História Sweet Dreams - Capítulo 36


Escrita por: ~

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Categorias Marilyn Manson
Personagens Marilyn Manson, Personagens Originais
Tags Ação, Artista, Assassinatos, Byronmason, Charlotteadkin, Desenhos, Docessonhos, Drama, Medo, Mistério, Romance, Suspense, Violencia
Exibições 11
Palavras 2.327
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 36 - VII (Continuação)


Todos no carro sorriram e abriram as portas. Até as garotas estavam animadas para ver como era a tão discutida boate. Por fora, dava a impressão que era um paraíso. Mas não o era realmente.

Era esquisito as pessoas estarem assim, considerando o que estava prestes a acontecer. Eles não sabiam de nada, mas mesmo assim era estranho. Ver eles sorrindo e dizendo que estavam "amando" essa sensação de estar fazendo algo "proibido" ou "errado". Para mim, não é uma coisa errada, é questão de dever. Eu deveria entrar ali para pelo menos, conversar e resolver a situação com Joe e Elizabeth.

Andei em direção a entrada que estava fechada. Dois seguranças estavam a porta. Eles me olharam de maneira esquisita quando estava me aproximando.

Quando cheguei mais perto, eles dois abriram a porta e ficaram cada um de um lado, abrindo passagem para que nós passássemos. Ainda me lançando um olhar assustador. Como eu estava na frente fui o primeiro a entrar. Não pensei em muita coisa e só segui em frente, sem nem ao menos pensar na ideia de ter armas apontadas para mim quando pisasse lá.

Olhei em volta e tudo estava muito silencioso. Aquele lugar era silencioso.

Dei mais alguns passos à frente, e nessa hora as portas atrás de mim se fecharam bruscamente deixando todos os adolescentes para fora. E foi aí que percebi que só eu tinha entrado, e que os seguranças haviam fechado a porta para que eles não entrassem. Talvez eles já esperavam que eu fosse aparecer. Talvez tudo estava planejado. As coisas aconteciam rápido demais.

Pode parecer ainda mais estranho, mas uma vontade de rir me invadiu. Talvez fosse pelo nervosismo, não sei.

Consegui ouvir as vozes se alterando lá fora. O mais engraçado é que eles não entendiam que era melhor ficarem lá fora, enquanto eu daria de tudo para não ter de entrar aqui.

As coisas estavam indo bem até agora.

- Enfim aqui, Marilyn - Ouvi uma voz masculina, que logo reconheci ser do Joe. Rápido demais, como se estivesse a minha espera. - Demorou bastante para chegar até aqui. Conte-me o que aconteceu.

Joe acabara de entrar naquela sala, e se sentou em uma cadeira grande demais. Tudo estava uma bagunça e aquela cena estava parecendo de filme.

Os papéis de paredes eram os dignos para uma boate como aquela, e a cadeira que ele estava sentado era em um tom avermelhado, assim como muita coisa por lá. Havia uma cômoda marrom do lado esquerdo onde ficava mais bagunça. Papéis e garrafas vazias pousavam naquela cômoda. Era uma sala grande demais para pouca coisa, o que tornava o lugar mais feio.

- Vocês são tão burros. - Digo disfarçando uma risada - Sua irmã então... Acho que merece o prêmio Nobel da burrice.

- Minha irmã? - Ele pergunta levantando-se da cadeira onde estava sentado. Por um momento sua expressão estava surpresa, mas logo se recompôs e voltou a sua habitual expressão sarcástica. - Parabéns para você, olhando por fora não parece capaz de descobrir muita coisa. - Ele se aproxima de mim dizendo:- Como descobriu?

- Ela me disse. Afinal, é meio estranho a vendedora sequestrar você. - Dei risada após dizer isso - Mas nem isso ela é capaz de fazer.

- Ela te viu, mas resolveu te deixar vir caminhando até aqui. Ela imaginou que você viria até aqui atrás da... Charlotte? É esse o nome que ela diz ter? - Ele pergunta com a voz um pouco embargada, como se estivesse se segurando para não rir. - Você está sendo feito de idiota.

- Não acredito em você - Me aproximo mais ainda dele, afim de mostrar uma posição desafiadora. Sabia que Charlotte se chamava Charlotte. Ele que estava mentindo. Não tinha motivos para acreditar nele.

- Que pena - Ele se afasta um pouco -, mas você acabará por descobrir.

- Onde ela está? - Pergunto indo direto ao assunto. Por mais que eu sabia que ele não falaria nada, não custava nada tentar. Não sentia medo naquele momento, talvez fosse pelo motivo de que já sabia a razão para ele estar fazendo tudo isso. O que quer que fosse, estava muito mais confiante do que antes.

- Na própria casa.

- Você está mentindo de novo. - Digo sem acreditar.

- É o que você acha. - Ele dá de ombros - Você só vê o que quer. E eu tenho certeza de que prefere morrer sem saber.

- O que quer dizer com isso?

- Que nem tudo é o que parece, e essa tal de Charlotte não é bem o que você está pensando - Ele dá um sorriso para mim, para depois se aproximar afim de tocar em meus ombros - Conselho de amigo: Ela não é nada do que você pensa. Acho melhor se afastar. Vai acabar morrendo.

- Não vou acabar morrendo - Digo com indiferença.

- Como se tivesse chance, não é? Vai acabar morrendo aqui e agora mesmo! - Ele ri alto e anda até a cadeira onde estava sentado, e por mais louco que pareça ele volta a sentar. - Agora me fale sobre você. Se arrependeu de ter matado a sua irmã?

- O que você quer com isso?

- Quero saber.

- Sim, me arrependi muito. Mas isso não vem ao assunto. Por que pergunta?

- Para ver se tem alguma possibilidade de ter pena de você e não te matar - Ele diz sério, como se fosse verdade o que ele estava falando.

- Não preciso de pena - Digo apenas.

- Pode ter certeza que agora vai precisar. Afinal, você não ama Charlotte? É preciso ficar vivo para protegê-la do mundo. Ela é tão inocente, não é? Coitadinha, ela precisa de você! Mas infelizmente você morrerá antes mesmo da despedida.

- Você quer que eu peça desculpas?

- Talvez.

- Então me desculpe! Eu perdi a cabeça quando matei a minha irmã, voltei a repetir isso, mas já faz muito tempo que não machuco uma pessoa! Pode acreditar, eu mudei. Eu era diferente antes, pensava diferente, mas se desse para voltar no tempo, não faria tudo de novo. - Após terminar de falar, me surpreendo com o desespero que falei aquelas palavras. E eram sinceras. Nunca pensara assim, mas agora eu estava realmente diferente.

- Você diz isso, só porque percebeu que é o vilão dessa história e não o herói. Se eu não tivesse aparecido na sua vida, você estaria pensando da mesma forma. - Ele faz uma pausa para depois continuar - Você não mudou nada. Só está se arrependendo porque vê que será melhor para si próprio.

- Quer que eu me ajoelhe?

- Seria obsceno - Ele finge estar pensativo -, até que adoraria, mas não é um bom momento.

- Você é nojento.

- Sou mesmo, mas pelo menos não sou um psicopata igual a você.

Suspiro antes que falar:

- Agora diz o que pretende fazer.

- Uma brincadeira. Eu conto até dez e você tenta sair daqui. Quando os dez segundos der eu vou atrás de você e quero não te encontrar. E se caso eu te encontrar, você morre sendo estuprado. Afinal, estou com muita vontade de fazer isso.

- Pare de ser infantil!

- As coisas aqui vão do jeito que eu quero. Tente sair daqui, e vou dar uma dica: a porta da frente - Ele apontou para a porta que eu entrei - Não está acessível. É impossível sair por aqui. Tem uma outra porta que está aberta. Você pode sair por lá. Tudo bem então, eu te dou quinze segundos... não... um minuto - Ele sorri para mim.

- E daí? Se eu conseguir sair? Você me deixa em paz para sempre?

- Você, a Elizabeth e a Charlotte.

- Você está brincando não é?

- Não, estou longe de fazer isso!

- Então porque está dando essa chance? - Eu não estava acreditando em nem metade do que ele estava falando, mas mesmo assim queria saber o que ele estava pensando. Se ele achava que eu seria tão idiota ao ponto de acreditar, ele estava totalmente enganado.

- Porque eu sou legal, e pode acreditar - Ele diz me olhando nos olhos, como se conseguisse ouvir meus pensamentos - Não brincaria com isso. Mas estou dando essa chance porque é difícil você conseguir sair daqui em um minuto, uma vez que você não conhece nada daqui.

E foi aí que eu lembrei da porta vermelha, naquela sala rodeada de bancos pretos e gastos. A sala que eu vi com a porta aberta. Aquela sala era realmente a do fundo. Poderia achá-la tranquilamente. Eu lembrava que olhei de relance e ela estava um pouco aberta, podendo ver o dia lá fora. Era um pouco difícil me lembrar disso, pois naqueles dias eu estava sob muito enfeito de remédios. Era uma lembrança estranha, mas me recordava.

Eu tinha de aceitar isso, e eu poderia acreditar que ele falava a verdade, do jeito louco que ele era, estava quase claro que era verdade e que ele estava levando à sério essa brincadeira idiota.

- Posso acreditar? - Perguntei sem demonstrar nada.

- Pode e deve. E lembre-se: se por acaso você não conseguir sair daqui, eu farei tudo o que eu quero com você. E pode ter certeza que eu quero muito além da sua morte - Ele sorri ao dizer isso.

- Vamos começar então.

- Não sou desleal. - Ele levanta o braço e olha o seu relógio de pulso, mexendo em alguma coisa, atento para quando se passasse um minuto. - Começando à partir de agora.

Nesse momento dou um sorriso para ele, e me afasto, andando a procura da saída. Conforme olhava para os lados, lembranças vagas vinham na minha memória daqueles quartos e corredores. Na verdade tudo parecia um labirinto. Comecei a correr, mesmo não sabendo onde estava. Parecia que quanto mais corria, mais chegava à estaca zero. Não me lembrava muito bem, e parecia realmente impossível.

As coisas que ele falara estava voltando a tona na minha cabeça. Charlotte não era inocente e estava longe de precisar da minha ajuda, certo?

Eu estava confuso demais e tudo isso se atrapalhava e misturava-se com o meu desespero de conseguir sair de lá. Queria acreditar que era verdade, devia ser. Joe não poderia brincar com isso.

Aquela boate era muito grande e a cada corredor tinha novos quartos luxuosos, com as portas abertas, convidativas.

Até que cheguei em um quarto onde reconheci ser o mesmo do qual encontrara Elizabeth caída no chão do banheiro. Não poderia estar tão longe da saída. Comecei a correr mais rápido ainda, olhar em volta de tudo me dava arrepios. Enquanto ia passando por todo aquele corredor, foi como se nunca conseguisse sair dali, por mais que estava me recordando de tudo. E eu odiava esse desespero que sentia, eu odiava sentir medo. Sempre entrara em pânico toda vez que sentia algo parecido.

Eu tinha de sair dali e não tinha tempo o suficiente.

Um minuto provavelmente já havia se passado. E se não, faltava apenas cinco segundos, no máximo. Apenas alguns segundos.

Foi aí que eu ouvi um tiro bem perto de mim.

Mas ao mesmo tempo, encontrei a porta vermelha no final do corredor.

Eu conseguia sentir que se levasse mais um tiro, com toda a certeza, morreria. Não conseguiria sentir mais. Não poderia perder mais sangue.

- Ai que pena, você perdeu.

Respirei fundo e corri. Não sabia se me machucaria com isso, mas eu corri até a porta vermelha. Deveria sair no tempo máximo que conseguisse, mas os passos atrás de mim estavam muito altos. Até que parou. Tudo ficou um silêncio novamente, quase parei de correr para olhar para atrás. Era muito curioso o silêncio que fazia de repente. Mas eu não podia parar nem por um momento. Tinha de continuar a correr. Assim que encostei as minhas mãos na maçaneta da porta, ouvi ele dizer:

- Se você sair, estará roubando e terá dívida comigo. Vou continuar te perseguindo até conseguir te matar. Mas se você ficar... te matarei rápido, e você ficará livre de todo esse inferno que te espera lá fora. Deixarei opcional.

Isso era uma loucura. Tudo o que estávamos fazendo agora. Ele me deixaria mesmo em paz? Ou estava fazendo uma brincadeira comigo, só para me deixar confuso? Eu tinha acreditado em uma besteira dessas?

Por um momento isso mexeu comigo. Eu tive de pensar. Morrer era muito mais convidativo do que viver esse "inferno", como ele mesmo falara. Tudo de novo? Correndo dele, fugindo. Não poderia nem denunciá-lo para a polícia, pois os "seguidores" dele viriam atrás de mim. Atrás de mim e de Charlotte.

Eu já causara a morte de duas pessoas, mas a morte não era a única coisa. Quanto sofrimento eu causei com a morte da minha irmã, e com a da minha "querida" vizinha. Todos eles tinham famílias. E o mínimo que eu pudesse pagar, eu pagaria.

Abri a porta e sai para fora, fechando-a o mais rápido possível. Não poderia ser covarde o suficiente para pensar em morrer, assim que tinha deveres para serem realizados.
Tudo parecia tão diferente, tão superficial. Parecia que aquela boate não existia na verdade, ao olhar para fora. Mas eu tinha muita coisa para fazer, e quando eu avistei um táxi, corri direto para ele, fazendo sinal com a mão para que ele ficasse parado.

Precisava fazer muita coisa, pouco importava se iria morrer em seguida.
A ideia de viver ao lado de Charlotte era como se fosse um conto de fadas. Quase que impossível, uma coisa que só em livros acontece. Por mais que eu queria muito viver normalmente, era impossível. Eu criara tudo isso, então tinha que acabar. E o único jeito de acabar com todo esse inferno na vida de Elizabeth e de Charlotte, era a minha morte.

Eu tinha plena consciência disso.



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