História O Gato Negro - Capítulo 13


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Categorias Originais
Tags Drama, Fantasia, Medieval, Misticismo, Violencia
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Palavras 2.048
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 13 - XI - Sete Vidas.


O dia amanheceu tão calmo, que até as chamas da igreja se tornaram singelas brasas, que combinavam com o vento sereno. Demorou um tempo para perceberem a falta ele, a falta de Cain, e quando perceberam, não podiam fazer muita coisa além de procura-lo..., mas ele não estava mais em Lorginath.

Estava sendo rastejado, com o corpo preso por grossas e firmes correntes. Acordou com o sol batendo em seu rosto, enquanto suas costas ardiam pela grama esfregada por algum tempo. Institivamente, tentou se debruçar por entre o aço, mas não conseguiu sair de jeito nenhum. O homem que o carregava olhou para ele e sorriu, era patético.

Lembrava daquele rosto, daquela longa barba... daquela cartola. Era o velho que tinha visto um dia atrás, o velho que havia chorado em sua frente. Nada fazia sentido para Cain, não sabia quem era o velho nem o que ele queria, muito menos porque havia chorado. Vandrick ficou mais triste ainda ao perceber que havia perdido a sua cartola.

- Quem caralhos é você?! – Perguntou Cain, assustado.

- Eu que deveria fazer as perguntas aqui... – Comentou o velho. Sua voz parecia bem mais firme que o dia anterior.

- Pode se perguntar quem é você? – Continuou Vandrick, ousado.

- Você realmente é igual o Oráculo... – Sussurrou o velho rindo, mas Vandrick ouviu.

Logo deduziu que era Edward, Cain e o mago haviam se conhecido assim. Ele começou a se debruçar novamente, só que com maior intensidade, até que conseguiu sair. O velho barbudo continuou rindo, de alguma forma, todo esforço do Cain continuava sendo patético. Os dois se encararam, Vandrick com receio e o velho parecendo um louco.

- Eu nunca perdi uma briga para um humano! – Se vangloriou Vandrick.

O velho sorriu ainda mais, mostrando seus dentes afiados. Estavam sozinhos, em um longo deserto de grama... provavelmente o velho levaria Cain até a necrópole, pois estavam no caminho mais plausível até lá, mas não havia motivos do porquê disso. Seja lá quem era esse velho, ele não tinha uma boa índole. Cain se enfureceu, havia sido sequestrado e ainda pior, aquele homem conhecia Edward, de algum jeito. Vandrick começou a atacar ele com os próprios punhos, já que estava desarmado, e em meio a muitos chutes e pontapés, o velho nem se mexia.

Ele não cessou os ataques, o velho era espancado sem fazer nada em troca... já havia grudado muito sangue em sua barba. Quando Cain se cansou, o velho se virou com um soco na sua barriga, seguido de uma joelhada na cabeça do Gato Negro.

E foi assim que ele caiu, quase desmaiando, sem conseguir se mexer mais. Ele estava exausto de mais para fazer algo, totalmente fadigado. O velho olhou para ele sorrindo, e começou a esfregar sua imensa unha sobre seu braço, que estava imóvel.

- Eu sei que você nunca perdeu para um humano..., mas eu não disse que sou um. – E enquanto dizia isso, cortava o braço do Cain com suas unhas. Ele se segurou muito para não gritar, nem gemer de dor, mas ao ver o sangue escorrer teve a respiração acelerada.

O velho estranhamente sabia quem o Cain era, sabia o quão importante era Edward para ele. Ele parou de corta-lo, pegou o sangue que transbordava por entre seus dedos e lambeu as mãos... como se aquilo fosse o melhor doce do mundo.

- Eu sei que a dor não te afeta..., mas todos nós temos medo... e eu sei o seu. – Disse o velho.

Cain foi perdendo os sentidos aos poucos, a mente foi ficando tonta, junto ao corpo que se tornava cada vez mais pesado, seus olhos que negavam continuar abertos. Ele desmaiou... nunca havia perdido uma luta ridícula como aquela, mas o velho soube muito bem como derrota-lo. Estranhamente, Cain não parecia ser o primeiro Gato Negro que o estranho havia enfrentado.

O barbudo o acorrentou de novo calmamente, assobiando uma de suas músicas favoritas como quem cuidasse de um jardim. Ele continuou rastejando Vandrick até a necrópole.

O velho era um serviçal fiel a Lich, apesar de já ter sintomas de alguma loucura, de algum devaneio, ele parecia estar são. Os hereges contavam séculos atrás sobre uma antiga maldição, relacionada ao Senhor da Morte, mas o pergaminho onde provavelmente havia escrito isso encontrava-se escondido em alguma masmorra esquecida.

Cain acordou horas mais tarde, em um lugar frio e escuro. Não via nada nem enxergava nada... havia algo de errado. Entrou em desespero, automaticamente, estava preso sobre uma cadeira de madeira bem simples e amordaçado... ninguém escutava seus gritos, seus sussurros... pelo menos era o que achava.

Debateu-se tanto que caiu junto a cadeira, ficou deitado de lado ainda se debruçando para sair, mas não conseguia. Quando ouviu passos vindo em sua direção, parou de se mexer esperando algo acontecer. Alguém ergueu a cadeira novamente, e duas vozes surgiram sobre o lugar, duas risadas disfarçadas. Uma sabia de quem era... do barbudo louco.

A outra era um voz fina e masculina, mas não conseguia identificar quem é..., mas não era alguém conhecido. Alguém tirou violentamente a mordaça de sua boca, e murmurou: “Eu quero ouvir os gritos de dor dele...”. Foi a voz fina... parecia uma criança.

- Ora, Cain... se você quiser saber de algo, terá que jogar nosso jogo. – Disse a voz do velho, rindo. Vandrick se manteve em silêncio, não iria dizer nada. – Tente abrir os olhos.

Vandrick sem tantas escolhas fez o que ele pediu. Viu que não estava escuro, seus olhos estavam fechados de alguma forma. Ele não pode sentir com as mãos..., mas sua pálpebra estava totalmente estranha... como se estivesse sido... costurada.

- Eu queria muito que você sentisse a agulha entrando, mas você não acordava! – Disse a voz fina. Essa criança era macabra, isso havia assustado Vandrick.

Não havia como ele não sentir medo, estava a mercê do velho e da criança doentia.

- Bom... você tentou abrir os olhos, então está jogando o jogo. – Continuou o barbudo puxando uma outra cadeira sentando de frente ao Gato Negro. – Agora... eu permito que faça uma pergunta.

Cain tentou abrir os olhos novamente, mas foi mais uma tentativa em vão... teria que jogar o jogo deles.

- Quem são vocês? – Disse ele com a voz firme, não queria demonstrar fragilidade.

A criança macabra e o velho se encararam por um tempo, seguido de um longo suspiro vindo dos dois simultaneamente. O velho começou a contar que ele era o fundador dos Cavaleiros Divinos, um dos líderes dos Santos, e o garoto louco era seu filho.

Dizia que seu filho fazia preces e oferendas para Lich, o Senhor da Morte, utilizando os bárbaros Bernard. Quando a igreja descobriu, queimaram os dois e o resto da família na fogueira como hereges... e eles eram hereges. Lich havia ressuscitado ambos na necrópole, e hoje servem fielmente a ele.

Então ambos, o Cavaleiro Divino e seu filho doente foram os culpados pela separação dos Santos e do Uivo Sangrento. A história que Henrique havia lhe contado, que até parecia mentira, havia se provado real naquele instante. A criança se aproximou de Cain e cortou os fios que prendia sua pálpebra, um por um. Depois puxou violentamente de uma vez.

Eram fios curtos e finos, mas haviam dado uma sensação de ardência extremamente desagradável, mas agora Vandrick podia enxergava. Seu rosto se banhou em linhas de sangue, que escorriam do seu olho toda vez que piscava... de alguma forma, os dois malucos sentiam um estranho prazer ao ver isso. Já Cain segurou a dor ao máximo, mantinha a mesma cara firme.

O lugar era pequeno, havia duas cadeiras, onde uma Vandrick estava amarrado, e a outra o Cavaleiro Divino observava tudo com um sorriso macabro. Ao lado do velho, a criança, que era pequena e magra, aparentava ter apenas quatorze anos. Vestia uma roupa totalmente branca manchada com um pouco de sangue, possivelmente do Gato Negro. O que mais era estranho nele era o fato de utilizar uma marcara de ferro bem grossa... não dava nem para saber o formato do seu rosto.

No teto tinha um castiçal com apenas uma vela, iluminando mediocremente, porém, ainda podiam enxergar. Ainda na sala tinha um pequena mesa de madeira, cheia de instrumentos avulsos afiados, como: Facas, tesouras, adagas, e etc. Quando Cain observou aquilo por mais algum tempo, viu que não eram itens tão avulsos assim.

A criança pegou uma tesoura, a maior delas, e ficou passando o seu dedo magro sobre ela... aquilo havia assustado Cain, mas resolveu ameaçar eles. Havia deduzido que estava na necrópole de Lich, afinal, depois dos dois dizerem que eram fieis a ele, essa afirmação ficou mais provável.

- Os meus soldados virão aqui em breve... vocês vão morrer mesmo se me matarem. – Os dois riram.

Vandrick não sabia porque, e os dois não haviam contado. A criança soltou a grande tesoura e pegou um alicate. Rapidamente se aproximou do flagelado e arrancou uma de suas unhas, depois o desferiu um tapa no seu rosto. Mesmo o tapa sendo fraco, a dor da unha arrancada era ainda mais marcante.

O jovem lentamente em seguida pegou um mangual, e atacou na face de Vandrick inúmeras vezes, até que seu rosto banhasse no próprio sangue. Isso fez surgir um ódio ainda maior no Cain, a cada ataque que recebia, mais frouxo suas amarras da cadeira se tornavam. O Cavaleiro Divino havia saído da sala minutos antes do garoto começar de fato a tortura intensa, não gostava tanto de ver a parte física do processo.

O jovem largou mangual depois disso, e exclamou:

- Por que você não grita?!

Era vez de Vandrick rir, e ele riu. O garoto se enfureceu enquanto Vandrick demonstrava um sorriso demoníaco estampado em sua face, junto ao sangue que combinava ainda mais com a situação.

- Não importa o quanto se bate... e sim o quanto você aguenta apanhar. – Disse Cain cuspindo sangue aos pés do garoto.

O jovem pegou uma das facas e a encravou sobre a coxa do Gato Negro, enfurecido. Depois disso virou as costas para escolher seu novo equipamento. E todo aquele ódio que Vandrick guardava, toda aquela força contida foi utilizada nesse momento.

Em um movimento ágil (como sempre), Cain quebrou as amarras e pulou sobre o garoto que ficou sem reação. Infelizmente Vandrick não tinha tantas forças para fazer uma luta decente, mas fazia questão daquele garoto sofrer antes de morrer. Ele arrancou a máscara do doente, o segurou sobre o pescoço e o jogou no chão com uma força que nem imaginava ter. O garoto já era leve, e com toda adrenalina... ele não pesava nada.

Depois segurou-o pela cabeça e começou a amassar sua cara no chão... a cada soco que dava, mais calmo se sentia, e mais prazeroso aquilo se tornava, nunca havia se sentido assim, tão insano. Ele nem sentia mais dor..., mas aos poucos, a vontade e o ódio foi se esvaindo, e o sofrimento carnal voltando.

O chão amassou com tanta ferocidade, e Cain só parou o espancamento quando reparou que suas roupas e o piso estavam manchados com um sangue que não era só dele. Depois que se cansou, segurou o garoto pelo cabelo, e viu que ele mal se mexia. Estava morto.

Ele teve um amargo sentimento de culpa... nunca havia matado alguém de forma tão brutal, muito menos uma criança. Mas ele não era uma criança... não mais, Lich havia revivido uma pessoa que já era doente... agora ele ficaria pior.

Cain emperrou a sala com a mesa e as cadeiras, a colocando sobre a porta sala. Deixou o corpo do garoto em um canto pouco visível e se pôs sobre a parede, sentado apoiado sobre ela. Resolveu retirar a faca ainda presa em sua perna e tampou todos os seus ferimentos rasgando sua túnica e montando curativos do jeito que podia.

Vandrick não podia negar, mas nunca sentiu tanta dor em sua vida... sua perna, seu braço, seu rosto e seus olhos... simplesmente tudo parecia implodir dentro dele. A única vela sobre o castiçal acima dele apagou-se, e ele desmaiou junto a ela.

Ele não sabia se ia sobreviver, mas provavelmente iria morrer.

Em seu possível ultimo pensamento, visou uma única frase: “Um gato tem sete vidas... eu só perdi a primeira. ”.



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