História Sweet - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias TWICE
Personagens Chaeyoung, Mina
Tags Lillaby, Michaeng
Visualizações 197
Palavras 3.054
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, FemmeSlash, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


E aí, meus anjinhos, tudo bem com vocês?

uia quase que eu n posto hj de novo, fiquei o dia todo fora e n consegui postar o cap à tarde, por isso to postando agora.

creio que vocês irão gostar do capítulo de hoje.

eu n revisei o cap, mas não desistam de mim, depois eu revisarei direitinho, ok?

enfim, boa leitura!

Capítulo 12 - College



                  Em setembro, os professores costumam ter um dia de treinamento, e a gente fica de folga. No segundo ano, eu, Moonbyul e Jeongyeon fomos a Balboa, comemos cheesburguer no calçadão ao longo da praia e assistimos a um filme horrível em 3D. Mas este ano eu havia me esquecido completamente do dia de treinamento do profesor até a véspera.

                  Obviamente, Momo e a turma do Debate tinham planejado uma incrível aventura: o show Spring Awakening, em Los Angeles, e Momo estava tentando convencer todo mundo, ainda sem sucesso, a se fantasiar de estudante da virada do século.

                  - Vocês deviam vir conosco - Tzuyu disse, quando todo ficaram sem graça ao perceber que Chaeyoung e eu não estávamos incluídas no plano original. - Nós compramos os ingressos faz tempo, mas vocês deviam vir mesmo que tenham que se sentar em outro lugar.

                  - Tudo bem - Chaeyoung acabou dizendo. - Mina e eu temos planos.

                  Isso era novidade para mim. Momo me lançou um olhar significativo, e eu encolhi os ombros, sem ideia do que Chaeyoung falava.

                  - Ah, é? Vocês vão à colheita? - peruntou Yerin, e todos, menos Chaeyoung, caíram na gargalhada.

                  Devo me explicar: "colheita" é quando a gente vai catar o que sobrou da festa, aquilo que fica estragando e apodrecendo nos campos, deixado para trás pelos trabalhadores imigrantes porque não dá para vender. É de fato um trabalho de campo obrigatório para os alunso do oitavo ano. Todos vão de ônibis até algumas fazendas, tiram fotos para o livro do ano, e pronto, e de fato, é tão chato quanto parece.

                  Momo rapidamente explicou a Chaeyoung o motivo por que todos estavam rindo.

                  - Sério? - Chaeyoung perguntou. - Todo mundo já foi catar tomate podre? E nada de museus?

                  - É. Não muito. Bem-vinda a Eastwood - Momo disse friamente.

                  A caminho das aulas seguintes, perguntei a Chaeyoung a que planos ela se referia. Mas seu vestido branco de alcinhas que não paravam de cair me levou a imaginar as minhas mãos correndo pelos ombros dela, deslizando as alcinhas para baixo.

                  - Ah, é - Chaeyoung meneou os ombros. - Acho que é a hora certa para começar o seu treinamento. Você vai ser a minha protégé, lembra?

                  - Como poderia me esquecer? - brinquei.

                  - Ótimo. - Chaeyoung sorriu. - Me pegue do lado de fora do Terrace Bulffs às oito e meia da manhã. E traga uma mochila cheia de coisas da escola.








                  Oito e meia da manhã de uma quarta-feira me pareceu tremendamente cedo, como se a minha cabeça tivesse se convencido de que precisava dormir num dia de folga. Bocejando, tomei um café e me juntei à fila de carros que saiam pelos portões de Rosewood a caminho do trabalho.

                  Quando estacionei em Terrace Bluffs, Chaeyoung estava sentada no meio-fio, revirando na mãos os óculos Ray-Ban. Vestia jeans e uma camisa xadrez, e uma mochila azul marinho se postava aos seus pés.

                  Tinha me preparado para mais uma das misturas de roupas antigas de Chaeyoung, e aquilo me pareceu um pouco diferente. Mas, mesmo com roupas normais, ela ainda era um tipo que a gente olha duas vezes sem entender bem por quê. Era como se ela estivesse fantasiada de menina comum e se divertisse com isso.

                  - Vi um coiote esta manhã - ela anunciou, sentando-se no banco da frente. - Estava no quintal dos fundos, obsecado com o laguinho de carpas.

                  - Talvez só quisesse um amigo.

                  - Ou uma namorada - Chaeyoung comentou, ironicamente.

                  Devia ser referência a algum poema, mas eu não compreendi. Dei de ombros.

                  - "Se ao menos tivéssemos mundo e tempo suficiente" - Chaeyoung citou. - Andrew Marvell?

                  - Certo. - Soava vagamente conhecido, como alguma coisa que o professor Kwon tivesse colocado em algum teste, mas eu não era lá muito fã de poesia. - E aí, pra onde vamos?

                  - Aonde não temos que nos meter, a não ser fingindo e aprontando - ela respondeul. - Vá para a universidade Town Center.

                  Lá fui eu. Enquanto dirigia, Chaeyoung me explicou sua teoria sobre como vencer em torneios de debate. Os debatedores mais bem-sucedidos ("Eu os chamaria de mestre, mas obviamente você não tem maturidade para lidar com isso, senhora Pretenciosa", ela brincou) sabiam fazer referências literárias, filosóficas e históricas.

                  - Quanto mais sofisticadas as referências, melhor - Chaeyoung disse, brincando com a saída de ar do carro. - Ninguém vai citar Robert Frost, pelo amor de Deus. Mas John Rawls ou John Stuart Mill.

                  Nunca tinha ouvido falar desses dois últimos, mas não disse nada. Na verdade, estava tentando entender se isso era um encontro, embora tovesse começado às oito e meia da manhã.

                   - Ainda podemos fazer colheitas - eu disse, indicando as plantações de laranja por onde passávamos.

                   - Não entendo o que acha de engraçado nisso.

                   - Ah, não? É o meu jeito caipira de levar você a um museu.

                   Chaeyoung balançou a cabeça, mas eu vi que sorria.

                   Às 8h45, a universidade Town Center parecia um lugar esquisito. Eu nunca fora lá, já que levava quinze minutos de carro na direção de Back Bay, um balneário esnobe e metido. Na verdade, Town Center ficava na divisa de Eastwood e Back Bay, na qual havia basicamente um posto de Metrolink, um complexo médico bastante familiar para mim e um clube de golfe do qual meu pai era sócio.

                    - Ironico, não é? - eu disse, estacionando. - Como Town Center está na divisa de duas cidades e não fica no centro de nenhuma?

                    Chaeyoung riu, concordando.

                    - Bom, vamos lá - disse ela, colocando os óculos escuros. - A gente vai chegar atrasada à aula.

                    - Ha, ha - eu ri, mas Chaeyoung não parecia estar brincando. - O que viemos fazer aqui?

                    A Town Center era um ponto de reunião não oficial da Universidade da Califórnia Eastwood, cujo campus ficava do outro lado da rua.

                    - Já disse a você - Chaeyoung respondeu, impaciente, descendo do carro e colocando a mochila no ombro. - Fingir e aprontar. Vamos nos enfiar em algumas aulas da universidade, para que você receba alguma formação em humanas e tenha uma estreia surpreendente no torneio de San Diego. Voilá! Aqui está a programação.

                    Dei uma olhada na folha roxa que ela me mostrava.

                    - História do Império Britânico? - li em voz alta. - Literatura do século 17 e Introdução à Filosofia?

                    - Exatamente - Chaeyoung respondeu, de modo presunçoso. - Agora, ande logo; vamos pegar um atalho até lá. Ser pontual faz diferença.

                    - E o professor não vai perceber? - perguntei, esforçando-me para companhar o ritmo de Chaeyoung a subir a passarela que levava ao campus principal. - Afinal, não estamos inscritas.

                    - Pra começo de conversa, é doutor, e não, ninguém vai percever. Costumava passar alguns feriados com o meu irmão quando estava em Yale, e eu entrava em umas aulas ao acaso quando estava entediada. Nunca me pegaram. Além disso, eu escolhia cursos com, tipo, centenas de alunos. A gente só vai assistir a umas palestras, fazer umas anotações pra usar no debate e sair numa boa.

                   

                    E foi isso basicamente o que aconteceu, pelos menos em História do Império Britânico. Nós nos juntamos a centenas de outros estudantes nas bancadas de conferências cheia de ecos, onde ficamos ouvindo sobre imperalismo, capitalismo e economia de guerra durante uns quinze minutos cansativos e não muito interessantes. Obedientemente, fiz algumas anotações, o que foi mais do que o sujeito de barba a duas fileiras abaixo da minha, que passou a aula inteira num joguinho do celular.

                    - E aí? - perguntou Chaeyoung, enquanto me arrastava até o café mais próximo quando a aula acabou. - O que achou?

                    - Interessante - respondi, pois sabia que era isso que devia dizer.

                    - "Embora seja loucura, tem lá o seu método" - Chaeyoung sorriu, colocando açúcar no café. - Como diriam em Hamlet. Aliás, falando nisso, hora de literatura do séculos 17.











                  Quando chegamos à sala de conferência, havia algo errado. E só percebi ao observar os livros das pessoas ali.

                  - Acho que entramos na sala errada - cochichei. - Vamos embora?

                  Nesse instante, um professor com uma gravata engraçada caminhou a passos largos até a frente da classe, e só tivemos tempo de nos sntar e ouvir.

                   Tínhamos caído numa sala de Química Orgânica. Eu já havia estudado um pouco de Química, uma das minhas esperiências escolares menos prazerosa, e achei que a Orgânica seria a continuação da mesma chatice.

                   O professor, um cara do Leste Europeu com uma propenção a afagar o cavanhaque loiro, arregaçou as mangas. Desenhou duas cadeias de hidrocarboneto na lousa, e até aí tudo bem. Uma tinha a forma de M; a outra, de W.

                   - Quem pode me dizer a diferença? - ele perguntou, perscrutando o salão. Mas ninguém teve coragem de arriscar. - Não há diferença - ele finalmente disse. - As moléculas são idênticas, se as considerarmos num espaço tridimensional.

                   Ele apreentou dois modelos em plástico, girando-os. Absolutamente idênticos.

                   - Agora, por favor - ele continuou, desenhando duas novas moléculas na lousa. - Qual é a diferênca aqui?

                   Era doido como de repente eu conseguia ver exatamente o que ele estava perguntando, depois de entender como enxergar além dos rabiscos na lousa e imaginar as moléculas como eram de fato.

                   - E aí? Ninguém nunca jogou Tetris? - o professor perguntou, arrancando umas risadas.

                   - São opostos - alguém falou.

                   - São opostos - repetiu o professor, pegando dois novos modelos e girando-os -, do mesmo modo como a nossa mão direita é oposta à esquerda. São imagens espelhadas uma da outra, a que denominamos enantiômeros.

                   E então continuou falando como os opostos podiam na verdade ser a mesma coisa, e como tinham surgido juntos na natureza, sem ser opostos de jeito nenhum, mas simplesmente destinados a tomar parte em reações distintas. Não se parecia em nada com as equações extenuantes que éramos forçados a encarar, números com expoentes tão altos que eu chegava a ter dó da minha calculadora. Nada de matemática; apenas teorias e explicações sobre o motivo de as reações acontecerem como acontecem, e por que as moléculas se aglutinava, em três dimensões. Não compreendia tudo, mas o que coompreendia soava bem interessante.

                   Quando a aula acabou, Chaeyoung virou-se para mim, com as sobrancelhas um pouco franzidas.

                    - Desculpe; misturei as salas de aula - disse.

                    - Imagina! Foi incrível.

                    Nunca antes eu deixara uma aula com a cabeça fervendo por causa do que tinha aprendido, e queria saborear essa sensação ao máximo. Era como se de repente o meu cérebro considerasse o mundo de um modo muito mais complexo; como se houvesse muito mais para ser visto e aprendido. Pela primeira vez, achei que talvez a universidade fosse diferente da escola, que as aulas talvez valessem a pena. Então, Chaeyoung começou a rir.

                    - O que foi? - perguntei, um pouco aborrecida por ela ter interrompido o meu momento zen particular.

                    - Ninguém gosta de Química Orgânica. É, tipo, o pior pré-requisito pra quem faz medicina.

                    - Bom, talvez tenha gostado porque não vou fazer medicina.

                    - Não. Você está planejando ser uma escrava na lavoura - Chaeyoug revirou os olhos.

                    - Óbvio. Vou funcionar em escala sazonal. E vou chamar de "colheita de primavera". - Chaeyoung me acertou o caderno na cabeça.






                  Depois de uma enfadonha palestra de Filosofia sobre algo chamado "cosequencialismo", voltamos para Town Center. Já era meio-dia, e o tempo tinha esquentado. O céu, de um azul brilhante, tornava-se cinza-esbranquiçado à medida que se aproximava das montanhas.

                  Tirei a minha camisa, que vestia sobre uma camiseta, caso isso fosse um encontro amoroso.

                  Chaeyoung deu uma olhada enquanto eu enfiava a camisa colorida na mochila.

                  - O que aconteceu com o seu pulso? - ela perguntou.

                  - Nada, é só uma braçadeira - respondi, sem querer prolongar o assunto.

                  - Algum tipo de moda de atleta? - ela provocou. Empurrou os óculos para cima da cabeça e, de repente, ficou séria. - É por isso que sempre usa mangas compridas?

                  - Não, sempre uso mangas compridas porque é um tipo de moda de atleta - respondi, imitando-a.

                  Ela me mostrou a língua, e assim com cara de criança

                  - Muito maduro - eu disse. - Achei que fingíamos ser uniersitárias.

                  - Agora não. Acabou a aula. Hora do almoço.

                 Fomos andando até o Town Center e compramos sanduíches no Lee's, uma dessas redes que a gente acha que se espalham por todo canto, mas que so existe na Califórnia.

                 Por insistência de Chaeyoung, atravesamos a rua e fomos comer em uma pequena elevação de pedras e grama que ficava ao longo de um córrego onde fizemos um piquenique à sombra de um carvalho. Numa estreita trilha acima, os ciclistas passavam correndo, e, do outro lado do córrego, outro casal fazia piquenique. Não que eu e Chaeyoung fôssemos um casal.

                 Aumentei o volume dos meus fones e selecionei um álbum dos Crystal Castle, enquanto Chaeyoung vasculhava a grama, pegando pequenas flores brancas que foi juntando numa coroa.

                 - Pronto - disse, inclinando-se para colocá-la na minha cabeça. O rosto dela estava bem perto do meu. Dava para ver seus olhos um tanto vesgos e as manchinhas douradas no inquietante castanho dos olhos.

                 Quando se afastiu para admirar o efeito da coroa em meus cabelos, tive a leve imperssão de que ela sabia como me afetava, e se divertia com a situação.

                 - Quando posso tirar isto? - perguntei.

                 - Quando me disser em que faculdade vai se inscrever - ela respondeu, maliciosa.

                 Dei de ombros. A pergunta era fácil.

                  - Porvavelmente nesta aqui, ou talvez em outra do estado.

                  De imediato percebi que tinha dito algo errado.

                  - Como assim? - Chaeyoung perguntou. - Pra você tudo bem passar o resto da vida nos mesmos metros quadrados?

                  Sem saber o que dizer, tirei a coroa e fiquei observando-a.

                   - Bom, parece que não vou mais ser recrutada por lugar nenhum.

                   - Ah. - O rosto de Chaeyoung corou, e ela ficou remexendo num guardanapo por um tempo. - Desculpe; não tinha me tocado.

                   - Tudo bem. Qualquer universidade do estado é boa. Não faço questão de nenhuma dessas de ponta.

                   - Por que não? - Chaeyoung perguntou, curiosa. - Todo mundo de Barrows faz.

                   Não era o tipo de pergunta que costumava ouvir: por que não Harvard ou Yale? A resposta era óbvia: porque ninguém esperava que eu frequentasse uma escola como essas. Nunca me interessei muito pelas coisas acadêmicas, e, mesmo quand jogava tênis, esperava que o nosso time fosse campeão estadual, não olímpico. A grande maioria dos meus colegas, e eu mesma, nunca nem sequer vira neve na vida.

                   - Não acho que me enquadraria - respondi, por fim.

                   - Não, claro que não - falou Chaeyoung num tom de desprezo. - Você prefere se enquadrar entre os atletas sem cérebro que ganham torneios de popularidade na escola e as meninas insípidas que os idolatram.

                   - Caso não tenha percebido, eu não me enquadro nisso também.

                   Chaeyoung começou a rir.

                    - Mina, todo mundo já notou - ela disse devagar.

                    Inclinei-me e coloquei a coroa de flores na cabeça dela, deixando que a minha mão se demorasse no cabelo mais do que o necessário.

                    E suponho que deveria ter virado o rosto de Chaeyoung e a beijado, mas não fiz isso. Não consegui entender se ela estava esperando o beijo ou se realmente o queria. Preferi não descobri.

                    Em vez disso, eu lhe contei como tinham sido as coisas comigo desder o acidente. Contei-lhe que havia passado quase duas semanas no hospital, enquanto o resto da minha turma terminava o ano sem mim; que eu tinha perdido o baile de formatura e as eleições de representante de classe e o luau; que a primeira cirurgia não dera certo e que a minha mãe tinha chorado quando soube que eu faria outra; que o meu treinador tinha ido ao hospital, e eu o ouvira brigando com o meu pai no saguão, culpando-me; e que as ditas amigas tinham me enviado um cartãozinho brega assinado por todas, em vez de me visitar; que os médicos tinham feito uma cena tão grande para me contar que eu não ia mais poder jogar que eu pensei que ficaria numa cadeira de rodas pelo resto da vida; que a pior parte fora voltar para a escola com gente que eu conhecia desde o jardim de infância, mas que só eu havia mudado, pois não sabia mais quem eu era nem quem queria ser.

                    Quando terminei de falar, Chaeyoung ficou algum tempo em silêncio. Então, aproximou-se e roçou os lábios no meu rosto.

                    Estavam frios por causa do refrigerante, e foi um instante fugaz. Mas ela não se afastou. Em vez disso, sentou-se bem perto e apoiou a cabeça no meu ombro. Eu sentia o bater de seus cílios no meu pescoço a cada piscada, e assim ficamos algum tempo, respirando juntas calmamente, ouvindo o som monótono do trafego da Universidade Drive e os gorgolejar do riacho.

                    - Tem um poema de Mary Oliver... - Chaeyoung disse afinal. - Sei que não gosta de poesia, mas vai gostar desta, pelo menos da última parte.

                    Ela começou a recitar, a cabeça ainda no meu ombro:

                    Diga, o que mais devia ter feito?
                    Afinal, tudo não se acaba cedo demais?
                    Diga, o que quer fazer
                    Com essa sua única vida vibrante e preciosa?

                    Ficamos olhando para o riacho e observando o casal juntar as coisas e pegar o caminho de volta.

                    - Bom, que opções eu tenho? - perguntei.

                    - Vou consultar o oráculo - Chaeyoung refletiu, inclinando-se para a frente a fim depear uma folha de grama. Examinou-a na palma da mão, como se estivesse lendo o meu destino. - Você poderia gritar feito um bárbaro em cima do telhado... ou sofrer as dores e dissabores de um destino ultrajante... ou aproveitar o dia... ou deixar o porto seguro... ou descobrir um novo mundo... ou vociferar contra a luz que se extingue... Algumas alternativas poéticas, não acha?

                    - E eu achando que você ia me dizer: médica, advogada, mulher de negócios - gargalhei.

                    - Sinceramente, Mina - Chaeyoung se ergueu, tirando a grama do jeans -, você nunca vai escapar do Panóptico pensando desse jeito.









Notas Finais


cocada eh muito bom


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