História Sweefour Illusion - Capítulo 8


Escrita por: ~

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Categorias The Beatles
Personagens George Harrison, John Lennon, Paul McCartney, Personagens Originais, Ringo Starr
Tags Anos 60, Beatlemania, George Harrison, John Lennon, Paul Mccartney, Ringo Starr, Romance, The Beatles, Universo Alternativo, Vintage
Visualizações 39
Palavras 4.000
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 8 - 10.03.1962


|1962 10 de março.

 

North End Music Store Liverpool

8.

         

Kiara Williams

As confusas

Incrível como Paul conseguia tudo que queria.

Não estou falando apenas do nosso empresário, e não se trata das coisas boas que eu vi que ele tinha. Não se trata também dos mimos que recebe dos outros. Eu me refiro ao jeito que as coisas acontecem ao seu favor. Estava com as meninas, tentando conseguir algo para comer. No entanto, o que Vivian tinha pedido para si, não tinha mais. Entretanto, tive de voltar para ver qual seria sua preferência. Ao abrir a porta, já dava para ver. Ela ria, ao lado de Ringo e George; livremente e feliz. E nem como se estivesse sendo obrigada a ficar lá.

Fiquei no canto por uns momentos, vendo eles contarem alguns contos sobre a sua banda. E me impressionei o quanto ela estava se divertindo com aquilo. Ah, não. Logo ela? Logo ela que concorda que eu esteja certa em não querer contato com nenhum deles? Como uma banda, uma decisão conjunta, era a opção de todas. Eu não posso acreditar que ela estava fazendo isso comigo. Conosco. E agora, Paul estava conseguindo aproximar até Vivian! Quanto mais Lola, que provavelmente se apaixonaria fácil por aqueles olhos amendoados, quase que eram verdes. Aquela maldita boca, que só falava as piores coisas. Até mesmo aquele cabelo totalmente perfeito, com suas habilidades perfeitas. Claro que Lola cederia a ele. Não duvido que ela rejeite, claro. Se ela é minha amiga, fará isso. Mas... Viv? Eu não podia aceitar. Se ela decidisse que eles eram “legais” ou algo assim; tudo estaria perdido. Quem ficaria ao meu lado nessa batalha?

Não pude evitar ficar com raiva. E quando senti isso piorar, tossi propositalmente. E então, ela me notou. Não pude deixar de fechar a cara, como sempre faço. Afinal, isso era como uma traição.

E estávamos agora em uma sala de instrumentos reservas – dos quais eu não sabia a origem – e Vivian me olhava profundamente, como se o meu comportamento fosse infantil. Engoli o meu chiclete.

 

– Kiara, você tem que entender que...

– Não. Não tente, Viv. – Cortei, irritada. – Eu vi, eu vi o que você fez.

– E o que eu fiz? – Ela debochou levemente. Oh, não faça isso de novo. – Sentei e conversei com George e Ringo? Isso?

– EXATAMENTE. Esse é o problema! – Perdi o controle, totalmente fora de mim.

– Kiara. Sei que odiamos eles. – Disse calma – Mas, não precisamos não falar com eles. Eles puxaram assunto, e eu apenas respondi.

– Rindo? Completando? Esse é a maneira que você nos trata. Eles são seus novos amigos agora? Os meninos que todas nós odiamos e que nos odeiam, é isso? Não acha que isso é uma armadilha?

– Kiara... isso já virou paranoia. – Estava parecendo que eu estava errada. Mas não estava.

– Não é paranoia, Vivian! Eles não são boas pessoas. – Segurei ela pelos cotovelos, quase sacudindo-a para ver se entrava em minha realidade. – Não são! Podemos dividir tudo, inclusive a cama. – Ela sabia do que eu estava falando – Mas, não podemos deixar eles derrubarem os muros que construímos.

Vivian estava parada. Quase como se estivesse muito chocada por eu ter dito isso. Não disse nada de errado! Era verdade. Tínhamos segredos, coisas, e nossos sentimentos... não iam ser entregues de mão beijada, não é? Principalmente para eles. Não para ele. Então, ela prendeu a boca levemente. E soltou, junto com um suspiro.

– Kiara Williams. – Falou séria e solene. – Isso se trata do Paul? É ele as más pessoas. É ele que odeia, é ele que não pode ver os muros que VOCÊ construiu em volta de si e de todos. Não é? – A observação e conclusão dela me doeram. Não era isso. Não era! Era elas.

– Eu quero proteger vocês. É sério. Eu conheço as pessoas, eu sei que...

 – Meu bem, você não precisa mentir. Não pra mim. É do Paul que você está falando? É tudo isso que vem acontecendo, que você anda calada... quieta demais, parecendo pensar demais? É por isso que você não fala mais nada? Pode me contar. – Ela tirou as minhas mãos de seus cotovelos. Prendi a respiração, sentindo ela ficar rápida demais.

– Vivian, eu...

– Me conte.

– Eu não quero que a Lola se apaixone pelo Paul, Viv. – Disse, acabando em um tom mais choroso do que protetor. Fechei os olhos.

– Você não quer que a Lola se apaixone por ele, ou que ele se apaixone por ela?

– Por que você faz perguntas tão difíceis, hein? – Do nada, quase da poeira que se fazia cheiro ali, veio-me uma crise de choro. Comecei a chorar, mesmo sem motivos para isso. – Você não pode me apoiar um pouco, não?

– Oh, Kia. Não se trata disso. Se trata dos seus sentimentos, que você nunca consegue dizer. Que você nunca deixa ninguém ver. – Segurou meu rosto. – Você tem que parar de se preocupar com todo mundo, o tempo inteiro. Até mesmo com o Paul. Eu acho que a Lola nem liga pra ele... não, eu tenho certeza, ok? Não vai acontecer nada. – Esta me puxou para um abraço, que eu correspondi. Apenas soluçava em seus braços. – Eu não sei, mas provavelmente estou tão confusa quanto você. O que aconteceu?

Nos sentamos no chão, e com paciência ela me esperou parar de chorar para contar-lhe sobre o dia que chegamos. O que Paul me disse, o que fez, sobre eu ter agredido ele... Vivian ficava mais chocada a cada palavra.

– Eu bati nele, Viv. De novo. Eu me descontrolei, e Brian não pode saber disso. E quebrei o pacto, e falei com ele. E ele está sendo o pior desde então. Ele quer Lola apenas para usar, aposto. Ele não é real, é terrível. Eu tentei falar antes, só que todo mundo estava tão distraído. Só que eu não aguento mais guardar isso para mim. Não aguento mais. Tem tudo isso, e muito mais. Eu não quero isso pra ninguém.

– Então... foi por isso... Oh, Kiara. Eu sinto tanto. – Me abraçou novamente. Eu abanei a cabeça.

– Eu não me importo com isso.

– Jura? – Debochou novamente, só como ela sabia fazer. – Você se importa por que mesmo?

– É a Lola...

– Ela sabe se cuidar, baby. Eu sei que ela não vai querer o Paul. Eles nem tem essa aproximação toda...

– E quem tem? – Argumentei.

– Você. Mas, enfim... está tudo bem agora?

– Sim. Desculpe por ter explodido tudo isso em você. – Deixei o cabelo cair no meu rosto. Ela fez um gesto que estava tudo bem, me deu um abraço e fomos embora dali atrás das meninas; que provavelmente deveriam estar querendo saber o nosso paradeiro.

 

Vivian Turner

 

Cause loving you,

loving you is too hard

Respirei fundo. Atrás das cortinas do único lugar mais marrom de Liverpool, existiam oito pessoas. A maioria delas estavam jantando cedo. Apenas duas não tinham nem um pouco de fome. E a hora de ir para o show se aproximava... não muito perto, nem muito longe.  No meu colo, eu tinha o meu caderno de músicas de sempre. Apenas encostado em uma das minhas pernas. Em outra, John Lennon deitava-se como se fosse um travesseiro. Não me incomodei, deixando ele compor em silêncio, com os papéis em cima de suas pernas dobradas para sua frente. Nem uma palavra trocada, apenas sons de papel riscando contra a superfície macia dos lápis. Só ele, imerso em seu próprio mundo. E eu, pensando em toda aquela preocupação de Kiara. Como se os problemas dela também fossem meus. E eram.

Ela não quer que Paul se apaixone... tudo bem, é a Lola. A mais nova, a mais protegida. Porém, ela nunca fez isso... assim como havia coisas estranhas entre Lola e George, Anna e Richard... tinham coisas que Kiara não estava querendo admitir para si mesma. Era perceptível. Veja eu e John; temos um pequeno pacto de ficarmos cada um em um canto. E estamos aqui. Não iriamos nos envolver, não estávamos aqui para isso. Só sinto que naquele momento, eu só queria saber como era acariciar aqueles cabelos que se rebelavam contra o mesmo, enquanto ele nem estava no mundo de cá; imerso em letras, na sua própria música. Eu não fazia parte daquilo. Do mundo dele. Algo dentro de mim, talvez lá no fundo... quisesse que ele fosse um grande gênio; um dia. Que ele fosse tudo que quisesse, e que talvez fosse alguém que deixasse um legado. Estou sonhando alto demais? Ele é tão cru agora. Espero que queira mais do que dinheiro, nessa vida. Não amor ou essas coisas. Algo maior que isso.

Do que estou falando mesmo? Não é o meu mundo, apesar deles serem vizinhos.

 

Anna CartWright

 

Lola estava escrevendo teimosamente em cima de sua cama, tentando achar as palavras certas sobre como as coisas estavam indo – para seus pais – e eu observava. Já estava ficando tarde, e iriamos para o nosso show. Torci a barra da minha calça enquanto esperava ela terminar. Estava parada como uma carta, tentando adivinhar os pensamentos da mais nova. Quando terminou, tendo a ficar nervosa por ter de dizer.

– Lola.

– Anna. – Respondeu, sorrindo.

– Eu não sei se George comentou alguma coisa contigo...

– Eu não falei com ele direito. – Abaixou a cabeça, timidamente com vergonha. Com isso, lembrei do episódio que aconteceu de manhã. Quase dei risada. Pobre Lola.

– Ei, sei o que aconteceu. – Sorri compreensiva. – Agora, o assunto é um pouco sério.

– Sobre? – Sentava-se ereta, guardando a carta consigo no bolso do casaco colorido.

– George. – Quando o mencionei, Lola arregalou os olhos.

– Anna, eu não sei do que você...

– George, eu, Ringo. Todos. Eles estão esperando meu sinal para entrar.

– Huh? – Parecia muito confusa. Sorri com muito mais vigor.

– Você vai entender.

 –  –

– Falamos para Brian tudo isso, e isso acabou dando em toda essa mudança que você viu. Então, ocultamos alguns detalhes. Apenas o centro do plano somos nós que sabemos. Teremos que ficar juntos, ou vai dar tudo errado. Ninguém pode contar ou sequer comentar com os que estiverem de fora, certo? Isso estragaria tudo. Vocês só precisam ser discretos e manterem a fachada de ódio, que vai tudo ficar muito bem... e quem sabe os pombinhos se entendam? Isso é apenas a base principal. – Richard terminara de explicar, parecendo e sendo muito claro com todos os pontos do plano, e principalmente as regras que deveriam ser estabelecidas. Realmente, se alguém der com a língua nos dentes; digamos que então que ninguém se falaria de qualquer modo.

Sentados na beira da cama de Lola, estávamos todos. Agora, Lola sabia de todo o plano. De desmontar o beliche, até tudo que planejávamos. Ela pareceu achar aquilo errado; no começo; por achar que as coisas devem tomar os rumos que destinamos. Só que com um pouco mais de conversa, motivos e provas – conseguimos convencer ela. Na verdade, só George. Ele com sua fala mansa, conseguia fazer ela entender tudo claramente. Eles eram conectados... muito conectados, como duas almas presas a um cordão vermelho. Li isso em um livro, uma vez.

E mal sabiam que o plano também serviria para eles.

– Isso é tão legal! Eu cansei de ficar brigando, de ficar fingindo. E agora, temos mais gente para contar. – A morena estava eufórica. Eu também, admito. – E ficarmos observando o comportamento delas, imagina? Isso realmente pode dar certo, e eu estou assustada com o quanto isso realmente parece ser sensato.

– E vamos lá. Chega, né? Você também não vá ficar ouvindo as ideias malucas da Viv e da Kiara, por favor. – Comentei. Richard rira.

– Vou tentar. Elas são realmente importantes, e eu não quero magoa-las no processo. – Lola mordeu o lábio, nervosamente. – Será que elas vão ficar muito bravas? A Viv já foi pega.

– É verdade. Não sei como vocês se aguentam. – Ringo brincou. Dei-lhe um tapa de leve. – Ei! Estou brincando, querida.

– Acho bom mesmo. – Olhei-o como uma mafiosa, e rimos juntos, no final.

– Então, tudo certo? – Os olhos de George brilhavam perto dela. Entretanto, eu via o brilho dos do dela também. Tão lindos. Era tudo meio arriscado, mas valeria a pena. Tinha de acabar com essa guerra, e fazer minhas amigas felizes. Vai dar tudo certo era a frase do objetivo principal de toda aquela elaboração exagerada. Espero que da próxima vez, eu não precise desmontar uma cama do zero...

E se talvez elas fiquem menos defensivas? Precisávamos quebrar os muros que construímos – construíram – em torno de nós. Era muito sério. Não ficaríamos presas entre as mentiras.

– Tudo. – Concordamos. Para fechar, combinamos de depois discutir melhor sobre. Quando as outras pessoas estivessem longe. Não era difícil – Viv, John, Kiara e Paul andavam quase sempre tentando se separar. Os últimos em uma boa parte.

George nos olhou um momento, e como um flash, acabou tendo uma ideia mental da qual não captei. – Ei, Lo. – Disse, de repente. – Quer vir tomar um chá? Sei que já jantamos, mas para esquentar a barriga antes de você ir...

– Ah. – A mesma troca de olhares aconteceu entre ela e eu. Não entendi absolutamente nada. Mas, eles foram.

– Eu te disse que você era terrível. – Começou o de olhos azuis, antes que o silêncio se demorasse ali. – Mas na verdade, você é muito altruísta também. – Evitava meus olhos.

– Pare.

– É, sim. Olhe o que você está fazendo por suas amigas. – Encostou-se na cama. – Você é incrível, Cat. Faz suas próprias regras, não liga para o que vão falar. Você está se arriscando por alguém que você mal conhece. Tentando e fazendo coisas que eu não te obriguei, apenas tentei fazer também. Você é tão...

– Eu te conheço, sim. – Me defendi, indo para perto dele. Ajoelhei-me perto de si. Me olhava pelo canto dos olhos. Eu tentava fazer com que olhasse diretamente para mim. – E não faça discursos para mim. Eu não sou isso tudo.

– Sou apenas um baterista.

– Sou apenas uma baterista. Você também não me conhece. – Atirei de volta. O menino riu.

– Você não precisa ser insegura, por mim. Você sabe que é demais. As pessoas te amam. – Fez um gesto de muitas pessoas. Eu abanei a cabeça, como que não. Não era assim!

– Ninguém me ama. Talvez as minhas amigas. – Abaixei a cabeça, acariciando o tecido da sua camisa social. Era natural ficarmos brincando com a roupa um do outro. Realmente.

– Obvio que alguém te ama. – Concluiu. Ele me conhecia, muito, mas essas inseguranças ele não conhecia. Não queria que ele as visse.

– Não teria tanta certeza se fosse você. – Retruquei. – Não sou boa em nada fora a bateria.

Ele ergueu uma sobrancelha. Então, se levantou e logo ficou ajoelhado bem do meu lado. Senti suas mãos pegarem as minhas, que se encontravam buscando apoio no chão.

– Anna. Pare de brincar assim... – Disparou, lentamente. A sua boca se mexia como se alguém estivesse falando por ele. Ele era ridiculamente lindo. Não. Ele era LINDO, lindo. Como uma pintura. Se eu não olhasse para aqueles olhos todos os dias, eu não diria que eram reais. Não. Eu juraria a mim mesma que ele era um sonho.

– Não estou brincando. – Encarei-o firme, logo vacilando ao me encontrar ao seu olhar tão preso.

– Sim, você está. – Fez bico. – Não percebe? Comigo.

– Não estou brincando com você. – Afirmei, realmente um pouco ofendida que ele achasse que eu talvez estivesse brincando com ele? Claro que não! Éramos amigos. Todo o ódio era farsa.

– O nosso ódio é de mentirinha. Você acha que eu realmente te odeio? – Pedi, sem a capacidade de pensar que ele poderia achar que eu também fazia igual as minhas amigas. Mas, não!

– Eu sei que você não me odeia. Mas, Cat. Estou falando de outro assunto, outros motivos...

– Que outros motivos? Somos amigos. Quase os melhores. Somos uma dupla incrível e estamos fazendo isso pelos nossos amigos, e para podermos ficarmos em paz!

– Não acredito.

– Não acredita em...?

– O plano pode funcionar para elas, sim. – Agora olhava para mim. – E nós?

– Como eu disse, não nos odiamos para precisar de planos.

– Não estou falando de ódio.

– Richard, eu realmente não estou te entendendo. – Fui clara.

– Anna. – Pediu – Entenda, por favor.

– Perceber o que? – Meu raciocínio estava sempre a diminuir, principalmente ao ver assim...

– Você não percebe?

– Eu não percebo, haha. Do que você está falando?

Ele pareceu estar muito agoniado. Logo, olhando para o chão por uns momentos. E foi quando, do nada, vi seu rosto próximo do meu. Estava tão próximo. Nossos narizes encostados. Ele fazendo aquele carinho com o mesmo que me deixava toda arrepiada.

– Anna, você não pode ver um palmo na sua frente? – Pediu, com a respiração entrecortada. Tremia um pouco, provavelmente nervoso. – Veja. O que você vê?

– Vejo seus olhos azuis, Rings. – Respondi de imediato. O garoto suspirou, com uma emoção que não identifiquei. Senti-me ficar mais atraída. Não sei dizer como. Só sei que quando estávamos quase perto demais... e ele mexeu-se para seu nariz ficar ao lado do meu. Senti seu cheiro, do que não pude identificar. Era cheiro de livros, era cheiro de joia. Era como cheirar prata. Sei que é estranho, mas me lembra tanto os anéis que ele usava. O mesmo que entrar em uma joalheria que cheirava a dinheiro. A luxúria. E me deixo ceder, sentindo sua mão em minha nuca. Respirávamos, enquanto eu tentava achar o ar que tinha perdido. Muito mais perto, quase cedendo e então...

 

– Por que o paul tem que ser tão evasivo? Ele não se cansa de já ter todas as garotas aos pés dele não?! – Vinha George, atrapalhando nosso contato visual e o nosso quase... beijo. Aquilo me deixou confusa e um tanto aliviada. Eu não sabia o que viria depois. Ele estava com uma expressão inconformada (George, no caso) enquanto Richard me olhava como se estivesse perdido.

– O que aconteceu? – Disse o moreno, se levantando do chão.

– Sempre o Paul. Sempre!

– Parece até a Kiara falando. – Comentei, saindo da minha posição. Minhas bochechas queimavam e formigavam, mas, mesmo assim ouvi o que George tinha a dizer.

 

Lola Mackenzie

 

Estava indo tomar um chá com George, e era um tanto constrangedor, já que eu lembrava do episódio de hoje cedo com frequência. Pensem como me senti! Me senti como se estivesse invadindo a privacidade dele... e isso é irônico. Eu nunca vi ninguém assim, e o moreno era alguém que eu não podia me imaginar... enfim, eu não sabia nem como agir perto dele. Eu nem sei se vou conseguir ao menos dormir. Provavelmente estou traumatizada e fim. Quase estávamos chegando na cozinha. Algo me dizia que era apenas para deixar os dois anteriores sozinhos. Com certeza aquele plano valeria para eles. Me deixei levar. E esperava que o plano desse certo. Penso se Anna e Richard estavam realmente certos – apesar da minha opinião ser a mesma – e se iriamos machucar alguém, ou apenas ajudar? Seria apenas um empurrão, não é? Apenas eles vão fazer acontecer. Nós, ajudamos. Como anjos.

Indo ao encontro das duas portas que separavam o corredor da cozinha, dei de cara com Paul. Ele me olhava fixamente. Então, olhara para George como se quisesse passar-lhe uma mensagem pela cabeça. Ri baixo, imaginando se fossem capazes de fazer isso.

– Lola. – Enfim disse – Preciso falar com você.

– Paul. – Quem respondera fora George. – Agora não.

– Por que não, Geo? Eu tenho algo importante para falar.

– Então fale. – O tom dele soava impertinente. Ele sabia de alguma coisa que eu não sei?

– Em particular. – Frisou a última palavra. George balançou a cabeça.

– Somos amigos, Paul. Não precisa de segredos.

– Pode falar. – Sustentei, também. Pelo relógio da parede, já quase era hora de ir embora. – Não tenho muito tempo. Já está quase na hora do meu show com as meninas.

Nunca vi Harrison tão nervoso. Aparentemente Paul iria dizer algo, só que parecia que George não iria gostar nada disso. Ele sabia ou...?

– Depois. – O moreno limitou-se a dizer, colocando as mãos no bolso da calça social. – Após o seu show, você me procura. Sem ninguém, de preferência. – Olhou firme para o outro, me deixando extremamente confusa. Saiu logo em seguida, deixando-nos a sós. Tecnicamente, pois existiam pessoas na pensão.

Respirei fundo, sem tentar querer entender mais. Eram muitas coisas acontecendo novamente. Se pensasse, enlouqueceria.

– Vamos tomar chá? – Pedi, como se quisesse confirmar. Olhei-o carinhosa, sabendo que ele ia...

– ... eu perdi a vontade, Lo. – Estava emburrado, um tanto frustrado. – Vá sem mim, por favor. Estou sem cabeça para isso agora.

– Geo...

– Por favor.

– Mas... – Não dera tempo, este se fora rapidamente pelas escadas de volta para o quarto. Ouvi a porta bater. Meu coração acelerou, meus sentidos me enganavam para não dizer que aquilo realmente me doeu. Tinha MUITO mais do que deveria acontecendo exatamente agora, e ao mesmo tempo. O ver partir e mexer nos cabelos frustrado era demais para mim.

Logo em seguida, o mundo conseguiu adivinhar a hora. As meninas saíram dos lugares em que estavam – lá de fora, onde estavam provavelmente sentadas conversando, e Anna do quarto (acrescente muito vermelha e nervosa) – e vieram apenas me dizer que era hora. Enfim, um show para me distrair. Já era o tempo de ocupar a mente. Se não, eu iria atrás de George agora mesmo. A empatia e o carinho que eu sentia por ele, eram imensos. Deixa-lo ir não foi uma boa escolha, no entanto.

–  –

O show tinha sido um sucesso, e nada tinha eliminado tudo de minha mente. Eu precisava saber o que estava acontecendo em geral, mas não parecia chegar nunca.

– Paul, é melhor você ser breve. – Disse, ao fechar a janela do quarto para a varanda. Ele, encostado na barra que nos apoiávamos para vermos a rua.

– Eu vou ser simples, Lola. Não vou enrolar, nem dizer coisas que as pessoas sonham em ouvir. Sou assim, sincero. Só vou dizer e pronto...

– Ora essa! – Cheguei perto dele, para me encostar também. – O que seria tão importante para zangar o George, e ainda por cima ser em particular? Nem conversamos um com outro.

A fumaça do cigarro dele estava entrando em meus sentidos. Por trás dela, ele disse, ao soltar mais uma nuvem da mesma:

– Estou apaixonado por você, Lola. – Declarara, com todas as letras. Meu corpo gelou instantaneamente. Realmente ouvi isso? Estou delirando, variando, não estou ouvindo isto.

– Isso é... – Balbuciei, sem nem o que sequer defender.

– Muito sério. Estou dizendo com todas as letras. E é desde o primeiro dia que te vi, Lola. Eu estou apaixonado por você, é simplesmente isto. – Tirou o cigarro da boca, fechando a mesma para dentro. O olhava, totalmente sem acreditar no que estava dizendo. Não, não... não.

– Não, Paul.

– Não...?

– Não pode ser! – Falei, desesperada. – Não! – Raramente perdia a calma, mas dessa vez... dessa vez eu tinha quase certeza que agora estava pensando. Pensando bem. Sabendo o porquê de estar tão desesperada

– Lola. – Pediu, se aproximando. – Você não pode nem pensar?

– Não posso, Paul. Não posso. Não tem possibilidade, nem motivo. Eu nunca pensei em você, não dá. Não dá. Não, você não pode fazer isso comigo. – Nunca tinha me visto dizer tantas palavras negativas ao mesmo tempo, me ouvindo e querendo calar minha boca. – Isso é maluquice. Não posso, Paul! Não posso.

– Como assim? Não entendo. Você sempre me olhou! – Parecia um tanto indignado. Segurei-me, para não me descontrolar ali mesmo. A brisa fria batia em meus cabelos. Abracei-me, temendo o que ia dizer.

– Eu nunca olhei você. Eu sempre olhei ATRAVÉS de você. Não era você! – Exclamei. Porém, abaixei a voz para que não ouvissem caso estivessem ali ao lado. Paul jogou o fumo fora, me encarando.

– Eu não acredito nisso. – Sua franja, atrás dos olhos. Eu não podia acreditar, também. Ele já parou para pensar no meu lado.

– Acredite, então!

– Lola. Por que não? – Pediu mais uma vez, quase soando tão desesperado quanto eu. Gesticulava como um louco.

 

 

Demorou-se minutos para eu poder catar letra por letra. Palavra por palavra. Para recuperar o ar de meus pulmões, a minha determinação; mais um suspiro, uma respiração. Ar de fumaça ainda flutuando pelo ar, luzes cintilantes em qualquer lugar. Eu e minha dignidade ao ar.

 

 

– Porque eu estou apaixonada pelo GEORGE, Paul!

 

 

 

 

 

 

 



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