História Sweet Dreams - Capítulo 31


Escrita por: ~

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Categorias Marilyn Manson
Personagens Marilyn Manson, Personagens Originais
Tags Ação, Artista, Assassinatos, Byronmason, Charlotteadkin, Desenhos, Docessonhos, Drama, Medo, Mistério, Romance, Suspense, Violencia
Exibições 9
Palavras 2.739
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 31 - II (Continuação)


Logo ela saiu dos meus braços um pouco sem jeito, pois todos estavam nos olhando. A plateia e os participantes. Os gritos de lá de baixo eram altos. Ela sorriu e desceu percebendo que não era muito "normal" alguém da plateia subir ao palco. Eu entendi, mas a minha vontade era de continuar a beijando e comemorando com ela. Eu a amava tanto, que minha vontade era não sair do seu lado.

Esse segundo lugar pelo menos valia de alguma coisa. Não ganharia só dinheiro -, do qual eu não precisava e não canso de repetir. Estava tão feliz, que não conseguia ter alguma outra reação a não ser dar um sorriso disfarçado olhando para os outros. Como algumas pessoas diriam: poderia morrer em paz agora. Estava tão realizado que por um minuto esquecera de alguns pequenos, talvez grandes, problemas. Queria ter um momento de felicidade sem pensar em alguma coisa ruim.

A mulher que falara sobre os vencedores, disse mais algumas coisas e depois nos deixou à vontade para olhar os quadros melhor. A maioria das pessoas foram na pintura de Adrian e os que não foram por aquela direção, iam ver o que eu havia pintado. Nada mais justo.

Durante todo o tempo que se passou a seguir, deixaram o quadro de Adrian e o meu exposto para que as pessoas vissem. Tinha bastante champanhe, e as pessoas não queriam sair de lá por esse motivo mesmo. Já havia sido declarado os ganhadores então as pessoas não tinha muita coisa para fazer lá.

Finalmente eu pude ir ao meio da multidão e falar normalmente com Charlotte.

Estávamos sentados em um banco um pouco afastado, após dizer algumas coisas para os outros participantes e conhecer um pouco Ariel. Ela era até que bonita, mas era uma beleza tão comum que não me chamou tanta a atenção. Bethânia tinha um estilo tão diferente e sua namorada era tão simples e indiferente que posso dizer que não "combinavam". Pela expressão de Priscila e Mitch eles não estavam tão tristes, aliás não seria a última vez que estariam em uma exposição. Todos tinham potencial e talento e mesmo que não ganharam nada, não significava muita coisa.

Várias pessoas estavam rondando Adrian, muitas provavelmente não o conhecia. Perguntavam algumas coisas e agiam como se fossem grandes amigos. Muitas pessoas ficaram em cima de mim também, mas após perceberem que eu estava do lado de Charlotte, a garota que subira ao palco, eles me deixaram a sós com ela. A primeira coisa que fiz ao chegar até ela e sentar no banco afastado foi:

- Por que fez isso? Me deixou achando que você não viria! Você não sabe o quanto foi ruim - Eu estava falando sério. Havia feito tudo aquilo para ela e se ela não aparecesse seria tudo em vão e ficaria sem sentido, afinal não era um concerto, e sim uma exposição de quadros, com chances para homenagear alguém ou algo.

Ela deu como resposta que após insistir muito, finalmente seus pais a deixaram. E tinha sorte, pois ela estava sozinha e se seus pais estivesse aparecido, do jeito que são, me matariam por ter feito uma música para ela. Literalmente. Enquanto conversava com ela tentei disfarçar ao máximo, mas estava difícil fingir que não estava bêbado. E sempre que ia dizer alguma coisa as palavras não saiam como deveria.

O evento foi seguindo o seu rumo enquanto eu conversava com Charlotte, Bethânia acompanhada de Ariel vieram falar com nós. Elas estavam igualmente felizes e pude conhecer um pouco mais de cada uma.
Eu estava tão feliz que não percebi que quando os convidados estavam indo embora, já fazia duas horas que ficamos ali. Era tanta coisa para pensar e falar que nem percebi o tempo que passei sentado em um dos bancos.

Fui indo ao lado de Charlotte até o carro estacionado, quando lembrei de alguns detalhes que ainda não estavam tão claros e que perguntaria para ela. Abri a porta para ela que se sentou com um sorriso no rosto.

- Agora me conte como veio parar aqui - Falo quando já estava saindo com o carro. - Quem te levou aqui? - Olho para ela que ainda estava com expressão alegre.

- Se eu falar você vai achar estranho, mas mesmo assim vou dizer... - Ela fez uma pausa dando aquele lindo sorriso - Eu peguei um ônibus.

- Imaginei mesmo - Digo sem fazer muito caso. Para qualquer pessoa seria esquisito ouvir falar assim, mas para mim era uma coisa tão comum que nem liguei tanto. - Seus pais não deixaram não é? - Pergunto sem demonstrar nada, esperando que ela me falasse a verdade.

- Acertou - Sua voz saiu um pouco baixa ao dizer isso -, mas o que importa agora? Teria sido pior se eu não tivesse aparecido aqui. Sei que você ficaria muito triste e decepcionado comigo - Ela sorriu diante disso e depois continuou - Agora me diz uma coisa... você fez aquela música para mim?

- Pensei que já sabia - Digo sem olhar para ela.

- Sim. Mas achei que você já a tinha criado.

- Criei para você, e sei que ficou um pouco dramático, mas era esse o objetivo. Espero que tenha gostado. - Digo com um tom de voz sério.

- Claro que gostei - Ela diz isso nos entregando em total silêncio.

Ela sabia tudo o que eu havia percebido em seu olhar e nas suas mentiras. Ela sabia que eu entendia que o jeito pelo qual ela falava e olhava não era o mesmo jeito de alguém que tem poucos problemas. Estou fazendo o certo de não questionar nada do que aconteceu, pois se sentiria presa, porque ela não queria conversar comigo sobre isso. E falar da letra da música que fiz para ela, é o mesmo de falar de seus problemas.

Aquela letra eu fiz a representando.
E eu a entendo. Por mais que ainda tem pouca idade, quando lembro do meu passado, eu me vejo nela. Como se eu fosse ela quando tinha a mesma idade. E nós provavelmente somos iguais na forma como vemos o mundo e as pessoas. Ela só tem problemas diferentes dos que eu tinha e que provavelmente são mais fortes. Tudo o que acontece com a sua família, o problema psicológico que ela tem, nada se compara aos que eu tinha.

Eu queria saber tudo o que ela passava, mas não tinha jeito a não ser questionar. E isso eu não faria tão já.

Queria que tudo a partir de agora continuasse assim, como um sonho e tudo se realizando, mas o que eu mais queria era ficar sem muitos problemas ao lado de Charlotte. Era tão difícil lembrar de todos os problemas pelo qual eu passava, ou pelo qual eu passei que imaginar um "final feliz" era um tanto complicado.

Os finais felizes sempre acontecem nas histórias em livros e muitas vezes sem conteúdo. Se eu queria uma vida cheia de conteúdo, aguentaria as consequências. Nem se fosse para sacrificar pessoas, o que eu já havia feito para o meu próprio bem.

Sempre quis saber se as outras pessoas tem um passado cheios de segredos e traumas, coisas das quais ninguém nunca poderia saber. Coisa das quais se decide entre a vida e a morte. Porque imaginar tudo ficando tão monótono era estranho também. Talvez as coisas começassem a melhorar agora. Nunca gostei de pensar positivo, pois muitas vezes o seu pensar positivo, seja viver iludido. Mas dessa vez tinha meus motivos reais para acreditar que as coisas seriam do jeito que eu queria.

Imaginava também que se eu não fosse uma pessoa como sou agora, não teria chegado nem ao início do que conquistei.

Enquanto eu estava dirigindo, tentei prestar atenção na estrada e desviar os meus pensamentos. Eu não estava muito bem. Mas finalmente consegui chegar em casa, pois parecia que nunca chegaria.

Abri a porta do carro para ela ao estacionar dentro de casa. Estávamos conversando sobre coisas aleatórias desde quando estávamos no evento. Não demorou muito para perceber que algo estava errado.

Como se fosse dentro de algum pesadelo, tudo o que estava tão alegre, de repente se transformou em algo ruim.

Eu já não estava tão bem, minha visão estava esquisita, e uma fraqueza passava pelo meu corpo. Claro, muito normal isso. Mas nessa hora, era ruim. Era pior do que qualquer outra coisa.

Charlotte ainda estava falando quando segurei em seus braços e ela me olhou assustada e sem entender nada.

- O que foi Marilyn? - Sua voz ainda estava agitada. Talvez ela não percebesse o que estava acontecendo - Porque está assim? Eu falei alguma coisa?

- Não - Digo assustado demais para dizer algo melhor - Você não fez nada.

- Então porque está assim?

- Corre - Digo sem explicar nada. Seus olhos passaram rapidamente pelo local, provavelmente com o objetivo de achar alguma coisa estranha.

- O que foi? - Ela perguntou.

Tudo estava passando tão rápido que não deu tempo para que eu lhe explicasse alguma coisa. Eu estava com medo nesse momento.

Medo porque não sabia o que estava acontecendo, nem se era real ou não. Senti uma sensação estranha quando cheguei em casa. Como se estivesse alguém ali. Não vi ninguém, mas senti algo. Não podia ser outra coisa. Como uma resposta para todas as minhas perguntas, tudo ficou escuro.

Eu sabia que estava ali, conseguia respirar, conseguia sentir o ar fresco vindo de algum lugar. Uma voz fina me chamava ao longe.

"Marilyn, Marilyn!".

Não sabia de quem era essa voz. Eu estava inconsciente? Não parecia. Essa voz era familiar e tudo o que aconteceu a algumas horas atrás, eu conseguia lembrar claramente. Mas a escuridão estava contrariando os meus pensamentos. Parecia que a cada segundo eu estava sendo empurrado para o fundo, e meus braços invisíveis tentavam sem sucesso agarrar a alguma coisa que impedisse a queda. Mas afinal, onde eu estava? Como poderia estar caindo em algo que não era real? Um pensamento rápido passou pela minha cabeça.

Será que eu estava morrendo?

Não. Não podia ser. Eu estava pensando nesse momento, como poderia estar morrendo?

Tanta coisa para me preocupar que me esqueci da dor que estava latejando em minha cintura. Uma dor insuportável, quase que impossível. O que estava acontecendo? E aquela sensação estranha de que algo ruim iria acontecer? O que significava tudo isso?

Dizem que quando você está morrendo, as lembranças mais profundas são passadas como um filme.

Isso não estava acontecendo.

Será que poderia acreditar?

Não sei, mas quando, com muita dor e quase que sem perceber, abro meus olhos e uma luz enorme invade a minha visão. Por um momento tudo fica claro, como se estivesse olhando para o sol. Tudo estava silencioso, mas eu conseguia sentir meu coração pulsando cada vez mais rápido. Eu estava pensando, estava respirando, estava sentindo. Sentindo muita dor. Eu certamente estava vivo.

Sentia medo, não sabia onde estava e por um momento esqueci quem eu era. Isso me deu um desespero muito grande, me fazendo tentar mexer os braços, mas tudo em vão. Eu tentava gritar, mas nada saía. Tentava enxergar alguma coisa além do branco, mas não conseguia. Meu coração estava em um ritmo muito acelerado, eu conseguia ouvi-lo. O silêncio me desesperava ainda mais. Eu tinha que fazer alguma coisa. Tinha que pedir ajuda. E eu continuava tentando mexer alguma parte do meu corpo, mas parecia impossível. Todas as lembranças dos últimos momentos, como se tivesse alguém me observando, alguma presença forte e pesada.

Charlotte.

Onde ela estava?

No momento em que pensei nela, as vozes tomaram vida novamente, como se fosse um rádio estragado que só volta na mesma parte. E eu consegui me ver.

Eu estava caído ao chão, minha cintura estava encharcada de sangue. Ela estava ao meu lado, segurando em meus braços enquanto eu não tinha nenhuma reação. Ela estava chamando por mim. Tudo em volta estava muito claro, e aquela sensação ainda me dominava. Tinha alguém ali. Deixei aquela cena e comecei a caminhar rumo a porta aberta da minha casa. Entro sem fazer nenhum barulho quando vejo que a parede estava suja de sangue. Meu coração se acelera muito, quando vou seguindo os rastros de sangue na parede. Meus olhos param em um corpo caído no chão. O seu braço estava quase arrancado, e seu pescoço cortado profundamente. Estava morta. Por um impulso tiro os cabelos desgrenhados de seu rosto e vejo finalmente quem era. Charlotte estava morta. Dou um pulo para trás, meus olhos enchem de lágrimas. E com um susto enorme eu percebo.

Havia uma faca na minha mão.

Mas como era possível? Ela estava ali fora comigo!

Quem sou eu?

Meus olhos finalmente se abrem revelando que, eles na verdade, não estavam abertos. Claro que não. Olho para os lados afim de saber o que estava acontecendo e vejo umas paredes brancas, um pouco sujas e um barulho irritante que na hora não soube o que era. O teto mostrava uma lâmpada exageradamente branca e grande. Meus olhos passam pelo local e vejo, com um grande susto, que estava no hospital.

- Como está? - Uma voz calma me perguntou e por incrível que pareça meus ouvidos doeram.

Olhei para onde estava vindo essa voz e vi uma mulher com roupa de enfermeira ao meu lado.

- O que aconteceu? - Pergunto com a voz confusa e um pouco baixa. - Por que estou aqui? - Eu certamente já sabia o motivo de estar no hospital, alguma coisa tinha acontecido, mas não sabia o porquê de tudo. - por favor me dê alguma explicação.

- Você levou um tiro. - A mulher diz com a voz ainda calma, o que me deixou muito nervoso. - Estava no portão da sua casa.

Imediatamente me lembrei da dor em minha cintura. Olhei para ver se estava certo, e vi que a roupa estava um pouco manchada. Tentei me mexer, mas a dor foi tão intensa que não consegui ficar em uma posição boa. Tudo estava tão confuso. Porque acontecera isso? Estava indo tão bem, finalmente Charlotte estava do meu lado. Me lembrei da exposição e uma raiva tomou conta de mim. Alguém me atrapalhara de novo. Meu coração bateu rapidamente e por um impulso tentei me levantar, porém apenas caí imóvel no mesmo lugar.

- Se acalme...

- Onde ela está? - Interrompo a mulher a minha frente - Por favor só me diga isso, onde ela está?

- Ela quem?

- Charlotte, a garota com um vestido branco que estava do meu lado quando... - Enquanto eu estava falando as palavras se perderam na minha boca. Como fui parar aqui? Com certeza ela me levou até esse hospital... - A garota que me trouxe aqui. Ela parece ter uns quinze a...

- Sinto muito, mas nenhuma garota te trouxe aqui. Você deve estar confuso.

- Mas quem foi então? - Minha voz saiu ainda mais alterada. Onde estava ela? Como então eu vim parar aqui? Por quem?

- Você não se lembra?

- Não, eu estava com uma garota quando alguma coisa aconteceu e ela me levou até aqui! - Digo não aguentando discutir com aquela mulher que não sabia de nada. Ela não lembrava de Charlotte e ficava dizendo que não estava acompanhado de ninguém. Isso já estava me irritando demais.

- Nenhuma garota te levou até aqui - Ela diz com aquela voz calma - Se você estava com alguém, ela não te levou aqui, talvez foi embora... não sei ao certo. Mas seu irmão te encontrou caído no chão, a polícia já está investigando...

- Cale a boca! - Grito com ela - Eu não tenho irmão! - Cada vez eu ia ficando mais assustado e as lágrimas já estavam escorrendo dos meus olhos ao lembrar de que a pessoa pela qual eu mais me importo poderia estar sofrendo ou em perigo.

- Você está confuso...

- Deixa ele, logo lembrará das coisas. Irá fazer um dia que ele está aqui neste hospital, não é de se esperar que se lembre de alguma coisa - A voz de um homem entrou no quarto, me fazendo prestar atenção em cada palavra. Aquela voz não era desconhecida. Tentei me mexer para ver se as minhas suspeitas estavam certas, mas não consegui nem mover o braço. - Me deixe com ele, precisamos ter uma boa conversa.



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