História Sweet and sour - Capítulo 24


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony, One Direction
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camila Cabello, Camren, Drama, Fifth Harmony, Lauren Jauregui, Romance, Romance Lésbico
Exibições 27
Palavras 3.362
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Terceira atualização em uma semana, yey!

Bem, eu queria dizer a vocês que eu andei relendo os primeiros capítulos e eu percebi que eles estão meio fraquinhos, né? Curtos, sem detalhes e sem muito conteúdo. Sendo assim, vou começar, aos poucos, a incrementá-los e os aprimorar - de modo que não atrase a postagem de novos capítulos, obviamente. By the way, vou deixá-los cientes quando houver alguma alteração para que possam checar e não ficarem por fora de algum detalhe.

Além disso, queria agradecê-los pelos 2k de visualizações. Sério, obrigadaaaaa <3 <3 <3

Enfim, creio que não vai ser um capítulo muito agradável e espero que vocês sejam sensitivos o suficiente para entendê-lo - não que demande grande esforço, mas é um pouco pesado.

See ya :p

Capítulo 24 - I promise you, dad


Fanfic / Fanfiction Sweet and sour - Capítulo 24 - I promise you, dad

Anteriormente em Sweet and Sour...

Meu sorriso alargou-se ansioso assim que ela, sem responder audivelmente, colou nossos lábios em um sinal mudo de permissão; suas mãos afoitas percorrendo meu corpo onde iriam cravar-se pelas próximas horas, as marcas vermelhas sendo uma memória do momento em que consumamos a mais ardente das paixões. E, por mais que fosse somente a primeira, estava escrito em nossas mentes que cruzaria a noite e, se tivermos sorte, perduraria uma eternidade.

Miami, Florida. – 23 de dezembro de 2015, 4h44min am

Foi, sem dúvida, a melhor noite da minha vida. Minha pele ainda queimava com a intensidade de seus toques e a luxúria de seu olhar. Meu peito vibrava com a tamanha entrega de minha parte e a gentileza que nos acompanhou através das horas, ambas explorando campos inexplorados e parecia surreal, pois o seu era a descoberta de algo mais e natureza física enquanto a minha caminhava pela profundidade improfunda de minha alma e quebrava facilmente todas minhas barreiras internas. Eu estava cansada de ser hipócrita, eu já era completamente dela.

Espera... O que você está fazendo, Jauregui?

Então, depois de horas de genuína harmonia, de repente, fui jogada de volta à fria e dura realidade: Eu jamais me deixaria envolver.

Minha respiração se acelerou, porém, agora, não havia mais nenhum sinal de excitação. Um arrepio assustador cruzou meu corpo e, infelizmente, nada de prazeroso ele trazia, mas sim uma sensação sufocante que fez todos os meus músculos se tencionarem e que eu cerrasse minhas mãos em punhos firmemente.

Por sorte, Camila parecia alheia às minhas reações; a paz que a cercava era palpável e eu gostaria de ser um pouco menos idiota para poder deleitar-me com o terno momento. Seu corpo descansava molemente no colchão macio; um sorriso singelo e realizado enfeitava seus lábios que ainda possuíam uma coloração rosada devido aos beijos afobados que trocamos ao longo das horas; nossas mãos ainda entrelaçadas ao lado de seu peito, seu olhar, agora avoado e sonolento, focado ali enquanto acariciava a minha palma com o polegar.

Meus instintos mandavam-me correr para longe. E talvez eu o fizesse, todavia, nem se eu tentasse conseguiria fugir de seus braços firmes que envolveram meu corpo de forma possessiva e também carinhosa; seu rosto escondendo-se em meu pescoço; um beijo amoroso sendo depositado ali me fazendo estremecer e encolher meus ombros.

Pude sentir o ar de sua respiração ofegante bater contra ele, esta aos poucos se normalizando assim como seu coração que retumbava fortemente, eu o sentindo bater contra minha própria pele. Trinquei meu maxilar conflituosa e soltei o ar de forma lenta, entredentes, tentando manter a calma e, ao mesmo tempo, não a perturbar e a deixar notar meu comportamento descontrolado.

Olhei-a de esguelha receosamente e constatei que a mesma agora dormia tranquila e serena. Meus olhos, sem tardar e de forma ansiosa, passaram por todo o quarto em busca das minhas roupas que pareciam ter evaporado; até que enfim as encontrei dispersas e amarrotadas ao lado da cama.

As palavras de Dinah voltaram à minha mente de novo, esta sendo preenchida pela culpa considerando a bobagem que eu estava prestes a fazer, a qual eu tinha plena certeza da dimensão. Descansei minhas costas no colchão soltando um suspiro lamentoso, a latina aconchegando-se a mim inconscientemente em seguida, o que só piorou o peso que se instalava em minha consciência.

Ela havia se entregado a mim. A mim! 

Por que você tem que ser tão imbecil, Jauregui?

Foram assim por quase duas agoniantes horas: eu tentando me assegurar de o que eu estava planejando não era tão ruim assim e não iria a machucar enquanto a parte racional do meu cérebro me mandava calar a boca e ser realista: ela, de maneira provável, iria me odiar. Ignorei minha batalha interna e, o mais sutilmente que pude, desvencilhei-me de seu abraço e corri para sair dali sem que a acordasse.

Fitei-a por um momento assim que minha mão ficou a centímetros de abrir a porta. Seu corpo estava jogado na cama sonolento, seu cabelo esparramado de qualquer maneira ao seu lado e era notável da onde eu estava as leves marcas roxas em seu pescoço que se estendiam até seu colo.

Era provavelmente uma das cenas mais singelas que tive a possibilidade de assistir, todavia eu estava sendo egoísta demais no momento. Não estava pensando; eu ignorei o aperto que me atingiu ao imaginar sua expressão ao acordar sozinha e repeti mentalmente que aquilo seria o melhor a se fazer.

Não pudera eu estar mais errada.

Fui até ela e depositei um tênue e culpado beijo em sua têmpora, sussurrando quase inaudivelmente um “Desculpe-me, Camz”. E, então, em um súbito de coragem – ou talvez estupidez-, eu saí da casa.

Não olhei para trás até que eu estivesse dentro do meu carro. Minhas mãos tremiam contra o volante, porém só parei para tomar fôlego quando já estava a dez quarteirões dali depois de estacionar de qualquer maneira no parapeito que ficava, não por coincidência, ao lado da “rua dos sonhos despedaçados”.

Um nó doloroso formou-se em minha garganta e eu estava fazendo o meu máximo para não chorar ali mesmo. Meus olhos marejaram e não era por tristeza ou decepção, era raiva e somente era a raiva que agora corria de forma ávida pelas minhas veias.

Eu me odiava. Odiava a forma como eu era fraca e covarde. Odiava o quão idiota e impulsiva eu era na maior parte do tempo. Eu era tão estupidamente egoísta; tinha medo de me machucar e mal considerava que eu poderia estar fazendo isso aos outros.

- Papa, posso te perguntar uma coisa? – perguntei intrigada chamando a atenção de Michael que me encarou interessado, suas mãos soltando o jornal em cima da mesa e cruzando os dedos ali.

- Claro, querida. O que quiser. – permitiu-me sorridente, todavia uma sombra de insegurança cruzou seus olhos e sua pose tornou-se agitada; apenas alguns meses mais tarde eu descobri qual fora a sua verdadeira causa.

- O Carter passou a semana inteira triste e ontem ele não foi pra escolinha. A prof disse que os pais dele não estão mais juntos. – expus franzindo o cenho ao relembrar de meu amigo comendo seu lanche abatido e em absoluto silêncio.

- E o que você pensa sobre isso, Lolo? – perguntou-me caloroso. Era uma das coisas que mais me faziam admirá-lo: quando tratávamos de um assunto, jamais me enchia com preceitos já batidos, mas sim, sempre questionava minha opinião curioso, por mais que eu fosse simplesmente uma criança que de nada, de fato, soubesse.

- Eu não sei. Eu achei que casais se amassem. – falei cabisbaixa dando de ombros e brincando com meus dedos gordinhos. Senti as mãos de meu pai acariciarem as madeixas castanhas de meu cabelo e ele sorrir em minha direção compreensivo.

- Sabe, Laur, nem sempre o amor é o que une os casais. – disse levantando meu queixo. Seu tom era sempre acolhedor e paciente. Eu, nem em um milhão de anos, poderia pensar que, de alguma forma, pudesse ser forçado.

- E então o que? – franzindo o cenho, a minha eu de oito anos perguntou confusa, afinal, era sempre espalhado para todas as crianças “as pessoas casam-se, pois amam umas as outras e querem firmar isso legalmente” - o que eu acho um tanto estúpido. Quer dizer, o que um papel define sobre a maneira que dois se sentem?

- Muitas vezes é por mera conveniência. A ideia de estarem sozinhos assusta mais do que terem alguém que não amam a seu lado. – ele deu de ombros acariciando minha bochecha gentilmente. – Eu quero que me prometa uma coisa, Lolo. – ele comunicou com uma expressão séria, porém ainda amigável.

Eu vi o homem à minha frente fitar pensativo o nada antes de continuar com o seu raciocínio. Seu olhar estava vago e perdido em um universo passado e, assim que me encarou, pude notar que seus olhos denunciavam frustração e, estranhamente, certa dose de derrota.

- Quero que prometa que, por mais difícil que pareça, você sempre seguirá seu coração. – pediu olhando em minhas íris verdes, as suas transbordando amor e carinho. – E que jamais perderá sua essência genuinamente doce mesmo que seja submetida a algumas situações amargas. Apenas me prometa isso, querida.

- Eu te prometo, papai. – sorri abertamente abraçando o homem apertado com toda a admiração que eu cultivava pelo mais velho jurando para mim mesma jamais decepcioná-lo. Quem me dera que ele tivesse tido os mesmos pensamentos.

Liguei o carro apressadamente. Haviam se passado quase duas horas que eu estava parada ali e de nada estava me ajudando ficar remoendo memórias bonitas, todavia dolorosas. Dei-me conta da merda que estava fazendo e dirigi o mais rápido que pude de volta a casa. Com sorte, encontraria a latina ainda lá.

Mas como sempre, a sorte nunca estava ao meu favor.

Entrei na casa com a chave que ela me dera e quase gritei de susto ao dar de cara com Lucy que me encarava descrente com sua caneca fumegante na mão. Eu tinha absoluta certeza que ela sabia o que havia acontecido já que sua sobrancelha estava arqueada e seus lábios apertados um no outro; suas mãos pousando a bebida no balcão antes de se aproximar.

- Ela...? – minha voz morreu com tamanha decepção que encontrei em seu olhar. Sua pose era dura e irremediável, porém eu pude notar suas feições suavizarem ao vislumbrar meus olhos vermelhos e inchados pelas tantas lágrimas que eu havia soltado até chegar ali.

- Sim. Já faz quase uma hora. – suspirou balançando a cabeça exasperada. - Sabe, você poderia tê-la contato que era apenas isso que você queria. – murmurou massageando sua têmpora direita impaciente; eu podia imaginar que fora pela reação da latina que, em minha imaginação, fora de várias formas – uma mais terrível que a outra.

- Mas não era só isso. – argumentei incrédula, minha boca entreaberta; não era justo que tirassem tão pouco de minha personalidade somente por um ato um tanto quanto equivocado. – Não é o que parece. É o motivo pelo qual estou aqui. – disse olhando a de forma sincera e fixa, quase desesperada, todavia eu pude vê-la revirar os olhos e abrir um sorriso sarcástico.

- Ah, é? Não foi o que pareceu. Quer saber? Você é exatamente o que alertaram que era. – debochou olhando-me acusatoriamente, seu cenho franzido de pura raiva. Era estranho vê-la me fitando daquela forma enfurecida, afinal, nossa relação, desde que nos conhecemos, fora harmoniosa; não somente por Veronica ter um crush imenso nela, mas também porque parecíamos entender a forma de pensar uma da outra.

- Isso não é justo. Você nem ao menos me conhece. – repliquei de maneira defensiva encolhendo meus ombros; meus olhos fechando-se pela dor da verdade chocando-se contra mim de forma absurdamente rápida e de ter desapontado a mais uma pessoa.

- Desculpe se estou sendo injusta aqui, mas não fora eu que fiz sua melhor amiga sentir-se especial e, ao conseguir o que queria, deixei-a sozinha na cama logo após fodê-la. Além de fazê-la se perguntar qual o problema dela, quando a merda toda tem a ver com você. – estremeci ao ver seu tom de voz elevar-se e seu dedo chocar-se com meu peito em meio à fúria que a tomou.

Eu não poderia rebater. Eu era muitas coisas, mas hipócrita não era uma delas. Senti minha mente começar a ruir e meus olhos voltarem a se encher de lágrimas, então, em meio a um soluço, dei a volta e corri para meu carro sem virar-me, nem mesmo ao ouvir a voz da loira me chamar de modo preocupado, logo dando partida e cantando pneus para longe dali.

[...]

A dor lasciva que me atingia não parecia dar trégua. Eu estava encolhida no sofá e meus joelhos permaneciam firmemente abraçados ao meu peito que ardia de maneira dolorosa; minha mente imersa na extrema culpa que carregava enquanto meu corpo ruía ao estresse emocional.

- Você não fez por mal, Laur. – ouvi a voz complacente de Louis preencher a sala e quebrar o silêncio desconfortável que se abatia sobre meus amigos que me encaravam sem ter certeza que como reagir apropriadamente.

Senti as mãos de Alexa empurrarem meus joelhos para baixo fazendo com que eu saísse de minha posição defensiva. Seus dedos guiando-se para baixo de meus olhos de forma delicada limpando as numerosas lágrimas que desciam, porém seu aperto foi forte o suficiente para que firmasse meu olhar ao seu; forçando-me a encarar suas íris castanhas.

- Não adianta nada ficar se lamentando agora. Já aconteceu. – disse tirando as minhas mãos, as quais tapavam meu rosto em uma tentativa de tentar reprimir os intensos soluços que sacudiam meu corpo a cada nova onda e esconder a tamanha vergonha em que me encontrava.

- Você devia ir atrás dela. – o garoto de olhos verdes argumentou calmamente recebendo nossa imediata atenção, logo se aproximando de onde estávamos; sua mão direita pousando em meu ombro e o apertando de forma fraterna. Porém, eu não estava de fato focada em suas palavras.

- Devíamos sair, isso sim. Você não devia nada para ela. – Alexa contrapôs trocando um olhar ávido com Louis que claramente mostrou-se incrédulo para com a ideia, sua sobrancelha arqueada em direção à morena. – O que foi? É a verdade. – deu de ombros abrindo os braços; os dois entrando em uma batalha voraz, porém silenciosa.

- Não seja ridícula. A garota está sofrendo e tudo que pode sugerir é que vão a uma festa? Não é a maneira correta de se lidar com problemas, você sabe disso. – ouvi Louis murmurar com o cenho franzido, seus olhos olhando-me em desespero para que eu negasse a proposta e visse a tamanha besteira que me era sugerida.

- Ah, cala a boca. Você quer o que? Que ela fica se remoendo até amanhã? Já perdemos a tarde inteira, não podemos deixar que aquela latina faça isso com nossa noite também. – comentou chateada; seus braços se cruzando em baixo do peito assim como o garoto que arqueou a sobrancelha para seus dizeres.

- Você só pode estar brincando. – murmurou perplexo piscando seus olhos rapidamente para que talvez acordasse do sonho em que aparentava estar. Na verdade, eu era quem desejava isso, não aguentava mais esta merda de pesadelo e ansiava por voltar à consciência.

Então, eles começaram em uma discussão entre si. Mas, sinceramente, eu não me importava mais. Não conseguia distinguir suas vozes; meus sentidos pareciam estar dormentes e eu tentava manter-me conectada ao cenário ao meu redor, porém, não pudera eu estar mais longe.

Levantei do sofá de forma rápida ignorando os olhares surpresos dos meus amigos que me acompanharam até eu estar fora do cômodo encaminhando-me para o banheiro para tomar uma ducha e, quem sabe, deixar minhas mágoas escorrerem pelo ralo junto à água.

Não contive o suspiro de prazer que escapou por meus lábios ao sentir a água quente entrar em contato com meus músculos tensionados, consequentemente, os relaxando e aliviando pelo menos o mal estar físico que me abatia. Minha vontade era de ficar o dia inteiro embaixo daquele chuveiro, mas minha pouca consciência ecológica me impedia disso.

Estendi meu braço para alcançar a toalha felpuda que estava pendurada convenientemente à minha disposição. Fiz meu melhor para me secar em meio à preguiça que me dominava e, por fim, enrolei-a em minha cintura frouxamente e sai do box.

Estremeci ao tocar o chão com meus pés devido à óbvia diferença entre as temperaturas dos corpos. Fui até a pia e puxei minha escova de dentes para fazer minha higiene bucal e, consequentemente, meu olhar se encontrou de forma rápida com o espelho.

Observei-me atentamente por alguns instantes. Camila, assim como todos, não mediam palavras ao afirmar que eu era o ser mais belo que já haviam visto. O porquê disso eu ainda não entendia, provavelmente algo aproximado à pena.

Quer dizer, eu não tinha nada de especial. Meu cabelo era ondulado e tão rebelde que provavelmente tinha vida própria. Meu rosto não tinha nada demais, apenas olhos verdes que eram tão opacos quanto à cor pálida de minha pele. Não tenho força de vontade e sequer cultivo um mínimo de autoconfiança.

Do espelho, desviei meus olhos envergonhada. Minhas mãos tremiam e um bolo doloroso formava-se em minha garganta. Suspirei contendo as lágrimas que ameaçavam cair e me repreendi por ser tão fraca toda a porra do tempo. Era incrível a maneira que eu sempre ferrava tudo.

Eu havia destruído todas as coisas boas que me cercavam e parecia que eu não estava destinada a ser feliz, afinal, coisas incríveis surgiam em minha vida, todavia estas eram tiradas de mim tão rápido quanto chegavam.

Não era justo, mas talvez eu merecesse. Eu não era alguém digno de algum privilégio e jamais me enganei em relação a isso. Porém era difícil tentar superar tudo o que te derruba quando você ao menos sabe o que te atinge. Sua vida tornando-se um ciclo infinito de sofrimento.

“Eu preciso de Camila”. Essa era a frase que cercava meus pensamentos e eu sabia que precisava dela para manter-me em pé. Mas não sejamos estúpidos, as chances de que ela tenha uma mínima consideração sobre mim depois de tudo que aconteceu eram quase nulas.

Por mais que ainda houvesse esperança, afinal, seus amigos haviam ficado em Miami. Ou seja, ela teria que voltar para aproveitar suas férias com eles, certo? Eu esperava isso pelo menos.

Por que diabos você está se lamentando, garota? - Uma voz de meu subconsciente sussurrou repreensiva. - Alexa está certa, vocês não tinham nada sério. Acha mesmo que teria algum futuro? Uma fodida como você? Pelo menos agora ela sabe com o que está se metendo.

Levantei meus olhos novamente para o espelho e sufoquei um grito assustado ao ver a garota parada ali com os braços cruzados me observando hesitante. Minha amiga analisou-me e seu olhar caiu sobre o frasco de remédios que estava na pia. Notei seu corpo estremecer e seus olhos se arregalarem.

- Eu acho que você está certa. – comentei dando de ombros despreocupada, meu semblante abatido desaparecendo em seguida; a não ser pelos meus olhos ainda vermelhos e inchados, óbvio. Não entendi seu olhar assustado e, agora, confusos, então, simplesmente sai e voltei ao meu quarto onde separei as roupas que me eram convenientes no momento.

- O que você está fazendo? - a ouvi perguntar ainda abalada enquanto eu andava pelo quarto atrás de meu estojo de maquiagem e de meus vestidos mais ousados: marcas características de quando eu estava a procura de uma diversão mais íntima – se e é que me entendem.

- Seguindo sua sugestão. – dei de ombros conferindo as condições de minha identidade falsa, afinal, nos EUA, apenas maiores de vinte e um anos podem entrar em night clubs e eu tinha apenas dezenove. Além do mais, eu não gostaria de ser pega logo esta noite- não deste jeito pelo menos.

Um grito animado cortou o silêncio do quarto e logo ela estava beijando minha bochecha agradecida e correndo para seu quarto para que pudesse se arrumar. Revirei os olhos por seu entusiasmo, mas sorri por irmos, depois de um longo tempo, passar um tempo juntas e sozinhas dado que geralmente saíamos em grupos.

Encarei meu reflexo no vidro da janela. Um suspiro cruzara novamente meus lábios, todavia não desviei meu olhar. Alexa estava certa. Lamentar-me de nada adiantava. A esse ponto, Camila provavelmente já sabia quem eu era e eu, no momento, não queria, ou melhor, não podia pensar nas consequências de meus atos. Um sorriso sacana surgiu em minhas feições e eu balancei a cabeça descrente pelo rumo que meus pensamentos levaram tão rapidamente.

Essa será uma noite e tanto. –pensei ansiosa estralando meus dedos à minha frente; a excitação antecipação correndo desenfreada por meu corpo, por mais que, no fundo, fosse simplesmente para ocultar a melancolia que, mesmo que escondida, ainda estava ali.

 

“Afogue o passado junto com suas inseguranças, brinde o seu presente e o enrole em sua felicidade para não deixá-la escapar e nunca se esqueça de acreditar que o melhor está por vir, pois o futuro é logo ali”.

- Jeanrosana-

 



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