso senti meu rosto corar, meu olhar caiu sobre os cortes recentes em seu braço. Peeta não tinha vergonha de mostrar seus cortes para mim, então eu não deveria sentir vergonha de mostrar o meu corpo a ele. Era difícil, mas eu respirei fundo algumas vezes e me livrei da camiseta, deixando-a cair sobre o chão. Por um milagre meu rosto não corou diante do olhar de Peeta, embora eu estivesse com vergonha. O olhar de Peeta sobre mim não era maldoso como o de Finnick, era gentil e cauteloso. Fiquei tranquilizada com isso, eu estava com medo mesmo que fosse ridículo. Mas Peeta era diferente.

- Eu sabia que você era linda de qualquer jeito, não sei por que você estava com tanta vergonha. Boba. – beijou o meu nariz e um sorriso tomou meus lábios.

- Eu tenho muita sorte em ter você, conquistador.

 

              -x-

 

Peeta sabia que eu não sabia nadar então não fomos muito fundo, ficamos juntos sentindo as ondas se quebraram em nossas costas, muitas vezes nos derrubando. Nos beijamos algumas vezes e a água salgada misturando-se gradativamente, deixando o clima entre nós como o verão. Quente e brilhante.

Ao final da tarde infelizmente tivemos que deixar a praia, mas a viagem de volta para o Laffert foi divertida enquanto Peeta tentava me ensinar a cantar as músicas que tocavam no rádio, mas eu sempre errava as letras, o que causava risadas em Peeta. Quase pedi por mais um momento com ele quando ele estacionou em frente ao Laffert. Apesar de todas as coisas, tivemos um ótimo momento juntos e eu gostaria de poder ter congelado nossos beijos na praia, aqueciam meu corpo só por lembrar. Eu realmente tinha sorte por ter Peeta comigo. Ele era o meu presente de Deus, assim como eu era o dele.

- Eu não queria ir. – admiti, sentindo o afago de Peeta em minha bochecha e um sorriso radiante em seu rosto.

- Eu não queria deixar você ir, mas teremos todos os outros dias. Não se preocupe. – abraçou meu corpo pequeno, embrenhando o nariz em meus cabelos ainda úmidos.

- Obrigado, Katniss. De verdade. Por tudo que tem feito por mim esse tempo todo. Eu... Você é muito importante para mim, nunca se esqueça disso.

- Nossa, Peeta...

- Não precisa ok? Só não quero que esqueça esse detalhe.

- Não vou.

Nos beijamos mais uma vez antes de eu deixar o carro e adentrar o Laffert, seguindo em direção ao meu quarto com o coração a mil e o gosto salgado do beijo de Peeta ainda em meus lábios.


Notas Finais


Espero que tenham gostado :3
Beijão ❤
Boa noite :')


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