História Sweet Revenge - Capítulo 9


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), David Nolan (Príncipe Encantado), Emma Swan, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Sr. Gold (Rumplestiltskin)
Tags Emma Swan, Regina Mills, Swanqueen
Exibições 59
Palavras 1.254
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yuri
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Música: Find Me (feat. SIGMA) - Birdy

Capítulo 9 - Find me


POV EMMA

Os dias passaram-se inquietos na igreja. Meu corpo estava agitado, meus olhos mais atentos e meu coração apertado. Fazia dias que Regina não aparecia, sempre assim, sempre me deixando com o vazio dos dias, tendo de lidar sozinha e silenciosamente com a confusão que sua ausência me causa.

Mas além disso, pelos corredores, pessoas passavam correndo, eufóricas, quando eu e meus pais passávamos. Sentia olhares estranhos e ouvia sussurros, cochichos maldosos. As pessoas estavam mesmo desconfiando de algo com a minha família. Meus pais vinham discutindo diariamente, se perguntando o que estava havendo e como algo havia acontecido se eu sempre estava com um deles.

Um culpava o outro. E eu me culpava.

Vê-los assim se perdendo fez com que eu me encolhesse em meu canto e chorasse, sussurrando pedidos de ajuda a uma pessoa que não me ouviria, que eu sequer sabia se estava. Queria contar a eles que tinha alguém, pedir para alguém encontrá-la. Mas como? Como, quando eu sequer conseguia responder aos seus questionamentos diários?

No sábado, quando todos estavam reunidos rezando, eu sumi entre os corredores dizendo que iria ao confessionário. Todas aquelas vozes estavam me deixando desnorteada e sem rumo. Sentia as paredes se fechando sobre mim ao ouvir na minha mente, sussurros como o vento “ela matou”.

Sai da igreja e encontrei a escuridão da noite, as estrelas brilhantes e espaçadas, o vento bagunçando meus fios longos finos. O vazio. Não havia ninguém na rua. Andei por onde eu havia encontrado Regina nas primeiras vezes, meu corpo tremeu ao lembrar-se do que senti aquele dia, da chuva nos envolvendo, da sensação de ser completamente tomada de corpo e alma por alguém.

As lágrimas se misturaram aos pingos de chuva que começaram a cair, que ironia. Gritei, sozinha, coisas que tinha vontade de falar todos os dias. A chuva aumentava e meus gritos não passavam de ecos, palavras perdidas se repetindo para nada, nem ninguém.

Meus pensamentos explodiam em perguntas na minha mente: E se me culparem? Vou morrer? Vou ser queimada? Cortada? Onde está Regina? Por que ela não aparece? Aconteceu alguma coisa?

Deixei a água cair sobre mim até cessar por completo e o frio me ganhar. Fui para o meu quarto e me troquei, ainda sentia minha pele arrepiar, meu corpo tremia, gelado, sem muita força. Deitei na cama e senti uma coisa embaixo de mim. Uma folha. Sabia de quem era, mas tive medo. E se fosse um adeus, uma única palavra me que mataria e doeria mais que qualquer coisa? E se fosse um adeus em muitas palavras?

Respirei fundo e li.

Quando a vejo reconheço-me

Nos olhos, no rosto, na cor,

Pois tremo de medo como a folha ao vento

Uma criança tem mais juízo que eu.

Emma.

Precisava tanto de você, do seu cheiro, seus olhos me refletindo, seus dedos trêmulos sobre minha pele. Precisava tanto de você, mesmo sem tocar, mesmo sem afundar-me em cada parte do seu ser. Eu precisava de você para encarar outra perda. Minhas mãos foram pintadas com sangue de alguém importante para mim. Minha mente anda atordoada, como se o vento sussurrasse sua voz dizendo “volte para mim”, e a outra gritante e suplicando “acabe logo com isso e eu tinha que fazer. ”.

Eu preciso de você, Emma.

Amassei em minhas mãos, apertando a um ponto que doía. As palavras embaralhavam-se diante de meus olhos e não faziam sentido. Mais uma pessoa havia morrido. Por que ela mataria alguém de fora? Prazer? Raiva?

– Emma? – Minha mãe assustou-me, ou minha expressão a assustou, é difícil saber.

– Quero ficar sozinha. – Pedi, deitando virada para a parede.

– Você chora, Emma... Tem que nos dizer o que esta havendo. – Insistiu, alisando meus cabelos, suspirando pesadamente. – Por favor, Emma.

– Não posso. – Virei-me finalmente aceitando que não havia ninguém além deles. – Não posso dizer, mãe. Mas dói.

– Você fez o que dizem? – Ajeitou minha cabeça em sua perna. Neguei. – Sabe quem foi? Onde vai quando some, Emma?

– Não posso. – O choro me tomava compulsivamente, não podia dizer, nunca conseguiria fazer tal coisa.

– Emma precisa ir conversar com eles. – Ouvi a voz do meu pai miseravelmente falha. Sentei num pulo.

– O quê?!

– Isso não havia acabado? – Minha mãe levantou-se pegando em seu braço, buscando atenção.

– Eu não sei. Killian acabou de passar aqui e dizer que hoje a noite ela deve ir lá e que... Farão perguntas. – Olhou para mim e sentou-se ao meu lado. – Emma, fale a verdade, você não tem nada a esconder, não é, filha? – Perguntou com a voz mansa, passando a mão em meu rosto.

Não neguei, não assenti, não chorei. Calei-me de modo que sabia que faria diante de qualquer pessoa. Regina precisava de mim. Eu precisava dela.

– Não vou deixá-la ir. – Minha mãe disse, saindo do quarto. – MINHA FILHA NÃO VAI SER SUBMETIDA A ISSO!

– Não ir é pior, Mary. Killian conhece nossa família, não vai acontecer nada a Emma. Vamos confiar em... – Argumentou, mas minha mãe o cortou.

– Não existe confiança nesse meio, você sabe. – Disse em lágrimas, sentada a mesa, com a cabeça entre as mãos. – Não, ela não pode ir...

– Vai ficar tudo bem. – Ele sussurrou a abraçando.

– Vou sair. – Levantei-me e esperei que negassem.

– Ao entardecer, Emma. – Meu pai disse na porta.

Corri pelos corredores até o local onde havia ficado com Regina. Minha respiração falhou consideravelmente, esperei tanto que a encontrasse lá. Mas lá estava: O vazio. Sua ausência e a falta de ar me tomando.

Encostei-me na parede tentando respirar. Não havia mais aonde ir. Entrei e senti seu cheiro em cada canto. Olhava as paredes e via imagens de nós. Não podia ter terminado para sempre. Ela voltaria, claro que voltaria. Buscava o convencimento.

Havia folhas ali e a tinta ainda fresca. Escrevi e deixei sobre a cama.

Sai pelos fundos da igreja e sentei-me no chão seco, olhando ao longe o céu escuro, coberto por nuvens cinzentas e pesadas. Fechei os olhos quando o vento bateu em minha direção, sem me importar com a poeira ou as folhas que vinham junto. Mais tarde eu estaria de frente com homens me olhando com mais que olhares acusatórios, haveria palavras e sempre que ouvia alguém comentar sobre isso era terrível.

Estava longe de saber o que ocorreria. Como meu pai disse, Killian nos conhecia. O medo me deixou enquanto olhava para o nada, meu coração transbordava, Regina estava certa quando disse se afundar em cada parte de mim, porque ela o fez, deixou-se registrada em meu corpo tão carente de seus toques.

– Se eu sair de lá, eu juro, eu vou te encontrar. – Joguei as palavras ao vento, para que sussurrasse a ela.

Virei e segui até a entrada da igreja, não queria voltar e encarar as expressões de meus pais. Respirei fundo. Olhei mais uma vez para trás, só para ter a certeza de que ela não estava mesmo ali, de que não apareceria para fugir comigo para qualquer lugar.

– Emma? – A voz de Killian me assustou. O olhei nos olhos tão frios e grossos que eu nunca tinha percebido antes. – Vai ficar tudo bem, certo? Você vai falar a verdade, não vai?

– Toda verdade que couber a mim. – Desviei de seu olhar, vendo que no interior as cadeiras formavam um circulo e várias pessoas já estavam sentadas.

Um silêncio perturbador.

Dei um passo e a porta se fechou atrás de mim, um som ensurdecedor e apavorante.

Quando estava mesmo lá dentro, tive certeza... Eu não sairia.

Me encontre, Regina. Quando for capaz de encarar, me encontre. 



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