História Sussurro - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias The 100
Personagens Clarke Griffin, Lexa
Tags Clarke Griffin, Clexa, Lesbian, Lexa, The 100
Exibições 281
Palavras 986
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Sobrenatural

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Prólogo


VALE DO LOIRE, FRANÇA
       NOVEMBRO DE 1565

 

Chauncey estava com a filha de um lavrador na relva às margens do rio Loire quando a tempestade se aproximou. Por ter deixado sua montaria perambular pela campina, ela não tinha opção a não ser voltar para o castelo com os próprios pés. Arrancou uma fivela de prata do sapato, colocou-a na palma da mão da moça e observou enquanto ela se afastava correndo, a barra das saias imunda de barro. Em seguida, calçou as botas e partiu para casa.

A chuva desabava pelos campos cada vez mais escuros nos arredores do Château de Langeais. Chauncey caminhava com segurança sobre os túmulos afundados e as folhas podres do cemitério. Mesmo na neblina mais espessa ela conseguia achar o caminho de volta, e não tinha medo de se perder. Não havia neblina naquela noite, mas a escuridão e a crueldade da chuva já criavam dificuldades suficientes.

Chauncey captou um movimento com o canto do olho e voltou bruscamente a cabeça para a esquerda. O que à primeira vista parecera ser uma enorme estátua coroando uma sepultura próxima ergueu-se majestosamente. Não era feita nem de pedra, nem de mármore. A garota tinha braços e pernas. O peito coberto por uma blusa masculina surrada, os pés, descalços, e calças de camponês pendiam abaixo da cintura. Ela desceu da lápide com as pontas dos cabelos avermelhados encharcados pela chuva pingando. As gotas desciam por seu rosto, que era tão branco quanto de uma inglesa.

A mão de Chauncey dirigiu-se ao punho da espada. Apesar de ser uma mulher, abdicara deste posto anos atrás, quando seu pai decidiu socializa-la como homem. Acreditando que merecesse muito mais do que seu tempo permitia.

— Quem está aí?

A boca da jovem esboçou um sorriso.

— Não brinqueis com a duquesa de Langeais — avisou Chauncey. — Perguntei seu nome.. Dizei-o.

— Duquesa? — A jovem apoiou-se no tronco sinuoso de um salgueiro. — Ou bastarda? — Chauncey desembainhou a espada.

— Retirai o que dissestes! Meu pai foi o duque de Langeais. Eu agora sou a duquesa de Langeais — acrescentou, amaldiçoando-se pela maneira desajeitada como dizia aquilo.

A jovem sacudiu a cabeça devagar.

— Vosso pai não era o velho duque.

Chauncey enfureceu-se diante de um insulto tão ultrajante.

— E vosso pai? — questionou, estendendo a espada. Ainda não conhecia todos os seus vassalos, mas estava aprendendo. Guardaria na memória o sobrenome da menina. — Vou perguntar mais uma vez — disse em voz baixa, passando a mão no rosto para tirar a água da chuva. — Quem sois vós?

A jovem aproximou-se e afastou a lâmina para o lado. Subitamente, parecia mais velha do que Chauncey supunha, talvez até mesmo um ou dois anos mais velha que a própria Chauncey.

— Sou da prole do demônio — respondeu. Chauncey sentiu uma onda de medo invadi-la.

— Vós sois completamente lunática — disse entre dentes. — Saí de meu caminho.

O chão cedeu sob os pés de Chauncey. Chamas douradas e vermelhas apareceram diante de seus olhos. Encurvada, com as unhas fincadas nas coxas, ela elevou o olhar para observar a garota, piscando e arfando, esforçando-se em compreender o que se passava. Sua mente vacilava como se não estivesse mais sob seu controle.

A garota agachou-se para que seus olhos ficassem na mesma altura dos de Chauncey.

— Escutai com atenção. Preciso de um favor vosso. Não partirei até conseguilo. Vós me compreendeis?

Rangendo os dentes, Chauncey sacudiu a cabeça para exprimir descrença — e desafio. Tentou cuspir na jovem, mas a saliva escorreu pelo queixo. A língua recusava-se a obedecer-lhe.

A jovem envolveu as mãos de Chauncey nas suas. O calor era causticante e a duquesa soltou um grito.

— Preciso de vosso juramento de fidelidade — disse. — Ajoelhai e jurai ser minha serva.

Chauncey quis soltar uma gargalhada grosseira, mas sua garganta se fechou e o som foi sufocado. O joelho direito dobrou-se como se tivesse recebido um chute por trás, mas não havia mais ninguém ali. Chauncey desabou na lama. Virou-se de lado e vomitou.

— Jurai — repetiu a menina.

O calor queimava o pescoço de Chauncey. Ela precisou de toda a sua energia para cerrar levemente os punhos. Riu de si mesma, mas não havia graça. Não sabia como era possível, mas a náusea e a fraqueza que a dominavam provinham da jovem. Não se livraria daquilo se não prestasse o juramento. Ela diria o que precisava dizer, mas jurou no fundo de seu coração destruir a jovem para se vingar da humilhação.

— Senhora, torno-me vossa serva — disse Chauncey, malignamente. A garota pôs Chauncey de pé.

— Encontrai-me aqui no início do mês hebreu do Cheshvan. Precisarei de vossos serviços nas duas semanas entre a lua nova e a lua cheia.

— Quase uma... quinzena? — O corpo inteiro de Chauncey tremia sob peso de sua ira. — Sou a duquesa de Langeais!

— Vós sois uma nefilim — disse a jovem com um meio sorriso.

Chauncey tinha um xingamento na ponta da língua, mas o engoliu. As palavras seguintes foram pronunciadas com fria perversidade.

— O que acabastes de dizer?

— Vós pertenceis à raça bíblica nefilim. Vosso verdadeiro pai foi um anjo expulso do céu. Metade de vosso sangue é mortal — os olhos escuros da menina se ergueram, encontrando os de Chauncey —, metade é de anjo caído.

Das profundezas de sua mente, Chauncey voltou a ouvir a voz de seu tutor, lendo trechos da Bíblia que falavam de uma raça degenerada, fruto da união carnal de anjos expulsos do céu e mulheres/homens mortais. Uma raça temível e poderosa.

Um arrepio que não era inteiramente de repulsa atravessou Chauncey.

— Quem sois vós?

A garota se virou e começou a se afastar. Embora Chauncey quisesse segui-la, não conseguiu obrigar as pernas a aguentar o próprio peso.

— Vós sois... caída? — perguntou. —Tivestes as asas arrancadas, não?

A garota, anja, seja lá quem fosse, não se virou. Chauncey não precisava de uma confirmação.

— O serviço que vos devo prestar — gritou —, exijo saber do que se trata!

O riso grave da jovem ecoou pelo ar.

 


Notas Finais




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