História O Gato Negro - Capítulo 12


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Categorias Originais
Tags Drama, Fantasia, Medieval, Misticismo, Violencia
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 12 - X - Os Cavaleiros Divinos.


A manhã veio com neve, novamente. Mas o plano foi bem desenvolvido, seria uma implosão... aquilo iria acabar de vez com Os Santos. Foram caminhando juntos alegres até Lorginath, as três famílias vieram com uma banda improvisada com instrumentos velhos e desafinados. Isso causou estranheza do povo de Lorginath que via toda aquela festa se aproximando, mas isso era proposital.

E quando eles pararam sobre as muralhas de Lorginath, nem a neve podia parar algazarra que faziam, estavam tão alegres... como se ser Cavaleiros Divinos fosse uma verdadeira honra. Vladimir podia muito bem querer isso, mas o velho era sábio, sabia que algo estava errado. Aceitaram a proposta com facilidade, depois vieram festejando loucamente com uma música improvisada sobre Deus.

Foram tachados de loucos, e como eram. Cantavam como bardos em uma taverna lotada, sendo que os bardos foram extintos logo nos primeiros dias de ataque do exército sombrio de Lich. Ninguém queria saber mais de música, poesia e boas artes. As pessoas foram perdendo a vontade de adquirir cultura, perdeu tanto o sentido em sentar na cadeira e escrever um pouco... como se o melhor mesmo fosse se esconder do caos.

A cidade curiosamente parecia um pouco mais deserta do que já era. Pararam com as músicas, esperam que alguém de fato fosse buscar eles.

Apareceu um homem velho e forte, com uma longa barba... aparentava ter cinquenta anos, mas se não fosse a barba longa, aparentaria menos. Coincidentemente, utilizava trajes parecidos com o do Cain, um jaleco preto e uma cartola também preta, escondendo totalmente o rosto. Vandrick caminhou até ele com estranheza... havia algo de errado.

O homem de cartola quando viu O Gato Negro se assustou, sentia uma mistura de felicidade, medo e tristeza, e isso estava visível em suas expressões. Ele parecia realmente assustado.

- Olá, meu caro senhor! – Começou Cain, extremamente irônico como sempre foi. – Pode me dizer onde está nosso querido Vladimir II? Viemos para cerimônia!

- Você não se recorda mesmo? – Perguntou o velho, escondendo os olhos. Estranhas lagrimas escorreram pelo seu rosto, até que parasse na barba.

Vandrick olhou aquilo sem entender, se afastou um pouco e segurou a espada em sua bainha. O velho passou por ele sem dizer mais nada, estava indo embora de Lorginath. Cain seguiu ele com os olhos, sem mexer o corpo, e ao seu lado apareceu muita gente se perguntado o que foi aquilo. Mas nem o próprio Vandrick sabia, quem afinal era o velho?

Ao fundo apareceu o próprio Vladimir, junto a muitos clérigos... ele tinha medo do que podia acontecer, por isso caminhava com muitos “seguranças”. Vandrick voltou a ser irônico e caminhou junto as centenas de pessoas atrás dele, que seguiam com um sorriso falso. Vladimir novamente estendeu o braço para saudação, mas recebeu um belo abraço junto com tapas nas costas.

A cerimônia seria horas mais tarde, e nesse meio tempo, os soldados pararam na praça principal, observando o silêncio que aquela cidade tinha. Parecia que não havia mais ninguém ali além deles, como se todo mundo fosse embora. Vandrick ousou perguntar a Vladimir, ao menos tinha um sorriso carismático.

- Nós fomos atacados pela noite... – Contava o velho de cabeça baixa. – As criaturas vieram ardilosas como sempre, estávamos tão cansados que nem nos demos conta. Felizmente conseguimos sobreviver, mas... perdemos muita gente. A contagem de cidadãos era de mais de mil... mas já recolhemos centenas de corpos. A vinda de vocês será um extremo suporte!

Vandrick sorriu por um momento, ele havia realmente acreditado.

- Tem ideias de quantos exatamente? – Apareceu Henrique na conversa.

- Não. – Respondeu Vladimir, um pouco irritado.

Não queria falar das perdas, aquilo o entediava, sabia que teria que fazer preces para diversos familiares dos falecidos. Esse era o seu papel atual em Lorginath, rezar e rezar para Deus, mas não achava ruim disso. As pessoas eram bobas, acreditavam em qualquer coisa que ela dizia, montando fantoches chamados de fiéis. Infelizmente... poucas pessoas sabiam disso.

Até mesmo Os Santos não sabiam, nasceram ouvindo que eram destinados por Deus a seguirem a igreja, e como a igreja tinha tanto poder, acreditavam, simplesmente. Eles eram injustos com as pessoas do mesmo sangue, e alguns deles eram tão ingênuos quanto os loucos que pagavam dizimo e compravam indulgências.

Eles ainda tinham a melhor frase para ganhar dinheiro em situações como aquela: “ Quando uma moeda tilinta do cofre... uma alma sai do purgatório”. Mas o ouro perdeu valor nos últimos tempos, a melhor forma de sobrevivência atual é o escambo, já que não existe tantos mercantes por aí. Mas ouro continua sendo algo válidos.

Um bando de freiras se aproximou e cochichou algo no ouvido de Vladimir. Ele por sua vez caminhou até o meio do parque e esperou até que todos os homens prestassem total atenção a eles. E eles prestaram, eles tinham que passar confiança.

- Pela graça de nosso Senhor, digo-vos que a cerimônia está pronta para se iniciar. – Todos ungiram como um grito de guerra, levantando as espadas para o céu. Isso assustou o velho... sentia ainda que algo estava errado... as coisas não podiam ser tão fáceis assim. Mas não havia como voltar agora, teria que confiar neles, querendo ou não.

Vladimir sabe do que fez, e nem o seu orgulho e ego vai tampar toda sua maldade. Não era idiota o suficiente para saber que todas as três famílias tinham problemas com ele, e agora eles se juntaram e resolveram ser aliados. Talvez eles tinham muita vontade de enfrentar Lich, e não queriam guerrear e arriscar a perder homens.

Foram entrando um por um dentro da grande igreja, cada soldado, cada herege foi caminhando lentamente. A cada passo, eles recebiam uma reza de uma pessoa diferente, e isso era entediante... demorava muito. Quando chegavam até o altar, ele tomava uma taça de vinho feita a ouro, junto a uma hóstia.

Após isso, benzem com agua benta seus equipamentos, mãos e pés. E por fim, Vladimir lhe entrega uma cruz de prata e o coroa finalmente como Cavaleiro Divino. Ver o primeiro homem ser coroado foi até interessante, mas depois do trigésimo começou a ficar enjoativo. Os soldados prontos deveriam sentar nas cadeiras de madeira e rezar por um momento, mas alguns ali mal sabiam “o pai nosso”, então fingiam estar orando.

Depois de cem soldados, não havia mais lugar para sentarem, e tiveram que ficar em pé ou sentados no chão, alguns dormiam porque aquele ritual já demorava mais de duas horas... estavam próximo ao entardecer.

Mas quando Vandrick colocou os pés na catedral, o plano iniciou-se. Enquanto ele recebia as preces das freiras, alguns muitos soldados saíam ardilosamente para fora da catedral, para dar espaço para quem ficaria dentro. Isso também iria garantir que ninguém entrasse nem saísse da igreja.

Os padres perceberam que o lugar sagrado esvaziou rapidamente, “Ou é só impressão? ”, pensaram. Cain chegou a dar o último passo, quando o próprio Vladimir lhe entregava a cruz de prata. Os dois se fitaram sorrindo, mas Vandrick não aguentou sua ironia.

- Como é o inferno? - Vladimir o encarou sem entender. – Como é o inferno, padre?

- Quente? – Respondeu ele, não sabia ao certo o que O gato Negro queria ouvir. – Por que pergunta?

O jovem desceu as escadas do altar com sua espada em mãos, e abriu os braços como se fosse abraçar o ar, depois virou-se ao Santo sorrindo como um demônio.

- Gente malvada vai lá, certo? – Continuou.

- Sim...

- Mas veja bem... hoje o dia está belo... os pássaros estão cantando... o céu está tão lindo... é um dia perfeito para que almas como a sua... queime no inferno!

E a igreja começou a pegar fogo, simples assim. Os soldados que ainda permaneciam dentro saíram, e as portas foram fechadas as pressas, deixando todos os padres, clérigos e o Cain ali dentro. Vladimir tentou correr para uma janela, iria quebra-las com o próprio punho para fugir, mas O Gato Negro segurou sua mão antes mesmo que ele pudesse fazer algo.

O velho retirou da espada da bainha e tentou lutar bravamente com Vandrick, que se defendeu dos ataques dele e ainda contra-atacou com um corte no joelho.

- Nada mal para um padre... – Zombou Cain. Nesse momento as chamas começavam a consumir o que restou das paredes, fazendo com que a estrutura parecesse cair a qualquer momento.

- Eu só tenho vontade de viver. – O velho retrucou, investindo em um novo ataque.

Mas em um movimento rápido, Cain fez com que Vladimir atingisse a si próprio. O velho quando sentiu a lâmina dentro da barriga, mas sorriu por compreender a única frase que nunca havia entendido. “A agilidade de um gato...”, e esses foram seus últimos pensamentos, em seus últimos suspiros.

- Que seu Deus tenha misericórdia... – Disse Vandrick, em um ato de respeito. O velho caiu no chão olhando Cain, e aquele seu sorriso se transformou em uma face mais séria. Aquilo era por Celma, pelos seus filhos... pelo Edward.

Mesmo que odiasse muito aquele homem, cada morte era uma pessoa, uma vida. Sua família ensinava a ter respeito perante quem matava... não importava quem era, o quão demoníaco era o ser, seus últimos segundos de vida teriam que ser respeitado.

O Gato Negro fugiu em meio aos gemidos e dor de todos ali dentro da igreja, as pessoas queimavam vivas dentro daquilo que acreditavam, aquilo que haviam criado... morreram sobre as chamas do que mais temiam. Naquele dia, os mais religiosos iriam descobrir se o céu e o inferno realmente existem... e se iriam queimar no inferno ou não... morreram como bruxas a fogueira. Morreram do mesmo jeito que matavam seus inimigos.

Então os Cavaleiros Divinos sentaram em volta da igreja, vendo-a cair aos poucos, vendo ela ser consumida pelas chamas. Alguns moradores se juntaram a observação, tentando entender de alguma forma o que se passava naquele lugar. E quando perguntavam, respondiam que era uma passagem para o que sonhavam.

Cain viu tudo aquilo e sentou ao lado de seus aliados. As três famílias dormiram por lá, mesmo o chão não sendo confortável, a chama supria o frio que vinha ao anoitecer... ainda nevava mesmo.

 

***

 

O mesmo velho e cartola viu a chama a léguas de distância... sabia o que havia acontecido... sabia quem havia feito isso. Deitado sobre um galho de uma arvore... pois a se dormir...

Um dia se encontraria com Cain novamente.

 



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